Originária
do tradicional bairro da Mouraria, em Lisboa, destaca-se a sua interpretação do
fado menor.
Ao
contrário da maioria dos fadistas da sua geração, começou tarde a cantar, tendo
até um percurso acidentado no meio do fado. Foi para o restaurante A
Parreirinha de Alfama trabalhar como cozinheira e o fado surgiu como
natural consequência, aos 24 anos.
O
seu estilo muito pessoal de cantar, forte e autêntico, logo prendeu as atenções
dos críticos e do público, almejando-a como uma das maiores promessas musicais
da época.
No
entanto, depois de casar, como o seu primeiro marido não gostava que cantasse,
confinou-se à cozinha. Quando o marido morreu, voltou a cantar e teve um
impulso na sua carreira. Mas dois anos depois voltou a casar e a história
repetiu-se. O segundo marido também viria a morrer e voltaria a cantar,
iniciando uma fase que a levaria a ser conhecida internacionalmente.
Actuou
em países como Brasil, Venezuela, Grécia, França, Países Baixos, Reino Unido e
Itália.
Em
1950, comprou A Parreirinha de Alfama, que permanece ainda como uma das
mais típicas casas de fado de Lisboa e também uma das mais concorridas, além de
ser ainda a que se manteve mais tempo nas mesmas mãos. Por ali passaram nomes
como Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo, Fernanda Maria, Berta Cardoso, Maria
da Fé ou Celeste Rodrigues.
Sempre
se dividiu entre os seus dotes musicais e culinários e fazia questão de ir
comprar todas as manhãs o peixe à praça, assegurando-se da qualidade dos pratos
que ali eram servidos.
Tinha
um extenso repertório, todo construído para si, à excepção de “A Lágrima”
(do repertório de Amália Rodrigues, com música de Carlos Gonçalves), e que tem
na voz de Argentina Santos uma interpretação apreciada. Além deste,
destacam-se, entre os seus êxitos, “Duas Santas” (letra de Augusto
Martins e música do Fado Franklin), “Juras” (letra de Alberto Rodrigues
e música de Joaquim Campos) e “Passeio Fadista” (Alberto Rodrigues/José
António Sabrosa).
O
seu primeiro disco datado de 1954, foi efectuado na etiqueta Estoril sob
a orientação artística de Belo Marques, com os guitarristas Casimiro Ramos e
Miguel Ramos, onde gravou “Duas Santas e Juras”.
Em
1960, gravou o seu 2º disco, que conta com temas como “Chafariz do Rei”
ou “Quadras” (de António Botto).
Da
sua discografia, salienta-se a colectânea, em dois CD, “Argentina Santos”,
editada em 2003 pela Movieplay, e o disco “Argentina Santos”,
gravado em 2002 pela Companhia Nacional de Música, onde revisita alguns
temas da sua carreira, com o acompanhamento de José Manuel Neto (guitarra
portuguesa), Jorge Fernando (viola) e Filipe Larsen (viola baixo).
Entre
as salas mais distintas onde cantou, encontram-se o Queen Elizabeth Hall,
em Londres, La Cité de La Musique, em Paris, o Grande Auditório do
CCB e o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e a Catedral de Marselha.
Também
em 2004 participou na compilação de homenagem a Amália Rodrigues “A Tribute
To Amália Rodrigues”, com o tema “Lágrima”. Participou noutros projectos
ligados ao fado, como o espectáculo “Cabelo Branco é Saudade”, de
Ricardo Pais.
Em
2007, o realizador espanhol Carlos Saura imortalizou o fado “Vida vivida”
na voz de Argentina, que o cantou no filme “Fados”, que juntou
intérpretes como Carlos do Carmo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Mariza, Lila
Downs ou Lura.
Argentina
Santos faleceu em Novembro de 2019, no Hospital de Santa Maria em
Lisboa.
Em
2004, foi-lhe prestada uma festa de homenagem no Coliseu dos Recreios. É
patrona da Academia do Fado de Racanati, em Itália, que ela própria
inaugurou.
Em
2005, foi galardoada com o Prémio Carreira, nos Prémios Amália
Rodrigues da Fundação Amália Rodrigues. Na mesma ocasião, a vertente
masculina do Prémio Carreira seria entregue a Raul Nery.
Em
27 de Novembro de 2013, foi feita comendadora da Ordem do Infante D.
Henrique.
