
Órfã de mãe aos nove anos, assumiu o comando da casa e a criação dos dois irmãos mais novos.
Tornou-se numa mulher bonita, altiva e de traços marcantes. Caçava e manejava armas de fogo. Tornou-se soldado em 1822, quando o Recôncavo Baiano lutava contra os portugueses a favor da consolidação da independência do Brasil. O historiador Bernardino José de Souza, autor de Heroínas Baianas, explica que no dia 6 de Setembro daquele ano, instalou-se na Vila de Cachoeira, a 80 km da Serra da Agulha, local onde morava a família de Maria Quitéria, o Conselho Interino do Governo da Província. O Conselho defendia o movimento pró-independência da Baía e visava obter adesões voluntárias para as suas tropas.
Maria Quitéria mostrou-se interessada no alistamento, mas foi advertida pelo pai de que as mulheres não iam à guerra. Ela então fugiu e, ajudada pela sua irmã Teresa, cortou os cabelos, vestiu a farda do cunhado e ainda tomou emprestado o seu apelido (Medeiros). Ingressou no Regimento de Artilharia onde permaneceu até ser descoberta, semanas depois. Foi então transferida para o Batalhão dos Periquitos e à sua farda foi acrescentado um saiote.
A sua bravura e habilidade no manejo das armas foram destacadas desde o começo da sua vida militar. No combate da Pituba, em Fevereiro de 1823, atacou uma trincheira inimiga e fez vários prisioneiros. Em Abril do mesmo ano, na barra do Paraguaçu, ao lado de outras mulheres e com água por altura dos seios, avançou contra uma barca portuguesa impedindo o desembarque dos adversários. Em Julho seguinte, quando o Exército Libertador entrou na cidade de Salvador, foi saudada e homenageada pela população. No dia 20 de Agosto foi recebida, no Rio de Janeiro, pelo imperador D. Pedro, que lhe ofereceu a Condecoração de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro e um soldo de alferes. Maria Quitéria aproveitou a ocasião para pedir a Dom Pedro uma carta solicitando ao pai que a perdoasse.
Retornou à fazenda Serra da Agulha e, meses depois, casou-se com o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma única filha, Luísa Maria da Conceição. Em 1835, já viúva, mudou-se para Feira de Santana, acabando por ir para Salvador, onde morou até ao final da sua vida, sobrevivendo unicamente com seu ordenado de alferes.
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