
Filho de um comerciante com recursos, foi estudar para França até à morte do pai, o que o obrigou a regressar. Matriculou-se no Curso Superior de Comércio. Em 1890, com apenas 19 anos, tornou-se gestor da herança da família. Três anos mais tarde, já era administrador da Companhia Aliança Fabril (CAF) e do Banco Lusitano. Aos 26 anos, concebeu um projecto audacioso: a fusão da sua empresa, a CAF, com a CUF. Era uma questão de sobrevivência: ambas as companhias viviam em grandes dificuldades. Em 22 de Abril de 1898 foi formalizada a constituição da nova CUF, que passou a produzir sabões, velas e óleos vegetais e viria a tornar-se um gigante da indústria, ao iniciar em Portugal a produção de adubos em grande escala.
Em 1907 a Companhia União Fabril estava em plena expansão e era necessário encontrar um local para instalar novas unidades fabris. Alfredo da Silva escolheu o Barreiro. A pequena vila à beira do Tejo nunca mais viria a ser a mesma. De resto a empresa veio a espalhar várias fábricas pelo país, empregando 16 mil pessoas ao todo. O lema da Companhia União Fabril era "O que o País não tem, a CUF cria".
Alfredo da Silva foi vítima de dois atentados fracassados o que o levou a exilar-se em Espanha e França, gerindo a CUF à distância.
Foi eleito deputado em 1906 antes de apoiar Sidónio Pais e de conquistar um lugar na Câmara Corporativa em 1935. Em 1936 foi adjudicada a concessão do Estaleiro da Rocha Conde de Óbidos à CUF: foi a revolução na construção naval em Portugal e o embrião da Lisnave.
Alfredo da Silva, graças ao seu poder económico e ao sentido do negócio, podia por vezes interessar-se por empreendimentos diferentes da sua mais habitual actividade industrial. Exemplo disso foi a aquisição do Cineteatro Éden, que nem sequer tinha a intenção de explorar como tal. Mais tarde vendeu-o com grande lucro.
Salazar considerava o empresário demasiado independente para o seu gosto… Assim, existiram dois projectos que Alfredo da Silva nunca conseguiu realizar: o primeiro, em 1926, quando tentou avançar com a constituição da Companhia Portuguesa de Rádio Marconi. O outro, nos anos 1930, quando tentou, em concurso, que fosse arrendada à CUF a concessão da Linha de Caminho de Ferro Sul-Sueste, pertença dos Caminhos-de-Ferro do Estado.
Após a sua morte, a CUF passou para o comando do Grupo Mello, composto pelo genro Manoel de Mello e os filhos Jorge de Mello e José de Mello.
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