Notabilizou-se
pelas suas obras de trama histórico, por vezes de pendor marcadamente
nacionalista.
Na
vertente dramática, escreveu peças de grande rigor construtivo, tendo na
vertente da comédia de costumes criado figuras que, pela sua crueza, provocaram
estranheza junto do público mais conservador. A sua obra caracteriza-se por uma
escrita marcadamente poética, de grande originalidade, onde perpassa um
conteúdo ideológico e de crítica social de grande coerência.
Frequentou
o Colégio Militar entre 1901 e 1907 onde lhe deram a alcunha (Selvagem)
que mais tarde veio a incorporar no pseudónimo literário que adoptou.
Formou-se
em Cavalaria pela Escola do Exército e participou no Niassa e no
norte de Moçambique na frente africana da Primeira Guerra Mundial.
Chegou a major.
Foi
grande amigo e politicamente sempre muito próximo do capitão Henrique Galvão,
com quem partilhou a autoria da obra “Império Ultramarino Português:
Monografia do Império, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade”, 1950/1953
(4 vols.).
Henrique
Galvão, apesar de ser então deputado à Assembleia Nacional, foi o seu
defensor no julgamento da tentativa de golpe da Junta de Libertação Nacional
(10 de Abril de 1947), também conhecida por Abrilada. Quando em Janeiro
de 1961, Henrique Galvão liderou o assalto ao paquete Santa Maria,
chamou-lhe Operação Dulcineia, do título de uma peça de teatro de Carlos
Selvagem (“Dulcineia ou a última aventura de D. Quixote”, Lisboa: Editorial
Aviz, 1943).
Entre
as obras de que foi autor mereceram particular destaque os contos infantis “Picapau
- Bonecos Falantes”, a obra historiográfica e didáctica “Portugal
Militar” e o romance “A Espada de Fogo”.
As
peças de teatro “Entre Giestas” (1915), “Ninho de Águias” (1920),
“Telmo, o Aventureiro” e, sobretudo, “Dulcineia ou a última aventura
de D. Quixote”, tiveram grande sucesso junto do público sendo consideradas
entre as mais representativas da dramaturgia portuguesa do século XX.
Encontra-se
colaboração da sua autoria nas revistas “Homens Livres” (1923) e “Ilustração”
iniciada ema 1926. Foi distinguido com o Prémio Gil Vicente.
Foi
escolhido em concurso público para escrever o compêndio a utilizar nas escolas
militares, tendo produzido para esse fim a obra “Portugal Militar. Compêndio
de História Militar e Naval de Portugal desde as Origens do Estado Portucalense
até ao fim da Dinastia de Bragança”, publicada em 1931, corrigida e anotada
pelo autor em 1936 e reeditada em 2006. Todas as edições pela Imprensa
Nacional.
O
seu nome perdura na toponímia portuguesa, em nomes de arruamentos.
Foi
agraciado com os seguintes graus das Ordens honoríficas portuguesas: cavaleiro
da Ordem Militar de Cristo (28 de Junho de 1919), oficial da Ordem
Militar de Avis (5 de Outubro de 1926), comendador da Ordem Militar de
Sant’Iago da Espada (4 de Março de 1941), comendador da Ordem Militar de
Avis (4 de Fevereiro de 1943) e grande-oficial da Ordem Militar de Avis
(25 de Janeiro de 1947).
