sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

6 DE FEVEREIRO - ARGENTINA SANTOS

EFEMÉRIDE - Maria Argentina Pinto dos Santos, fadista portuguesa, considerada uma das últimas divas do fado castiço, nasceu na Mouraria, Lisboa, em 6 de Fevereiro de 1924. Morreu em Lisboa no dia 18 de Novembro de 2019.

Originária do tradicional bairro da Mouraria, em Lisboa, destaca-se a sua interpretação do fado menor.

Ao contrário da maioria dos fadistas da sua geração, começou tarde a cantar, tendo até um percurso acidentado no meio do fado. Foi para o restaurante A Parreirinha de Alfama trabalhar como cozinheira e o fado surgiu como natural consequência, aos 24 anos.

O seu estilo muito pessoal de cantar, forte e autêntico, logo prendeu as atenções dos críticos e do público, almejando-a como uma das maiores promessas musicais da época.

No entanto, depois de casar, como o seu primeiro marido não gostava que cantasse, confinou-se à cozinha. Quando o marido morreu, voltou a cantar e teve um impulso na sua carreira. Mas dois anos depois voltou a casar e a história repetiu-se. O segundo marido também viria a morrer e voltaria a cantar, iniciando uma fase que a levaria a ser conhecida internacionalmente.

Actuou em países como Brasil, Venezuela, Grécia, França, Países Baixos, Reino Unido e Itália.

Em 1950, comprou A Parreirinha de Alfama, que permanece ainda como uma das mais típicas casas de fado de Lisboa e também uma das mais concorridas, além de ser ainda a que se manteve mais tempo nas mesmas mãos. Por ali passaram nomes como Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo, Fernanda Maria, Berta Cardoso, Maria da Fé ou Celeste Rodrigues.

Sempre se dividiu entre os seus dotes musicais e culinários e fazia questão de ir comprar todas as manhãs o peixe à praça, assegurando-se da qualidade dos pratos que ali eram servidos.

Tinha um extenso repertório, todo construído para si, à excepção de “A Lágrima” (do repertório de Amália Rodrigues, com música de Carlos Gonçalves), e que tem na voz de Argentina Santos uma interpretação apreciada. Além deste, destacam-se, entre os seus êxitos, “Duas Santas” (letra de Augusto Martins e música do Fado Franklin), “Juras” (letra de Alberto Rodrigues e música de Joaquim Campos) e “Passeio Fadista” (Alberto Rodrigues/José António Sabrosa).

O seu primeiro disco datado de 1954, foi efectuado na etiqueta Estoril sob a orientação artística de Belo Marques, com os guitarristas Casimiro Ramos e Miguel Ramos, onde gravou “Duas Santas e Juras”.

Em 1960, gravou o seu 2º disco, que conta com temas como “Chafariz do Rei” ou “Quadras” (de António Botto).

Da sua discografia, salienta-se a colectânea, em dois CD, “Argentina Santos”, editada em 2003 pela Movieplay, e o disco “Argentina Santos”, gravado em 2002 pela Companhia Nacional de Música, onde revisita alguns temas da sua carreira, com o acompanhamento de José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Jorge Fernando (viola) e Filipe Larsen (viola baixo).

Entre as salas mais distintas onde cantou, encontram-se o Queen Elizabeth Hall, em Londres, La Cité de La Musique, em Paris, o Grande Auditório do CCB e o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e a Catedral de Marselha.

Também em 2004 participou na compilação de homenagem a Amália Rodrigues “A Tribute To Amália Rodrigues”, com o tema “Lágrima”. Participou noutros projectos ligados ao fado, como o espectáculo “Cabelo Branco é Saudade”, de Ricardo Pais.

Em 2007, o realizador espanhol Carlos Saura imortalizou o fado “Vida vivida” na voz de Argentina, que o cantou no filme “Fados”, que juntou intérpretes como Carlos do Carmo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Mariza, Lila Downs ou Lura.

Argentina Santos faleceu em Novembro de 2019, no Hospital de Santa Maria em Lisboa.

Em 2004, foi-lhe prestada uma festa de homenagem no Coliseu dos Recreios. É patrona da Academia do Fado de Racanati, em Itália, que ela própria inaugurou.

Em 2005, foi galardoada com o Prémio Carreira, nos Prémios Amália Rodrigues da Fundação Amália Rodrigues. Na mesma ocasião, a vertente masculina do Prémio Carreira seria entregue a Raul Nery.

Em 27 de Novembro de 2013, foi feita comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.

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