"Escrita - Acto Solitário, mas que se deve Partilhar" - Gabriel de Sousa *** "Quanto mais envelhecemos, mais precisamos de ter que fazer" - Voltaire *** "Homens de poucas palavras são os melhores" - Shakespeare *** "Um Banco é como um tipo que nos empresta o chapéu-de-chuva quando está sol e que o pede assim que começa a chover" - Mark Twain
sábado, 23 de dezembro de 2006
EFEMÉRIDE - João Pinto Delgado, o maior poeta cripto-judeu do século XVII, morreu em Amesterdão, no dia 23 de Dezembro de 1653. Nascera em Portimão em 1580. Deixou o Algarve e mudou-se com a família para Lisboa, quando tinha 20 anos, com o objectivo de estudar e prosseguir a ambicionada carreira literária. Foi na capital portuguesa, então já sob domínio espanhol, que contactou pela primeira vez com as obras dos grandes escritores ibéricos, que circulavam ainda sob a forma de manuscritos. Embora existam alguns poemas seus em língua portuguesa, a maior parte da sua obra foi escrita em espanhol. Em 1624, João Pinto Delgado partiu para Ruão, juntando-se aos pais, que tinham escapado à Inquisição portuguesa. Foi nesta cidade francesa, onde o pai era um dos líderes da comunidade judaica, que publicou uma colecção de poemas que veio a cimentar a sua reputação literária: Lamentaciones del Profeta Ieremias. Ainda perseguida pela Inquisição, a família partiu para Antuérpia e em seguida para Amesterdão. Foi na Holanda que, beneficiando da relativa tolerância religiosa, passou a praticar o judaísmo de forma aberta e livre pela primeira vez. Passou a chamar-se Moshe (Moisés) Pinto Delgado. Na sua obra poética, João Pinto Delgado buscou frequentemente a sua inspiração na Bíblia Hebraica. Nota-se uma atracção especial por histórias que relatam o poder de Deus para resgatar Israel em tempos de sofrimento, tal como o demonstram as narrativas de Ester e do Êxodo, ambas adaptadas poeticamente por João Pinto Delgado.
Sem comentários:
Enviar um comentário