EFEMÉRIDE - Emily Howard Stowe, a
primeira mulher a exercer a medicina no Canadá, a segunda médica licenciada do
país e uma activista pelos direitos da mulher e sufrágio, nasceu em
Oxford no dia 1 de Maio de 1831. Morreu em 30 de Abril de 1903.
Stowe
ajudou na fundação do movimento pelo sufrágio feminino no Canadá e fez campanha
pela primeira faculdade de medicina para mulheres do país.
Emily
Howard Jennings (apelido original) nasceu na província canadiana de
Ontário e era filha de Hannah Howard e Solomon Jennings. Apesar de Solomon ter-se
convertido ao metodismo, Hannah criou as seis filhas como quakers.
Seguindo a tradição da Sociedade dos Amigos, os pais de Jennings
incentivaram-na a obter uma educação; eles enviaram-na para uma escola quaker
em Providence, no estado norte-americano de Rhode Island.
Após
leccionar em escolas locais durante sete anos, a sua luta pública para alcançar
a igualdade entre homens e mulheres começou em 1852, quando tentou ingressar no
Victoria College, em Cobourg, Ontário. Recusada por ser mulher, ela
matriculou-se na Normal School for Upper Canada, que Egerton Ryerson
havia fundado recentemente em Toronto. Ela entrou na faculdade em Novembro de
1853 e formou-se com honras em 1854.
Contratada
como directora de uma escola pública de Brantford, Ontário, ela foi a primeira
mulher a ocupar o cargo de directora numa escola pública do Canadá. Ela leccionou
ali até ao seu casamento.
Emily
casou-se com John Fiuscia Michael Heward Stowe em 1856. Nos sete anos seguintes
ela teve dois filhos e uma filha. Pouco tempo após o nascimento da terceira
criança, o seu esposo teve tuberculose, o que despertou nela um interesse pela
medicina. Tendo experiência com remédios fitoterápicos e medicina homeopática
desde a década de 1840, Emily Stowe deixou de leccionar e decidiu
tornar-se médica.
Stowe
teve a sua entrada negada na Escola de Medicina de Toronto em 1865 e foi
informada pelo seu vice-director: «As portas da universidade não estão
abertas para as mulheres e acredito que nunca estarão». Incapaz de estudar
medicina no Canadá, Emily Stowe se formou nos Estados Unidos no New York
Medical College for Women em 1867. No mesmo ano, ela retornou ao Canadá e
inaugurou uma clínica em Toronto, na Richmond Street.
Stowe
ganhou destaque local por meio de palestras públicas sobre a saúde da mulher e
manteve uma clientela constante por meio de anúncios em jornais.
Em
1870, o presidente da Toronto School of Medicine concedeu permissão
especial a Stowe e à sua colega Jennie Kidd Trout para assistir às aulas, um
requisito para médicos com licenças estrangeiras. Diante da hostilidade tanto
do corpo docente quanto dos alunos, Stowe recusou-se a fazer os exames orais e escritos
e deixou a escola.
O
Conselho de Médicos e Cirurgiões de Ontário concedeu a Stowe uma licença
para praticar a medicina em 16 de Julho de 1880, baseado na sua experiência com
medicina homeopática desde 1850. Esta licença tornou Stowe a segunda médica
licenciada do Canadá, atrás apenas de Jennie Kidd Trout.
A
sua filha, Augusta Stowe-Gullen foi a primeira mulher a formar-se numa
faculdade de medicina canadiana.
Enquanto
estudava em Nova Iorque, Stowe conheceu a activista Susan B. Anthony e
testemunhou as divisões dentro do movimento sufragista americano. Stowe também
frequentou reuniões de clubes femininos em Cleveland, Ohio.
Em
1876, Stowe fundou o Clube Literário Feminino de Toronto, que em 1883
tornou-se a Associação Canadiana pelo Sufrágio Feminino. Isso levou
alguns a considerar Stowe a mãe do sufrágio feminino no país. O Clube
Literário fez campanha por melhores condições de trabalho para as mulheres
e pressionou as instituições de ensino de Toronto a aceitar mulheres no ensino
superior. Em 1883, uma reunião pública da associação levou à criação do Ontario
Medical College for Women.
Quando
a Dominion Women’s Enfranchisement Association foi fundada em 1889,
Stowe tornou-se sua primeira presidente e permaneceu no cargo até à sua morte.
Como
é verdade para muitas sufragistas, existia uma tensão entre o compromisso de
Stowe com outras mulheres e a lealdade de classe. Num episódio que pode
demonstrar o domínio deste último, Stowe rompeu o vínculo de sigilo
médico-paciente ao revelar o pedido de aborto de uma paciente, Sara Ann Lovell,
empregada doméstica, ao seu empregador. Stowe, no entanto, criticou duramente o
programa económico canadiano da Política Nacional em 1892. Ela
acreditava que isso não ajudaria os canadianos da classe trabalhadora e, em vez
disso, era um negócio corrupto em nome de grandes empresas.
Depois
de fracturar o quadril no Congresso Feminino da Exposição Universal em
1893, Stowe aposentou-se da medicina. Ela faleceu em 1903, quatorze anos antes
do direito ao voto ser concedido às mulheres.
Embora
ela se considerasse uma Quaker até 1879, ela se tornou uma unitarista no
mesmo ano e frequentou a Primeira Congregação Unitária de Toronto.
Escolas
públicas na sua cidade natal de Norwich, bem como em Courtice, foram baptizadas
em sua homenagem. Um abrigo para mulheres em Toronto também recebeu o seu nome.
Em
2018, ela foi introduzida no Canadian Medical Hall of Fame.