quinta-feira, 16 de agosto de 2018

16 DE AGOSTO - EÇA DE QUEIROZ


EFEMÉRIDE - José Maria de Eça de Queiroz, um dos mais importantes escritores portugueses de sempre, morreu em Neuilly-sur-Seine (França) no dia 16 de Agosto de 1900. Nascera na Póvoa de Varzim em 25 de Novembro de 1845. Foi autor de romances de reconhecida importância, como “Os Maias” e “O Crime do Padre Amaro” (o primeiro é considerado, por muitos, o melhor romance realista português do século XIX.
Foi educado por uma ama e, depois, internado no Colégio da Lapa, no Porto, de onde saiu em 1861, com dezasseis anos. Estudou Direito na Universidade de Coimbra.
Em Coimbra, foi amigo de Antero de Quental e conheceu Teófilo de Braga, entre outros intelectuais. Os seus primeiros trabalhos, publicados na revista “Gazeta de Portugal”, foram depois coligidos em livro, que foi publicado postumamente com o título “Prosas Bárbaras”. Eça veraneava na Póvoa de Varzim, enquanto esteve matriculado na Universidade de Coimbra.
Em 1866, terminada a licenciatura, passou a viver em Lisboa, exercendo a advocacia e o jornalismo. Foi director do periódico “O Distrito de Évora” e colaborou em publicações periódicas como a “Renascença” (1878/1879), “A Imprensa” (1885/1891) e “Ribaltas e gambiarras” (1881). Colaborou ocasionalmente noutros jornais e revistas durante toda a vida. Fundou também a “Revista de Portugal”.
Eça de Queiroz fez uma viagem de seis semanas ao Oriente (de Outubro de 1869 a Janeiro de 1870), em companhia de D. Luís de Castro, 5º conde de Resende, irmão da sua futura esposa, Emília de Castro, tendo assistido no Egipto à inauguração do canal do Suez. Visitaram, igualmente, a Palestina. Aproveitou as notas de viagem para alguns dos seus trabalhos, o mais notável dos quais foi o “O Mistério da Estrada de Sintra”, em 1870, e “A Relíquia”, publicado em 1887. Em 1871, foi um dos participantes das chamadas Conferências do Casino.
Em 1870, ingressou na Administração Pública, sendo nomeado administrador do concelho de Leiria. Foi enquanto permaneceu nesta cidade, que Eça de Queiroz escreveu o seu primeiro romance realista, “O Crime do Padre Amaro”, publicada em 1875.
Tendo ingressado na carreira diplomática em 1873, foi nomeado cônsul de Portugal em Havana. Os anos mais produtivos da sua carreira literária foram passados em Inglaterra, entre 1874 e 1878, durante os quais exerceu o cargo em Newcastle e Bristol. Escreveu então alguns dos seus trabalhos mais importantes. Manteve a sua actividade jornalística, publicando esporadicamente no “Diário de Notícias”, em Lisboa, a rubrica “Cartas de Inglaterra”. Mais tarde, em 1888, seria nomeado cônsul em Paris. Antes, estivera em França para visitar o escritor Émile Zola. 
O seu último livro foi “A Ilustre Casa de Ramires”, sobre um fidalgo do século XIX com problemas para se reconciliar com a grandeza da sua linhagem.
Aos 40 anos, casou com Emília de Castro, tendo tido 4 filhos. Morreu, vítima de tuberculose, em Agosto de 1900, na sua casa de Neuilly-sur-Seine, perto de Paris. Teve funeral de Estado e foi sepultado no Cemitério dos Prazeres em Lisboa. Mais tarde, foi transladado para o Cemitério de Santa Cruz do Douro, em Baião.
Foi também autor da “Correspondência de Fradique Mendes” e de “A Capital”, cuja elaboração foi concluída por um filho e publicada, postumamente, em 1925. As suas obras foram traduzidas em cerca de vinte línguas.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

15 DE AGOSTO - BERNARDO GUIMARÃES


EFEMÉRIDE - Bernardo Joaquim da Silva Guimarães, romancista e poeta brasileiro, nasceu em Ouro Preto no dia 15 de Agosto de 1825. Morreu na mesma localidade em 10 de Março de 1884.  É o patrono da cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Letras.
Formou-se na Faculdade de Direito de São Paulo em 1851. Nesta cidade, tornou-se amigo dos poetas Álvares de Azevedo e Aureliano Lessa. Os três e outros estudantes fundaram a Sociedade Epicureia.
Na época em que participou na criação da Sociedade Epicureia, Bernardo Guimarães teria introduzido no Brasil o bestialógico (ou pantagruélico), género de poesia cujos versos não tinham nenhum sentido, embora bem metrificados. Usando do burlesco, do satírico e do nonsense, esta poesia fez de Bernardo Guimarães um precursor brasileiro do surrealismo.
A maior parte dessa poesia não foi publicada, porque era considerada pornográfica e perdeu-se. Para alguns críticos, como Haroldo de Campos, o melhor do escritor seria o bestialógico. Um exemplo dessa produção (não-pornográfica) é o soneto “Eu Vi dos Pólos o Gigante Alado”.
O seu livro mais conhecido é “A Escrava Isaura”. Foi publicado pela primeira vez em 1875. Conta as agruras de uma bela escrava branca, que vivia numa fazenda na região norte do Estado do Rio de Janeiro.
O romance foi levado à televisão pela Rede Globo em 1976 e 1977 e pela Rede Record em 2004. A versão da Globo foi exportada para cerca de 150 países. Na China, protagonizada por Lucélia Santos, a “Escrava Isaura” foi vista por milhões de telespectadores. Uma edição do livro, neste país, teve pelo menos uma tiragem de 300 mil exemplares.
O livro de Bernardo Guimarães mais bem aceite pela crítica foi “O seminarista”, cuja primeira edição é de 1872. Permanece actual porque questiona o celibato dos padres. Conta a história de um fazendeiro de Minas Gerais que obriga o filho a ser padre. O filho, porém, ama desde criança Margarida, filha de uma agregada da fazenda. Ele tenta abandonar o Seminário de Congonhas em Minas Gerais, mas o pai inventa que Margarida se casou. É ordenado padre e quase endoidece no dia em que volta à sua cidade, para rezar a primeira missa e se depara, na igreja, com um cadáver, o de Margarida, que tinha estado muito doente.
Duas das suas poesias mais conhecidas são consideradas eróticas, embora não sejam do período bestialógico. Trata-se de “O Elixir do Pajé” e “A Origem do Mênstruo”. Ambas foram publicadas clandestinamente em 1875.
Em 1852, tornou-se juiz municipal e de órfãos em Catalão (Goiás). Exerceu o cargo até 1854. Em 1858, mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1859, trabalhou como jornalista e crítico literário no jornal “Atualidade”, do Rio de Janeiro. Em 1861, reassumiu o cargo de juiz municipal e de órfãos de Catalão. Foi quando, ao ocupar interinamente o juizado de direito, Bernardo Guimarães convocou uma sessão extraordinária do júri, que libertou 11 réus porque «a cadeia não estava em condições de albergá-los». Em 1864, voltou para o Rio de Janeiro. Em 1866, foi nomeado professor de Retórica e Poética no Liceu Mineiro de Ouro Preto. Em 1867, casou-se. Em 1873, leccionou Latim e Francês em Queluz (Minas Gerais). Em 1881, foi homenageado pelo imperador Dom Pedro II. Morreu pobre, em Março de 1884.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

14 DE AGOSTO - BERTOLT BRECHT


EFEMÉRIDE - Eugen Bertolt Friedrich Brecht, dramaturgo, poeta, director e encenador de teatro alemão, morreu em Berlim Leste no dia 14 de Agosto de 1956. Nascera em Augsburg, em 10 de Fevereiro de 1898. Os seus trabalhos artísticos e teóricos influenciaram profundamente o teatro contemporâneo, tornando-o mundialmente conhecido a partir das apresentações da sua companhia, o Berliner Ensemble, realizadas em Paris durante os anos 1954/1955.
No final dos anos 1920, Brecht tornara-se marxista, vivendo o intenso período das mobilizações da República de Weimar e desenvolvendo o seu teatro épico. A sua praxis é uma síntese das experiências teatrais de Erwin Piscator e Vsevolod Emilevitch Meyerhold, dos conceitos do formalista russo Viktor Chklovski, do teatro chinês e do teatro experimental da Rússia soviética, entre os anos 1917/1926. O seu trabalho como artista concentrou-se na crítica artística ao desenvolvimento das relações humanas no sistema capitalista.
Brecht nasceu no Estado Livre da Baviera, no extremo sul da Alemanha, estudou medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique, durante a Primeira Guerra Mundial. Era filho de Berthold Brecht, dirigente de uma fábrica de papel, católico, exigente e autoritário, e de Sophie Brezing, protestante, que fez o seu filho ser baptizado nesta igreja.
As suas primeiras peças, “Baal” (1918/1926) e “Tambores na Noite” (1918/1920), foram encenadas na vizinha Munique. Na sua participação teatral, Brecht conheceu o director de teatro e cinema Erich Engel, com quem veio a trabalhar até o fim da vida.
Depois da I Grande Guerra, mudou-se para Berlim, onde o influente crítico Herbert Ihering lhe chamou a atenção para a apetência do público pelo teatro moderno. Trabalhou inicialmente com Erwin Piscator, famoso pelas suas cenas Piscator, como eram chamadas, cheias de projecções de filmes, cartazes, etc. Em Berlim, a peça “Im Dickicht der Städte”, protagonizada por Fritz Kortner e dirigida por Engel, tornou-se o seu primeiro sucesso.
O nazismo afirmava-se como a força renovadora que iria reerguer o país, pretendendo reviver o Sacro Império Romano-Germânico. Simultaneamente, chegavam à Alemanha influências da recém-formada União Soviética.
Com a eleição de Hitler, em 1933, os seus livros foram queimados em autos-de-fé. Brecht exilou-se primeiro na Áustria, depois na Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Inglaterra, Rússia e - finalmente - nos Estados Unidos (1941). Considerado apátrida desde 1935, ano em que o regime nazi lhe retirou a nacionalidade alemã, naturalizou-se austríaco em 1950.
Trabalhou em Hollywood, tendo escrito o guião do filme antinazi “Os carrascos também morrem”, que seria realizado por Fritz Lang em 1943. Instalou-se na RDA (República Democrática Alemã) em 1949.
Os seus textos e montagens fizeram-no ser conhecido mundialmente. Brecht é um dos escritores fundamentais do século: revolucionou a teoria e a prática da dramaturgia e da encenação, mudou completamente a função e o sentido social do teatro, usando-o como arma de consciencialização e politização.
Algumas das suas obras principais: “Um Homem é um Homem”, em que cresce a ideia do homem como um ser transformável; “Mãe Coragem e Seus Filhos”, sobre a Guerra dos Trinta Anos, escrita no exílio, no começo da Segunda Guerra Mundial; e “A Vida de Galileu”. Afirma Bernard Dort, a respeito desta última: «Esta obra foi escrita, pelo menos originalmente, para servir de exemplo e de conselho aos sábios alemães tentados a abdicar do seu saber nas mãos dos chefes nazis». 
Escreveu também “O Senhor Puntila e o seu criado Matti”, “A Resistível Ascensão de Arturo Ui”, “O Círculo de Giz Caucasiano”, “A Boa Alma de Setzuan”, “A Santa Joana dos matadouros” e “A Ópera dos Três Vinténs”.
Não é simples falar sobre o conceito que Brecht tinha do teatro, apesar de - ao longo de 30 anos - ter escrito ensaios e comentários sobre este tema.
Além de dramaturgo e director, Brecht foi responsável por aprofundar o método de interpretação do teatro épico, uma das grandes teorias de interpretação do século XX. Uma das maiores influências no desenvolvimento desta forma de interpretação foi a arte do actor Mei Lan-Fang, que Brecht acompanhou numa representação em Moscovo em 1935.
Tendo-se tornado, entretanto, uma figura quase-oficial do regime da RDA, foi proposto para o Prémio Estaline Internacional para a Paz em 1954, prémio que recebeu em Moscovo n ano seguinte. Faleceu em 1956, vítima de enfarte.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

13 DE AGOSTO - CARIDAD BRAVO ADAMS


EFEMÉRIDE - Caridad Bravo Adams, escritora mexicana, morreu na Cidade do México em 13 de Agosto de 1990. Nascera em Villahermosa, Tabasco, no dia 14 de Janeiro de 1908.
Filha de jovens actores cubanos imigrados, Caridad dedicou a sua vida à criação de histórias dramáticas para radionovelas, telenovelas e filmes. As suas histórias têm sido adaptadas para a televisão, em toda a América Latina.
Era irmã do também actor Leo Bravo, que foi um dos pilares da televisão venezuelana. Aos 16 anos, Caridad escreveu o seu primeiro livro de poemas intitulado “Pétalos Sueltos,” seguido por outros igualmente de poesia.
Na década de 1930, residiu na Cidade do México, dedicando-se ao jornalismo e à representação.  Em 1936, decidiu ir a Cuba, onde escreveu a famosa radionovela “Yo no creo en los hombres”, a sua primeira peça melodramática.
É autora de mais de uma dúzia de romances históricos sobre a independência de Cuba. Decidiu voltar para o México, onde escreveu romances como “La Mentira”, “Corazón salvaje”, “Bodas de ódio” e “Paraíso Maldito”, sendo uma das mais prolíficas escritoras da América Latina.
Passou os seus últimos dias em La Casa del Actor, na Cidade do México, falecendo de causas naturais.
Após a sua morte, a Editorial Diana publicou compilações das suas histórias para a televisão. Caridad Bravo escreveu numerosos livros que - ainda hoje - são aproveitados para argumentos de telenovelas.

domingo, 12 de agosto de 2018

12 DE AGOSTO - TEREZA DE ARRIAGA


EFEMÉRIDE - Tereza de Arriaga, pintora portuguesa, morreu em Oeiras no dia 12 de Agosto de 2013. Nascera em Lisboa, em 5 de Fevereiro de 1915.
Com um percurso discreto e não linear, iniciou-se nas artes plásticas sob a motivação do neo-realismo, nos anos 1940, tendo evoluído então para trabalhos abstractizantes de carácter geométrico. Todavia, só a partir do final dos anos 1950/60 é que a sua obra ganha mais consistência. Mantendo a sensibilidade social como traço da sua expressão plástica, evoluiu para uma exploração aprofundada da cor e das linhas, inspirando-se numa poética da relação humana ao mistério dos elementos naturais. As suas obras são assinadas simplesmente com “Tereza Arriaga” ou “Tarriaga”.
Sendo neta de Manuel de Arriaga, primeiro presidente da República Portuguesa, Tereza, cujo nome completo era Maria Thereza d'Almeida Pinheiro d' Arriaga, nasceu no Palácio de Belém, pois o seu pai, Roque Manuel de Arriaga, era na altura secretário pessoal do presidente e vivia com a família numa parte arrendada do palácio. Cedo teve de abandonar esta morada, pois em 14 de Maio de 1915 deu-se uma revolução que pôs fim ao mandato presidencial, tendo Tereza Arriaga andado então debaixo de balas. Com três anos, ficou órfã da mãe, que morreu de gripe pneumónica aos 27 anos de idade.
Foi educada num meio cultural privilegiado e politicamente esclarecido, onde preponderavam as ideias republicanas, que lhe suscitaram desde cedo a compreensão dos problemas sociais. Passou a infância no Monte Estoril, onde recebeu, tal como os seus irmãos, a primeira instrução dada pelo pai, embora este a sujeitasse a outras experiências educativas que passavam, nomeadamente, por uma preceptora inglesa e pelo internato no Colégio da Pena, em Sintra, de pendor religioso. Como estas experiências não tiveram os resultados desejados, a família voltou para Lisboa e Tereza foi finalmente para uma escola, o Colégio Inglês, particular e de orientação severa, onde conclui a instrução primária já tardiamente.
Apesar do republicanismo do pai, a sua educação tendeu para o que era o ideal burguês da época: saber ler e escrever, tocar piano e aprender francês. Esta educação atrasou o seu percurso artístico e académico. Tendo tentado seguir o estudo de piano, foi no desenho que, já no fim da adolescência, investiu fortemente por mote próprio, decidindo preparar-se para a Escola de Belas Artes. Entretanto, frequentou o atelier de pintura de Raquel Roque Gameiro, filha do grande aguarelista Roque Gameiro, que logo abandonou por conselho da própria, pois o que lá se aprendia e pintava não a satisfaziam minimamente.
Frequentou então um curso nocturno na Sociedade Nacional de Belas-Artes, onde era a única mulher. Nesta escola, teve como professor Frederico Aires, que lhe emprestava bustos de gesso do seu atelier para Tereza treinar o desenho.
Com a sua dedicação e ambição, no ano seguinte, conseguiu entrar para a Escola de Belas Artes para frequentar o curso de Pintura, «num tempo em que eram raras as mulheres que abraçavam de um modo profissional a carreira artística». É lá que conhece o estudante e futuro pintor Jorge de Oliveira, que reencontra mais tarde em Leiria e com quem veio a casar.
No final do 3º ano, resolveu ir trabalhar e interrompeu o curso. Foi então leccionar Desenho para a Escola Industrial de Marinha Grande, uma cidade-oficina do vidro situada em pleno Pinhal de Leiria, na região centro do País, onde residiu entre 1944 e 1945. Esta escola estava situada no perímetro da antiga Fábrica Nacional dos Vidros, a maior fábrica de vidro do País, mais tarde designada Fábrica-Escola Irmãos Stephens, fundada em 1769 por William Stephens (e onde hoje está instalado o Museu do Vidro). Para além da actividade de ensino, onde procurou implementar métodos de pedagogia pela arte, contactou directamente com a realidade operária e desenhou uma série de esboços, “Meninos operários”, uma grande parte deles em papel de embrulho. Nesta série, retratou sobretudo os gestos e os rostos cansados e enrugados pela desidratação, das crianças que trabalhavam nas fábricas de vidro.
Em 1952, concluiu o curso de Pintura com uma tese (uma pintura a óleo de grandes dimensões) nomeada “Vidreiros” e baseada na experiência da Marinha Grande, que se encontra em poder da actual Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Entre 1944 e 1985, foi professora de Desenho em várias escolas, incluindo a Escola de Artes Decorativas António Arroio.
Dedicando-se com empenho quer à maternidade (é mãe pela única vez em 1948), quer à profissão, e devido à sua discrição, a carreira de pintora vai durante anos ficar para segundo plano, diferentemente do marido, cuja obra desde cedo se tornou uma referência na história da arte portuguesa, tendo participado nos movimentos emergentes do neo-realismo e do surrealismo, e sido um dos pioneiros do abstracto-geometrismo em Portugal.
A pulsão criativa esteve sempre presente e, mesmo na ausência de um trabalho sistemático, fez inúmeros esboços e projectos, muitos deles em simples bilhetes de eléctrico ou em papelinhos de telefone, que mais tarde viriam a traduzir-se em apontamentos desenvolvidos. Neste longo período, dedicou-se também à aguarela, explorando o seu potencial técnico na elaboração de projectos para telas a óleo, que viria a usar para a grande maioria dos seus trabalhos, pois como a própria pintora dizia, «o óleo é como cavar a terra». A aguarela permite uma maior liberdade e rapidez no momento da criação conceptual. Sendo também uma desenhadora exímia, nos anos 1950 e 60 dedicou-se principalmente ao Retrato. É desta época, 1951 e 1952, a pintura em atmosfera geométrica. Colaborou ainda, em 1966 e 1967, com a Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, expondo nas exposições de final de curso.
Mas foi só a partir de finais dos anos 1960 que Tereza Arriaga começou a dedicar-se com mais disciplina e assiduidade à pintura, adoptando o estilo que, evoluindo na continuidade, manteve até ao fim.
Ainda na Marinha Grande, sensibilizada pela terrível realidade que testemunhara, e motivada pela conjuntura (final da II Guerra Mundial e desenvolvimento de actividades políticas anti-regime de Salazar), vem a desenvolver uma série de iniciativas de âmbito cultural-político, designadamente através de clubes e associações operárias, conferências temáticas sobre os direitos das mulheres, a música ou a história, levando à vila industrial intelectuais e artistas de Lisboa como Fernando Lopes Graça, Maria Isabel Aboim Inglês ou o historiador Flausino Torres.
Envolveu-se (anos 1940/50) numa participação política antifascista que a levou a ser detida pela PIDE e encarcerada na prisão de Caxias durante 110 dias. Esta prisão viria a trazer-lhe inúmeros problemas profissionais.
Apesar dos inúmeros esboços (como, por exemplo, a série de carvões sobre os meninos operários, de pendor neo-realista) e criações pontuais mais elaboradas, foi só a partir de 1967 que Tereza de Arriaga se entregou com maior consistência e profissionalismo à pintura.
A sua obra está representada na colecção do Museu do Chiado e em diversas colecções institucionais e particulares, nacionais e estrangeiras.

sábado, 11 de agosto de 2018

11 DE AGOSTO - MÁRIO TAVARES CHICÓ


EFEMÉRIDE - Mário Tavares Chicó, historiador de arte e professor universitário português, morreu em Lisboa no 11 de Agosto de 1966. Nascera em Beja, em 18 de Maio de 1905. De origem indo-portuguesa paterna e materna, a sua mãe era goesa católica.
Em 1929, participou activamente no movimento associativo estudantil, sendo 2º secretário da Assembleia Geral da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, integrando uma lista que voltaria a ser eleita no ano lectivo seguinte.
Mário Tavares Chicó tem uma rua com o seu nome em Évora e outra em Lisboa.
Entre as suas obras, salientam-se: “Arquitectura da Idade Média em Portugal”, “Mosteiro da Batalha” (dois estudos), “A Catedral de Évora na Idade Média” (1946), “Arquitectura Gótica em Portugal” (1954), “A escultura decorativa e a talha dourada nas igrejas da Índia Portuguesa” (1954) e “Alguma Observações acerca da Arquitectura da Companhia de Jesus no Distrito de Goa” (1956).

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

10 DE AGOSTO - REPÓRTER X


EFEMÉRIDE - Repórter X, de seu verdadeiro nome Reinaldo Ferreira, repórter, jornalista, dramaturgo e realizador de cinema português, nasceu em Lisboa no dia 10 de Agosto de 1897. Morreu na mesma cidade em 4 de Outubro de 1935.
Em 1917, com dezanove anos, arrepiou os lisboetas com um crime, tão tenebroso quanto inexistente, na Rua Saraiva de Carvalho, que metia malfeitores encapuçados, um presumível cadáver e um vilão, apropriadamente designado como o homem dos olhos tortos. A história veio a lume n’ “O Século”, em forma de cartas enviadas «por um desconhecido», que assinava Gil Goes. A coisa atingiu tais proporções que o jornal achou prudente revelar o embuste. Mas o folhetim, finalmente assumido como ficção, prosseguiu até ao seu desenlace e não tardou a transformar-se em livro - “O Mistério da Rua Saraiva de Carvalho”, que José Leitão de Barros tentou mesmo adaptar ao cinema com o título “O Homem dos Olhos Tortos”. A Cinemateca Nacional conserva ainda mil metros de película rodados para este abortado projecto.
Escassos meses após ter encerrado as aventuras de Gil Goes, Reinaldo Ferreira publicou em “A Manhã” (Março de 1918), um “inquérito à mendicidade”. Fez-se fotografar mal barbeado e andrajoso, de mão estendida, e o público convenceu-se de que o repórter fizera, de facto, vida de mendigo. Mas, salvo o retrato, era tudo inventado, incluindo os 47 centavos que lhe teria rendido esta incursão na indigência.
Nesse mesmo ano, voltou à carga em “O Século” com o suposto assassinato de uma estrangeira, perpetrado pelo marido numa pensão de Lisboa. Desta vez, auxiliado por Stuart Carvalhais, foi ao ponto de pôr um quarto da dita pensão em pantanas e de espalhar sangue de galinha pelo aposento. A encerrar o ano de 1918, “recolhe” as últimas palavras do presidente Sidónio Pais, assassinado na Estação do Rossio: «Morro eu, mas salva-se a Pátria. Morro bem.». A verdade é que não presenciou o sucedido, em virtude de ter chegado tarde para a reportagem prevista e, ao que parece, o estadista tombou sem ter tido tempo de dizer fosse o que fosse, uma vez que foi atingido num pulmão e, consequentemente, não conseguia falar.
Já casado com Lucília Ferreira, de quem depois procurará debalde divorciar-se, e sendo pai de uma filha, Reinaldo Ferreira parte em 1920 para Paris, ao serviço da filial francesa da Agência Americana, que fora fundada pelo escritor brasileiro Olavo Bilac. No final do ano seguinte, já deixara esta empresa e radicara-se em Barcelona com a família, incluindo a mãe, que o pai abandonara.
Com a subida ao poder de Primo de Rivera, o jornalista regressa a Portugal, mas não sem antes enviar de Barcelona uma crónica à imprensa de Lisboa, atacando o ditador. Assinou o artigo com o seu próprio nome, mas um amigo fez-lhe ver que poderia sofrer represálias. Prudente, Reinaldo escreveu por cima “Repórter”. Todavia, por um desses acasos do destino, o tipógrafo que recebeu a peça viu um “x” no que não era mais do que o rabisco final da mal-escondida assinatura. Nascia, assim, o Repórter X.
Já empregado no “ABC”, o jornal enviou-o à Rússia, em 1925, para acompanhar a luta intestina desencadeada após a morte de Lenine. De Paris, onde terá experimentado pela primeira vez a morfina, Reinaldo informa que lhe está a ser difícil conseguir um visto, mas vai mandando trabalho, designadamente uma entrevista forjada a Conan Doyle. Finalmente, começam a chegar as crónicas de Moscovo, onde o jornalista passa a vida a tropeçar em portugueses, desde o “porteiro” do Kremlin ao homem que embalsamou Lenine. A convicção de um seu biógrafo é a de que o nosso repórter nunca pôs os pés na Rússia e que se limitou a ficar em Paris, aguardando os artigos de Henri Béraud, que para lá fora destacado pelo “Le Journal”.
Em 1926, está de novo em Portugal, fixando-se então no Porto e escrevendo simultaneamente para o “ABC” e para “O Primeiro de Janeiro”. Também se encontra colaboração da sua autoria no semanário “O Domingo Ilustrado” (1925/27), bem como na revista “Ilustração”.
Foi em Março desse ano que ocorreu em Lisboa o célebre assassinato da corista Maria Alves, estrangulada num táxi e lançada morta para uma sarjeta. Baseando-se em anteriores crimes congéneres e na intriga de um romance espanhol, Reinaldo aventa nos jornais que o culpado é o ex-empresário da vítima, Augusto Gomes. E o espantoso é que acertou.
Aproveitando mais este sucesso do então já famoso Repórter X, o “Janeiro” publica-lhe o folhetim “O Táxi nº 9297”, que será depois publicado em livro, levado ao palco e adaptado ao cinema e realizado pelo próprio Reinaldo Ferreira. Já em 1924, vira adaptada ao cinema, em Espanha, a novela “El Botones del Ritz”. 
Abandonado por Lucília em 1928, Reinaldo passou a viver, no ano seguinte, com Carmen Cal, ainda aparentada com a família portuense dos advogados Cal Brandão. Continua, entretanto, a trabalhar no “Janeiro”, onde congeminaria a mais inverosímil das suas “reinaldices” - uma alegada campanha alemã, para desacreditar a moeda inglesa, produzia libras de louça. O pior é que envolveu na trama o banqueiro Francisco Borges, do Banco Borges & Irmão, e a coisa, naturalmente, deu para o torto. Foi despedido do diário portuense, que ainda assim voltaria mais tarde a empregá-lo. Fundou vários jornais de pouca duração, até que, em 1930, financiado por um irmão, lançou em Lisboa o “Repórter X”, que durará até 1933. A chefia da redacção foi confiada a Mário Domingues, que fora seu condiscípulo no Colégio Francês e que não tarda a abandonar o projecto para fundar “O Detective”, onde denunciará, aliás, algumas das “reinaldices”.
De novo no Porto, Reinaldo Ferreira é internado, em finais de 1932, para uma cura de desintoxicação. Escassos meses depois, decide confessar a sua morfinomania nas páginas do “Repórter X”, dando também à estampa o primeiro volume das “Memórias de um ex-morfinómaníaco”.
No final da vida, ainda lançou os efémeros jornais “A Reportagem da Semana” e o “X”, mas - regressado à dependência da morfina - separou-se em 1935 de Carmen - de quem tivera um filho - e, em Outubro desse ano, morre em Lisboa, num prédio do actual Largo de São Carlos.
Além das suas reportagens e de fascinantes visões futuristas do Porto e Lisboa no ano 2000, Reinaldo Ferreira deixou ainda uma quantidade assombrosa de novelas, sobretudo policiais e de espionagem, e várias peças de teatro.
Se como jornalista, e não obstante os seus múltiplos talentos, Reinaldo Ferreira merece óbvias reservas, já a sua inspiração torrencial faz dele uma das mais fascinantes figuras portuguesas da primeira metade do século XX.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

9 DE AGOSTO - FRANCISCO MARTINS SARMENTO


EFEMÉRIDE - Francisco Martins de Gouveia de Morais Sarmento, notável arqueólogo e escritor português, morreu em Guimarães no dia 9 de Agosto de 1899. Nascera na mesma cidade em 9 de Março de 1833.
Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Dedicou-se com grande paixão ao estudo da arqueologia. Fez a exploração intensa e metódica da citânia de Briteiros e Sabroso, perto de Guimarães (1874/1879), junto à Casa da Ponte, onde morou.
Dedicou-se igualmente à poesia e colaborou em revistas e jornais científicos. Encontra-se colaboração de sua autoria, também nas revistas “Renascença” e “O Pantheon”, assim como no semanário “Branco e Negro” (anos 1870/1890).
Entre as suas obras, contam-se: “Os Argonautas”, “Ora Marítima” e “Lusitanos, Lígures e Celtas”.
No museu da Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, conserva-se uma grande parte dos objectos arqueológicos por ele encontrados.
Existe uma escola secundária com o seu nome em Guimarães. Em 1933, a Câmara Municipal de Lisboa homenageou-o, dando o seu nome a uma rua na Penha de França.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

8 DE AGOSTO - JOSTEIN GAARDER


EFEMÉRIDE - Jostein Gaarder, professor de filosofia e escritor norueguês, nasceu em Oslo no dia 8 de Agosto de 1952. É autor de romances filosóficos, contos e histórias.
Filho de um casal de professores, cursou o ensino primário na cidade de Ingierasen, enquanto a formação secundária foi realizada na Escola da Catedral de Oslo. Na Universidade de Oslo, Gaarder estudou línguas escandinavas e teologia. Antes de lançar a sua carreira de escritor, dava aulas de Filosofia na Escola Secundária Pública Fana, na cidade de Bergen.
O seu trabalho mais conhecido é “O Mundo de Sofia”, publicado em 1991, um romance acerca da história da filosofia, cujo enredo gira em torno de uma menina instruída e amparada por um filósofo. Este livro foi traduzido para 53 línguas, existindo 40 milhões de cópias impressas, sendo que três milhões delas foram vendidas só na Alemanha. Passou desde então a ter grande renome internacional e, a partir de 1993, dedicou-se integralmente à produção literária.
Paralelamente, criou a Fundação Sofia (para a defesa do meio ambiente), que premeia anualmente, com o Prémio Sofia, acções a favor do «ambiente e do desenvolvimento durável».

terça-feira, 7 de agosto de 2018

7 DE AGOSTO - ALAIN ROBERT


EFEMÉRIDE - Alain Robert, escalador francês de alto nível, nasceu em Digoin, Saône-et-Loire, no dia 7 de Agosto de 1962. Ganhou a alcunha de “homem-aranha francês” por ter escalado alguns dos mais altos arranha-céus do mundo. Faz as suas escaladas em solo integral (sem cordas), sejam elas de montanhas rochosas, de prédios ou de monumentos.
Desde a adolescência que admirava os grandes alpinistas contemporâneos e já escalava as falésias de Vercors e de Ardèche.
Tem, no seu currículo de escaladas improváveis, cerca de 80 edifícios e monumentos pelo mundo inteiro, incluindo a Torre Eiffel em Paris, o Canary Wharf de Londres, o Empire State Building em Nova Iorque e a Sears Tower em Chicago. As suas proezas são muito mediatizadas, é muito admirado pelos seus pares e atrai imenso público.
Em 2009, conseguiu escalar as Petronas Twin Towers na Malásia, na sequência de duas tentativas sem sucesso por ter sido detido antes de chegar ao topo.
Fora já preso no Brasil, em Fevereiro de 2008, ao tentar escalar o Edifício Itália no centro de São Paulo, o segundo maior arranha-céus brasileiro. Na ocasião, declarou que escalar o Edifício Itália se tinha tornado uma questão de honra. Três dias depois, voltou e conseguiu escalar o Edifício.
Em Portugal, escalou a Torre Vasco da Gama, em 2006, e a Ponte 25 de Abril, em 2007. Foi preso no fim da escalada da ponte. Mais uma detenção, mas também mais uma proeza conseguida.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

6 DE AGOSTO - MÁRIO COLUNA


EFEMÉRIDE - Mário Esteves Coluna, futebolista luso-moçambicano, nasceu na Ilha da Inhaca em 6 de Agosto de 1935. Morreu em Maputo no dia 25 de Fevereiro de 2014. Iniciou-se no Sporting de Lourenço Marques.
Foi um dos melhores jogadores do SL Benfica, entre 1954/55 e 1969/70, sendo duas vezes Campeão Europeu, em 1961 e 1962. Foi o segundo jogador oriundo de África a erguer a Taça dos Campeões Europeus (o primeiro fora José Águas, nascido em Luanda).
Venceu dez Ligas Portuguesas, sete Taças de Portugal e cinco Taças de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, tudo ao serviço do Benfica.
Teve 57 internacionalizações pela Selecção de Portugal, entre 1955 e 1968. Foi capitão da selecção nacional que alcançou o 3º lugar no Campeonato do Mundo de 1966. Era conhecido como “o Monstro Sagrado”.
Em Dezembro de 1966, foi agraciado com a Medalha de Prata da Ordem do Infante D. Henrique. Em 1967, fez parte da equipa da FIFA.
Em 1970/72, alinhou pelo Olympique Lyonnais, sendo finalista da Taça de França em 1971.  Foi considerado como um dos 100 melhores jogadores mundiais do século XX.
Já como treinador, foi duas vezes Campeão de Moçambique (1976 e 1982) e ganhou uma Taça de Moçambique (1984).
Depois da independência de Moçambique, foi presidente da Federação Moçambicana de Futebol. Antes, criara uma Academia de Futebol na vila da Namaacha, para formação de jovens moçambicanos, com apoio financeiro da FIFA. Foi ministro da Cultura e dos Desportos, entre 1994 e 1999, e membro do comité executivo da Taça de África das Nações. Recebeu a Ordem Eduardo Mondlane de Moçambique em 2005.
Em Fevereiro de 2014, com 78 anos de idade, faleceu no Instituto do Coração, em consequência de complicações decorrentes de uma infecção pulmonar, com paragem cardiorrespiratória.

domingo, 5 de agosto de 2018

5 DE AGOSTO - VANDER LEE


EFEMÉRIDE - Vander Lee, de seu verdadeiro nome Vanderli Catarina, cantor e compositor brasileiro, morreu em Belo Horizonte no dia 5 de Agosto de 2016. Nascera na mesma cidade em 3 de Março de 1966.
Nascido no estado de Minas Gerais, Vander Lee começou a sua carreira nos bares locais, em meados da década de 1980. Gravou a sua primeira fita demo (com 4 músicas) em 1986. No ano seguinte, já fazia shows com o seu próprio repertório.
As suas canções variam desde o romântico, passando pelo samba, até à balada e ao rock. As letras falam de acontecimentos da vida quotidiana, sempre com um lado romântico.
Gravou com grandes nomes da MPB (Música Popular Brasileira), como Zeca Baleiro, Elza Soares, Rita Ribeiro, Emilinha Borba, Leila Pinheiro e Nando Reis. Compôs a música “Estrela”, que foi gravada pela cantora Maria Bethânia. Teve ainda a canção “Onde Deus possa me ouvir” gravada por Gal Costa. Foi autor de sucessos como “Românticos”, “Iluminado” e “Esperando Aviões”.
Vanderli tinha 3 filhos: Laura, Lucas e Clara, que herdaram dele o talento musical.
Faleceu em 2016, nos “cuidados intensivos” do Hospital Madre Tereza, depois de uma cirurgia necessária por ter tido um infarto, na tarde do dia anterior, quando estava a fazer hidroginástica. Vander Lee faria 30 anos de carreira em 2017.

sábado, 4 de agosto de 2018

4 DE AGOSTO - FRANÇOIS HÉDELIN


EFEMÉRIDE - François Hédelin, dramaturgo e teórico francês do teatro, conhecido literariamente por abade de Aubignac, nasceu em Paris no dia 4 de Agosto de 1604. Morreu em Nemours, em 25 de Julho de 1676.
Filho de um advogado do parlamento, François Hédelin foi inicialmente educado para seguir a profissão do pai. Após completar os estudos, trabalhou como advogado. Em breve, porém, deixou a advocacia para ingressar no sacerdócio e se tornou tutor do duque de Fronsac, sobrinho do cardeal de Richelieu.
Estas funções garantiram-lhe a abadia de Notre-Dame d'Aubignac e, depois, a de Meymac. A morte do duque de Fronsac, em 1646, pôs fim às esperanças de futuras nomeações, e o abade de Aubignac retirou-se para Nemours, ocupando-se com a literatura até ao fim dos seus dias.  
Hédelin esteve em contacto com as mentes mais brilhantes do seu tempo. Escreveu alguns romances e tragédias, sendo conhecido principalmente por ter criado as três regras do teatro clássico ou, também, as chamadas unidades aristotélicas. Teve grandes brigas com Pierre Corneille, a quem atacou as tragédias. De ambos os lados, foram publicados epigramas e panfletos. Os epigramas perderam-se. Os panfletos ainda existem. Ele foi um dos primeiros a dizer que Homero é um personagem quimérico, introduzindo de facto a questão homérica na Europa moderna e dizendo que os poemas a ele atribuídos eram uma colecção de peças isoladas.
Na escolha dos temas para as suas peças, Hédelin parece ter sido guiado pelo desejo de ilustrar os vários tipos de tragédias - patriótica, antiga e religiosa. É sobretudo como teórico que ele é lembrado.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

3 DE AGOSTO - RUPERT BROOKE


EFEMÉRIDE - Rupert Chawner Brooke, poeta inglês, nasceu em Rugby no dia 3 de Agosto de 1887. Morreu no Mar Egeu, perto de Skyros, na Grécia, em 23 de Abril de 1915. Com apenas 27 anos, faleceu quando a sua embarcação se aprestava para travar a batalha de Galipoli durante a I Grande Guerra Mundial.
É conhecido tanto pelos seus poemas idealistas antiguerra, os “War Sonnets”, escritos durante a Primeira Guerra Mundial (nomeadamente “The Soldier”), como pelos poemas que escrevera em tempo de paz, particularmente “The Old Vicarage”, “Grantchester” e “The Great Lover”.  Reconhecido também pela sua beleza juvenil, que levou o escritor W. B. Yeats a descrevê-lo como «o mais belo rapaz de Inglaterra».
Estudou na Hillbrow Prep School e na Rugby School. Mesmo em viagem pela Europa, preparou uma tese intitulada “John Webster and the Elizabethan Drama”, que lhe valeu uma bolsa de estudos no King's College (Cambridge), onde ajudou a fundar o teatro Marlowe Society e onde representou várias peças.
Tornou-se membro de vários grupos literários: o Bloomsbury Group, o Georgian Poets e o Dymock Poets.
Rupert Brooke percorreu os Estados Unidos e o Canadá, para escrever crónicas de viagens para a “Westminster Gazette”. Visitou igualmente algumas ilhas dos mares do Sul. Mais tarde, foi revelado que teria uma filha de uma jovem taitiana com quem se relacionou. Viveu também uma relação amorosa com a actriz Cathleen Nesbitt.
Os seus sonetos sofisticados chamaram a atenção de muitas personalidades importantes, entre elas Winston Churchill.
Foi mobilizado pela Royal Navy, pouco tempo antes do seu 27º aniversário e tomou parte no cerco de Anvers, em Outubro de 1914. Embarcou na Mediterranean Expeditionary Force em Fevereiro de 1915, mas foi vítima de uma septicemia, depois de uma infecção causada pela picada de um insecto. Faleceu a bordo de um navio-hospital. As forças expedicionárias, tendo recebido ordem de partida imediata, Rupert foi enterrado num olival na ilha de Skyros, onde se encontra ainda a sua sepultura.

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