O
filme de Zapruder tornou-se célebre por ser o registo mais completo do crime.
Abraham
nasceu numa família russo-judaica na cidade de Kovel, na Ucrânia. Recebeu
apenas quatro anos de educação formal no seu país até que, em 1920, no meio da Guerra
Civil Russa, emigrou com a sua família para os Estados Unidos, indo morar
no Brooklyn, em Nova Iorque.
Em
1941, após uma oferta de emprego de um amigo, Zapruder mudou-se para Dallas
para trabalhar na Nardis, uma loja de equipamentos desportivos. Em 1954,
co-fundou a Jennifer Juniors Inc., cujo escritório era localizado no Edifício
Dal-Tex, saindo da Dealey Plaza.
Zapruder
era entusiasta do Partido Democrata e admirador do presidente Kennedy.
Quando soube que a caravana presidencial passaria pela Dealey Plaza, decidiu
assistir ao evento e, devido à insistência da sua secretária, resolveu voltar a
casa, para buscar a sua câmara Bell & Howell e filmar a passagem.
O
seu filme capturou o assassinato do presidente e tornou-se um dos mais
estudados da história.
Zapruder
filmou o assassinato usando uma câmara de vídeo Bell & Howeell Zoomatic
Director Series, modelo 414 PD 8 mm de última geração, comprada em
1962 e carregada com um filme Kodak Kodachrome II. Zapruder ficou no
topo de dois pedestais, parte de uma pérgula de concreto no entorno da Elm
Street. Por trás dele ficou a sua secretária, Marilyn Sitzman, para segurá-lo
caso ele ficasse tonto enquanto filmava.
No
caminho de volta para o seu escritório, Zapruder encontrou o repórter Herry
McCormick, do “Dallas Morning News”. Os dois conversaram sobre o filme,
e McCormick combinou encontrar-se com Zapruder no seu escritório mais tarde.
Ele então contactou Forrest Sorrels, do departamento do Serviço Secreto
em Dallas, entrando em detalhes sobre a história. O repórter e o agente
encontraram-se com Zapruder no seu escritório, e este concordou em entregar o
filme, mas apenas para uso nas investigações, pois também pretendia vendê-lo.
O
grupo então seguiu para o canal de televisão WFAA para fazer uma cópia,
mas a rede não tinha equipamento necessário para converter filmes de 8 mm. O
mesmo foi levado então para um laboratório da Kodak, que também não
contava com equipamento compatível para aquele modelo. Três cópias foram feitas
noutro laboratório, e devolvidas à Kodak para processá-las. Zapruder
ficou com o original e uma cópia, entregando as outras duas para o agente
Sorrels, que imediatamente as despachou para o quartel-general do Serviço
Secreto em Washington.
Às
11h00 horas da noite, Zapruder recebeu a ligação de um editor da revista “Life”.
No dia seguinte, os dois se encontraram para discutir a venda dos direitos do
filme. Em 23 de Novembro de 1963, Zapruder vendeu o filme original, a cópia e
direitos de reprodução para a revista por 50 000 dólares. Dois dias depois,
adicionou os direitos cinematográficos e televisivos pela soma de 150 000
dólares, dividida em seis pagamentos anuais de 25 000. Parte do acordo era de
que o frame 313, que mostrava o tiro fatal, não fosse mostrado.
O
assassinato deixou Zapruder tão traumatizado que ele nunca mais comprou ou usou
qualquer outra câmara.
Ele
testemunhou mais tarde perante a Warren Commission e no julgamento de
Clay Shaw em 1969, vindo a morrer de cancro no estômago em 1970, em Dallas.
