segunda-feira, 8 de setembro de 2008

EFEMÉRIDE August Wilhelm von Schlegel, poeta, filósofo, tradutor e crítico alemão, nasceu em Hanôver no dia 8 de Setembro de 1767. Morreu em Bona, em 12 de Maio de 1845.
Filho de um pastor luterano, estudou no Hannover Gymnasium e na Universidade de Göttingen. Juntamente com o seu irmão Friedrich, o principal filósofo do romantismo alemão, fundou a revista Athenaeum, porta-voz do Movimento Romântico.
Foi professor a partir de 1798 e, simultaneamente, começou a traduzir Shakespeare para a língua alemã, tradução que é considerada uma das melhores a nível mundial. Nesta época conheceu os escritores Goethe e Schiller.
Foi publicando igualmente livros de poemas e ensaios. Traduziu para alemão várias obras escritas em espanhol (Cervantes entre outros), em português (Camões) e em italiano (Dante entre outros).
Em 1807 publicou um ensaio em língua francesa (Comparaison entre la Phèdre de Racine et celle d'Euripide), em que atacava o classicismo francês, do ponto de vista da escola romântica. Muitas das suas obras foram traduzidas para as principais línguas europeias.
Foi professor de Literatura na Universidade de Bona em 1818 e, durante o resto da sua vida, ocupou-se sobretudo de Estudos Orientais. Iniciou também, na Alemanha, o estudo de línguas asiáticas. Entre 1820 e 1830 fundou a Biblioteca Indiana de Bona.
Nos seus últimos anos, Schlegel renegou algumas teorias românticas da sua juventude e acabou por combater os seus amigos de outrora, Schiller, Goethe e o próprio irmão.

domingo, 7 de setembro de 2008

O VELHO E O MAR

Hoje, após o almoço, dirigi-me para a Baixa, estacionei o carro num parque e apanhei um cacilheiro para a margem sul. Durante a viagem, reparei num ancião que estava encostado á amurada e que tinha um comportamento fora do vulgar. Olhava para o mar, sorria, gritava, batia palmas e quase que pulava apesar da idade. Não fosse o diabo tecê-las, dirigi-me para ele, com ar despreocupado.
- Então tudo bem?Voltou a cabeça e olhou-me com uns olhos vivos e brilhantes.
- Então não havia de estar, amigo? Aqui onde me vê, já tenho quase oitenta anos e nunca tinha visto o mar. Estou a olhá-lo pela primeira vez.
- Como assim?
- Sou de Bragança e vim numa excursão organizada pela
Junta de Freguesia de Espinhosela, no Parque Natural de Montesinho, conhece?
- Não. Nunca lá fui.
- Os meus companheiros de excursão foram dar uma volta pela cidade, visitar museus, ver o zoo e sei lá mais o quê. Eu, ainda em Bragança, disse logo que vinha, mas só para ver o mar. Prometi ao meu neto contar-lhe como ele é.
- Então e está a gostar?
- Imenso. Nem sei se conseguirei explicar-lhe tudo o que estou a ver e a sentir. O mar tão depressa está manso e parece um espelho, como se altera e ruge como um leão. Esta ondulação, passando por baixo do barco parece que nos quer embalar. E este cheiro que eu nunca saberei transmitir! É a isto que vocês chamam
maresia, não é?
- É sim. Eu também gosto muito do mar. Venho muitas vezes aqui só pelo prazer de andar de barco. Se o senhor…
- Ricardo Silva ao seu dispor!
- Eu chamo-me Carlos Trigueiro, sou viúvo e estou reformado há dois anos. Se o amigo Ricardo tivesse tempo, no regresso levava-o a dar um passeio à beira mar. Podíamos ir até ao Estoril e Cascais e ver mesmo a
Boca do Inferno.
- Ai Jesus, como eu adorava! Mas vai ter de me escrever num papel todos esses nomes que está a dizer, para que eu possa contar tudo ao meu Pedrinho. Tenho de estar na
Praça do Comércio às 20 horas, acha que dá tempo?
- Se voltarmos no mesmo barco vai dar.
- Então aceito, mas deixe-me ajudar no custo da gasolina.
- Nem fale nisso homem!
Passados três quartos de hora já íamos a rolar pela Marginal.
- Agora vou um pouco mais depressa até Cascais. No regresso virei mais devagar, pois o mar ficará à sua direita e poderá ver melhor.
- Sou um homem de sorte amigo Carlos. Obrigado. Deus lhe pague.

Quando o deixei cerca das oito da noite no
Terreiro do Paço, já os companheiros o esperavam. Despedimo-nos com um abraço e prometi visitá-lo em Bragança.
- Levo os olhos cheios de mar e sinto-me vinte anos mais novo. Acha que o meu neto vai notar?
- Com certeza que sim.
Subiu para o autocarro e este, dois minutos depois, arrancava rumo ao Nordeste Transmontano. Fiquei a acenar-lhe de longe e a pensar como coisas simples podem fazer a felicidade de alguém.

Gabriel de Sousa
NBPrémio Extra Concurso no XI Concurso Literário da Academia Antero Nobre – 2008 (Pedreiras – Porto de Mós)

“O MEU MINISTRO PREFERIDO” (Portugal)
(sextilhas humorísticas)

JAMAIS

Lino é o meu preferido
Porque mais esclarecido
E bem sabe como é:
Que importa Ota - Alcochete,
TGV ou um foguete?
Lisbon Airport é “Jamé”!

INDEPENDENTE” *

O “Primeiro” é a escolha!
Amante da lei da rolha,
A correr não se faz caro,
O que promete não faz,
É deveras bom rapaz
Com curso “Farinha Amparo”…

TIO PATINHAS” **

Como amo o das Finanças!
Trata-nos como crianças,
Corta aqui e de outros lados
E, para mais nos lixar,
Agora foi inventar
Imposto sobre noivados…

GAFEIRO

As belas gafes do Pinho
Merecem o meu carinho:
P’ra ele, somos otários,
Abre e fecha as empresas
E deixa as pessoas tesas,
Gabando os baixos salários.

DOIS EM UM

Com um sorriso ou mais rude,
Vão tratando da Saúde
…Deixei de viver em ânsias,
P’ra que servem hospitais
Se gostamos muito mais
Ter partos em ambulâncias?

Gabriel de Sousa

*
1º Prémio no XI Concurso Literário da Academia Antero Nobre – 2008 (Pedreiras – Porto de Mós)
** 4º Prémio no XI Concurso Literário da Academia Antero Nobre – 2008 (Pedreiras – Porto de Mós)
PEDREIRAS
(quadras)


1

Sou um feliz forasteiro
Em Pedreiras, terra antiga…
…Vi na Batalha um mosteiro
Com pedra aqui extraída.

2

As olarias e louças
São belas e verdadeiras…
… Mais bonitas, só as moças
Que encontramos em Pedreiras! *
3

A Academia do Nobre
Em Pedreiras se refina:
- É belo manto que a cobre
De cultura genuína!

Gabriel de Sousa

* Menção Honrosa no XI Concurso Literário da Academia Antero Nobre – 2008 (Pedreiras – Porto de Mós)
EFEMÉRIDE Elia Kazanjoglous, conhecido por Elia Kazan, realizador greco-americano, nasceu em Constantinopla, na Turquia, em 7 de Setembro de 1909. Morreu em Nova Iorque no dia 28 de Setembro de 2003.
Começou por ser um notável realizador de espectáculos na Broadway, durante os anos 1940, passando a dedicar-se ao cinema na década seguinte.
Como ponto negro da sua vida, o facto de ter denunciado alguns colegas comunistas ao “Comité de Investigações de Actividades Anti-Americanas” durante o tristemente célebre período da “Caça às Bruxas” nos Estados Unidos. Mais tarde arrepender-se-ia do seu acto, aflorando-o tema num dos seus filmes interpretado por Marlon Brando.
Foi nomeado seis vezes para os Óscares (uma na categoria de Melhor Filme e cinco como Melhor Realizador, tendo ganho o de Melhor Realizador em 1947 com “Gentleman's Agreement” e em 1954 com “On the Waterfront”. Recebeu igualmente um Óscar Honorário em 1999, concedido pela Academia em homenagem à sua carreira.
Ganhou quatro “Globos de Ouro” em 1947, 1954, 1956 e 1963. No Festival de Cannes de 1955 recebeu o “Prémio do Melhor Filme”. Nos Festivais de Veneza foi galardoado igualmente com quatro prémios. Em 1996, no Festival de Berlim, recebeu o “Urso de Ouro” pela sua vida dedicada ao cinema. Teve direito a uma estrela na Calçada da Fama no Hollywood Boulevard.
Entre os filmes mais conhecidos de Elia Kazan, contam-se: “Um Eléctrico chamado Desejo”, “Viva Zapata” e “A Leste do Paraíso”.

sábado, 6 de setembro de 2008

EFEMÉRIDEAkira Kurosawa, um dos realizadores mais célebres do Japão, cujos filmes influenciaram profundamente várias gerações de realizadores de todo o mundo, morreu em Setagaya no dia 6 de Setembro de 1998. Nascera em Tóquio, em 23 de Março de 1910.
Kurosawa começou por tentar ser pintor, mas não prosseguiu os estudos por falta de dinheiro. Continuou no entanto apaixonado pelas artes, principalmente pela literatura, de onde se inspirou para a grande maioria das suas obras cinematográficas. Um seu irmão era narrador de filmes no tempo do cinema mudo mas, com o advento dos filmes sonoros, viu-se desempregado e de tal modo deprimido que se suicidou aos 27 anos. A Kurosawa custou muito aceitar esta tragédia e só alguns anos depois é que ingressou na carreira cinematográfica, como assistente de realizador. Nunca mais parou de trabalhar no cinema e, de 1943 a 1965, dirigiu vinte e quatro filmes seus.
Foi o introdutor dos “filmes sobre samurais”, em que o importante era a honra acima de tudo. Sofrendo de fadiga mental, tentou suicidar-se também em 1971, golpeando os pulsos mais de trinta vezes. Em 1985, no Festival de Cinema de Cannes foi homenageado pelo seu filme "Ran" que ele próprio considerava a "obra da sua vida". Era baseado em adaptações do livro “Rei Lear” de William Shakespeare. Kurosawa adaptou igualmente ao cinema, obras dos escritores russos Dostoievski e Gorki.
Ganhou o “Leão de Ouro “ no Festival de Veneza em 1950, o “Leão de Prata” no mesmo Festival em 1954, o “Urso de Prata” do Festival de Berlim em 1958, um “César” em 1980 e a Palma de Ouro do Festival de Cannes no mesmo ano. Recebeu igualmente um Óscar do Melhor Filme Estrangeiro em 1975 e um Óscar Honorário.
Nas suas obras, Kurosawa descreveu a pobreza, a violência urbana, as destruições ambientais, a doença e a velhice.
Rashōmon foi o filme da sua consagração e, através dele, veio o reconhecimento do cinema japonês na Europa. Nos seus últimos filmes foi ajudado pelos ocidentais Serge Silberman, Francis Ford Coppola e George Lucas, o que lhe permitiu realizar filmes grandiosos, que reconstituíram o “Japão dos Shoguns” e que são verdadeiras obras de arte.
Kurosawa distinguiu-se igualmente pelo uso de teleobjectivas que lhe permitia filmar os actores de longe sem os perturbar. Era um perfeccionista que despendia toda a sua energia e tempo para atingir os efeitos desejados.
Apesar de alguns críticos japoneses o considerarem demasiado ocidentalizado, ele inspirou-se profundamente na cultura japonesa e nomeadamente no “Teatro Kabuki”.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

EFEMÉRIDEJosué Apolônio de Castro, médico, professor, nutricionista, antropólogo, geógrafo, sociólogo, escritor, político, intelectual, humanista e activista brasileiro, nasceu no Recife em 5 de Setembro de 1908. Faleceu em Paris no dia 24 de Setembro de 1973.
Concluiu o curso de Medicina aos 21 anos, na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil. Três anos mais tarde ensinou Fisiologia na Faculdade de Medicina do Recife. Foi professor catedrático de Geografia Humana, na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais do Recife de 1933 a 1935 e professor catedrático de Antropologia, na Universidade do Distrito Federal, de 1935 a 1938. De 1940 a 1964 foi professor catedrático de Geografia Humana na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil.
Josué de Castro viveu três fases da história brasileira: o Governo de Getúlio Vargas (1930/1945), a experiência democrática (1945/1964) e a tomada do poder pelos militares (1964/1973), época em que foi obrigado a exilar-se. Catorze países ofereceram-lhe exílio e ele optou por França, onde viveu até à sua morte. Internacionalmente, foi testemunha dos horrores da 2ª Guerra Mundial e da polarização do mundo em torno dos Estados Unidos e da URSS, no âmbito da chamada Guerra-fria.
Chefiou em 1933 a Comissão que realizou o inquérito sobre as Condições de Vida das Classes Operárias do Recife, o primeiro desta natureza realizado no Brasil. Foi também membro da "Comissão de Inquérito para Estudo da Alimentação do Povo Brasileiro", organizado pelo Departamento Nacional de Saúde em 1936.
Em 1939, foi convidado oficial do Governo Italiano para realizar um ciclo de conferências nas Universidades de Roma e de Nápoles sobre "Os Problemas de Aclimatação Humana nos Trópicos". Vários governos convidaram-no para estudar problemas de alimentação e nutrição, entre eles a Argentina (1942), os Estados Unidos (1943), a República Dominicana (1945), o México (1945) e a França (1947).
O tema da Fome perpassa por quase todos as suas obras, algumas das quais foram objecto de estudos a nível mundial, como a “Geografia da Fome” (1947) e a “Geopolítica da Fome” (1951). A fome foi tratada por Josué de Castro sob o ponto de vista científico e social, com críticas e denúncias das relações sociais existentes.
Em 1957 publicou “O Livro Negro da Fome”, adoptando uma interpretação através do conceito de subdesenvolvimento, influenciado certamente pela actividade política que desempenhou de 1952 a 1955 na FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação da ONU). Josué de Castro dedicou também uma atenção muito especial à fome parcial ou escondida, porque esta, segundo ele, é mais frequente e atinge um maior número de pessoas em todos os continentes.
Entre muitos cargos e distinções recebidas, salienta-se: Presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação, de 1942 a 1944; Fundador e Director do Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil, em 1946; Prémio José Veríssimo da Academia Brasileira de Letras, no mesmo ano; e Doutor Honoris Causa de várias Universidades estrangeiras.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Deficiente... mental!

Campanha eleitoral no Brasil... E viva o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa!!

EFEMÉRIDE Robert Schuman, político e estadista francês, considerado um dos fundadores da Comunidade Europeia, faleceu em Scy-Chazelles, França, no dia 4 de Setembro de 1963. Nascera em Clausen, Luxemburgo, em 29 de Junho de 1886.
Frequentou o ensino primário e secundário no Luxemburgo, tendo feito os estudos de Direito em Berlim, Munique, Bona e Estrasburgo. Exerceu a profissão de advogado em Metz, tendo-se aposentado, por razões de saúde, dois anos após o começo da Primeira Guerra Mundial.
Em 1919 foi eleito Deputado da Assembleia Francesa, mandato renovado até 1940. Reeleito ainda de 1946 a 1962.
Em 1939 começara a Segunda Guerra Mundial e, em Março de 1940, Robert Schuman foi nomeado Sub-secretário de Estado para os Refugiados. Meses depois, foi preso pela Gestapo e colocado secretamente na prisão de Metz. Em 1941 foi transferido para Neustadt, na Renânia, de onde conseguiu fugir e alcançar uma zona livre, em Agosto de 1942.
Presidente do Conselho em 1947, Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1948/1952, ele foi negociador de todos os grandes tratados do final da Segunda Guerra Mundial (Conselho da Europa, Pacto do Atlântico Norte, CECA, etc.).
Propôs em 1950 colocar a produção franco-alemã de carvão e de aço sob uma Alta Autoridade comum, numa organização aberta à participação de outros países da Europa. Esta proposta levou à criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), que constituiu os alicerces da actual União Europeia.
De 1958 a 1960, Schuman foi o primeiro Presidente do Parlamento Europeu, que o condecorou no final de seu mandato com o título de “Pai da Europa”. Retirou-se da política em 1962.
Um processo de beatificação de Robert Schuman foi aberto pela Igreja Católica em 1991, tendo sido ouvidas 200 testemunhas. Este processo, que conta com cinquenta mil páginas e pesa cerca de meia tonelada, encontra-se actualmente em estudo na Congregação para as Causas dos Santos no Vaticano.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Porque estes ginastas não foram aos J.O. de Pequim...

EFEMÉRIDEAntónio Sérgio de Sousa, importante intelectual e pensador português, nasceu em Damão, então “Índia Portuguesa”, em 3 de Setembro de 1883. Faleceu em Lisboa no dia 24 de Janeiro de 1969.
Foi influenciado por diversas culturas, desde logo pela da Índia onde nasceu e pela de África onde viveu vários anos.
Estudou no Colégio Militar, completando o curso da Marinha de Guerra, na sequência do qual viajou para Cabo Verde e Macau. Abandonou a Marinha quando da implantação da República em 1910. António Sérgio não achava importante a questão república/monarquia. Importante para ele era o progresso económico e moral dos portugueses. A sua acção foi basicamente voltada para os problemas da Educação. Quanto Sérgio nasceu, a população portuguesa pouco passava dos cinco milhões, era um país eminentemente rural e com mais de 80% de analfabetos. Para os republicanos a instrução era uma via fundamental para a prosperidade e consideravam que os professores primários deveriam ter um papel importante no desenvolvimento do País.
Apesar de muita legislação, na prática a 1ª República não modificou grandemente a situação educacional em Portugal. Em onze anos houve nada menos de quarenta ministros da Instrução Pública, entre eles António Sérgio durante pouco mais de dois meses. A partir de 1928, com a nomeação de Salazar para ministro das finanças, os partidários da ditadura, Salazar incluído, consideravam que o combate ao analfabetismo era desnecessário: «A parte mais linda, mais forte e mais saudável da alma portuguesa, reside nos seus 75% de analfabetos»!… Em 1932, o Diário do Governo publicou 113 frases (de Salazar a Mussolini) como por exemplo: «Se tu soubesses o que custa mandar, gostarias mais de obedecer toda a vida!». Estas frases destinavam-se a ser expostas nas paredes das escolas.
Foi neste contexto que viveu António Sérgio, tentando remar contra a maré. Fundou a revista Pela Grei; colaborou na revista Águia, com homens como Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa; escreveu na revista Seara Nova, onde se encontravam Aquilino Ribeiro, Raul Brandão, Azeredo Perdigão e tantos outros; foi director da "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira"; escreveu uma imensa obra teórica em grande parte reunida nos seus “Ensaios”; lançou em Portugal a ideia do Cooperativismo, que se viria a revelar a sua obra mais duradoura, nomeadamente ao nível das cooperativas de habitação; criou o ensino para deficientes e teve ainda tempo para fundar o Instituto Português de Oncologia.
Foi professor, nomeadamente da Universidade de Santiago de Compostela, tendo influenciado personalidades como Barahona Fernandes - um dos mais distintos psiquiatras portugueses, o arquitecto Raul Lino, o pedagogo Rui Grácio e o político Mário Soares.
António Sérgio foi, como se depreende, um importante opositor ao regime de Salazar, tendo sido preso em 1933, 1935, 1948 e 1958. A propósito, escreveu: «Foi na prisão que encontrei a verdadeira “união nacional” dos opositores ao regime».
Pode dizer-se, em síntese, que o essencial da actividade política de Sérgio foi a sua ligação à Democracia e à Liberdade, como via principal para a Educação e para a Cultura.

Magia: Tente fazer o mesmo... Talvez consiga!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

EFEMÉRIDEOtto Martins Glória, técnico brasileiro de futebol, faleceu no dia 2 de Setembro de 1986. Nascera no Rio de Janeiro em 9 de Janeiro de 1917.
Treinou as equipas do Botafogo, do Santos, da Portuguesa de São Paulo e do Vasco da Gama no Brasil; do Benfica, do Belenenses, do Porto e do Sporting em Portugal, bem assim como a própria Selecção Nacional Portuguesa. Em França foi técnico do Olympique de Marseille, em Espanha do Atlético de Madrid, no México do Monterrey e na Nigéria da Selecção Nacional Nigeriana.
A Selecção Portuguesa por ele treinada obteve em 1966 a melhor classificação de sempre no Campeonato do Mundo (3º lugar).
É-lhe atribuída esta frase sobre a carreira de um treinador de futebol em Portugal: «Quando ganhamos somos bestiais, quando perdemos somos umas bestas».
Otto Gloria é um dos treinadores mundiais com mais títulos conquistados. No Brasil foi Campeão Carioca e Campeão Paulista; em Portugal foi cinco vezes Campeão Nacional e venceu seis vezes a Taça de Portugal; finalmente, com a Selecção da Nigéria, ganhou a Taça de África das Nações.
Na sua primeira passagem pelo Benfica (1955/1959) estruturou o Clube em moldes profissionais, com óptimos resultados.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

EFEMÉRIDEAntónio Lobo Antunes, escritor português, nasceu em Lisboa no dia 1 de Setembro de 1942. Filho de pai brasileiro e mãe portuguesa, tinha uma avó alemã. Aos treze anos publicou a sua primeira recolha de poemas.
Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa, especializando-se em Psiquiatria, profissão que exerceu durante vários anos. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar, embarcando com destino a Angola no ano seguinte. Regressou três anos mais tarde. A sua experiência na guerra, como médico, inspiraria muitos dos seus livros.
Publicou os seus primeiros romances em 1979, tornando-se desde logo um dos autores portugueses mais lidos.
Desde 1985 que se dedica exclusivamente à Literatura, publicando regularmente também crónicas na Imprensa.
Em 2007 foi-lhe atribuído o Prémio Camões, o maior galardão literário da língua portuguesa. Antes já recebera inúmeros prémios, tais como: o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, por duas vezes, o Prémio Europeu de Literatura (Áustria), o Prémio Ovídio (Roménia), o Prémio Melhor Livro Estrangeiro publicado em França, o Prémio Internacional de Literatura da União Latina (Roma), o Prémio Rosalía de Castro (Galiza), o Prémio Jerusalém de Literatura e o Prémio Ibero-americano das Letras José Donoso (Chile).
António Lobo Antunes tem uma escrita de tal modo densa, que os leitores têm por vezes algum esforço de leitura, havendo tendência para "perder o fio à meada". Apesar de não ser um autor de escrita fácil, constitui no entanto um fenómeno de vendas, mesmo a nível internacional.

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muitas mais...