quinta-feira, 6 de agosto de 2026

6 DE AGOSTO - ANTÓNIO ENES

EFEMÉRIDE - António José Enes, formado com o Curso Superior de Letras, político, jornalista, escritor e administrador colonial português, que se destacou em Moçambique onde exerceu as funções de Comissário Régio durante a rebelião tsonga na região sul daquele território, morreu em Queluz no 6 de Agosto de 1901. Nascera em Lisboa, em 15 de Agosto de 1848.

Defendeu em 1870 uns Estados Unidos da Europa, temendo que Portugal fosse absorvido pela vizinha Espanha. Foi membro destacado do Partido Histórico e da Maçonaria. Exerceu as funções de deputado, de bibliotecário-mor da Biblioteca Nacional de Lisboa (1886) e de ministro da Marinha e Ultramar na primeira fase do governo extrapartidário de João Crisóstomo de Abreu e Sousa.

António Enes era filho de Guilherme José Enes e de sua mulher Joana da Cruz de Orta, filha do 1º Visconde de Orta. Fez os seus primeiros estudos no colégio dos Lazaristas. Depois de uma passagem pelo ensino liceal, ingressou no Curso Superior de Letras, que completou com distinção em 1868.

Cedo demonstrou dotes de jornalista e polemista, bem como dramaturgo e romancista, e sendo membro do Partido Histórico, e apoiante político do duque de Loulé, fez parte da redacção da “Gazeta do Povo” e foi pouco depois nomeado director de “O País”, jornal afecto àquela corrente política. Na sequência do pacto da Granja, e da consequente fusão do Partido Reformista com o Partido Histórico, o jornal “O País” transformou-se no órgão oficioso do novo Partido Progressista e mudou o seu nome para “O Progresso”, ficando António Enes como redactor principal. Foi fundador de “O Dia”, periódico de que foi director político e redactor principal. Foi, ainda jornalista na “Gazeta do Comércio” e no “Correio da Noite”.

Em 1876, foi feito Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. Em 1880, foi eleito deputado, mas as câmaras foram dissolvidas. Em 1886, foi nomeado bibliotecário-mor da Biblioteca Nacional de Lisboa, sendo novamente eleito deputado para a legislatura de 1884/1887, tendo sido sucessivamente reeleito para as de 1887/1889 e 1890/1891.

Logo após o ultimato britânico de 1890, António Enes foi nomeado Ministro da Marinha e Ultramar (de 14 de Outubro de 1890 a 25 de Maio de 1891), no governo presidido pelo general João Crisóstomo de Abreu e Sousa, tendo desempenhado esse cargo num período de grande pressão política sobre as questões ultramarinas face à onde nacionalista que varreu Portugal em consequência da ofensa britânica. António Enes, de forma laboriosa, conseguiu manter os necessários equilíbrios internos e externos, tendo organizado uma expedição militar a Moçambique, para fazer face à crescente proximidade entre Gungunhana e os interesses britânicos, e intervindo energicamente nas colónias de São Tomé e Príncipe, Guiné Portuguesa e Bié. Foi sucedido no cargo por Júlio de Vilhena.

Em 1891, e novamente em 1894, foi nomeado Comissário Régio em Moçambique, onde deu provas de grande saber e competência, deixando o seu nome ligado a notáveis obras e feitos naquele território, sendo também o principal organizador da expedição de Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque contra o Império de Gaza.

Em 1896, foi nomeado ministro de Portugal no Brasil. Foi ainda feito Conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima.

Presidiu ainda ao comité que dirigiu os trabalhos do 5.º Congresso da Imprensa, que reuniu em Lisboa no ano de 1898. Ainda na área jornalística colaborou nas revistas “Brasil-Portugal” (1899/1914) e “Serões” (1901/1911) e no singular periódico “Lisboa creche: jornal miniatura” (1884).

Casou em 1899 com a actriz Emília dos Anjos, mas não deixou geração.

Faleceu aos 52 anos, sendo sepultado em jazigo, no Cemitério dos Prazeres.

Em 14 de Julho de 1932, foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial.

O seu nome foi atribuído a ruas de diversas localidades portuguesas, entre as quais Lisboa, Faro e Porto.

A cidade moçambicana Angoche chamava-se António Enes durante a época colonial.

Do mesmo modo, a Avenida Julius Nyerere, em Maputo, chamava-se Avenida António Enes até 1975.

Foi impressa uma série de notas de 1$00, 2$50, 5$00, 10$00, 20$00, 50$00, 100$00, 500$00 e 1.000$00 de Moçambique com a sua imagem.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

5 DE AGOSTO - ARTEM MIKOYAN

EFEMÉRIDE - Artem Mikoyan, engenheiro aeronáutico arménio, que trabalhou na antiga União Soviética, nasceu em Sanahin no dia 5 de Agosto de 1905. Morreu em Moscovo, em 9 de Dezembro de 1970.

Em parceria com Mikhail Gurevich, projectou os famosos caças MiG.

Os primeiros projectos do pós-guerra baseavam-se em trabalhos domésticos, bem como em caças a jacto alemães capturados e em informações fornecidas pela Grã-Bretanha ou pelos Estados Unidos.

Em 1946, os projectistas soviéticos ainda estavam a ter problemas para aperfeiçoar o motor a jacto BMW 109-003 de fluxo axial projectado na Alemanha - os projectos do turbojato BMW 109-003 foram apreendidos pelas forças soviéticas da fábrica de Basdorf-Zühlsdorf perto de Berlim e de Obras centrais perto de Nordhausen.

A produção do 003 foi estabelecida no “Outubro VermelhoGAZ 466 (Gorkovsky Avtomobilny Zavod, ou Fábrica de Automóveis Gorky) em Leningrado, onde o motor a jacto 003 foi produzido em massa a partir de 1947 sob a designação RD-20 (reactivnyi dvigatel, ou “unidade a jacto”).

Os novos projectos de fuselagem soviética dos seus escritórios de projecto e os projectos de asas quase sónicas ameaçavam ultrapassar o desenvolvimento dos motores a jacto necessários para movê-los.

O ministro da Aviação soviético Mikhail Khrunichev e o projectista de aeronaves Alexander Sergeyevich Yakovlev sugeriram a Joseph Stalin que a URSS comprasse motores a jacto avançados dos britânicos. Diz-se que Stalin respondeu: «Que idiota nos venderá os seus segredos?». No entanto, ele deu a sua aprovação à proposta, e Artem Mikoyan, projectista de motores Klimov e outros oficiais viajaram para o Reino Unido para solicitar os motores. Para espanto de Stalin, o governo trabalhista britânico e o seu ministro do Comércio pró-soviético, Sir Stafford Cripps, estavam dispostos a fornecer informações técnicas e uma licença para fabricar o motor a jacto de fluxo centrífugo Rolls-Royce Nene. Este motor foi submetido a engenharia reversa e produzido em forma modificada como o motor a jacto soviético Klimov VK-1, mais tarde incorporado ao MiG-15 (Rolls-Royce mais tarde tentou reivindicar £ 207 milhões em taxas de licença, mas sem sucesso).

Nesse ínterim, em 15 de Abril de 1947, o Conselho de Ministros emitiu o decreto 493-192, ordenando que o Mikoyan OKB construísse dois protótipos para um novo caça a jacto. Como o decreto previa os primeiros voos em Dezembro do mesmo ano, os projectistas da OKB-155 recorreram a um projecto anterior problemático, o MiG-9 de 1946.

O MiG-9 usava um par do Soviete RD-20 cópias do BMW 003 por sua potência, que se mostrou pouco confiável, com o design de asa reta da fuselagem sofrendo de problemas de controlo.

O protótipo Mikoyan-Gurevich I-270, pós-guerra, era um caça de defesa pontual movido a foguete e “asas rectas” baseado em exemplos capturados e na documentação do nunca produzido alemão Messerschmitt Me 263, que teve alguma influência nos projectos futuros de caças a jacto MiG. Graças ao MiG OKB, o primeiro projecto de aeronave soviética de asas inclinadas de qualquer tipo em 1945; pesquisas de asa inclinadas e documentos alemães capturados permitiram que aos soviéticos desenvolver o projecto de protótipo para o caça MiG-15 de jacto único, o I-310. Com a versão Klimov VK-1 do motor a jacto, esse projecto tornou-se no MiG-15 produzido em massa, que voou pela primeira vez em 31 de Dezembro de 1948, cerca de quinze meses após o primeiro protótipo do seu homólogo americano de asas em delta, o XP-86 Sabre que voou primeiro. Apesar de suas origens mistas, esta aeronave teve excelente desempenho e formou a base para uma série de caças futuros.

O MiG-15 foi originalmente planeado para interceptar bombardeiros americanos, como o B-29 Superfortress, e foi até avaliado em simulações de combate ar/ar com ex-bombardeiros B-29 dos EUA, bem como com o B-29 E, posterior cópia, o Tupolev Tu-4.

Uma variedade de variantes do MiG-15 foi construída, mas a mais comum era o treinador de dois lugares MiG-15UTI. Mais de 18 000 MiG-15s foram finalmente fabricados, depois vieram o MiG-17 e o MiG-19.

Os MiG-15s foram os jactos usados ​​durante a Guerra da Coreia pelas forças comunistas, e MiG Alley foi o nome dado pelos pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos à porção noroeste da Coreia do Norte, onde o rio Yalu desagua no Mar Amarelo. Durante a Guerra da Coreia, foi o local de numerosas batalhas aéreas entre os caças americanos e os das forças comunistas, especialmente da União Soviética. O F-86 Sabree e os caças Mikoyan-Gurevich MiG-15 de construção soviética foram as aeronaves usadas durante a maior parte do conflito, com o apelido da área derivado do último. Por ter sido o local das primeiras batalhas aéreas jacto-contra-jacto em grande escala, MiG Alleyy é considerado o berço do combate de caça a jacto.

A partir de 1952, Mikoyan também projectou sistemas de mísseis especialmente adequados para a sua aeronave, como o famoso MiG-21. Ele continuou a produzir lutadores de alto desempenho durante as décadas de 1950 e 1960.

Ele foi premiado duas vezes com a mais alta honraria civil, o Herói do Trabalho Socialista e foi deputado em seis Soviete Supremo.

Após a morte de Mikoyan, o nome do escritório de design foi alterado de Mikoyan-Gurevich para simplesmente Mikoyan. No entanto, o designador permaneceu MiG. Muitos outros designs vieram do bureau de design, como o MiG-23, o MiG-29 e o MiG-35 e variações.

Depois de sofrer um derrame cerebral em 1969, Mikoyan faleceu no ano seguinte e foi sepultado no cemitério Novodevichy em Moscovo.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

4 DE AGOSTO - WILSON FITTIPALDI

EFEMÉRIDE - Wilson Fittipaldi, piloto de automóveis, empresário e radialista brasileiro, especializado em automobilismo, nasceu em Santo André no dia 4 de Agosto de 1920. Morreu no Rio de Janeiro em 11 de Março de 2013.

Filho de imigrantes italianos, Wilson desde cedo interessou-se por carros e motos e no final da década de 1930, já era locutor.

Em 1943, casou-se com a polaca Józefa “Juzy” Wojciechowska e no dia de Natal desse mesmo ano, nasceu o seu primeiro filho, Wilson Fittipaldi Júnior.

Conhecido como Barão, Wilson Fittipaldi trabalhou durante décadas nas transmissões da Rádio Panamericana (depois conhecida como Jovem Pan) e também foi comentarista do telejornal Record em Notícias (1973/1996) da TV Record, na década de 1980.

Além da locução, ele também foi organizador de provas automobilísticas e de motos, acompanhando de perto o nascimento do Autódromo de Interlagos.

Como piloto, participou em várias provas, sendo, em algumas, piloto e repórter ao mesmo tempo.

Wilson foi pai dos irmãos Emerson e Wilson, avô de Christian, e bisavô de Pietro e Enzo, todos pilotos brasileiros de várias categorias, incluindo a F1 (Fórmula 1).

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

3 DE AGOSTO - HABIB BOURGUIBA

EFEMÉRIDE - Habib Bourguiba, político tunisino, nasceu em Monastir no dia 3 de Agosto de 1903. Morreu na mesma cidade em 6 de Abril de 2000. Foi presidente da Tunísia, entre 25 de Julho de 1957 a 7 de Novembro de 1987.

Ficou para a História como o fundador do Partido Neo-Destur e por praticar actos revolucionários numa luta persistente pela independência do seu país.

Foi preso diversas vezes e condenado ao exílio. As suas campanhas pela independência da Tunísia acabaram por ser bem-sucedidas. Em 1972, foi-lhe concedido o título de presidente vitalício, mas, em 1987, foi destituído desta função pelo primeiro-ministro tunisino, o general Ben Ali.

Em 1938, fundara o Partido Constitucional Neo-Destour. Este partido buscava a independência do país. Devido a isto, passou os dez anos seguintes entre prisões francesas e o exílio no Cairo em 1946 e, depois, nos Estados Unidos. Após a independência, em 1956, foi primeiro-ministro.

Depois, em 1957, tornou-se presidente. Ocupou este cargo durante 30 anos. O seu governo foi próximo aos Estados Unidos da América e de Israel, tratando de ocidentalizar o país sem, todavia, perder as origens muçulmanas e islâmicas, sendo o Kemal Atatürk da Tunísia, promovendo o secularismo e os direitos das mulheres.

Em 1987, foi destituído do cargo pelo seu primeiro-ministro Zine el-Abidine Ben Ali com o apoio do exército, em decorrência do agravamento de conflitos internos causados pela crise económica.

Habib Bourguiba veio a falecer na sua cidade natal, aos 96 anos de idade.

domingo, 2 de agosto de 2026

2 DE AGOSTO - LILY GLADSTONE

EFEMÉRIDE - Lily Gladstone (nascida Lilan Rose Mary Gladstone), actriz norte-americana, nasceu em Kalispell no dia 2 de Agosto de 1986.

Criada na Reserva Blackfeet em Browning, Montana, Gladstone é descendente de Piegan Blackfeet, Nez Perce e tem herança europeia.

Ela estreou cinema em Jimmy P. (Psychothérapie d’un Indien des Plaines) (2012) e colaborou com a cineasta Kelly Reichardt nos filmes independentes “Certain Women” (2016) e “First Cow” (2019). Ela também apareceu em episódios de “Room 104” da HBO (2017/2020), “Billions da Showtime” (2016/2023) e “Reservation Dogs” da FX (2021/2023).

Gladstone foi aclamada pela crítica por interpretar Mollie Kyle, uma mulher Osage que sobreviveu aos assassinatos dos índios Osage, no filme de drama policial de Martin Scorsese, “Killers of the Flower Moon” (2023), recebendo vários elogios. Ela se tornou a primeira nativa americana a ganhar o Globo de Ouro de Melhor Actriz em Filme e a ser nomeada para o Oscar de Melhor Actriz.

A sua mãe é branca e o seu pai é Blackfeet e Nez Perce. Ela descende do primo-irmão do primeiro-ministro britânico William Ewart Gladstone. Um de seus tataravôs paternos foi o chefe da Nação Kainai, Red Crow.

O desejo de retratar um Ewok depois de assistir a “Return of the Jedi” aos cinco anos de idade a inspirou a tornar-se actriz. Uma das primeiras experiências de actuação de Gladstone quando criança foi quando o Missoula Children’s Theatre veio para a sua cidade natal em East Glacier, Montana, e a escalou como uma meia-irmã malvada em Cinderela.

A família de Gladstone mudou-se para a área de Seattle durante os seus anos de ensino médio, para ficar mais perto de sua avó. Lá ela se matriculou no Stone Soup Theatre, uma companhia de teatro educacional sem fins lucrativos para jovens de Seattle, estrelando filmes e teses estudantis.

Em 2004, ela formou-se na Mountlake Terrace High School em Mountlake Terrace, Washington. Em 2008, formou-se na Universidade de Montana com Bachelor of Fine Arts (BFA) em Actuação/Direcção e especialização em Estudos Nativos Americanos. Na Universidade de Montana, ela interessou-se pelo Teatro do oprimido. Na UM, actuou em “Riders to the Sea” (2006), “Richard III” (2006), “Miss Julie” (2007) e “Coyote on a Fence” (2008).

Ao se formar, ela deu aulas de Actuação e workshops na sua comunidade natal. Ela ensinou um método de actuação de teatro de imagens que chamou «jardim de esculturas» como prevenção da violência, patrocinado pelo Centro Nacional de Recursos para Mulheres Indígenas.

Em 2010, actuou em “The Frybread Queen”, uma co-produção de Native Voices no Autry, na UM School of Theatre and Dance e no Montana Repertory Theatre.

Gladstone fez a sua estreia no cinema em Jimmy P. (“Psychothérapie d’un Indien des Plaines“) (2012). Ela então actuou em “Winter in the Blood” (2012) e “Buster’s Mal Heart” (2016) antes de fazer a sua carreira como Jamie, uma fazendeira, no filme de Kelly Reichardt, “Certain Women” (2016). O papel rendeu a Gladstone o Prémio Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles de Melhor Actriz coadjuvante e o Prémio Sociedade de Críticos de Cinema de Boston de Melhor Actriz coadjuvante. Ela também recebeu nomeações para o Independent Spirit de Melhor Actriz coadjuvante e o Gotham Independent Film Award de Actuação Inovadora.

Gladstone desempenhou o papel de Kate Keller na produção da tournée nacional do Montana Repertory Theatre de 2014. Gladstone fez parte da companhia de actuação do Oregon Shakespeare Festival em 2017 e estrelou a produção do Yale Repertory Theatre de Manahatta de “Mary Kathryn Nagle” em 2020.

Em 2017, Gladstone apresentou uma série no canal educacional do YouTube Crash Course sobre produção cinematográfica.

Gladstone teve um pequeno papel no filme “First Cow de Reichardt” de 2019, antes de estrelar o filme de 2022 “The Unknown Country”, dirigido por Morrisa Maltz, pelo qual recebeu o Gotham Independent Film Award de Melhor Actuação Principal.

Gladstone foi escalada para o papel principal de Mollie Kyle na longa-metragem de Martin Scorsese, “Killers of the Flower Moon”, que foi lançado nos cinemas em Outubro de 2023. A sua actuação recebeu elogios da crítica e foi descrita como um destaque do filme. O crítico Josh Spiegel disse que ela «trouxe à vida uma paixão incrível».

Em 2024, ela ganhou o Globo de Ouro de Melhor Actriz em Filme - Drama; ela foi a primeira mulher indígena (nativa americana) a ser indicada e ganhar um Globo de Ouro de actuação. Ela é a quarta mulher indígena e primeira nativa americana a ser nomeada para o Oscar de Melhor Actriz.

sábado, 1 de agosto de 2026

1 D AGOSTO - MANUEL JOSÉ GONÇALVES COUTO

EFEMÉRIDE - Manuel José Gonçalves Couto, missionário pedâneo português, do século XIX, nasceu em Telões, Vila Pouca de Aguiar, no dia 1 de Agosto de 1819. Morreu em Telões, em 17 de Setembro de 1897.

Foi autor do livro mais editado em Portugal nesse século: a “Missão Abreviada”.

Manuel José Gonçalves Couto era natural de Zimão, freguesia de Telões, concelho de Vila Pouca de Aguiar. Faleceu no mesmo lugar de Zimão, na casa fronteira à que nascera.

Era o sexto filho dos dez que José António Dias e Maria José Gonçalves levaram à pia baptismal da Igreja de Telões.

Eram seus avós paternos António Dias do Cabo e Ana Maria Alves da Costa; e seus avós maternos António Gonçalves do Couto e Mariana Gonçalves.

Com 25 anos, recebe a ordenação presbiteral em Braga, no dia 21 de Dezembro de 1844, das mãos do seu Arcebispo, D. Pedro Paulo de Figueiredo da Cunha e Mello que, no ano seguinte, seria elevado ao cardinalato (30/09/1845).

De uma família de lavradores abastados, viveu pobre e desprendidamente, com uma única preocupação: viver e pregar a Boa Nova. Não apenas uma pregação geral, esporádica e dispersa, mas uma pregação sistemática e exigente: tornou-se missionário itinerante, pregador de missões populares, dedicando-se intensivamente a este ministério que implicava despender horas e horas a ouvir confissões (tendo chegado a confessar durante dezasseis horas seguidas). Ia, portanto, de terra em terra, formando equipa com outros missionários, a pregar missões que, por regra, duram quinze dias em cada lugar missionado.

Deste seu empenho na pregação das missões, da realidade da vida com que permanentemente contacta, decide, no tempo que lhe medeia entre missões, escrever um livro que, dando continuidade às mesmas, sustentar o fruto das missões, permitindo ainda chegar onde ele não podia ir. Nasceu assim a “Missão Abreviada”, que teve a sua primeira edição em 1859, no editor Sebastião José Pereira, do Porto.

É notória a influência que o Pe. Couto, mormente através da “Missão Abreviada”, teve na forma portuguesa de viver o cristianismo.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

31 DE JULHO - LOUJAIN ALHATHLOUL

EFEMÉRIDE - Loujain Alhathloul, activista pelos direitos das mulheres e uma personagem pública saudita, nasceu em Gidá no dia 31 de Julho de     1989.

A revista “Arabian Business” incluiu-a no terceiro lugar da lista das cem mulheres mais poderosas de 2015 (Top 100 Most Powerful Arab Woman 2015).

Presa em 1 de Dezembro de 2014, ficou encarcerada durante 73 dias depois de tentar cruzar a fronteira conduzindo seu carro desde os Emirados Árabes Unidos até à Arábia Saudita, arguida de desafiar a proibição de conduzir às mulheres no seu país.

A activista foi detida novamente em Maio de 2018, pouco antes de o reino suspender a proibição de dirigir para as sauditas.

No final de 2020, foi condenada a cinco anos e oito meses de prisão por um tribunal do país especializado em casos antiterrorismo.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

30 DE JULHO - ROBERT KORZENIOWSKI

EFEMÉRIDE - Robert Marek Korzenioswski, atleta polaco e o maior marchador de todos os tempos, tetracampeão olímpico e tricampeão mundial da marcha atlética nas duas distâncias oficiais desta modalidade, nasceu em Lubaczów no dia 30 de Julho de 1968.

Faz parte de uma selecta lista de atletas a vencer três vezes seguidas a sua prova no atletismo dos Jogos Olímpicos, junto a nomes como Carl Lewis (salto em comprimento), Al Oerter (lançamento de disco), Viktor Saneyev (triplo   salto) e Usain Bolt (100 m e 200 m).

Nos seus primeiros Jogos Olímpicos, Barcelona 1992, “Korzen”, como é chamado, foi desclassificado na prova dos 50 km quando se encontrava em segundo lugar e desistiu da prova dos 20 km, que também disputava.

A partir daí, conquistou um bronze no Mundial de Gotemburgo 1995, um ouro no Mundial de Atenas 1997 e passou a coleccionar medalhas de ouros olímpicas e mundiais. Venceu a marcha dos 50 km, a mais longa prova do atletismo, consecutivamente nos Jogos de Atlanta 1996, Sydney 2000 e Atenas 2004, conseguindo em Sydney o feito de ganhar o ouro também na marcha mais curta de 20 kms, com sete dias de diferença entre as duas. Ele chegou originalmente em segundo nesta prova, mas acabou ficando com a medalha de ouro após a desclassificação do mexicano Bernardo Segura, que cruzou a linha de chegada 1s à frente de Korzenioswski.

Além das quatro medalhas olímpicas, também conquistou três ouros no Campeonato Mundial de Atletismo, em Atenas 1997, Edmonton 2001 e Paris 2003.

Ele retirou-se das competições após a vitória em Atenas, passando a trabalhar na televisão estatal polaca, onde exerceu entre 2005 e 2007 o cargo de chefe do departamento de desporto e entre 2007 e 2009 foi o director-geral do TVP Sport, um novo canal desportivo, onde criou uma nova maneira de mostrar desportos, eliminando transmissões ao vivo e focando a programação na história dos desportos em geral e em entrevistas e debates desportivos.

Condecorado pelo governo polaco nos graus de cavaleiro, oficial e comandante da Ordem da Polónia Restituta, uma das mais importantes comendas do país, actualmente ele também está envolvido em diversas actividades junto ao Comité Olímpico Internacional.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

29 DE JULHO - REBECCA GOMPERTS

EFEMÉRIDE - Rebecca Gomperts, médica radicada em Amsterdão e fundadora das organizações sem fins lucrativos Women on Waves e Women on Web, que fornecem serviços de saúde reprodutiva para mulheres em países onde não são prestados, nasceu em Paramaribo no dia29 de Julho de 1966.

Em 2013 e 2014 ela foi incluída na lista 100 Mulheres, da BBC.

Em 2018, Gomperts fundou a organização sem fins lucrativos Aid Access, que actua nos Estados Unidos. Uma especialista em aborto e activista, ela é geralmente considerada a primeira activista pelo direito ao aborto a cruzar as fronteiras internacionais.

Gomperts foi também incluída na lista das 100 pessoas mais influentes de 2020 da revista “Time”.

Rebecca nasceu na capital do Suriname. Ela mudou-se para os Países Baixos aos três anos de idade e cresceu na cidade portuária de Vlissingen. Os seus movimentos pela Europa desde muito cedo criaram nela uma consciência internacional que impulsionaria a sua futura carreira.

Gomperts mudou-se para Amsterdão em meados da década de 1980, após a conclusão do ensino médio. Tendo um interesse por artes e ciências, Gomperts estudou artes visuais e medicina. Ela completou um curso de quatro anos de arte na Gerrit Rietveld Academie, estudando arte conceitual, enquanto ao mesmo tempo frequentava a faculdade de medicina.

Ao descobrir que a arte não era o caminho que desejava seguir, mergulhou no mundo da medicina; Gomperts não encontrou a sua vocação no campo da medicina reprodutiva até mais tarde na sua carreira médica.

Após formar-se em medicina, Gomperts trabalhou num pequeno hospital na Guiana como médica estagiária. Foi lá que, aos 25 anos, ela testemunhou a realidade do aborto ilegal pela primeira vez. Em 1997, ela era uma médica de 31 anos radicada em Amesterdão que realizava abortos legais.

Entre 1997/1998, Gomperts navegou com um navio do Greenpeace chamado Rainbow Warrior II como médica residente e activista ambiental.

Após as suas viagens com o Greenpeace, o interesse de Gomperts em saúde reprodutiva aumentou. Gomperts queria que os danos à saúde e as taxas de mortalidade por abortos em casa diminuíssem, então elaborou um programa baseado na ideia radical de que as mulheres podem fazer abortos em lugares onde as clínicas de aborto são altamente restritas ou não existem.

Gomperts usou contactos que fez durante a escola de arte para ajudá-la a projectar e financiar uma clínica móvel. Um amigo próximo dela, Joep van Lieshout, concordou em ajudar a projectar a clínica. A ideia colaborativa era que a clínica fosse uma obra de arte funcional, uma clínica móvel a bordo de um navio, para que pudesse passar legalmente pelas fronteiras internacionais sem que o equipamento médico fosse apreendido. Gomperts solicitou fundos do Conselho Nacional de Artes, precisando de $500 000 em equipamentos médicos e $190 000 no total de capital inicial. A bolsa para a clínica móvel veio da Fundação Mondriaan. A formação de Gomperts em arte permitiu que ela colocasse o seu sonho em acção, e a sua clínica móvel tornou-se «um espaço de fusão do trabalho que é simbólico com o trabalho social».

Gomperts fundou a sua organização Women on Waves em 1999, após retornar da sua viagem no navio Rainbow Warrior II. A Women on Waves estava levando os serviços de aborto não cirúrgico e educação para países em todo o mundo que não os tinham.

Usando a doação da Fundação Mondriaan, a Women on Waves alugou um barco no qual a clínica móvel seria montada. Muitos meios de comunicação ficaram chocados com o fato de Gomperts não estar nem um pouco preocupada com a possibilidade de o seu navio ser detido, apreendido ou afundado ao entrar nas águas de uma nação.

Women on Waves fez muitas viagens. A notícia se espalhou rapidamente de que ela estava tentando alcançar países onde o aborto era ilegal através de suas águas, e muitos desses países adoptaram medidas para impedi-la. A primeira viagem foi para a Irlanda, depois Polónia, Portugal, Espanha, Marrocos e Guatemala. Embora a sua primeira viagem de onze dias a Dublin tenha sido considerada mal-sucedida pela imprensa, a Women On Waves recebeu mais de 200 pedidos de aborto de mulheres em terra que precisavam da sua ajuda, o que foi mais atenção do que Gomperts jamais imaginou. O Women on Waves nunca teve a intenção de resolver o problema do aborto inseguro, mas de ajudar a criar precedentes legais nas áreas cinzentas das leis de aborto dos países, para alcançar todas as mulheres que não tiveram ajuda de seus próprios médicos, e para prevenir o acto perigoso de abortos ilegais.

O Women on Waves enfrentou muitos desafios durante as viagens. Numa de suas viagens a Portugal, a sua clínica móvel não foi autorizada a atracar. Ao invés disso, Gomperts fez uma aparição num talk show local. Ela falou sobre como uma mulher poderia fazer um aborto seguro sozinha em casa e todos os outros conselhos médicos que ela poderia dar no ar. Foi então que Gomperts percebeu que poderia alcançar mais pessoas pela internet do que de barco. «No final, nosso navio nunca será uma solução estrutural para o enorme número de mulheres que precisam de aborto», disse ela.

Foi quando, em 2005, foi fundada a segunda organização de Gomperts, Women on Web. Em 2016, a Women on Web estava recebendo mais de 10 000 emails por mês de mais de 123 países em todo o mundo, onde mulheres perguntavam questões variadas, desde como administrar pílulas abortivas e conselhos sobre contraceptivos até consultoria de relacionamento.

Gomperts tem dois filhos e vive em Amsterdão.

Vessel”, um documentário sobre a missão de Gomperts no Women on Waves, estreou em 2014 no Southwest Film Festival. Este documentário testemunhou a criação de uma rede de activistas da saúde reprodutiva liderada por Gomperts.

O Women on Web também teve uma campanha publicitária que anunciou os seus serviços por meio da marca de roupas Diesel.

terça-feira, 28 de julho de 2026

28 DE JULHO - TIAGO APOLÓNIA

EFEMÉRIDE - Tiago André Barata Feio Peixoto Apolónia, mesa-tenista português, nasceu em Lisboa no dia 28 de Julho de 1986.

Junto com Marcos Freitas, foi 3º colocado em duplas no Campeonato Europeu de 2008.

É atleta olímpico desde 2008 e conseguiu um 5º lugar por equipas nos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres.

Em Outubro de 2010, venceu o Open da Áustria com uma vitória na final (4-3) sobre o alemão Timo Boll, número dois do ranking e actual campeão da Europa.

Em Outubro de 2010, era o 32º do ranking mundial. Actualmente, tem a melhor posição de um português de sempre tendo ficado em 19º do ranking mundial de Dezembro de 2010.

Tiago Apolónia é jogador do FC Saarbrücken da Alemanha.

Conquistou o Campeonato Europeu pela Selecção Nacional em 2014.

Em 1 de Dezembro de 2014, conjuntamente com os seus colegas de equipa e treinadores, foi feito comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

27 DE JULHO - JOSEPH KITTINGER

EFEMÉRIDE - Joseph William Kittinger, piloto da Força Aérea dos EUA, nasceu em Tampa no dia 27 de Julho de 1928. Morreu na Flórida em 9 de Dezembro de 2022.

Ele ficou famoso por participar no projecto Excelsior onde saltou de um balão de hélio de uma altitude de 31 300 m (102 800 pés), no dia 16 de Agosto de 1960.

Em 2012, a propósito da missão “Red Bull Stratos”, foi o principal contacto de rádio entre o solo e a cápsula onde se encontrava Felix Baumgartner, enquanto subia em direcção ao espaço, antes de realizar o maior salto de sempre.

Kittinger foi designado pelo Aerospace Medical Research Laboratories da base aérea de Wright-Patterson AFB em Dayton, Ohio, para o Projecto Excelsior. O projecto consistia numa série de saltos, para testarem o sistema Beaupre de paraquedas de multi-estágios que fosse confiável após uma ejecção a grandes altitudes e a velocidades supersónicas.

No dia 16 de Agosto de 1960, ele realizou o salto final, o Excelsior III, a 31 300 m (102 800 pés). Ele ficou em queda livre durante 4 minutos e 36 segundos e alcançou a velocidade máxima de 988 km/h (614 milhas por hora) antes de abrir o seu paraquedas a 5 500 m (18 000 pés). Ele bateu os recordes para a maior altitude alcançada por um balão, a maior altitude de um salto de paraquedas, a maior queda livre e a maior velocidade atingida por um homem através da atmosfera. O tempo total do salto durou 13 minutos e 45 segundos e Kittinger foi exposto a temperaturas de até -70 Celsius. De acordo com Kittinger, ele quebrou a barreira do som chegando a 1 148 km/h (714 milhas por hora) durante o seu famoso salto.

Além do facto de certas fontes não confirmarem que Kittinger chegou a quebrar a barreira do som, existem também divergências de que o salto de Kittinger não foi uma queda livre real, já que ele usou um pequeno paraquedas, que se abriu 13 segundos após saltar da gôndola, para estabilizar a sua queda. Kittinger teria percorrido então cerca de 25 800 m de queda livre. Há também o facto de que o salto foi para fins militares, o que não consta como recorde.

De acordo com o “Guinness book of records”, Eugene Andreev (URSS) detém o recorde oficial da FAI (Fédération Aéronautique Internationale) de maior queda livre. No dia 1 de Novembro de 1962, perto da cidade de Volsk, Andreev percorreu a distância de 24 500 m, depois de pular de uma altitude de 25 458 m (83 523 pés) e só abriu o seu paraquedas a 958 m do solo. Andreev aterrou com segurança perto da cidade de Saratov.

Em 1984, ele tornou-se a primeira pessoa a fazer uma travessia a solo do Oceano Atlântico num balão a gás.

Kittinger faleceu em 2022, aos 94 anos de idade, devido a um cancro de pulmão.

domingo, 26 de julho de 2026

26 DE JULHO - FRANCESCO COSSIGA

EFEMÉRIDE - Francesco Cossiga, político italiano, 8° presidente da República de 1985 a 1992, nasceu em Sássari no dia 26 de Julho de 1928. Morreu em Roma, em 17 de Agosto de 2010. Terminado o mandato, assumiu o cargo de senador vitalício na qualidade de ex-presidente.

Foi ministro do Interior no terceiro governo de Giulio Andreotti (1976/1978), quando se demitiu após o assassinato de Aldo Moro.

De 1979 a 1980, foi presidente do Conselho de Ministros (primeiro-ministro) e, de 1983 a 1985, foi presidente do Senado da República até ser eleito presidente da República, o mais jovem da República Italiana até então.

Em 22 de Março de 1990, foi agraciado com o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.

Considerado honesto e incorruptível durante todos os seus mandatos até 1992, sempre foi respeitado, mesmo pelos seus oponentes políticos. Após o assassinato de Aldo Moro, declarou ao jornalista Paolo Guzzanti: «Se tenho os cabelos brancos e manchas na pele, é por isto. Porque eu me dava conta de que estávamos deixando que matassem Moro e o nosso sofrimento estava em sintonia com o sofrimento dele».

Provocou a hostilidade do establishment político e da NATO, ao tornar pública a existência da Operação Gladio e o seu papel nessa organização. As suas revelações provocaram um inquérito parlamentar, em 2000, sobre as actividades da Gladio em Itália.

Foi apurado que os serviços secretos norte-americanos e da NATO haviam realizado actividades terroristas «sob falsa bandeira», causando numerosas vítimas entre a população civil. O objectivo era culpar os grupos de esquerda pelos actos de terror, a fim de incitar a opinião pública contra os comunistas e assim justificar medidas de excepção, por parte do Estado.

Em 11 de Março de 1977, durante mais confrontos entre estudantes e polícia na área da universidade de Bologna, foi morta a luta militante continua Pierfrancesco Lorusso, protestos estudantis subsequentes, Cossiga, que ocupou o Ministério do Interior com envio de veículos blindados de transporte de tropas (M113), na área universitária.

Em Março de 1978, quando Aldo Moro foi sequestrado pelas Brigadas Vermelhas, rapidamente criou dois comités de crise, um oficial e um restrito para resolver a crise.

Ao morrer, foi vontade de Cossiga escrever quatro cartas, tornadas públicas e dirigidas ao Presidente da República, Giorgio Napolitano, os Presidentes do Conselho e os Presidentes da Câmara e do Senado: Silvio Berlusconi, Gianfranco Fini e Renato Schifani.

O Cardeal Tarcísio Bertone, Secretário de Estado da Santa Sé, em artigo no jornal “L’Osservatore Romano” afirmou que a fé católica de Cossiga era granítica e aberta e que durante a sua vida perseguira tenazmente três metas, as quais teria alcançado: a proclamação de São Tomás More como padroeiro dos políticos católicos, a beatificação do abade Antonio Rosmini e a do cardeal John Henry Newman. Disse ter sido testemunha «da amizade e da familiaridade intelectual que uniu Cossiga ao cardeal Joseph Ratzinger com o qual passava horas de empenhativas conversações filosóficas e teológicas».

sábado, 25 de julho de 2026

25 DE JULHO - ARTUR PARTYKA

EFEMÉRIDE - Artur Jerzy Partyka, antigo saltador em altura da Polónia, nasceu em Stalowa Wola no dia 25 de Julho de 1969.

Conseguiu ser, por duas vezes, medalhado nos Jogos Olímpicos.

Foi por doze vezes consecutivas Campeão Nacional de salto em altura, entre 1989 e 2000, em representação do ŁKS Łódź S.

Filho de pai argelino e de mãe polaca, é considerado um dos melhores saltadores em altura de todos os tempos, pois é um dos 17 atletas que, até hoje, foram capazes de saltar 2,38 m ou mais.

Com essa marca, estabeleceu um novo recorde da Polónia, ultrapassando outro histórico saltador desse país, o ex-recordista mundial Jacek Wszoła.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

24 DE JULHO - JUN’ICHIRŌ TANIZAKI

EFEMÉRIDE - Jun'ichirō Tanizaki, escritor japonês e um dos maiores autores da literatura japonesa moderna, nasceu em Nihonbashi no dia 24 de Julho de 1886. Morreu em   Yugawara, em 30 de Julho de 1965.

Com influências de Edgar Allan Poe, o autor começou a escrever muito cedo. A Tanbiha, escola na qual participou, valorizava a «arte e beleza acima de tudo», contra o objectivismo da época. Algumas das suas obras possuem forte carácter sexual e erótico. Outras mostram a subtileza dos dramas familiares em comparação com as rápidas mudanças na sociedade japonesa no século XX. É costume ler nos seus livros uma busca por uma identidade cultural na qual as culturas ocidental e oriental são justapostas.

Tanizaki nasceu no distrito de Nihonbashi, em Tóquio, em 1886, numa família próspera de mercadores. O seu tio era dono de uma gráfica, aberta antes pelo seu avô. Os seus pais eram Gorō e Seki Tanizaki. O seu irmão mais velho, Kumakichi, morreu apenas três dias depois no nascimento, o que tornou Tanizaki o filho mais velho. Ele tinha três irmãos mais novos: Tokuzō, Seiji (também escritor) e Shūhei, e três irmãs mais novas, En, Ise e Sue.

Parte da sua infância foi contada no seu livro “Childhood Years”, como a destruição da casa da família no terremoto de 1894, em Tóquio, ao qual o autor atribuía o seu pavor de tremores. A qualidade de vida da família caiu muito depois disso e quando ficou mais velho ele se viu forçado a trabalhar como tutor numa casa de família.

Apesar dos problemas financeiros da família, Tanizaki conseguiu completar os seus estudos básicos, onde acabou conhecendo o poeta e dramaturgo Isamu Yoshii. Tanizaki ingressou no curso de literatura na Universidade Imperial de Tóquio em 1908, até ser forçado a largar os estudos em 1911 por não ter dinheiro para pagar as mensalidades.

A sua carreira literária começou em 1909. OI seu primeiro trabalho foi uma peça de apenas um acto, publicada numa revista literária que ele mesmo ajudou a fundar. O seu nome se tornaria conhecido com a publicação do conto “Shisei” (“O tatuador”), em 1910. No conto, um tatuador desenha uma enorme aranha no corpo de uma jovem e logo em seguida ela se torna demoníaca, sedenta de poder, num enredo onde o erotismo é combinado com sadomasoquismo. Tanizaki utilizou muito o estereótipo da femme fatale em vários dos seus primeiros trabalhos, como em “Kirin” (1910), “Shonen” (“A criança", 1911), “Himitsu” (“O Segredo”, 1911) e “Akuma” (“Demónio”, 1912). Outros trabalhos publicados no período Taishō incluem “Shindo” (1916) e “Oni no men” (1916), e são praticamente autobiográficos.

Tanizaki casou-se com a sua primeira esposa, Chiyo Ishikawa, em 1915, com quem teve uma filha, Ayuko, em 1916. Mas era um casamento infeliz e após um tempo, ele encorajou Chiyo a se relacionar com seu amigo, o escritor Haruo Satō. O estresse de tal situação foi reflectido nos seus trabalhos, como a peça “Aisureba koso” (“Porque eu a amava”, 1921) e no livro “Kami to hito no aida” (“Entre homens e deuses”, 1924). Tanizaki se casaria mais duas vezes depois de se separar de Chiyo. Com a terceira esposa, Matsuko Morita, ele teve uma segunda filha, Emiko.

Em 1918, Tanizaki viajou pela Coreia, na época dominada pelo Japão, pelo norte da China e pela Manchúria.  Nos seus primeiros anos, ele se apaixonou pelo Ocidente e por todas as coisas modernas. Em 1922, ele mudou-se de Odawara, em Kanagawa, onde morava desde 1919, para Yokohama, onde o estilo ocidental era mais popular, principalmente na arquitectura, onde Tanizaki levou uma vida boémia, facto que acabou reflectido em suas obras do período.

Tanizaki teve uma breve carreira no cinema mudo, trabalhando como guionista do estúdio Taikatsu. Era um apoiante do movimento que pedia por uma maior modernização do cinema japonês e foi essencial para tal movimento no país. Alguns de filmes roteirizados por Tanizaki foram “Amateur Club” (1922) e “A Serpent’s Lust” (1923).

A sua reputação descolou em 1923. Tanizaki mudou-se para Quioto, em 1923, após o grande terremoto naquele mesmo ano, que destruiu a sua casa em Yokohama. Tanizaki não se feriu, pois estava num ónibus no momento do tremor. A perda de prédios históricos e monumentos antigos fez com que muitos artistas da época, que valorizavam a cultura ocidental, a se voltar para a cultura japonesa, em especial a cultura da região de Kansai, onde ficam as cidades de Osaka, Kobe e Quioto.

O seu primeiro livro após o terremoto foi o seu livro mais bem-sucedido, “Chijin” (“Naomi”, 1924/1925), onde o autor explora classes sociais, obsessão sexual identidade cultural. Tanizaki fez outra viagem à China, em 1926, onde conheceu Guo Moruo, com quem se correspondeu por um longo tempo. De volta ao Japão, ele mudou-se para Kove, em 1928.

De entre as suas principais obras estão “Amor insensato” (1924; “Companhia das Letras”, 2004), “Voragem” (1928; ““Há quem prefira urtigas” (1930; “A chave” (1956); e “Diário de um velho louco” (“Estação Liberdade”, 2002. É ainda autor do ensaio “Elogio da Sombra”. Tanizaki também traduziu para japonês autores ocidentais, como Stendhal e Oscar Wilde.

Após a Segunda Guerra Mundial, Tanizaki ganhou nova proeminência no meio literário do seu país ganhando vários prémios nesse período. Ganhou ainda mais prestígio após ganhar o Prémio Asahi, em 1949, e por ser agraciado com a Ordem da Cultura do governo japonês, em 1949. Em 1964, foi eleito membro honorário da American Academy of Arts and Letters, o primeiro escritor a japonês a ser homenageado pela academia.

Os personagens de Tanizaki são geralmente movidos por suas obsessões e desejos sexuais, como em um dos seus últimos livros, “Futen Rojin Nikki” (“Diário de um velho louco” 1961/1962). Tanizaki deliberadamente estabeleceu suas ideias sobre a estética japonesa em contraste com as do Ocidente, que ele caracterizou em termos de uma obsessão implacável com o progresso. No entanto, ele escondeu cuidadosamente as verdadeiras origens de seu pensamento, que na verdade estavam na onda da «contracultura» europeia que varreu o Japão a partir da virada do século XX.

Em 1958, Tanizaki sofreu uma paralisia da mão direita e foi hospitalizado devido à angina, em 1960. Tanizaki falceu em 1965, aos 79 anos, após sofrer um infarto, um ano após ter sido eleito membro honorário da American Academy and Institute of Arts and Letters. Foi sepultado no templo Hōnen-in, em Quioto.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

23 DE JULHO - RUTH ELLIS

EFEMÉRIDE - Ruth Charlotte Ellis,  mulher afro-americana conhecida por ser uma activista dos direitos LGBT e a mais velha lésbica assumida sobrevivente, aos 101 anos, nasceu em SpringfieldIllinois, no dia  23 de Julho de 1899. Morreu em  DetroitMichigan,  em  5 de Outubro de 2000.

A sua vida é celebrada no documentário de Yvonne Welbon, “Living With Pride: Ruth C. Ellis @ 100”.

Ellis era a mais nova de quatro filhos, seus irmãos eram Charles, Harry e Wellington Ellis sendo ela a única mulher em sua família. A mãe de Ellis, Carrie Farro Ellis, morreu quando ela era adolescente, enquanto o seu pai, Charles Ellis Sr., foi o primeiro carteiro afro-americano em Illinois.

Ellis tornou-s aberta sobre a sua identidade como lésbica por volta de 1915, mas afirmava nunca ter precisado de se assumir, pois a sua família estava aceitando. Ela formou-se na Springfield High School em 1919, numa época em que menos de sete por cento dos afro-americanos se formavam no ensino médio. Na década de 1920, ela conheceu a única mulher com quem viveu, Ceciline “Babe” Franklin. Elas se mudaram juntas para Detroit, Michigan, em 1937.

Ellis passava os dias trabalhando para uma gráfica, mas mudou-se para Detroit em 1937 para cuidar de um menino em Highland Park. Incentivada pela promessa de melhores salários, ela trabalhou por US$ 7,00 por semana, o que equivale a US$ 125,62 hoje. No entanto, ela logo colocou o conhecimento que tinha da prensa, que havia adquirido em Springfield, para trabalhar e garantir uma posição na Waterfield and Heath, onde trabalhou até abrir a sua própria prensa na casa do West Side que ela dividia com Franklin. O seu negócio de impressão, a Ellis & Franklin Printing Co., foi a primeira gráfica de propriedade de uma mulher no estado de Michigan.

Os seus hobbies incluíam dança, boliche, pintura, tocar piano e fotografia. A casa de Ellis e Franklin também era conhecida na comunidade afro-americana como o “ponto gay”. Era um local central para festas gays e lésbicas e também servia como refúgio para gays e lésbicas afro-americanos. Ela continuaria a apoiar aqueles que precisavam de livros, comida ou assistência com mensalidades universitárias. Ao longo de sua vida, Ellis foi uma defensora dos direitos de gays e lésbicas e dos afro-americanos. Logo após o seu 70º aniversário, devido à sua fama na comunidade, Ellis se tornaria uma presença constante no “Michigan Womyn’s Music Festival”.

No seu 100º aniversário, ela liderou e cantou Happy Birthday to You pela Marcha Dyke de São Francisco de 1999. Embora Ellis e Franklin eventualmente tenham se separado, elas ficaram juntas por mais de 30 anos. Franklin faleceu em 1973 de um ataque cardíaco a caminho do trabalho.

Ellis ficou hospitalizada duas semanas com problemas cardíacos, mas queria passar os seus últimos dias em casa. Ellis faleceu dormindo nas primeiras horas da manhã de 5 de Outubro de 2000 aos 101 anos. As suas cinzas foram espalhadas no Festival Womyn seguinte e no Oceano Atlântico, perto de Gana.

O Ruth Ellis Center homenageia a vida e o trabalho de Ruth Ellis e é uma das quatro únicas agências nos Estados Unidos dedicadas a jovens e adultos LGBT sem-tecto. Entre os seus serviços estão um centro de acolhimento, programas de moradia de apoio e um Centro de Saúde e Bem-Estar integrado que fornece cuidados médicos e de saúde mental.

Ellis estava sendo reconhecida nas principais publicações LGBT em todo o país, assim que o seu filme, semelhante a um documentário, estava sendo lançado, “Living With Pride: Ruth Ellis @ 100”. O filme ganhou várias honrarias importantes em diferentes festivais de cinema. Em 2009, ela foi introduzida no Hall da Fama do Michigan. Em 2013, foi introduzida no Legacy Walk, uma exibição pública ao ar livre que celebra a história e as pessoas LGBT.

Ellis também foi a colaboradora mais antiga de Piece of My Heart: A Lesbian of Colour Anthology. Foi entrevistada pela poetisa e activista Terri L. Jewell por volta de 1989/1990.

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