EFEMÉRIDE - Kenule “Ken” Beeson Saro-Wiwa, escritor, produtor e activista ambiental da Nigéria, nasce em Bori (Nigéria colonial) no dia 10 de Outubro de 1941. Morreu em Port Harcourt, em 10 de Novembro de 1995.
Ken
Saro-Wiwa pertencia aos ogonis, um grupo étnico minoritário nigeriano
radicado no delta do Níger, e liderava - através do Movimento pela
Sobrevivência do Povo Ogoni - uma campanha não-violenta contra a
degradação ambiental das terras e das águas da região pelas petrolíferas
transnacionais, especialmente a Shell. Por conta do seu activismo,
acabou por ser preso em 1994 a mando do regime militar de Sani Abacha, que
vigorava então. Num processo judicial considerado fraudulento, Saro-Wiwa foi
condenado à morte e enforcado em 1995. A execução gerou contestação
internacional, de tal modo que a Nigéria foi suspensa da Commonwealth of
Nations durante mais de 3 anos.
Em
2009, a empresa Shell, reconhecendo a sua implicação na morte do activista
e dos seus oito companheiros, também com ele enforcados, pagou 15,5 milhões de
dólares às famílias das vítimas, esperando assim minimizar os efeitos negativos
para a sua imagem neste caso.
No
Brasil, em 2017, a artista e pesquisadora Elisa Dassoler lançou o documentário “Ken
Saro-Wiwa, presente!” (82 minutos) sobre o seu legado no campo das artes e
na luta internacional por justiça ambiental. Através de entrevistas com
artistas, activistas e familiares, o documentário apresenta a sua história, os
impactos causados pela exploração de petróleo no Delta do Níger e a relevância
política e cultural de projectos artísticos em Londres dedicados à sua memória.
O filme fez parte da sua pesquisa de doutoramento em Artes Visuais na Universidade
do Estado de Santa Catarina em parceria com a University of the Arts
London.

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