terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

11 DE FEVEREIRO - ELSA BESKOW



EFEMÉRIDEElsa (Maartman) Beskow, autora sueca de livros infantis, cuja obra continua a ser extremamente popular na actualidade, com livros continuamente reeditados, nasceu em Estocolmo no dia 11 de Fevereiro de 1874. Morreu em Djursholm, em 30 de Junho de 1953.
Estudou Educação Artística em Estocolmo, na Faculdade de Arte, Artesanato e Desenho, que se chamava então Tekniska Skolan. Casou-se em 1893, tendo tido seis filhos, um dos quais foi pintor.
Além de escrever, Elsa ilustrava igualmente os seus livros com belas aguarelas, tendo ilustrado também cartilhas e cancioneiros para as escolas suecas.
Elsa Beskow, a mais conhecida das escritoras suecas de literatura infantil, aliava a sua intenção de educar à sua capacidade extraordinária de ver o mundo pelos olhos das crianças. Muitos dos seus contos relatam aventuras idílicas passadas na Natureza e acontecimentos místicos com duendes e outras figuras imaginárias. As crianças são apresentadas sempre como seres bondosos, ordeiros e corajosos. O mundo encantado desta escritora continua vivo e apelativo, com muitos dos seus livros a serem considerados verdadeiros clássicos do género.  

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

NOBRE VAGABUNDO - Daniela Mercury


RESTAURANTE VIRTUAL


10 DE FEVEREIRO - VANESSA GONÇALVES



EFEMÉRIDEVanessa Andrea Gonçalves Gómez, modelo venezuelana, vencedora do Concurso Miss Venezuela 2011, nasceu em Caracas no dia 10 de Fevereiro de 1986.
A família de Vanessa é originária de Portugal. O pai é um comerciante oriundo do Funchal e a mãe é filha de portugueses de Tábua.
Estudou no Colégio San Luís de El Cafetal. Posteriormente, cursou Medicina Dentária na Universidade Santa Maria, licenciando-se em Odontologia Estética.
Após ter sido eleita Miss Venezuela, competiu no concurso Miss Universo 2011, realizado em São Paulo, no Brasil, tendo sido uma das semifinalistas. Vanessa, além do espanhol, fala fluentemente português.  
Tem sido apresentadora de televisão, nomeadamente de um programa de “câmara oculta” chamado “Tas Pillao”, realizado pela TV venezuelana.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

9 DE FEVEREIRO - AMY LOWELL



EFEMÉRIDEAmy Lawrence Lowell, poetisa norte-americana, nasceu em Brookline, Massachusetts, no dia 9 de Fevereiro de 1874. Morreu na mesma localidade em 12 de Maio de 1925 
Nunca frequentou a universidade porque a família achava que isso não era próprio de uma mulher. Amy compensou esta lacuna com a sua avidez pela leitura, o que a levou mesmo a coleccionar livros de uma maneira quase obsessiva. Viajou também muito.
Em 1902, voltou-se para a poesia depois de ter ouvido Eleonora Duse, quando de uma das suas viagens pela Europa. O seu primeiro livro foi uma recolha de poemas. Dois anos mais tarde, publicou “A Dome of Many-Coloured Glass ”.
Conheceu o escritor Ezra Pound em Inglaterra, para onde viajara com uma amiga. Ele veio a ter uma grande influência sobre Amy, tornando-se um dos seus principais críticos.  
Participou no Movimento Imagista. Poemas seus foram publicados na primeira antologia imagista, tendo assumido mesmo uma certa liderança na difusão internacional deste movimento a partir de 1915, ano em que foi viver para Londres. Foi homenageada com a criação do Prémio Amy Lowell Poetry Travelling Scholarship, que tem por finalidade divulgar a poesia dos EUA noutros países.
Entre as suas obras, encontram-se igualmente vários estudos críticos sobre literatura francesa e a biografia de John Keats, pelo qual tinha um verdadeiro fetichismo.
Amy Lowell tinha uma figura imponente, fumava charutos constantemente (dizendo que duravam mais do que os cigarros) e teve algumas relações lésbicas. Morreu aos 51 anos, vítima de hemorragia cerebral. No ano seguinte, foi-lhe atribuído – a título póstumo – o Prémio Pulitzer de Poesia.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

8 DE FEVEREIRO - D. AFONSO IV DE PORTUGAL



EFEMÉRIDED. Afonso IV, cognominado o “Bravo”, sétimo rei de Portugal, nasceu em Coimbra no dia 8 de Fevereiro de 1291. Morreu em Lisboa, em 28 de Maio de 1357.
Apesar de ser o único filho legítimo de seu pai, D. Afonso não era o favorito de D. Dinis, que preferia a companhia de D. Afonso Sanches, um dos seus filhos bastardos (legitimado). Esta preferência deu lugar a uma rivalidade entre os dois irmãos que, frequentemente, levava a confrontos armados. Em 1325, D. Afonso IV tornou-se rei e, como primeira decisão, exilou Afonso Sanches para Castela, retirando-lhe simultaneamente todas as terras, títulos e feudos concedidos pelo pai de ambos. O exilado não se conformou e, do outro lado da fronteira, orquestrou uma série de manobras políticas e militares com o fim de se tornar ele próprio rei. Depois de várias tentativas de invasão falhadas, os dois irmãos acabaram por assinar um tratado de paz.
Em Outubro de 1340, tropas portuguesas participaram na Batalha do Salado contra os mouros, que se saldou por uma grande vitória. Em 1347, ocorreu um sismo que abalou sobretudo Coimbra, tendo causado enormes prejuízos. Em 1348, a peste negra – vinda da Europa – assolou o país. De todos os problemas, foi a peste o mais grave, vitimando mais de metade da população e causando grande desordem no reino. O rei reagiu prontamente, tendo promulgado legislação a reprimir a mendicidade e a ociosidade.
A última parte do reinado de D. Afonso IV foi marcada por intrigas políticas e conflitos internos, em grande parte devidos à presença em solo português de refugiados da guerra civil entre D. Pedro I de Castela e o seu meio-irmão D. Henrique da Trastámara. Entre os exilados, contavam-se vários nobres habituados ao poder, que cedo criaram a sua própria facção dentro da Corte portuguesa. Quando Inês de Castro se tornou amante do príncipe herdeiro D. Pedro, os nobres castelhanos cresceram em poder e favor real.
D. Afonso IV não ficou agradado com o favoritismo concedido aos castelhanos e procurou várias formas de afastar D. Inês do seu filho. Sem sucesso, porque D. Pedro assumiu tanto a relação com a castelhana como os filhos ilegítimos que dela teve, acrescentando – em 1349 – a recusa de se casar com outra mulher. Com o passar dos anos, D. Afonso IV perdeu o controlo da situação e a facção castelhana e D. Inês aumentaram o seu poder, enquanto o único filho legítimo de D. Pedro, o futuro rei D. Fernando, crescia como uma criança doente. Preocupado com a vida do único neto que reconhecia e com o acréscimo de poder estrangeiro dentro de fronteiras, D. Afonso IV ordenou a morte de D. Inês de Castro em 1355. Ao contrário do que esperava, o filho não se aproximou de si, antes pelo contrário. Perdendo a cabeça, D. Pedro entrou em guerra aberta contra o pai e saqueou a região do Entre-Douro-e-Minho. A reconciliação aconteceu apenas em 1357, entregando o rei ao príncipe grande parte do poder. D. Afonso IV morreu pouco tempo depois.
Como rei, D. Afonso IV é lembrado como um comandante militar corajoso, daí o cognome de “Bravo”. A sua maior contribuição, a nível económico e administrativo, foi a importância dada ao desenvolvimento da marinha portuguesa. Subsidiou a construção de uma marinha mercante e financiou as primeiras viagens de exploração Atlântica. As Ilhas Canárias foram descobertas durante o seu reinado.

O ASSALTO AOS REFORMADOS

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

MALEITAS...


AZNAVOUR - OLYMPIA 1968


7 DE FEVEREIRO - SHERIDAN LE FANU



EFEMÉRIDE – Joseph Thomas Sheridan Le Fanu, escritor irlandês de contos góticos e romances de mistério, morreu em Dublin no dia 7 de Fevereiro de 1873. Nascera na mesma cidade em 28 de Agosto de 1814. Foi o primeiro escritor de histórias de terror do século XIX e teve grande influência sobre o desenvolvimento deste género de literatura na era vitoriana.
Nasceu numa família de literatos de origem huguenote, antigo nome dado aos protestantes franceses de obediência calvinista, durante as guerras de religiões. Ingressou no Trinity College em 1833, para estudar Direito, tendo-se destacado como bom aluno.
Começou a publicar contos curtos no “Dublin University Magazine” em 1838. Foi igualmente jornalista no “Dublin Evening Mail”, um dos mais importantes jornais de Dublin. Exerceu a profissão de advogado a partir de 1839. Em 1840, passou a ser director e proprietário do jornal “The Warden”.
Em 1844, casou-se com Susanna Benett, com quem teve quatro filhos. O casamento passou por tempos economicamente difíceis e Susanna faleceu em 1858 por causas desconhecidas. Le Fanu culpou-se a si próprio pela morte da esposa e passou muito tempo afastado da vida pública. Até 1861, não publicou qualquer obra. Depois, passou a dedicar-se exclusivamente a romances fantásticos.
Em 1861, adquiriu o “Dublin University Magazine”, onde vinha a publicar as suas histórias que, mais tarde, eram reunidas em livros. Em 1863, publicou o romance “A Casa perto do cemitério”. No ano seguinte, publicou – no seu magazine – sob a forma de folhetim, o romance que é considerado a sua obra-prima : “Uncle Silas”. Esta obra foi mesmo adaptada ao teatro e representada no Shaftesbury Theatre em Londres.
Em 1869, vendeu o “Dublin University Magazine”, tendo abandonado a sua direcção em 1872.  Neste mesmo ano, publicou a sua recolha de novelas mais célebre: “In a Glass Darkly
Quando faleceu, estava a redigir aquele que seria o seu último livro, com um título bem premonitório: “Pronto para Morrer”...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

6 DE FEVEREIRO - UGO FOSCOLO



EFEMÉRIDE – Niccolò (Ugo) Foscolo, escritor italiano, um dos principais do Neoclassicismo e do Pré-Romantismo, nasceu em Zante, Ilhas Jónicas, no dia 6 de Fevereiro de 1778. Morreu em Turnham Green, Londres, em 10 de Setembro de 1827.
Filho de um médico veneziano e de uma grega, fez os primeiros estudos no Seminário do Arcebispado de Split. Em 1792, quando da morte do pai, a família instalou-se em Veneza e Niccolò completou os estudos na Universidade de Pádua, onde aperfeiçoou os seus conhecimentos de grego antigo e moderno, de latim, de filosofia e dos escritores italianos e estrangeiros. Em 1795, por razões mal conhecidas, mudou o seu nome próprio para Ugo, talvez uma homenagem a Ugo di Basseville, um republicano francês assassinado em Roma (1793).
Com a chegada dos franceses e sob a influência das ideias jacobinas, dedicou-se à política e tornou-se suspeito aos olhos das autoridades venezianas. Em 1797, publicou uma tragédia cheia de fervor liberal, “Tieste”, que lhe trouxe algum sucesso.
Participou activamente nas discussões que se seguiram à queda da República Veneziana (Maio de 1797) e dedicou uma ode a Napoleão Bonaparte, esperando que ele pusesse fim à oligarquia de Veneza e criasse uma verdadeira república livre. O Tratado de Campo Formio (Outubro de 1797), pelo qual Napoleão deu Veneza aos Austríacos, foi um choque para Ugo Foscolo, mas não destruiu totalmente as suas esperanças.
Em 1798, instalou-se em Bolonha, onde colaborou num jornal fundado pelo seu irmão Giovanni. Começou a redigir o romance epistolar “Ultime lettere di Jacopo Ortis”, uma história inspirada em factos reais.
Continuando persuadido que o seu país seria libertado por Napoleão, alistou-se na guarda nacional. Participou nas batalhas de Marengo e de Trebbia e no cerco de Génova, onde foi ferido e feito prisioneiro. Foi neste período que modificou a sua ode a Napoleão, exortando-o a não se transformar num tirano e evocando a unidade italiana, herdeira do Império romano.
Os anos que se seguiram foram de intensa actividade literária. Participou também na elaboração de um relatório que propunha a Napoleão um modelo de governo para uma Itália unificada.
Em 1804, como capitão de infantaria, foi para Valenciennes. Voltou a Milão em 1806 e, no ano seguinte, publicou “Dei sepolcri”. Obteve a cadeira de Eloquência na Universidade de Pavia. O seu discurso inaugural, em Janeiro de 1809, em que propôs aos seus jovens compatriotas para considerarem a literatura numa perspectiva nacionalista, não agradou a Napoleão. Por decreto, todas as cadeiras de Eloquência foram suprimidas em Itália.
Em Dezembro de 1811, a sua tragédia “Ajax” foi representada no Scala de Milão, sendo de imediato proibida pela censura, em virtude das suas alusões a Napoleão. Em Agosto de 1812, instalou-se na Toscânia, onde frequentou o Cenáculo da Condessa de Albany, compôs uma outra tragédia (“Ricciarda”), escreveu uma ode e terminou a sua tradução da “Viagem Sentimental” de Sterne.
Em Dezembro de 1813, depois da derrota de Napoleão em Leipzig, voltou a Milão, retomando o seu lugar no exército para defender o Reino de Itália. A chegada dos austríacos fez com que ele perdesse a esperança numa Itália independente. A obrigação de servir o novo regime levou-o a deixar Itália, em Março de 1815.
Partiu para a Suíça, onde publicou em 1816 “Ipercalisse”. As autoridades austríacas insistiam entretanto na sua extradição e Ugo partiu então para Londres, em Setembro de 1816, graças à ajuda do embaixador britânico em Berna. Em Inglaterra, foi muito bem acolhido, consagrando-se à literatura e ao jornalismo. Escreveu alguns ensaios sobre os sonetos de Petrarca.
Problemas financeiros levaram à sua detenção por dívidas em 1824. Quando foi libertado, teve de usar vários nomes para escapar aos credores. Doente, provavelmente tuberculoso, morreu aos 49 anos. Os seus restos mortais só foram trasladados para Florença em 1871, sendo então organizado um funeral nacional que o deixou na Basílica de Santa Cruz, o panteão italiano que ele tinha celebrizado em “Dei Sepolcri” e onde repousam igualmente Maquiavel, Miguel Ângelo e Galileu.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

5 DE FEVEREIRO - OSÓRIO DUQUE-ESTRADA


EFEMÉRIDE – Joaquim Osório Duque-Estrada, poeta, crítico literário, professor e ensaísta brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 5 de Fevereiro de 1927. Nascera em Vassouras no dia 29 de Abril de 1870. Matriculou-se em 1882 no Colégio Pedro II, onde recebeu o grau de bacharel em Letras, em Dezembro de 1888.
O seu primeiro livro, um livro de poemas, foi “Alvéolos” (publicado em 1886, com 16 anos de idade), mas o que lhe deu nome foi a autoria da letra do Hino Nacional Brasileiro e a sua actividade como crítico literário na imprensa brasileira do início do século XX.
Começou a colaborar na imprensa em 1887, escrevendo os seus primeiros ensaios. Em 1889, foi para São Paulo, a fim de se matricular na Faculdade de Direito, entrando nesse mesmo ano para a redacção do “Diário Mercantil”. Abandonou o curso de Direito em 1891, para se dedicar à diplomacia, tendo permanecido um ano no Paraguai.
Regressado ao Brasil, deixou a carreira diplomática, fixando residência em Minas Gerais, de 1893 a 1896. Nos anos de 1896, 1899 e 1900, foi sucessivamente inspector geral do ensino, bibliotecário do Estado do Rio de Janeiro e professor de Francês do Ginásio de Petrópolis, cargo que exerceu até voltar para o Rio de Janeiro em 1902. Foi nomeado regente interino da cadeira de História Geral do Brasil, no Colégio Pedro II.
Deixou o magistério em 1905, voltando a colaborar na imprensa, em quase todos os diários do Rio de Janeiro. Entrou para a redacção do “Correio da Manhã” em 1910, dirigindo-o mesmo durante algum tempo. Foi nesse período que criou a secção de crítica “Registo Literário”, mantida de 1914 a 1917 no “Correio da Manhã”, de 1915 a 1917 no “Imparcial” e de 1921 a 1924 no “Jornal do Brasil”. Uma boa parte dos seus trabalhos dessa época foi reunida em “Crítica e Polémica” (1924). Era membro da Academia Brasileira de Letras desde 1915.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

4 DE FEVEREIRO - HENRIQUE GALVÃO



EFEMÉRIDEHenrique Carlos da Mata Galvão, capitão do exército e escritor português, nasceu no Barreiro em 4 de Fevereiro de 1895. Morreu em São Paulo, Brasil, no dia 25 de Junho de 1970. Ficou mundialmente conhecido, em 1961, por ter organizado e comandado o assalto ao paquete “Santa Maria”, numa tentativa de provocar uma crise política contra o regime de Salazar.
Henrique Galvão desde cedo seguiu a carreira militar, tendo sido um dos apoiantes de Sidónio Pais. Foi administrador do concelho de Montemor-o-Novo e participou na Revolução de 28 de Maio de 1926, começando por ser um fervoroso salazarista.
Foi comissário geral da Exposição Colonial Portuguesa, realizada no Porto em 1934. Nesse mesmo ano, foi nomeado primeiro director da Emissora Nacional e, em 1 de Agosto, recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo. Mais tarde, esteve em África, onde organizou acções de propaganda. Foi governador de Huíla, em Angola. Por essa época, escreveu uma série de livros notáveis sobre a vida nas colónias portuguesas em África, sob o ponto de vista antropológico e zoológico.
No início da década de 1950, desiludiu-se com o regime de Salazar e começou a conspirar juntamente com outros militares, mas acabou por ser descoberto, preso e expulso do exército. Em 1959, aproveitando uma ida ao Hospital de Santa Maria, fugiu e refugiou-se na embaixada da Argentina, tendo conseguido depois asilo político na Venezuela.
Foi durante o exílio que começou a preparar aquela que seria a sua acção mais espectacular – o desvio do paquete português “Santa Maria”, cheio de passageiros, a que deu o nome de “Operação Dulcineia”. Coordenou esta acção com Humberto Delgado, que estava exilado no Brasil.
O navio escolhido tinha deixado Lisboa em 9 de Janeiro de 1961, para uma viagem regular até Miami. Galvão embarcou clandestinamente no navio, em Curaçao. A bordo, já se encontravam os 20 elementos da Direcção Revolucionária Ibérica de Libertação, grupo que assumiria a responsabilidade pelo assalto. O navio levava 612 passageiros (muitos dos quais norte-americanos) e 350 tripulantes. A operação começou na madrugada de 22 de Janeiro, com a ocupação da ponte de comando. Um dos oficiais de bordo ofereceu resistência e foi morto a tiro. Os restantes renderam-se. O paquete mudou de rumo e partiu em direcção a África. Henrique Galvão queria dirigir-se à ilha de Fernando Pó, no golfo da Guiné, e a partir daí atacar Luanda, que seria o ponto de partida para o derrube dos governos ditatoriais de Lisboa e de Madrid. Um plano megalómano, digno de D. Quixote e condenado ao fracasso. No entanto, chamaria a atenção do mundo para a ditadura salazarista.
As coisas começaram a complicar-se quando o navio foi avistado por um cargueiro dinamarquês, que avisou a guarda costeira americana. Daí até à chegada dos navios de guerra foi um ápice. Vendo que tudo estava perdido, Henrique Galvão decidiu rumar para o Recife e render-se às autoridades brasileiras, pedindo asilo político, que lhe foi concedido.
Galvão morreu no Brasil nove anos depois, com a doença de Alzheimer. Em Novembro de 1991, foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

3 DE FEVEREIRO - JOSÉ VITORIANO



EFEMÉRIDEJosé Rodrigues Vitoriano, destacado resistente antifascista e militante comunista, morreu em Silves no dia 3 de Fevereiro de 2006. Nascera em 1918.
Corticeiro de profissão, chegou à liderança do Sindicato dos Operários Corticeiros do Distrito de Faro em 1945, ocupando o cargo até 1948. Aderiu, ainda jovem, ao Partido Comunista Português (1941), tendo-se tornado seu funcionário dez anos mais tarde. Entrou para o Comité Central em 1967, depois de ter passado por vários cargos. Saiu da direcção do partido em 2000.
Antes da Revolução dos Cravos (1974), foi preso duas vezes pela polícia política (PIDE), tendo passado muitos anos na prisão. Foi detido a primeira vez em 1948, sendo libertado em Maio de 1950 e passando seguidamente à clandestinidade. Na segunda passagem pela cadeia, após nova detenção em Janeiro de 1953, foi condenado a quatro anos de prisão, mas só foi libertado em Agosto de 1966, voltando à vida clandestina.
Já após o 25 de Abril, foi eleito deputado à Assembleia da República, onde esteve entre 1977 e 1987, sendo seu vice-presidente até 1984. Faleceu aos 88 anos de idade, após uma doença prolongada.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

2 DE FEVEREIRO - DANIIL HARMS



EFEMÉRIDEDaniil Harms, de seu verdadeiro nome Daniil Iouvatchev, escritor satírico do começo da era soviética, considerado um precursor do absurdo, praticante da linguagem dos cubistas futuristas, morreu em Leninegrado no dia 2 de Fevereiro de 1942. Nascera em São Petersburgo, em 30 de Dezembro de 1905. Usou também os pseudónimos Kharms, Horms, Charms e Chardam.
O mundo de Harms era imprevisível e desordenado, os seus personagens repetiam sem fim as mesmas acções ou então comportavam-se de forma irracional. Escreveu histórias lineares que, depois de começarem a desenrolar-se normalmente, eram brutalmente interrompidas por incidentes inesperados.
Os seus trabalhos eram, no entanto, mais profundos do que poderiam parecer e devem ser colocados no contexto da Associação para a Arte Real, uma corrente literária e filosófica do modernismo russo de que ele foi um dos fundadores.
Acusado de actividades anti-soviéticas, foi exilado em Kursk em 1931. Voltou a ser detido durante o cerco de Leninegrado em 1941 e internado num asilo psiquiátrico, onde morreu aos 36 anos.
Considerado um inimigo do regime estalinista, o essencial da sua obra foi divulgado clandestinamente. Foi reabilitado em 1956 mas, durante muito tempo, só as suas poesias para crianças foram publicadas na URSS e isto unicamente a partir de 1962. A sua obra é actualmente apreciada na Rússia, tendo sido traduzida em francês, alemão, inglês, italiano, checo, polaco e sueco.

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muitas mais...