
De ascendência transmontana, foi buscar o seu pseudónimo ao nome dos pais (Sebastiana e Albano). Pertenceu à jovem vaga de autores moçambicanos que vingaram na literatura lusófona.
Viveu em Braga até 1950, ano em que a família se radicou em Moçambique. Formou-se em jornalismo e leccionou em várias escolas, contraindo casamento com uma mestiça.
Em 1965, publicou o livro “Poesias”, com poemas inspirados na sua própria biografia. Foi, embora por pouco tempo, administrador da província de Zambézia
Só regressou a Portugal em 1981, voltando a viver na “Cidade dos Arcebispos”. Colaborou no “Correio do Minho”.
Uma curta experiência em Lisboa, com a família, aumentou-lhe a tendência anti-social e libertária. Regressou a Braga só, isto é, sem a mulher e sem as filhas. Optou definitivamente por ter as estrelas como tecto, depois de curtas estadas em quartos arrendados. Como parceiros de vida tinha o álcool, a música e a poesia. A rádio “Antena 2” e uma harmónica de boca alimentavam-lhe a melomania; o álcool, sempre dissimulado num saco de plástico, entorpecia-lhe a voz da consciência; a poesia embalava-o no sonho idealista de submeter o mundo à ordem musical.
Era uma figura controversa, por rejeitar teimosamente qualquer oferta de protecção ou abrigo, por ser bêbado, provocador e incumpridor contumaz das normas sociais. Por outro lado, era um ser desprendido. Dava o pouco dinheiro que tinha a mendigos ou vadios, sendo ele mesmo um mendigo, mas de grande dignidade, pois apenas aceitava actos de caridade contra actos de gratidão: tocava peças musicais ou oferecia poemas a quem o ajudava. Até os 1 500 contos do “Grande Prémio ITF” deu às filhas.
Faleceu vítima de atropelamento. Deixou um bilhete dirigido ao irmão: «Se um dia encontrarem morto o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá».
Só teve o reconhecimento público depois da editora Assírio e Alvim lhe ter publicado em Lisboa “A Noite Dividida”.
Para o poeta Rui Knopfli, «a verve de Sebastião Alba era apanágio de muito poucos poetas, tanto mais que assumiu a condição de despojado e desprendido, própria dos espíritos que se dão à Arte, o mesmo é dizer à Humanidade, sem esperar outro retorno que não seja de ordem espiritual».
Muito versado em cultura musical e literária, tinha alguns amigos que o procuravam e concedia conversas e entrevistas a alunos do ensino secundário e a universitários. Tinha uma grande paixão pelas filhas que visitava com regularidade. Morreu sem identidade civil e tornou-se num problema para as autoridades. Finalmente, identificado pela família, o seu corpo rumou a Torre D. Chama, a terra dos pais.
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