
Era filho de um embaixador de Portugal na corte austríaca e de uma condessa pertencente a uma antiga e ilustre família nobre da Boémia.
Teve a educação que na época se costumava dar aos filhos da nobreza. Gomes Freire veio para Portugal com 24 anos de idade, já com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Destinado à carreira militar, entrou como cadete no regimento de Peniche, sendo em 1782 promovido a alferes. Passou à Armada Real, embarcando em 1784 na esquadra que foi auxiliar as forças navais espanholas de Carlos III no bombardeamento de Argel.
Regressado a Lisboa, foi promovido a tenente da marinha e, em 1788, voltou ao antigo regimento com o posto de sargento-mor. Obteve uma licença para servir no exército de Catarina II, em guerra contra a Turquia, e partiu para a Rússia. Em São Petersburgo terá conquistado as maiores simpatias na corte e da própria imperatriz. Na campanha de 1788-1789, comandada pelo príncipe Potemkine, distinguiu-se nas planícies do rio Danúbio, na Guerra da Crimeia e sobretudo no cerco a Oczakow. A imperatriz atribuiu-lhe, para recompensar a sua bravura e heroísmo, o posto de coronel do seu exército que, em 1790, foi confirmado pelo exército português.
Depois, na esquadra do príncipe de Nassau, salvou-se milagrosamente durante a batalha naval de Schwensk, quando os canhões suecos fizeram ir a pique a “bateria flutuante” que ele comandava. Recebeu o Hábito de São Jorge, uma das Ordens mais importantes da Rússia.
Voltou a Lisboa, para embarcar com destino à Catalunha, na Divisão que Portugal enviou em auxílio da Espanha contra a República francesa.
Gomes Freire regressou depois a Portugal, vindo a ser Grão-mestre da Maçonaria. Foi entretanto acusado de liderar uma conspiração nacional-liberal contra a monarquia absolutista de D. João VI (ausente no Brasil). Foi detido e enforcado por crime de traição à pátria, juntamente com mais onze militares.
Este procedimento da Regência e de Lord Beresford, comandante em chefe britânico do Exército português e regente de facto do reino de Portugal, levou a protestos e intensificou a tendência anti-britânica, o que conduziu o país à Revolução do Porto e à queda de Beresford (1820), impedido de desembarcar em Lisboa ao voltar do Brasil, onde conseguira de D. João VI ainda maiores poderes.
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