O
seu pai, Fernando Guedes da Silva, era proprietário da Quinta da Aveleda,
perto de Penafiel, e foi um dos fundadores da Comissão de Viticultura da
Região dos Vinhos Verdes, em 1926, entidade que regula a produção
vitivinícola da região e que assegura o reconhecimento dos seus vinhos.
Ainda
jovem, contraiu uma pneumonia que interrompeu os seus estudos. Aos 21 anos, ingressou
na Martinez Gassiot, empresa exportadora de vinhos do Porto. Com a morte
do seu pai, tornou-se co-proprietário da Quinta com os seus cinco
irmãos.
Em
1942, Guedes, os seus irmãos e outros, fundaram a Sociedade Comercial dos
Vinhos de Mesa de Portugal, precursora da Sogrape, actualmente a
maior produtora de vinhos de Portugal, com o objectivo de fazer face às
dificuldades de comercialização do vinho português causadas pela Segunda
Guerra Mundial. O objectivo era exportar vinhos de mesa para o Brasil que,
tal como Portugal, não estava envolvido na guerra. Antes da guerra, a região do
Douro era essencialmente produtora de vinho do Porto, para o qual o Reino Unido
era um mercado importante. Juntamente com Eugène Hellis, o enólogo da Quinta
da Aveleda, desenvolveu o Mateus Rosé, um dos primeiros vinhos rosés
comercializados. O vinho pretendia ter um apelo alargado e, embora os vinhos
rosé fossem raros em Portugal, Guedes decidiu produzi-lo, na esperança de que
fosse apelativo tanto para mulheres como para homens, e para novos consumidores
de vinho. Como parte da abordagem de marketing, Guedes decidiu criar uma nova
forma para a garrafa a utilizar para o Mateus, baseada na forma dos
frascos ou cantis utilizados pelos soldados durante a Primeira Guerra
Mundial.
O
Conde de Mangualde forneceu algumas das uvas utilizadas para o novo vinho, que
foram produzidas na sua propriedade no Palácio de Mateus, perto de Vila
Real. Guedes pensou que uma imagem do palácio seria um rótulo atractivo para o
seu vinho e pediu autorização ao Conde. Acordaram uma taxa de meio escudo
português por cada garrafa vendida, cerca de 0,0025 de um euro. Posteriormente,
o Conde teve dúvidas sobre o acordo, receando que o vinho não fosse um sucesso,
e concordou em vender os direitos por um montante fixo, uma decisão que deve
ter lamentado posteriormente, uma vez que foram produzidas 50 milhões de
garrafas do vinho em alguns anos.
O vinho teve inicialmente um grande sucesso no Brasil, tendo a primeira remessa sido enviada em 1943, mas mais tarde o país proibiu a importação de vinho. Guedes procurou então desenvolver um mercado no resto do mundo, enviando duas garrafas a todas as embaixadas portuguesas e a amigos e conhecidos no estrangeiro, pedindo-lhes que bebessem uma garrafa e enviassem a outra a alguém que considerassem ser um bom agente do vinho no seu país. As vendas dispararam, em parte porque os bebedores descobriram que as garrafas podiam ser usadas para decoração, como candeeiros ou castiçais, e em parte devido à capacidade de marketing e à personalidade contagiante de Guedes. Em 1961, Mateus patrocinou uma corrida de cavalos nas corridas de Ascot, em Inglaterra, tendo apresentado o prémio. As corridas contaram com a presença da Rainha Isabel II, que mais tarde terá pedido que o vinho fosse servido num evento no Hotel Savoy, em Londres. Muitas celebridades foram fotografadas a consumi-lo e é também mencionado na letra de uma canção de Elton John.

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