EFEMÉRIDE
– Alberto Baeta Neves Mussa, romancista,
contista e tradutor brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Junho de 1961.
Formou-se em letras na Universidade
Federal do Rio de Janeiro e a sua tese de mestrado versou o papel das
línguas africanas na constituição do português do Brasil. Realizou estudos
sobre diversas culturas primitivas. Estreou-se na literatura com “Elegbara”
(1997), livro de contos inspirado pela mitologia dos nagôs, etnia africana
responsável por levar o candomblé para o Brasil. Com o auxílio de uma bolsa da Fundação
Biblioteca Nacional, escreveu “O Trono da Rainha Jinga” (1999),
romance de mistério que se desenrola no Rio de Janeiro do século XVII.
A proposta
literária de Alberto Mussa é fundir a tradição narrativa ocidental com os
relatos mitológicos de outras culturas, como a afro-brasileira, a da Arábia
pré-islâmica e a do Brasil indígena. Os seus livros foram já traduzidos em 15
idiomas e publicados em 17 países, entre eles: Argentina, Cuba, Portugal,
Itália, França, Inglaterra, Roménia, Turquia, Espanha e Egipto.
Em
parceria com o historiador Luiz Antonio Simas, escreveu “Samba de enredo:
história e arte”, um estudo sobre a evolução estética do samba de enredo.
Fascinado pela poesia pré-islâmica,
dedicou-se a um projecto de tradução e pesquisa sobre o mundo árabe. Como
resultado dos estudos sobre a cultura do Médio Oriente, publiciu o romance “O
Enigma de Qaf” (2004). Este livro recebeu o Prémio da Associação
Paulista de Críticos de Arte e o Prémio Casa de las Américas (Cuba)
em 2005, na categoria de Melhor Obra da Literatura Brasileira. Outro
desdobramento destes estudos é a coletânea de traduções “Os Poemas Suspensos”
(2006).
Inspirado pelo escritor argentino
Jorge Luis Borges (1899/1986) e por pesquisas antropológicas sobre o adultério,
redigiu “O Movimento Pendular” (2006). Compilou uma série de versões de
mitos sobre a cosmogonia tupinambá e escreveu o ensaio ficcional “Meu
Destino É Ser Onça” (2008). Três anos depois, publicoi “O Senhor do Lado
Esquerdo” (2011) e recebeu o Prémio Machado de Assis da Fundação
Biblioteca Nacional. Foi galardoado, também, com o Prémio Oceanos
2015 pelo romance “A Primeira História do Mundo” (2014).
Alberto Mussa tem um amplo conjunto
de referências, que vão do modernismo de 1922 à obra de escritores como
o argentino Jorge Luis Borges e de antropólogos como o belga Claude
Lévi-Strauss (1908/2009).
No panorama da literatura brasileira
recente, a obra de Alberto Mussa não encontra paralelo e tem despertado o interesse de muitos estudiosos.
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