sexta-feira, 15 de maio de 2026

15 DE MAIO - ABRAHAM ZAPRUDER

EFEMÉRIDE - Abraham Zapruder, proprietário de uma confecção de roupas femininas que, ao filmar a passagem de John F. Kennedy pela Dealey Plaza em Dallas, Texas, no dia 22 de Novembro de 1963, acabou por registrar inesperadamente o assassinato do presidente JFK, nasceu em Kovel (Império Russo) n dia 15 de Maio de 1905. Morreu em Dallas, em 30 de Agosto de 1970.

O filme de Zapruder tornou-se célebre por ser o registo mais completo do crime.

Abraham nasceu numa família russo-judaica na cidade de Kovel, na Ucrânia. Recebeu apenas quatro anos de educação formal no seu país até que, em 1920, no meio da Guerra Civil Russa, emigrou com a sua família para os Estados Unidos, indo morar no Brooklyn, em Nova Iorque.

Em 1941, após uma oferta de emprego de um amigo, Zapruder mudou-se para Dallas para trabalhar na Nardis, uma loja de equipamentos desportivos. Em 1954, co-fundou a Jennifer Juniors Inc., cujo escritório era localizado no Edifício Dal-Tex, saindo da Dealey Plaza.

Zapruder era entusiasta do Partido Democrata e admirador do presidente Kennedy. Quando soube que a caravana presidencial passaria pela Dealey Plaza, decidiu assistir ao evento e, devido à insistência da sua secretária, resolveu voltar a casa, para buscar a sua câmara Bell & Howell e filmar a passagem.

O seu filme capturou o assassinato do presidente e tornou-se um dos mais estudados da história.

Zapruder filmou o assassinato usando uma câmara de vídeo Bell & Howeell Zoomatic Director Series, modelo 414 PD 8 mm de última geração, comprada em 1962 e carregada com um filme Kodak Kodachrome II. Zapruder ficou no topo de dois pedestais, parte de uma pérgula de concreto no entorno da Elm Street. Por trás dele ficou a sua secretária, Marilyn Sitzman, para segurá-lo caso ele ficasse tonto enquanto filmava.

No caminho de volta para o seu escritório, Zapruder encontrou o repórter Herry McCormick, do “Dallas Morning News”. Os dois conversaram sobre o filme, e McCormick combinou encontrar-se com Zapruder no seu escritório mais tarde. Ele então contactou Forrest Sorrels, do departamento do Serviço Secreto em Dallas, entrando em detalhes sobre a história. O repórter e o agente encontraram-se com Zapruder no seu escritório, e este concordou em entregar o filme, mas apenas para uso nas investigações, pois também pretendia vendê-lo.

O grupo então seguiu para o canal de televisão WFAA para fazer uma cópia, mas a rede não tinha equipamento necessário para converter filmes de 8 mm. O mesmo foi levado então para um laboratório da Kodak, que também não contava com equipamento compatível para aquele modelo. Três cópias foram feitas noutro laboratório, e devolvidas à Kodak para processá-las. Zapruder ficou com o original e uma cópia, entregando as outras duas para o agente Sorrels, que imediatamente as despachou para o quartel-general do Serviço Secreto em Washington.

Às 11h00 horas da noite, Zapruder recebeu a ligação de um editor da revista “Life”. No dia seguinte, os dois se encontraram para discutir a venda dos direitos do filme. Em 23 de Novembro de 1963, Zapruder vendeu o filme original, a cópia e direitos de reprodução para a revista por 50 000 dólares. Dois dias depois, adicionou os direitos cinematográficos e televisivos pela soma de 150 000 dólares, dividida em seis pagamentos anuais de 25 000. Parte do acordo era de que o frame 313, que mostrava o tiro fatal, não fosse mostrado.

O assassinato deixou Zapruder tão traumatizado que ele nunca mais comprou ou usou qualquer outra câmara.

Ele testemunhou mais tarde perante a Warren Commission e no julgamento de Clay Shaw em 1969, vindo a morrer de cancro no estômago em 1970, em Dallas.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

14 DE MAIO - CHIANCA DE GARCIA

EFEMÉRIDE - Eduardo Chianca de Garcia, dramaturgo, jornalista e cineasta português, nasceu em Lisboa no dia 14 de Maio de 1898. Morreu no Rio de Janeiro em 28 de Janeiro de 1983.

No teatro, fez a sua estreia na peça “A Filha do Lázaro” (1923), levada ao palco no Teatro Politeama, escrita em conjunto com Norberto Lopes.

Em 1937, escreveu com Tomás Ribeiro Colaço a revista “Água Vai!”, que se estreou no Teatro da Trindade.

Chianca de Garcia fez a sua estreia cinematográfica com o fracasso “Ver e Amar”. Colaborou depois com vários realizadores, até que se tornou conhecido com o seu grande sucesso “A Aldeia da Roupa Branca” (1938), cujo argumento foi seu, a planificação foi de José Gomes Ferreira e os diálogos de Ramada Curto.

Realizou ainda os filmes: “O Trevo de Quatro Folhas” (1936) e “A Rosa do Adro” (1938).

No Brasil, onde se radicou em 1940, realizou os filmes: “Pureza” (1940) e “24 Horas de Sonho” (1941).

Também foi guionista do filme “Appassionata” (1952) de Fernando de Barros. No Brasil, foi ainda responsável pela montagem de diversos espectáculos no Casino da Urca do Rio de Janeiro.

Como jornalista, fundou a revista “Imagem”, onde - com António Lopes Ribeiro - foi um acérrimo defensor da introdução do sonoro nos filmes portugueses.

Publicou diversas crónicas históricas durante 20 anos, em vários jornais portugueses.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

13 DE MAIO - SHOLOM ALEICHEM

EFEMÉRIDE - Sholom Aleichem, escritor iídiche nascido em território hoje pertencente à Ucrânia, morreu em Nova Iorque no dia 13 de Maio de 1916. Nascera em Pereiaslave, Império Russo, em 2 de Março de 1859.

Foi um dos grandes escritores e promotores da literatura iídiche, estando as suas obras entre as mais importantes da literatura europeia.

No dia do seu funeral em 1916, cerca de 100 000 enlutados esperavam o cortejo fúnebre em Nova Iorque e a maioria de lugares de trabalho judeus na cidade fechou.

Sholom Aleichem nasceu numa família Hassídica e cresceu no shtetl próximo de Voronko (actual Kiev Oblast, Ucrânia).

O seu pai, Menachem-Nukhem Rabinovich, era um rico comerciante da época, porém veio a falecer durante a infância de Sholem Aleichem, que assim cresceu em condições materiais limitadas. Quando ele tinha 13 anos, a mãe morreu de cólera.

Aos 15 anos de idade, inspirado por Robinson Crusoe, compôs uma versão judaica da obra, adoptando o pseudónimo Sholem Aleichem, variante em Yidishe da expressão em hebraico «shalom aleixem» (que significa «a paz esteja convosco/olá»).

Em 1876, depois de se graduar numa escola em Pereyaslav, foi tutor durante 3 anos da filha de um rico fazendeiro, Olga Golde Loev, com quem viria a casar, contra a vontade dos pais dela. Eles tiveram seis filhos. Um dos seus filhos, Norman Raeben, tornou-se pintor e influente professor de arte, enquanto uma das suas filhas, Lyalya Kaufman, se tornou uma escritora de Yidishe.

Em 1905, no meio de pogroms constantes no sul da Rússia, ele mudou-se para Nova Iorque, enquanto a sua família permaneceu em Genebra. Não podendo sustentar duas casas, ele passou a morar na Suíça com a família.

Em 1914, a família muda-se para Lower East Side em Manhattan. O seu filho Misha, doente com tuberculose, não foi admitido pelas leis de imigração americanas e, assim, permaneceu na Suíça com a irmã Emma, que morreu em 1915.

Primeiramente, Sholem Aleichem escreveu em russo e hebraico. De 1883 em diante, escreveu quarenta obras em Yidishe, tornando-se a figura central da literatura yidishe em 1890. Nesse tempo, o yidishe era a língua vernacular de praticamente todos os judeus do leste e centro europeus.

Além da sua extensa produção literária em iídiche, Sholem Aleichem usou os seus próprios recursos financeiros para promover outros escritores yidishes.

Em 1890, Sholom Aleichem perdeu a sua fortuna com a especulação na bolsa de valores, o que comprometeu o financiamento de obras em iídiche.

Algumas das suas histórias narradas pelo seu personagem Tevye, um leiteiro com sete filhas, foram transformadas na peça da Broadway de 1964 “Fiddler on the Roof”, que depois foi transformada num filme com o mesmo nome, que ganhou um Oscar e um Globo de Ouro.

terça-feira, 12 de maio de 2026

12 DE MAIO - SUSANNAH MUSHATT JONES

EFEMÉRIDE - Susannah Mushatt Jones, super-centenária norte-americana com a idade de 116 anos e 311 dias, morreu em Nova Iorque no dia 12 de Maio de 2016. Nascera em Lowndes, em 6 de Julho de 1899.

Foi a pessoa mais idosa do mundo (Decano da Humanidade), desde 17 de Junho de 2015 até à sua morte.

Susannah Jones nasceu no estado de Alabama, no seio de uma família de lavradores que cultivava os campos de algodão onde, anos antes, trabalharam os seus avós, quando a escravatura estava em vigor.

À pequena Susie, terceira de onze irmãos, também foram atribuídas tarefas no campo, embora os seus planos tenham ido noutra direcção. Após acabar a escola, entrou na Universidade de Tuskegee, mas os problemas económicos da família impediram que continuasse a estudar.

O seu desejo de estudar levou-a a colocar em marcha o “Calhoun Club”, para ajudar a conseguir bolsas e financiamento para jovens sem recursos que queriam estudar na universidade. O seu trabalho foi reconhecido pela Universidade de Harvard.

Em 1923, guiada pelo desejo de melhorar, Jones mudou-se para Nova Iorque, onde encontrou um trabalho como assistente interna e cuidadora de crianças.

Do seu pequeno salário, foi poupando uns dólares para cumprir uma promessa que fizera quando da frustrada oportunidade de estudar: pagar a carreira à sua primeira sobrinha, Lavilla Watson.

Jones casou com Henry Jones em 1928 e divorciou-se cinco anos mais tarde.

Testemunho excepcional do «Renascimento do Harlem», a super-centenária participou activamente na luta pelo direito de voto das mulheres e pelos direitos civis, numa época em que a comunidade negra era tratada como pessoas de segunda classe.

Desde que foi super-centenária, a anciã recebeu distinções pela sua longevidade e pela sua dedicação à comunidade.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

11 DE MAIO - SHIREEN ABU AKLEH

EFEMÉRIDE - Shireen Abu Akleh, jornalista palestino-estadunidense morta pelo exército israelita, faleceu em Jenin no dia 11 de Maio de 2022. Nascera em   Jerusalém, em 3 de Abril de 1971.

A sua carreira incluiu reportagens e análises políticas sobre os principais eventos nos territórios palestinos ocupados por Israel. Isso tornou-a uma das mais conhecidas jornalistas do mundo árabe durante as duas primeiras décadas do século XXI, sobretudo como repórter da rede “Al Jazeera”, para a quem trabalhava desde 1997.

Em 11 de Maio de 2022, Abu Akleh foi morta enquanto cobria uma operação militar israelita na cidade ocupada de Jenin, na Cisjordânia.

De acordo com testemunhas e o Ministério da Saúde palestino, a jornalista foi baleada por forças israelitas mesmo vestindo um colete de imprensa.

O governo de Israel, inicialmente, negou a autoria da morte da veterana correspondente.

domingo, 10 de maio de 2026

10 DE MAIO - MARINA VLADY

EFEMÉRIDE - Marina Vlady, de seu nome original Marina de Poliakoff-Baidaroff, actriz francesa, nasceu em Clichy no dia 10 de Maio de 1938.

Em 1963, recebeu o prémio de Melhor Actriz no Festival de Cannes pelo seu trabalho em “Una storia moderna: l’ape regina”.

Foi casada com o poeta russo Vladimir Vysotsky, de 1969 até à morte dele em 1980.

Também foi casada com o actor e director Robert Hossein, de 1950 a 1955.

sábado, 9 de maio de 2026

9 DE MAIO - ALBERT FINNEY

EFEMÉRIDE - Albert Terence Finney, actor britânico, descendente de irlandeses, nasceu em Charlestown n dia 9 de Maio de 1936. Morreu em 7 de Fevereiro de 2019.

Foi nomeado para os Oscars por cinco vezes, quatro das quais como actor principal e outra como actor coadjuvante.

Filho de um guarda-livros, Albert Finney sempre quis ser actor. Aos 19 anos, estreou-se no teatro em Birmingham, no papel de Bruto em “Júlio César” de William Shakespeare.

Foi descoberto por Tony Richardson que ao vê-lo em cena em “Coriolano”, também de Shakespeare, num palco de Londres, o convidou para filmar “The Entertainer” (1960). Foi o início de uma longa e feliz carreira.

Já no seu segundo trabalho, Finney chamou a atenção da crítica em “Tudo Começou num Sábado” (“Saturday Night, Sunday Morning”), de Karel Reisz. O seu trabalho, além de muito elogiado, recebeu um prémio no Festival de Mar de Plata.

Um dos seus maiores sucessos foi “As Aventuras de Tom Jones”, que recebeu o Oscar de Melhor Filme. Neste filme, Finney teve a oportunidade de demonstrar o seu enorme carisma, ganhou a Taça Volpi de melhor actor do Festival de Veneza de 1963, foi nomeado como o melhor do ano pela Associação dos Críticos de Nova Iorque e pela primeira vez ao Oscar de melhor actor, indicação que recebeu novamente em 1974, com a sua interpretação do detective Hercule Poirot em “Assassinato no Expresso Oriente” e em 1983, por “O Fiel Camareiro”. Em 1984, foi nomeado mais uma vez, mas não ganhou, pela sua esplêndida actuação em: “À Sombra de Um Vulcão”, de John Huston.

Em 2002, destacou-se ao interpretar Winston Churchill no filme da BBCThe Gathering Storm”, actuando ao lado da actriz Vanessa Redgrave, o que lhe garantiu um Globo de Ouro e um Emmy de melhor Actor.

Finney teve a oportunidade de actuar com grandes directores, como Ridley Scott (“Os Duelistas”), Stephen Frears (“Gumshoe, Detetive Particular”), Alan Parker (“A Chama que não se Apaga”), os irmãos Cohen (“Ajuste Final”) e Steven Soderbergh, em “Erin Brockovich”, actuação que lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Actor coadjuvante m cinema.

Albert Finney foi casado com Jane Werham (de 1957 a 1961), com quem teve um filho, Simon, e com Anouk Aimée, musa do cinema francês, actriz do clássico “Um Homem, Uma Mulher”, (1970 a 1978).

Como director, aventurou-se em dois filmes: “Charlie Bubbles - A Máscara e o Rosto” (1968) e “The Biko Inquest” (1984), produzido para a televisão.

Vencedor de cerca de 25 prémios, nunca ganhou o Oscar.

Em 2011, o agente de Finney afirmou que o actor estava enfrentando um cancro no rim. Faleceu em Fevereiro de 2019, de causas não informadas pela família.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

8 DE MAIO - FONS BRIJDENBACH

EFEMÉRIDE - Alfons (Fons) Brydenbach, atleta belga especializado nos 400 metros, que foi recordista mundial, morreu em Wechelderzanden no dia 8 de Maio de 2009. Nasceu em Vorselaar, em 12 de Outubro de 1954.

Em 1973, venceu o Campeonato Europeu Júnior, batendo o recorde com o tempo de 45.86, que durou até 1979, quando Hartmut Weber o bateu, e no mesmo ano venceu o Campeonato Belga nos 400 metros. Venceu também os 100 metros em 1975 e os 200 metros em 1974 e 1975.

Em 1974, venceu o Europeu Indoor e no mesmo ano estabeleceu o recorde mundial indoor com 45.9 segundos; no ano seguinte, chegou até à semifinal e, em 1977, venceu.

Participou nas Olimpíadas de 1976, correndo 45.28 na semifinal e 45.04 na final (melhor tempo da sua vida e recorde belga até 2003, quando Cédric Van Branteghem o bateu) terminando em 4º lugar.

Em 1980, fez 45.10 e terminou a Olimpíada em 5º; correu também nos 4 x 400 metros, mas a equipa não conseguiu concluir. Participou quando a equipe fez 3:03:68, perdurando até 2008.

Na Universíade de 1977 fez 45.18, recorde que durou 2 anos. Nos 100 metros fez 10.46 e nos 200 metros 20.68, ambos em 1975.

Após terminar a carreira, fez mestrado em Educação Física na Katholieke Universiteit Leuven e foi professor.

Faleceu em 2009, vítima de cancro na bexiga, deixando esposa e 3 filhos.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

7 DE MAIO - ELISA SILVA

EFEMÉRIDE - Maria Elisa Silva, cantora portuguesa natural da Madeira, nasceu na Ponta do Sol em 7 de Maio de 1999.

Participou em iniciativas do Musicaeb destinadas a crianças da Madeira. Em 2008, participou no IV Festival da Canção Infantil “Pequenos Sóis”, com “O Sol e a Nuvem”.

No ano seguinte, vence o V Festival da Canção Infantil “Pequenos Sóis”, com “Voa Borboleta, Voa”.

Participou depois, em 2010, no 29º Festival da Canção Infantil da Madeira.

Foi a vencedora do Festival Regional de Talentos realizado em 2013, na cidade de Câmara de Lobos, com a canção “On My Own”.

Venceu o Festival RTP da Canção 2020 com “Medo de Sentir” da autoria de Marta de Carvalho.

Iria representar Portugal com a música “Medo de sentir”, no Festival Eurovisão da Canção 2020 em Roterdão, se o mesmo não tivesse sido cancelado.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

6 DE MAIO - DONALD THOMAS

EFEMÉRIDE - Donald Alan Thomas, ex-astronauta norte-americano, nasceu em Cleveland no dia 6 de Maio de 1955.

Formado em Física e com doutoramento em Ciência de materiais pela Universidade Cornell em 1982, trabalhou inicialmente na iniciativa privada, como integrante do corpo técnico da Bell Labs, o braço de pesquisas tecnológicas da multinacional de telecomunicações AT&T.

Em 1987, trabalhando na Lockheed, teve o primeiro contacto com a tecnologia espacial, como responsável pela análise do material usado nas cargas levadas ao espaço no ónibus espacial.

No ano seguinte, passou a trabalhar na sede da agência em Houston, como engenheiro de materiais.

Thomas foi seleccionado para o corpo de astronautas em Janeiro de 1990, qualificando-se como especialista de missão em Janeiro de 1991. Servindo inicialmente como CAPCOM (controlador de missão em terra) em três missões do ónibus espacial, ele foi ao espaço por quatro vezes a partir de 1994.

A primeira viagem foi em Julho de 1994, com a STS-65 Columbia, missão de quinze dias que bateu o recorde de permanência no espaço para um ónibus espacial e realizou mais de oitenta experiências em órbita, especialmente na área da microgravidade.

A segunda missão foi um ano depois com a STS-70 Discovery, quando ele foi o responsável por colocar em órbita, a partir da nave espacial, o último dos Tracking and Data Relay Satellite (TDRS), uma rede de satélites de comunicações criada para a comunicação entre a Terra, demais satélites em órbita terrestre e a Estação Espacial Internacional.

A terceira missão, STS-83 Columbia, em Abril de 1997, foi realizada para estudos com o Spacelab, o laboratório de pesquisas transportado no compartimento do ónibus espacial. Programada para durar quinze dias, a missão foi abortada com apenas três, devido a um problema com uma das células da unidade de geração de força da nave espacial. Assim, três meses depois, ele e toda a tripulação da STS-83 voltaram à órbita, para completar a mesma missão, na mesma nave, agora com o código de voo STS-94.

De volta a funções no solo, entre 1999 e 2000 ele ocupou o cargo de director de operações da NASA no Centro de Treinamento de Cosmonautas Yuri Gagarin, na Cidade das Estrelas, Moscovo, Rússia. Escalado para participar na Expedição 6, a missão de longa duração realizada na Estação Espacial Internacional em 2002/2003, teve a sua participação vetada pelos médicos da agência após exames específicos de capacitação de astronautas para missões de longa duração em gravidade zero.

Thomas deixou a NASA em Julho de 2007 para trabalhar na iniciativa privada.

terça-feira, 5 de maio de 2026

5 DE MAIO - ANDOR LILIENTHAL

EFEMÉRIDE - Andor Lilienthal, jogador de xadrez da Hungria com participações nas Olimpíadas de Xadrez de 1933, 1935 e 1937, nasceu em Moscovo no dia 5 de Maio de 1911. Morreu em Budapeste, em 8 de Maio de 2010.

Lilienthal conquistou duas medalhas de ouro em 1933 e 1935 nos tabuleiros reserva e segundo, respectivamente, e a medalha de prata em 1937 no primeiro tabuleiro.

Lilienthal, de origem judaica, nasceu em Moscovo, Império Russo, e mudou-se para a Hungria aos dois anos de idade.

Ele jogou pela Hungria em três Olimpíadas de Xadrez: Folkestone 1933 (marcando +7−0=6 como reserva, o quinto jogador do time), Varsóvia 1935 (marcando +11−0=8 no segundo tabuleiro) e Estocolmo 1937 (marcando +9−2=6 no primeiro tabuleiro, levando a sua equipa à medalha de prata).

Ele ganhou a medalha de ouro individual por sua prancha (reserva e segunda prancha, respectivamente) nas Olimpíadas de 1933 e 1935, e teve o quarto melhor resultado na primeira prancha em 1937.  A sua pontuação total nas Olimpíadas foi de 75,51%.

Emigrando para a União Soviética em 1935, Lilienthal tornou-se cidadão soviético em 1939. Ele jogou oito vezes no Campeonato de Xadrez da URSS. O seu melhor resultado veio no campeonato de 1940, quando empatou em primeiro lugar com Igor Bondarevsky, à frente de Smyslov, Paul Keres, Isaac Boleslavsky, Botvinnik e outros 14 jogadores. Ele classificou-se para o Torneio de Candidatos uma vez, em 1948.

De 1951 a 1960 foi o treinador de Tigran Petrosian. Lilienthal começou uma amizade com Vasily Smyslov em 1938, e foi o segundo de Smyslov nas suas partidas pelo campeonato mundial contra Botvinnik.

Ele aposentou-se do torneio em 1965 e voltou para a Hungria em 1976. O seu último torneio foi Zamárdi 1980, onde terminou em sexto no grupo B, marcando +3−1=11.

Lilienthal permaneceu activamente envolvido no mundo do xadrez na sua nona década. Ele faleceu em Maio de 2010 aos 99 anos; foi relatado que ele estava doente há algum tempo.

De acordo com Boris Spassky, Robert James Fischer aprovou apenas três xadrezistas que poderiam carregar o seu caixão no seu funeral: Andor Lilienthal, Lajos Portisch e Boris Spassky.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

4 DE MAIO - FERNANDO PACHECO DE AMORIM

EFEMÉRIDE - Fernando Bayolo Pacheco de Amorim, professor universitário, antropólogo, publicista e político português, morreu no Porto em 4 de Maio de 1999. Nasceu em Coimbra no dia 6 de Julho de 1920.

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra foi professor contratado dessa mesma Universidade até 1975, centrando a sua vida académica nas áreas da Antropologia e da Etnologia.

Foi um dos líderes da oposição monárquica ao Estado Novo e o teorizador e permanente defensor, em Portugal, do integracionismo como solução adequada para uma eficaz política ultramarina. Tinha, neste seu combate, o apoio dos Ministros Franco Nogueira e José Gonçalo Correia de Oliveira.

Fundaria, após a revolução de 25 de Abril, o Movimento Federalista Português, mais tarde Partido do Progresso, que viria a ser ilegalizado pelo MFA na sequência do 28 de Setembro. Refugiado em Madrid, regressaria a Portugal após o Golpe de 25 de Novembro de 1975.

O seu inconformismo lúcido, que particularmente se manifestava na defesa das teses integracionistas e numa militância monárquica esclarecida fizeram, de Fernando Pacheco de Amorim, um dos inspiradores ideológicos da direita universitária coimbrã na primeira metade da década de setenta.

A sua acção política, numa primeira fase, centra-se, essencialmente, na oposição monárquica ao Estado Novo. Nessa qualidade, e sendo, então, alferes miliciano de Cavalaria, é um dos conspiradores da Revolta da Mealhada em 10 de Outubro de 1946. Essa tentativa de insurreição militar contra o Estado Novo foi organizada por um grupo de oficiais milicianos, de várias sensibilidades políticas. Parte o movimento insurreccional de uma única unidade, o Regimento de Cavalaria 6, no Porto. A coluna marcha até à Mealhada onde é detida. Comanda a revolta o capitão Fernando Queiroga. A revolta estaria para ser acompanhada por um levantamento em Tomar e teria a coordenação de Mendes Cabeçadas. O julgamento ocorre em Março de 1947, sendo defensores dos revoltosos Ramada Curto, Vasco da Gama Fernandes, Adelino da Palma Carlos e Fernando Abranches Ferrão. Nessa altura, Fernando Pacheco de Amorim é condenado a dois anos de prisão, pena que cumpriu no Forte de Peniche. Ainda como militante monárquico é um dos fundadores, com João Vaz Serra de Moura e outros, e primeiro Presidente, da Liga Popular Monárquica.

A partir de 1962 centra a sua actividade política na teorização e combate em prol do integracionismo, insurgindo-se contra a política de autonomia, então protagonizada pelo ministro do Ultramar, Adriano Moreira.

Distancia-se também da perspectiva adoptada por Cunha Leal. Em 1971 é um dos ferozes críticos da política assumida por Marcelo Caetano no plano das autonomias ultramarinas. A obra nesse ano editada, “Na Hora da Verdade”, ia-lhe valendo nova passagem pela prisão: em Conselho de Ministros, o então Ministro do Ultramar Silva Cunha, propôs a sua prisão. Os restantes ministros apoiaram. Opôs-se o ministro César Moreira Baptista por considerar que isso teria efeitos contraproducentes. Marcelo Caetano decidiu a favor de Moreira Batista.

É em 1974 presidente do Movimento Federalista Português pouco depois transformado em Partido do Progresso (MFP/PP), que foi proibido e perseguido após ter feito parte da chamada «Maioria Silenciosa», no 28 de Setembro de 1974. Com novo mandato de captura passado, agora pelo novo regime, refugiou-se em Madrid, onde presidiu ao Gabinete político (que configurava a direcção política) do MDLP, Movimento Democrático para a Libertação de Portugal, liderado pelo General António de Spínola. Regressa a Portugal após o Golpe de 25 de Novembro de 1975, abandona então a actividade política, por entender que o país perdera, por completo, qualquer possibilidade de uma existência verdadeiramente independente. Aí, com o mesmo critério de honestidade com que tinha deixado a Universidade de Coimbra para se dedicar à política, nessa altura retoma a sua actividade académica, agora na Universidade Portucalense, assumindo as funções de secretário-geral e de orientador de teses.

domingo, 3 de maio de 2026

3 DE MAIO - LEOPOLDO CALVO-SOTELO

EFEMÉRIDE - Leopoldo Calvo-Sotelo y Bustelo, político espanhol, morreu em Pozuelo de Alarcón no dia 3 de Maio de 2008. Nascera em Madrid, em 14 de Abril de 1926. 

Ocupou o lugar de presidente do governo de Espanha, de 1981 a 1982. Antes, tinha sido ministro das Obras Públicas (1976), ministro para as Relações com as Comunidades Europeias (1978/1980) e ministro da Economia (1980/1981).

Foi o primeiro marquês de Ría de Ribadeo e também “Grande de Espanha”.

Durante o seu governo, houve uma tentativa de golpe de estado perpetrada por militares chefiados por Antonio Tejero. Esta tentativa, em 23 de Fevereiro de 1981, não teve êxito.

Durante o seu mandato, a decisão mais relevante foi a adesão de Espanha à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), que foi muito combatida pela oposição dirigida pelo Partido Socialista Operário Espanhol (embora mais tarde, e uma vez no poder, o Governo socialista tenha defendido essa opção num referendo que convocou e que decidiu a permanência na NATO, em 1986).

sábado, 2 de maio de 2026

2 DE MAIO - JALIL ZANDI

EFEMÉRIDE - Jalil Zandi, militar iraniano considerado o mais bem-sucedido piloto de caça da Guerra Irão-Iraque, nasceu em Pers no dia 2 de Maio de 1951. Morreu em Teerão, em 1 de Abril de 2001.

Durante a Guerra Irão-Iraque, como piloto de F-14 Tomcat marcou 11 vitórias aéreas (8 confirmadas e 3 prováveis), fazendo dele um ás da aviação.

Zandi derrubou quatro MiG-23, dois Su-22, dois MiG-21 e três Mirage F1 durante a guerra. Isto faz dele o piloto mais bem-sucedido de F-14 Tomcat no mundo.

O seu último posto oficial, antes da sua morte, foi adjunto de planeamento e organização da Força Aérea Iraniana.

Ele faleceu com a sua esposa Zahra Moheb Shahedin em 2001 num acidente de carro perto de Teerão. Está sepultado no cemitério Behesht-e Zahra, no sul de Teerão. Teve três filhos: Vahid, Amir e Nade.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

1 DE MAIO - EMILY STOWE

EFEMÉRIDE - Emily Howard Stowe, a primeira mulher a exercer a medicina no Canadá, a segunda médica licenciada do país e uma activista pelos direitos da mulher e sufrágio, nasceu em Oxford no dia 1 de Maio de 1831. Morreu em 30 de Abril de 1903.

Stowe ajudou na fundação do movimento pelo sufrágio feminino no Canadá e fez campanha pela primeira faculdade de medicina para mulheres do país.

Emily Howard Jennings (apelido original) nasceu na província canadiana de Ontário e era filha de Hannah Howard e Solomon Jennings. Apesar de Solomon ter-se convertido ao metodismo, Hannah criou as seis filhas como quakers. Seguindo a tradição da Sociedade dos Amigos, os pais de Jennings incentivaram-na a obter uma educação; eles enviaram-na para uma escola quaker em Providence, no estado norte-americano de Rhode Island.

Após leccionar em escolas locais durante sete anos, a sua luta pública para alcançar a igualdade entre homens e mulheres começou em 1852, quando tentou ingressar no Victoria College, em Cobourg, Ontário. Recusada por ser mulher, ela matriculou-se na Normal School for Upper Canada, que Egerton Ryerson havia fundado recentemente em Toronto. Ela entrou na faculdade em Novembro de 1853 e formou-se com honras em 1854.

Contratada como directora de uma escola pública de Brantford, Ontário, ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de directora numa escola pública do Canadá. Ela leccionou ali até ao seu casamento.

Emily casou-se com John Fiuscia Michael Heward Stowe em 1856. Nos sete anos seguintes ela teve dois filhos e uma filha. Pouco tempo após o nascimento da terceira criança, o seu esposo teve tuberculose, o que despertou nela um interesse pela medicina. Tendo experiência com remédios fitoterápicos e medicina homeopática desde a década de 1840, Emily Stowe deixou de leccionar e decidiu tornar-se médica.

Stowe teve a sua entrada negada na Escola de Medicina de Toronto em 1865 e foi informada pelo seu vice-director: «As portas da universidade não estão abertas para as mulheres e acredito que nunca estarão». Incapaz de estudar medicina no Canadá, Emily Stowe se formou nos Estados Unidos no New York Medical College for Women em 1867. No mesmo ano, ela retornou ao Canadá e inaugurou uma clínica em Toronto, na Richmond Street.

Stowe ganhou destaque local por meio de palestras públicas sobre a saúde da mulher e manteve uma clientela constante por meio de anúncios em jornais.

Em 1870, o presidente da Toronto School of Medicine concedeu permissão especial a Stowe e à sua colega Jennie Kidd Trout para assistir às aulas, um requisito para médicos com licenças estrangeiras. Diante da hostilidade tanto do corpo docente quanto dos alunos, Stowe recusou-se a fazer os exames orais e escritos e deixou a escola.

O Conselho de Médicos e Cirurgiões de Ontário concedeu a Stowe uma licença para praticar a medicina em 16 de Julho de 1880, baseado na sua experiência com medicina homeopática desde 1850. Esta licença tornou Stowe a segunda médica licenciada do Canadá, atrás apenas de Jennie Kidd Trout.

A sua filha, Augusta Stowe-Gullen foi a primeira mulher a formar-se numa faculdade de medicina canadiana.

Enquanto estudava em Nova Iorque, Stowe conheceu a activista Susan B. Anthony e testemunhou as divisões dentro do movimento sufragista americano. Stowe também frequentou reuniões de clubes femininos em Cleveland, Ohio.

Em 1876, Stowe fundou o Clube Literário Feminino de Toronto, que em 1883 tornou-se a Associação Canadiana pelo Sufrágio Feminino. Isso levou alguns a considerar Stowe a mãe do sufrágio feminino no país. O Clube Literário fez campanha por melhores condições de trabalho para as mulheres e pressionou as instituições de ensino de Toronto a aceitar mulheres no ensino superior. Em 1883, uma reunião pública da associação levou à criação do Ontario Medical College for Women.

Quando a Dominion Women’s Enfranchisement Association foi fundada em 1889, Stowe tornou-se sua primeira presidente e permaneceu no cargo até à sua morte.

Como é verdade para muitas sufragistas, existia uma tensão entre o compromisso de Stowe com outras mulheres e a lealdade de classe. Num episódio que pode demonstrar o domínio deste último, Stowe rompeu o vínculo de sigilo médico-paciente ao revelar o pedido de aborto de uma paciente, Sara Ann Lovell, empregada doméstica, ao seu empregador. Stowe, no entanto, criticou duramente o programa económico canadiano da Política Nacional em 1892. Ela acreditava que isso não ajudaria os canadianos da classe trabalhadora e, em vez disso, era um negócio corrupto em nome de grandes empresas.

Depois de fracturar o quadril no Congresso Feminino da Exposição Universal em 1893, Stowe aposentou-se da medicina. Ela faleceu em 1903, quatorze anos antes do direito ao voto ser concedido às mulheres.

Embora ela se considerasse uma Quaker até 1879, ela se tornou uma unitarista no mesmo ano e frequentou a Primeira Congregação Unitária de Toronto.

Escolas públicas na sua cidade natal de Norwich, bem como em Courtice, foram baptizadas em sua homenagem. Um abrigo para mulheres em Toronto também recebeu o seu nome.

Em 2018, ela foi introduzida no Canadian Medical Hall of Fame.

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