terça-feira, 26 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Roger Vadim, de seu verdadeiro nome Roger Vladimir Plemiannikov, realizador, produtor e guionista cinematográfico, comediante e romancista francês, nasceu em Paris no dia 26 de Janeiro de 1928. Faleceu, igualmente em Paris, em 11 de Fevereiro de 2000.
O seu primeiro grande filme “E Deus Criou a Mulher” (1956) teve grande impacto internacional, devido ao modo como era tratada a sexualidade. Entre outros filmes famosos, contam-se também “Ao Cair da Noite” (1958) e “Barbarella” (1968).
Além de célebre pelo seu trabalho no cinema, também se tornou famoso pela sua sedução e por ter sido casado com várias e belas mulheres, como por exemplo Brigitte Bardot, Catherine Deneuve e Jane Fonda. Escreveu e realizou filmes para colocar as suas mulheres em cena, tornando-as grandes estrelas do cinema.
Roger tinha por origem uma família da nobreza russa por parte do pai, enquanto a mãe era Provençal. O seu progenitor, após ter obtido a naturalização francesa, foi vice-cônsul de França no Egipto, onde Roger Vadim passou a infância.
No fim de 1938 ficou órfão de pai e a mãe instalou-se em Folliets (Haute-Savoie). Em 1940 partiu para o Var, com a finalidade de seguir os estudos secundários.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a família fixou-se em Paris. Em 1947, com dezanove anos, abandonou o curso no Instituto de Estudos Políticos da Universidade de Paris, preferindo a vida de comediante. Inscreveu-se em Cursos de Comédia e, mais tarde, o escritor André Gide apresentou-o ao realizador Marc Allégret de quem se tornou assistente, ao mesmo tempo que fazia reportagens escritas e fotográficas para a revista Paris-Match. Fotografou Brigitte Bardot, então com quinze anos, para a capa da revista “Elle”, e pediu a Allégret para lhe fazer um casting para actriz. A paixão foi imediata e recíproca.
Em 1950, o casal de namorados, ele com 22 e ela com 16 anos, juntaram-se numas férias paradisíacas em Cap Myrtes, perto de Saint-Tropez. Respeitando o desejo dos pais dela, esperaram pelos dezoito anos de Brigitte para se casarem.
Com o filme “E Deus criou a mulher”, BB tornou-se um mito vivo, um modelo social e um símbolo sexual no mundo inteiro.
Divorciaram-se em 1957 e Roger Vadim consagrou-se definitivamente à realização cinematográfica. Em 1959 realizou “As Ligações Perigosas” com os monstros sagrados do cinema Gérard Philipe e Jeanne Moreau, e com a participação amiga de Boris Vian.
Em 1962, com 35 anos, encontrou Catherine Deneuve, que tinha 19, durante a realização do filme “As Parisienses”. Apaixonaram-se numa noite e ela tornou-se sua companheira. Proporcionou-lhe o seu primeiro grande papel no filme “O Vício e a Virtude” (1963).
Em 1964, com 36 anos, nova paixão, então pela actriz Jane Fonda com 27. Jane foi protagonista de “Barbarella”, o último grande sucesso de Vadim no cinema. Divorciaram-se em 1972.
Em 1975, com 47 anos, casou-se com Catherine Schneider, herdeira de um império siderúrgico, da qual se divorciou dois anos mais tarde. Depois de mais este divórcio, começou uma longa travessia do deserto e dedicou-se ao teatro e à televisão.
Em 1990, com 62 anos, depois de ter abalado todos os tabus sexuais durante décadas, encontrou enfim a serenidade junto da comediante de teatro Marie-Christine Barrault com quem se casou, rodando com ela vários filmes para televisão.
Em 1993 passou a dedicar-se à Literatura, escrevendo quatro romances. Morreu aos 72 anos, de doença cancerosa. As cerimónias fúnebres tiveram lugar na igreja de Saint-Germain-des-Prés, em Paris, na presença das suas cinco ex-esposas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete, uma das principais feministas portuguesas do século XX, nasceu em Alcáçovas, Elvas, no dia 25 de Janeiro de 1867. Faleceu em Lisboa, em 14 de Setembro de 1935.
Foi médica obstetra, ginecologista, professora, maçom, benemérita, pacifista, abolicionista, defensora dos animais e humanista.
Pioneira na reivindicação dos direitos das mulheres, presidiu durante mais de vinte anos ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Nesta qualidade reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto e, em 1912, também o direito ao voto, sendo em 1933 a primeira e única mulher a votar a Constituição Portuguesa, em Luanda, onde então vivia.
De origem humilde e órfã, começou a trabalhar muito novinha na apanha da ameixa e a fazer serviços domésticos nas casas senhoriais de Elvas.
Casou com o sargento Cabete, que a ajudava nos trabalhos caseiros e que a lançou na militância republicana e feminista, incentivando-a também a estudar. Foi assim que, em 1889, com vinte e dois anos, fez o exame da instrução primária e, em 1894, concluiu o curso liceal.
No ano seguinte mudaram-se para Lisboa, onde ingressou na Escola Médico-Cirúrgica, concluindo o curso em 1900 com a tese “Protecção às mulheres grávidas pobres, como meio de promover o desenvolvimento físico das novas gerações”. Especializou-se em obstetrícia e ginecologia, abrindo um consultório na baixa de Lisboa.
Participou activamente na propaganda que antecedeu a mudança de regime em 5 de Outubro de 1910, defendendo ideias progressistas e muito avançadas para a época. Alguns factos ilustram a sua vida pública nestes tempos, com actos simbólicos de cidadania. Por exemplo, em 1910, com duas companheiras, coseu e bordou a bandeira nacional hasteada na implantação da República, na Rotunda, em Lisboa.
Com outras mulheres feministas também importantes, criou e integrou várias organizações, nelas exercendo diversos cargos.
Foi médica e professora do Instituto Feminino de Odivelas (conhecido popularmente por “As meninas de Odivelas”) e regeu a disciplina de “Higiene e Puericultura” na Universidade Popular Portuguesa.
Na experiência docente, caracterizava-se nas teorias pedagógicas com exemplos práticos, que apresentou mesmo em Congressos no estrangeiro (Gand em 1913; Roma em 1923 e Washington em 1925).
Escreveu dezenas de artigos, de temática diversa, essencialmente de carácter médico-sanitário, em que manifestava frequentemente as suas preocupações sociais, apresentando soluções e medidas profiláticas para doenças e epidemias. Fundou e dirigiu a revista “Alma Feminina” (1920/1929) e colaborou em numerosas publicações periódicas.
Benemérita, defendeu sempre as mulheres grávidas e pobres, as crianças e as prostitutas. Era porém bastante conservadora no que respeitava à moda feminina, criticando as saias curtas e recomendando o uso de vestidos até um palmo do chão.
Humanista, aplaudiu o encerramento de tabernas e manifestou-se contra a violência nas touradas, o uso de brinquedos bélicos e outros assuntos que se revelariam temas vanguardistas para a época e que ainda hoje mantêm a actualidade.
Desiludida com a situação política do país com a implantação do Estado Novo, partiu para Angola, onde se dedicou à medicina e se envolveu em polémicas na defesa dos indígenas. Regressou a Lisboa em 1934 já doente e muito fraca, morrendo no ano seguinte.

domingo, 24 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Michel Georges Jean Ghislain Preud'homme, treinador de futebol e ex-guarda-redes belga, nasceu em Ougrée no dia 24 de Janeiro de 1959. É considerado um dos melhores guarda-redes de todos os tempos.
Preud'homme fez toda a sua formação de jogador no Standard de Liège, começando a jogar aos dez anos e chegando à equipa profissional na época de 1977/1978. Foi Bicampeão Belga (1981/1982 e 1982/1983).
No ano de 1986, transferiu-se para o F. C. Malines, clube onde viria a conquistar uma Taça da Bélgica e o seu grande título europeu, a “Taça dos Clubes Vencedores de Taças” de 1988. Ganhou ainda o terceiro título belga em 1988/1989.
Pela Selecção da Bélgica, Preud'homme jogou 58 partidas entre 1979 e 1995. O ponto alto da sua carreira na selecção foram os Mundiais de 1994 nos Estados Unidos, onde chegou a abandonar a sua grande área para tentar marcar um golo que evitaria a eliminação da Bélgica. Conquistou o Troféu Lev Yashine de Melhor Guarda-redes do Mundo, tendo ficado durante oito anos seguidos no Top 10.
Depois dos Mundiais de 1994, transferiu-se para o Benfica, sendo o primeiro guarda-redes estrangeiro a defender as redes dos encarnados. Foi um jogador que marcou a história do clube, merecendo o carinho dos adeptos pelas defesas quase inacreditáveis que fazia e pelas vitórias que assegurou com as suas mãos. Venceu a Taça de Portugal na época de 1995/1996.
Preud'homme despediu-se do futebol em 1999, com 40 anos, numa partida amigável contra o Bayern de Munique, onde foi substituído por Carlos Bossio. Os 80 000 espectadores que enchiam o Estádio da Luz alhearam-se do jogo, que prosseguia, para aplaudir de pé e aclamar Preud'homme, enquanto ele deu uma volta gloriosa ao estádio com a mulher e os filhos. Era o fim de uma carreira de prestígio. Ainda no Benfica, Preud'homme assumiu o cargo de Director de Relações Internacionais.
Em 2000 regressou ao Standard Liège, onde desempenhou o cargo de treinador e director desportivo. Conduziu a equipa do Standard ao título belga em 2007/08, encerrando um jejum do clube que durava há 25 anos.
Entre as distinções recebidas ao longo da sua carreira, salientam-se ainda: a “Bota de Ouro”de 1987 e 1989, “Guarda-redes do Ano” de 1988 a 1991, “Treinador do Ano” em 2008 e o “Prémio Fair-Play” em 1989.

sábado, 23 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Sergueï Mikhaïlovitch Eisenstein, considerado o mais importante realizador soviético, nasceu em Riga no dia 23 de Janeiro de 1898. Morreu em Moscovo, em 11 de Fevereiro de 1948.
Ligado ao Movimento de Arte de Vanguarda Russa, participou activamente na Revolução de 1917 e na consolidação do cinema como meio de expressão artística.
Teve constantes atritos com o regime de Estaline, devido à sua própria visão do Comunismo e à defesa da liberdade de expressão artística e da independência dos artistas em relação aos governantes.
Com 26 anos fez “A greve”, mostrando que a arte e a política podiam andar de mãos dadas. Um ano depois filmou “O Couraçado Potemkin”, obra que é considerada, juntamente com "Cidadão Kane", de Orson Welles, das mais importantes na história do cinema.
Graças ao sucesso extraordinário do “O Couraçado Potemkin”, foi contratado em 1930, pela Paramount Pictures, pelo montante de cem mil dólares. Embarcou para os Estados Unidos, mas os seus projectos não avançavam, apesar de ter amigos poderosos como Charles Chaplin. Eisenstein resolveu então afastar-se de Hollywood e regressar ao seu país. A imprensa soviética, no entanto, não o perdoava pelo seu afastamento e pelo curto namoro com o capitalismo.
Quando a sua carreira parecia perdida, recebeu a ordem de filmar “Alexandre Nevski”, como uma peça de propaganda anti-germânica. Como já fizera com “Potemkin”, Eisenstein construiu uma obra-prima que está acima da ideologia.
Com o prestígio recuperado, começou “Ivan, o Terrível”, que teria três partes. Acabada a primeira, recebeu o Prémio Estaline (1945). A segunda, terminada em 1946, foi no entanto censurada até 1958, porque Ivan não era descrito como um herói, mas sim como um tirano paranóico. A terceira, começada em 1946, ficou inacabada e em parte destruída. A segunda parte dispunha já de cenas a cores, graças à recuperação de películas Agfacolor dos nazis. Faleceu em 1948, na sequência de uma hemorragia a que se seguiu um ataque cardíaco.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Madjer, “nome de guerra” de João Victor Saraiva, jogador da selecção portuguesa de futebol de praia, nasceu em Luanda no dia 22 de Janeiro de 1977.
Desde muito jovem que se interessou pelo futebol, chegando a representar o “Estoril-Praia” nas camadas mais jovens. Devido à sua forma espectacular de jogar, adquiriu a alcunha de Madjer, em homenagem ao famoso argelino Rabah Madjer, que jogou no F. C. Porto.
Lesionou-se entretanto com alguma gravidade, o que o levou a estar ausente dos relvados durante algum tempo. Depois de recuperado, participou num torneio amador de futebol de praia e o treinador da selecção portuguesa, que assistia, ficou admirado com a sua forma de jogar, convidando-o para ingressar na selecção.
Começou desde logo a deslumbrar os espectadores, com a sua arte na areia: muitos golos, remates fortíssimos e muitas acrobacias, destacando-se os pontapés de bicicleta. Naturalizado português, levou Portugal à vitória em muitas competições, com destaque para a Medalha de Ouro nos Mundiais de Futebol de Praia de 2001, na Costa do Sauípe, no Brasil.
Madjer conquistou igualmente vários prémios de “Melhor jogador” e “Melhor marcador” em muitos torneios, devendo realçar-se o prémio de melhor jogador e melhor marcador, com 21 golos, nos Mundiais de Futebol de Praia de 2006, organizados pela FIFA.
Madjer, muito completo, alto, rápido e senhor de um pontapé superpotente com o pé esquerdo, foi considerado o melhor jogador do Mundo da modalidade.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – George Orwell, pseudónimo de Eric Arthur Blair, jornalista, ensaísta e romancista britânico, faleceu em Londres no dia 21 de Janeiro de 1950, vítima de tuberculose. Nascera em Motihari, na Índia britânica, hoje União Indiana, em 25 de Junho de 1903.
Era tido por bom estudante, beneficiou de várias bolsas de estudo, mas trabalhava pouco, tornando-se progressivamente num aluno medíocre. Era rebelde e tinha duas ambições: tornar-se um escritor célebre e voltar ao Oriente, que conhecia sobretudo através dos relatos de sua mãe.
A partir de 1922, foi sargento da polícia na Birmânia. Decidiu pedir a demissão alegando problemas de saúde, após cerca de cinco anos de serviço, mas a verdadeira razão seria a de se sentir mal ao contribuir para a opressão de um povo estrangeiro. Desenvolveu então um ódio visceral ao imperialismo britânico.
Regressou a Inglaterra, onde a sua vida tomou um rumo incerto. Desempregado ou com empregos de circunstância, deixou definitivamente de ter um percurso convencional. Teria decidido por esta época consagrar-se unicamente à Literatura. Os começos não foram auspiciosos, tendo passado dezoito meses em casa de uma tia em Paris, sem se saber muito bem o que fez durante este período. Durante algumas semanas instalou-se num hotel de luxo parisiense, publicando episodicamente alguns artigos em jornais de esquerda.
Voltou a Inglaterra em Dezembro de 1929, doente, sem dinheiro e sem ter publicado nada de notável, mas a tempo de passar o Natal em família.
Ensinou numa escola privada de uma pequena cidade, onde sobreviveu, cada vez mais entediado. Foi então que adoptou o pseudónimo de George Orwell. Em 1933 escreveu um livro (“Down and out in Paris and London”) que, embora merecendo o louvor dos críticos, foi pouco vendido. Instalou-se em Londres, onde arranjou emprego numa livraria situada num bairro de intelectuais.
No fim de 1936 juntou-se ao “Partido Operário de Unificação Marxista”, uma milícia de tendência trotskista, que lutava contra Franco e os seus aliados Mussolini e Hitler, na Guerra Civil Espanhola. Foi ferido no pescoço. Uma bala danificou-lhe as cordas vocais, saindo pelas costas, e desde então a sua voz ficou ligeiramente modificada. Saiu clandestinamente de Espanha para França, de onde partiu para o seu país.
Testemunha de uma época, Orwell publicou depois da Segunda Guerra Mundial dois livros de grande sucesso: “A Quinta dos Animais” em 1944 e, sobretudo, “Mil Novecentos e Oitenta e Quatro”, romance no qual ele criou o conceito de Big Brother que passou depois para a linguagem comum, utilizado na crítica às técnicas modernas de vigilância. O adjectivo “orwelliano” é também utilizado muitas vezes, para nos referirmos ao universo totalitário imaginado pelo escritor.
As suas obras completas (20 volumes) só foram publicadas no Reino Unido em 1998. Em 2008, o jornal “Times” classificou-o em 2º lugar na lista dos "50 maiores escritores do pós-guerra".

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – André-Marie Ampère, filósofo, físico e matemático francês, autor de importantes contributos para o estudo do electromagnetismo, nasceu em Lyon no dia 20 de Janeiro de 1775. Morreu em Marselha, em 10 de Junho de 1836.
Desde criança demonstrou uma enorme vontade de aprender. Em 1796 já dava explicações particulares de matemática, de química e de línguas.
Foi professor em vários estabelecimentos de ensino, leccionando a partir de 1804 na Escola Politécnica de Paris e mais tarde no Collège de France. Em 1814 foi eleito membro da Academia de Ciências, sendo igualmente correspondente de várias Academias europeias e mantendo relações com a maioria dos cientistas do seu tempo. Interessou-se por vários ramos do conhecimento humano, deixando obras de grande importância, principalmente no domínio da física e da matemática.
Em 1820, partindo de experiências feitas pelo dinamarquês Oersted sobre o efeito magnético da corrente eléctrica, soube estruturar e criar a teoria que possibilitou a construção de um grande número de aparelhos electromagnéticos. Além disso descobriu as leis, que regem as atracções e repulsões das correntes eléctricas entre si. Idealizou o galvanómetro, inventou o primeiro telégrafo eléctrico e, em colaboração com Arago, o electroíman. Enunciou em 1827 a teoria do electromagnetismo.
Em sua homenagem foi dado o nome de “ampere” à unidade internacional de corrente eléctrica. O seu nome foi dado igualmente a várias escolas, liceus, praças, ruas e a uma estação de metro em Lyon. Figura entre os nomes ilustres inscritos na Torre Eiffel em Paris.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

PESADELO

A terra revolve-se
Nas suas entranhas,
As casas vibram,
Os velhos tropeçam,
As mulheres gritam,
As crianças brincam -
- Sem nada entender.

Respiro caliça.
O calor abrasa-me.
A cidade fantasma
Continua a agitar-se,
A tremer, a tremer
Em sacões violentos.

Línguas de fogo
Tudo lambem,
As labaredas
Tudo iluminam
Com ar sinistro.

Mescla de cores,
Sons e cheiros
Que eu quisera não sentir.
As crianças agora já choram
E as flores começam a murchar...

Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDE – Mary Patricia Highsmith, escritora norte-americana, famosa pelos seus romances criminais psicológicos, nasceu em Fort Worth, no Texas, em 19 de Janeiro de 1921. Faleceu em Locarno, na Suíça, em 4 de Fevereiro de 1995, vítima de leucemia.
Tornou-se mundialmente famosa em 1950, com o seu primeiro romance “O Desconhecido do Norte-Expresso”, que teve várias adaptações para o cinema, a mais famosa feita por Alfred Hitchcock logo em 1951. Escreveu também muitas histórias curtas, a maioria das vezes macabras, satíricas ou de humor negro.
Foi educada pela mãe em Nova Iorque, onde fez os seus estudos, diplomando-se em inglês, latim e grego. Interessou-se pela escrita desde a adolescência, publicando a sua primeira novela em 1944 (“A Heroína” na revista “Harper's Bazaar”).
Uma estadia na Europa inspirou-a para o personagem cruel e misterioso Thomas Ripley, que ela utilizou em cinco romances.
Instalou-se depois definitivamente na Europa, primeiro em Inglaterra e posteriormente em França e na Suíça.
A sua obra compõe-se de cerca de vinte romances, numerosas novelas e o ensaio “A Arte do Suspense”.
Patrícia Highsmith vivia essencialmente só, para não ser incomodada nos seus trabalhos literários, apreciando contudo a companhia de gatos.
Graham Greene, da qual era amiga, diria que «nunca nos cansaremos de a reler».
Entre outros galardões, recebeu o “Prémio Edgar Allan Poe” (1956), o “Grande Prémio de Literatura Policial” (1957), o “Silver Dagger Award” (1964) e o “Grande Prémio de Humor Negro” (1975). Em 1990 a França concedeu-lhe o grau de “Oficial da Ordem das Artes e das Letras”. Foram feitas onze adaptações cinematográficas dos seus romances e igualmente algumas séries televisivas baseadas nas suas novelas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Ray Dolby, engenheiro norte-americano, inventor do sistema de redução de ruído conhecido como “Som Dolby”, nasceu em Portland, Oregon, no dia 18 de Janeiro de 1933. Cresceu em São Francisco na Califórnia.
É o fundador e presidente dos Laboratórios Dolby, uma das mais bem sucedidas empresas detentoras da tecnologia de redução de ruídos e compressão de sinais digitais empregados em áudio. As suas diversas tecnologias são extensamente utilizadas em equipamentos profissionais e amadores de áudio e vídeo.
Foi também co-inventor da gravação vídeo em fita magnética, quando trabalhou na “Ampex”, em Redwood City, na década que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Estudante na Universidade de Stanford de 1953 a 1957, trabalhou na concepção dos primeiros protótipos de gravadores de vídeo. Em 1957 recebeu o diploma de “Bachelor of Science de Stanford” e prosseguiu os seus estudos na Universidade de Cambridge, onde se doutorou em Física (1961).
Trabalhou depois na Índia, como Conselheiro Técnico das Nações Unidas, até 1965, ano em que regressou a Inglaterra, fundando os Laboratórios Dolby. A patente do “Dolby Sound System" só foi registada em 1969.
Em 2004 o seu nome ficou a constar no “National Inventors' Hall of Fame”. Em 2008 a sua fortuna estava calculada em 2,9 biliões de dólares.

domingo, 17 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Miguel Torga, de seu verdadeiro nome Adolfo Correia da Rocha, romancista, poeta e contista, um dos mais importantes escritores portugueses do século XX, faleceu em Coimbra no dia 17 de Janeiro de 1995. Nascera em São Martinho de Anta, Trás-os-Montes, em 12 de Agosto de 1907.
Filho de gente humilde do campo, foi viver aos dez anos para uma casa apalaçada do concelho de Sabrosa, em Trás-os-Montes, habitada por parentes da família. Fardado de branco, servia de porteiro, moço de recados, regava o jardim, limpava o pó, polia os metais da escadaria nobre e atendia as campainhas. Foi despedido um ano depois, devido à sua constante insubmissão. Em 1918 foi para o Seminário de Lamego, onde viveu um dos anos mais profícuos da sua vida, tendo melhorado os conhecimentos de português, geografia e história, tendo aprendido latim e familiarizando-se com os textos sagrados. No fim das férias comunicou ao pai que não queria ser padre.
Emigrou para o Brasil em 1919, com quinze anos, para trabalhar na fazenda de um tio, na cultura do café. O tio apercebeu-se da sua inteligência e patrocinou-lhe os estudos liceais em Leopoldina. Distinguiu-se como um aluno dotado. Em 1925, na convicção de que ele havia de vir a ser doutor em Coimbra, o tio propôs-se pagar-lhe os estudos como recompensa dos cinco anos de serviço, o que o levou a regressar a Portugal.
Em 1928 ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publicou o seu primeiro livro de poesia, “Ansiedade”. Em 1929, com 22 anos, começou a colaborar na revista “Presença” com o poema “Altitudes”. A revista, fundada em 1927 pelo grupo literário de José Régio, Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, era uma bandeira literária do grupo modernista e era também a bandeira libertária da Revolução Modernista. Em 1930 rompeu definitivamente com a “Presença” por «razões de discordância estética e razões de liberdade humana».
Em 1933 licenciou-se em Medicina, sempre com o apoio financeiro do tio do Brasil. Era bastante crítico da praxe e das restantes tradições académicas, chamando depreciativamente “farda” à capa e batina, mas amava a cidade de Coimbra, onde viria também a exercer a sua profissão de médico a partir de 1939 e onde escreveu a maioria dos seus livros.
Em 1934 Adolfo Correia Rocha explicou a origem do seu pseudónimo. “Miguel”, em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno. “Torga” é uma planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente rectilíneo. A sua campa em São Martinho de Anta tem uma torga plantada a seu lado, em honra do escritor.
A obra de Torga tem um carácter humanista: criado nas serras trasmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos de perpetuação da Natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da Natureza. Sem o homem, não haveria searas, não haveria vinhas, não haveria toda a paisagem duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnífica de muitas gerações de trabalho humano.
Considerado por muitos como um avarento de trato difícil e carácter duro, fugia das elites pedantes, mas dava consultas médicas gratuitas a gente pobre e era referido pelo povo como um homem de bom coração e um bom conversador.
Livros seus estão traduzidos em diversas línguas, algumas vezes publicados com prefácios de sua autoria: espanhol, francês, inglês, alemão, chinês, japonês, croata, romeno, norueguês, sueco, holandês, búlgaro, etc.
Entre os prémios que recebeu destacam-se: “Prémio Internacional de Poesia de Knokke-Heist” (1976); “Prémio Morgado de Mateus” ex aequo com Carlos Drummond de Andrade (1980); “Prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S.” (1981); “Prémio Camões” (1989, na sua primeira edição); “Prémio Personalidade do Ano” (1991); “Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores” (1992) e “Prémio da Crítica”, consagrando a sua obra (1993).

sábado, 16 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Rubén Fulgencio Batista y Zaldívar, militar e político cubano, eminência parda da junta que dirigiu Cuba de 1933 a 1940, presidente oficial do país de 1940 a 1944 e novamente de 1952 a 1959, como ditador, nasceu em Banes no dia 16 de Janeiro de 1901. Morreu perto de Marbella, Espanha, em 6 de Agosto de 1973.
Órfão de pai e mãe aos treze anos, deixou a escola para se tornar aprendiz de alfaiate. Trabalhou depois em plantações de cana-de-açúcar. Recomeçou os estudos, foi barbeiro e alistou-se finalmente no exército aos vinte anos.
Em 1933 fez parte de uma “revolta de sargentos”, consequência do descontentamento dos militares acerca de salários, de evolução das carreiras e de outras condições materiais.
Levado ao poder, exerceu um governo forte entre 1933 e 1944, concentrando em si todas as nomeações para os cargos públicos.
Em 1944 tentou renovar o seu mandato, mas foi batido por Ramón Martín. Exilou-se na Florida, onde esteve até 1948, ano em que foi eleito para o Senado de Cuba.
Em Março de 1952 regressou ao poder, de novo através de um golpe militar. Passou então a governar como ditador, contando com o reconhecimento diplomático e o apoio militar dos EUA. Instaurou um regime autoritário, mandando prender os seus opositores e restringindo as liberdades através do controlo da imprensa, da universidade e do congresso, usando métodos terroristas e simultaneamente fazendo fortuna para si e para os seus aliados.
Começou a ser alvo de muita contestação. Um grupo de rebeldes, com o advogado Fidel Castro à cabeça, tentou sem sucesso tomar de assalto o quartel de Moncada em Santiago de Cuba. Três dos atacantes morreram em combate e 68 foram executados sumariamente. Fidel foi também preso, mas graças à intervenção do arcebispo de Santiago não foi executado. Dois anos depois beneficiou de uma amnistia e foi mandado para o exílio.
O apoio dos Estados Unidos ao ditador, durante sete anos, teve os ingredientes clássicos. Um governante tirânico, corrupto e repressor, apoiado pelos americanos graças às condições favoráveis concedidas aos seus negócios na ilha.
Entretanto, a pobreza não parava de aumentar, enquanto a prostituição e o jogo se desenvolviam sob o controlo de gangs americanos.
Castro voltou a Cuba no fim de 1956 e retomou as suas actividades revolucionárias, com apoio cada vez maior da população. Em 1958 Batista lançou 12 000 homens contra a guerrilha castrista, numa grande operação que fracassou. Fidel contra-atacou, iniciando-se uma guerra civil na Sierra Maestra. A classe dirigente começou a distanciar-se de Batista, considerando-o responsável pela má situação económica e social.
A população de Santa Clara ajudou os guerrilheiros, que se apoderaram de grandes quantidades de armas e de pontos estratégicos da cidade. Nos primeiros dias de 1959, Fulgencio Batista fugiu para a República Dominicana e os guerrilheiros entraram triunfalmente em Havana.
Batista obteve asilo permanente em Portugal (Ilha da Madeira e Estoril), indo mais tarde para Espanha, onde morreu.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Trefossa, pseudónimo de Henri Frans De Ziel, escritor neo-romântico do Suriname, que escreveu em neerlandês e surinamês, nasceu em Paramaribo no dia 15 de Janeiro de 1916. Faleceu em Haarlem, em 3 de Fevereiro de 1975.
Trabalhou como professor e viveu na Holanda durante vários anos. Além de escritor foi também uma figura proeminente do movimento de independência do Suriname.
Em prol do seu patriotismo, escreveu a obra “Opo Kondreman”, da qual a segunda estrofe foi utilizada para o hino nacional.
Até hoje, a vida e a obra de Trefossa continua a fascinar gerações de surinameses. Em 2005 foi erguido em sua homenagem um monumento em Paramaribo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Pensamento oriental

EFEMÉRIDE – Manuel de Oliveira Gomes da Costa, militar e político português, décimo presidente da República Portuguesa e o segundo da ditadura militar que precedeu o Estado Novo, nasceu em Lisboa no dia 14 de Janeiro de 1863. Faleceu, também na capital portuguesa, em 17 de Dezembro de 1929.
Como militar, destacou-se nas campanhas de pacificação do Império Colonial Português em África e na Índia, e ainda na I Grande Guerra Mundial.
Como político, foi o líder que a direita conservadora escolheu para liderar a Revolução de 28 de Maio de 1926, com início em Braga (isto após a morte do general Alves Roçadas, que deveria ter sido o seu chefe).
Começou por não assumir o poder, que foi confiado a Mendes Cabeçadas, o líder da revolução em Lisboa. Como os revoltosos acharam, no entanto, a atitude deste um pouco frouxa, Gomes da Costa viria a alcançar a governação, após sucessivas reuniões conspirativas mantidas no quartel-general de Sacavém, após novo golpe ocorrido em 17 de Junho de 1926.
O Governo de Gomes da Costa, porém, não duraria muito mais que o de Mendes Cabeçadas. Em 9 de Julho do mesmo ano, nova contra-revolução, chefiada pelo general Óscar Carmona, derrubou Gomes da Costa. Carmona, então Presidente do Conselho de Ministros, enviou-o para o exílio, nos Açores, promovendo-o a Marechal do Exército Português.
Em Setembro de 1927, Gomes da Costa regressou ao Continente, tendo falecido dois anos mais tarde, em condições miseráveis, sozinho e pobre.

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