Frequentou
a Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, onde foi colega de futuras
grandes figuras do teatro e televisão nacional, como Raul Solnado.
A
sua estreia como actor foi ainda naquela sociedade, na peça “Falar Verdade a
Mentir” de Almeida Garrett. Em 1953, interpretou a personagem do Conde de
Ourém na peça “O Regente de Marcelino Mesquita”, a convite da companhia Rey
Colaço-Robles Monteiro, tendo este sido o seu primeiro trabalho no Teatro
Nacional D. Maria II. No ano seguinte, profissionalizou-se como membro
desta companhia, iniciando assim uma carreira de mais de quatro décadas, onde
interpretou cerca de duzentas peças, abrangendo várias tipologias teatrais,
como a farsa, a tragédia, a comédia, e a revista. Participou em várias peças
destacadas, como “Um Eléctrico Chamado Desejo”, “Felizmente Há Luar!”
ou “Passa Por Mim no Rossio”.
Em
1967, interpretou a peça “Um Equilíbrio Delicado”, em conjunto com
Amélia Rey Colaço e Mariana Rey Monteiro, baseada numa obra de Edward Albee,
vencedora de um Prémio Pulitzer. Em 29 de Setembro de 1986, participou
num espectáculo de homenagem a Maria Matos, organizado pela Câmara Municipal
de Lisboa por ocasião do centenário do seu nascimento, onde também marcaram
presença outras grandes figuras do teatro nacional, como César de Oliveira,
Pavão dos Santos, Lopes Ribeiro e Eunice Muñoz.
Trabalhou
igualmente como encenador de teatro, tendo sido responsável por mais de vinte
peças, incluindo “Estranha Forma de Amar” em 1976, ou “O Fidalgo
Aprendiz” em 1988. A sua estreia como encenador foi com outra peça de
Garrett, “O Tio Simplício”, em colaboração com o célebre decorador
Lucien Donnat. Em 1960, encenou a obra “A Sapateira Prodigiosa”, de
Federico García Lorca, onde trabalhou com Octávio Clérigo. Foi o autor da peça “Ponto
de Vista” em 1961, que foi apresentada no Carnaval desse ano, e que
contou com a participação de Amélia Rey Colaço e Erico Braga. Em 1955, escreveu
a comédia “Amanhã há Récita”, que foi levada ao palco no ano seguinte,
tendo sido a estreia do actor Henrique Viana. Em 1968, a sua peça “Tango”,
baseada numa obra do dramaturgo Sławomir Mrożek, e interpretada por Amélia Rey
Colaço e Mariana Rey Monteiro, teve um grande sucesso.
Escreveu
igualmente as peças “Um Príncipe do Meu Bairro” em 1966, e em 1978 a
revista “O pato das cantigas” em conjunto com Nicolau Breyner. Outra
grande figura do teatro nacional com o qual Varela Silva trabalhou foi o actor
e encenador Norberto Barroca. Em 1956, publicou o livro de contos “Histórias
Que Não Me Pediram”, que recebeu uma crítica positiva por parte do jornal “Diário
Popular” tendo João Pedro de Andrade considerado que «em poucas páginas
afirmou disposições que escritores de carteira nem sempre logram com muitos
livros: um ângulo próprio donde visionar um sector da vida citadina e uma
maneira pessoal de expor os resultados da sua visão. De qualquer modo, é caso
para lhe pedirmos mais histórias.».
A
sua carreira também passou pela televisão, onde escreveu, realizou, dirigiu e
foi intérprete em diversos programas, principalmente em telenovelas
portuguesas, tendo participado na primeira realizada em Portugal, a “Vila
Faia”, em 1982. Em Abril de 1974, foi convidado pela Rádio Televisão
Portuguesa para interpretar e encenar a peça de teleteatro “Duas Dúzias
de Rosas Vermelhas”, onde também iriam actuar Paulo Renato e Simone de
Oliveira. Naquela emissora, também foi jurado do concurso “Retrato de
Família”, e foi o autor da “Histórias simples de gente cá do bairro”,
sobre os habitantes de Lisboa.
Também
participou como actor em oito filmes de cinema, incluindo “A Ribeira da
Saudade” de João Mendes, em 1963, “Benilde ou a Virgem Mãe” de
Manoel de Oliveira, em 1975, “Cântico Final” de Manuel Guimarães, de
1975, “O Diabo Desceu à Vila”, realizado em 1979 por Teixeira da
Fonseca, e “Aqui d’El Rei!” de António-Pedro Vasconcelos, em 1992. Foi o
argumentista do filme “Pão, Amor e… Totobola!” de Henrique Campos,
lançado em 1964. Interpretou, em conjunto com Fernanda Borsatti, as personagens
principais do telefilme “A Chave do Mistério”, realizado em 1959 por
Marcello de Morais.
Varela
Silva manifestou igualmente a vontade de adaptar a obra “Aparição” de
Virgílio Ferreira para o cinema, mas nunca conseguiu realizar este intento.
Em
14 de Julho de 2004, a Câmara Municipal de Lisboa colocou o seu nome
numa Rua no Vale da Ameixoeira, na freguesia de Santa Clara, homenagem que foi
feita na sequência de uma proposta da APOIARTE - Associação de Apoio aos
Artista.
Varela
Silva casou em 1955 com a fadista Celeste Rodrigues, de quem teve duas filhas:
Maria Rita e Maria José. Esteve igualmente casado com a cantora e actriz Simone
de Oliveira.
Varela
Silva foi vítima de uma doença prolongada tendo estado em tratamentos de
quimioterapia no Hospital Pulido Valente ao lado de Curado Ribeiro, seu
amigo de vida. Faleceu em Dezembro de 1995, na cidade de Lisboa.

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