terça-feira, 15 de setembro de 2026

15 DE SETEMBRO - ALBERTO VARELA SILVA

EFEMÉRIDE - Alberto Varela Silva, actor, autor, encenador e director de teatro, cinema e televisão português, nasceu em Lisboa no dia 15 de Setembro de 1929. Morreu na mesma cidade em 15 de Dezembro de 1995.

Frequentou a Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, onde foi colega de futuras grandes figuras do teatro e televisão nacional, como Raul Solnado.

A sua estreia como actor foi ainda naquela sociedade, na peça “Falar Verdade a Mentir” de Almeida Garrett. Em 1953, interpretou a personagem do Conde de Ourém na peça “O Regente de Marcelino Mesquita”, a convite da companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, tendo este sido o seu primeiro trabalho no Teatro Nacional D. Maria II. No ano seguinte, profissionalizou-se como membro desta companhia, iniciando assim uma carreira de mais de quatro décadas, onde interpretou cerca de duzentas peças, abrangendo várias tipologias teatrais, como a farsa, a tragédia, a comédia, e a revista. Participou em várias peças destacadas, como “Um Eléctrico Chamado Desejo”, “Felizmente Há Luar!” ou “Passa Por Mim no Rossio”.

Em 1967, interpretou a peça “Um Equilíbrio Delicado”, em conjunto com Amélia Rey Colaço e Mariana Rey Monteiro, baseada numa obra de Edward Albee, vencedora de um Prémio Pulitzer. Em 29 de Setembro de 1986, participou num espectáculo de homenagem a Maria Matos, organizado pela Câmara Municipal de Lisboa por ocasião do centenário do seu nascimento, onde também marcaram presença outras grandes figuras do teatro nacional, como César de Oliveira, Pavão dos Santos, Lopes Ribeiro e Eunice Muñoz.

Trabalhou igualmente como encenador de teatro, tendo sido responsável por mais de vinte peças, incluindo “Estranha Forma de Amar” em 1976, ou “O Fidalgo Aprendiz” em 1988. A sua estreia como encenador foi com outra peça de Garrett, “O Tio Simplício”, em colaboração com o célebre decorador Lucien Donnat. Em 1960, encenou a obra “A Sapateira Prodigiosa”, de Federico García Lorca, onde trabalhou com Octávio Clérigo. Foi o autor da peça “Ponto de Vista” em 1961, que foi apresentada no Carnaval desse ano, e que contou com a participação de Amélia Rey Colaço e Erico Braga. Em 1955, escreveu a comédia “Amanhã há Récita”, que foi levada ao palco no ano seguinte, tendo sido a estreia do actor Henrique Viana. Em 1968, a sua peça “Tango”, baseada numa obra do dramaturgo Sławomir Mrożek, e interpretada por Amélia Rey Colaço e Mariana Rey Monteiro, teve um grande sucesso.

Escreveu igualmente as peças “Um Príncipe do Meu Bairro” em 1966, e em 1978 a revista “O pato das cantigas” em conjunto com Nicolau Breyner. Outra grande figura do teatro nacional com o qual Varela Silva trabalhou foi o actor e encenador Norberto Barroca. Em 1956, publicou o livro de contos “Histórias Que Não Me Pediram”, que recebeu uma crítica positiva por parte do jornal “Diário Popular” tendo João Pedro de Andrade considerado que «em poucas páginas afirmou disposições que escritores de carteira nem sempre logram com muitos livros: um ângulo próprio donde visionar um sector da vida citadina e uma maneira pessoal de expor os resultados da sua visão. De qualquer modo, é caso para lhe pedirmos mais histórias.».

A sua carreira também passou pela televisão, onde escreveu, realizou, dirigiu e foi intérprete em diversos programas, principalmente em telenovelas portuguesas, tendo participado na primeira realizada em Portugal, a “Vila Faia”, em 1982. Em Abril de 1974, foi convidado pela Rádio Televisão Portuguesa para interpretar e encenar a peça de teleteatro “Duas Dúzias de Rosas Vermelhas”, onde também iriam actuar Paulo Renato e Simone de Oliveira. Naquela emissora, também foi jurado do concurso “Retrato de Família”, e foi o autor da “Histórias simples de gente cá do bairro”, sobre os habitantes de Lisboa.

Também participou como actor em oito filmes de cinema, incluindo “A Ribeira da Saudade” de João Mendes, em 1963, “Benilde ou a Virgem Mãe” de Manoel de Oliveira, em 1975, “Cântico Final” de Manuel Guimarães, de 1975, “O Diabo Desceu à Vila”, realizado em 1979 por Teixeira da Fonseca, e “Aqui d’El Rei!” de António-Pedro Vasconcelos, em 1992. Foi o argumentista do filme “Pão, Amor e… Totobola!” de Henrique Campos, lançado em 1964. Interpretou, em conjunto com Fernanda Borsatti, as personagens principais do telefilme “A Chave do Mistério”, realizado em 1959 por Marcello de Morais.

Varela Silva manifestou igualmente a vontade de adaptar a obra “Aparição” de Virgílio Ferreira para o cinema, mas nunca conseguiu realizar este intento.

Em 14 de Julho de 2004, a Câmara Municipal de Lisboa colocou o seu nome numa Rua no Vale da Ameixoeira, na freguesia de Santa Clara, homenagem que foi feita na sequência de uma proposta da APOIARTE - Associação de Apoio aos Artista.

Varela Silva casou em 1955 com a fadista Celeste Rodrigues, de quem teve duas filhas: Maria Rita e Maria José. Esteve igualmente casado com a cantora e actriz Simone de Oliveira.

Varela Silva foi vítima de uma doença prolongada tendo estado em tratamentos de quimioterapia no Hospital Pulido Valente ao lado de Curado Ribeiro, seu amigo de vida. Faleceu em Dezembro de 1995, na cidade de Lisboa.

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