quarta-feira, 14 de outubro de 2026

14 DE OUTUBRO - RUFINA GASHEVA

EFEMÉRIDE - Rufina Sergeyevna Gasheva, aviadora soviética durante a Segunda Guerra Mundial, nasceu em Verkhnechusovsky no dia 14 de Outubro de 1921. Morreu em Moscovo, em 1 de Maio de 2012.

Serviu na formação feminina Bruxas da Noite. Ela foi homenageada com o título de Heroína da União Soviética. Foi navegadora num Polikarpov Po-2 do regimento.

Depois da guerra, continuou a servir e foi professora de Línguas Estrangeiras na Academia Militar Malinovsky, antes de se reformar.

Depois de se aposentar, Gasheva trabalhou no Departamento de Literatura Estrangeira em Voenizdat.

Gasheva nasceu no distrito de Permsky Uyezd, então parte da Província de Perm, na Rússia. Pouco tempo depois, mudou-se para a aldeia de Vasilyevo, onde viveu até 1927. Entre 1927 e 1928, morou na aldeia de Kasimovo, actualmente situada no distrito de Permsky. Nos dois anos seguintes, viveu na cidade de Perm, antes de se mudar para Moscovo em 1930. Em 1939, concluiu o ensino médio. No Verão de 1941, já havia completado dois anos de estudos na Universidade Estatal de Moscovo, no curso de Mecânica e Matemática.

Gasheva voluntariou-se para o serviço militar em Setembro de 1941. Em Fevereiro de 1942, formou-se num curso de navegação aérea na Escola Militar de Aviação de Engels. Em seguida, foi designada para o 588º Regimento de Bombardeiros Nocturnos da Força Aérea Vermelha, unidade composta exclusivamente por mulheres e que estava sendo organizada em Engels.

Passou a actuar em combate a partir de Maio de 1942, participando na Batalha do Cáucaso. Em Fevereiro de 1943, o regimento recebeu o título honorífico de Guarda e passou a chamar 46º Regimento de Aviação de Bombardeiros da Guarda.

Gasheva participou em diversas operações importantes da guerra, incluindo as batalhas aéreas no Kuban, a Operação Kerch-Eltigen, a Ofensiva da Crimeia, a Ofensiva de Mogilev, a Ofensiva de Białystok, a Ofensiva de Osovets, a Ofensiva Mlawa–Elbing, a Ofensiva da Pomerânia Oriental e a Batalha de Berlim.

O seu avião foi abatido duas vezes. Na primeira ocasião, ela e a sua piloto conseguiram retornar às linhas soviéticas. Na segunda, tiveram que saltar de paraquedas sobre um campo minado. A piloto Olga Sanfirova morreu ao pisar uma mina antipessoal. Nesse mesmo incidente, Gasheva aterrissou num campo minado antitanque a algumas centenas de metros ao sul de Sanfirova. Depois de conseguir voltar ao seu regimento, passou a voar com a piloto Nadezhda Popova.

No final da guerra, Gasheva havia realizado 848 missões de combate como navegadora do bombardeiro leve Po-2. Em Dezembro de 1944, após acumular 823 missões, foi indicada para receber o título de Heroína da União Soviética, honraria que lhe foi concedida em 23 de Fevereiro de 1945. Terminou a guerra com a patente de tenente sénior. Durante o conflito, casou-se com o piloto de bombardeiro Mikhail Plyats.

Gasheva permaneceu servindo com o regimento no Grupo de Forças do Norte até Outubro de 1945. Após a guerra, ela e Plyats tiveram dois filhos: Vladimir e Marina. O seu marido alcançou o posto de coronel.

Em 1952, Gasheva formou-se no Instituto Militar de Línguas Estrangeiras e tornou-se professora sénior no Departamento de Línguas Estrangeiras da Academia Militar de Forças Blindadas Malinovsky, onde trabalhou até Agosto de 1957. Em Dezembro de 1956, passou para a reserva com a patente de major.

A partir de 1961, trabalhou como editora sénior no Escritório de Literatura Militar Estrangeira da Voenizdat. Entre 1967 e 1972, actuou como editora sénior no Departamento de Publicação de Literatura Militar em Línguas Estrangeiras do Ministério da Defesa da URSS.

Viveu em Moscovo e, no ano 2000, foi promovida ao posto de tenente-coronel. Gasheva faleceu em Maio de 2012, aos 90 anos, e foi sepultada no Cemitério Vostryakovo.

Gasheva recebeu os seguintes prémios:  Heroína da União Soviética, Ordem de Lenin, Ordem do Estandarte Vermelho, Ordem da Guerra Patriótica de 1ª classe, Ordem da Estrela Vermelha e Medalha de Mérito de Batalha.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

13 DE OUTUBRO - GUILLAUME DEPARDIEU

EFEMÉRIDE - Guillaume Depardieu, actor francês, morreu em Garches no dia 13 de Outubro de 2008. Nascera em Paris, em 7 de Abril de 1971.

Na sua carreira, participou em mais de quarenta filmes e produções de televisão.

Ela era filho dos actores Gérard Depardieu e Élisabeth Depardieu (que retomou o seu nome de solteira, Guignot, após o divórcio) e irmão mais velho da actriz Julie Depardieu.

Em 1996, ganhou o Prémio César como a revelação mais promissora do cinema na comédia “Les Apprentis”.

Seguiram-se vários papéis principais, mas a carreira de Depardieu foi afectada pela sua vida pessoal caótica, que incluiu vício em drogas, várias condenações a prisão e problemas de saúde que eventualmente exigiram a amputação de uma perna em 2003.

Guillaume era frequentemente chamado de “enfant terrible” pela revista francesa “Paris Match” e era considerado excêntrico e boémio por outros.

Em 1993, ele já havia cumprido duas penas de prisão por crimes relacionados com drogas, incluindo tráfico de heroína e furto.

Em 2003, foi multado e recebeu uma sentença de prisão suspensa de nove meses por ameaçar um homem com uma arma. Em 2008, foi preso por dirigir a sua scooter embriagado.

A saúde de Depardieu foi comprometida pelo vício em drogas, o seu acidente de motocicleta em 1995 e cirurgias subsequentes.

Depardieu faleceu em consequência de uma pneumonia fulminante, causada por MRSA, contraída na Roménia, enquanto participava nas filmagens de “L’enfance d’Icare”.

Depardieu era conhecido por ter um relacionamento tenso com o seu pai famoso, incluindo um desentendimento público em 2003. Ele detalhou o relacionamento deles na sua autobiografia de 2004, “Tout Donner”. Dizem que Guillaume havia se reconciliado com seu pai pouco antes de morrer.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

12 DE OUTUBRO - ANATOLE FRANCE

EFEMÉRIDE - Anatole France, de seu verdadeiro nome Jacques Anatole François Thibault, escritor francês, morreu em Saint-Cyr-sur-Loire, no dia 12 de Outubro de 1924. Nascera em Paris, em 16 de Abril de 1844.

Era um poeta, jornalista e romancista francês com vários best-sellers.

Foi membro da Académie Française e ganhou o Prémio Nobel de Literatura em 1921, «em reconhecimento das suas brilhantes realizações literárias, caracterizadas como são por uma nobreza de estilo, uma profunda simpatia humana, graça e um verdadeiro temperamento gaulês».

domingo, 11 de outubro de 2026

11 DE OUTUBRO - FRED TRUMP

EFEMÉRIDE - Frederick “Fred” Christ Trump, empreendedor imobiliário e empresário norte-americano, nasceu em Queens, Nova Iorque, no dia 11 de Outubro de 1905. Morreu em New Hyde Park, Nova Iorque, em 25 de Junho de 1999.

Foi notavelmente conhecido por ser o pai do 45º e 47º presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Filho do imigrante alemão Friedrich Trump (1869/1918), fez fortuna no ramo da construção civil por meio de subsídios públicos e benefícios fiscais.

Fred Trump construiu prédios nos bairros do Brooklyn e do Queens, em Nova Iorque, terminando as obras por um valor abaixo do orçamento financiado pelo Estado, para que pudesse terminar o seu maior projecto, o Trump Village, em Coney Island.

sábado, 10 de outubro de 2026

10 DE OUTUBRO - KEN SARO-WIWA

EFEMÉRIDE - Kenule “Ken” Beeson Saro-Wiwa, escritor, produtor e activista ambiental da Nigéria, nasce em Bori (Nigéria colonial) no dia 10 de Outubro de 1941. Morreu em Port Harcourt, em 10 de Novembro de 1995.

Ken Saro-Wiwa pertencia aos ogonis, um grupo étnico minoritário nigeriano radicado no delta do Níger, e liderava - através do Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni - uma campanha não-violenta contra a degradação ambiental das terras e das águas da região pelas petrolíferas transnacionais, especialmente a Shell. Por conta do seu activismo, acabou por ser preso em 1994 a mando do regime militar de Sani Abacha, que vigorava então. Num processo judicial considerado fraudulento, Saro-Wiwa foi condenado à morte e enforcado em 1995. A execução gerou contestação internacional, de tal modo que a Nigéria foi suspensa da Commonwealth of Nations durante mais de 3 anos.

Em 2009, a empresa Shell, reconhecendo a sua implicação na morte do activista e dos seus oito companheiros, também com ele enforcados, pagou 15,5 milhões de dólares às famílias das vítimas, esperando assim minimizar os efeitos negativos para a sua imagem neste caso.

No Brasil, em 2017, a artista e pesquisadora Elisa Dassoler lançou o documentário “Ken Saro-Wiwa, presente!” (82 minutos) sobre o seu legado no campo das artes e na luta internacional por justiça ambiental. Através de entrevistas com artistas, activistas e familiares, o documentário apresenta a sua história, os impactos causados pela exploração de petróleo no Delta do Níger e a relevância política e cultural de projectos artísticos em Londres dedicados à sua memória. O filme fez parte da sua pesquisa de doutoramento em Artes Visuais na Universidade do Estado de Santa Catarina em parceria com a University of the Arts London.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

9 DE OUTUBRO - JEAN DAUSSET

EFEMÉRIDE - Jean Baptiste Dausset, médico francês, nasceu em Toulouse no dia 9 de Outubro de 1916. Morreu em Palma de Maiorca, em 6 de Junho de 2009.

Lutou na Segunda Guerra Mundial e formou-se em Medicina aos 29 anos, na Universidade de Paris. Foi especialista em Imunologia.

Recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1980, juntamente com Baruj Benacerraf e George Snell.

Dausset escreveu mais de 300 artigos. Foi agraciado com o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa em 1982/1983.

Dausset começou as suas pesquisas logo após se formar em Medicina em 1945, enquanto trabalhava como estagiário no laboratório de Hematologia do Children’s Hospital em Boston.

O seu primeiro artigo foi publicado em 1950 e tratava da detecção de anticorpos incompletos usando eritrócitos tripsinizados em meio plasmático, técnica que apresentava sensibilidade melhorada em relação a outras técnicas usadas na época.

Ele passou a publicar mais trabalhos no campo da Hematologia, incluindo o desenvolvimento de uma técnica em 1952 para a remoção de plasma de glóbulos vermelhos para ser usado em transfusões a pacientes de alguma forma intolerantes a transfusões de sangue total.

Em 1952, voltou a França e continuou as suas pesquisas, focando principalmente emanemia hemolítica, e publicação de vários trabalhos que tratam das diversas formas de aglutinação de células sanguíneas. Foi durante este período de investigação, em 1954, quando Dausset observava pela primeira vez um anti-leucócitos aglutinar substância, embora não tenha sido até 1958 que ele identificou uma isoantibody específica para leucócitos, e publicou as suas descobertas. Foi essa descoberta e a extensa cascata de trabalho que se seguiu que acabaria por render a Dausset o seu Prémio Nobel.

A pesquisa geral em anticorpos, aglutinação e anemia continuou nos anos seguintes a este artigo de 1958.

Em 1962, Dausset publicou um exame da correlação entre a leucoaglutinação e a tolerância ao enxerto de pele, a sua primeira observação do impacto dos antígenos na histocompatibilidade. O seu artigo seguinte sobre o assunto foi publicado em 1964, quando observou uma relação clara entre a compatibilidade do antígeno leucocitário e a resposta de anticorpos aos enxertos de pele. Essa descoberta gerou uma enxurrada de pesquisas no tópico de histocompatibilidade e, no final de 1965, Dausset publicou mais de uma dúzia de artigos explorando antígenos leucocitários e a sua relevância para a histocompatibilidade. Depois de identificar que um dos grupos do antígeno leucocitário alélico teve influência na histocompatibilidade e observando a indução de hipersensibilidade aos enxertos cutâneos após a injecção de fracções leucocitárias, Dausset desenvolveu um sistema para agrupar antígenos leucocitários com base na histocompatibilidade. Em seguida, ele levantou a hipótese de que todos os antígenos leucocitários conhecidos faziam parte de um único complexo, complexo que ele chamou de Hu-1. Este complexo mais tarde tornar-se-ia conhecido como um dos Complexos Principais de Histocompatibilidade, especificamente aqueles denominados Antígenos Leucocitários Humanos.

O trabalho posterior de Dausset em 1965 examinando os efeitos da injecção de antígeno Hu-1 na rejeição de enxerto de pele confirmou ainda mais a conclusão de que este complexo Hu-1 era de facto um transplante antígeno, uma conclusão que com o tempo teria efeitos profundos no processo de transplante.

Nos anos seguintes, Dausset continuou a sua pesquisa no complexo Hu-1. Durante 1966/1967, ele publicou vários outros artigos sobre o assunto, incluindo um artigo resumindo a relevância dos antígenos Hu-1 para oncogénese e transplante, desenvolvimento do uso de plaquetas teste de fixação de complementação para identificar quais antígenos estão presentes, e a descoberta de que Hu-1 é homólogo ao complexo H-2 de camundongo, que também actua na histocompatibilidade.

No final de 1967, ele confirmou, por meio de estudos familiares, que todos os antígenos descobertos eram de facto parte de um único sistema.

Após 1967, Dausset participou em vários outros estudos pertencentes ao complexo (que foi renomeado HLA em 1968), particularmente aqueles que examinavam a base genética para a transmissão dos antígenos, juntamente com a publicação de uma série de outros artigos para os quais ele reivindicou a autoria primária.

Pela sua contribuição para esses estudos, bem como o seu papel final na descoberta desse antígeno crucial, Jean Dausset recebeu o Prémio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1980.

Depois de receber o Prémio Nobel, a pesquisa pessoal de Dausset desacelerou consideravelmente. Ele contribuiu para vários estudos, particularmente alguns relacionados com a genética, mas não publicou nada para o qual reivindicou a autoria primária durante mais de uma década.

Aposentou em 2003, aos 87 anos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

8 DE OUTUBRO - MATT DAMON

EFEMÉRIDE - Matthew “Matt” Paige Damon, actor, guionista, produtor e filantropo norte-americano, nasceu em Cambridge no dia 8 de Outubro de 1970.

A sua carreira foi lançada após o sucesso do filme de drama “Good Will Hunting” (1997), a partir do guião que ele co-escreveu com o amigo e actor Ben Affleck.

A dupla ganhou o Oscar de melhor guião original e o Globo de Ouro de melhor guião pelo seu trabalho.

Pela sua actuação no filme, Damon recebeu nomeações para o Oscar, Globo de Ouro, Satellite Award e o Screen Actors Guild Awards de Melhor Actor.

Damon tem desde então, sido estrela em filmes comercialmente bem-sucedidos como “Saving Private Ryan” (1998), a trilogia do “Ocean”, e quatro filmes da série “Bourne”, ao mesmo tempo, ganhando elogios da crítica pelas suas actuações em dramas, como “Syriana” (2005), “The Good Shepherd” (2006) e “The Departed” (2006).

Recebeu uma nomeação para o Globo de Ouro por interpretar o personagem-título em “The Talented Mr. Ripley” (1999) e foi nomeado para um Oscar de Melhor Actor coadjuvante pelo seu papel em “François Pienaar em Invictus” (2009). Ele é um dos 40 actores de maior bilheteria de todos os tempos.

Em 2007, Damon recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood e foi nomeado «o homem mais sexy vivo» pela revista “People”. Damon tem estado activamente envolvido em trabalhos de caridade, incluindo a ONE Campaign, H2O Africa Foundation e Water.org.

Damon tornou-se conhecido por escolher uma grande variedade de papéis no cinema, a partir da sua interpretação do anti-herói Tom Ripley de Patricia Highsmith em “The Talented Mr. Ripley” (1999) a um anjo caído que discute a cultura popular como assunto de questão intelectual com Affleck em “Dogma” (1999); a partir de uma dupla de gémeos siameses em “Stuck on You” (2003), que teve uma recepção crítica mista, ao filme experimental de baixo orçamento “Gerry” (2002), que co-escreveu com Ben Affleck e Gus Van Sant.

Damon ganhou reacção crítica geralmente positiva pela sua interpretação de Ripley que lhe rendeu nomeação para o Globo de Ouro, com o “Variety” afirmando: «Damon excepcionalmente transmite corrediças do seu personagem a partir de um entusiasmo inocente, frio e calculista».

Matt Damon é filho de Kent Telfer, um corrector da bolsa, e Nancy Carlsson-Paige, uma professora da Universidade de Lesley. O seu pai possui ascendência escocesa e inglesa, enquanto a mãe é de origem finlandesa e sueca. O seu irmão Kyle é um escultor e artista realizado.

Ele e a sua família mudaram-se para Newton, onde viveram dois anos. Após os seus pais se divorciarem, Damon e o seu irmão mudaram-se com a mãe de volta a Cambridge, onde eles viviam numa casa comunal de seis famílias.

Damon cresceu perto do actor Ben Affleck, amigo e colaborador em vários filmes (Damon é o décimo primo de Affleck, uma vez removidos, através de um ancestral comum da Nova Inglaterra). Outro vizinho de Damon era o historiador e autor Howard Zinn, cujo filme biográfico “You Can’t Be Neutral on a Moving Train” e a versão em áudio de “A People’s History of the United States” que ele mais tarde narraria.

Damon começou a actuar muito cedo, em parte porque a sua mãe o criou «rigidamente conforme as regras», o que o fez sentir-se como se «não pudesse definir a si mesmo, porque você já tinha sido definido por ela».

Frequentou a Cambridge Alternative School (hoje, a Graham and Parks) e, em seguida, a Cambridge Rindge and Latin School, onde ele era um aluno disciplinado, mas teve os seus dois primeiros anos «terríveis», devido à sua baixa estatura na época. Enquanto solitário jovem, ele descreveu-se, sentindo «uma dor de querer pertencer a algum lugar e não pertencer».

Damon trabalhou como actor em várias produções teatrais do ensino médio; ele creditou o seu professor de teatro na Rindge and Latin, Gerry Speca, como uma importante influência artística, embora Damon lembrasse que, «o Sr. Speca sempre parecia confiar a Ben Affleck os maiores papéis e longos discursos».

Damon estudou na Universidade Harvard, de 1988 a 1992, mas não se formou. Em Harvard, estudou Inglês e viveu em Matthews Hall e, em seguida, Lowell House. Participou no teatro estudantil, aparecendo em peças como “Burn This in Winthrop House” e “A... My Name is Alice” (em um dos três papéis masculinos geralmente desempenhados por mulheres). Damon saiu da universidade para prosseguir a sua carreira de actor em Los Angeles, porque ele erroneamente esperava que “Geronimo: An American Legend” fosse tornar um grande sucesso. «Até ao momento em que eu descobri que tinha tomado a decisão errada, já era tarde demais. Eu estava vivendo aqui com um grupo de actores, e todos nós estávamos lutando para pagar as despesas», disse ele.

Um grande amigo de Damon é o actor Ben Affleck, tendo-se conhecido quando ainda não eram famosos, o primeiro tinha 10 anos e Affleck tinha 8 na época. Mais tarde, devido à ascensão dos dois na carreira cinematográfica, chegaram a actuar juntos em longas-metragens, sendo que o primeiro filme em que actuaram foi “School Ties” (1992).

O apogeu da qualidade das suas actuações veio no filme “Génio Indomável” (1997), onde actuou e escreveu junto com o amigo Affleck, rendendo um Oscar para a dupla de Melhor Guião Original. A ideia do guião começou na época da faculdade. Damon e Affleck demoraram cinco anos a acabá-lo, a Castle Rock interessou-se em comprar os direitos do filme, mas quem adaptou mesmo o projecto foi a Miramax. Estrelado pela dupla e Robin Williams, rendeu nove nomeações para Oscar. O filme, dirigido por Gus Van Sant, além do prémio de guião garantiu a Robin Williams o Oscar de melhor actor coadjuvante.

Um outro marcante trabalho de Damon foi no filme “O Resgate do Soldado Ryan” de Steven Spielberg em 1998, onde interpretou o soldado James Francis Ryan, paraquedista que teve os seus três irmãos mortos em combate, sendo objecto de um resgate dentro das linhas de combate em França na Segunda guerra mundial.

No filme “Onze Homens e Um Segredo”, Damon actuou ao lado de grandes estrelas de Hollywood como George Clooney, Andy Garcia e Brad Pitt. Como voz off para dobragens, emprestou a sua voz ao personagem Cale no filme “Titan”, narrou o filme “Spirit - Espírito indomável” e participou no filme “Ponyo”.

A partir de 2002, entrou, indiscutivelmente, no estrelato de Hollywood e mundial, precisamente porque nesse ano protagonizou um dos filmes que mais o destacou, tornando-se até um símbolo de Damon. Esse foi “A Identidade Bourne”, filme do best-seller homónimo de Robert Ludlum (1927/2001), rendendo mais duas sequências (que também existiram nas obras literárias de Ludlum): “A supremacia Bourne” (2004) e “O ultimato Bourne” (2007).

Em 2006, outro sucesso foi “Os Infiltrados” (“The Departed”), de Martin Scorsese; filme em que contracena com Jack Nicholson, Leonardo DiCaprio, Mark Wahlberg e Martin Sheen. O filme que venceu 4 Oscars e foi nomeado para 5, tornou-se um sucesso de bilheteria e de críticas. Em Novembro de 2014, Damon confirmou que voltará a interpretar o agente especial Jason Bourne no próximo filme da saga realizado por Paul Greengrass.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

7 DE OUTUBRO - JAYAR DAVIDOV

EFEMÉRIDE - Jayar Davidov, oficial de polícia israelita que era comandante de polícia em Rahat e superintendente-chefe na Polícia de Israel, morreu em Ofakim no dia 7 de Outubro de 2023. Nascera em Bersebá, em 8 de Outubro de 1979.

Davidov foi morto no impasse em Ofakim durante o ataque do Hamas a Israel em 2023.

Davidov iniciou o seu serviço como oficial na Polícia de Fronteira de Israel e, posteriormente, actuou como chefe da delegacia de polícia em Ramat Negev e como oficial de inteligência em Be’er Sheva.

Em 2019, foi nomeado comandante da Unidade Central de Lakhish, uma das três unidades que compõem o Distrito Sul. Dentro do escopo da região estavam as principais organizações criminosas, incluindo numerosas organizações mafiosas originárias da Rússia, Geórgia e do Cáucaso, bem como chefes do crime local em Israel.

Com dezenas de acusações contra criminosos de alto perfil e sua remoção física da região, ele era «o terror do crime organizado em Israel».

Em 2021, a Unidade Central sob o seu comando recebeu uma citação de excelência do Comissário de Polícia. Em Dezembro de 2022, ele assumiu o cargo de chefe de polícia na cidade de Rahat, a única municipalidade em Israel da comunidade beduína com status de cidade.

Em 7 de Outubro de 2023, foi morto junto com três dos seus oficiais num confronto a tiros com militantes palestinos nas proximidades de Ofakim durante o início do conflito Gaza-Israel de Outubro de 2023.

No momento da sua morte, ele estava designado para liderar a fundação de uma nova Unidade Central para todo o Distrito Sul. Davidov detinha então a patente de superintendente-chefe.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

6 DE OUTUBRO - FANNIE LOU HAMER

EFEMÉRIDE - Fannie Lou Hamer, activista por direitos políticos e civis norte-americana, nasceu em Montgomery County, Mississippi, no dia 6 de Outubro de 1917. Morreu em Mound Bayou, em 14 de Março de 1977.

Ela foi fundamental na organização da Freedom Summer do Mississippi, uma campanha para ampliar a participação política de afro-estadunidenses nesse estado marcado pelo racismo na década de 1960 e, mais tarde, tornou-se vice-presidente do Partido Democrático da Liberdade do Mississippi, que representou na Convenção Nacional Democrata de 1964 em Atlantic City, Nova Jersey.

Hamer era a mais nova das vinte crianças de Ella e James Lee Townsend. A sua família moveu-se para o Condado de Sunflower, Mississippi, em 1919, para trabalhar na plantação de W. D. Marlow.

Hamer colheu algodão com a sua família, começando com a idade de 6 anos. Ela frequentou a escola num quarto na plantação, de 1924 a 1930, quando teve de abandonar.

Até aos 13 anos, Hamer colhia 200 a 300 libras de algodão diariamente. Em 1944, depois do proprietário da plantação descobriu que ela era alfabetizada, Hamer foi seleccionada para um cargo de controlo da produção.

Em 1945, casou-se com Perry “Pap” Hamer. Eles trabalharam juntos na plantação, nos 18 anos seguintes.

Durante uma cirurgia para remover um tumor, em 1961, Hamer também foi submetida a uma histerectomia, sem o seu consentimento, por um médico branco como parte do plano do estado do Mississippi para reduzir o número de negros pobres no estado. Hamer é creditada por ter cunhado a frase «apendicectomia do Mississippi» como um eufemismo para a esterilização sem consentimento ou desinformada de mulheres negras, comum no Sul, na década de 1960.

Os Hamers, mais tarde, acolheram duas meninas pobres, que depois decidiram adoptar.

Em 23 de Agosto de 1962, o rev. James Bevel, um organizador do Comité de Coordenação de Estudantes Não-Violentos (SNCC, a sigla em inglês) e um assessor de Martin Luther King Jr., fez um sermão em Ruleville, Mississippi, seguido de um apelo para que as pessoas ali reunidas se inscrevessem para votar. As pessoas negras que se inscreviam para votar no Sul enfrentavam sérias dificuldades naquela época devido ao racismo institucionalizado, incluindo assédio, perda de empregos, espancamentos e linchamentos.

Hamer foi a primeira inscrita. Ela disse mais tarde: «Eu acho que se eu tivesse a compreensão daquilo, eu teria ficado um pouco assustada - mas por que temer? A única coisa que eles podiam fazer era matar-me e parecia que eles o estavam tentando fazer aos poucos desde sempre». Iniciou assim a sua participação no activismo por direitos civis e políticos.

Em 9 de Junho de 1963, Hamer estava a voltar de Charleston, na Carolina do Sul, com outros activistas de um centro de alfabetização. Em Winona, Mississippi, o grupo foi preso por uma acusação falsa e encarcerado.

Uma vez na cadeia, os colegas de Hamer foram espancados pela polícia na sala de interrogatório. Hamer foi então levada para uma cela onde dois prisioneiros foram ordenados, pela polícia, a espancá-la. Na ocasião, ela quase morreu e demorou mais de um mês para recuperar.

No Verão de 1964, o Partido Democrático da Liberdade do Mississippi, ou “Freedom Democrats”, foi organizado com o objectivo de desafiar a delegação toda branca e contra os direitos civis do Mississippi que ia oficialmente à Convenção Nacional Democrata. Hamer foi eleita vice-presidente.

Os esforços dos Freedom Democrats deram destaque nacional para a situação dos negros no Mississippi e representaram um empecilho ao presidente Lyndon B. Johnson, que buscava a indicação do Partido Democrata para a reeleição. O risco era que em outros estados ocorressem rachas por questões raciais. Hamer, cantando hinos em prol dos direitos civis, atraiu muita atenção da imprensa, enfurecendo Johnson, que se referiu a ela ao falar com os seus conselheiros como «essa mulher analfabeta».

Hamer foi convidada, juntamente com outros Freedom Democrats, a dirigir-se à Comissão de Credenciais da Convenção. Ela contou os problemas que teve para obter o título de eleitor e a violência que sofreu na prisão em Winona.

Em Washington, D.C., o presidente Johnson, temeroso do poder do testemunho de Hamer na televisão ao vivo, convocou uma conferência de imprensa de emergência, num esforço para desviar a cobertura da imprensa. As redes de televisão mudaram o foco para a Casa Branca a partir da cobertura do discurso de Hamer, acreditando que Johnson iria anunciar o seu candidato à vice-presidência para a próxima eleição de Novembro. Em vez disso, para a perplexidade dos jornalistas, ele fez uma homenagem a políticos. No entanto, muitas redes de televisão divulgaram o discurso de Hamer sem edição nos seus programas de notícias da tarde.

A Comissão de Credenciais recebeu milhares de chamadas e cartas em apoio aos Freedom Democrats.

Por conta da pressão, Johnson e outros democratas influentes negociaram a participação dos Freedom Democrats como delegados oficiais do partido, representando o seu estado, o que efectivamente ocorreu em 1968. Hamer foi eleita delegada nacional do partido em 1972.

Hamer faleceu de complicações de hipertensão e cancro de mama em Março de 1977, aos 59 anos, no Mound Bayou Community Hospital. Ela foi sepultada na sua cidade natal. Na sua lápide está gravada uma das suas famosas citações: «Eu estou doente e cansada de estar doente e cansada».

No seu velório, realizado numa igreja, estava completamente cheio. Foi realizado um velório complementar numa escola de Ruleville, ao qual compareceram 1 500 pessoas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

5 DE OUTUBRO - RON NYSWANER

EFEMÉRIDE - Ronald “Ron” L. Nyswaner, guionista e realizador de cinema norte-americano, nasceu em Clarksville, Pensilvânia, no dia 5 de Outubro de 1956.

Ele foi nomeado para vários prémios, incluindo um Oscar, um BAFTA e um Primetime Emmy.

É conhecido pelos seus guiões de “Smithereens” (1982), “Filadélfia” (1993), “The Painted Veil” (2006), “Freeheld” (2015) e “My Policeman” (2022).

Ele também é conhecido como escritor e produtor das séries “Showtime Ray Donovan” (2013/2015), “Homeland” (2017/2018) e da série dramática histórica “Fellow Travelers”.

Nascido na Pensilvânia, frequentou mais tarde a Universidade de Pittsburgh e a Universidade Columbia.

Nyswaner escreveu o seu primeiro guião para o filme “Smithereens”, de Susan Seidelman. Depois de outros dois guiões notáveis, ​​para “Swing Shift” e “Mrs. Soffel”, estreou-se na direcção com “The Prince of Pennsylvania” em 1988, um filme com Keanu Reeves e Fred Ward.

Nyswaner, que é abertamente gay e um activista pelos direitos dos homossexuais, trabalhou frequentemente em filmes com temas como a homossexualidade, a homofobia e a AIDS.

Em 1993, ganhou destaque mundial pelo seu guião do filme vencedor do Oscar, “Filadélfia”, dirigido por Jonathan Demme. Isso rendeu-lhe nomeações para o Oscar, o Globo de Ouro e o BAFTA Award.

Depois de vários anos a trabalhar para a televisão, escreveu o guião do filme “The Painted Veil”, de 2006, baseado no romance de W. Somerset Maugham. Recebeu uma nomeação para o Independent Spirit Award e ganhou o Prémio do National Board of Review em 2006.

De 2015 a 2017, foi produtor executivo da série de TV “Showtime Homeland”.

Em 2015, Nyswaner dirigiu o documentário “She’s the Best Thing in It”, com Mary Louise Wilson, que co-produziu junto com Jeffrey Schwarz e Neda Armian.

domingo, 4 de outubro de 2026

4 DE OUTUBRO - ERICH FELLGIEBEL

EFEMÉRIDE - Fritz Erich Fellgiebel, general alemão da Wehrmacht, as forças armadas da Alemanha nazi, nasceu em Pöpelwitz no dia    4 de Outubro de 1886. Morreu em Berlim, em 4 de Setembro de 1944.

Junto com vários outros oficiais do exército, participou na conspiração da resistência alemã para derrubar o ditador Adolf Hitler que culminou no atentado de 20 de Julho, uma tentativa fracassada de assassinar o führer alemão.

Fellgiebel nasceu na Silésia (actualmente parte da Polónia), perto de Breslau. Aos 18 anos, juntou-se ao exército prussiano. Durante a Primeira Guerra Mundial ele serviu como capitão no Estado-maior. Após o conflito, ele continuou servindo no Reichswehr e foi designado para Berlim. Em 1928, ascendeu ao posto de major. Em 1934, já era coronel e, quatro anos mais tarde, general.

Em 1938, foi promovido a oficial de comunicações da Wehrmacht no OKW (o QG das forças armadas). Mesmo com a patente alta, Fellgiebel nunca foi popular dentro do círculo do regime e Hitler não confiava muito nele, porém contava com a sua experiência. Foi Erich o principal defensor do amplo uso da máquina enigma para comunicações por parte do exército. Devido à sua função, ele estava a par dos maiores segredos militares do Terceiro Reich.

Desde antes da Segunda Guerra Mundial, Fellgiebel mantinha contacto com a resistência antinazi devido ao seu relacionamento pessoal com os generais Ludwig Beck e Franz Halder. Em 1938, enquanto o Acordo de Munique estava sendo discutido, Erich deveria ter cortado as comunicações da conferência com Berlim enquanto as tropas do marechal Erwin von Witzleben tomavam a capital, mas nada foi por diante.

Em 1944, tomou parte na Operação Valquíria, um complot de oficiais do exército alemão para derrubar Hitler do poder. Fellgiebel, assim como outros generais, acreditava que o führer estava levando a Alemanha ao abismo. A conspiração e o planeamento levou à execução do chamado atentado de 20 de Julho, quando uma bomba atingiu a sala de conferências de Hitler no Wolfsschanze (a “Toca do Lobo”). Erich Fellgiebel tinha a função de cortar todas as comunicações do quartel-general do líder alemão com o Alto-Comando em Berlim. Ele foi apenas parcialmente bem-sucedido já que não tinha autoridade sobre as linhas de comunicação entre a SS e Joseph Goebbels, ministro da Propaganda e, naquele momento, o de facto braço direito de Hitler.

Quando ficou claro que o atentado havia sido malsucedido e que Hitler estava vivo, ele tentou contactar os conspiradores em Berlim. Na ligação, ele teria dito a sua famosa frase «Etwas schreckliches ist passiert! Der Führer lebt!» («Algo terrível aconteceu! O Führer vive!»). O fracasso no atentado rapidamente se reverteu em desastre total, com os principais líderes da resistência antinazi sendo presos em Berlim. Fellgiebel foi também preso quase que imediatamente ainda na Toca do Lobo. Ele foi levado a julgamento diante da Volksgerichtshof (“Corte do Povo”). Em 10 de Agosto de 1944, o juiz da SS Roland Freisler considerou-o culpado de traição e o sentenciou à morte. Ele foi executado na prisão de Plötzensee, em Berlim, em 4 de Setembro.

sábado, 3 de outubro de 2026

3 DE OUTUBRO - GUSTAV WAGNER

EFEMÉRIDE - Gustav Franz Wagner, oficial austríaco da SS nazi, morreu em   São Paulo no dia 3 de Outubro de 1980. Nascera em Viena, em 18 de Julho de 1911.

Gustav tornou-se notado pelos crimes que cometeu enquanto servia como segurança no comando do campo de concentração de Sobibór e por diversas acções durante a Operação Reinhardt, onde mais de 200 mil pessoas foram mortas.

Era chamado «a besta» pelos sobreviventes do Holocausto com quem teve contacto e ficou conhecido entre os prisioneiros judeus pelo seu sadismo.

Wagner nasceu na cidade de Viena, capital do Império Austro-Húngaro. Ele juntou-se ao Partido Nazi em 1931 como membro número 443 217. Após ser preso por agitação política, fugiu para a Alemanha, onde se alistou na Sturmabteilung (SA) e depois na Schutzstaffel (SS) no final dos anos 1930.

Em 1940, trabalhou no programa de eutanásia Aktion T4, em Hartheim, desempenhando funções administrativas. Pelo seu trabalho, acabou sendo transferido para o campo de concentração de Sobibor, em Março de 1942. Logo ascendeu ao posto de subcomandante, sob a liderança do capitão Franz Stangl.

Gustav cuidava da burocracia do processo de selecção da chegada dos prisioneiros ao campo de Sobibor, seleccionando aqueles que seriam enviados para trabalho forçado e os que seriam enviados para as câmaras de gás. Mais do que qualquer outro oficial em Sobibor, Wagner interagia directamente com os prisioneiros. Ele supervisionava o dia a dia e a rotina dos aprisionados e logo ganhou reconhecimento como um dos oficiais mais brutais da SS local. Sobreviventes do campo descreviam-no como um sádico de sangue frio.

Moshe Bahir, um dos prisioneiros que sobreviveu à guerra, descreveu Gustav Wagner como uma «besta selvagem» e com uma sede para matar, não fazendo distinção entre homens, mulheres e crianças. Erich Bauer, um oficial alemão da SS, disse que ouviu, numa conversa entre Karl Frenzel, Franz Stangl e Gustav Wagner, que o total de prisioneiros judeus mortos nas câmaras de gás em Sobibor tinha sido de 350 mil. Segundo Bauer, os três expressaram pesar com o facto de que o total de pessoas assassinadas em Sobibor havia sido menor do que em Bełżec e Treblinka.

Durante o encerramento de Sobibor, em Outubro de 1943, Gustav supervisionou a destruição do campo feita por um grupo de prisioneiros. Uma vez que o trabalho foi completado, Gustav matou todos os trabalhadores remanescentes.

Segundo Heinrich Himmler, Gustav Wagner foi um dos melhores oficiais ao serviço da Operação Reinhardt. Em 1944, foi transferido para Itália, onde supervisionou o transporte de milhares de judeus locais para campos de concentração.

Em 1945, com a queda do Terceiro Reich, Gustav tornou-se um fugitivo procurado, junto com outros oficiais nazis.

Foi julgado em absentia, sendo condenado à morte por crimes contra a humanidade. Contudo, ele fugiu, junto com Franz Stangl, para o Brasil.

Gustav conseguiu escapar graças ao Collegio Teutonico di Santa Maria dell’Anima, um grupo de clérigos conectados com o Vaticano que ajudavam nazis fugitivos a emigrar para fora da Europa.

Gustav recebeu um visto de permanência e um passaporte, sob o nome de “Günther Mendel”, do governo brasileiro.

Ele viveu vários anos sem ser incomodado até ser exposto por Simon Wiesenthal, um caçador de nazis e sobrevivente do Holocausto, com o auxílio do jornalista brasileiro Mário Chimanovitch.

As autoridades brasileiras prenderam-no em 30 de Maio de 1978 e a sua identidade foi verificada por um outro sobrevivente do Holocausto, Stanislaw Szmajner.

Os governos de Israel, Áustria, Polónia e Alemanha Ocidental exigiram a extradição de Wagner, mas o procurador-geral brasileiro, Henrique Fonseca de Araújo, acatou apenas o pedido alemão com condições. Henrique Fonseca é pai do antigo ministro de Relações Exteriores do Brasil, o ex-chanceler Ernesto Araújo.

Em Junho de 1979, o Supremo Tribunal Federal rejeitou os pedidos de extradição por maioria, existindo votos favoráveis à extradição de Wagner para a Alemanha pelos ministros Xavier de Albuquerque e Cordeiro Guerra.

Em 1979, numa entrevista para a BBC, Gustav Wagner não expressou nenhum remorso pelos seus crimes, afirmando que trabalhar nos campos de concentração era «apenas mais um trabalho».

Em 3 de Outubro de 1980, Gustav Wagner foi encontrado morto com uma faca cravada no peito, em São Paulo. De acordo com o seu advogado, Wagner cometeu suicídio. Alguns, contudo, acreditam que ele foi assassinado. Muitos pensaram que foi o próprio Stanislaw Szmajner, mas o mesmo estava em Goiás junto com a esposa sem sair da cidade. De acordo com Argemiro Godoi, que foi a última pessoa que o encontrou vivo, Wagner estava completamente paranóico com uma faca na mão com impressão que os judeus estavam chegando ali e foi encontrado morto sozinho no banheiro, por Argemiro e a sua esposa, onde havia furos causados pela mesma faca que Wagner estava a usar. Comprovando assim que a morte de Gustav Franz Wagner foi por suicídio.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

2 DE OUTUBRO - GABRIEL MACCHI

EFEMÉRIDE - Gabriel Maximiliano Macchi, atleta paralímpico português que compete na categoria T12, nasceu em Buenos Aires no dia 2 de Outubro de 1975.

Gabriel Macchi começou a praticar o atletismo aos catorze anos, para acompanhar o pai que era um competidor da maratona.

Quando jovem, foi diagnosticado com glaucoma juvenil e a sua visão piorou progressivamente na sua vida adulta.

Começou a competir nas corridas de fundo em 2006 e, devido à sua deficiência visual, foi classificado como um atleta da classe T12.

Devido aos bons resultados conquistados nas competições, foi escolhido para representar Portugal no Campeonato do Mundo de Atletismo Paralímpico, realizado em Assen, nos Países Baixos, no ano de 2006, onde competiu nas corridas dos 5 000 e 10 000 metros, tendo terminado em sétimo lugar.

Em 2008, participou dos Jogos Paralímpicos em Pequim, na China, onde competiu nos 10 000 metros, mas não conseguiu finalizar a prova, e também competiu na maratona T11/12, onde terminou na décima quarta posição.

No Campeonato Mundial de Atletismo Paraolímpico de 2011, realizado em Christchurch, na Nova Zelândia, competiu na maratona, mas não conseguiu finalizar a corrida.

No Campeonato Europeu de Atletismo Paralímpico de 2012 em Stadskanaal, nos Países Baixos, conquistou uma medalha de bronze nos 5 000 metros, sendo a sua primeira medalha internacional.

Nos Jogos Paralímpicos de 2012 em Londres, no Reino Unido, competiu na maratona T12, tendo alcançado o sexto lugar.

No Campeonato do Mundo de Atletismo Paralímpico de 2013, realizado em Lyon, França, conquistou a medalha de bronze na maratona T12.

Competiu na maratona T12 dos Jogos Paralímpicos de 2016, realizados no Rio de Janeiro, Brasil.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

1 DE OUTUBRO - PETRA KELLY

EFEMÉRIDE - Petra Karin Kelly, política do Aliança 90/Os Verdes da Alemanha e activista ecofeminista, morreu en Bonn, no dia 1 de Outubro de 1992. Nascera em Günzburg, em   29 de Novembro de 1947.  

Foi fundamental na fundação do Partido Verde Alemão, o primeiro partido verde a ganhar destaque nacionalmente na Alemanha e no mundo.

Kelly nasceu na Baviera, então Alemanha Ocupada - Zona Americana de Ocupação, Alemanha), em 1947, como Petra Karin Lehmann. Teve o seu nome mudado para Kelly depois que sua mãe se casou com John E. Kelly, um oficial do Exército dos EUA. Foi educada num convento católico romano em Günzburg e depois frequentou a escola na Geórgia e Virgínia, quando a sua família se mudou em 1959 para os Estados Unidos, onde viveu e estudou até ao seu retorno à Alemanha Ocidental em 1970. Ela manteve a sua cidadania alemã (ocidental) por toda a vida.

Era admiradora de Martin Luther King Jr e fez campanha para Robert F. Kennedy e Hubert Humphrey nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, 1968.

Estudou Ciências Políticas na Escola de Serviço Internacional da Universidade Americana (Washington, DC), onde se formou em 1970. Ela se formou também no Instituto Europeu da Universidade de Amsterdão em 1971.

Enquanto trabalhava na Comissão Europeia (em Bruxelas, de 1971 a 1983), participou em numerosas campanhas de paz e ambientais na Alemanha e noutros países.

Depois de trabalhar por dois anos na Comissão Europeia, mudou para um cargo administrativo no Comité Económico e Social, onde defendeu os direitos das mulheres.

Em 12 de Maio de 1983, Kelly, Gert Bastian e três outros membros do Bundestag Verde desdobraram um banner na Alexanderplatz em Berlim Oriental, que dizia: «Os Verdes - Swords to Ploughshares». Depois de serem presos, eles se encontraram com partidos da oposição da Alemanha Oriental. As autoridades da Alemanha Oriental toleraram isso desde que os Verdes da Alemanha Ocidental repudiaram a Decisão Dupla da NATO.

Em Outubro de 1983, Erich Honecker, o líder da República Democrática Alemã, conheceu Petra Kelly, Gert Bastian e outros Verdes. Kelly usava uma camisola com as palavras «Swords to Ploughshares» nela. Ela exigiu a libertação de todos os prisioneiros do movimento de paz da Alemanha Oriental e perguntou a Honecker porque ele reprimiu algo na RDA que ele apoiou no Ocidente.

Em 1984, Kelly escreveu o livro “Fighting for Hope”, publicado pela South End Press. O livro é um apelo urgente por um mundo livre de violência entre o Norte e o Sul, homens e mulheres, nós mesmos e o nosso meio ambiente.

Nos últimos anos da sua vida, Kelly tornou-se cada vez mais distante da maioria de seus colegas de partido devido à virada pragmática assumida pelos Verdes na época, enquanto ela continuava a se opor a qualquer aliança com partidos políticos tradicionais.

Em 19 de Outubro de 1992, os corpos decompostos de Kelly e do seu parceiro, ex-general e político verde Gert Bastian (nascido em 1923), foram descobertos no quarto de sua casa em Bonn por policiais que receberam telefonemas da esposa de Bastian e da avó de Kelly, que relataram que não terem ouvido falar de Bastian ou Kelly durante algumas semanas. A polícia determinou que Kelly foi morta a tiros por Bastian enquanto dormia, o qual então se matou. Ela tinha 44 anos, ele 69. A última vez que alguém ouviu falar do casal foi em 30 de Setembro de 1992, quando Kelly enviou um pacote para a sua avó. A polícia estimou que as mortes provavelmente ocorreram em 1 de Outubro, mas a hora exacta da morte não pôde ser identificada devido ao atraso na localização dos corpos e seu estado de decomposição. Kelly foi sepultada no Waldfriedhof em Würzburg, nas proximidades de Heidingsfeld na Baixa Francónia, Bavaria.

Em 1982, Petra recebera Prémio Nobel Alternativo; em 2006, ficou em 45º lugar na lista britânica de cientistas, activistas, escritores, economistas e naturalistas que, no seu ponto de vista, fizeram o máximo para salvar o planeta.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

30 DE SETEMBRO - EHUD OLMERT

EFEMÉRIDE - Ehud Olmert, político de Israel, nasceu em Binyamina, no dia 30 de Setembro de 1945.

Foi primeiro-ministro do seu país de 4 de Janeiro de 2006 a 31 de Março de 2009, cargo que assumiu depois do derrame cerebral do primeiro-ministro Ariel Sharon. Foi também o ministro das Finanças, ministro da Indústria, do Comércio e do Trabalho, além de ministro responsável para a administração das terras de Israel. Anteriormente, fora prefeito da cidade de Jerusalém; foi membro do partido centrista Kadima.

Em 30 de Julho de 2008, envolvido em casos de corrupção, anunciou que não disputaria as eleições primárias do seu partido.

Em 21 de Setembro de 2008, anunciou a sua demissão, após a eleição de Tzipi Livni, ministra das Relações Exteriores, como líder do Kadima. Entretanto, continuaria a exercer formalmente o seu cargo até as eleições de Fevereiro de 2009.

Considerado um político centrista ou moderado, em Dezembro de 2008 Olmert comparou a violência usada por colonos judeus contra palestinos em Hebrom à perseguição aos judeus na Europa nos séculos XIX e XX, os chamados pogroms e declarou sentir-se envergonhado.

Em 27 de Dezembro, duas semanas após esta declaração, Israel iniciou um devastador ataque à Faixa de Gaza, em represália ao lançamento de foguetes disparados constantemente pelo Hamas contra Israel. A operação resultou em cerca de 1,3 mil mortos e mais de 5 mil feridos, além da destruição de áreas urbanas e da infra-estruturas do território palestino.

Nascido na época do Mandato Britânico na Palestina (futuro Estado de Israel), numa família de imigrantes judeus da China, Ehud Olmert formou-se na Universidade Hebraica de Jerusalém em Psicologia, Filosofia e Direito. Exerceu a profissão de advogado com sucesso em Israel.

Olmert foi eleito pela primeira vez como deputado do Knesset, o parlamento israelita, em 1973, com vinte e oito anos de idade e foi reeleito sete vezes consecutivas. Serviu como ministro sem pasta responsável pelos assuntos relativos às minorias (1988/1990) e como ministro da Saúde (1990/1992). Entre os anos de 1981 e 1988, foi membro do Comité de Negócios Estrangeiros e da Segurança e serviu também nos Comités das Finanças, da Instrução e do Orçamento da Defesa.

Entre 1993 a 2003, Ehud Olmert cumpriu dois mandatos como presidente da Câmara de Jerusalém, durante os quais se empenhou na iniciação e no avanço de projectos de grande importância na cidade, nomeadamente o desenvolvimento e a melhoria do sistema de instrução e o desenvolvimento das infra-estruturas rodoviárias. Lançou também o desenvolvimento do sistema ferroviário ligeiro em Jerusalém e o investimento de milhões dos shekels no desenvolvimento de opções de transporte público para a cidade.

Foi eleito como membro do décimo sexto Knesset, em Janeiro de 2003. Foi cabeça da campanha eleitoral do partido Likud nas eleições legislativas, e subsequentemente foi o principal negociador do acordo de coligação. Depois das eleições, foi apontado como o vice-primeiro-ministro e ministro da Indústria, do Comércio e do Trabalho. Em 2003/2004, acumulou o cargo com o de ministro das Comunicações.

Em 7 de Agosto de 2005, Olmert foi empossado como ministro de Finanças, substituindo Benjamin Netanyahu, que tinha renunciado ao cargo em protesto contra o Plano de retirada unilateral de Israel. Olmert, que se opôs inicialmente a qualquer retirada das terras ocupadas na Guerra dos Seis Dias, e que votou contra os Acordos de Paz de Camp David em 1978, passou a apoiar a retirada de Gaza. Ele votou contra Menachem Begin disse Olmert após a sua nomeação.

«Eu disse a ele que era um erro histórico, quão perigoso seria, e assim por diante. Agora lamento que ele não esteja vivo para que eu possa reconhecer publicamente a sua sabedoria e o meu erro. Ele estava certo e eu estava errado. Graças a Deus que nos retirámos do Sinai».

Foi o primeiro chefe de governo israelita a admitir implicitamente que Israel possui armas nucleares, durante uma entrevista à televisão alemã, em 12 de Dezembro de 2006.

Envolvido em seis processos de corrupção ou fraudes, em 4 de Dezembro de 2008 livrou-se da acusação de tráfico de influência, por falta de provas, no caso da venda da participação do Estado no Banco Leumi a um grupo financeiro. No entanto, ainda pesariam sobre ele acusações de fraude e superfaturamento, à época em que era prefeito de Jerusalém e, depois, ministro do Comércio e de Indústria. Nessas circunstâncias, Olmert anunciou que não disputaria a reeleição como líder do partido e que renunciaria ao cargo de primeiro-ministro imediatamente depois que um novo líder do Kadima fosse escolhido.

Em 17 de Setembro de 2008, Tzipi Livni foi eleita para sucedê-lo na liderança do Kadima, após superar Shaul Mofaz por uma pequena margem de votos. Em 18 de Setembro de 2008, Olmert foi substituído por Livni na liderança do Kadima. Livni tentou formar um novo governo, sem sucesso, e assim, novas eleições foram marcadas para Fevereiro de 2009.

Em 20 de Fevereiro de 2009, o presidente de Israel, Shimon Peres, escolheu Benjamin Netanyahu para ser o novo primeiro-ministro e pediu-lhe que, até Março de 2009, formasse um governo de coalizão - dado que não houve propriamente um vencedor nas eleições. Netanyahu deve suceder Olmert como primeiro-ministro, logo que o governo seja formado.

Ehud Olmert foi condenado, em Setembro de 2012, a uma pena de prisão suspensa por abuso de confiança.

Em Maio de 2014, foi condenado a seis anos de prisão por corrupção no âmbito de um escândalo imobiliário quando era presidente da câmara de Jerusalém (1993/2003).

Em Março de 2015, um tribunal de Jerusalém declarou o antigo primeiro-ministro culpado de corrupção, num caso em que era acusado de receber envelopes com dinheiro de um empresário norte-americano.

Em Maio de 2015, foi condenado por um tribunal de Jerusalém a oito meses de prisão pelo crime de corrupção agravada.

Ehud Olmert é filho do ex-membro da Knesset Mordechai Olmert do partido de direita Herut. É casado com a artista e assistente social Aliza Olmert e tem quatro filhos. Uma filha (Dana Olmert) é lésbica assumida e docente de Letras na Universidade de Telavive e um dos seus filhos pertence ao movimento pacifista Yesh Gvul.

Em 29 de Outubro de 2007 anunciou que sofria de um cancro da próstata, mas continuaria a desempenhar as suas funções governativas. 

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