
As suas composições inspiraram-se sobretudo nos costumes e tradições do povo baiano. Também influenciado pela música negra, tinha um estilo de compor e cantar muito peculiar, com letras espontâneas, sensuais e melódicas.
Poeta popular, compôs obras inesquecíveis como Saudade de Baia, Samba da Minha Terra, Modinha para Gabriela, Saudade de Itapuã, O Dengo que a Nega Tem, Rosa Morena, etc. Escreveu igualmente baladas dedicadas aos pescadores baianos, entre as quais se destacam “Promessa de Pescador” e “O Vento”.
Caymmi era descendente de italianos pelo lado do pai. O seu bisavô fora para o Brasil trabalhar na reparação do Elevador Lacerda na Baia. Ainda criança, ouvia o pai, funcionário público e músico amador, a tocar piano, violão e bandolim. A mãe, dona de casa, também cantava mas no lar. Ouvindo igualmente velhas gravações, foi crescendo nele a vontade de compor.
Com treze anos apenas, interrompeu os estudos e começou a trabalhar como auxiliar na redacção do jornal O Imparcial. Com o encerramento do jornal, em 1929, tornou-se vendedor de bebidas.
Em 1930 escreveu “No Sertão”, a sua primeira música, e aos vinte anos estreou-se como cantor e tocador de violão na Rádio. Em 1935, começou a apresentar o musical “Caymmi e Suas Canções Praieiras”. Com 22 anos, venceu, como compositor, um concurso de músicas de carnaval com o samba “A Baia também dá”.
Um director da Rádio Clube da Baia incentivou-o a seguir uma carreira no sul do país. Em 1938 Dorival viajou para o Rio de Janeiro, com o intuito de conseguir um emprego como jornalista e realizar o curso preparatório de Direito. Foi apresentado ao director da Rádio Tupi e actuou nesta rádio cantando duas composições, embora ainda sem contrato. Saiu-se tão bem que começou a cantar dois dias por semana, além de participar no programa “Dragão da Rua Larga”. Neste programa, interpretou “O Que é Que a Baiana Tem”, canção que contribuiu para a carreira internacional de Cármen Miranda.
Dele disse Tom Jobim: «Dorival é um génio. Se eu pensar em música brasileira, sou obrigado a pensar nele. É uma pessoa incrivelmente sensível, uma criação incrível. Isto sem falar no pintor, porque o Dorival também é um grande pintor».
Contemporâneo e por vezes rival de Ary Barroso, foi toda a vida amigo do escritor Jorge Amado. Nos anos 1960 muitas das suas canções foram interpretadas pelo pioneiro da bossa nova João Gilberto, que o considerava seu ídolo. Influenciou também diversos cantores, entre os quais se salientam Caetano Veloso e Gilberto Gil.
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