A
vida e o trabalho de Hugo Schmeisser teve maior parte lugar na cidade de
fabricação de armas de Suhl, Alemanha. O pai de Hugo Schmeisser, Louis
Schmeisser (1848/1917), foi um dos mais famosos desenhadores de armas na
Europa.
Por
duas vezes no século XX, as armas desenvolvidas por Hugo Schmeisser alteraram
séculos de tácticas de infantaria fundamentais. Tais desenvolvimentos colocaram
a Alemanha na direcção do seu desenvolvimento de estratégias militares e de
tecnologias disponíveis durante as guerras.
Hugo
Schmeisser recebeu o seu treino fundamental enquanto trabalhou na fabricante
alemã Bergmann MP 18, onde as submetralhadoras de 7,63 mm e 9 mm estavam
a ser desenvolvidas. Este ficou em Suhl durante a Primeira Guerra Mundial
devido à sua importante experiência sob a tecnologia de metralhadoras.
Depois,
anos após o início da guerra, a guerra das trincheiras se tinha solidificado na
frente Leste. Utilizar apenas o fuzil ou armas leves em ataques contra
trincheiras parecia praticamente impossível. Ataques de artilharia e de
baioneta conduziam a demasiadas baixas em ambos os lados da frente. Entre 1917
e 1918, Hugo Schmeisser desenvolveu uma arma automática com um alcance prático
de 200 m. Estas armas, as MP 18, cedo se tornaram no armamento básico
dos grupos de combate, que em Março de 1918 passaram a frente durante a “Operação
Michael”.
Estas
tropas, exclusivamente equipadas com submetralhadoras, granadas de mão e
pistolas, passaram a frente e continuaram a atacar o inimigo numa ofensiva
total. Estas tácticas de infantaria ofensivas originaram as tácticas de combate
de tanques utilizadas durante a Segunda Guerra Mundial.
Os
regulamentos de produção do Tratado de Versalhes (28 de Junho de 1919)
proibiam a Alemanha de desenvolver armas automáticas. Como tal os Schmeissers
venderam as licenças de produção das suas invenções a fabricantes de armas
estrangeiros, terminando assim os 30 anos de cooperação entre os Schmeissers
e a Bergmann. Contudo Schmeisser decidiu continuar o seu trabalho no
desenvolvimento de armas. Em conjunto com o seu irmão Hans, Hugo criou a “Industriewerk
Auhammer Koch und Co” em Suhl. Desafiando o tratado continuando a produção
de armas proibidas. No mesmo ano, a empresa dos Schmeissers começa uma
parceria de 20 anos com a Haenel Co. em Suhl.
No
Verão de 1922, Hugo Schmeisser criou uma segunda empresa com o nome de “Irmãos
Schmeisser”, de modo a proteger as suas patentes caso a Auhammer
fosse à falência. De modo a evitar que ambas as empresas, Auhammer e Haenel,
fossem à falência, uniram-se, ficando a administração da Haenel com a
responsabilidade completa da empresa. Os advogados de Schmeisser que trataram
do negócio tornaram-se accionistas da nova empresa.
Tornou-se
óbvio que o Tratado de Versalhes não teria qualquer efeito sob o
desenvolvimento de armas automáticas. Em 1928, Schmeisser produziu mais armas MP-28,
que eram utilizadas intensivamente pela polícia Alemã. A Bayard assinou
um acordo com Schmeisser, para produzir e vender armas à África do Sul, China,
Espanha e ao Japão.
Em
1933, com o partido Nazi a chegar ao poder, 10 grandes empresas de armas
em Suhl e Zella Mehlis uniram-se sob o nome de “União dos Fabricantes de
Armamento Suhl-Zella Mehlis”. Esta união permitiu a Schmeisser conhecer e
mais tarde se tornar amigo do famoso aviador Ernst Udet (1896/1941). Udet era
um deputado de Goering da força aérea Alemã Luftwaffe.
Hugo
Schmeisser tinha um papel directo nas decisões militares alemãs, até
influenciando por vezes as decisões de Hitler e de Goering.
Hugo
Schmeisser estava constantemente a revisar as suas armas, conduzindo ao
desenvolvimento da MP-34 a MP-36. O chefe desenhador, Heinrich
Vollmer, verificou a construção básica da MP-36 de Schmeisser e
desenvolveu a partir dessa a mais bem conhecida submetralhadora alemã, a MP-38
e a MP-40.
O
trabalho mais importante de Hugo Schmeisser estava em desenvolvimento desde de
1938. Esta nova arma automática, com um calibre de 7,92 mm., fez com que a MP38
e a MP40 fossem fracas em comparação. O seu design também permitia a
utilização inteligente de recursos e uma maior produção. Baptizado de Mkb 42,
mas tarde recebeu a designação de MP-43, e tornou-se o primeiro Fuzil de
assalto. Por volta de 1943, 10 mil unidades já tinham sido produzidas para a
frente. Por um curto período de tempo, Hitler parou a produção, visto que ele
por motivos misteriosos era contra esta nova arma.
Em
1944, após teste por parte dos tropas, verificada a excelência da nova arma,
Hitler permitiu a produção maciça da MP-43, tal como o desenvolvimento
de uma nova MP-44. Em Abril de 1944, a nova arma recebeu a designação de
“Sturmgewehr 44” (Fuzil Tempestade 44). A Stg44 é considerada o
trabalho mais revolucionário de Schmeisser e possivelmente a mais importante
arma desenvolvida do século.
Em
3 de Abril de 1945, as tropas americanas começaram a ocupar a cidade de Suhl. E
a fabricação de armas foi proibida completamente durante este tempo. Hugo
Schmeisser e o seu irmão Hans foram interrogados durante semanas por
especialistas de armas americanos e britânicos. No final de Junho de 1945, as
forças americanas deixaram Suhl e todo o Thuringia. Um mês mais tarde, o
exército vermelho tomou o controlo sobre a área, começando um projecto de
trabalhos em que civis manufacturariam armas para os sovietes. Em Agosto de
1945, o exército vermelho tinha criado 50 Stg 44s das peças existentes
do conjunto, e tinha começado a inspeccionar seu projecto. 10 785 folhas de
projectos técnicos foram confiscados pelos soviéticos como parte da sua
pesquisa. Em Outubro de 1945, Hugo Schmeisser foi forçado a trabalhar para o
exército vermelho e instruído a continuar o desenvolvimento de armas novas. O
talento de Schmeisser continuou a auxiliar o exército vermelho, e, junto com
outros desenhadores das armas e suas famílias, foi enviado para a URSS. Em 24
de Outubro de 1946, os especialistas alemães montaram um trem para Izhevsk nas
montanhas do sul de Ural. Após a chegada de Hugo Schmeisser em Izhevsk, os
sovietes começaram o desenvolvimento de armas novas e etapas da produção de AK-47s.
O trabalho de Hugo Schmeisser quando no exército vermelho em Izhevsk (1946/1952)
foi encoberto na escuridão. Pouco é sabido de sua vida durante este período,
até 1952 em que outros especialistas alemães retornaram para casa na Alemanha.
Com observação curta, sua estadia na união soviética era prolongada além
daquela dos outros especialistas da arma por um meio ano. Retornou finalmente
para casa em 9 de Junho de 1952. Hugo Schmeisser faleceu em 1953, e sendo
sepultado em Suhl.
Embora
o nome de Hugo Schmeisser seja conhecido internacionalmente, é desconhecido
pela maioria dos alemães. A morte de Hugo Schmeisser foi honrada por uma cerimónia
em Suhl, como é reconhecido como um dos desenhadores técnicos mais importantes
de armas da infantaria do século XX.
