sábado, 12 de novembro de 2016

12 DE NOVEMBRO - DAMON GALGUT

EFEMÉRIDEDamon Galgut, dramaturgo e romancista sul-africano, nasceu em Pretória no dia 12 de Novembro de 1963. É um dos maiores escritores da África do Sul “pós-apartheid”.
Nascido numa família de advogados, cresceu em Pretória. Aos seis anos, foi-lhe diagnosticado um cancro, experiência que ele relatará muito mais tarde no romance “Small Circle of Beings”, escrito aos 25 anos: «Isto ficou como o elemento central e o cataclismo da minha vida. A minha necessidade de escrever nasceu nessa época, porque eu associava os livros e a escrita ao amor e à atenção. Era a única coisa que eu queria fazer.». Os seus familiares começaram, então, a lerem-lhe livros.
Estudou Arte Dramática na Universidade de Cidade do Cabo e iniciou-se na literatura com “A Sinless Season”, livro escrito aos 17 anos e só publicado em 1984. Voltaria à Universidade do Cabo para ser professor durante oito anos.
Muito introvertido e tímido, afastou-se dos palcos e concentrou-se nos romances. Em 1992, “The Beautiful Screaming of Pigs” recebeu o Central News Agency Literary Prize, um dos mais importantes prémios sul-africanos.
A sua obra mais bem-sucedida é “The Good Doctor” (2003), que conquistou o Commonwealth Writers Prize. Em 2008, “The Impostor” ganhou o University of Johannesburg Prize.
De regresso ao teatro, dirigiu a produção de uma peça de Samuel Beckett – “À espera de Godot”.
Militante de causas humanitárias, foi um dos catorze autores de uma obra publicada em 2010 pelos Médicos Sem Fronteiras. Viajante solitário, prefere destinos onde não conhece ninguém, que vamos descobrir depois em vários dos seus livros.
Damon Galgut lastima a falta de vida cultural e intelectual no seu país, que está mais virado para o desporto.
O seu romance “The Quarry” foi adaptado ao cinema por Marion Hänsel, tendo conquistado o prémio de Melhor Filme no Festival de Filmes do Mundo de Montreal, em 1998.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

DESCANSA EM PAZ, LEONARD COHEN ! - ("So Long, Marianne")


CARLOS DO CARMO & ANA MOURA - "Novo Fado Alegre"


11 DE NOVEMBRO - ÁGATA

EFEMÉRIDEÁgata, de seu verdadeiro nome Maria Fernanda Pereira de Sousa, cantora portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 11 de Novembro de 1959.
Em 1975, foi lançado o seu primeiro trabalho discográfico intitulado “Heróis Trabalhadores”. Neste mesmo ano, entrou para o Centro de Preparação de Artistas da Emissora Nacional, onde frequentou o curso de Música e Arte.
Em 1976, gravou “Já não estou sozinha”. Percorreu o país ao lado de nomes populares da canção portuguesa de então, como António Calvário, Tony de Matos, Maria de Lourdes Resende e Fernando Farinha, entre muitos outros.
Com apenas 17 anos, integrou o grupo das Cocktail, com quem gravou vários discos. Conjuntamente com Tozé Brito, emprestou a sua voz ao tema da série “Abelha Maia” (1978). Participou nas séries televisivas “Frou Frou” e “Espelho dos Acácios” da RTP.
Em 1979, gravou o tema “Caso Meu” da telenovela brasileira “Dona Xepa” e interpretou em dueto com Art Sullivan a canção “L'amour à la Française”.
Participou no Festival RTP da Canção em 1982, com o tema “Vai mas Vem”, que lhe valeu o Prémio de Revelação do Ano. O grupo Cocktail desfez-se em 1984. Fez espectáculos de Verão com as Doce, onde permaneceu até à extinção do grupo.
Passou a usar o nome artístico Ágata. Em 1986, foi editado o singleQuentinha e boa” e, cerca de um ano depois, “Amor Latino”, seguindo-se “Louca por ti”.
Mudou de editora e gravou o álbum “Perfume de Mulher”, com o qual atingiu um disco de platina e que se manteve 52 semanas no Top do Made In Portugal.
Em 1995, seguiram-se mais alguns sucessos como “Maldito Amor”, “Tudo foi por ciúme”, “Mãe Solteira”, “Foi Contigo” e “Desgostos de Amor”. Este ano marcou uma nova etapa na sua vida, com uma faceta mais romântica e harmoniosa, com a edição de “Escrito no Céu”, onde se destacam os temas “Comunhão de Bens”, “Não mereço tanta dor” e “Quando as luzes se apagarem”.
Em 1998, iniciou-se um novo capítulo na história e carreira de Ágata, com o nascimento do seu 2º filho, a quem dedicou uma música no álbum desse ano: “De hoje em diante”.
Em 2000, “Sozinha” deu nome a um novo trabalho, cujas letras são bastante actuais, falando de relações acabadas, desilusões e mágoas amorosas, mas que não fogem ao estilo musical da cantora, que prima pela sensibilidade.
Numa retrospectiva da sua carreira, surgiu nos escaparates musicais – em 2001 – o álbum “20 anos”, uma compilação com os temas que fizeram sucesso na voz de Ágata, mas onde se incluíram 4 temas inéditos.
Em 2002, foi protagonista do programa “O Meu Nome é Ágata” na SIC, onde deu a conhecer ao público novas facetas do seu dia-a-dia. Em 2004, apresentou um álbum duplo (“O Meu Pequeno Fado”), com a particularidade dos dois CD serem gravados e produzidos em estúdios diferentes.
Após vários discos, apresentou – em 2007 – o álbum “Anos Luz”, com êxitos desde “Juro e Jurarei” até “Anjinhos Inocentes”, tema que dedicou às crianças desaparecidas em Portugal.
Em 2009, publicou o álbum “Promessas”, que inclui um dueto com Vítor Espadinha (“Promessas, promessas”), tema que lhe rendeu um prémio. Em 2010, decidiu – juntamente com a sua editora – reeditar as canções que foram marcos na sua carreira.
Em 2011, com “Ainda Te Amo”, Ágata demonstrou que conseguia ainda surpreender. Após tantos anos de sucessos consecutivos, este trabalho veio reafirmar o seu nome na música ligeira portuguesa.
Em 2014, para comemorar os quarenta anos de carreira, foi lançado um DVD gravado ao vivo no Porto. O seu último trabalho, editado no início de 2016, foi “As Minhas Canções”. Em breve, vai começar a preparar um novo disco a lançar em 2017.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

10 DE NOVEMBRO - CORREIA GARÇÃO

EFEMÉRIDE – Pedro António Correia Garção, poeta português, morreu em Lisboa no dia 10 de Novembro de 1772. Nascera na mesma cidade em 13 de Junho de 1724.
Não chegou a terminar os estudos na Universidade de Coimbra. Exerceu o cargo de escrivão na Casa da Índia. Pouco antes de morrer, incompatibilizou-se com o Marquês de Pombal.
A esposa, D. Maria Ana Xavier Fróis Mascarenhas de Xande Salema, trouxe-lhe avultados bens, desaparecidos mais tarde em litígio judicial. A perda da fortuna não representou a sua única desgraça. Também foi preso. Quando, graças à dedicação da mulher, ia ser solto, faleceu.
A causa da prisão nunca foi devidamente averiguada. Supôs-se que fosse por causa de um poemeto ao infante D. Pedro, em que não se consentia que fosse erigida uma estátua e no qual se quis ver uma crítica ao Marquês de Pombal, que mandara colocar o seu medalhão no monumento a D. José I. A hipótese é inaceitável, porque o encarceramento ocorreu em 1771, datando a estátua de 1775. Outros atribuíram o caso a uma aventura amorosa com a filha do intendente escocês Macbean, de cuja hospitalidade teria abusado. Contudo, nada se esclareceu e a imaginação elaborou livremente aspectos fantasiosos.
A obra de Correia Garção abrange múltiplos aspectos, salientando-se a sua actividade de teórico e orientador do Classicismo. Cultivou a sátira horaciana e foi um excelente metrificador.
A sua peça “O Teatro Novo” vale como importante documento para a história das ideias sobre teatro. “A Assembleia ou Partida”, comédia de costumes, constitui uma caricatura do gosto imoderado pelo luxo. Garção foi também autor de “Obras Poéticas” e “Discursos Académicos”.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

9 DE NOVEMBRO - JOSÉ ÁGUAS

EFEMÉRIDEJosé Pinto de Carvalho Santos Águas, futebolista português, avançado de centro, nasceu em Luanda no dia 9 de Novembro de 1930. Morreu em Lisboa, em 10 de Dezembro de 2000. Entre outros troféus, conquistou – em 1961 e 1962 – a Taça dos Campeões da UEFA, como capitão de equipa, em representação do SL e Benfica. Casado com Maria Helena de Jesus Lopes, falecida em 2003, teve três filhos: Lena d’Água (cantora), Cristina Maria e Rui Águas (também jogador de futebol).
Com apenas 15 anos, foi dactilógrafo na Robert Hudson, uma empresa concessionário da Ford. Tornou-se jogador da equipa da firma. Tendo em conta o talento revelado, passou depois a representar o Lusitano do Lobito. Por influência paterna, “nasceu” benfiquista. Um poster, já amarelecido pela idade, devotadamente colocado no seu quarto, dava-lhe inspiração. Em 1950, chegaram notícias da então metrópole anunciando a conquista da Taça Latina pelo Benfica, o que o entusiasmou ainda mais.
No entanto, ele nem sequer sonhava ou imaginava a hipótese de alguma vez defrontar semelhante naipe de campeões. Foi porém o que aconteceu. Depois da aludida vitória, a equipa do Benfica foi a Angola e, num dos jogos disputados, no Lobito, defrontou uma selecção local de que fazia parte José Águas. Ao saber que tinha sido seleccionado, José Águas sentiu um frémito e levou tempo a recompor-se. Custa até imaginar como deve ter ficado depois do jogo, que venceu por 3-1, com dois tentos de sua autoria. Os dirigentes benfiquistas pediram-lhe para passar no hotel onde a equipa estava alojada...
Naquela noite, olhou vezes sem conta, sempre de soslaio, por timidez até na intimidade, o velho poster que dava vida ao seu quarto. Contrato rubricado e, com os novos companheiros, partiu à conquista de outras paragens africanas. Chegou a Lisboa no dia 18 de Setembro de 1950, tendo se estreado mais tarde frente ao Atlético CP. Nunca tinha visto um campo relvado nem botas de pitões. Com apenas um treino realizado, a estreia nada teve de auspicioso. Empate a duas bolas com o Atlético, sem que os seus créditos de goleador fossem exibidos. Mas, antes que as criticas subissem de tom, na jornada imediata, com o SC de Braga, marcou quatro golos, terminando o jogo com um invejável 8-2.
Com o Benfica, José Águas viveu momentos em que a fábula e a realidade pareceram caminhar de mãos dadas. Quase se cansou de vencer, de marcar, de contagiar. Foi ele a papoila mais saltitante do hino de Piçarra e o melhor intérprete do jogo aéreo que o Benfica alguma vez teve (e Portugal também). É o segundo melhor marcador da história encarnada, depois de Eusébio.
Atravessou toda a década de 1950 com uma sistemática marcação de golos, tendo sido o melhor dos marcadores em cinco ocasiões. Levantou, triunfante, na qualidade de capitão, as duas Taças dos Campeões Europeus, sendo o artilheiro mor na primeira competição, com 11 golos, e o melhor marcador do Benfica na segunda, com 7.
Nos Campeonatos Nacionais, apontou mais golos (290) do que os jogos efectuados (282). Já não esteve presente na terceira final europeia, por opção do treinador chileno Fernando Riera. «Algum tempo depois, pediu-me desculpa por não me ter colocado a jogar. Disse-lhe que até ficara satisfeito com a actuação de Torres. Era a verdade, era a voz do meu coração de benfiquista, mas Fernando Riera parece não ter ficado muito convencido.».
Pela equipa nacional, teve 25 internacionalizações, entre Novembro de 1952 e Maio de 1962, tendo marcado 11 golos.
Ainda no apogeu da sua carreira, José Águas fez uma revelação fora do comum, confessando que vestia o equipamento de futebolista com o mesmo espírito com que o operário veste o seu fato-macaco.
Foi Campeão Nacional em 1955, 1957, 1959 e 1962 e venceu quatro Taças de Portugal (1955, 1957,1959 e 1962).
Como curiosidade, diga-se que há colaboração de sua autoria na coluna futebolística da revista de banda desenhada “Foguetão” (1961), dirigida por Adolfo Simões Müller.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

8 DE NOVEMBRO - MARGARET MITCHELL

EFEMÉRIDEMargaret Munnerlyn Mitchell, jornalista e escritora norte-americana, nasceu em Atlanta no dia 8 de Novembro de 1900. Morreu na mesma cidade em 16 de Agosto de 1949.
Margaret cresceu a ouvir histórias sobre a Guerra Civil contadas pelos seus familiares e por combatentes veteranos. Obcecada pela escrita, ainda em criança, costumava levantar-se a meio da noite para anotar ideias a desenvolver em novelas e peças teatrais.
No Outono de 1918, ingressou no Smith College, em Northampton, pouco antes da entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. Durante o conflito, o seu noivo foi morto em França (Janeiro de 1919). A mãe faleceu, no mesmo ano, durante a epidemia de gripe espanhola. Este último acontecimento obrigou Margaret a abandonar os estudos e a voltar para casa, mas ela não tinha temperamento para se dedicar apenas a cuidar do pai e do irmão mais velho. O seu comportamento sensível e o seu trabalho em projectos sociais junto da população negra de Atlanta, começaram a escandalizar a sociedade conservadora da cidade.
Em Setembro de 1922, casou-se com Red Upshaw, ex-jogador de futebol americano e (descobriu-se depois) contrabandista de bebidas. Como os rendimentos do marido não fossem suficientes para a manutenção do casal, mudaram-se para a casa dos Mitchell e ela arranjou um emprego como repórter no “The Atlanta Journal Sunday Magazine”, onde um ex-namorado, John R. Marsh, trabalhava como editor.
Assinou mais de 130 trabalhos jornalísticos. A aproximação profissional com Marsh e o comportamento violento de Upshaw, levaram Margaret a divorciar-se em Outubro de 1924. Em Julho de 1925, casou-se com Marsh. O casal foi residir num apartamento térreo na Crescent Avenue, local que Margaret chamava carinhosamente de “The Dump” (“O Depósito”).
Poucos meses após o casamento, Margaret teve de afastar-se do jornal por razões de saúde. Durante o período de convalescença, começou a escrever a história que a tornaria famosa, “E Tudo o Vento Levou”. Em 1929, a maior parte do livro estava terminada e, em 1935, a Editora Macmillan adquiriu os direitos de publicação.
Lançada em Junho de 1936, a obra tornou-se rapidamente um best-seller. Em Outubro desse mesmo ano, já tinha sido vendido um milhão de exemplares e os direitos de filmagem foram comprados pelo produtor David O. Selznick, pela (na época) elevada soma de 50 000 dólares. Em Maio de 1937, o livro foi premiado com o Pulitzer, traduzido em 27 línguas e atingiu mais de 30 milhões de exemplares vendidos.
O filme, realizado por Victor Fleming e interpretado por Vivien Leigh e Clark Gable, teve o seu lançamento mundial em Atlanta, em Dezembro de 1939 e contou com a presença da tímida autora na plateia. Os direitos autorais recebidos pela obra e pela adaptação cinematográfica tornaram-na uma mulher rica e ela, envolvida nas suas actividades de filantropia, decidiu encerrar a sua carreira literária.
Em Agosto de 1949, ao atravessar uma rua próxima da sua residência, Margaret foi atropelada por uma viatura. Levada para um hospital, ficou em estado de coma e faleceu cinco dias depois. John Marsh morreria em 1952 e foi sepultado ao lado da esposa, no Cemitério Oakland em Atlanta.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

7 DE NOVEMBRO - PANCHO GUEDES

EFEMÉRIDEPancho Guedes, de seu verdadeiro nome Amâncio de Alpoim de Miranda Guedes, arquitecto, escultor, pintor e professor português, morreu em Lisboa no dia 7 de Novembro de 2015. Nascera na mesma cidade em 13 de Maio de 1925. Sua mãe era de ascendência espanhola.
Estudou em São Tomé e Príncipe, Guiné, Lisboa, Lourenço Marques (actual Maputo), Joanesburgo e Porto. Foi o primeiro nome português a ser conhecido internacionalmente na arquitectura e o único arquitecto com menção na primeira edição do livro de Charles Jencksv “Modern Movements in Architecture”, publicado em 1973.
Foi convidado para Head of Architecture no departamento de arquitectura da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, onde esteve desde 1975 até à sua reforma em 1990.
A inspiração que ele proporcionava aos outros artistas está bem reflectida nos quatro painéis que Pancho encomendou a Esther Mahlangu e que depois pendurou nos corredores da universidade, ao lado de modelos neoclássicos e colunas renascentistas peculiares.
Pancho Guedes recebeu dois doutoramentos honoris causa, pela Universidade de Pretória e pela Universidade de Witwatersrand.
Desde 1990, leccionou em Lisboa, na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e na Universidade Lusófona.
É autor do Casal dos Olhos, em Eugaria, nos arredores de Sintra, conhecido como “a casa de Pancho Guedes”. Grande parte da sua obra construída encontra-se em Moçambique e data das décadas de 1950 a 1970. Tem também obra construída na África do Sul e noutros países africanos.

domingo, 6 de novembro de 2016

6 DE NOVEMBRO - GISELA JOÃO

EFEMÉRIDEGisela João, fadista portuguesa, nasceu em Barcelos no dia 6 de Novembro de 1983. Começou a interessar-se pelo fado com oito anos. Aos 16/17 anos de idade, já cantava na Adega Lusitana, em Barcelos. Foi para o Porto, em 2000, para estudar Design. Em breve, estava a cantar noutra casa de fados. Viveu durante seis anos no Porto para, finalmente, o canto impor a sua vontade e a trazer até Lisboa.
Em 2009, gravou um álbum com o conjunto portuense Atlantihda. Seguiu-se um convite para participar num disco de Fernando Alvim, histórico guitarrista português, intitulado “O Fado E As Canções do Alvim” (2011). Participou igualmente, como fadista, no filme “O Grande Kilapy” (2012).
Numa pequena casa ‘emprestada’ na Mouraria debateu-se com o peso imenso da solidão, pensou várias vezes em desistir, mas resistiu. Foi conquistando o público, das casas de fado à mítica discoteca Lux e do Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém ao Teatro São Luiz.
Tal ascensão levou-a a ser considerada uma das maiores revelações do fado no feminino dos últimos anos. Faltava gravar um disco e encontrou em Frederico Pereira o cúmplice ideal para iniciar as gravações.
O ano de 2013 foi o da consagração, com a edição do seu disco de estreia “Gisela João”, em Julho. Duas semanas depois, o álbum alcançava o primeiro lugar no top de vendas nacional, sendo aclamado pela grande maioria dos críticos, que o consideraram o mais importante disco de estreia de um artista português no século XXI. Gisela recebeu então o Prémio Revelação Amália, com quem o seu talento já foi comparado várias vezes.
Este álbum foi também considerado o melhor álbum nacional do ano por várias publicações de referência como a “Blitz”, o “Expresso”, o “Público”, a “Time Out” e o site “Cotonete”, tendo atingido vendas que lhe valeram um Disco de Platina. Gisela João foi ainda distinguida com um Globo de Ouro na categoria de Melhor Intérprete Individual e com o Prémio José Afonso 2014. Ainda em 2014, esgotou a Casa da Música e o Centro Cultural de Belém.
A crescente afirmação e aclamação de Gisela continuou em 2015, com destaque para o mês de Janeiro, quando esgotou duas das mais emblemáticas salas nacionais: o Coliseu do Porto e o Coliseu de Lisboa. Deu igualmente vários concertos em palcos estrangeiros: França, Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica, Espanha, Suíça, Eslovénia e Alemanha, entre outros países.
Participou no álbum de tributo a Amália Rodrigues, “Amália: As Vozes do Fado”, disco que reuniu alguns dos artistas mais icónicos do fado e onde interpretou os temas “Medo” e “Meu Amor, Meu Amor”, num dueto com o fadista Camané.
O final de 2015 trouxe ainda uma série de espectáculos “Caixinha de Música”, uma colaboração de Gisela com o Teatro Municipal São Luiz, onde ela emprestou a sua voz para homenagear alguns dos intérpretes mais importantes desde a primeira metade do século XX até aos dias de hoje, como Serge Gainsbourg, Ella Fitzgerald, Amy Winehouse, Leonard Cohen e Violeta Parra, entre muitos outros.

sábado, 5 de novembro de 2016

GISELA JOÃO - "Casa da Mariquinhas" (nova)


5 DE NOVEMBRO - MANITAS DE PLATA

EFEMÉRIDEManitas de Plata, de seu verdadeiro nome Ricardo Baliardo, guitarrista cigano francês, morreu em Montpellier no dia 5 de Novembro de 2014. Nascera em Sète, em 7 de Agosto de 1921.
Veio ao mundo numa caravana cigana, no sul de França. Tornou-se famoso por tocar anualmente em Saintes-Maries-de-la-Mer, local de peregrinação cigana na Camarga, sendo gravado ao vivo por Deben Bhattacharya.
Ficou a dever a sua sobrevivência durante a Segunda Guerra Mundial ao facto de ter estado escondido em Lunel, antes de ir para Paris, como protegido de Django Reinhardt, um celebérrimo guitarrista igualmente de raça cigana.
Manitas de Plata só concordou em tocar para o grande público dez anos após a morte de Django Reinhardt (1953), que era – por unanimidade – considerado o rei dos guitarristas ciganos da época.
Uma das gravações de Manitas valeu-lhe uma carta escrita por Jean Cocteau, aclamando-o como compositor. Após ouvi-lo tocar em Arles, em 1964, Pablo Picasso exclamou: «Este homem tem maior valor do que eu» e começou a desenhar na guitarra.
Manitas de Plata ficou ainda mais famoso depois de uma exposição de fotografia no Museum of Modern Art em Nova Iorque, organizada pelo seu amigo Lucien Clergue. Foi na capela de Arles, em França, que fez a primeira gravação oficial, distribuída nos Estados Unidos pela Connoisseur Society. Tratava-se de um álbum triplo, muito popular, que chamou a atenção do público americano. Um empresário conseguiu que ele fizesse um concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em Dezembro de 1965.
Ainda em Nova Iorque, Manitas de Plata, que era analfabeto, representou a Europa na festa anual das Nações Unidas. De notar que, também, não sabia ler uma nota de música.
Desde 1967, Manitas de Plata percorreu o mundo inteiro e gravou vários discos. Tocou com Paco de Lucia e para a dançarina Nina Corti. Em 1968, actuou no Royal Variety Performance em Londres. Tocou na Alemanha, Itália, Nova Zelândia, Singapura e Argélia, entre muitos outros países.
Vendeu, ao longo da sua carreira, mais de 93 milhões de álbuns (83 discos diferentes). Actuou em Outubro de 2012, como convidado surpresa, no Olympia em Paris. Tinha então 91 anos.
Em Abril de 2013, sofreu uma crise cardíaca e foi hospitalizado em Montpellier. Em Julho do mesmo ano, com 92 anos, declarou-se arruinado e doente, lançando um apelo no jornal “La Dépêche du Midi”. Em Maio de 2014, de cadeira de rodas, apareceu ainda na peregrinação de Saintes-Maries-de-la-Mer. No mês seguinte, foi internado numa clínica, onde ficou durante cerca de um mês. Em Agosto de 2014, ingressou num lar para reformados. Faleceu menos de três meses depois.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

4 DE NOVEMBRO - MARTIN BALSAM

EFEMÉRIDEMartin Henry Balsam, actor norte-americano, nasceu em Nova Iorque no dia 4 de Novembro de 1919. Morreu em Roma, em 13 de Fevereiro de 1996. Recebeu um Oscar em 1965, pela sua interpretação no filme “A Thousand Clowns”.
Filho de comerciantes judeus, começou a representar na escola, participando em diversas peças teatrais. Foi combatente na Segunda Grande Guerra Mundial (aviação). Após o conflito, trabalhou em diversas rádios.
Em 1947, integrou um curso do Actor’s Studio. Participou em apresentações na Broadway. Em 1951, obteve o seu primeiro sucesso com “The rose tatto” de Tennessee Williams. Fez pequenos papéis na televisão, até integrar o elenco de “On the waterfront”. Desde então, participou em episódios das mais populares séries de televisão da época. Em 1957, teve outra oportunidade no cinema, sendo um dos intérpretes de “12 angry men”, dirigido por Sidney Lumet.
As suas actuações em séries de televisão impressionaram Alfred Hitchcock, que o escolheu para um personagem chave de “Psycho” (1960) – o detective Arbogast. Este trabalho abriu-lhe as portas para outras importantes participações, como em “Breakfast at Tiffany's” (1961), “Cape fear” (1961) e “The Carpetbaggers” (1964).
O grande momento da sua carreira ocorreu ao receber o Oscar de Melhor Actor Secundário pelo seu papel em “A Thousand Clowns”.
Actuando no cinema europeu, ganhou um grande amor pela Itália, onde trabalhou em vários filmes e onde viveu muitos dos seus últimos anos. Morreu vítima de crise cardíaca, justamente em Roma, aos 76 anos de idade.
Foi casado com Pearl Somner (1952/54), contraindo um segundo casamento com a actriz Joyce Van Patten (1959/62), com quem teve uma filha, que viria a ser igualmente actriz (Talia Balsam). Em 1963, casou-se com Irene Miller, de quem teve dois filhos. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

3 DE NOVEMBRO - ADI DASSLER

EFEMÉRIDE – Adolf “AdiDassler, sapateiro e empresário alemão, fundador da empresa de material desportivo Adidas, nasceu em Herzogenaurach no dia 3 de Novembro de 1900. Morreu na mesma cidade em 6 de Setembro de 1978. Deu à empresa o nome de Adidas devido ao diminutivo porque era conhecido (Adi), juntando-lhe as três primeiras letras do apelido (Das, Dassler).
Adi Dassler começou a produzir os seus próprios sapatos desportivos, após regressar da I Guerra Mundial. O pai tinha trabalhado numa fábrica de calçado e deu-lhe apoio no início do negócio. Em 1924, o seu irmão Rudolf Dassler juntou-se à iniciativa. Fundaram assim a Gebrüder Dassler Schuhfabrik.
Nos Jogos Olímpicos de 1928, a fábrica começou a equipar numerosos atletas. Em virtude de disputas pessoais, Rudolf deixou a companhia em 1947 e fundou a concorrente Puma AG. Foi após esta cisão que Adolf baptizou os seus materiais com a marca Adidas. A empresa foi fundada, assim, em 1949.
Foi utilizando botas Adidas que a Selecção Alemã Ocidental venceu o Mundial de Futebol de 1954, disputado sob fortes chuvadas. Em 2003, no filme “Das Wunder von Berna” (“O milagre de Berna”) foi contada a história desse triunfo, apresentando as botas de Dassler como a chave para aquele sucesso que, aliás, constituiu uma verdadeira injecção de ânimo para a Alemanha da pós-guerra. A inclusão da Adidas no filme foi vista também como uma grande campanha publicitária.
Horst, filho de Adi Dassler, abriu uma sucursal da Adidas em França, em 1959, iniciando a expansão internacional da empresa. Em 1973, Horst criou também a Arena, marca para a produção de equipamentos de natação.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

2 DE NOVEMBRO - ALEXANDRE BABO

EFEMÉRIDEAlexandre Feio dos Santos Babo, jornalista e escritor português, morreu em Cascais no dia 2 de Novembro de 2007. Nascera em Lisboa, em 30 de Julho de 1916. Era filho do jurista, escritor, republicano e maçom Carlos Cândido dos Santos Babo (1882/1957) e casado com a artista plástica Elsa Peixoto.
Alexandre Babo entrou, em 1933, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, licenciando-se em 1939. Foi desde muito novo militante antifascista. Em 1936, na clandestinidade, foi iniciado na Maçonaria, fazendo parte da Acção Anticlerical e Antifascista e do Bloco Académico Antifascista, onde lutou contra o salazarismo.
Em 1941, fundou – com Amaral Guimarães e Abílio Mendes – as Edições Sirius, que deram um importante contributo cultural ao país. Após a Segunda Guerra Mundial, foi para Paris como delegado da revista “Mundo Literário” (1946/48). Em Londres, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e, posteriormente – em 1960 – foi correspondente do “Jornal de Notícias” e cronista da BBC.
Em 1943, ingressou no Partido Comunista Português. Como advogado, interveio nos julgamentos do Tribunal Plenário do Porto e no Supremo Tribunal de Justiça em defesa de acusados políticos. Fez parte do Conselho do Porto do Movimento de Unidade Democrática e da Comissão Distrital da Campanha do General Norton de Matos.
Enquanto exercia advocacia no Porto, fundou – com António Pedro e Egito Gonçalves – o Teatro Experimental do Porto. Separou-se deste, para – em 1960 – contribuir para a formação do Teatro Moderno do Clube Fenianos Portuenses, juntamente com Luís de Lima e Fernando Gaspar. Foi director do Círculo de Cultura Teatral e, em 1964, de volta a Lisboa, fundou O Palco, Clube de Teatro. Fez crítica de teatro durante dez anos.
Entre 1961 e 1965, foi colaborador permanente do “Jornal de Notícias”, com uma crónica às segundas-feiras. Desde 1965, exerceu advocacia em Lisboa. No campo das letras dedicou-se ao teatro, à ficção, à crítica, ao jornalismo e à tradução. Foi um dos fundadores da Associação Portuguesa de Escritores, em 1973, tendo sido sócio honorário daquela associação e cooperante da Sociedade Portuguesa de Autores desde 1977. Foi co-fundador da Liga Para o Intercâmbio Cultural Social Científico com os Povos Socialistas, da Associação Portugal-URSS. Com outras personalidades, ajudou a fundar a Associação Portugal-RDA, sendo seu secretário-geral até à unificação da Alemanha.
Várias das suas obras foram proibidas pela censura da PIDE. Recebeu a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Cascais, concelho onde vivia. Faleceu aos 91 anos, deixando vários textos inéditos.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

1 DE NOVEMBRO - JOSÉ DA FONSECA E COSTA

EFEMÉRIDEJosé da Fonseca e Costa, realizador de cinema português, morreu em Lisboa no dia 1 de Novembro de 2015. Nascera em Caála, Angola, em 27 de Junho de 1933.
Mudou-se para Lisboa em 1945. Frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, entre 1951 e 1955. Membro da direcção do Cineclube Imagem, fez crítica cinematográfica nas revistas “Imagem” e “Seara Nova”. Na editora Arcádia, traduziu para português livros da autoria de Sergei Eisenstein e Guido Aristarco, além de alguns romances, como “Il Compagno”, de Cesare Pavese e “Passione di Rosa” de Alba de Cespedes.
Fundada a Rádio e Televisão de Portugal (RTP) em 1958, concorreu a uma vaga como assistente de realização, classificando-se em primeiro lugar. Foi, no entanto, impedido de entrar na empresa, por interferência da PIDE (polícia política). Em 1960, foi-lhe recusada também uma bolsa de estudos solicitada ao Fundo do Cinema Nacional, para estudar cinema no Reino Unido. Pouco depois, seria detido por participação em acções contra o Estado Novo. Em 1961, fixou-se em Itália, onde foi assistente estagiário de Michelangelo Antonioni, na longa-metragem “L'Eclisse”.
De novo em Portugal, em 1964, produziu e dirigiu muitos filmes publicitários, além de realizar vários documentários sobre a indústria e o turismo: “Era o Vento… E o Mar… Sesimbra” em 1966; “A Metafísica do Chocolate” em 1967; “Regresso à Terra do Sol” de 1967; “A Cidade” em 1968; “The Pearl of Atlantic – Madeira” em 1968; “The Columbus Route” em 1969; “Voar” em 1970; e “Golf in Algarve” de 1972. Estreou-se como realizador de ficção com “O Recado”, em 1972.
Realizador do Cinema Novo em português, participou no filme colectivo do pós-25 de Abril, “As Armas e o Povo”, uma colagem de imagens recolhidas entre os dias 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974.
Sobre o colonialismo português, realizou “Os Demónios de Alcácer Kibir”, em 1975, e o documentário “Independência de Angola – os Acordos de Alvor, o Governo de Transição”, em 1977.
Na televisão, filmou a série “Ivone – a faz tudo”, em 1979, protagonizada por Ivone Silva. Com “Kilas, o Mau da Fita”, de 1980, conseguiu um dos seus maiores êxitos junto do público. Obteve igualmente um sucesso significativo com “Cinco Dias, Cinco Noites”, em 1996, longa-metragem adaptada do romance homónimo de Manuel Tiago (Álvaro Cunhal), premiada no Festival de Gramado, nos Globos de Ouro e seleccionado para o Montreal World Film Festival. Posteriormente, realizou “O Fascínio” (2003), “Viúva Rica Solteira Não Fica” (2006) e “Os Mistérios de Lisboa or What the Tourist Should See” (2009), adaptado do guia turístico escrito por Fernando Pessoa em 1925.
Fonseca e Costa foi ainda dirigente do Centro Português de Cinema, da Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisuais e presidente do Conselho de Administração da Tobis Portuguesa, entre 1992 e 1996.
Em Junho de 1995, foi feito grande-oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Foi eleito para o Conselho de Opinião da RTP, em 2000. O seu percurso profissional incluiu o teatro, encenando em 2012 “O Libertino”, no Teatro da Trindade, em Lisboa, peça protagonizada por José Raposo, Maria João Abreu, Custódia Gallego e Filomena Cautela. Em Junho desse mesmo ano, ele e a sua companheira foram vítimas de um violento assalto, à porta de casa, no Bairro Alto, em Lisboa. Ferido por uma navalhada no pescoço, Fonseca e Costa foi assistido no Hospital de São José, tendo recuperado sem grandes problemas.
Veio a falecer em 2015, no Hospital de Santa Maria, vítima de pneumonia. Era irmão da actriz Cucha Carvalheiro e do treinador de atletismo António Fonseca e Costa. Divorciado, tinha dois filhos e três netos.

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