Licenciado
em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra
foi professor contratado dessa mesma Universidade até 1975, centrando a
sua vida académica nas áreas da Antropologia e da Etnologia.
Foi
um dos líderes da oposição monárquica ao Estado Novo e o teorizador e
permanente defensor, em Portugal, do integracionismo como solução adequada para
uma eficaz política ultramarina. Tinha, neste seu combate, o apoio dos
Ministros Franco Nogueira e José Gonçalo Correia de Oliveira.
Fundaria,
após a revolução de 25 de Abril, o Movimento Federalista Português,
mais tarde Partido do Progresso, que viria a ser ilegalizado pelo MFA
na sequência do 28 de Setembro. Refugiado em Madrid, regressaria a
Portugal após o Golpe de 25 de Novembro de 1975.
O
seu inconformismo lúcido, que particularmente se manifestava na defesa das
teses integracionistas e numa militância monárquica esclarecida fizeram, de
Fernando Pacheco de Amorim, um dos inspiradores ideológicos da direita
universitária coimbrã na primeira metade da década de setenta.
A
sua acção política, numa primeira fase, centra-se, essencialmente, na oposição
monárquica ao Estado Novo. Nessa qualidade, e sendo, então, alferes
miliciano de Cavalaria, é um dos conspiradores da Revolta da Mealhada
em 10 de Outubro de 1946. Essa tentativa de insurreição militar contra o Estado
Novo foi organizada por um grupo de oficiais milicianos, de várias
sensibilidades políticas. Parte o movimento insurreccional de uma única
unidade, o Regimento de Cavalaria 6, no Porto. A coluna marcha até à
Mealhada onde é detida. Comanda a revolta o capitão Fernando Queiroga. A
revolta estaria para ser acompanhada por um levantamento em Tomar e teria a
coordenação de Mendes Cabeçadas. O julgamento ocorre em Março de 1947, sendo
defensores dos revoltosos Ramada Curto, Vasco da Gama Fernandes, Adelino da
Palma Carlos e Fernando Abranches Ferrão. Nessa altura, Fernando Pacheco de
Amorim é condenado a dois anos de prisão, pena que cumpriu no Forte de
Peniche. Ainda como militante monárquico é um dos fundadores, com João Vaz
Serra de Moura e outros, e primeiro Presidente, da Liga Popular Monárquica.
A
partir de 1962 centra a sua actividade política na teorização e combate em prol
do integracionismo, insurgindo-se contra a política de autonomia, então
protagonizada pelo ministro do Ultramar, Adriano Moreira.
Distancia-se
também da perspectiva adoptada por Cunha Leal. Em 1971 é um dos ferozes
críticos da política assumida por Marcelo Caetano no plano das autonomias
ultramarinas. A obra nesse ano editada, “Na Hora da Verdade”, ia-lhe
valendo nova passagem pela prisão: em Conselho de Ministros, o então Ministro
do Ultramar Silva Cunha, propôs a sua prisão. Os restantes ministros
apoiaram. Opôs-se o ministro César Moreira Baptista por considerar que isso
teria efeitos contraproducentes. Marcelo Caetano decidiu a favor de Moreira
Batista.
É
em 1974 presidente do Movimento Federalista Português pouco depois transformado
em Partido do Progresso (MFP/PP), que foi proibido e perseguido após ter
feito parte da chamada «Maioria Silenciosa», no 28 de Setembro de 1974.
Com novo mandato de captura passado, agora pelo novo regime, refugiou-se em
Madrid, onde presidiu ao Gabinete político (que configurava a direcção
política) do MDLP, Movimento Democrático para a Libertação de
Portugal, liderado pelo General António de Spínola. Regressa a Portugal
após o Golpe de 25 de Novembro de 1975, abandona então a actividade
política, por entender que o país perdera, por completo, qualquer possibilidade
de uma existência verdadeiramente independente. Aí, com o mesmo critério de
honestidade com que tinha deixado a Universidade de Coimbra para se
dedicar à política, nessa altura retoma a sua actividade académica, agora na Universidade
Portucalense, assumindo as funções de secretário-geral e de orientador de
teses.

Sem comentários:
Enviar um comentário