Juventude...
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, músico brasileiro, considerado o principal criador do ritmo Bossa Nova, nasceu em Juazeiro, Bahia, no dia 10 de Junho de 1931. Teve o seu primeiro violão aos 14 anos de idade, oferecido pelo avô. Desde então, nunca mais o largou. Na década de 1940, passava todos os seus tempos livres a escutar Duke Ellington, Dorival Caymmi e Dalva de Oliveira. Aos 18 anos, decidiu mudar-se para Salvador com a intenção de ser cantor de rádio e crooner. Foi depois para o Rio de Janeiro, em 1950, onde teve algum sucesso fazendo parte do grupo “Garotos da Lua”. Entretanto, foi “expulso” desta banda por indisciplina, vivendo alguns anos de modo errante e marginal, ainda que obcecado pela ideia de criar uma nova forma de se expressar com o violão. A sua teimosia foi finalmente recompensada. Após conhecer Tom Jobim - pianista acostumado à música clássica e também compositor, influenciado pela música norte-americana da época (principalmente o jazz) - e um grupo de estudantes universitários de classe média, igualmente músicos, lançou o movimento que ficou conhecido por “Bossa Nova”.A Bossa Nova é uma mistura do ritmo sincopado da percussão do samba, numa forma simplificada e ao mesmo tempo sofisticada, que pode ser tocada num violão sem acompanhamento adicional. Quanto à técnica vocal, ela consiste em cantar num tom de voz uniforme, com voz emitida sem vibrato, e com um fraseado disposto de forma única e não convencional (ora antes, ora depois da base rítmica), e de forma a eliminar o próprio ruído da respiração e outras imperfeições.
Apesar da fama granjeada com a recém-criada bossa nova, a sua primeira gravação lançada comercialmente foi uma participação como violonista, no disco de Elizeth Cardoso “Canção do Amor Demais”, composto por canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes (1958). Pouco depois desta gravação, João Gilberto gravou o seu primeiro disco, “Chega de Saudade”. A faixa-título, composta por Tom e Vinicius, foi um êxito no Brasil, lançando a carreira de João Gilberto e, por consequência, de todo o movimento da bossa nova. Este disco foi seguido de outros dois, em 1960 e 1961, nos quais ele apresentou músicas de uma nova geração de cantores e compositores. Por volta de 1962, a bossa nova tinha sido adoptada também por músicos de jazz norte-americanos. A convite de um deles (Stan Getz), João Gilberto e Tom Jobim fizeram aquele que se tornou um dos melhores álbuns de jazz de todos os tempos, “Getz/Gilberto”. Com este álbum, a composição de Jobim “Garota de Ipanema” (na sua versão em inglês, “The Girl from Ipanema”) tornou-se um sucesso mundial, cantado em várias línguas e por cantores como Frank Sinatra, Nat King Cole e Ella Fitzgerald.
João Gilberto continuou a fazer espectáculos na década de 1960, não lançando porém outros trabalhos até 1968, ano em que gravou “Ela é Carioca”, durante o tempo em que residiu no México. O disco “João Gilberto” foi lançado em 1973 e apresentou uma sensibilidade musical quase mística.
Nos anos 1980 colaborou com Gilberto Gil, Caetano Veloso e Maria Bethânia (criadores, em fins da década de 1960, do movimento conhecido como “Tropicália”). O CD “João Voz E Violão”, lançado em 2000, assinalou um retorno aos clássicos da bossa nova, como “Chega de Saudade” e “Desafinado”. Este disco, uma homenagem à música da sua juventude, foi produzido por Caetano Veloso.
A última das suas raras tournées aconteceu em 2008, no Brasil, em duas apresentações: no Auditório Ibirapuera em São Paulo, com todos os ingressos vendidos em aproximadamente uma hora; e no Rio de Janeiro, para uma apresentação no Theatro Municipal, em que aconteceu o mesmo. João Gilberto pediu para encerrar a tournée no Teatro Castro Alves, em Salvador, capital da sua Bahia, onde o sucesso foi repetido, com todo o público a acompanhá-lo em coro.
De personalidade perfeccionista, quase nevrótica, não tolera nos seus shows: celulares, cochichos na plateia, ar condicionado barulhento ou altifalantes mal regulados, tendo já abandonado alguns espectáculos por falta de silêncio. É considerado um génio e uma lenda viva da música popular brasileira.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – António Luciano Pacheco de Sousa Franco, jurista e político português, morreu em Matosinhos no dia 9 de Junho de 2004. Nascera em Oeiras, em 21 de Setembro 1942.Era licenciado em Direito e doutorado em Ciências Jurídico-Económicas. Tornou-se professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa em 1980. Destacou-se no ensino das disciplinas de Finanças Públicas e Direito Financeiro, Direito da Economia e Direito Comunitário. De 1979 a 1985 foi presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Direito de Lisboa.
Assumiu o cargo de secretário de estado das Finanças em 1976. Em 1979 aderiu ao Partido Social Democrata, do qual foi líder interino, entre 1977 e 1978, devido à ausência de Francisco Sá Carneiro.
Abandonou o PSD na cisão que deu origem à Acção Social Democrata Independente em 1979. No mesmo ano integrou o governo de Maria de Lurdes Pintasilgo, como ministro das Finanças, e foi o primeiro presidente da Comissão Parlamentar de Integração Europeia.
Aderiu ao Partido Socialista em 1985. Voltou a assumir o Ministério das Finanças, no primeiro governo de António Guterres de 1995 a 1999.
Em 1986 tomou posse como presidente do Tribunal de Contas, a convite de Miguel Cadilhe, ministro das Finanças do primeiro governo de Cavaco Silva.
Em 2004 foi cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu, falecendo na lota de Matosinhos, devido a um ataque cardíaco durante uma acção de campanha muito conturbada. Em sua honra foi criado o Prémio Professor António Sousa Franco, destinado a galardoar trabalhos inéditos na área do Direito Comunitário.
Era casado com Maria Matilde Pessoa Figueiredo de Magalhães, uma sobrinha materna de António Sérgio.
Foi condecorado com a Grande Cruz da Ordem Militar de Cristo e com a Ordem de Santiago da Espada.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – José Camacho Costa, actor português, nasceu em Odemira no dia 8 de Junho de 1946. Faleceu em Lisboa, em 1 de Março de 2003.Estudou no Colégio Nun'Álvares de Tomar e licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Foi crítico de cinema, entre 1973 e 1978, no “Diário de Lisboa” e no “Expresso”. Colaborou também nas publicações: “Sempre Fixe”, “Vida Mundial”, “Diário Popular”, “Jornal Novo”, “Luta”, “Isto é Espectáculo”, “Abril” e “Jornal do Fundão”. Foi ao teatro, no entanto, principalmente à comédia portuguesa, que mais se dedicou. Depois da sua primeira participação, em 1974, na revista do Teatro Adóque, “Mil Novecentos e Vinte e Seis, Noves Fora Nada”, participou em mais de vinte produções nos teatros do Parque Mayer (1976/2000). Em 2001 colaborou com os “Artistas Unidos”, onde foi dirigido por Jorge Silva Melo e Solveig Nordlund.
Iniciou-se no cinema pela mão de Eduardo Geada, em “Sofia e a Educação Sexual”, mas foi Lauro António quem lhe atribuiu o primeiro papel de relevo, com a personagem de Padre Pita em “Manhã Submersa”. Seguiram-se, entre outros, “O Barão de Altamira” de Artur Semedo e “Saudades Para Dona Genciana” de Eduardo Geada.
Na televisão popularizou-se na sitcom “Os Malucos do Riso”, onde interpretava os personagens Lelo e Compadre Cacildo. Apareceu igualmente em telenovelas, como “Cinzas”, “Roseira Brava” e “Xica da Silva”, e nas séries “O Café do Surdo”, “Nico d'Obra” e “Sozinhos em Casa”. Apresentou ainda, durante algum tempo, o programa diário “Às Duas Por Três”.
Vítima de cancro pulmonar, não deixou de aparecer nos ecrãs, mesmo combalido pela doença. Numa dessas últimas aparições chegou a dizer: «não fui eu que apanhei um cancro, o cancro é que apanhou um Camacho Costa…».
terça-feira, 7 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – Anna Sergeyevna Kournikova, modelo e tenista russa, nasceu em Moscovo no dia 7 de Junho de 1981.Aos cinco anos recebeu a primeira raquete de ténis, oferecida pelos pais que tiveram de vender um televisor para a comprar. Inicialmente, a ideia dos pais era apenas que fizesse exercício físico. A pequena Anna começou por jogar num clube situado perto de casa, ao mesmo tempo que prosseguia os estudos.
Aos onze anos, mudou-se com a mãe para a Flórida, nos Estados Unidos, para que pudesse aperfeiçoar-se com um treinador conceituado. Os treinos deram resultado e aos 14 anos venceu a Taça da Federação a convite da Selecção Russa. Kournikova tornou-se na mais jovem tenista de sempre a vencer a competição. Ainda em 1995 venceu o Campeonato da Europa para tenistas até aos 18 anos.
No ano seguinte, estreou-se no circuito feminino internacional, o WTA, no U.S. Open, onde foi eliminada pela alemã Steffi Graf, na altura a número 1. Mesmo assim, foi considerada a melhor estreante da temporada. Em 1997, melhorou as suas prestações e chegou aos quartos de final do Torneio de Wimbledon, na Inglaterra, vencendo em Tóquio uma prova na categoria de pares ao lado da norte-americana Monica Seles. Os bons resultados tornaram-se uma constante e chegou finalmente ao Top 10 do ranking feminino.
Aos 18 anos venceu pela primeira vez um torneio profissional em Midland, no Michigan, e alcançou o primeiro triunfo numa prova do Grand Slam (os quatro torneios mais importantes da temporada) ao vencer, ao lado da suíça Martina Hingis, a categoria de pares no Australia Open.
Paralelamente à carreira desportiva dedicou-se à publicidade, participando como modelo em campanhas para diversas marcas conceituadas e aparecendo na capa de inúmeras revistas, o que acabou por gerar inúmeras críticas já que «nunca ganhara nenhum torneio no Circuito WTA como individual e usava a sua beleza física para se promover facilmente em todo o mundo». Este facto, aliado a algumas lesões sucessivas, forçaram-na a pôr termo à sua carreira desportiva em 2003.
Vive em “união de facto” com o cantor Enrique Iglesias desde 2002, habitando em Miami. Ter-se-iam casado secretamente em 2010 ou 2011.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – Malangatana Valente Ngwenya, artista plástico e poeta moçambicano, nasceu em Matalana no dia 6 de Junho de 1936. Morreu no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, Portugal, em 5 de Janeiro de 2011. Produziu trabalhos em vários suportes e meios, desde desenho e pintura, até escultura, cerâmica, poesia e música.Passou a infância a ajudar a mãe na fazenda familiar, enquanto frequentava a Escola da Missão Suíça Protestante, onde aprendeu a ler e a escrever. Após o seu encerramento, passou para a Escola da Missão Católica, concluindo a terceira classe. Aos 12 anos, mudou-se para Lourenço Marques (actual Maputo) à procura de trabalho, tendo tido vários ofícios humildes e acabando por ser, em 1953, apanhador de bolas num clube de ténis, o que lhe permitiu retomar os estudos, frequentando aulas nocturnas que lhe despertaram o interesse pelas artes. Um dos membros do clube de ténis, ofereceu-lhe material de pintura e ajudou-o a vender os seus primeiros trabalhos.
Em 1958 ingressou no Núcleo de Arte, uma organização artística local. No ano seguinte, integrou uma exposição colectiva de pintura. Passou a artista profissional graças ao apoio do arquitecto português Pancho Guedes, que lhe cedeu um espaço para instalar o seu atelier, ao mesmo tempo que lhe adquiria dois quadros mensalmente. Em 1961, aos 25 anos, fez a sua primeira exposição individual no Banco Nacional Ultramarino. Em 1963 publicou alguns poemas no jornal “Orfeu Negro” e foi incluído na “Antologia da Poesia Moderna Africana”.
Por essa época, foi indiciado como membro da FRELIMO, ficando preso na cadeia da Machava até ser absolvido em Março de 1966. Em Janeiro de 1971, foi novamente detido, a fim de esclarecer o simbolismo do quadro “25 de Setembro”, o que pôs em risco a sua partida para Portugal, onde obtivera uma bolsa da Fundação Gulbenkian para estudar gravura e cerâmica.
Depois da independência de Moçambique, foi eleito deputado pela FRELIMO em 1990. Em 1998 foi eleito para a Assembleia Municipal de Maputo e reeleito em 2003. Participou em acções de alfabetização e na organização das aldeias comunais na Província de Nampula. Foi um dos fundadores do “Movimento Moçambicano para a Paz” e fez parte dos “Artistas do Mundo contra o Apartheid”.
A sua obra girou à volta de acontecimentos políticos e históricos de Moçambique, focando-se até 1975 nas injustiças do colonialismo português e na luta anticolonial e, depois da independência, nos temas centrais do país, como a guerra civil. Após esse período, começou a versar temas mais amplos e universais, capturando a dureza da vida e os seus aspectos heróicos. A partir dos anos 1980, os seus trabalhos passaram a ter um carácter mais sensual e muito marcado pelo amor.
Fez exposições individuais em Moçambique, Portugal, Macau, Alemanha, Áustria, Bulgária, Chile, Cuba, Estados Unidos, Espanha, Índia e Turquia. Além da pintura, ficou também conhecido pelas suas obras de desenho, aguarela, gravura, cerâmica, tapeçaria e escultura, encontrando-se representado em vários museus e galerias públicas, bem como em colecções privadas, por todo o mundo.
Foi galardoado com a Medalha Nachingwea, pelo seu contributo para a cultura moçambicana, e condecorado em Portugal com o Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique. Em 1997, a UNESCO nomeou-o “Artista pela Paz”, sendo-lhe atribuído o Prémio Príncipe Claus.
Em 2010 recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Évora e a condecoração, atribuída pelo governo francês, de “Comendador das Artes e Letras”.
domingo, 5 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – Erasmo Carlos, de seu verdadeiro nome Erasmo Esteves, cantor e compositor brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro em 5 de Junho de 1941.A sua parceria com Roberto Carlos é seguramente a de maior sucesso na história da música popular brasileira, tanto em termos de vendas como em gravações feitas por outros artistas, não só do Brasil mas igualmente de outros países. Os dois compuseram mais de 500 canções.
Erasmo foi apresentado a Roberto que precisava da letra da canção “Hound Dog”, um sucesso na voz de Elvis Presley. Erasmo seria a pessoa que possuía tal letra, pois era um grande fã do cantor americano. Descobriram depois outras afinidades, pois ambos admiravam James Dean, Marlon Brando e Marilyn Monroe, torcendo igualmente pelo Vasco da Gama. Fizeram parte do grupo “The Snakes”, onde Erasmo aprendeu a tocar violão.
Com a chegada da Bossa Nova, Erasmo também se deixou influenciar pelo género. Antes de seguir carreira a solo, fez ainda parte da banda “Renato e Seus Blue Caps”.
Participou no programa “Jovem Guarda” onde tinha a alcunha de Tremendão, imitando as roupas e o estilo de seu ídolo Elvis. Os maiores sucessos como cantor, nessa fase, foram “Gatinha Manhosa” e “Festa de Arromba”.
Participou nos filmes “Roberto Carlos a 300 Quilómetros por Hora” (1971) e “Os Machões” (1972).
Nos anos 1980 começou com outro projecto ambicioso: ”Erasmo Convida”. Foram 12 canções interpretadas em dueto com Nara Leão, Maria Bethânia, Gal Costa, Wanderléa, “As Frenéticas”, Gilberto Gil, Rita Lee, Tim Maia, Jorge Ben e Caetano Veloso. A faixa de abertura do álbum foi a que teve maior destaque nas rádios: “Sentado à Beira do Caminho”, com Roberto Carlos.
O LP “Mulher” teve grande êxito, mas trouxe-lhe igualmente a obrigação contratual por parte da editora Polygram de lançar um trabalho inédito todos os anos.
O projecto “Nordeste Já” (1985) abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação colectiva, com as canções “Chega de Mágoa” e “Seca d'Água”.
Em 1995 foi elemento destacado nas comemorações dos trinta anos da “Jovem Guarda”, que rendeu vários discos e shows. No ano seguinte, gravou o álbum “É Preciso Saber Viver”, com regravação de canções do seu repertório. Sobressaía “Do Fundo do Meu Coração”, um dueto com Adriana Calcanhotto.
Só em 2001 voltou a lançar um novo disco: “Pra Falar de Amor”. Destacava-se “Mais um na Multidão”, dueto com Marisa Monte da autoria de Erasmo Carlos, Marisa Monte e Carlinhos Brown. No ano seguinte, lançou o seu primeiro DVD ao vivo, além de um CD duplo.
No início de 2004 publicou “Santa Música”, com doze canções de sua autoria. Em 2007 lançou de novo um disco, no qual recebeu convidados. “Erasmo Convida, Volume II” apresentou encontros musicais em que fez parceria com Roberto, Adriana Calcanhotto, Simone, Marisa Monte, Milton Nascimento e as bandas “Skank” e “Los Hermanos”.
Em 5 de Junho de 2009, dia em que completou 68 anos, lançou através da sua editora “Coqueiro Verde”, o CD “Rock 'n' Roll”, uma homenagem ao género que mais o influenciou.
Em 2010 compôs, em colaboração com Eduardo Lages e Paulo Sérgio Valle, um samba enredo para a “GRES Beija-Flor”.
sábado, 4 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – Jorge Manuel de Abreu Palma, compositor e cantor português, nasceu em Lisboa no dia 4 de Junho de 1950.Aos seis anos, ao mesmo tempo que aprendia a ler e a escrever, iniciou os estudos de piano. Teve lugar no Conservatório Nacional a sua primeira audição. Aos treze, recebeu o seu primeiro prémio, o 2º lugar, no Concurso Internacional de Piano integrado no Festival das Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca.
Estudou no Liceu Camões e num colégio interno em Mouriscas, perto de Abrantes. Durante a adolescência, a par da formação clássica, começou a interessar-se pelo rock and roll e, de um modo geral, pela música popular americana e inglesa. Foi por essa altura que descobriu a guitarra. Bob Dylan, Led Zeppelin e Lou Reed foram algumas das suas influências.
Em 1967, no Algarve, integrou o grupo “Black Boys”, tocando órgão. Esta primeira experiência profissional durou cerca de seis meses e foi interrompida por uma aparição “oportuna” do seu pai, num dos bares em que o grupo tocava, num momento em que a experiência já se estava a esgotar, culminando no regresso a Lisboa e no recomeço dos estudos secundários.
De 1969 a 1971, enquanto estudava Engenharia na Faculdade de Ciências de Lisboa, integrou o grupo pop-rock “Sindicato”, como teclista e cantor.
A sua estreia a solo aconteceu com o single “The Nine Billion Names of God” (1972). Nesta época começou a colaborar com Ary dos Santos, que o ajudou a aperfeiçoar a escrita poética e com quem estabeleceu uma relação aluno-mestre. Deste contacto resultou o EP “A Última Canção” (1973), com quatro composições de Jorge Palma, duas delas com letras de Ary dos Santos.
Ainda em 1972, realizou uma viagem transcontinental passando pelos Estados Unidos, Canadá e Caraíbas. Nesse mesmo ano abandonou os estudos de Engenharia.
Em Setembro de 1973, recusou cumprir o serviço militar obrigatório em virtude da Guerra do Ultramar, que considerava injusta. Partiu para a Dinamarca, onde lhe foi concedido asilo político. Trabalhou como empregado num hotel. Em simultâneo, compunha e escrevia letras, participando por vezes em programas de rádio onde apresentava composições suas e de outros intérpretes da música popular portuguesa.
Regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, iniciando a carreira de orquestrador na indústria discográfica, entre 1974 e 1977. Fez arranjos para Pedro Barroso, Paco Bandeira, Rui de Mascarenhas, Tonicha e Adelaide Ferreira. Participou como instrumentista em gravações de José Barata Moura e José Jorge Letria.
Em 1975, gravou o seu primeiro LP, “Com uma Viagem na Palma da Mão”, para a editora Valentim de Carvalho, com canções compostas durante o exílio em Copenhaga.
Depois da gravação do seu segundo trabalho discográfico, “Té Já” (1977), e de uma digressão ao Brasil como músico de Paco Bandeira, partiu em viagem, cantando e tocando guitarra nas ruas de várias cidades espanholas (1977) e francesas (1978-1981), nomeadamente Paris, interpretando repertório de compositores de música popular americana, como Bob Dylan, Crosby, Leonard Cohen, Neil Young e Simon & Garfunkel.
Em 1979 viveu alguns meses em Portugal, gravando “Qualquer Coisa Pá Música”, o seu terceiro álbum de originais, com membros do grupo acústico “O Bando”, seguindo-se uma série de actuações, a solo e com o referido grupo.
No início da década de 1980 regressou a Paris, voltando a Portugal em 1982 para gravar o álbum duplo “Acto Contínuo”, com gravação prevista ao vivo, mas que acabou por ser gravado em estúdio e num curto espaço de tempo.
Em 1984 realizou diversos concertos em Portugal, França e Itália. O ano seguinte foi marcado pelo lançamento do seu sexto álbum de originais e um dos mais aclamados da sua carreira, “O Lado Errado da Noite”, pelo qual recebeu um “Sete de Ouro” e o “Troféu Nova Gente”. Realizou seguidamente uma longa tournée em Portugal, fazendo a sua primeira grande apresentação em Lisboa no espaço da Aula Magna da Universidade de Lisboa.
Em 1986 concluiu o Curso Geral de Piano no Conservatório Nacional e gravou o seu sétimo álbum de originais, “Quarto Minguante”.
Os anos seguintes foram marcados pela frequência do antigo Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional.
Em 1989 editou “Bairro do Amor”, considerado pelos jornais “Público” e “Diário de Notícias” como um dos melhores álbuns da música portuguesa do século XX.
Durante a década de 1990 suspendeu a gravação de composições originais para se dedicar à reinterpretação da sua obra, participando regularmente noutros agrupamentos, realizando gravações para intérpretes próximos de si, compondo música para teatro e fazendo inúmeros concertos pelo país, que se traduziram num aumento significativo da sua popularidade, sobretudo junto do público mais jovem.
O ano de 1994 ficou marcado por vários concertos, quer a solo, quer com o “Palma's Gang”, destacando-se os concertos do S. Luís, que viriam, mais tarde, a ser transmitidos pela televisão.
Em 1996 musicou poemas de Regina Guimarães, integrados na peça de Bertolt Brecht “Lux in Tenebris” e colaborou com Sérgio Godinho, João Peste, Rui Reininho e Al Berto no espectáculo “Filhos de Rimbaud”, apresentado no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Foi também director musical do espectáculo teatral “Aos que Nasceram Depois de Nós”, baseado em textos de Brecht.
Os anos finais da década de 1990 foram marcados por vários concertos, destacando-se vários durante a Expo. Deslocou-se também Timor-leste na companhia de Fernando Tordo.
Em 2002 recebeu o Prémio José Afonso com o disco “Jorge Palma” e foi nomeado para os Globos de Ouro, promovidos pela SIC, nas categorias de melhor intérprete individual e de melhor música.
Em Novembro de 2008, em Las Vegas, contraiu o seu terceiro matrimónio, com Rita Tomé, sua namorada de longa data.
Lançou em 2010 o single “Tudo por um beijo”, banda sonora do filme “A Bela e o Paparazzo”.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – Tony Curtis, de seu verdadeiro nome Bernard Schwartz, actor norte-americano, popular desde as décadas 1950/1960 pelos seus trabalhos no cinema, tendo participado em mais de cem filmes, nasceu em Nova Iorque no dia 3 de Junho de 1925. Morreu em Las Vegas, em 30 de Setembro de 2010, vítima de paragem cardíaca.Filho de um alfaiate judeu húngaro, teve uma infância bastante difícil no bairro do Bronx, Nova Iorque, onde a família morava nos fundos da alfaiataria. A mãe e um dos seus dois irmãos eram esquizofrénicos, o que fez com que ele e o outro irmão fossem internados num orfanato aos oito anos de idade, por impossibilidade do pai em tomar conta de todos.
Curtis serviu na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial e foi um espectador privilegiado da rendição japonesa na baía de Tóquio em 1945. De volta aos Estados Unidos começou a estudar Arte Dramática e, em 1948, devido à boa aparência e aos olhos marcantes que o tornariam um ídolo do público feminino nos anos seguintes, foi contratado pelo estúdio Universal de Hollywood, que o fez seguir aulas de esgrima e de hipismo, trocando também o seu nome de baptismo para Tony Curtis.
Apesar de parecer apenas mais um “menino bonito” a chegar ao cinema, Tony provaria o seu talento em filmes como “Sweet Smell of Success” com Burt Lancaster; “The Defiant Ones” com Sidney Poitier - que lhe valeu uma nomeação para o Oscar; “Boston Strangler” em que interpretava o papel de um psicopata; e aquele que seria o seu mais duradouro trabalho na lembrança dos cinéfilos, o clássico de Billy Wilder, “Some Like It Hot” com Marilyn Monroe e Jack Lemmon.
Fez diversos trabalhos para televisão, o mais bem sucedido deles na série “The Persuaders” com Roger Moore, bastante popular no início dos anos 1970, que terminou porque Moore foi escolhido para fazer James Bond no cinema.
A partir dos anos 1980, dedicou-se à pintura e à fotografia, conseguindo grande sucesso, com alguns quadros vendidos por 50 000 dólares e um deles exposto no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque.
Curtis lamentava nunca ter ganho um Oscar nem um Globo de Ouro, considerando que o mundo do cinema nunca tinha reconhecido verdadeiramente o seu valor. Conquistou, no entanto, diversas honrarias e tem uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood.
Foi casado seis vezes e teve seis filhos. A grande tragédia de sua vida, depois da dramática infância por que passou, foi a morte do seu filho Nicholas aos 23 anos, em 1994, por overdose de heroína.
Em homenagem às suas origens, húngara e judaica, participou financeiramente na restauração da Grande Sinagoga de Budapeste, a maior da Europa.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – Constantino II da Grécia, rei da Grécia desde 1964 até 1973, ano em que a monarquia foi abolida por uma junta militar, nasceu em Atenas no dia 2 de Junho de 1940.Nascido durante o reinado do seu tio, Jorge II da Grécia, era filho do futuro Paulo I da Grécia e da princesa alemã Frederica de Hanôver. Tem duas irmãs, uma das quais é Sofia, actual Rainha de Espanha.
Quando tinha um ano de idade, a Grécia foi invadida pelos alemães e ele viveu durante quatro anos exilado na África do Sul com a família. Em 1947, Jorge II morreu tragicamente. Em consequência, o pai de Constantino subiu ao trono como Paulo I e Constantino tornou-se o príncipe herdeiro.
Depois de estudar na Escola de Anavryta até 1958, recebeu formação militar nos vários corpos do exército. Esteve na Escola Militar da NATO na Alemanha. Seguiu depois um programa especial de ciências constitucionais e políticas na Faculdade de Direito da Universidade de Atenas.
Constantino foi um desportista apaixonado. Em 1960, com vinte anos, participou nas Olimpíadas de Roma, sendo o porta-bandeira da delegação helénica. Concorreu em Vela e obteve a Medalha de Ouro de “Dragões” com os seus companheiros de equipa Odysseus Eskitzoglou e Georgios Zaimis. Foi também um bom nadador e cinturão negro de karaté.
Em 1964, casou-se com a Princesa Ana Maria da Dinamarca, sua prima em terceiro grau.
Após o golpe militar de 1967, que instaurou a ditadura dos coronéis na Grécia, Constantino, como chefe de Estado, aceitou o juramento do governo golpista, legitimando o novo regime, acto que foi objecto de muitas críticas. Em Dezembro de 1967, foi forçado a fugir do país, após ter tentado um contra-golpe contra a junta. Viveu alguns anos em Roma. Permaneceu de jure como chefe de Estado, até Junho de 1973, quando a junta aboliu a monarquia e proclamou a república. A extinção da monarquia seria confirmada após a queda da junta, através de um referendo em Dezembro de 1974.
Actualmente, Constantino e Ana Maria vivem em Hampstead, Londres. Têm como amigo o Príncipe Carlos, seu primo em segundo grau. Constantino é padrinho de William, filho mais velho de Carlos e da falecida Lady Diana.
Em 1981 foi autorizado a entrar na Grécia durante umas horas para assistir ao funeral da mãe. Depois disso, foi algumas vezes ao seu país em representação do Comité Olímpico Internacional, mas utilizando passaporte dinamarquês.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
EFEMÉRIDE – Maria de Deus Rueff, actriz portuguesa, nasceu na Beira, Moçambique, em 1 de Junho de 1972.Durante a juventude costumava observar os tiques das pessoas com quem se cruzava e usava esse material para imitações com que entretinha a família. Actualmente é uma referência como actriz de comédia da sua geração. Após ter estado prestes a ingressar na Faculdade de Direito de Lisboa, veio a optar pela arte de representar. Diplomou-se em Formação de Actores, na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa.
Em 1991 estreou-se profissionalmente com a peça “Quem muda a Fralda à Menina?”, sob a direcção de Armando Cortez, no Teatro Villaret.
Com o actor João Baião iniciou uma série de “cafés-teatro”, na noite de Lisboa, onde foi descoberta por Herman José e recomendada a Ana Bola, que a levou para a televisão.
Participou em “Os Bonecos da Bola” (1993) e popularizou-se como Rosa, a empregada doméstica da série “A Mulher do Senhor Ministro” (1994). Fez rábulas no talk-show de Marco Paulo, “Eu Tenho Dois Amores” (1994). A partir de “Herman Zap” (1996), passou a integrar o elenco dos programas de Herman José.
Desde 2000 colaborou no “HermanSIC”, criando figuras que ficaram muito populares, como Zé Manel Taxista, Rosette ou Idália, esposa de Nelo na rubrica “Nelo e Idália”.
Em 2001 estreou-se a solo com o “O Programa da Maria” na SIC. Voltou esporadicamente ao teatro, nas peças “Inox”, com textos de Rui Zink e Clara Ferreira Alves (2002), “Antes Eles Que Nós”, de João Quadros (2005), “Celadon” (2005) e “Avalanche” (2006), de Ana Bola.
No cinema, além de vários telefilmes, apareceu em “Os Imortais” de António Pedro Vasconcelos (2003), “A Passagem da Noite” de Luís Filipe Rocha (2003) e “Filme da Treta” de José Sacramento (2006).
Na rádio assinou e interpretou a rubrica “Os Cromos da Bola”, transmitida semanalmente na TSF.
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