sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

13 DE DEZEMBRO - ANA NERI



EFEMÉRIDE – Ana Justina Ferreira Neri, enfermeira brasileira e pioneira da enfermagem no Brasil, nasceu em Cachoeira no dia 13 de Dezembro de 1814. Morreu no Rio de Janeiro em 20 de Maio de 1880. Casou com o capitão-de-fragata Isidoro António Nery em 1837, enviuvando seis anos depois. Ficou com três filhos.
Ao deflagrar a Guerra do Paraguai (Dezembro de 1864), foi incorporada no exército. Requereu então ao presidente da província da Bahia, que lhe fosse dada a possibilidade de acompanhar simultaneamente os filhos e o irmão durante a guerra, prestando serviço em hospitais. Deferido o pedido, partiu de Salvador (Agosto de 1865) com o 10º Batalhão de Voluntários, na qualidade de enfermeira.
Durante toda a campanha, prestou serviço nos hospitais militares de Salto, Corrientes, Humaitá e Assunção, bem como nos hospitais da frente de operações. Viu morrer na luta um dos seus filhos e, terminada a guerra, ao regressar à sua cidade natal, foram-lhe prestadas grandes homenagens. O governo conferiu-lhe a Medalha Geral de Campanha e a Medalha Humanitária de Primeira Classe. Faleceu com 65 anos.
Em 1923, para a homenagear, foi dado o seu nome à primeira escola oficial brasileira de enfermagem de alto padrão. Em 1938, o presidente da República Getúlio Vargas assinou um decreto que instituiu o Dia do Técnico de Enfermagem, devendo nessa data ser invocada a memória de Ana Neri, em todos os hospitais e escolas de enfermagem do Brasil.
Em 2009, por intermédio da Lei 12 105 de 2 de Dezembro, Ana Justina Ferreira Neri entrou para o livro dos Heróis da Pátria, que se encontra depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília.

NANCY SINATRA


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

12 DE DEZEMBRO - GEORGE MONTGOMERY



EFEMÉRIDE – George Montgomery Letz, actor e realizador de cinema norte-americano, morreu em Rancho Mirage, Califórnia, no dia 12 de Dezembro de 2000. Nascera em Brady, Montana, em 29 de Agosto de 1916. É recordado pelos muitos westerns que protagonizou, sobretudo na década de 1950.
George Montgomery era o mais novo dos quinze filhos de uma família de imigrantes ucranianos. Estudou durante algum tempo na Universidade de Montana, mas o seu interesse pelo cinema levou-o rapidamente a tentar a sua sorte em Hollywood. Em 1935, durante a Grande Depressão, conseguiu ser contratado como figurante e, nos anos seguintes, apareceu em diversos filmes de Gene Autry e Roy Rogers. Foi também duplo de vários actores, inclusivamente de John Wayne.
Em 1938, sob o nome de George Letz, conseguiu papéis de maior destaque em vários filmes da Republic Pictures. Em seguida, foi contratado pela 20th Century Fox, onde passou a ser conhecido por George Montgomery. Apareceu como astro de alguns dramas juvenis e também como coadjuvante em produções mais ambiciosas. Finalmente, em 1941, foi estrela nos seus dois primeiros westerns: “Riders of the Purple Sage” e “Last of the Duanes”.
Em 1943, com a carreira em ascensão mas com os Estados Unidos em plena Segunda Guerra Mundial, Montgomery decidiu alistar-se no exército, de onde só saiu no fim do conflito, com o posto de sargento. Retomou então a sua actividade cinematográfica na Fox, onde fez mais três filmes. Num deles, “The Brasher Doubloon” (1947), personificou o detective Philip Marlowe, famosa criação do escritor Raymond Chandler. No entanto, os tempos eram outros, novos actores tinham surgido e os convites rareavam. Para manter os lucros, os estúdios diminuíram o número de actores contratados e Montgomery sofreu as consequências.
Gostando de fazer trabalhos com madeira desde a infância, Montgomery passou a trabalhar numa fábrica de móveis, enquanto fazia westerns de orçamento mediano, que o tornaram no entanto conhecido e apreciado pelo público. Na década de 1950, trabalhou exaustivamente na Columbia Pictures, na United Artists e na Allied Artists, entre outros estúdios. Não se limitou porém a este género de películas, protagonizando também aventuras na selva, policiais e filmes de guerra.
Entre 1958 e 1959, trabalhou nos vinte e seis episódios da série televisiva “Cimarron City”, fazendo o papel de xerife da cidade. Da década de 1960 em diante, actuou não só como actor mas também como produtor, guionista e realizador de alguns dos seus filmes. O seu último western foi “Hostile Guns” (1967) para a Paramount. Finalmente, em 1972, abandonou o cinema, afirmando que os guiões que lhe eram oferecidos careciam de qualidade.
Montgomery preferiu dedicar-se então às suas verdadeiras paixões: fabrico de móveis, pintura e escultura em bronze. Esculpiu, entre outros, Clint Eastwood, Ronald Reagan e John Wayne. Também projectou a estatueta correspondente ao Prémio Ralph Morgan, patrocinado pela Screen Actor's Guild.
Casou-se apenas uma vez, em Dezembro de 1943, com a cantora Dinah Shore, que lhe daria a sua única filha em 1947. Adoptaram também uma criança, em 1954. Divorciaram-se em 1962, o que causou surpresa nos meios cinematográficos, em razão da longevidade do casamento. No ano seguinte, sofreu uma tentativa de assassinato, por parte da sua empregada doméstica, que alegadamente sofria de obsessão pelo actor.
Montgomery faleceu vítima de problemas cardíacos e o seu corpo foi cremado e as cinzas enterradas em dois cemitérios diferentes: um, próximo da sua residência e outro, próximo da sua cidade natal. Ao longo da carreira, terá actuado em cerca de 100 filmes e realizado seis.

TRIBUTO A MANDELA


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

11 DE DEZEMBRO - AERO CLUB DE PORTUGAL



EFEMÉRIDE – O Aero Club de Portugal, instituição destinada à promoção da aeronáutica, foi fundado em 11 de Dezembro de 1909. Tem sede em Lisboa e instalações aeronáuticas nos aeródromos de Tires e de Ponte de Sor.
O grupo fundador era constituído por oficiais do exército, que pretendiam assim promover o desenvolvimento da aeronáutica em Portugal e a criação da aviação militar. O AeCP encetou desde logo relações com entidades congéneres no estrangeiro, organizou conferências e criou uma biblioteca sobre a aviação.
Em 1911, editou a sua primeira publicação aeronáutica, o “Boletim do Aero Clube de Portugal”, que deu origem – no ano seguinte – à “Revista Aeronáutica”. Passou a representar no nosso país a Federação Aeronáutica Internacional, sendo o 18º país inscrito nesta organização. O AeCP é uma das mais antigas instituições de aeronáutica no mundo.
Em 1929, foram criadas delegações no Porto, Angola e Moçambique. A sua Escola de Pilotagem foi fundada em 1930, funcionando na Granja do Marquês, em Sintra. Para o efeito foi adquirido um pequeno avião Gipsy Moth.
Em Junho de 1935, organizou a 1ª Exposição Internacional de Aeronáutica, no Palácio das Exposições em Lisboa, evento que foi amplamente noticiado pela imprensa de várias capitais europeias. Em 1937, começou a ser publicada a “Revista do Ar”, órgão oficial do AeCP.
Em Junho de 1957, com o patrocínio do jornal “O Século”, o AeCP levou a efeito a Primeira Volta Aérea a Portugal e, em Dezembro de 1959, quando das comemorações do 50º aniversário, o presidente da República deslocou-se à sua sede na Av. da Liberdade, onde condecorou o estandarte da instituição com a Comenda da Ordem Militar de Cristo, pelos relevantes serviços prestados à causa aeronáutica em Portugal. Em 11 de Dezembro de 2009, foi comemorado o seu centenário. Actualmente, além da promoção aeronáutica, desenvolve actividades de voo em avião, em planador e de pára-quedismo.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

10 DE DEZEMBRO - ANTÓNIO MANUEL DE VILHENA



EFEMÉRIDE – António Manuel de Vilhena, aristocrata português, 66.º grão-mestre da Ordem dos Hospitaleiros de São João de Jerusalém, governador da ilha de Malta (onde então se achava a sede da Ordem) desde Junho de 1722 até à sua morte, faleceu em La Valeta, Malta, no dia 10 de Dezembro de 1736. Nascera em 1663. 
Em 1703, foi elevado ao cargo de grão-chanceler da Ordem e chefe da língua de Castela e Portugal. Mais tarde, ascenderia a bailio de São João de Acre e governador do Tesouro. Só em 1722, foi eleito grão-mestre da Ordem por voto de todos os eleitores, sendo um dos mais notáveis no cargo pelo seu valor nas batalhas e pela sua integridade na Administração Pública. O seu nome tornou-se conhecido em toda a Europa, pela habilidade, prudência e valor com que repeliu os ataques turcos.
Embora a maior parte dos grão-mestres de Malta não fossem muito queridos da população, Vilhena foi amado pelos seus contemporâneos por ter tentado melhorar a situação na ilha, criando inúmeras instituições de caridade. Para além disso, criou o Palácio da Ordem, em Floriana, um subúrbio de La Valeta, onde ainda hoje se ergue uma estátua em sua homenagem. Fez construir ainda o Forte Manuel e o Teatro Manuel (1731), sendo este considerado o segundo teatro mais antigo da Europa ainda hoje em utilização.
A sua sepultura na Co-Catedral de São João é considerada a maior e a mais sumptuosa de todas as sepulturas dos grão-mestres da Ordem de Malta.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

9 DE DEZEMBRO - ANDRÉ DE RESENDE



EFEMÉRIDE – André de Resende, frade dominicano, intelectual, teólogo, arqueólogo e grande pensador humanista português, morreu em 9 de Dezembro de 1573. Nascera em Évora, em data desconhecida, por volta de 1500. Ficou órfão de pai aos dois anos. Em 1508, estudou gramática com Estevão Cacaleiro, tendo estado no Convento da Ordem de São Domingos de Évora até aos dez anos.
De 1513 a 1517, encaminhado pela mãe, estudou em Alcalá de Henares, passando – no ano seguinte – ao Estudo de Salamanca, onde se doutorou, tendo como mestre de Grego, Latim e Retórica o também português Aires Barbosa. Entre 1518 e 1526, foi até ao sul de França, onde esteve dois anos, repartidos entre Marselha e Aix, tendo recebido nesta última cidade as ordens de diácono. Em 1527, ano da morte da mãe, encontrava-se em Paris. Em 1529, esteve em Lovaina, desenvolvendo grande actividade literária. Provavelmente em 1530, frequentou a Universidade de Paris, onde – segundo o seu próprio testemunho – cursou aulas de Grego.
Em 1531, passou a residir em casa do embaixador português junto da corte de Carlos V em Bruxelas, D. Pedro Mascarenhas, entrando assim no séquito do diplomata.
Em 1533, regressou definitivamente ao Reino, indo acolher-se no Convento de Évora. Depois, em casa própria, regeu uma escola pública que voluntariamente encerrou em 1555, quando o ensino foi entregue aos Jesuítas, tendo-se recolhido novamente no Convento de São Domingos, em Évora.
Começou então o ciclo da sua actividade intelectual em Portugal. Vivamente interessado pela arqueologia, dedicou-se a estudar os diferentes objectos encontrados. André de Resende foi, provavelmente, o pioneiro da arqueologia em Portugal, à qual se dedicou com zelo, devendo-se-lhe o primeiro estudo dos monumentos epigráficos da época romana em Portugal.
Teve uma profunda acção como ideólogo do Renascimento e como pedagogo divulgador dos estudos latinos e gregos, tendo deixado uma vasta produção literária – cerca de 150 obras em prosa e em verso, escritas em latim e português. Lovaina foi a cidade belga onde tomou contacto com as várias correntes humanistas, tornando-se amigo de personalidades muito próximas do grande pensador Erasmo. É considerado um dos principais representantes do Humanismo em Portugal.

domingo, 8 de dezembro de 2013

8 DE DEZEMBRO - SINÉAD O'CONNOR



EFEMÉRIDE – Sinéad Marie Bernadette O'Connor, cantora e compositora irlandesa, nasceu em Dublin no dia 8 de Dezembro de 1966. Teve vários reveses na vida, que moldaram a sua personalidade e a marcaram para sempre. Os pais divorciaram-se quando ela tinha oito anos de idade e foi vítima de abusos na infância, tendo chegado a tentar o suicídio.
Acabou por se destacar com a sua voz doce e ao mesmo tempo rebelde e com o seu visual de cabeça raspada, a sua imagem de marca durante muitos anos. Estreou-se na música em 1987, com o álbum “The Lion and the Cobra”, dedicado à mãe que falecera havia pouco tempo. Apresentou-se em diversos países da Europa e nos Estados Unidos, ganhando grande notoriedade.
Foi no entanto com o seu segundo trabalho, “I Do Not Want What I Haven't Got” de 1990, que Sinéad ficou famosa mundialmente. A canção “Nothing Compares 2 U”, composta por Prince, levou o álbum à primeira posição dos “Tops de discos mais vendidos” em vários países e rendeu-lhe vários prémios. No mesmo ano, participou no show que deu origem ao DVD “Roger Waters – The Wall Live in Berlin”, cantando “Mother”.
Dois anos depois, lançou “Am I Not Your Girl?”, interpretando algumas músicas de grande sucesso, como “Don't Cry For Me, Argentina” e “Gloomy Sunday”. Nessa época, foi de novo notícia internacional mas, desta vez, por rasgar uma foto do Papa João Paulo II, num dos programas mais assistidos nos EUA, o “Saturday Night Live”, em protesto contra abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica. A atitude foi reprovada por diversas entidades e Sinéad ficou com uma imagem negativa em muitos locais, chegando a ser vaiada num show em tributo a Bob Dylan. Recebeu ameaças e anulou um concerto em Israel. Doou, por essa época, a sua casa de 800 mil dólares à Cruz Vermelha.
Em 1994, lançou o álbum “Universal Mother”, em que a faixa “Fire On Babylon” teve grande destaque por falar de abuso sexual infantil. Engajada politicamente, gravou “Gospel Oak” que contem seis músicas dedicadas aos povos do Ruanda e de Israel e aos próprios irlandeses.
Após alguns anos de silêncio, lançou “Faith and Courage” em 2000, a que se seguiram outros álbuns. Anunciou entretanto que se convertera à Igreja Tridente Latino, da Irlanda, e passou a dedicar grande parte da sua vida à religião. Mais tarde, anunciou que ia deixar os palcos e o show business para cuidar mais do seu espírito e da família. Ela já havia anunciado a sua retirada noutras ocasiões e nunca cumprira a promessa. No final de 2011, ei-la de regresso, a lançar mais um álbum – “Home”.
Sinéad foi casada quatro vezes, tendo quatro filhos, cada um de pai diferente. Em Abril de 2012, anulou uma tournée que estava prestes a iniciar, por estar com perturbações bipolares. Entre Dezembro de 2011 e Março de 2012, tivera com efeito uma grave depressão nervosa mas, apesar dos conselhos médicos, quisera até ao fim manter aquela tournée.

sábado, 7 de dezembro de 2013

7 DE DEZEMBRO - JOSÉ DONOSO



EFEMÉRIDE – José Donoso, jornalista, professor e escritor chileno, morreu em Santiago do Chile no dia 7 de Dezembro de 1996. Nascera na mesma cidade em 25 de Setembro de 1925.
Em 1957, enquanto vivia com uma família de pescadores, publicou o seu primeiro romance, “Coronación”, no qual realizou uma descrição magistral das classes abastadas de Santiago e da sua decadência. Em 1963, este livro foi publicado nos Estados Unidos.
Posteriormente, mudou-se para Espanha, onde residiu entre 1967 e 1981. Ali publicou “El obsceno pájaro de la noche” (1970), considerado um de seus melhores trabalhos e, certamente, o de maior inspiração e ambição literária. Em 1972, escreveu o ensaio “Historia personal del Boom” e, em 1973, as novelas “Tres novelitas burguesas”. Quando do golpe de Estado de Pinochet, em 1973, considerou-se auto-exilado em Espanha.
Em 1978, publicou “Casa de campo”, romance de crítica subtil à ditadura chilena, que obteve o Prémio da Crítica em 1979. O seu romance erótico “La misteriosa desaparición de la marquesita de Loria” (1979) demonstrou, para alguns, que não dominava com igual mestria todos os géneros literários. Não obstante, “El jardín de al lado” (1981) e “La desesperanza” (1986) recuperaram o brilho de um dos mais importantes autores chilenos. Em 1990, recebeu o Prémio Nacional de Literatura. 
Como jornalista, trabalhou na revista chilena “Ercilla” (1960/65) e colaborou com o magazine mexicano “Siempre”. Foi membro da Academia Chilena de la Lengua.
Em 2007, já após a sua morte, foi editado um seu romance inédito, “Largatija sin cola”, bem como uma biografia escrita pela sua filha, Pilar Donoso.
José Donoso é hoje considerado, a par de Gabriel García Marquez ou de Júlio Cortazar, um dos maiores escritores latino-americanos da segunda metade do século XX.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

6 DE DEZEMBRO - URBANO TAVARES RODRIGUES



EFEMÉRIDE – Urbano Augusto Tavares Rodrigues, escritor e jornalista português, nasceu em Lisboa no dia 6 de Dezembro de 1923. Morreu na mesma cidade em 9 de Agosto de 2013.
Filho do também escritor Urbano Rodrigues, passou a infância em Moura, no Alentejo. Criado numa família de grandes proprietários agrícolas, recebeu as influências das gentes do campo, o que marcou indelevelmente a sua obra literária. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, onde se licenciou em Filologia Românica. Impedido de leccionar em Portugal pelo regime fascista, esteve em França entre 1949 e 1955, sendo leitor de Português nas Universidades de Montpellier, Aix e Paris. De volta a Lisboa, esteve preso por duas vezes (1963 e 1968). Depois do 25 de Abril de 1974, regressou definitivamente a Portugal. Dez anos mais tarde, doutorou-se em Literatura, com uma tese sobre a obra de Manuel Teixeira Gomes. Em 1993, jubilou-se como professor catedrático da Faculdade de Letras. Foi igualmente professor na Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões. Foi membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.
Autor prolífico, ele foi um dos mais prestigiados escritores da segunda metade do século XX em Portugal. Escreveu também em diversas revistas e jornais, como: o “Bulletin des Études Portugaises”, a “Colóquio-Letras”, o “Jornal de Letras”, a “Vértice” e o “Nouvel Observateur”, entre outros. Foi director da revista “Europa” e crítico de teatro de “O Século” e do “Diário de Lisboa”.
Enquanto repórter, percorreu grande parte do mundo, tendo reunido os seus relatos de viagem nos volumes “Santiago de Compostela” (1949), “Jornadas no Oriente” (1956) e “Jornadas na Europa” (1958). No Cairo, em 1956, viveu a sua coroa de glória como jornalista, captando em crónicas – para o “Diário de Lisboa” – toda a complexidade da crise do Suez e das posições de Nasser.
Urbano afirmou que a sua obra foi influenciada, na década de 1950, pelo existencialismo francês, sobretudo de Sartre. Mais tarde, na sequência da sua detenção no forte de Caxias, durante o salazarismo, surgiu como autor de literatura de resistência, a que se seguiu um novo período, mais optimista, no pós-25 de Abril. Era simpatizante comunista.
Recebeu vários prémios literários, de que se salientam: o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários, o Prémio da Imprensa Cultural, o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores e o Grande Prémio de Conto “Camilo Castelo Branco”.
Em 6 de Agosto de 2013, foi internado no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, onde faleceu três dias depois. A causa da morte não foi divulgada. Estava a quatro meses de completar 90 anos de idade. Foi casado com a escritora Maria Judite de Carvalho, falecida em 1998, tendo uma filha também romancista e tradutora (Isabel Fraga, nascida em 1950).

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

5 DE DEZEMBRO - MIRALEM SULEJMANI



EFEMÉRIDE – Miralem Sulejmani, futebolista sérvio que joga actualmente no S. L. e Benfica, nasceu em Belgrado no dia 5 de Dezembro de 1988. É um atacante perigoso, pleno de criatividade, que encontra quase sempre soluções para ludibriar as defesas adversárias.
Começou a jogar em 2000 no BSK Batajnica, um clube do seu bairro, integrando depois as escolas de formação do FC Partizan até 2005. Como profissional, jogou no Partizan (2005/06), no SC Heerenveen da Holanda (2006/08) e no Ajax de Amesterdão (2008/13). Em 2010/11, esteve emprestado ao West Ham United FC de Inglaterra, mas não chegou a jogar por motivos burocráticos. Ingressou no Benfica em 2013.
Foi 19 vezes internacional pela Selecção da Sérvia de Sub-21 e várias vezes internacional pela Selecção Nacional da Sérvia desde 2008, ainda com 19 anos.
Quando representava o Heerenveen, recebeu um Troféu de Talento do Ano, que celebrou mandando construir um campo de futebol com relva artificial no seu bairro natal. Em representação do Ajax, ganhou a Taça da Holanda em 2009/10 e foi três vezes Campeão Holandês (2011, 2012 e 2013).

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

4 DE DEZEMBRO - THOMAS CARLYLE



EFEMÉRIDE – Thomas Carlyle, professor, historiador e escritor escocês muito influente na era vitoriana, nasceu em Ecclefechan no dia 4 de Dezembro de 1795. Morreu em Londres, em 5 de Fevereiro de 1881. Considerava a Economia uma “ciência sombria”, escreveu artigos para a “Edinburgh Encyclopædia” e foi um polémico comentarista social.
Educado para ser pastor protestante (o que não veio a acontecer), estudou na Universidade de Edimburgo. Em 1817, ao ler “De l'Allemagne” de Mme de Staël, ficou fortemente impressionado pela literatura e filosofia alemãs, dedicando-se ao estudo da língua para ler os autores no original. Traduziu Goethe e escreveu a “Vida de Schiller”, além de uma história da literatura alemã, que deixou inacabada.
A publicação de “Sartor Redartus”, romance bastante original, não despertou grande interesse, enquanto que a “História da Revolução Francesa”, publicada algum tempo depois, marcou o início de seu imenso prestígio como escritor. Considerada a sua obra-prima, é também tida como um importante marco na historiografia romântica. Por essa época, escreveu igualmente “Chartism” em 1839 e “Passado e Presente” em 1843.
A sua teoria de que a história pode ser interpretada através da vida dos heróis e dos chefes de cada época serviu-lhe de base para uma série de obras importantes: “Cartas e discursos de Oliver Cromwell” de 1845, “Vida de John Sterling” de 1851 e “Vida de Frederico II da Prússia” escrita entre 1858 e 1865.
Em 1865, foi nomeado reitor da Universidade de Edimburgo e ali recebeu a notícia da morte da esposa. Escreveu então “Reminiscências” e “Memórias de Jane Welsh Carlyle”. É dele a frase : «A verdadeira Universidade é uma colecção de bons livros».

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

3 DE DEZEMBRO - LUDVIG HOLBERG



EFEMÉRIDE – Ludvig Holberg, erudito e um dos primeiros escritores de língua dinamarquesa, nasceu em Bergen no dia 3 de Dezembro de 1684. Morreu em Copenhaga, em 28 de Janeiro de 1754.
Entre 1702 e 1704, estudou Teologia na Universidade de Copenhaga. Em 1704, decidiu viajar e conheceu a Holanda, a Inglaterra e depois a Alemanha, cuja vida literária não lhe agradou tanto como a inglesa.
A sua obra “Introdução à História dos Estados da Europa”, de 1711, foi o primeiro ensaio dinamarquês acerca de uma história universal e valeu-lhe o reconhecimento académico. Passou o Inverno de 1715/16 em Roma e escreveu a esse respeito uma epístola latina. Em 1717, foi nomeado sucessivamente professor de Metafísica, de Eloquência e de História na universidade da capital dinamarquesa. Iniciou-se também na poesia, com o poema satírico “Peder Paars” (1719/20), no qual se sente a influência de Cervantes.
Escreveu igualmente comédias (cerca de trinta, entre 1722 e 1726), inspiradas em Molière e na Comédia dell'Arte (entre estas, “Jeppe de Bjerget”, “Erasmo Montanus” e “O atarefado”).
São notáveis as suas epístolas latinas de conteúdo autobiográfico e o romance fantástico “Viagem subterrânea de Nils Klim”, de 1741.
Entre as suas obras de cariz histórico, encontra-se “A Dinamarca e a Noruega descritas”, de 1729, e a “História do Reino da Dinamarca” (1732/35).
Se bem que nunca tenha sido rico, Holberg dispunha no fim da sua vida de uma pequena fortuna. Recebeu do rei o título de barão, morrendo antes de completar 70 anos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

2 DE DEZEMBRO - JUDITE SOUSA



EFEMÉRIDE – Judite Fernanda de Jesus Rocha e Sousa, jornalista portuguesa, nasceu no Porto em 2 de Dezembro de 1960. Licenciou-se em História, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 1987.
Tinha 18 anos quando se estreou no jornalismo, como repórter da RTP/Porto. Depois de se tornar pivot do “Jornal da Tarde”, foi convidada para a redacção de Lisboa, vindo a notabilizar-se na apresentação do “Telejornal”. Não deixou porém o trabalho de repórter, realizando várias deslocações ao estrangeiro para cobrir acontecimentos como o genocídio do Ruanda, em 1994; a ofensiva da Sérvia na guerra dos Balcãs, em 1995; a Declaração Conjunta Luso-Chinesa, em 1999; e a crise que se sucedeu ao 11 de Setembro, no Paquistão, em 2001.
Em 2000, foi nomeada directora-adjunta de informação da RTP, colaborando com José Rodrigues dos Santos. Ao mesmo tempo, passou a apresentar “Grande Informação”, programa de análise política com a presença de Mário Soares. Em 2002, após a remodelação de Almerindo Marques, manteve-se como uma das principais figuras da informação do canal, tendo a seu cargo a “Grande Entrevista”, a que se seguiu “Notas Soltas de António Vitorino”.
Em 2011, deixou a RTP anunciando a sua ida para a TVI, onde assumiu o cargo de subdirectora de informação. Apresenta igualmente o “Jornal das 8” às sextas, sábados e domingos. Aos domingos, modera o comentário político de Marcelo Rebelo de Sousa. Às segundas-feiras, apresenta o programa “Olhos nos Olhos” na TVI24, com Henrique Medina Carreira. Fez a cobertura dos casamentos de Guilherme de Gales com Catarina Middleton e de Alberto II, príncipe do Mónaco, com Charlene Wittstock.
Tem um filho do seu primeiro casamento, tendo-se separado recentemente do segundo marido, estando a decorrer o processo de divórcio. É Comendadora da Ordem do Mérito, distinção atribuída pelo presidente da República Jorge Sampaio.
Em Agosto de 2013, num “Jornal das 8”, entrevistou Lorenzo Carvalho, um jovem milionário brasileiro que está a viver em Portugal. A entrevista gerou polémica, porque a jornalista confrontou o jovem com perguntas sobre a maneira como ele gastava o seu dinheiro, principalmente a quantia dispendida no seu 22º aniversário, que contou com a presença da actriz Pamela Anderson. Nas redes sociais, como no Facebook, milhares de pessoas defenderam o jovem e criticaram a condução da entrevista.

domingo, 1 de dezembro de 2013

1 DE DEZEMBRO - ERNST TOLLER



EFEMÉRIDE – Ernst Toller, poeta, dramaturgo, político e revolucionário alemão de origem judaica, nasceu em Szamocin, na Prússia, em 1 de Dezembro de 1893. Morreu em Nova Iorque no dia 22 de Maio de 1939.
Combateu na Primeira Guerra Mundial, uma experiência que o levou a desenvolver uma posição pacifista. A sua primeira peça “Transformação” é directamente inspirada naquela experiência. Uma vez terminada a guerra, participou na Revolta da Baviera de 1918 e, juntamente com várias figuras anarquistas e comunistas, esteve ligado à criação da República dos Conselhos da Baviera em 1919. Encarregou-se da formação de um “exército vermelho”, apesar do seu ideário pacifista. Na sua posterior obra teatral “O Homem das Massas”, daria escape aos conflitos de consciência que aquela contradição lhe provocava. Após a queda da república, provocada pelo exército e pelos corpos de voluntários de extrema-direita, foi condenado a cinco anos de prisão. Aproveitou para acabar a peça “Transformação”, que seria representada pela primeira vez em Berlim em Setembro de 1919. O governo bávaro concedeu-lhe o perdão, mas ele recusou-o em solidariedade com os outros presos políticos. Nunca deixou de escrever enquanto esteve encarcerado.
Em 1933, com a tomada do poder pelos nacional-socialistas, emigrou para a América do Norte, onde habitou em diferentes cidades. As autoridades nazis retiraram-lhe, entretanto, a nacionalidade alemã. Fez conferências e trabalhou como cenarista. Em 1936, instalou-se em Nova Iorque, onde viveu no meio de um grupo de artistas e escritores exilados. Mergulhou numa grande depressão, ao ser abandonado pela mulher e ao sentir graves problemas económicos, pois tinha dado todo o seu dinheiro aos refugiados da Guerra de Espanha. Suicidou-se por enforcamento, no seu quarto de hotel, aos 45 anos de idade.

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