Criada
numa tradicional família muçulmana senegalesa, Mariama usou a literatura para
tecer críticas a respeito da desigualdade entre homens e mulheres devido à
tradição africana.
Lutou
por melhorias na condição da mulher senegalesa, tendo sido fundadora e
presidente do Cercle Fémina, voltado para projectos relacionados com as
mulheres.
Foi
membro da Federação das Associações de Mulheres do Senegal, além de
professora e inspectora de educação primária.
As
suas obras reflectem principalmente as condições sociais do seu entorno
imediato e da África em geral, bem como os problemas resultantes: poligamia,
castas, exploração das mulheres em seu primeiro romance; oposição da família,
falta de capacidade de se adaptar a um novo ambiente cultural frente aos
casamentos inter-raciais no segundo.
Mariama
nasceu na capital do Senegal. Era filha de Fatou Kiné Gaye e de Amadou Bâ (1892/1967),
que foi funcionário da administração colonial, vice-prefeito de Dakar em 1947 e
ministro da Saúde do Senegal em 1957. A sua mãe faleceu no começo da
década de 1930 e Mariama acabou criada pelos avós maternos, muçulmanos
tradicionais, em São Luís. O seu avô trabalhou como intérprete para a ocupação
francesa.
Mariama
ingressou numa escola francesa onde se destacou enquanto estudante. Após obter
o certificado do ensino primário aos 14 anos, entrou na Escola Normal de
Rufisque em 1943, de onde saiu com o diploma de professora em 1947. Ao
mesmo tempo em que estudava na escola normal, frequentava uma escola corânica.
Leccionou
durante doze anos e, em seguida, pediu para ser transferida para a Inspecção
Regional de Educação por motivos de saúde.
Do
seu primeiro casamento com Bassirou Ndiaye, teve três filhas. O seu segundo
marido foi Ablaye Ndiaye, com quem teve uma filha. Com o terceiro marido,
membro do parlamento senegalês, Obèye Diop-Tall, Mariama teve cinco filhos, mas
o casamento acabou em divórcio. As suas experiências com os casamentos e a
criação dos filhos fê-la envolver-se em várias organizações voltadas para o
planeamento familiar e para os direitos das mulheres, dando palestras e
escrevendo artigos em jornais.
Mariama
faleceu em 1981, aos 52 anos, devido a um cancro. Um colégio em Goreia (Casa
da Educação Mariama Bâ) tem o seu nome.
Em
2007, uma biografia de Mariama foi publicada por sua filha, Mame Coumba Ndiaye,
chamada “Mariama Bâ ou les allées d’un destin”.

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