Com
influências de Edgar Allan Poe, o autor começou a escrever muito cedo. A Tanbiha,
escola na qual participou, valorizava a «arte e beleza acima de tudo»,
contra o objectivismo da época. Algumas das suas obras possuem forte carácter
sexual e erótico. Outras mostram a subtileza dos dramas familiares em
comparação com as rápidas mudanças na sociedade japonesa no século XX. É
costume ler nos seus livros uma busca por uma identidade cultural na qual as
culturas ocidental e oriental são justapostas.
Tanizaki
nasceu no distrito de Nihonbashi, em Tóquio, em 1886, numa família próspera de
mercadores. O seu tio era dono de uma gráfica, aberta antes pelo seu avô. Os seus
pais eram Gorō e Seki Tanizaki. O seu irmão mais velho, Kumakichi, morreu
apenas três dias depois no nascimento, o que tornou Tanizaki o filho mais
velho. Ele tinha três irmãos mais novos: Tokuzō, Seiji (também escritor) e
Shūhei, e três irmãs mais novas, En, Ise e Sue.
Parte
da sua infância foi contada no seu livro “Childhood Years”, como a
destruição da casa da família no terremoto de 1894, em Tóquio, ao qual o autor
atribuía o seu pavor de tremores. A qualidade de vida da família caiu muito
depois disso e quando ficou mais velho ele se viu forçado a trabalhar como
tutor numa casa de família.
Apesar
dos problemas financeiros da família, Tanizaki conseguiu completar os seus
estudos básicos, onde acabou conhecendo o poeta e dramaturgo Isamu Yoshii.
Tanizaki ingressou no curso de literatura na Universidade Imperial de
Tóquio em 1908, até ser forçado a largar os estudos em 1911 por não ter
dinheiro para pagar as mensalidades.
A
sua carreira literária começou em 1909. OI seu primeiro trabalho foi uma peça
de apenas um acto, publicada numa revista literária que ele mesmo ajudou a
fundar. O seu nome se tornaria conhecido com a publicação do conto “Shisei”
(“O tatuador”), em 1910. No conto, um tatuador desenha uma enorme aranha
no corpo de uma jovem e logo em seguida ela se torna demoníaca, sedenta de
poder, num enredo onde o erotismo é combinado com sadomasoquismo. Tanizaki
utilizou muito o estereótipo da femme fatale em vários dos seus
primeiros trabalhos, como em “Kirin” (1910), “Shonen” (“A criança",
1911), “Himitsu” (“O Segredo”, 1911) e “Akuma” (“Demónio”,
1912). Outros trabalhos publicados no período Taishō incluem “Shindo”
(1916) e “Oni no men” (1916), e são praticamente autobiográficos.
Tanizaki
casou-se com a sua primeira esposa, Chiyo Ishikawa, em 1915, com quem teve uma
filha, Ayuko, em 1916. Mas era um casamento infeliz e após um tempo, ele
encorajou Chiyo a se relacionar com seu amigo, o escritor Haruo Satō. O
estresse de tal situação foi reflectido nos seus trabalhos, como a peça “Aisureba
koso” (“Porque eu a amava”, 1921) e no livro “Kami to hito no
aida” (“Entre homens e deuses”, 1924). Tanizaki se casaria mais duas
vezes depois de se separar de Chiyo. Com a terceira esposa, Matsuko Morita, ele
teve uma segunda filha, Emiko.
Em
1918, Tanizaki viajou pela Coreia, na época dominada pelo Japão, pelo norte da
China e pela Manchúria. Nos seus
primeiros anos, ele se apaixonou pelo Ocidente e por todas as coisas modernas.
Em 1922, ele mudou-se de Odawara, em Kanagawa, onde morava desde 1919, para
Yokohama, onde o estilo ocidental era mais popular, principalmente na arquitectura,
onde Tanizaki levou uma vida boémia, facto que acabou reflectido em suas obras
do período.
Tanizaki
teve uma breve carreira no cinema mudo, trabalhando como guionista do estúdio Taikatsu.
Era um apoiante do movimento que pedia por uma maior modernização do cinema
japonês e foi essencial para tal movimento no país. Alguns de filmes roteirizados
por Tanizaki foram “Amateur Club” (1922) e “A Serpent’s Lust”
(1923).
A
sua reputação descolou em 1923. Tanizaki mudou-se para Quioto, em 1923, após o
grande terremoto naquele mesmo ano, que destruiu a sua casa em Yokohama.
Tanizaki não se feriu, pois estava num ónibus no momento do tremor. A perda de
prédios históricos e monumentos antigos fez com que muitos artistas da época,
que valorizavam a cultura ocidental, a se voltar para a cultura japonesa, em
especial a cultura da região de Kansai, onde ficam as cidades de Osaka, Kobe e
Quioto.
O
seu primeiro livro após o terremoto foi o seu livro mais bem-sucedido, “Chijin”
(“Naomi”, 1924/1925), onde o autor explora classes sociais, obsessão sexual
identidade cultural. Tanizaki fez outra viagem à China, em 1926, onde conheceu
Guo Moruo, com quem se correspondeu por um longo tempo. De volta ao Japão, ele
mudou-se para Kove, em 1928.
De
entre as suas principais obras estão “Amor insensato” (1924; “Companhia
das Letras”, 2004), “Voragem” (1928; ““Há quem prefira urtigas”
(1930; “A chave” (1956); e “Diário de um velho louco” (“Estação
Liberdade”, 2002. É ainda autor do ensaio “Elogio da Sombra”.
Tanizaki também traduziu para japonês autores ocidentais, como Stendhal e Oscar
Wilde.
Após
a Segunda Guerra Mundial, Tanizaki ganhou nova proeminência no meio
literário do seu país ganhando vários prémios nesse período. Ganhou ainda mais
prestígio após ganhar o Prémio Asahi, em 1949, e por ser agraciado com a
Ordem da Cultura do governo japonês, em 1949. Em 1964, foi eleito membro
honorário da American Academy of Arts and Letters, o primeiro escritor a
japonês a ser homenageado pela academia.
Os
personagens de Tanizaki são geralmente movidos por suas obsessões e desejos
sexuais, como em um dos seus últimos livros, “Futen Rojin Nikki” (“Diário
de um velho louco” 1961/1962). Tanizaki deliberadamente estabeleceu suas
ideias sobre a estética japonesa em contraste com as do Ocidente, que ele
caracterizou em termos de uma obsessão implacável com o progresso. No entanto,
ele escondeu cuidadosamente as verdadeiras origens de seu pensamento, que na
verdade estavam na onda da «contracultura» europeia que varreu o Japão a
partir da virada do século XX.
Em
1958, Tanizaki sofreu uma paralisia da mão direita e foi hospitalizado devido à
angina, em 1960. Tanizaki falceu em 1965, aos 79 anos, após sofrer um infarto,
um ano após ter sido eleito membro honorário da American Academy and
Institute of Arts and Letters. Foi sepultado no templo Hōnen-in, em
Quioto.
