Defendeu
em 1870 uns Estados Unidos da Europa, temendo que Portugal fosse
absorvido pela vizinha Espanha. Foi membro destacado do Partido Histórico
e da Maçonaria. Exerceu as funções de deputado, de bibliotecário-mor da Biblioteca
Nacional de Lisboa (1886) e de ministro da Marinha e Ultramar na
primeira fase do governo extrapartidário de João Crisóstomo de Abreu e Sousa.
António
Enes era filho de Guilherme José Enes e de sua mulher Joana da Cruz de Orta,
filha do 1º Visconde de Orta. Fez os seus primeiros estudos no colégio dos Lazaristas.
Depois de uma passagem pelo ensino liceal, ingressou no Curso Superior de
Letras, que completou com distinção em 1868.
Cedo
demonstrou dotes de jornalista e polemista, bem como dramaturgo e romancista, e
sendo membro do Partido Histórico, e apoiante político do duque de
Loulé, fez parte da redacção da “Gazeta do Povo” e foi pouco depois
nomeado director de “O País”, jornal afecto àquela corrente política. Na
sequência do pacto da Granja, e da consequente fusão do Partido
Reformista com o Partido Histórico, o jornal “O País”
transformou-se no órgão oficioso do novo Partido Progressista e mudou o
seu nome para “O Progresso”, ficando António Enes como redactor
principal. Foi fundador de “O Dia”, periódico de que foi director
político e redactor principal. Foi, ainda jornalista na “Gazeta do Comércio”
e no “Correio da Noite”.
Em
1876, foi feito Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. Em 1880, foi eleito
deputado, mas as câmaras foram dissolvidas. Em 1886, foi nomeado
bibliotecário-mor da Biblioteca Nacional de Lisboa, sendo novamente
eleito deputado para a legislatura de 1884/1887, tendo sido sucessivamente
reeleito para as de 1887/1889 e 1890/1891.
Logo
após o ultimato britânico de 1890, António Enes foi nomeado Ministro da
Marinha e Ultramar (de 14 de Outubro de 1890 a 25 de Maio de 1891), no
governo presidido pelo general João Crisóstomo de Abreu e Sousa, tendo
desempenhado esse cargo num período de grande pressão política sobre as
questões ultramarinas face à onde nacionalista que varreu Portugal em
consequência da ofensa britânica. António Enes, de forma laboriosa, conseguiu
manter os necessários equilíbrios internos e externos, tendo organizado uma
expedição militar a Moçambique, para fazer face à crescente proximidade entre
Gungunhana e os interesses britânicos, e intervindo energicamente nas colónias
de São Tomé e Príncipe, Guiné Portuguesa e Bié. Foi sucedido no cargo por Júlio
de Vilhena.
Em
1891, e novamente em 1894, foi nomeado Comissário Régio em Moçambique,
onde deu provas de grande saber e competência, deixando o seu nome ligado a
notáveis obras e feitos naquele território, sendo também o principal
organizador da expedição de Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque contra o Império
de Gaza.
Em
1896, foi nomeado ministro de Portugal no Brasil. Foi ainda feito Conselheiro
de Sua Majestade Fidelíssima.
Presidiu
ainda ao comité que dirigiu os trabalhos do 5.º Congresso da Imprensa,
que reuniu em Lisboa no ano de 1898. Ainda na área jornalística colaborou nas
revistas “Brasil-Portugal” (1899/1914) e “Serões” (1901/1911) e
no singular periódico “Lisboa creche: jornal miniatura” (1884).
Casou
em 1899 com a actriz Emília dos Anjos, mas não deixou geração.
Faleceu
aos 52 anos, sendo sepultado em jazigo, no Cemitério dos Prazeres.
Em
14 de Julho de 1932, foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem
do Império Colonial.
O
seu nome foi atribuído a ruas de diversas localidades portuguesas, entre as
quais Lisboa, Faro e Porto.
A
cidade moçambicana Angoche chamava-se António Enes durante a época colonial.
Do
mesmo modo, a Avenida Julius Nyerere, em Maputo, chamava-se Avenida António
Enes até 1975.
Foi
impressa uma série de notas de 1$00, 2$50, 5$00, 10$00, 20$00, 50$00, 100$00,
500$00 e 1.000$00 de Moçambique com a sua imagem.
