Foi
líder em vários campos da anestesiologia e, efectivamente, foi a responsável
pela criação do que viria a ser a neonatologia.
Para
o público em geral, ela foi mais conhecida como a responsável pelo
desenvolvimento da Escala de Apgar, um método de avaliação de saúde de
recém-nascidos que reduziu drasticamente a mortalidade infantil em todo o
mundo.
Virginia
era a mais nova de três irmãos, nascida e criada em Westfield. Graduou-se na Westfield
High School, em 1925. Ingressou no Mount Holyoke College, em 1929,
onde estudou Zoologia, com habilitação em Fisiologia e Química.
Em 1933, formou-se na Universidade Columbia, no Colégio de Cirurgiões.
Completou sua residência em Cirurgia em 1937.
Apesar
de se manter bem ocupada no trabalho, Virginia adorava tocar violino, tendo-se
apresentado com quartetos amadores. Nos anos 1950, um amigo introduziu-a
no mundo da luthieria e juntos fizeram violinos, violas e um violoncelo.
Era uma entusiasta da jardinagem, gostava de pescar, jogar golfe e coleccionar
selos. Aos 50 anos, começou a ter aulas de pilotagem.
Virginia
foi encorajada a seguir na área da anestesiologia por Allen Whipple, director
de cirurgia do colégio de cirurgiões de Columbia, acreditando que os avanços na
área precisavam de profissionais competentes. Allen acreditava que Virginia
tinha a energia necessária para trazer contribuições significativas. Virginia,
então, treinou na área de anestesia, recebendo o certificado de
anestesiologista em 1937, e retornou para o colégio de cirurgiões no ano
seguinte como directora da nova ala de anestesia.
Em
1949, Virginia tornou-se professora no colégio de cirurgiões, onde permaneceu
até 1959. Neste período, ela clinicava e fazia pesquisa na área médica em
associação com o Hospital Sloane Para Mulheres.
Em
1953, introduziu o seu primeiro teste, a Escala de Apgar, para verificar
a saúde de recém-nascidos. A escala se baseia na condição do bebé no primeiro
minuto do nascimento e depois em cinco minutos de nascimento. Se em cinco
minutos, o Apgar estiver baixo, medidas adicionais são feitas a cinco
minutos.
Em
1959, Virginia deixou Columbia e obteve o título de mestra em saúde pública
pela Johns Hopkins School of Hygiene and Public Health. De 1959, até à sua
morte em 1974, Virginia trabalhou com a Fundação March of Dimes, uma
organização sem fins lucrativos que visa melhorar a saúde de parturientes e
seus recém-nascidos, além de vice-presidente para assuntos médicos e directora
do programa de pesquisa para prevenir e tratar defeitos congénitos.
Como
a idade gestacional está directamente ligada com a pontuação do recém-nascido
na Escala de Apgar, Virginia foi a primeira pessoa na organização a
chamar a atenção para o problema do parto prematuro, que é hoje uma das
prioridades da March of Dimes. Virginia escreveu artigos, palestrou e
publicou textos em revistas populares. Em 1967, tornou-se vice-presidente e
directora de pesquisa em nível nacional na March of Dimes.
Na
epidemia de rubéola de 1964/1965, Virginia tornou-se porta-voz da vacinação
universal para prevenir a infecção, via mãe, de recém-nascidos. A rubéola pode
causar sérios distúrbios e defeitos congénitos em bebés infectados na gestação.
Entre 1964/1965, nos Estados Unidos, estima-se que houve cerca de 12,5 milhões
de casos de rubéola, levando a 11 mil abortos ou interrupções terapêuticas e 20
mil casos de síndrome da rubéola congénita, que é quando o vírus da rubéola da
mãe afecta o bebé em desenvolvimento, geralmente nos três primeiros meses de
gravidez. Destes casos, 2 100 morreram na infância, 12 mil eram surdos, 3 580
tiveram catarata ou microftalmia e 1 800 tinham algum nível de retardo mental.
Somente na cidade de Nova York, a síndrome da rubéola congénita afectou 1% de
todos os nascimentos.
Virginia
promoveu o uso da testagem do Rh sanguíneo, que podia identificar se uma
mulher corria o risco de transmitir anticorpos pela placenta, que era
subsequentemente levado para o feto e destruíam as suas células vermelhas,
resultando em abortos ou hidropisia fetal.
Virginia
viajava pelo país, dando palestras sobre a importância da detecção precoce de
defeitos congénitos e de mais pesquisas na área. Escreveu o
livro “Is My Baby All Right?”, com Joan Beck, em 1972. Foi também professora da Universidade
Cornell, onde ensinou teratologia, que é o estudo de defeitos congénitos em
recém-nascidos. Publicou cerca de 60 artigos, ensaios e textos em revistas,
recebendo diversos prémios e doutorados honorários, como os Woman’s Medical
College of Pennsylvania (1964) e Mount Holyoke College (1965). Foi
eleita a Mulher do Ano na Ciência pelo “Ladies’ Home Journal” em
1973. Acreditava que as mulheres mereciam mais oportunidades na ciência,
especialmente na área médica. Em várias conferências da March of Dimes
para a juventude, falou sobre gravidez na adolescência e doenças congénitas,
dois tópicos considerados tabus na época.
Virginia
Apgar nunca se casou nem teve filhos, tampouco se aposentou. Ela faleceu devido
a uma cirrose em 1974, aos 65 anos, no Columbia University Medical Center,
local onde treinou muitos médicos. Foi sepultada no Cemitério Fairview,
em Westfield, Nova Jersey.
