
É considerado um dos mestres da comédia satírica. Teve um papel preponderante na dramaturgia francesa, até então muito dependente da mitologia grega, e usou as suas obras para criticar os costumes da época. É considerado o fundador, indirecto, da Comédie-Française. Como encenador, ficou conhecido pelo seu rigor e meticulosidade.
Entrou em 1633 no prestigiado Liceu de Jesuítas de Clermont, onde completou a sua formação escolar seis anos mais tarde.
Entre as suas primeiras obras encontrava-se uma tradução, hoje perdida, do “E Rerum Natura”do filósofo romano Lucrécio.
Quando completou dezoito anos, o pai atribuiu-lhe o título de “tapeteiro do rei” e o cargo associado de “criado de quarto”, o que lhe possibilitou o contacto estreito com a corte. Em 1642 licenciou-se em Direito.
Em Junho de 1643 ajudou a fundar a companhia L'Illustre Théâtre. Fez algumas actuações na província e, em 1644, apresentou-se em Paris. Passou então a dirigir a companhia que, no entanto, entrou em bancarrota em 1645. A partir dessa altura assumiu o pseudónimo de Molière, inspirado no nome de uma pequena aldeia do sul de França segundo uns, ou escolhido em homenagem ao escritor libertário François de Molière (1599-1624) segundo outros. A falência da companhia valeu-lhe algumas semanas de prisão por causa das dívidas. Partiu depois numa tournée, como comediante itinerante. Esta vida errante durou cerca de catorze anos. Durante estas viagens conheceu o Príncipe de Conti, governador do Languedoc, que se tornou seu mecenas de 1653 a 1657.
Molière fixou-se em Paris em 1658, onde apresentou - no Louvre - a tragédia “Nicomède de Corneille” e também a sua pequena farsa “O Médico Apaixonado”.
Com a ajuda de um novo mecenas, juntou-se a uma famosa companhia local italiana que se dedicava à “commedia dell'arte”. Instalou-se depois no teatro do Petit-Bourbon onde, em 1659, estreou a peça "As Preciosas Ridículas" - uma das suas obras-primas.
Em 1662 mudou-se para o Théâtre du Palais-Royal, ainda com os seus colegas italianos, encenando - entre outras peças - "Escola de Mulheres", que é outra das suas melhores obras.
Um chamado Partido dos Devotos começou a emergir entre a alta sociedade francesa, protestando contra o excessivo realismo e irreverência de Molière. O rei Luís XIV, que lhe tinha concedido uma pensão (privilégio pela primeira vez dado por um rei a um comediante), não deixou porém de tomar o partido de Molière.
"Tartufo" foi encenado em Versalhes, em 1664, tornando-se no maior escândalo da carreira artística de Molière. A descrição da hipocrisia geral das classes dominantes e sobretudo do clero foi considerada ofensiva e imediatamente contestada.
Em 1666, apresentou "O Misantropo". Considerada, hoje em dia, uma das suas obras mais refinadas e com um conteúdo moral mais elevado, foi contudo pouco apreciada no seu tempo, tendo sido um fracasso comercial. No mesmo ano escreveu "Médico à Força" que foi um sucesso.
Tendo adoecido gravemente (provavelmente tuberculose), a sua produção teatral sofreu uma quebra quantitativa. A sua última obra foi "O Doente Imaginário", ainda hoje uma das suas peças mais representada. Molière sofreu várias convulsões ao representá-la pela quarta vez, contra a opinião dos amigos e dos médicos, e morreu horas depois na sua casa de Paris, vítima de congestão pulmonar.
Especula-se ainda hoje sobre a verdadeira autoria de algumas das suas obras. O verdadeiro autor, segundo alguns, seria o também escritor Pierre Corneille…
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