sexta-feira, 10 de novembro de 2017

10 DE NOVEMBRO - DINO DE LAURENTIIS


EFEMÉRIDE - Agostino DinoDe Laurentiis, produtor de cinema italiano, morreu em Los Angeles no dia 10 de Novembro de 2010. Nascera em Torre Annunziata, em 8 de Agosto de 1919. 
Juntamente com Carlo Ponti, é um dos dois grandes produtores que impuseram o cinema italiano na cena internacional, quando o mundo saiu da Segunda Guerra Mundial. De Laurentiis produziu ou co-produziu mais de 500 filmes, dos quais 38 foram nomeados para os Oscars. Teve também uma breve carreira de actor, no fim dos anos 1930 e começo dos anos 1940.
Dino era filho de um fabricante de massas, produto que ele próprio vendeu na rua durante a infância.
Pensando tornar-se actor, inscreveu-se no Centro de Cinema Experimental de Roma. Começou por ganhar a vida como acessorista e assistente de realizador, optando depois pela direcção de fotografia. Com 20 anos, produziu os seus primeiros filmes: L'Ultimo combattimento de Piero Ballerini (1940) e “L'amore canta” (1941), que tiveram sucesso.
Depois da sua primeira produção, financiou perto de 150 filmes. Em 1946, a sua empresa Dino De Laurentiis Cinematografica passou a consagrar-se à produção.
De Laurentiis conheceu o seu primeiro sucesso internacional com “Arroz Amargo” de Giuseppe De Santis, importante filme neo-realista que foi nomeado para os Oscars e contribuiu para o lançamento das carreiras de Silvana Mangano, Vittorio Gassman e Raf Vallone.
Seguidamente, muitas vezes em associação com o produtor Carlo Ponti, alternou filmes populares e obras de autor como “Europe 51” de Roberto Rossellini. Foi sob a égide da dupla Ponti-De Laurentiis que foi produzido o primeiro filme a cores italiano, “Totò a colori”. De Laurentiis foi igualmente o produtor de dois clássicos de Federico Fellini: “La strada” e “As Noites de Cabiria”, que ganharam o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
No fim dos anos 1950, com Ponti, lançou-se numa ambiciosa adaptação de “Guerra e Paz” de Tolstói. Nos anos 1960, Dino De Laurentiis fez construir uns vastos estúdios (Dinocittà), onde foram rodados “A Bíblia” de John Huston e “O Estrangeiro” de Luchino Visconti. Estes estúdios foram fechados nos anos 1970, no seguimento de uma série de perdas financeiras.
Em 1972, produziu “Casa Nostra”, filme franco-italiano estreado no mesmo ano de outro filme mítico sobre a mafia “O Padrinho”. Foi também o ano em que se instalou nos Estados Unidos. Alternou filmes de grande sucesso crítico com filmes mais comerciais, de maior ou menor sucesso.
O período entre 1985 e fim dos anos 1990 foi provavelmente o mais difícil da sua carreira. Reencontrou o sucesso com “Hannibal” de Ridley Scott em 2001.
De Laurentiis produziu também a maioria das películas, onde interveio o personagem Hannibal Lecter criado pelo romancista Thomas Harris.
Foi casado durante 40 anos com Silvana Mangano, falecida em 1989. Tiveram, quatro filhos.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

9 DE NOVEMBRO - VÍTOR GASPAR


EFEMÉRIDE - Vítor Louçã Rabaça Gaspar, economista e professor universitário português, ex-ministro de Estado e das Finanças (2011/13), nasceu em Manteigas no dia 9 de Novembro de 1960.
Em Julho de 2013, foi anunciado o seu pedido de demissão do governo, tendo sido substituído por Maria Luís Albuquerque. Vítor Gaspar é primo-irmão do ex-coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, pelo lado materno. Pelo lado paterno, é primo em terceiro grau de Bruno de Carvalho, presidente do Sporting CP.
Licenciou-se em Economia na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa em 1982, tendo-se doutorado em Economia na Universidade Nova de Lisboa em 1988.
Foi membro suplente do Comité Monetário Europeu de 1989 a 1998 e representante pessoal do Ministro das Finanças na IGC que conduziu ao Tratado de Maastricht. Foi chefe daquele comité entre 1994 e 1998 e membro do Gabinete de Consultores Políticos da Comissão Europeia de 2005 a 2006. Em Janeiro de 2007, passou a chefiar o departamento.
Em Portugal, foi conselheiro especial do Banco de Portugal e director-geral da área de investigação do Banco Central Europeu de Setembro de 1998 até Dezembro de 2004. Também foi director de Investigação e Estatísticas do Banco de Portugal e director de Estudos Económicos do Ministério das Finanças.
Publicou vários livros e artigos em revistas e jornais científicos, entre eles: “Public Choice”, “European Economic Review”, “Journal of the European Economic Association” e “Journal of Development Economics”.
Enquanto ministro das Finanças (independente), o controlo apertado das finanças públicas, o percurso político, o discurso de austeridade, os seus modos reservados e as suas origens rurais e beirãs, características partilhadas por Salazar, renderam-lhe a alcunha de “Salazarinho” entre os seus colegas do Governo.
Simultaneamente, em época de crise, os seus poderes foram reforçados, tendo ficado encarregue das verbas dos fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), antes a cargo do Ministério da Economia. Passou a integrar uma Comissão de Gestão por si chefiada e da qual faziam parte, Paulo Portas, Miguel Macedo, Álvaro dos Santos Pereira, Assunção Cristas, Nuno Crato e Pedro Mota Soares.
É actualmente director do Departamento de Finanças Públicas do FMI. Em Fevereiro de 2016, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. É casado desde 1985 e tem três filhas.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

8 DE NOVEMBRO - VITALY GINZBURG


EFEMÉRIDE - Vitaly Lazarevich Ginzburg, físico e astrofísico russo, morreu em Moscovo no dia 8 de Novembro de 2009. Nascera na mesma cidade em 4 de Outubro de 1916. Recebeu o Prémio Nobel de Física de 2003, por contribuições fundamentais para a teoria dos supercondutores e superfluidos.
É considerado um dos pais da bomba atómica soviética. Foi membro da Academia das Ciências da URSS e substituiu Igor Tamm à frente do Instituto de Física.
Licenciou-se em Física na Universidade de Moscovo em 1938, doutorando-se em 1942. Trabalhou no Instituto de Física Lebedev desde 1942. Juntamente com Lev Landau, criou a teoria da supercondutividade da propagação das ondas electromagnéticas, a teoria Ginsburg-Lanmdau (1958).
Foi co-laureado com o Nobel de Física 2003, juntamente com Alekseï Abrikossov e Anthony Leggett.
Faleceu em Novembro de 2009, sendo sepultado no Cemitério Novodevichy em Moscovo. Entre as distinções recebidas, conta-se o Prémio Estaline (1953), o Prémio Lenine (1966), a Medalha de Ouro da Royal Astronomical Society (1991), o Prémio Wolf (1994/95), a Medalha Lomonossov (1995) e a Ordem de Mérito para a Pátria (2006).

terça-feira, 7 de novembro de 2017

7 DE NOVEMBRO - DWIGHT FRYE


EFEMÉRIDE - Dwight Iliff Frye, actor norte-americano, morreu em Hollywood no dia 7 de Novembro de 1943.  Nascera em Salina, no Kansas, em 22 de Fevereiro de 1899. Tornou-se muito conhecido ao protagonizar filmes de terror clássicos como “Drácula”, “Frankenstein” e “A Noiva de Frankenstein”.
Especializou-se na interpretação de personagens mentalmente desequilibrados, incluindo o seu papel principal do louco ‘Renfield’ em “Drácula”. Mais tarde, mas no mesmo ano, interpretou o assistente corcunda (Fritz), no filme “Frankenstein”.  
Frye teve um papel de destaque no filme de terror de 1933, “The Vampire Bat”, estrelado também por Lionel Atwill, Melvyn Douglas e Fay Wray, no qual ele interpretou ‘Herman’, um imbecil suspeito de assassinato. Teve igualmente um papel memorável no clássico “A Noiva de Frankenstein”.
No início dos anos 1940, alternou papéis no cinema com actuações no palco em várias produções, além de entrar numa versão para teatro de “Drácula”.
Dwight Frye faleceu em Novembro de 1943, após sofrer um ataque cardíaco quando conduzia um autocarro em Hollywood, poucos dias antes das filmagens da autobiografia do político e académico Thomas Woodrow Wilson. Foi sepultado no Forest Lawn Memorial Park (Glendale).
Durante a sua carreira (1927/1943) foi intérprete de 59 películas.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

6 DE NOVEMBRO - JAMES NAISMITH


EFEMÉRIDE - James Naismith, professor de educação física canadiano e inventor do basquetebol, nasceu em Almonte (Ontário) no dia 6 de Novembro de 1861. Morreu em Lawrence, no Kansas, em 28 de Novembro de 1939.
Era oriundo de uma família de imigrantes escocesa, que chegara ao Canadá em 1851, para trambalhar nas minas.
Naismith iniciou os seus estudos em Teologia em 1887, na Escola Presbiteriana, onde conseguiu o título de pastor em 1890. Licenciou-se também em Medicina. No Outono de 1891, foi nomeado instrutor por Luther Halsey Gulick Jr., chefe do Departamento de Educação Física da Associação Cristã da Juventude, chamada posteriormente Springfield College.
Gulick pediu a Naismith e a outros instrutores que criassem jogos internos que poderiam substituir os exercícios utilizadas na escola durante os Invernos rigorosos, pois as actividades que existiam até então eram consideradas perigosas em alguns casos e entediantes noutros. Naismith pensou num desporto com bola, que tivesse um alvo fixo, mas que fosse menos agressivo do que o futebol americano, para evitar atritos entre os estudantes. Imaginou um alvo que não ficasse no chão, para se diferenciar do hóquei e do futebol. Foi então que Naismith inventou o basquetebol.
A sua invenção foi aperfeiçoada em Janeiro de 1892, quando publicou as 13 regras para jogar basquetebol. No início, pendurou um cesto de pêssegos a uma altura que julgou adequada - a 3,05 metros - altura que se mantém até hoje. Já a tabela possuía, aproximadamente, metade do tamanho da actual.
Foi convidado pela Universidade Lawrence, no Kansas, para ser director da Faculdade de Educação Física, mudando-se para ali com a família em 1898. Em 1910, obteve o diploma de professor de Educação Física. Mudou-se para Paris em 1917, onde residiu durante 19 meses e publicou o livro “Les bases de la vie saine”.
Casou com Maude Sherman em 1894 e teve cinco filhos. Depois da morte de Maude, ocorrida em 1937, casou-se com Florence Kincade em Junho de 1939, menos de seis meses antes de enviuvar pela segunda vez por causa de uma hemorragia cerebral. No ano de 1927, tornara-se cidadão dos Estados Unidos e, em Novembro de 1940, morreu de ataque cardíaco.
Foi Naismith quem iniciou o primeiro jogo de basquetebol nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, entre a França e a Estónia, além de entregar as primeiras medalhas olímpicas do desporto por ele criado.
O primeiro encontro oficial de basquetebol foi disputado em 1892, com regras bem diferentes das praticadas actualmente.
Para as mulheres, a modalidade veio um ano mais tarde. Naquela época, a professora de educação física do Smith College, Senda Berenson, fez algumas adaptações às regras criadas por James Naismith. A primeira partida feminina  realizou-se em 1896.

domingo, 5 de novembro de 2017

5 DE NOVEMBRO - HANS SACHS


EFEMÉRIDE- Hans Sachs, poeta alemão, nasceu em Nuremberga no dia 5 de Novembro de 1494. Morreu na mesma cidade em 19 de Janeiro de 1576. Frequentou a Escola Latina da sua cidade natal, tendo começado a trabalhar aos catorze anos.
O pai era alfaiate. Ele foi sapateiro de profissão e percorreu a Alemanha na qualidade de mestre cantor, tendo-se fixado em Nuremberga para o resto da vida em 1516.  Foi casado duas vezes, tendo tido sete filhos do primeiro casamento (1519) e seis enteados do segundo, com uma jovem viúva (1561).
É autor de mais de seis mil poemas, escritos no estilo popular burguês do Meistersang (poemas que uniam canto religioso e poesia, cantados nas escolas gremiais do século XV). São notáveis também as suas “Farsas de Carnaval” (1517/63, ainda hoje representadas) e o seu hino “O rouxinol de Wittenberg” (1523), dedicado a Lutero, cuja causa abraçou e que apoiou em alguns trabalhos.
Goethe engrandeceu-o e Richard Wagner fê-lo protagonista da ópera “Die Meistersinger von Nürnberg” (“Os mestres cantores de Nuremberga”). O famoso “Silberweise” (“Hino áureo”) foi transformado por Philipp Nicolai no hino religioso “Wachet auf, ruft uns die Stimme”. Também existem várias cantatas sobre este hino, sendo a mais famosa “Wachet auf, ruft uns die Stimme” de Johann Sebastian Bach.
Foi-lhe erguido um monumento (estátua de corpo inteiro) em Nuremberga.

sábado, 4 de novembro de 2017

4 DE NOVEMBRO - KLABUND


EFEMÉRIDEKlabund, de seu verdeiro nome Alfred Henschke, escritor alemão, nasceu em Crossen an der Oder no dia 4 de Novembro de 1890. Morreu em Davos, na Suíça, em 14 de Agosto de 1928.
Klabund escreveu 25 dramas e 14 romances, muitos deles ligados a temas históricos. Deixou 21 volumes de recolhas de poesia.
Filho de um farmacêutico, contraiu a tuberculose com a idade de 16 anos, doença que o acompanhou durante a sua breve existência.
Depois de ter começado os estudos em Frankfurt, foi para Munique a fim de estudar Química e Farmácia, mas depressa abandonou estas duas matérias para se dedicar a Filosofia, a Filologia e ao Teatro, frequentando as universidades de Munique, Berlim e Lausanne.
Em 1912, interrompeu os estudos e publicou a sua primeira obra, “Célestine”, já assinada com o pseudónimo Klabund. A exemplo de François Villon, poeta francês que admirava, considerava-se também um ‘poeta vagabundo’, figura que utilizou em várias obras escritas na sua juventude.
Em 1913, foi editada a sua primeira recolha de poesia, “Morgenrot! Klabund! Die Tage dämmern!” e começou a publicar em algumas revistas (“Pan”, “Jugend” ou ainda “Simplicissimus”). Em 1914, passou a fazer parte da redacção do magazine “Die Schaubühne” que, em 1918, mudou o nome para “Die Weltbühne”.
Começou por saudar com fervor patriótico o início da Primeira Guerra Mundial, escrevendo uma série de poemas com este tema. Ofereceu-se como voluntário, mas não foi aceite por causa do seu estado de saúde. Aliás, a partir desta época, passava cada vez mais tempo em sanatórios suíços. Começou a interessar-se pela literatura oriental e a traduzi-la para alemão.
Mudou a sua posição no que se refere ao conflito mundial e passou a desejar o seu fim. Em 1917, publicou mesmo, na “Neue Zürcher Zeitung”, uma carta aberta a Guilherme II da Alemanha, na qual pedia ao imperador para abdicar. No seguimento desta carta, foi acusado de traição e de crime lesa-majestade. Ainda na Suíça, tornou-se membro do círculo de René Schickele e da sua revista pacifista “Weiße Blätter”.
Em 1918, casou-se com Brunhilde Heberlem, que conhecera no sanatório. Ela morreu alguns meses mais tarde, devido a complicações de um parto prematuro. O bebé sobreviveu apenas quatro meses. Neste mesmo ano, Klabund publicou a sua mais célebre obra em prosa – “Bracke”.
Em 1920, escreveu um pequeno romance intitulado “Marietta”, dedicado a Marietta di Monaco, que era sua amiga e musa. Em 1925, editou – sob forma teatral - “Der Kreidekreis”, inspirado num antigo poema chinês. Esta peça valeu-lhe grande notoriedade.
Durante uma viagem a Itália, efectuada em 1928, contraiu uma pneumonia que, agravada por um estado tuberculoso crónico, foi-lhe fatal. Transportado para Davos, morreu pouco tempo depois de ali chegar. Foi sepultado na sua terra natal.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

3 DE NOVEMBRO - WILLIAM CULLEN BRYANT


EFEMÉRIDE - William Cullen Bryant, poeta, político e jornalista norte-americano, nasceu em Cummington no dia 3 de Novembro de 1794. Morreu em Nova Iorque, em 12 de Junho de 1878. Foi durante muito tempo editor do “New York Evening Post” e era amigo de Abraham Lincoln, futuro presidente dos EUA.
Bryant nasceu numa cabana de troncos em Massachusetts, local hoje assinalado com uma placa alusiva. A família mudou-se para um novo local, quando ele tinha dois anos de idade. A casa onde ele passou a sua juventude é hoje um museu. Após dois anos no Williams College, estudou Direito em Worthington e em Bridgewater, ainda no estado natal, sendo admitido para exercer a profissão em 1815. Passou a advogar em Plainfield, um lugar próximo, caminhando diariamente os cerca de onze quilómetros que separam aquela localidade de Cummington.
O seu interesse pela poesia surgira quando era ainda muito jovem. Sob a tutela paterna, conheceu Alexander Pope e outros poetas neoclássicos britânicos. “The Embargo”, um violento ataque ao presidente Thomas Jefferson, publicado em 1808, reflecte os pontos de vista federalistas de William Bryant. A primeira edição esgotou-se rapidamente, beneficiando da notoriedade alcançada pelo jovem poeta. Uma segunda e ampliada edição, incluindo uma tradução feita por Bryant de versos clássicos, foi depois publicada.
Thanatopsis”, o seu mais famoso poema, foi publicado em 1811. Em Janeiro de 1821, estando ainda a esforçar-se por fazer uma carreira como advogado, contraiu matrimónio com Frances Fairchild e mudou-se para Nova Iorque.
Escrever poesia não podia sustentar uma família. De 1816 a 1825, continuou a exercer a profissão. Desgostoso, porém, com as chicanas e muitas vezes com julgamentos absurdos proferidos nas cortes, foi levado a afastar-se gradualmente da advocacia.
Com a ajuda de uma família instruída, os Sedwicks, conquistou finalmente uma posição estável na cidade de Nova Iorque onde, em 1825, foi contratado como editor, primeiro na “New-York Review”, depois na “United States Review and Literary Gazette”. Entretanto, as revistas daqueles tempos tinham breve duração. Depois de dois anos a procurar estabilizar-se nos periódicos, tornou-se editor-assistente do “New-York Evening Post”. Em dois anos, subiu a editor-chefe e co-proprietário, assim permanecendo durante quase meio século (1828/78). O “Evening-Post” tornou-se não somente a base de sua fortuna, mas também lhe permitiu exercer considerável influência política na cidade, no estado e no país.
Ironicamente, o garoto que ganhara fama com um ataque ao presidente Thomas Jefferson, veio a tornar-se militante do seu partido, sendo um dos esteios na região nordeste. A sua visão política, progressista mas não populista, levou-o a unir-se depois ao Partido Free Soil e, quando este se tornou um dos núcleos do novo Partido Republicano em 1856, Bryant entregou-se às suas actividades. Esta posição aumentou o seu poder nos conselhos partidários e, em 1860, foi um dos primeiros apoiantes de Abraham Lincoln na Costa Leste.
Na sua última década de vida, Bryant trocou a escrita dos próprios poemas pela tradução de obras de Homero. Trabalhou assiduamente na “Ilíada” e na “Odisseia”, entre 1871 e 1874. É igualmente lembrado como compositor de hinos religiosos da Igreja Unitarista.
Morreu em 1878, de complicações decorrentes de uma queda acidental sofrida após participar numa cerimónia no Central Park, de homenagem ao patriota italiano Giuseppe Mazzini.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

2 DE NOVEMBRO - GEORGES SCHEHADÉ


EFEMÉRIDE - Georges Schehadé, poeta e dramaturgo libanês de expressão francesa, nasceu em Alexandria no dia 2 de Novembro de 1905. Morreu em Paris, em 17 de Janeiro de 1989.
Pertencendo a uma família libanesa aristocrata, os pais previam fazê-lo seguir estudos comerciais, mas ele preferiu voltar-se para Direito. Obtida a respectiva licenciatura, tornou-se redactor do Ministério da Justiça e, depois, assistente do escritor francês Gabriel Bounoure.
Schehadé foi autor de uma importante obra teatral, próxima do Novo Teatro, de que ele é um dos expoentes, juntamente com Beckett, Ionesco e Adamov. A maior parte das suas peças foi levada aos palcos por Jean-Louis Barrault e a mais célebre delas, “Histoire de Vasco” (1956), foi traduzida em 25 línguas e representada um pouco por todo o mundo durante os anos 1950 e 1960. Também foi adaptada a ópera, em 1974, pelos britânicos Gordon Crosse e Ted Hughes. O mesmo aconteceu com “L’Émigré de Brisbane”, que fez parte do reportório da Comédie Française em 1967.
Schehadé é igualmente autor de várias recolhas poéticas: “Rodogune Sinne”, “L’Écolier Sultan”, “Poésies I à VI” e “Poésies VII” (esta publicada postumamente).
Muito cedo reconhecida, a sua obra foi saudada e defendida por grandes vultos das Letras, como Paul Éluard, André Breton, Saint-John Perse, René Char, Jean-Louis Barrault e Octavio Paz. Em 1986, recebeu o Grande Prémio da Francofonia outorgado pela Academia Francesa.
Fugindo da guerra civil que ameaçava o Líbano (1q75/1990), Georges Schehadé deixou Beirute em 1978 e instalou-se em Paris, onde faleceu onze anos mais tarde. Foi sepultado no cemitério de Montparnasse.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

1 DE NOVEMBRO - ALDA MERINI


EFEMÉRIDE - Alda Merini, famosa poetisa e mulher de letras italiana, morreu em Milão no dia 1 de Novembro de 2009.  Nascera na mesma cidade em 21 de Março de 1931. Foi galardoada com a Ordem de Mérito da República Italiana em 2002.
O presidente italiano definiu-a como «uma inspirada e límpida voz poética». Ela foi uma notável protagonista do meio cultural italiano e era considerada a maior poetisa italiana do século XX.
Oriunda de um meio modesto, Alda iniciou-se precocemente na poesia. Tinha apenas 15 anos de idade, quando colaborou numa recolha de poesias (“La presenza di Orfeo”), juntamente com Giacinto Spagnoletti, que foi quem a descobriu.  
Apesar de tudo, ela tinha dificuldades na escola e foi mesmo recusada no liceu Manzoni, por «insuficiência» em Italiano.
Nos primeiros anos, aprendeu com mestres como Salvatore Quasimodo, Eugenio Montale e Giorgio Manganelli. Em 1947, uma doença mental levou à sua hospitalização durante um mês. Esta doença, que ela definia como «ombre della mente» (sombras do pensamento), acompanhá-la-ia ao longo da vida.
Em 1953, casou-se com Ettore Carniti, com quem teve quatro filhos. Em 1961, publicou “Tu sei Pietro”, dedicado ao pediatra da sua filha. De 1961 a 1971, a doença impediu-a de escrever e, somente a partir de 1972, a situação melhorou e lhe permitiu recomeçar com a escrita. Publicou “La Terra Santa”, onde contou a sua experiência de vida até ali. Ficou associada à “Geração literária dos anos trinta”.”
Em 1981, perdeu o marido e, em 1983, voltou a casar-se, com o poeta Michele Pierri, com o qual passou a viver em Tarento, onde a doença voltou a manifestar-se. Em 1986, regressou a Milão e continuou as suas publicações durante uma vintena de anos. Por sua escolha, vivia em condições indigentes. As refeições eram-lhe levadas diariamente pelos serviços sociais. Na sua obra, ela exaltou os excluídos dos quais se sentia muito próxima. Morreu aos 77 anos, vítima de um tumor ósseo. 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

31 DE OUTUBRO - MICHAEL COLLINS


EFEMÉRIDE - Michael Collins ex-astronauta norte-americano e tripulante da missão Apollo 11, a primeira a pousar na Lua, em Julho de 1969, nasceu em Roma no dia 31 de Outubro de 1930. Ele foi o piloto do Módulo de Comando que ficou em órbita do nosso satélite e o único dos três tripulantes da missão a não pisar o solo lunar.
Collins nasceu em Itália, filho de um general do exército americano que serviu em diversas partes do mundo. Passou parte da adolescência em Porto Rico, base temporária do pai, onde fez o seu primeiro passeio de avião. Com a entrada dos EUA na II Guerra Mundial, voltou com a família para Washington e entrou para as forças armadas americanas, seguindo o caminho dos homens da sua família e escolhendo a Força Aérea para fazer carreira. Nos anos 1950, serviu como piloto de combate junto das forças americanas da NATO na Europa.
Estimulado pela façanha de John Glenn um ano antes, entrou para a NASA em 1963 e cumpriu a sua primeira missão ao espaço a bordo da Gemini X em 1966, juntamente com o astronauta John Young. Realizou então dois períodos de actividades extra-veiculares. Na segunda viagem ao espaço, fez parte - com Neil Armstrong e Edwin Aldrin - da histórica e pioneira missão Apollo 11, entrando para a história apesar de ser o menos lembrado dos três, por ter sido o único que não pisou a Lua.
Durante o tempo em que voou a solo em órbita lunar, enquanto os seus companheiros se encontravam na superfície, Collins nunca se sentiu sozinho, porque esteve sempre a participar activamente na missão, em contacto constante com Houston e com a restante tripulação. Na sua autobiografia, ele descreveu a sua participação, como «uma epopeia sem igual na história da humanidade, em que ele era o terceiro de uma equipa de três homens, não sendo o actor principal, mas sem o qual os actores principais não poderiam deixar o palco».
Após o regresso e uma quarentena forçada de 21 dias, junto com os seus companheiros, Michael Collins participou num tour mundial de comemoração do feito da Apollo 11, aceitando após isso o cargo de Assistente Especial de Negócios Públicos no governo do presidente Richard Nixon.
Mais tarde, assumiu as funções de director do Museu Nacional Aeroespacial dos Estados Unidos. Após se aposentar da Força Aérea como major-general, passou a dar aulas na Universidade de Harvard, até começar a cuidar dos seus próprios negócios na iniciativa privada, em 1985.
Michael Collins é o autor da insígnia da Missão Apollo 11, a famosa águia – símbolo dos Estados Unidos - pousando na Lua e transportando um ramo de oliveira. Ele desenhou a marca baseado numa fotografia da revista “National Geographic”.
Tem três filhos e a sua filha mais velha, Kate Collins, é actriz e protagonizou a série da TV americana “All My Children”. A banda inglesa de rock Jethro Tull homenageou-o na música “For Michael Collins, Jeffrey and Me”, do disco “Benefit” (1970). O asteróide 6471 Collins foi assim baptizado em sua homenagem pela União Astronómica Internacional.
Assim como vários outros homens que viajaram pelo espaço, ele também se dedicou à pintura e, durante muitos anos, pintou e vendeu quadros, que nunca assinou, para que eles não tivessem o preço inflacionado apenas por terem sido pintados por ele.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

30 DE OUTUBRO - ADELAIDE ANNE PROCTER


EFEMÉRIDE - Adelaide Anne Procter, poetisa, editora e filantropa inglesa, nasceu em Bloomsbury no dia 30 de Outubro de 1825. Morreu em Londres, em 2 de Fevereiro de 1864. Trabalhou em prol de uma série de causas, principalmente em defesa das mulheres desempregadas e sem-abrigo, tendo estado envolvida em grupos e jornais feministas. Procter nunca se casou. Sofria de problemas de saúde, possivelmente devido ao seu intenso trabalho de caridade, e morreu de tuberculose aos 38 anos de idade.
A carreira literária de Procter começou quando era ainda adolescente. Os seus poemas foram primeiramente publicados nos periódicos de Charles Dickens, “Household Words” e “All the Year Round”, e mais tarde em forma de livro. O seu labor pró-caridade e a sua conversão ao catolicismo parecem ter influenciado fortemente a sua poesia, cujos temas estão muito ligados à pobreza, aos sem-abrigo e às mulheres marginalizadas.
Procter era a poetisa predilecta da rainha Vitória. A sua poesia passou por inúmeras edições no século XIX. Os seus poemas foram transformados em música e hinos, sendo publicados também nos Estados Unidos e na Alemanha. No entanto, no início do século XX, a sua fama diminuiu e poucos críticos modernos têm dado atenção ao seu trabalho.
Dickens falou muito da inteligência precoce de Adelaide. Para ele, a jovem compreendia sem dificuldade os assuntos que lhe interessavam. Quando ainda era uma menina muito pequena, aprendeu com facilidade vários dos problemas de Euclides. À medida que foi crescendo, aprendeu os idiomas francês, italiano e alemão. Aprendeu a tocar piano e a desenhar. Porém, à medida que superava as dificuldades de qualquer objecto de estudo, perdia interesse pelo que aprendera e passava a outra coisa.
Como leitora ávida, foi em grande parte autodidacta. Contudo, completou os estudos superiores no Queen’s College de Londres, em 1850.
Adelaide Anne demonstrou uma paixão pela poesia desde tenra idade, trazendo sempre consigo, enquanto ainda era criança, um carnet minúsculo, no qual as passagens favoritas de certos poemas eram copiadas para ela pela mãe, antes que ela mesma soubesse escrever. Isto como qualquer outra garotinha traria consigo uma boneca...
Procter publicou o seu primeiro poema quando ainda era adolescente, “Ministering Angels”, que apareceu em “Heath's Book of Beauty” em 1843. Em 1853, apresentou o seu trabalho na revista “Household Words” de Dickens, sob o pseudónimo de Mary Berwick, desejando que ele fosse julgado pelos próprios méritos e não pela relação de amizade de Dickens para com o seu pai. Dickens não soube da real identidade de Berwick até ao ano seguinte. A publicação do poema deu início a uma longa associação de Procter com os periódicos de Dickens. Ao todo, Procter publicou 73 poemas em “Household Words” e sete em “All the Year Round”, a maioria dos quais foi reunida nos seus dois primeiros volumes de poesia, intitulados “Legends and Lyrics”. Foi também editora da revista “Victoria Regia”, que se tornou o paradigma da Victoria Press, uma empresa editorial explicitamente feminista.
Em 1851, Procter converteu-se ao catolicismo e tornou-se extremamente activa em várias causas beneficentes e feministas. O seu terceiro volume de poesia, “A Chaplet of Verses” (1861), foi publicado em benefício de um Abrigo Nocturno Católico para Mulheres e Crianças, fundado em 1860 em Providence Row, no leste de Londres.
Procter adoeceu em 1862, ficou acamada durante um ano e faleceu em 1864.  A sua morte foi descrita pela imprensa como um «desastre nacional». Os seus livros foram reeditados várias vezes em 1881. 

domingo, 29 de outubro de 2017

29 DE OUTUBRO - PEPETELA


EFEMÉRIDEPepetela, de seu verdadeiro nome Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, escritor angolano, nasceu em Benguela no dia 29 de Outubro de 1941.
A sua obra reflecte a história contemporânea de Angola e os problemas que a sociedade angolana enfrenta. Durante a guerra colonial, Pepetela, angolano de ascendência portuguesa, lutou juntamente com o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) para a libertação da sua terra natal. O seu romance “Mayombe” retrata as vidas e os pensamentos de um grupo de guerrilheiros durante aquela guerra; “Yaka” segue a vida de uma família de colonos na cidade de Benguela ao longo de um século; e “A Geração da Utopia” mostra a desilusão existente em Angola depois da independência.
A história angolana antes do colonialismo também faz parte do conteúdo das obras de Pepetela e pode ser lida em “A Gloriosa Família” e “Lueji”. A sua obra nos anos 2000 critica a situação angolana, num estilo satírico, e inclui a série de romances policiais denominada “Jaime Bunda”. As suas obras mais recentes incluem “Predadores”, uma crítica áspera às classes dominantes de Angola; “O Quase Fim do Mundo”, uma alegoria pós-apocalíptica; e “O Planalto e a Estepe”, que se debruça sobre as ligações entre Angola e outros países.
Licenciado em Sociologia, Pepetela foi docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Agostinho Neto em Luanda.
Pepetela é descendente de uma família de portugueses nascidos em Angola. Concluiu o ensino primário na cidade natal e, depois, partiu para o Lubango, onde lhe foi possível prosseguir os estudos. Foi no Liceu Diogo Cão que Pepetela completou o ensino secundário. Cresceu num ambiente da classe média, mas frequentou uma escola primária com crianças de várias raças e classes. Ele diz que a cidade de Benguela lhe deu mais oportunidades para conhecer angolanos de todas as raças, porque era a cidade mais multirracial naquela época. Durante a adolescência, um tio seu - que era jornalista - deu-lhe a conhecer uma variedade de pensadores de esquerda. Durante os seus anos no liceu em Lubango, Pepetela também foi influenciado por um padre esquerdista, de apelido Noronha, que o informava sobre eventos contemporâneos.
Em Lisboa, Pepetela frequentou - a partir de 1958 - o curso de Engenharia no Instituto Superior Técnico, mudando em 1960 para o curso de Letras na Universidade de Lisboa. Desde 1961, Pepetela fez a opção política que viria a mudar o rumo da sua vida e a marcar toda a sua obra, tornando-se narrador de uma história da Angola que ele conhecia. Pepetela tornou-se militante do MPLA em 1963.
Quando Pepetela se tornou militante, fugiu de Portugal para Paris e, posteriormente, para Argel. Foi aqui que ele conheceu Henrique Abranches, com quem trabalhou no Centro de Estudos Angolanos. Este Centro foi o local de trabalho do jovem Pepetela ao longo da década seguinte. Pepetela, Abranches e outros, trabalharam na documentação da cultura e sociedade angolanas e na propaganda das mensagens do MPLA ao exterior. Durante a sua estadia em Argel, Pepetela escreveu o seu primeiro romance, “Muana Puó”, uma obra que examinou a situação angolana através da metáfora das máscaras dos Côkwes, uma etnia de Angola. Pepetela não pretendia publicar o romance, mas acabou por fazê-lo em 1978, já ao serviço do governo angolano. Em 1969, o Centro de Estudos Angolanos mudou-se de Argel para Brazzaville, na República do Congo. Depois desta mudança, Pepetela começou a participar na luta armada. A experiência serviu-lhe de inspiração para uma das suas obras mais conhecidas, uma narrativa da guerra intitulada “Mayombe”.
O primeiro romance do Pepetela foi publicado em 1972, com o título “As Aventuras de Ngunga”. Foi uma obra literária para um público pequeno de universitários, onde analisava o crescimento revolucionário de Ngunga, um jovem guerrilheiro do MPLA, usando um tom épico e didáctico. O romance introduz o leitor nos costumes, na geografia e na psicologia de Angola. Pepetela criou um diálogo entre a tradição angolana e a ideologia revolucionária, debatendo quais as tradições que deviam ser alimentadas e quais as que deviam ser alteradas. O romance também é interessante porque foi escrito e publicado enquanto o autor lutava contra os portugueses na frente Leste. Embora Pepetela tivesse escrito outros livros já como guerrilheiro, eles só foram publicados depois da independência.
Com a independência de Angola em 1975, Pepetela foi nomeado vice-ministro da Educação no governo do presidente Agostinho Neto. O autor exerceu o mandato durante sete anos e retirou-se, em 1982, para se dedicar à literatura. A sua escrita diversificou-se, com a publicação de duas peças de teatro que tratavam da história angolana e das políticas revolucionárias. Nos anos 1970, Pepetela foi membro da direcção da União dos Escritores Angolanos.
Depois de sair do governo, Pepetela começou a sua obra mais ambiciosa “Yaka”. Publicada em 1984, é um romance histórico que descreve as vidas de uma família de colonialistas portuguesas que foram para Benguela no século XIX. Em 1986, o livro ganhou o Prémio Nacional de Literatura. Continuou a escrever ao longo da década, publicando em 1985 “O Cão e os Caluandas”, um romance que analisa os habitantes de Luanda e as mudanças que eles viveram desde a independência.
Nos anos 1990, a escrita de Pepetela continuou a mostrar o seu interesse pela história de Angola, mas também começou a examinar a situação política do país com um maior sentido de ironia e crítica. O seu primeiro romance da década, “A Geração da Utopia” (1992), confronta muitos problemas já na perspectiva da realidade de Angola pós-independência. A guerra civil angolana e a corrupção intensa no governo levou-o a um questionamento dos valores revolucionários.
Em 1996, publicou um romance de um género diferente, “A Gloriosa Família”. Esta obra examina a história da família Van Dunem, uma família proeminente de ascendência holandesa. Pepetela passara anos a pesquisar a história dos flamengos em Angola para escrever este livro. A obra não manifesta o tom cínico e desiludido dos seus outros livros da década.
A situação política piorou em Angola ao longo dos anos 1990 e Pepetela passou cada vez mais tempo em Lisboa e no Brasil, o que fez ele tornar-se mais reconhecido no mundo lusófono. Em 1997, foi galardoado com o Prémio Camões pelo conjunto da sua obra. Pepetela foi o primeiro autor angolano e o segundo escritor africano que ganhou este prémio prestigioso. Foi também o autor mais jovem a receber o prémio.
Pepetela continuou a ser um escritor prolífico no novo milénio. Escreveu uma série de romances denominada “Jaime Bunda”, livros policiais que satirizam a vida em Luanda na nova década. Publicados pela editora Dom Quixote, foram muito populares em Portugal, também tendo tido êxito noutros países europeus como a Alemanha, onde Pepetela era praticamente desconhecido até então.
Em 2000, publicou “A Montanha de Água Lilás”, um livro para crianças que comenta as raízes da injustiça social. Em 2005, depois do sucesso da série “Jaime Bunda”, publicou “Predadores”, a sua crítica mais mordaz sobre as classes poderosas de Angola.
O romance de 2007, “O Terrorista de Berkeley, Califórnia”, desenrola-se nos Estados Unidos e tem pouca ligação com Angola.
Em 1999, recebeu o Prémio Príncipe Claus (Holanda) e, em 2010, foi doutorado honoris causa pela Universidade do Algarve. Faz parte do comité de apadrinhamento do Tribunal Russel sobre a Palestina desde 2009.

sábado, 28 de outubro de 2017

28 DE OUTUBRO - ALBERTINHO FORTUNA


EFEMÉRIDEAlbertinho Fortuna, de seu verdadeiro nome Alberto Fortuna Vieira de Azevedo, cantor luso-brasileiro, nasceu em Vila Nova de Gaia no dia 28 de Outubro de 1922. Morreu em Niterói, em 1 de Julho de 1995.
Foi para o Brasil aos seis meses de vida, quando a família se fixou em Niterói. Residia no bairro Santa Rosa e estudava no Colégio Salesiano, destacando-se no coro da escola.
Aos oito anos, foi convidado por um amigo da família para cantar na Rádio Mayrink Veiga e, tendo agradado ao público, voltou lá várias vezes, já recebendo um cachet de dez mil réis.
Continuou os seus estudos no Instituto de Humanidades, cujo director era Gomes Filho, conhecido jornalista e compositor, que estava a abrir em Niterói a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, da qual seria director. Albertinho foi um dos pioneiros da emissora, em 1936.
Nesse mesmo ano, Zezé Fonseca providenciou o seu regresso para a Mayrink Veiga, pedindo a César Ladeira, director artístico da rádio, que lhe fizesse um casting. Albertinho foi aprovado e contratado por 400 mil réis mensais, recebendo também de Ladeira o epíteto de ‘O garoto que vale ouro’. Apenas com treze anos, apresentou-se várias vezes juntamente com Carmen Miranda, a maior estrela da emissora.
Parou de cantar durante dois anos devido à fase da mudança de voz, voltando -  em 1938 - então para a Rádio Tupi. Depois de uma temporada na mesma, foi para a Rádio Educadora do Brasil, convidado por Saint Clair Lopes e Luís Vassalo.
Em 1940, mudou-se para a Rádio Nacional, onde passou a fazer parte do Trio Melodia, criado para o lançamento do programa “Um milhão de melodias”, que começou a ser apresentado em 1943, ao lado de Nuno Roland e Paulo Tapajós. Pela qualidade dos seus integrantes, o trio gravou vários discos e acompanhou - em espectáculos - muitos dos melhores cantores da época.
Entretanto, Albertinho continuou, paralelamente, a sua carreira a solo e, em 1944, gravou o primeiro disco na Continental, com o samba “Ai, que saudades da Amélia”. A sua segunda gravação, no ano seguinte, foi a valsa “Meu coração te fala”, de Pedro Raimundo, que o acompanhou no acordeão. Foi um grande sucesso. Também alcançou grande êxito no Carnaval de 1947, com a “Marcha dos gafanhotos”.
Apesar de tudo, Albertinho ganhou prestígio principalmente como cantor romântico. Gravou muitas músicas, entre as quais a do tango “Mano a mano” de Carlos Gardel, em 1952. Em 1959, gravou o samba-canção “Eu sei que vou te amar” de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Lançou ainda, na editora Continental, os LP: “Tangos de ontem e hoje” (1956), “Albertinho Fortuna canta tangos inesquecíveis” (1957), “Tudo é amor” (1959), “Tangos inesquecíveis” (1960) e “Prelúdio” (1963). Faleceu aos 72 anos de idade.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

27 DE OUTUBRO - FREDERICK DE CORDOVA


EFEMÉRIDE - Frederick Timmins de Cordova, actor e realizador de cinema norte-americano, mais conhecido na qualidade de produtor de programas televisivos como o “Tonight Show”, apresentado por Johnny Carson, nasceu em Nova Iorque no dia 27 de Outubro de 1910. Morreu em Los Angeles, em 15 de Setembro de 2001.
De Cordova trabalhava na Broadway quando foi contratado pela Warner Bros. como director de diálogos, em 1944. No ano seguinte, realizou a sua primeira película, “Juventude Impetuosa”. Em 1948, foi para a Universal, onde continuou a realizar filmes de aventuras e comédias familiares, caracterizados pelo bom acabamento e profissionalismo, mas também por falta de profundidade, daí destinarem-se, sobretudo, às sessões duplas dos cinemas. De destacar, na sua obra, “Vítimas da Sorte” (1952), comédia que teve a excelente interpretação de Tom Ewell.
A partir de meados da década de 1950, passou a dedicar-se à televisão, onde dirigiu sitcoms e produziu shows importantes, como o “Jack Benny Program” e, principalmente, o “Tonight Show Starring Johnny Carson”, que lhe deram fama e reconhecimento. Na década de 1960, ensaiou um breve retorno ao cinema, mas logo voltou à TV, onde ficou até à sua reforma.
Foi nomeado para os prémios Emmy dezasseis vezes, tendo vencido em cinco oportunidades. Faleceu de causas naturais, aos 90 anos de idade.

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