domingo, 31 de julho de 2016

31 DE JULHO - ÁLVARO LAPA

EFEMÉRIDEÁlvaro Carlos Dinis Lapa, pintor e escritor português, nasceu em Évora no dia 31 de Julho de 1939. Morreu no Porto em 11 de Fevereiro de 2006. Em 1947, após a prisão do pai por razões políticas e o afastamento da mãe, que se viu obrigada a ir trabalhar para o Barreiro levando consigo os dois filhos mais novos, Álvaro Lapa ficou entregue aos cuidados dos padrinhos.
Durante a sua formação académica, recebeu lições de António Charrua, para melhorar a sua classificação na disciplina de Desenho (1950). Foi aluno de Vergílio Ferreira nos 6º e 7º anos (1951/52), o que o levou a iniciar-se na poesia.
Concluído o liceu em 1956, veio continuar os estudos em Lisboa, na Faculdade de Direito. Publicou durante este período um texto sobre Kafka no “Boletim da Associação de Estudantes da Faculdade” e participou na “Missão Internacional de Arte” em Évora (1958), promovida por Júlio Resende e apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian. Foi neste evento que contactou com o expressionismo abstracto, através do artista convidado Theo Appleby.
Acabou por abandonar o curso de Direito (1960) para ingressar em Filosofia, tendo neste período (1962) viajado até Paris, onde contactou com artistas próximos do surrealismo e com a emergente arte americana. Foi também em 1962 que começou a pintar.
Ainda em 1962, leccionou a disciplina de Português no Ensino Técnico de Estremoz e casou com uma colega da faculdade, Maria Helena Azevedo. Foi afastado da função pública em 1963, por suspeita de ser um activista de esquerda.
Em 1964, expôs pela primeira vez individualmente, na Galeria 111, em Lisboa. No ano seguinte, nasceu o seu segundo filho e mudou-se para Lagos, onde viveu até 1970, retomando a convivência com o escultor e amigo João Cutileiro.
Em 1968, nasceu mais uma filha e recebeu o seu primeiro prémio de pintura na Exposição da Queima das Fitas de Coimbra. No ano seguinte, nasceu o seu quarto filho.
Com uma viagem à Escandinávia em 1970, teve a oportunidade de experimentar novas formas de arte. Um ano depois, viajou pela Europa e Norte de África. Foi neste ano também que se mudou para Lisboa e se separou de Maria Helena Azevedo.
Deambulando entre Lagos e Évora, escreveu o texto “Um pato?” para o catálogo da exposição individual de Joaquim Bravo, na Galeria Quadrante, em Lisboa (1972). No ano seguinte, teve uma crise psíquica grave com internamento em Coimbra, tendo encontrado apoio no amigo João Cutileiro. Conheceu a pintora Maria José Aguiar que, juntamente com Cutileiro, o incentivaram a mudar-se para o Porto onde passou a viver com a pintora.
Em 1974, escreveu “Raso como o chão”, que foi publicado em 1977 pela Editorial Estampa. No ano seguinte, concluiu – na Faculdade de Letras da Universidade do Porto – o curso de Filosofia e, em 1976, obteve uma bolsa da Fundação Gulbenkian. Voltou ao ensino, com uma passagem fugaz pelo Ciclo Preparatório, na Póvoa do Varzim, entrando depois como professor assistente na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde leccionou a disciplina de Estética.
Fruto da sua relação com Maria José Aguiar, nasceu em 1980 uma filha, casando-se com a pintora um ano depois.
Conheceu em 1983 José-Augusto França, que o orientou na sua tese de doutoramento sobre o Surrealismo em Portugal.
Em 1998, os Artistas Unidos estreiam no Seixal o espectáculo “Mikado”, a partir de textos de Álvaro Lapa, Alberto Cinza e William Burroughs.
A sua única obra de arte pública foi realizada em 2003, para a decoração da estação do metro em Odivelas.
Ao longo da sua carreira conquistou várias distinções, nomeadamente o Grande Prémio EDP. O seu trabalho ao longo dos tempos evidenciou uma forte relação entre a literatura e a pintura. A sua licenciatura em Filosofia talvez justifique em parte esta ligação.
Álvaro Lapa manteve uma actividade constante, realizando inúmeras exposições em Portugal e no estrangeiro, afirmando-se como um dos pintores mais importantes da segunda metade do século XX.
Raramente deu entrevistas e às vernissages preferia o contacto directo com o público, chegando a dizer-se que foi ele próprio, na década de 1970, que vendeu as suas pinturas na antiga Feira da Vandoma, junto à Sé do Porto.
O seu nome encontra-se na lista de colaboradores da publicação académica “Quadrante” (1958/62) publicada pela Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa.

sábado, 30 de julho de 2016

VIOLÊNCIA (quadras)


Acabemos com as Guerras,
Terrorismos, Repressões…
Haja Paz nas nossas Terras,
Sossego nos Corações!

Tanta e tanta Violência,
Desde a Fome até à Guerra.
Há tanta e tanta ausência
De bom senso, aqui na Terra!


Gabriel de Sousa

30 DE JULHO - NICOLAU BREYNER

EFEMÉRIDE – João Nicolau de Mello Breyner Moreira Lopes, actor e realizador português, nasceu em Serpa no dia 30 de Julho de 1940. Morreu em Lisboa, em 14 de Março de 2016, vítima de ataque cardíaco.
Depois da infância em Serpa, onde nasceu no seio de uma família de proprietários agrícolas, mudou-se para Lisboa com os pais. Aprendeu Canto e integrou o coro da Juventude Musical Portuguesa, ao mesmo tempo que prosseguia os estudos, primeiro no Colégio Visconde de Castelões e depois no Liceu Camões. Ingressou seguidamente na Faculdade de Direito, com a ambição de se tornar diplomata. Depressa desistiu de Direito, optando por se diplomar no Conservatório Nacional, primeiro no curso de Canto e depois no de Teatro.
A sua estreia como actor aconteceu quando ainda frequentava o Conservatório. Sob a direcção de Ribeirinho, entrou na peça “Leonor Telles”, de Marcelino Mesquita, produzida pelo Teatro Nacional Popular, quando esta companhia estava instalada no Teatro da Trindade. Foi no entanto com a interpretação de papéis cómicos, ao lado de Laura Alves, que se tornou conhecido do grande público, revelando-se um dos mais bem sucedidos actores da sua geração. Em 2005, regressou ao teatro para interpretar o monólogo “Esta Noite Choveu Prata”, de Pedro Bloch, produzido por Sérgio de Azevedo.
Após o 25 de Abril de 1974, concebeu o seu primeiro programa televisivo – “Nicolau no País das Maravilhas”. Este programa tinha uma rábula chamada “Senhor Feliz e Senhor Contente, onde Nicolau lançou um jovem alemão aspirante a humorista, Herman José.
No princípio da década de 1980, surgiu como actor e simultaneamente como director de actores e co-autor do guião da primeira novela portuguesa, “Vila Faia” (1982). Seguiu-se a fundação da NBP Produções, hoje Plural Entertainment, a sua própria produtora de televisão, onde foi administrador, produtor e realizador, actividades que fizeram dele um verdadeiro precursor da indústria de ficção televisiva em Portugal.
Sem deixar a representação, concebeu as sitcomsEu Show Nico” e “Euronico”, participando noutras como actor (“Gente Fina é Outra Coisa”, “Nico D'Obra”, “Reformado e Mal Pago”, “Santos da Casa”)”, além de diversas séries (“Verão Quente”, “Conde D'Abranhos”, “A Ferreirinha”, “João Semana”, “Quando os Lobos Uivam”, “Pedro e Inês”, “Equador”) e novelas (“Fúria de Viver”, “Flor do Mar”, “Louco Amor”, “Jardins Proibidos”, “O Beijo do Escorpião”) etc.
Ao longo da sua carreira, participou em quase 50 filmes de realizadores de diversas gerações, como Augusto Fraga, Perdigão Queiroga, Henrique Campos, Herlander Peyroteo, Artur Semedo, Luís Galvão Teles, Fernando Lopes, António Pedro Vasconcelos, Joaquim Leitão, Leonel Vieira e João Botelho, entre outros. Uma das suas participações mais recentes (2013) foi no filme “Comboio Nocturno Para Lisboa”, adaptação do livro homónimo de Pascal Mercier. Pelas suas prestações no grande ecrã, recebeu três Globos de Ouro de Melhor Actor (um em 2003 e dois em 2004).
Em Junho de 2005, foi feito Grande-Oficial da Ordem do Mérito. Era primo da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen. Foi casado quatro vezes, a última – desde 2006 – com Mafalda Gomes de Amorim Bessa.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

29 DE JULHO - OCEANO

EFEMÉRIDEOceano Andrade da Cruz, ex futebolista português, nasceu em São Vicente, Cabo Verde, no dia 29 de Julho de 1962. Jogava na posição de meio campo, sendo considerado um dos grandes centro-campistas portugueses nas décadas de 1980/90. A sua família veio de Cabo Verde para Portugal quando ele era ainda criança.
Começou a jogar no Almada Atlético Clube, antes de se mudar para o Nacional da Madeira, onde teve boas actuações e demonstrou grande força física, sendo mais tarde contratado pelo Sporting CP.
Foi jogador do Sporting de 1982 a 1990 e de 1994 a 1998. Demonstrou ser um jogador concentrado e muito constante, apesar de nunca ter ganho um campeonato. Conquistou a Taça de Portugal na época de 1994/95.
Mudou-se para Espanha, alinhando pela Real Sociedad de 1990 a 1994 e sendo um dos melhores jogadores da Liga Espanhola.
Jogou 54 vezes pela Selecção Portuguesa, entre 1985 (num jogo frente á Roménia) até 1998 (contra à Inglaterra). A sua presença habitual na selecção foi só atingida na década de 1990, sendo um jogador fundamental no Campeonato Europeu de Futebol de 1996, onde Portugal chegou aos quartos de final, perdendo então com a República Checa.
Depois de deixar o Sporting, passou o final da época 1998/99 no Toulouse FC, onde terminou a sua carreira – aos 36 anos de idade. Pertenceu aos quadros da Federação Portuguesa de Futebol, assumindo o cargo de seleccionador nacional de Sub-21 em 2009.
Oceano da Cruz teve um longo namoro com a actriz Marina Mota.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

28 DE JULHO - MARIE DRESSLER

EFEMÉRIDEMarie Dressler, de seu verdadeiro nome Leila Maria Koerber, actriz canadiana, morreu em Santa Bárbara, Califórnia, no dia 28 de Julho de 1934. Nascera em Cobourg, Ontário, em 9 de Novembro de 1868. Foi premiada com o Oscar de Melhor Actriz pelo papel desempenhado em “Min and Bill”. Tem uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood.
Ainda muito jovem, Dressler já tinha talento para fazer as pessoas rir. Começou a sua carreira artística aos catorze anos. Em 1892, fez a sua estreia na Broadway, enveredando pelo teatro de vaudeville.
Foi Maurice Barrymore quem deu o impulso inicial de que ela necessitava, aconselhando-a sobre o modo de promover a sua carreira e proporcionando-lhe um papel na peça “Ladrão do Reno”. Anos depois, ela apareceria com os filhos de Maurice, Lionel e John, em alguns filmes mudos. Durante o início dos anos 1900, tornou-se uma grande estrela do cinema mudo.
O primeiro papel de Dressler no cinema foi em 1910, quando tinha 42 anos. O fundador dos Keystone Studios em Edendale, na Califórnia, convenceu-a a estrelar o seu filme mudo de 1914, “Tillie's Punctured Romance”. Apareceu depois em mais duas sequelas de “Tillie”, além de fazer outras comédias até 1918, ano em que voltou ao vaudeville.
Em 1927, o seu nome constava da lista negra das companhias de teatro, devido às suas posições trabalhistas. Frances Marion, um guionista da MGM, “resgatou” o seu nome e usou a sua influência junto do chefe de produção da MGM, para Dressler voltar aos ecrãs. O seu primeiro filme na MGM foi “The Callahans and the Murphys” (1927).
Em 1929, Marie Dressler afastou-se mais uma vez do cinema, ingressando no grupo de teatro de Edward Everett Horton, em Los Angeles.
Pouco tempo mais tarde, porém, de novo se encontrou na berlinda devido a chegada do cinema falado e à necessidade de actores de palco experientes. Deixou então a companhia de Horton. O cinema falado não apresentou nenhum problema para ela.
Em 1930, desempenhou o papel de Martly, uma velha megera, no filme “Anna Christie” (1930). Greta Garbo – com quem contracenava – e os críticos ficaram impressionados com as suas capacidades e a MGM apressou-se a assinar um contrato com ela, mediante um chorudo salário para a época (US$ 500 por semana).
Mulher robusta e encorpada, com recursos muito simples, passou a actuar em filmes cómicos, que estavam então muito em voga. Embora com sessenta anos de idade, rapidamente se tornou uma das actrizes mais rentáveis e populares de Hollywood, permanecendo no topo até à sua morte.
Demonstrou o seu talento igualmente noutros papéis. Pela sua interpretação em “Min and Bill” ganhou em 1931 o Oscar de Melhor Actriz, sendo nomeada de novo para o mesmo Oscar pelo seu desempenho em “Emma” (1932).
Em 1934, foi-lhe diagnosticado um cancro em fase terminal. Morreu pouco tempo depois e foi sepultada numa cripta do Memorial Park Cemetery em Glendale, na Califórnia.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

27 DE JULHO - WILLIAM WYLER

EFEMÉRIDEWilliam Wyler, de seu nome original Wilhelm Weiller, realizador e produtor norte-americano de origem suíça e alsaciana, morreu em Los Angeles no dia 27 de Julho de 1981, vítima de crise cardíaca. Nascera em Mulhouse, em 1 de Julho de 1902. Fazendo parte de uma família suíça de confissão judaica, foi educado em Lausanne, antes de ir estudar violino no Conservatório de Paris.
Nascido na Alsácia, então território alemão, emigrou para os Estados Unidos em 1920, estabelecendo-se em Nova Iorque. Em 1922, mudou-se para a Califórnia, onde realizou o seu primeiro filme em 1925. Em 1928, obteve a cidadania norte-americana.
Em 1922, trabalhou na Universal, primeiro nos serviços de publicidade e depois como assistente de produção. Em 1925, lançou-se na realização, tornando-se o mais jovem realizador da empresa.
A partir dos anos 1930, tornou-se um dos realizadores de referência em Hollywood, colaborando nomeadamente com a Warner Bros. Mais tarde, assinou um contrato com a Metro Goldwyn Mayer, que lhe permitiu realizar numerosos filmes de sucesso, como “Ben-Hur”, uma película recompensada com onze Oscars.
Entre 1942 e 1945, alistou-se na força aérea dos Estados Unidos, tendo realizado dois documentários sobre a guerra: “The Memphis Belle: A Story of a Flying Fortress” (1943) e “Thunderbolt” (1947).
De volta a Hollywood, e aproveitando o seu prestígio, fundou – juntamente com George Stevens e Frank Capra – uma sociedade de produção independente – a Liberty Film, que só duraria até 1948.
Como realizador, fez vários dramas históricos, filmes musicais e comédias, onde deu largas ao seu perfeccionismo e garantiu aos seus actores e actrizes muitas nomeações para os Oscars.
Wyler, detentor do recorde de nomeações para o Oscar de Melhor Realizador, conquistou-o por 3 vezes (1943, 1947 e 1960), com películas que receberam igualmente os Oscars de Melhores Filmes. Recebeu ainda a Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 1957.
Foi casado com a actriz Margaret Sullavan (1934/36) e depois com Margaret Tallichet, com quem teve cinco filhos, tendo o casamento durado desde 1938 até ao fim dos seus dias.

terça-feira, 26 de julho de 2016

26 DE JULHO - JOÃO PAULO RODRIGUES


EFEMÉRIDEJoão Paulo Rodrigues, actor e humorista português, nasceu em Lisboa no dia 26 de Julho de 1978. Tornou-se conhecido pelo seu personagem Quim Roscas, que fez parte de várias séries do programa de humor “TeleRural”, em dupla com Pedro Alves, que dava corpo ao personagem Zeca Estacionâncio.
Mudou-se em criança para Braga, onde passou os seus primeiros anos de vida. Foi depois para Moçambique com o pai. Durante a adolescência, fez rádio e tocou em várias bandas de garagem.
Aos 20 anos de idade, estreou-se no teatro cómico, no Porto. Foi por essa época que conheceu Pedro Alves com quem viria a formar a dupla Quim Roscas e Zeca Estacionâncio. Conheceram-se na Rádio Nova Era, onde Pedro Alves era locutor e onde começaram por colaborar no programa da manhã.
A primeira participação na televisão aconteceu no programa “1,2,3”, a convite de Teresa Guilherme. Participaram depois nos programas “Praça da Alegria” e “Portugal no Coração”.
Lançaram o primeiro DVD ao vivo e foram convidados para terem o seu próprio programa, o “TeleRural”, com as notícias de Curral de Moinas.
FM HISTÉRICO” foi um programa entretanto apresentado na Rádio Best Rock. Regressaram à RTP para apresentar “Portugal Tal & Qual”.
Em 2012, participou sozinho na primeira edição do programa “A Tua Cara Não Me É Estranha” da TVI, que acabou por vencer e onde demonstrou as suas qualidades para a música.
João Paulo Rodrigues, para além de cantar, representar, apresentar e fazer humor, faz também corridas com clássicos e pratica artes marciais.
Ainda no decorrer de 2012, iniciou na TVI, ao lado de Marisa Cruz, a apresentação do programa “Não há Bela sem João”.
Em 2013, integrou o elenco de “7 pecados mortais”, o filme português mais visto nas salas de cinema nacionais durante aquele ano, com realização de Nicolau Breyner.
Em Dezembro de 2013, transferiu-se para o canal SIC, passando a apresentar, desde Fevereiro de 2014, ao lado de Júlia Pinheiro, o programa “Queridas Manhãs”.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

25 DE JULHO - FERNANDA BAPTISTA

EFEMÉRIDEFernanda Baptista, de seu verdadeiro nome Fernanda Gil Ferreira Martins, actriz e fadista portuguesa, morreu em Cascais no dia 25 de Julho de 2008. Nascera em Lisboa, em 7 de Maio de 1919. Ao longo da sua longa carreira, actuou em cerca de 50 revistas e operetas e realizou variadíssimas digressões.
Fernanda Baptista era vizinha do actor Vasco Santana que, em virtude dela em criança já gostar muito de cantar, lhe chamava “o papagaio das cantorias”. Aos 10 anos, participou pela primeira vez numa peça de teatro infantil, mas estava ainda longe de enveredar por uma carreira artística.
Com apenas 19 anos, casou-se com um funcionário da Companhia Colonial de Navegação e abraçou a profissão de modista. Foi no atelier onde trabalhava e em festas particulares das suas clientes que começou por brilhar na interpretação do fado.
Em 1945, as suas colegas inscreveram-na no Concurso de Outono do jornal “Canção do Sul”, cujas eliminatórias decorreram no Retiro dos Marialvas e no Café Latino. Neste concurso, conquistou o 2º lugar, representando o Bairro Alto. A partir desse momento, tornou-se intérprete profissional, foi contratada pelo empresário José Miguel e passou a integrar o elenco do Retiro dos Marialvas.
As interpretações genuínas de Fernanda Baptista eram muito apreciadas pelos críticos e, ainda não tinha decorrido um ano da sua profissionalização, já o jornal a “Guitarra de Portugal” a considerava «um dos valores mais sólidos da moderna geração».
Em 1946, passou a cantar no Café Luso e, nesse mesmo ano, foi convidada para actuar no Teatro Maria Vitória. Assim, substituiu Luísa Satanela na revista “Banhos de Sol”, estreando-se no espectáculo com a interpretação da “Ronda Fadista”.
Até ao final da década, participou em quadros musicais de muitas das revistas do Teatro Maria Vitória, caso de “Canções Unidas”, em 1946, com o tema “Trapeiras de Lisboa”, que foi premiado pelo SNI como o Melhor Quadro de Revista. Saliente-se ainda: “Ó ai ó linda” e “Salada de Alface”, em 1947; e “Disto é que eu gosto” e “O Tico-tico”, em 1948. Nesta última revista, interpretou o seu maior êxito, o “Fado da Carta”.
Com a Companhia de Eugénio Salvador, Fernanda Baptista apresentou-se nas revistas “Saias Curtas”, “Cala o Bico” e “Festa é Festa”, entre 1953 e 1955.
Ainda no âmbito do teatro, é de destacar a revista “Ena Já Fala”, levada à cena em 1969, no Teatro ABC, onde ela interpretou com tal sucesso o tema “Saudades de Júlia Mendes” que se tornou um fado incontornável do seu repertório.
Protagonizou também uma película realizada por José Buchs, em 1949, “Sol e Toiros”. Neste filme, participaram – para além de Fernanda Baptista – Manuel dos Santos, Amália Rodrigues e Eugénio Salvador, entre outros. O “Fado Toureiro”, que integra a banda sonora deste filme, tornou-se depois num dos seus fados mais famosos, a que se juntam os temas “Fado da Carta” e “Saudades de Júlia Mendes”, já referidos.
As suas saídas de Portugal para diversas actuações iniciaram-se na década de 1950, com a digressão a África da revista “Saias Curtas”. A esta, somaram-se espectáculos de fado em cidades angolanas como Luanda, Lobito e Nova Lisboa.
Posteriormente, Fernanda Baptista fez numerosas viagens ao Brasil (país onde - numa das vezes - permaneceu mais de ano e meio), à Argentina, a África e aos Estados Unidos e Canadá. No interior destes dois últimos países, fez mais de 17 tournées.
Em televisão, foi também requisitada para diversos programas, como o “Zip Zip” ou o “Fado Fadinho”. Integrou – como artista convidada – as séries televisivas de Filipe la FériaGrande Noite” e “Cabaret”.
Fernanda Baptista voltou ao teatro de revista em 1990, para participar na peça “Ai Cavaquinho” no Teatro Capitólio e, em 1994, foi homenageada num outro teatro do Parque Mayer, o Variedades, no decurso da apresentação da revista “Vivó Velho”, a última em que participou, ao lado de Artur Garcia, Mariette Pessanha e Joel Branco.
Em Abril de 1996, em homenagem aos seus 50 anos de carreira, realizou-se um concerto no Teatro São Luís, onde participaram Anita Guerreiro, Deolinda Rodrigues, Maria Valejo, Maria José Valério, Fernando Maurício e Carlos Zel que, entre muitos outros colegas e amigos, do fado e do teatro de revista, lhe testemunharam o seu carinho e admiração.
Gravou muitos discos, mas só na década de 1970 editou o primeiro LP. Em 2005, a Movieplay lançou a antologia “Fernanda Baptista – a Maior Voz do Teatro de Revista”, reunindo em duplo CD os seus maiores êxitos.
Apesar de várias vezes se ter afastado dos palcos e de ter pensado retirar-se definitivamente da vida artística quando completou 87 anos, em Maio de 2006, Fernanda Baptista ainda integrou o elenco musical do espectáculo de Filipe la FériaA Canção de Lisboa”, exibido no Teatro Politeama.
Em 2003, o então presidente da República Jorge Sampaio condecorou-a com o grau de Comendadora da Ordem de Mérito.

domingo, 24 de julho de 2016

FERNANDA BAPTISTA - "Fado Carta"


24 DE JULHO - ANA CRISTINA DE OLIVEIRA

EFEMÉRIDE Ana Cristina de Oliveira, modelo e actriz portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 24 de Julho de 1973.
Estudou Cinema, Teatro (especialização em Shakespeare) e Canto e Voz na Stela Adler Academy (em Nova Iorque).
Apesar de ter experiência em teatro, pois participou numa série de projectos para o Stela Adler Theatre, obteve o verdadeiro reconhecimento público através da sua carreira no cinema.
Entre Portugal, Estados Unidos e Itália, protagonizou filmes como “Odete” de João Pedro Rodrigues, “Tudo isto é Fado” de Luís Galvão Teles e “Táxi” de Tim Story. Participou ainda em “Miami Vice” de Michael Mann (ao lado de Colin Farrell e Jamie Foxx) e “Raising Helen” de Gary Marshall.
O seu desempenho em “Odete” valeu-lhe o Prémio Janine Bazin. «Neste ano, nenhuma mulher foi mais selvagem que a personagem principal de “Odete”» – afirmou Dennis Lim, em “The Village Voice” (Nova Iorque, Novembro de 2005).
Ana Cristina esteve casada com um produtor musical inglês de quem se divorciou em 2015. Vive normalmente nos Estados Unidos da América.

sábado, 23 de julho de 2016

23 DE JULHO - WOODY HARRELSON

EFEMÉRIDE – Woodrow “Woody” Tracy Harrelson, actor norte-americano, nasceu em Midland (Texas) no dia 23 de Julho de 1961. Foi nomeado para os Oscars por duas vezes.
O pai, falecido em 2007, foi condenado à prisão perpétua em 1979 pela morte de um juiz federal. Woody é defensor da legalização do uso da maconha e militante de várias causas ecológicas, apoiando o grupo ambientalista Ruckus Society.
Depois de se ter diplomado em Inglês e Arte Dramatica no Hanover College (Indiana), iniciou a sua carreira na televisão. Em 1985, fez parte do elenco da popular série americana “Cheers”.
Começou no cinema interpretando o papel de um estudante, jogador de futebol americano, na comédia ” Wildcats” (1986). Neste primeiro filme, contracenou com Wesley Snipes, o que voltou a acontecer em “White Men Can't Jump)” (1992) e no filme policial “Money Train” (1995). Fez de marido de Demi Moore, em “Indecent Proposal” (1993).
O grande sucesso chegou depois de ter sido cabeça de cartaz de dois filmes controversos, um de Oliver Stone onde desempenhou o papel de um serial killer adepto da ultra-violência gratuita e outro de Milos Forman (“The People vs. Larry Flynt”), pelo qual foi nomeado para o Oscar de Melhor Actor (1996).
Com o seu prestígio a aumentar, Woody voltou-se para papéis muito diferentes. Foi oncologista, jornalista, pequeno agricultor e pugilista, contracenando neste caso com António Banderas em “Os adversários”.
Em 2005, deu a réplica a Charlize Theron em “O Caso Josey Aimes” e juntou-se ao elenco do último filme de Robert Altman, “The Last Show”.  
Em 2008, protagonizou “2012”, filme inspirado numa profecia dos Maias que datava o fim das nossas civilizações para Dezembro de 2012.
Foi nomeado para o Oscar de Melhor Actor Coadjuvante em 2010, com o filme “The Messenger”.
Em 2014, fez parte da primeira série de “True Detective”, recebendo os aplausos da crítica e do público. No ano seguinte, teve o papel principal numa curta-metragem sobre a canção “Song for Someone” do grupo U2, sendo acompanhado por sua filha Zoe. Woody Harrelson já entrou em cerca de 60 filmes (1986/2015).

sexta-feira, 22 de julho de 2016

MERCEDES SOSA - "Todo cambia"


22 DE JULHO - GIOVANNINO GUARESCHI

EFEMÉRIDEGiovannino Guareschi, jornalista, cartoonista e romancista italiano, morreu em Cervia no dia 22 de Julho de 1968, vítima de crise cardíaca. Nascera em Fontanelle di Roccabianca, em 1 de Maio de 1908. Ficou conhecido sobretudo pela criação dos personagens Don Camillo e Peppone (1948).
Estudou Direito e foi professor de bandolim. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi deportado para a Polónia pelos alemães, depois do armistício italiano (Setembro de 1943).   
Começou a sua carreira como jornalista e redactor, primeiro no semanário satírico “Bertoldo” e depois no semanário humorístico”Candido”, que fundou em 1945 e do qual foi director durante vários anos.
Giovannino Guareschi resumia assim a sua biografia: «A minha vida começou em 1908 e, depois, pela força das coisas, continuou.».  
Os relatos das peripécias entre Don Camillo, um padre não-conformista, e Peppone, um autarca comunista, foram traduzidos em várias línguas, tornando-o num dos escritores mais lidos na época.
Nos anos 1950, foi condenado várias vezes por «difamar as mais altas autoridades do Estado». Esteve detido durante 409 dias por ultraje ao Presidente da República e ao Primeiro-ministro, na qualidade de jornalista.
Os seus romances permitiram a realização de vários filmes de sucesso, com Fernandel no papel de Don Camillo e Gino Cervi no de Peppone. Escreveu cerca de cinquenta livros, alguns publicados postumamente. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

21 DE JULHO - NUNO MARKL

EFEMÉRIDENuno Frederico Correia da Silva Lobato Markl, humorista, escritor, radialista, apresentador de televisão, cartoonista e argumentista português, nasceu em Lisboa no dia 21 de Julho de 1971.
Na rádio, começou a ser conhecido em 1993 com a radionovela humorística “A Saga de Abílio que caiu da cerejeira”. Alcançou grande sucesso – poucos anos depois – com a rubrica de notícias bizarras “O Homem que Mordeu o Cão”, que deu origem a três livros, um programa de televisão e um espectáculo ao vivo com digressão nacional.
Entre os seus trabalhos para a rádio, destaque ainda para uma rubrica baseada nas suas experiências quotidianas, “Há Vida em Markl”, complementada por um cartoon semanal publicado pelo suplemento satírico “Inimigo Público” do jornal “Público”, e para uma outra rubrica sobre acontecimentos e objectos bizarros da década de 1980, “Caderneta de Cromos”, que deu origem a dois livros e a uma adaptação teatral.
Na televisão, trabalha como autor na agência criativa Produções Fictícias desde 1995, tendo participado igualmente como actor na série cómica “Os Contemporâneos”. Como autor e apresentador, participou em diversos programas na RTP, SIC Radical e Canal Q, sendo um dos apresentadores do talk show5 para a Meia-Noite” na RTP (até 2015).
No cinema, é conhecido sobretudo pela participação na dobragem de filmes de animação, tendo-se estreado como actor no filme “A Bela e o Paparazzo” (2010), de António-Pedro Vasconcelos.
Aos dez anos de idade, Markl já simulava a realização de programas de rádio em casa e, no final da década de 1980, começou a trabalhar numa estação pirata, “A Voz de Benfica”.
Com o desejo de entrar no mundo da rádio profissional, ingressou no curso de jornalismo do CENJOR em 1990. Após terminar o curso, trabalhou como jornalista na Correio da Manhã Rádio (1991/93) e na Rádio Comercial (1993/97), embora não fosse essa a sua vocação.
Na Correio da Manhã Rádio, Markl fez um programa chamado “Prok Der e Vier”. Após o fecho desta estação de rádio, passou para a Rádio Comercial. Graças ao seu trabalho, foi convidado a ingressar na agência criativa Produções Fictícias, onde com outros colaboradores escreveu sketches para os programas de televisão “Herman Zap” (1995/96), “Herman Enciclopédia” (1997), “Herman 98” (1998), “Herman 99” (1999), “Herman SIC” (2000), “Paraíso Filmes” (2001/02), “O Programa da Maria” (2002), “Hora H” (2007) e “Os Contemporâneos” (2008).
Em 1996, Markl fez dois programas para a Rádio Comercial, o “Sete e um” e o talk show nocturno “Dois em um”. Em 1997, após mudanças na direcção daquela estação, passou a trabalhar no “Programa da Manhã” com Pedro Ribeiro, Ana Lamy, José Carlos Malato e – mais tarde – Maria de Vasconcelos. O sucesso de “O Homem que Mordeu o Cão” levou ao lançamento – em 2002 – do primeiro de uma série de três livros com algumas das histórias das emissões de rádio, que vendeu mais de 100 000 exemplares e deu origem a um espectáculo semanal ao vivo no Teatro Villaret que posteriormente fez uma digressão nacional e foi adaptado à televisão (TVI).
Em 2002, Markl entrou para o recém-criado canal de televisão SIC Radical como comentador de cinema, trabalhando ao lado de Rui Pedro Tendinha no programa “Curto Circuito” e de Fernando Alvim no programa “CineXL”. Na SIC Radical e em parceria com Fernando Alvim, apresentou ainda os programas “O Perfeito Anormal” e “O Homem da Conspiração”.
Em 2003, passou para a rádio Antena 3, apresentando – no programa matinal “As Manhãs da 3” – as rubricas “Há Vida em Markl”, “O Livro dos Porquês” e “Coisas que Acontecem”. Criou ainda a radionovela “Perdidos no Éter” e foi co-autor do talk show de fim-de-semana “Nuno & Nando”, com Fernando Alvim.
Em 2008, traduziu a adaptou o espectáculo teatral “Os Melhores Sketches dos Monty Python”, protagonizado por José Pedro Gomes, António Feio, Miguel Guilherme, Bruno Nogueira e Jorge Mourato, inicialmente em cena no Casino Lisboa e que posteriormente fez uma tournée pelo país.
Em 2009, regressou ao “Programa da Manhã” da Rádio Comercial, onde criou o talk show de fim-de-semana “PAI – Programa Absolutamente Incrível” com Diogo Beja. Após a saída deste último e a entrada de Vasco Palmeirim, o programa passou a chamar-se “PRIMO – Programa Realmente Incrível Mas Obtuso”.
Em 2010, entrou para o recém-criado canal Q das Produções Fictícias, criando e apresentando o talk showShow Markl”. Para o mesmo canal, em 2012, criou e protagonizou – com Ana Galvão – a série “Felizes Para Sempre”.
Ainda em 2012, criou nova rubrica, a “Grandiosa História Universal das Traquitanas”, em que várias invenções mais ou menos importantes da história da Humanidade eram analisadas e parodiadas.
Tem recebido inúmeros prémios ao longo da sua carreira. Foi casado com a radialista e apresentadora Ana Galvão, de 2010 até Março de 2016, tendo-se separado por mútuo acordo. 
Em 2004, no âmbito das comemorações dos trinta anos da Revolução dos Cravos, foi uma das trinta personalidades a ser convidadas pelo então presidente da República Jorge Sampaio para um jantar no Palácio Nacional de Belém.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

AOS MEUS NETOS

Sempre de olhos bem abertos,
Com a força de viver,
Fico a dever aos meus netos
Um suave envelhecer!

Gabriel de Sousa

NB – 3º Prémio nos 46ºs Jogos Florais Internacionais de Nossa Senhora do Carmo – 2016 (Fuseta)


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