sexta-feira, 28 de agosto de 2026

28 DE AGOSTO - ÂNGELO GIRÃO

EFEMÉRIDE - Ângelo André Ferreira Girão, jogador profissional português de hóquei em patins, nasceu no Porto em 28 de Agosto de 1989.

Joga actualmente pelo Sporting CP e pela Selecção Portuguesa.

Conquistou duas Ligas Europeias, uma Taça CERS, dois Campeonatos Nacionais e uma Supertaça, tendo conquistado todos estes títulos ao serviço do Sporting com excepção de um dos campeonatos nacionais.

Pela Selecção Nacional, sagrou-se Campeão Europeu em 2016 e Campeão Mundial em 2019.

Em 18 de Julho de 2016, foi agraciado com o grau de comendador da Ordem do Mérito. A 16 de Julho de 2019, foi agraciado com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 30 de Janeiro de 2023, invadiu o balneário da equipa adversária e agrediu o jogador argentino Lucas Ordoñez.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

27 DE AGOSTO - ED MCKEEVER

EFEMÉRIDE - Edward “Ed Daniel McKeever, atleta britânico de canoagem de velocidade, nasceu em Bath, Somerset, no dia 27 de Agosto de 1983. Durante a sua carreira foi campeão europeu, mundial e olímpico.

Ed McKeever conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2012 na prova de K-1 na distância de 200m.

Venceu ainda duas medalhas no ICF Canoe Sprint World Championships de 2010 em Poznań, conquistando o título mundial no K-1 200 m e uma de prata no K-1 4 × 200 m. Conquistou também uma medalha de prata no K-1 200 m no evento de 2011 em Szeged.
Em 2012, McKeever venceu o evento K1 200m na Taça do Mundo em Poznan. Ed tinha vencido o mesmo evento no Campeonato Europeu dois anos antes (em 2010) em Trasona, na Espanha, e a prova da Taça do Mundo de velocidade em Szeged, Hungria. McKeever ainda no clube de Bradford on Avon, apesar de ter se mudado para o sul de Buckinghamshire para treinar no Dorney Lake, o local das competições dos Jogos Olímpicos de 2012.

Ele competiu pela Grã-Bretanha nas competições de canoagem de velocidade nas Olimpíadas de Londres 2012 na prova de K1 200m.  Qualificou-se para a final do evento de K1 200m ao estabelecer um novo recorde olímpico com 35,087 segundos nas eliminatórias e a 11 de Agosto conquistou a medalha de ouro na prova.

Um ano depois dos Jogos Olímpicos de 2012, Ed McKeever foi nomeado Membro da Ordem do Império Britânico (MBE) por serviços prestados à canoagem britânica.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

26 DE AGOSTO - ABDUL AZIZ AL-HAKIM

EFEMÉRIDE - Abdul Aziz al-Hakim, teólogo e político iraquiano, morreu em Bagdad no dia 26 de Agosto de 2009. Nascera em Najaf, em 11 de Fevereiro 1950.

Após a queda do presidente iraquiano Saddam Hussein, tornou-se o principal líder da Assembleia Suprema Islâmica do Iraque, o maior partido político do Conselho de Representantes daquele país.

Era filho de Aiatolá Mushin al-Halkin, que foi o líder máximo do ramo xiita do Islão, durante muitos anos. Recebeu educação religiosa e participou desde jovem na oposição à ditadura do partido Baaz.

Por conta das actividades políticas, foi preso em 1972, 1977 (ano em que participou na revolta popular xiita) e em 1979.

Teve que fugir para o estrangeiro em 1974 e, em 1982, foi um dos fundadores da Assembleia Suprema para a Revolução Islâmica no Iraque, a partir de seu exílio no Irão.

Abdul Aziz al Hakim dirigiu o braço armado do partido, a Brigada Badr; regressou ao país logo após a Invasão americana do Iraque de 2003. Converteu-se em líder do partido após o assassinato de seu irmão, Mohamed Baqir al-Hakim.

Graças à importância do seu partido, al-Hakin foi um dos políticos mais poderosos do país, uma vez que o próprio governo de Nuri al-Maliki dependia de seu apoio.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

25 D AGOSTO - VÕ NGUYÊN GIÁP

EFEMÉRIDE - Vo Nguyen Giap, general vietnamita, fundador e comandante supremo do Exército do Povo do Vietname e um dos mais importantes estrategas militares do século XX, nasceu na província de Quang Binh, em 25 de Agosto de 1911. Morreu em Hanói no dia 4 de Outubro de 2013.

Comandou as forças do Vietname, que derrotaram tanto o exército francês, na Batalha de Dien Bien Phu em 1954, encerrando o domínio colonial europeu no país, com a divisão entre o Vietname do Norte e o Vietname do Sul, quando derrotaram o Exército dos Estados Unidos na Guerra do Vietname, logrando a reunificação do Vietname, sob a égide do partido comunista.

Giap era o sexto de uma família de oito filhos. Seu pronome Vo significa força e Giap, armadura, um nome que, segundo os seus admiradores, pressagiava o seu destino.

Alguns factos de sua juventude permanecem obscuros e outros foram fabricados para efeitos de propaganda. Segundo as fontes oficiais, o seu pai era um agricultor que plantava algodão, mas fontes ocidentais asseguram que o seu pai pertencia à elite mandarim. Há dúvidas até mesmo quanto ao ano do seu nascimento: 1911, como consta dos registos oficiais, ou 1912. Certo é que era fluente na língua francesa e teve oportunidade de estudar em duas importantes cidades, Hue e Hanói.

Aos 14 anos, já fazia parte de organizações clandestinas que lutavam contra a ocupação francesa da Indochina, o antigo nome do Vietname, dado por seus colonizadores. Em 1930, foi preso e condenado a três anos de prisão, mas foi solto alguns meses depois. Em 1933, foi expulso da Universidade de Hanói por se envolver em actividades subversivas. No ano seguinte, ingressou no Partido Comunista da Indochina.

A história oficial regista que Giap formou-se em Direito no ano de 1937, mas fontes ocidentais duvidam desta informação, pois dificilmente as autoridades francesas permitiriam que fosse readmitido na Universidade de onde fora expulso.

Neste mesmo ano, começa a trabalhar como professor de História, mas se ocupa mais em organizar colegas e alunos para a luta revolucionária. No ano seguinte, casou-se com a tailandesa Dang Thi Quang, também uma militante comunista.

Colocado o Partido Comunista na ilegalidade pelas autoridades francesas, segue-se a perseguição aos seus militantes, Giap, junto com Ho Chi Minh e outros comunistas, foge em 1939 para a China. Lá inicia o seu treinamento militar na táctica de guerrilha.

A mulher de Giap é presa e morre na prisão, em consequência de torturas. Outros parentes seus também são mortos, inclusive seu pai, seu filho recém-nascido e alguns dos seus irmãos.

No princípio da década de 1940, inicia a sua carreira militar como conselheiro de Ho Chi Minh em operações de guerrilha na fronteira com a China. A China e o Vietname sofriam à época a invasão japonesa que se prolongaria até 1945. Em 1941, participa na fundação da Liga Vietnamita para a Independência, mais conhecida como Viet Minh.

Quando os japoneses se rendem em 1945, Ho Chi Minh, aproveitando-se da confusão reinante, tomou o poder na parte norte do Vietname, estabelecendo a sua capital em Hanói. Giap foi nomeado Ministro da Defesa e comandante do Exército e forma o primeiro núcleo das Tropas de Libertação do Povo, com 34 homens.

Expulsos de Hanói por um contra-ataque francês, os nacionalistas se internam na selva e iniciam uma guerra de guerrilhas que se estenderá até 1954. A partir do núcleo inicial, Giap constituiu um aparato militar excepcional que surpreendeu os franceses na Batalha de Dien Bien Phu.

Os franceses, contando com superioridade numérica e em armamento, deslocaram tropas de paraquedistas da Legião Estrangeira por trás das posições inimigas, concentrando-a em grandes linhas ao longo do território, ao redor da fortaleza de Dien Bien Phu. Com isso queriam forçar os vietnamitas a um confronto directo, abandonando a táctica de guerrilhas. Como os vietnamitas não contavam com artilharia, este confronto seria favorável aos franceses, que dispunham de canhões de longo alcance.

O general Giap então montou uma demorada operação de cerco contra os franceses. Milhares de civis - estima-se em 250 mil homens e mulheres - foram mobilizados para, por dentro das picadas da floresta fechada, a pé ou com bicicletas, trazerem em cestas ou à mão todo o equipamento de artilharia necessário para contrabalançar o poderio francês.

Da derrota dos franceses, resultou a divisão do Vietname, o Norte governado pelos comunistas liderados por Ho Chi Minh e o Sul sob governos vinculados aos Estados Unidos. A partir de 1959, crescia a presença de tropas norte-americanas e o seu envolvimento em operações de guerra, em apoio às tropas do Vietname do Sul. Era a segunda fase da Guerra do Vietname.

Giap, à frente do exército norte-vietnamita, derrotou as forças dos Estados Unidos com uma desgastante guerra de guerrilhas. Na chamada Ofensiva do Tet, as suas tropas chegaram a combater nas ruas da capital do Vietname do Sul, Saigon, o que levou os Estados Unidos a se retirarem do Vietname. Em 1975, ocorreu a reunificação do país.

Giap continuou Ministro da Defesa e, por um curto período, foi Primeiro-Ministro do país. Mas em 1991 se retirou em definitivo da vida pública. Faleceu num hospital militar em Hanói, onde estava internado desde 2009, aos 102 anos de idade.

Contou a sua experiência militar em três livros: “Manual de Estratégia Subversiva”, “Como Vencemos a Guerra” e “Guerra do Povo, Exército do Povo”.

Em 2011, o documentarista brasileiro Silvio Tendler, lançou o documentário: “Giap, Memórias Centenárias da Resistência”.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

24 DE AGOSTO - JOAQUIM ANTÓNIO DE AGUIAR

EFEMÉRIDE - Joaquim António de Aguiar, político e maçom português do tempo da Monarquia Constitucional e importante líder dos cartistas e mais tarde do Partido Regenerador, nasceu em Coimbra no dia 24 de Agosto de 1792. Morreu no Barreiro, Lavradio, em 26 de Maio de 1874.

Foi por três vezes presidente do Conselho de Ministros de Portugal (1841/1842, 1860 e 1865/1868, neste último período chefiando o Governo da Fusão, um executivo de coligação dos regeneradores com os progressistas).

Ao longo da sua carreira política assumiu ainda várias pastas ministeriais, designadamente a de Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça durante a regência de D. Pedro nos Açores em nome da sua filha D. Maria da Glória. Foi no exercício dessa função que promulgou a célebre lei de 30 de Maio de 1834, pela qual declarava extintos «todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares», sendo seus bens secularizados e incorporados na Fazenda Nacional. Essa lei, por seu espírito anti/eclesiástico, valeu-lhe a alcunha de o “Mata-Frades”.

Joaquim António de Aguiar era filho de D. Teresa Angélica de Aguiar e do cirurgião Xavier António de Aguiar, que pertenciam à alta nobreza portuguesa: os seus genitores estavam enraizados na nobreza local e gozavam de grande respeito.

Quando ainda frequentava os estudos preparatórios para ingresso na Faculdade de Leis da Universidade de Coimbra, deu-se em 1807 a primeira invasão de Portugal pelos exércitos franceses de Napoleão Bonaparte, sob o comando do general Jean-Andoche Junot. Face à situação que então se viveu em Portugal, abandonou os estudos e alistou-se no Batalhão Académico formado em Coimbra. Integrado nesse batalhão e noutras unidades militares, participou como soldado na Guerra Peninsular.

Terminado aquele conflito, regressou a Coimbra e matriculou-se no curso de Leis, concluindo-o com a maior distinção, aprovado unanimemente em todos os actos e premiado nos últimos anos. Obteve no fim do curso a classificação mais distinta e honrosa que a Universidade de Coimbra atribuía aos seus alunos. Apesar de inicialmente pretender ingressar na magistratura judicial, acabou por permanecer na Universidade, onde obteve o grau de Doutor em Leis no ano de 1815.

Tendo-se doutorado, no ano de 1816, foi opositor a uma das cadeiras da Faculdade de Direito, sendo seleccionado Lente com o voto unânime da congregação universitária. Começou então a exercer funções docentes, que acumulava com as de fiscal da Fazenda e de Conservador da Universidade.

Foi iniciado na Maçonaria em data e Loja afecta ao Grande Oriente Lusitano desconhecidas e com nome simbólico desconhecido, tendo sido evocado como maçom pelo Grande Oriente Lusitano Unido por ocasião da sua morte.

Sendo conhecido por suas ideias liberais, foi preterido na nomeação para um lugar nas colegiaturas dos Colégios de São Pedro e de São Paulo da Universidade de Coimbra, a favor de outros candidatos considerados de menor mérito. Essa situação foi levada às Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, então reunidas em Lisboa na sequência da Revolução Liberal de 1820, as quais deliberaram, depois de acalorada discussão, admiti-lo, sem mais formalidade, no lugar da colegiatura de São Pedro, o que lhe granjeou grandes inimizades. Em resposta, Joaquim António de Aguiar publicou em Setembro de 1822 um folheto em que demonstrava as suas ideias de assumido liberal.

Em consequência, quando em 1823 se estabeleceu o governo miguelista, por decreto de 8 de Novembro de 1823 foi mandado sair do colégio de S. Pedro e teve de abandonar a docência e procurar refúgio na cidade do Porto. Face ao regresso ao absolutismo, e com as suas ideias liberais tão publicamente manifestadas, só lhe restava emigrar, o que fez.

Contudo, quando em 1826 foi proclamado o governo de D. Pedro IV, voltou a Coimbra, sendo em Abril desse ano nomeado lente-substituto em Leis da Faculdade de Direito, com exercício na cadeira de Direito Pátrio. Nesse mesmo ano foi eleito deputado às Cortes pela Província da Beira, tomando assento na câmara até 13 de Março de 1826. No parlamento revelou-se um parlamentar combativo e um grande orador, defendendo os princípios liberais mais avançados da monarquia constitucional representativa. Manteve-se no parlamento até 1828, quando as Cortes foram dissolvidas por ordem de D. Miguel.

Voltou então a Coimbra, mas foi logo intimado pelo conservador da Universidade que, por ordem do Governo, devia sair da cidade no prazo de 24 horas, desterrado para Tabuaço. Não considerando prudente ir para aquela vila, recolheu-se ao Porto, mas logo se viu obrigado a emigrar para Londres. No entretanto, foi declarado rebelde em Portugal e banido para sempre da Universidade de Coimbra.

Perseguido por suas ideias Liberais, teve de exilar-se durante o Absolutismo Miguelista, regressando a Portugal com os Bravos do Mindelo, em 1832.

Junto da emigração liberal portuguesa em Londres exerceu grande actividade, sendo um dos maiores aliados de Pedro de Sousa Holstein, então marquês de Palmela, na condução da política do governo no exílio e na preparação teórica da implantação do liberalismo em Portugal.

Participou na expedição de socorro à ilha Terceira, comandada por João Carlos Oliveira e Daun, futuro marechal Saldanha, e que se gorou devido ao bloqueio britânico então imposto às forças liberais acantonadas nos Açores. Teve então de procurar refúgio em Brest, e dois anos depois conseguiu atingir a ilha Terceira. Estando integrado no Corpo dos Voluntários da Rainha, foi transferido para o Corpo Académico então estacionado na vila da Praia da Vitória.

Na Terceira, teve uma participação activa nos acontecimentos que precederam a transferência das forças liberais para a ilha de São Miguel, de onde partiu em integrado nas forças que a 8 de Julho de 1832 protagonizaram o Desembarque do Mindelo, entrando na cidade do Porto no dia seguinte.

Durante o Cerco do Porto foi nomeado juiz do Tribunal de Guerra e de Justiça e membro da comissão encarregada de elaborar o Código Penal e o Código Comercial. Também ocupou o cargo de Procurador-Geral da Coroa, lugar que foi exercer em Lisboa, logo que a capital foi conquistada pelas forças liberais. Pouco depois passou a exercer as funções de Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.

Foi pela primeira vez nomeado membro do governo a 15 de Outubro de 1833, ocupando o cargo de Ministro do Reino, sendo a 23 de Abril de 1834 transferido para o cargo de Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, cargo que exerceu até à morte de D. Pedro IV em Setembro desse ano ou até 1836.

Nesse curto período conseguiu demonstrar a sua capacidade reformista e distinguiu-se decretando a reorganização dos municípios e a extinção das ordens religiosas, em 1834, mandando incorporar os seus bens na Fazenda Nacional. Esta medida deu brado no país, suscitando grande oposição entre as forças mais conservadores e no mundo rural, valeu-lhe a alcunha de “Mata-Frades” que conservaria durante toda a sua carreira política. Tendo deixado o governo, ingressou na actividade parlamentar, tendo sido deputado eleito pelos círculos eleitorais das províncias da Estremadura, Douro Litoral, Alentejo (Alto Alentejo e Baixo Alentejo) e Beira Alta.

A 20 de Abril de 1836 regressou ao governo, assumindo de novo a pasta dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, mas os acontecimentos de 9 de Setembro desse ano, o eclodir da chamada Revolução de Setembro, obrigaram o ministério a demitir-se. Sendo um cartista convicto, recusou aceitar a revogação da Carta Constitucional de 1826, pelo que se demitiu do lugar de conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça e se retirou da vida pública.

Só quando a Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1838 foi jurada pela rainha e pela nação, apesar de se manter fiel aos seus princípios e ao trono, aceitou retomar o seu assento na Câmara dos Deputados como deputado pelos círculos eleitorais de Coimbra, Lamego e Vila Real. Por lei de 28 de Agosto de 1840 foi reintegrado no cargo de conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.

Em 9 de Julho de 1841 foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros, cargo que acumulava com o de Ministro do Reino, conservando-se no poder até 7 de Fevereiro de 1842, data em que o governo caiu devido à restauração da Carta Constitucional. Nesse mesmo ano, foi eleito deputado pelos círculos eleitorais da Estremadura e do Alentejo, tomando então parte muito activa na política da oposição.

Regressou ao poder a 19 de Julho de 1846, no governo chefiado pelo duque de Palmela, sendo-lhe confiada, novamente, a pasta da Justiça. Esse Ministério teve curta duração, pois terminou a 6 de Outubro imediato no conhecido golpe palaciano de Emboscada. Ainda assim, Joaquim António de Aguiar fez jus à sua fama de reformador, aprovando uma lei da reforma eleitoral que pretendia garantir a liberdade do voto e punir a corrupção e o caciquismo que dominavam avassaladoramente os actos eleitorais.

À Emboscada seguiu-se a Revolução da Maria da Fonte e a guerra civil da Patuleia, acontecimentos que fizeram com que Joaquim António de Aguiar fosse novamente exonerado do cargo de conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, apenas para ser reintegrado uma vez acalmada a situação revolucionária.

Quando o golpe de Regeneração triunfou em 1851, foi afastado da esfera do poder, mas ainda assim conservou uma notável actividade política como deputado eleito pelo círculo eleitoral de Coimbra. No ano seguinte, por carta régia de 3 de Janeiro, foi elevado a Par do Reino.

A 9 de Novembro de 1854, foi nomeado provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cargo no qual prestou grandes e reconhecidos serviços.

A 1 de Maio de 1860 foi chamado à presidência do gabinete ministerial, mas o seu governo foi efémero, já que foi demitido a 4 de Julho daquele mesmo ano.

Já no período agudo de instabilidade do regime da Monarquia Constitucional portuguesa que se seguiu ao falhanço da Regeneração, voltou ao poder, pela última vez, a 4 de Setembro de 1865, acumulando com a pasta do Reino até 1866, mas governou por apenas alguns meses, já que a 4 de Janeiro de 1868 foi derrubado pelo movimento da Janeirinha.

Joaquim António de Aguiar foi sempre um homem de hábitos simples, recusando os títulos e mercês com que pretenderam honrá-lo. Também não usava as grã-cruzes e condecorações que lhe foram concedidas por alguns governos estrangeiros.

Faleceu em 1874, na sua quinta de São Marcos, então na freguesia de Santa Margarida do Lavradio, concelho do Barreiro, nos arredores de Lisboa. O seu corpo foi trasladado para o cemitério da Conchada, em Coimbra, a 10 de Dezembro de 1885, sendo depositado numa modesta sepultura.

domingo, 23 de agosto de 2026

23 DE AGOSTO - CONSTANÇA CUNHA E SÁ

EFEMÉRIDE - Constança Beirão da Cunha e Sá, jornalista e comentadora política portuguesa conhecida por ser frontal e incisiva, nas entrevistas que realizou e na expressão das suas opiniões, nasceu em Santa Isabel, Lisboa, no dia 23 de Agosto de 1958. Morreu em Lisboa, em 2 de Dezembro de 2025.

Estudou na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Lisboa, onde obteve a licenciatura em Filosofia. Terminado o curso deu aulas de Filosofia durante 3 anos, em vários liceus lisboetas, entre eles o Liceu Pedro Nunes.

Começa a trabalhar como jornalista em 1988, com 29 anos, na revista “Sábado”, que tinha como director Joaquim Letria. É lá que realiza a sua primeira reportagem, num congresso do PSD (Partido Social Democrata). A colaboração com a revista só terminaria em 2007.

Em 1996, é nomeada directora do semanário “O Independente”, que abandona dois anos mais tarde. Antes de começar a trabalhar na TVI como editora de Política, passa pelo “Diário Económico”, onde ocupará o cargo de redactora principal.

Mantém-se na TVI durante vários anos, saindo em 2020, em discordância com a entrada da Cofina na Media Capital. Volta um ano mais tarde, como comentadora política, tornando-se conhecida pela sua frontalidade. Ainda na televisão, moderou o programa “A Prova dos 9”, na TVI24, no qual ao lado de Fernando Rosas, Paulo Rangel e Pedro Silva Pereira, comentou a situação política, social e económica de Portugal.

Ao longo da sua carreira Constança Sá e Cunha escreveu para vários jornais portugueses, entre eles: “Público”, “Jornal I”, “Jornal de Negócios” e “Correio da Manhã”.

Mário Soares e José Sócrates foram algumas das figuras da política portuguesa entrevistadas por ela.

Constança Cunha e Sá faleceu em Dezembro de 2025, vítima de cancro do pulmão, nos cuidados paliativos da unidade de saúde das Irmãs Hospitaleiras, em Lisboa.

sábado, 22 de agosto de 2026

22 DE AGOSTO - ISABEL MEDINA

EFEMÉRIDE - Isabel Maria Medina Costa Vasconcelos Barbosa, actriz, encenadora e autora portuguesa, nasceu em Moçambique no dia 22 de Agosto de 1952.

É licenciada em Filologia Germânica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e, em Teatro, pela Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. Também frequentou o Westfield College de Londres em cursos de escrita e comunicação ministrados pela BBC.

Foi directora literária da Companhia de Teatro Escola de Mulheres (que dirigiu com Fernanda Lapa).

Tem trabalhado como actriz no teatro, no cinema e na televisão, exercendo paralelamente as actividades de argumentista, dramaturga e encenadora.

Entre 1983 e 2000, interpretou cerca de 50 peças no Teatro Nacional D. Maria II, Teatro do Século (do qual foi co-fundadora), Comuna - Teatro de Pesquisa, Teatro Personna e Escola de Mulheres.

Como encenadora, dirigiu “Os Novos Confessionários”, “Mulheres ao Poder”, “Marcas de Sangue”, “Dentadas”, “O Guardião de Sonhos”, e “O Mundo das Cores”.

Foi coordenadora de guiões das 2 séries infantis “Jardim da Celeste”, produzidas pela RTP 2 e das 2 séries “Ilha das Cores”, também produzidas pela RTP 2.

No cinema, trabalhou com vários realizadores, entre eles: Edgar Pêra, Jorge Silva Melo e Mark Heller.

Foi casada com o jornalista e realizador Luís Filipe Costa e é mãe do actor Pedro Cavaleiro.

Como actriz foi distinguida com o Troféu Nova Gente - Actriz Revelação, pela peça “Sopinhas de Mel”, encenação de Jorge Listopad, e o Prémio da Associação Portuguesa de Críticos para Melhor Actriz em “Amadis”, encenação de João Mota.

Faz parte da Academia Portuguesa de Cinema.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

21 DE AGOSTO - ALEXANDRE O’NEILL

EFEMÉRIDE - Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhões, importante poeta do movimento surrealista português, morreu em Lisboa no dia 21 de Agosto de 1986.  Nascera na mesma cidade em 19 de Dezembro de 1924. Era descendente de irlandeses. Tem uma biblioteca com o seu nome em Constância.

Autodidacta, O’Neill foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa. É nesta corrente que publica a sua primeira obra, o volume de colagens “A Ampola Miraculosa”, mas o grupo rapidamente se desdobra e acaba. As influências surrealistas permanecem visíveis nas obras dele, que além dos livros de poesia incluem prosa, discos de poesia, traduções e antologias. Não conseguindo viver apenas da sua arte, o autor alargou a sua acção à publicidade. É da sua autoria o lema publicitário «Há mar e mar, há ir e voltar». Foi várias vezes preso pela polícia política, a PIDE.

Da burguesia lisboeta, Alexandre O’Neill nasceu no número 30 da Avenida Fontes Pereira de Melo, uma das artérias principais da capital. Foi filho de José António Pereira de Eça O’Neill de Bulhões, empregado bancário, e de sua esposa, Maria da Glória Vahia de Barros de Castro.

Foi igualmente neto paterno da escritora Maria O’Neill, a qual era sobrinha-bisneta e primeira-prima-três-vezes-removida do 1º Visconde de Santa Mónica e sobrinha-neta do 1º Barão de Sabroso e do 2º Barão de Sabroso.

A sua irmã mais velha, Maria Amélia Vahia de Castro O’Neill de Bulhões, nascida na Lourinhã, a 26 de Setembro de 1921, faleceu em Tomar, Santa Maria dos Olivais, a 27 de Setembro de 2009, solteira e sem geração.

Em 1943, com 17 anos de idade, publicou os primeiros versos num jornal de Amarante, o “Flor do Tâmega”. Apesar de ter recebido prémios literários no Colégio Valsassina, esta actividade não foi particularmente incentivada pela família, que almejava que Alexandre O’Neill se dedicasse mais aos estudos e se formasse com um curso superior.

Datam do ano de 1947 duas cartas de Alexandre O’Neill que demonstram o seu interesse pelo surrealismo, dizendo numa delas (datada do mês de Outubro) possuir já os manifestos de Breton e a Histoire du Surrealisme, de M. Nadeau. Nesse mesmo ano, O’Neill, Mário Cesariny e Mário Domingues começam a fazer experiências a nível da linguagem, na linha do surrealismo, sobretudo com os seus Cadáveres Esquisitos e Diálogos Automáticos, que conduziam ao desmembramento do sentido lógico dos textos e à pluralidade de sentidos.

Por volta de 1948, O’Neill está na criação do Grupo Surrealista de Lisboa, ao lado de Mário Cesariny, José-Augusto França, António Domingues, Fernando Azevedo, Moniz Pereira, António Pedro e Marcelino Vespeira. As primeiras reuniões ocorreram na Pastelaria Mexicana, na Praça de Londres.

As posições antineorealistas eram frontais e provocatórias, tal como as atitudes contra o regime: em Abril, o Grupo retira a sua colaboração da III Exposição Geral de Artes Plásticas, por recusar a censura prévia que a comissão organizadora decidira impor. Com a saída de Mário Cesariny, que entrou em rotura com o Grupo, em Agosto de 1948, o grupo cindiu-se, dando origem ao Grupo Surrealista Dissidente, onde, além do próprio Cesariny, participavam António Maria Lisboa e Pedro Oom.

Em 1949, tiveram lugar as principais manifestações do movimento surrealista em Portugal, como a Exposição do Grupo Surrealista de Lisboa (em Janeiro), onde expuseram Alexandre O’Neill, António Dacosta, António Pedro, Fernando de Azevedo, João Moniz Pereira, José-Augusto França e Vespeira. Nessa ocasião, Alexandre O’Neill publicou “A Ampola Miraculosa” como um dos primeiros números dos Cadernos Surrealistas. A obra, constituída por 15 imagens e respectivas legendas, sem nenhum nexo lógico entre a imagem e legenda, poderá ser considerada paradigmática do surrealismo português.

Depois de uma fase de ataques pessoais entre os dois grupos surrealistas (1950/1952) e a extinção de ambos os grupos, o surrealismo continuou a manifestar-se na produção individual de alguns autores, incluindo o próprio Alexandre O’Neill. Em 1951, no “Pequeno Aviso do Autor ao Leitor”, inserido em Tempo de Fantasmas, ele demarcou-se como surrealista. Nessa mesma obra, sobretudo na primeira parte, Exercícios de Estilo (1947/1949), a influência deste corrente manifesta-se em poemas como “Diálogos Falhados”, “Inventário” ou “A Central das Frases” e na insistência em motivos comuns a muitos poetas surrealistas, como a bicicleta e a máquina de costura.

Neste primeiro livro de poesia inclui o poema que o tornou célebre, “Um Adeus Português”, originado num episódio biográfico que o próprio viria a contar, muitos anos mais tarde: no início de 1950, estivera em Lisboa Nora Mitrani, enviada do Surrealismo francês para fazer uma conferência. Conheceu O’Neill e apaixonaram-se. Meses mais tarde, querendo juntar-se-lhe em Paris, O’Neill foi chamado à PIDE e interrogado. Por pressão de uma pessoa da família, foi-lhe negado o passaporte. Coagido a ficar em Portugal, não voltaria a ver Nora Mitrani.

Não foi, de resto, a única vez que Alexandre O’Neill foi confrontado com a polícia política. Em 1953, esteve preso vinte e um dias no Estabelecimento Prisional de Caxias, por ter ido esperar Maria Lamas, regressada do Congresso Mundial da Paz em Viena. A partir desta data, passou a ser vigiado pela PIDE. No entanto, sendo um oposicionista, não militou em nenhum partido político, nem durante o Estado Novo, nem a seguir ao 25 de Abril – conhece -se-lhe uma breve ligação ao MUD juvenil, na altura em que abandona o Grupo Surrealista de Lisboa. A partir desta época, O’Neill foi-se distanciando de grupos ou tertúlias, demasiado irónico e cioso do seu individualismo para se envolver seriamente em qualquer militância partidária.

Em 1958, com a edição de “No Reino da Dinamarca”, Alexandre O’Neill viu-se reconhecido como poeta. Na década de 1960, provavelmente a mais produtiva literariamente, foi publicando livros de poesia, antologias de outros poetas e traduções.

A poesia de Alexandre O’Neill concilia uma atitude de vanguarda, (surrealismo e experiências próximas do concretismo) - que se manifesta no carácter lúdico do seu jogo com as palavras, no seu bestiário, que evidencia o lado surreal do real, ou nos típicos «inventários» surrealistas - com a influência da tradição literária (de autores como Nicolau Tolentino e o abade de Jazente, por exemplo).

Os seus textos caracterizam-se por uma intensa sátira a Portugal e aos portugueses, destruindo a imagem de um proletariado heróico criada pelo neorealismo, a que contrapõe a vida mesquinha, a dor do quotidiano, vista no entanto sem dramatismos, ironicamente, numa alternância entre a constatação do absurdo da vida e o humor como única forma de se lhe opor.

Temas como a solidão, o amor, o sonho, a passagem do tempo ou a morte, conduzem ao medo (veja-se “O Poema Pouco Original do Medo”, com a sua figuração simbólica do rato) e/ou à revolta, de que o homem só poderá libertar-se através do humor, contrabalançado por vezes por um tom discretamente sentimental, revelador de um certo desespero perante o marasmo do país - «meu remorso, meu remorso de todos nós». Este humor é, muitas vezes, manifestado numa linguagem que parodia discursos estereotipados, como os discursos oficiais ou publicitários, ou que reflecte a própria organização social, pela integração nela operada do calão, da gíria, de lugares-comuns pequeno-burgueses, de onomatopeias ou de neologismos inventados pelo autor.

Encontra-se colaboração da sua autoria no semanário “Mundo Literário” (1946/1948) e na revista “Litoral” (1944/1945).

Alexandre O’Neill, apesar de nunca ter sido um escritor profissional, viveu sempre da sua escrita ou de trabalhos relacionados com livros. Em 1946, tornou-se escriturário, na Caixa de Previdência dos Profissionais do Comércio. Permaneceu neste emprego até 1952. A partir de 1957, começou a escrever para os jornais, primeiro esporadicamente, depois, nas décadas seguintes, assinando colunas regulares no “Diário de Lisboa”, em “A Capital” e, nos anos 1980, no “Jornal de Letras”, escrevendo indiferentemente prosa e poesia, que reeditava mais tarde em livro, à maneira dos folhetinistas do século XIX.

Em 1959, iniciou-se como redactor de publicidade, actividade que se tornaria definitivamente o seu ganha-pão. Ficaram famosos no meio alguns slôganes publicitários da sua autoria, e um houve que se converteu em provérbio: «Há mar e mar, há ir e voltar». Tinha entretanto abandonado definitivamente a casa dos pais, casando a 27 de Dezembro de 1957 com Noémia Delgado, de quem teve um filho, Alexandre Delgado O’Neill, nascido a Dezembro de 1959, fotógrafo, que viria a morrer solteiro e sem geração em Boston, Condado de Suffolk, Massachusetts, em Janeiro de 1993. Alexandre O’Neill apenas se divorciou dela algum tempo antes do seu segundo casamento, em Janeiro de 1971. Nesta época, instalou-se na zona do Jardim do Príncipe Real, bairro lisboeta onde haveria de decorrer grande parte da sua vida, e que levaria para a sua escrita. Neste bairro, encontraria Pamela Ineichen, com quem manteve uma relação amorosa durante a década de 1960. Mais tarde, a 4 de Agosto de 1971, casará em Lisboa com Teresa Patrício Gouveia, mãe do seu segundo filho, Afonso Gouveia O’Neill, nascido a 28 de Maio de 1976, solteiro e sem geração.

Fez ainda parte da redacção da revista “Almanaque” (1959/1961), publicação arrojada com grafismo de Sebastião Rodrigues onde colaboravam, entre outros, José Cardoso Pires, Luís de Sttau Monteiro, Augusto Abelaira e João Abel Manta.

A sua atracção por outros meios de comunicação, que não a palavra escrita, é testemunhada pela letra do fado “Gaivota” destinada à voz de Amália Rodrigues, com música de Alain Oulman, tal como a colaboração, nos anos 1970, em programas televisivos (fora, aliás, crítico de televisão sob o pseudónimo de A. Jazente), ou em guiões de filmes e em peças de teatro. Em 1982, recebeu o prémio da Associação de Críticos Literários.

Mas a doença começava a atormentá-lo. Em 1976, sofre um ataque cardíaco, que o poeta admitiu dever-se à vida desregrada que sempre tinha sido a sua, e que, apesar de algum esforço em contrário, continuou a ser. No início dos anos 1980, já divorciado de Teresa Patrício Gouveia desde 20 de Fevereiro de 1981, repartia o seu tempo entre a casa da Rua da Escola Politécnica e a vila de Constância. Em 1984, sofreu um acidente vascular cerebral, antecipatório daquele que, em Abril de 1986, o levaria ao internamento prolongado no hospital.

Alexandre O’Neill faleceu em Lisboa em Agosto de 1986, aos 61 anos. Está sepultado no Cemitério de Benfica, na mesma cidade.

Em 10 de Junho de 1990, a título póstumo, foi feito Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.

A Biblioteca Alexandre O’Neill, em Constância, alberga, por doação do próprio escritor, parte do seu espólio. Ali, pode-se ler os livros que pertenceram a O’Neill, muitos deles com anotações suas ou dedicatórias dos autores.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

20 DE AGOSTO - AUGUSTO SANTOS SILVA

EFEMÉRIDE - Augusto Ernesto Santos Silva, político, historiador, sociólogo e professor português, nasceu no Porto em 20 de Agosto de 1956.

Foi ministro da Educação (2000/2001), ministro da Cultura (2001/2002), ministro dos Assuntos Parlamentares (2005/2009), ministro da Defesa Nacional (2009/2011), ministro dos Negócios Estrangeiros (2015/2022) e ocupou o cargo de 15º presidente da Assembleia da República entre 2022 e 2024.

Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 1978, e doutorou-se em Sociologia, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, em 1992, com uma tese intitulada “Tempos cruzados: um estudo interpretativo da cultura popular”, que foi publicada em 1994.

Foi professor do ensino secundário, até ser admitido como assistente na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, em 1981. Actualmente, é professor catedrático desta Faculdade, onde já exerceu a função de presidente do Conselho Científico; foi também pró-reitor da Universidade do Porto, entre 1998 e 1999.

A par da actividade académica, integrou o Conselho Nacional de Educação (1996/1999) e a Comissão do Livro Branco da Segurança Social (1996/1998); representou Portugal no Projecto de Educação para a Cidadania Democrática do Conselho da Europa (1997/1999); e foi membro do Conselho Directivo da Fundação José Fontana (2002/2005), ligada ao Partido Socialista.

Tem vários livros publicados, sendo os mais recentes “Os valores da esquerda democrática: vinte teses oferecidas ao escrutínio público” (2010) e “A sociologia e o debate público: estudos sobre a relação entre conhecer e agir” (2006).

Teve colaboração regular na imprensa, assinando crónicas na Página Cultural do “Jornal de Notícias” (1978/1986); no “Público” (1992/1999 e 2002/2005); e foi comentador no programa de televisão “Política Mesmo”, na TVI 24 (2012/2015).

Despertou para a política na adolescência, integrando grupos de inspiração trotskista, nomeadamente (e logo após o 25 de Abril) os Comités de Acção Liceal da União Operária Revolucionária. Esses comités eram uma espécie de sector juvenil desta organização da extrema-esquerda, que viria a fundir-se na Liga Comunista Internacionalista (LCI), onde também militavam, entre outros, o futuro líder do Bloco de Esquerda Francisco Louçã.

Em 1976, apoiou a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho a presidente da República e, em 1980, a candidatura presidencial de António Ramalho Eanes.

Em seguida, aproximou-se do Movimento de Esquerda Socialista que, no Porto, acolhia figuras como Alberto Martins, Arnaldo Fleming e Jorge Strecht Ribeiro. Iniciava assim a sua aproximação ao PS.

Em 1985, depois de apoiar a candidatura presidencial de Maria de Lurdes Pintasilgo, na primeira volta, passou a apoiar Mário Soares na segunda.

Filiado no PS desde 1990, foi eleito deputado à Assembleia da República, sucessivamente, nas legislaturas iniciadas em 1995, 1999, 2002, 2005, 2009, 2011 e 2019.

Concomitantemente, Santos Silva viria a desenvolver um diversificado curriculum governativo - foi secretário de Estado da Administração Educativa (1999/2000) e depois ministro da Educação (2000/2001) e da Cultura (2001/2002), nos governos de António Guterres; ministro dos Assuntos Parlamentares (2005/2009) e da Defesa Nacional (2009/2011), com José Sócrates; surgiu em 2015 como ministro dos Negócios Estrangeiros, em governo minoritário chefiado por António Costa, formado pelo PS, através de acordo parlamentar com o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda.

Em 24 de Março de 2022, é publicamente anunciada a sua candidatura à Presidência da Assembleia da República e, a três dias da tomada de posse do XXIII Governo Constitucional, a seu pedido, cessou funções como ministro dos Negócios Estrangeiros, sendo substituído pelo primeiro-ministro que passou a acumular a função.

Em 29 de Março de 2022, foi eleito presidente da Assembleia da República por 156 votos para a XV legislatura. No seu discurso de tomada de posse prometeu exercer uma presidência «imparcial, contida e aglutinadora» e preservar a individualidade de todos os deputados, para além de declarar que o único discurso que não seria permitido era o do ódio.

Desde que foi eleito presidente da Assembleia da República que Santos Silva já protagonizou alguns choques com o líder do partido Chega, André Ventura, sendo o mais conhecido quando repreendeu o deputado que, ao acusar as minorias de serem «apaparicadas ao ponto de ignorarem que têm de ter os mesmos deveres que todos os portugueses», interrompeu dizendo «que não há atribuições colectivas de culpa em Portugal», recebendo uma ovação de pé por parte de todas as bancadas, excepto a do Chega. Na sequência desse incidente, Ventura acusou Santos Silva de «censura».

Nas eleições legislativas de 2024, Santos Silva volta a candidatar-se a deputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Fora da Europa. Nesta eleição, acaba por perder o seu mandato para o candidato do CHEGA, tornando-se assim o primeiro presidente da Assembleia da República a não conseguir ser reeleito como deputado. Após a sua derrota, foram várias as declarações dos líderes partidários; o líder do CHEGA, André Ventura, considerou que a sua saída da Assembleia era uma «vitória da humildade sobre a arrogância». Por sua vez, o secretário-geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, considerou que foi um «excelente presidente da Assembleia».

Foi condecorado: com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana (1 de Abril de 2002); Grã-Cruz da Ordem de Carlos III de Espanha (25 de Novembro de 2016); Grã-Cruz da Ordem de Honra da Grécia (21 de Abril de 2017); Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica de Espanha (2 de Maio de 2018); Grã-Cruz da Ordem da Liberdade de Portugal (26 de Maio de 2022); e Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal (9 de Abril de 2024).

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

19 DE AGOSTO - PHILO FARNSWORTH

EFEMÉRIDE - Philo Taylor Farnsworth, inventor norte-americano e um dos pioneiros da televisão, nasceu em Indiana Springs, perto de Beaver, Utah, no dia 19 de Agosto de 1906. Morreu em Salt Lake City, Utah, em 11 de Março de 1971.

Ele deu várias contribuições que foram cruciais para o desenvolvimento de todas as televisões electrónicas.

Em 1927, Farnsworth descobriu um sistema dissecador de imagens por raios catódicos e conseguiu demonstrar a primeira transmissão electrónica de televisão do mundo. Ele é um dos personagens da vida real na biografia semi/ficcional “Carter Vence o Diabo” sobre o mágico Charles Carter nos anos 1920. O livro narra uma versão da primeira demonstração pública da televisão.

Segundo os filhos, quando Philo Farnsworth viu a evolução dos programas de televisão de programas educacionais para programas somente de entretenimento, ele ficou decepcionado.

Numa entrevista de 1996, filmada pela Academia de Artes & Ciências Televisivas, Elma Farnsworth reconta sobre a mudança de coração de Philo sobre o valor de televisão, depois de ver como mostrou homens andando na lua, em tempo real, para milhões de telespectadores.

Farnsworth tem 44 patentes registadas em seu nome.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

18 DE AGOSTO - ROSALYNN CARTER

EFEMÉRIDE - Eleanor Rosalynn Smith Carter, escritora e activista norte-americana, nasceu em Plains no dia 18 de Agosto de 1927. Morreu na mesma localidade em 19 de Novembro de 2023. Esteve casada durante 77 anos com o ex-presidente Jimmy Carter, tendo sido a Primeira-dama dos EUA entre 1977 e 1981.

Rosalynn nasceu e foi criada em Plains, Geórgia, formou-se como salutadora da Plains High School e logo depois frequentou o Georgia Southwestern College, graduando-se em 1946.

Segundo a própria Rosalynn, ela ficou atraída pelo marido Jimmy depois de ver uma foto dele com o seu uniforme de Annapolis e casaram em 1946.

Rosalynn ajudou o companheiro a vencer as eleições para governador da Geórgia em 1970 e decidiu focar a sua atenção na área de saúde mental quando era a primeira-dama daquele estado.

Ela fez campanha para o marido durante a sua candidatura bem-sucedida para se tornar presidente dos Estados Unidos na eleição de 1976, derrotando o presidente incumbente Gerald Ford.

Rosalynn Carter foi politicamente activa durante a presidência do marido, embora tenha declarado que não tinha intenção de ser uma primeira-dama tradicional. Durante o seu mandato, Carter apoiou as políticas públicas do marido, bem como a sua vida social e pessoal. Para se manter totalmente informada, ela participou nas reuniões do Gabinete a convite do Presidente. Carter também representou o marido em reuniões com líderes nacionais e estrangeiros, inclusive como enviado à América Latina em 1977. Ele considerou-a uma parceira igual. Ela fez campanha para a sua candidatura à reeleição nas eleições presidenciais de 1980, mas acabou perdendo para o republicano Ronald Reagan.

Após deixar a Casa Branca em 1981, Rosalynn continuou a defender a saúde mental e outras causas, além de ter escrito vários livros. Ela e o marido contribuíram para a expansão da organização habitacional sem fins lucrativos Habitat para a Humanidade. Ela foi a segunda primeira-dama que viveu mais tempo depois de Bess Truman e foi ainda a primeira-dama casada há mais tempo. Ela e o marido receberam a Medalha Presidencial da Liberdade em 1999.

Ela faleceu em 2023, dois dias depois de ter sido anunciado que ela havia entrado em cuidados paliativos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

17 DE AGOSTO - SUZANE PIRES

EFEMÉRIDE - Suzane Lira Pires, futebolista portuguesa que joga como média, nasceu em São Paulo no dia 17 de Agosto de 1992. Actualmente, joga  no Santos FC.

Aos 12 anos, já jogava futsal na equipa da Sabesp, no qual ficou dois anos.

Em 2010, aos 18 anos, conseguiu uma bolsa de estudos para jogar na Southern Connecticut State University, nos Estados Unidos, onde se formou em Administração de Empresas.

Em seguida, transferiu-se para o Boston Breakers, no qual se profissionalizou e actuou durante um ano como meia.

Fez a sua primeira internacionalização em 2015, fazendo parte da Selecção Portuguesa de Futebol Feminino, em 28 jogos.

Chegou ao Santos em 2016. Depois de amargar a reserva, passou a ganhar espaço na equipa e conquistou a titularidade durante o Campeonato Paulista daquele ano. Quando vivia um óptimo momento, Suzane sofreu uma grave lesão no segundo semestre de 2016 e o rompimento do ligamento cruzado anterior (LCA) afastou-a dos relvados por sete meses.

Entre 2016 e 2017, foram 39 jogos pelo Santos e seis golos marcados. Em Março de 2017, preferiu não renovar o seu contrato com o Peixe e partiu para Portugal em Junho para se juntar ao marido e buscar um novo clube.

Em Setembro de 2018, chegou ao CS Marítimo, na época, recém-promovido à I Divisão portuguesa do futebol feminino.

Em 2020, quando actuava pelo Marítimo, a jogadora descobriu, seis meses depois do casamento com o guarda-redes Gauther Martins, que estava grávida.

Em Abril de 2021, foi contratada pela Ferroviária.

Em 2022, foi convocada para disputar o Euro pela selecção de Portugal.

Pelo Brasileiro de 2023, Suzane actuou em 20 partidas, marcando quatro golos e contribuindo com duas assistências. No final, foi escolhida por votação popular na internet para integrar a selecção do Brasileiro Feminina.

Em Janeiro de 2024, foi anunciada como reforço das Sereias da Vila para a temporada.

Palmarés: pelo Santos, Campeonato Brasileiro 2017; Copa Paulista 2024; e Campeonato Brasileiro - A2 2025. Pelo Ferroviária, Copa Paulista 2023.

domingo, 16 de agosto de 2026

16 DE AGOSTO - MINORU GENDA

EFEMÉRIDE - Minoru Genda, oficial aviador naval da Marinha Imperial do Japão, principal estrategista e planeador do ataque a Pearl Harbor, nasceu em Kake no dia 16 de Agosto de 1904. Morreu em Tóquio, em 15 de Agosto de 1989.

Após a guerra, foi um dos mais proeminentes políticos nacionalistas e conservadores do país, além de ser chefe de estado-maior da força aérea japonesa criada após o conflito sob a supervisão dos EUA.

Pelos seus serviços durante a Segunda Guerra Mundial, quando idealizou em detalhes toda a operação do ataque a Pearl Harbor - convencendo a cúpula das forças armadas sobre o poderio aeronaval em combate dos recém criados e nunca testados porta-aviões, ao invés do investimento militar em grandes encouraçados de batalha - trabalhando sob o comando directo do almirante Isoroku Yamamoto, que tinha grande admiração e respeito por seu brilhantismo intelectual, Genda é considerado um dos maiores líderes e estrategistas do Japão e da guerra.

Após o conflito e a derrota, ele teve grande participação na criação da Força Aérea de Autodefesa do Japão, a reconstruída força aérea do país durante os anos 1950, quando assumiu por vários anos a chefia do seu estado-maior.

Nas décadas seguintes, como político influente da Dieta, profissão que seguiu após encerrar a sua carreira militar e se eleger para o parlamento, foi um controverso advogado público do rearmamento japonês, proibido pela nova constituição do país no pós-guerra, discursando inclusive sobre possibilidade de desenvolvimento ou aquisição de armas nucleares, convicção esta causada pelo trauma de ser um natural de Hiroshima, a primeira cidade a sofrer um bombardeio atómico na história.

Genda foi também um forte opositor à ratificação, pelo governo japonês na década de 1970, do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, sob o argumento de que o seu país talvez um dia precisasse de armas atómicas para sobreviver a um ataque estrangeiro.

Faleceu em 1989, na véspera de seu 85º aniversário e 44 anos após a rendição incondicional do Japão na Segunda Guerra Mundial.

sábado, 15 de agosto de 2026

15 DE AGOSTO - SCOTT ALTMAN

EFEMÉRIDE - Scott Douglas “Scooter” Altman, astronauta e capitão da Marinha dos EYA, nasceu em Lincoln no dia15 de Agosto de 1959.

Piloto e veterano de quatro missões no espaço, foi o verdadeiro ‘Maverick’ por trás do personagem do actor Tom Cruise no filme “Top Gun” (1986), como piloto naval da United States Navy Fighter Weapons School - os Topguns da marinha -, a unidade de elite onde actuam os pilotos de combate da marinha norte-americana.

Formado em Engenharia Aeronáutica e Astronáutica pela Universidade de Illinois, foi comissionado como segundo-tenente na marinha em 1981 e recebeu suas asas de piloto em Fevereiro de 1983.

Serviu no Pacífico e no Oceano Índico pilotando caças F-14 Tomcat e como piloto de testes durante a década de 1980.

Após seis meses como líder de esquadrão durante a operação aérea (Southern Watch) que vigiou os céus do sudoeste do Iraque entre a Guerra do Golfo em 1991 e a invasão do Iraque em 2003, Altman foi seleccionado pela NASA para o curso de treinamento de astronautas, depois de acumuladas mais de 4000 horas de voo na sua carreira na marinha.

Após o curso de um ano no Centro Espacial Johnson, em Houston, Texas, foi designado para trabalhos em terra, nos aspectos técnicos do ónibus espacial.

A sua primeira ida ao espaço deu-se em 17 de Abril de 1998, como piloto da missão STS-90 da Columbia, que realizou diversas experiências científicas em órbita sobre o efeito da microgravidade no cérebro e no sistema nervoso.

Em Setembro de 2000, voltou ao espaço na STS-106 Atlantis, uma missão de doze dias para preparo da Estação Espacial Internacional para a chegada da primeira tripulação permanente. Em Março de 2002, ele foi o comandante da missão STS-109 Columbia, a quarta missão de serviço ao telescópio espacial Hubble, que instalou uma nova unidade de força, novos painéis solares e uma nova camara.

Em 11 de Maio de 2009, participou na sua quarta jornada espacial, como comandante da missão STS-125 da nave Atlantis, a última missão de serviço ao Hubble feita por um ónibus espacial, passando mais 12 dias e 21 horas no espaço. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

14 DE AGOSTO - FRANCK POURCEL

EFEMÉRIDE - Franck Pourcel, director de orquestra francês, conhecido pelas suas versões dos sucessos musicais de seu tempo e de música clássica, nasceu em Marselha no dia 14 de Agosto de 1913. Morreu em Neuilly-sur-Seine, em 12 de Novembro de 2000.

A sua relação com a música começou com o seu pai, que era técnico da marinha francesa e também músico. Aos 6 anos, entrou no conservatório de Marselha para estudar violino e percussão geral.

Depois, foi para o conservatório nacional de Paris. Os seus trabalhos se baseavam na Percussão e nas cordas, sobretudo no violino.

Compôs a música do filme “Paris em Chamas”, tão como “Concorde”, na ocasião do voo inaugural do avião de passageiros supersónico.

Gravou mais de 250 álbuns durante a sua carreira musical.

Recebeu diversas recompensas: 1956: The Grand prix du disque Français ; 1957: The Grand prix du disque no Brasil ; 1963: The Golden disc na Venezuela Discomoda; 1965: Amsterdam: The Edison Price; 1966: Gold record for his sales in France; 1968: Golden disc in Colômbia por Disco Mundo; 1969: Grand Prix du disque of the Charles Cros Academy in Paris; 1969:Gold record in Japan pelo álbum Continental Tango; 1970: Gold record in Japan por Adoro; 1972: Tokyo Music Festival; Arranger award; 1973: Guacaipuro de Oro na Venezuela; e  1973: Gold record in Japan for the album For your lovely baby. 

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muitas mais...