sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDEAlexander Issaiévich Soljenitsyne, escritor, dramaturgo, historiador e dissidente russo, nasceu em Kislovodsk no dia 11 de Dezembro de 1918. Faleceu em Moscovo, vítima de insuficiência cardíaca aguda, em 3 de Agosto de 2008.
Era filho de um oficial do exército do Czar, que morreu num acidente de caça antes dele nascer. O avô materno tinha adquirido uma grande propriedade na região de Kuban, nos sopés da grande cadeia de montanhas do Cáucaso, que foi confiscada depois da Revolução Russa. A mãe, de origem ucraniana, teve de lutar arduamente pela sobrevivência e manter em segredo as ligações do pai com o antigo regime.
Alexander mostrou, desde criança, tendências literárias e científicas que a mãe tentava incentivar como podia. Estudou matemática na Universidade Estatal de Rostov, ao mesmo tempo que cursava por correspondência Filosofia e Literatura. Durante a Segunda Guerra Mundial participou em acções importantes, como comandante de uma companhia de artilharia do Exército Soviético, obtendo a patente de capitão e sendo condecorado por duas vezes. Algumas semanas antes do encerramento do conflito, foi preso por fazer críticas a Estaline, nomeadamente o facto dele não ter negociado um compromisso com Hitler para atenuar o sofrimento da Rússia. Foi condenado a oito anos em campos de trabalhos forçados. Destas experiências surgiria o livro “O Primeiro Círculo”, publicado no estrangeiro em 1968.
Em 1950 foi transferido para um “campo especial” em Ekibastuz, no Cazaquistão, onde trabalhou como pedreiro, mineiro e metalúrgico. Esta época inspiraria o livro “Um Dia na Vida de Ivan Denisovich”, publicado em 1962 na revista soviética “Novy Mir”, graças à intervenção pessoal de Nikita Khrouchtchev. Enquanto esteve neste "campo" foi-lhe retirado um tumor que só seria considerado canceroso no ano seguinte. Esteve próximo da morte, mas acabou por receber tratamento adequado em Tashkent, no Uzbequistão, tendo sido curado. Estes acontecimentos estiveram na base do livro “O Pavilhão dos Cancerosos”.
Foi reabilitado em 1956 e, ao mesmo tempo que leccionava em escolas secundárias durante o dia, passava as noites a escrever com secretismo.
Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1970 e foi expulso da União Soviética por razões políticas em 1974.
Viveu vários anos na Suíça, emigrando depois para os Estados Unidos. Concedeu então muitas entrevistas e fez vários discursos, chegando a fazer uma conferência sobre a situação mundial no Senado Americano. O Ocidente descobria nele um homem ortodoxo conservador, mas profundamente crítico da sociedade de consumo.
Quando da “Glanost”, promovida por Mikhaïl Gorbatchev, Soljenitsyne reconquistou a cidadania soviética. “O Arquipélago Gulag” foi publicado na URSS em 1989 e ele regressou à Rússia em 1994. Ganhou a Medalha de Ouro Lomonossov em 1998.
A sua personalidade era de tal modo confusa e controversa que, durante a sua carreira literária, foi acusado sucessivamente (ou simultaneamente) de ser nacionalista, czarista, ultra ortodoxo, anti-semita ou favorável a Israel, traidor, cúmplice da Gestapo, da CIA, da Maçonaria e mesmo do KGB. As suas posições foram várias vezes criticadas por outros dissidentes soviéticos. Exprimiu-se por exemplo a favor das ditaduras militares de Franco e de Pinochet, o que não abona muito a favor da clareza dos seus ideais.
Em 2007, o presidente Putine homenageou-o, entregando-lhe o Prémio do Estado. Morreu aos 89 anos, tendo sido o seu funeral retransmitido pela televisão russa.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDEEmily Elizabeth Dickinson, poetisa norte-americana, nasceu em Amherst, no Massachusetts, em 10 de Dezembro de 1830. Morreu na mesma localidade em 15 de Maio de 1886.
Proveniente de uma família abastada, Emily teve uma boa formação escolar, chegando a cursar durante um ano o “South Hadley Female Seminary”. Abandonou o seminário após se recusar, publicamente, a declarar a sua fé. Quando acabou os estudos voltou para casa dos pais para cuidar deles.
Em torno de Emily construiu-se o mito de ter uma personalidade solitária, de tal modo que a denominavam de “a grande reclusa”. É de assinalar, porém, que este seu comportamento se coadunava com o modelo de conduta feminina que era apregoado no Massachusetts dos anos 1800. Emily só em raros momentos deixou a sua vida de reclusa. Apenas viajou duas vezes - uma para Filadélfia, com a finalidade de consultar um oftalmologista, e outra para Washington e Boston. Foi numa destas viagens que Emily conheceu dois homens que influenciariam a sua vida e inspiração poética: Charles Wadsworth e Thomas Higginson.
Emily conheceu Charles Wadsworth, um padre de 41 anos, na sua viagem para Filadélfia. Alguns críticos acreditam mesmo que Wadsworth seria o alvo de grande parte dos poemas de amor que ela escreveu.
Foi só por volta do ano 1858 que Emily deu a conhecer os seus primeiros poemas, através de livros produzidos e encadernados à mão, divulgados num âmbito muito restrito.
Foi intensa a sua produção de 1860 até 1870, em que compôs centenas de poemas por ano. Em 1862, enviou quatro poemas ao crítico Thomas Higginson que, não compreendendo inteiramente a sua poesia, a desaconselhou de os publicar.
A partir de 1864, surpreendida por graves problemas de visão, abrandou um pouco o ritmo da escrita.
Uma curiosidade na obra de Emily Dickinson é que, apesar de ter escrito cerca de 1800 poemas e quase 1000 cartas, não chegou a publicar nenhum livro convencional enquanto viveu. Toda a sua obra foi descoberta pela irmã, que a compilou e publicou postumamente (1955), sendo então reconhecida e aclamada pelos críticos. É hoje considerada, juntamente com Walt Whitman, como fazendo parte dos melhores poetas americanos do século XIX.
Actualmente a casa onde ela nasceu e viveu, "The Homestead", está aberta ao público todos os anos, no período de Março a Dezembro.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009


SONHOS & VIDAS
(quadras)

1

Há tanta gente sofrida
Passando o tempo a sonhar:
- Há tantos sonhos na vida,
Muitos por realizar.

2

Para manter a esperança
Todos temos que sonhar:
- Fazê-lo desde criança
Até a vida acabar!

3

Nós vivemos e sonhamos
Alegrando nossas vidas,
Mas cada vez que acordamos
Achamos causas perdidas…


Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDEJoão Baptista da Silva Leitão de Almeida, mais tarde visconde de Almeida Garrett, escritor e dramaturgo romântico, poeta, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português, morreu em Lisboa no dia 9 de Dezembro de 1854, vítima de doença cancerosa. Nascera no Porto em 4 de Fevereiro de 1799.
Grande impulsionador do teatro em Portugal e uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
Na adolescência, viveu nos Açores (Ilha Terceira), quando as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal. Foi educado pelo tio, D. Alexandre, bispo de Angra. Em 1816 foi para Coimbra, onde se matriculou no curso de Direito. Em 1821 publicou “O Retrato de Vénus”, trabalho que fez com que lhe pusessem um processo por ser considerado «materialista, ateu e imoral». Foi também neste ano que ele e sua família passaram a usar o apelido de Almeida Garrett.
Participou na revolução liberal de 1820, exilando-se depois em Inglaterra (1823) após a “Vilafrancada”. Antes, casara-se com Luísa Midosi, uma jovem de apenas catorze anos. Foi em Inglaterra que tomou contacto com o movimento romântico, descobrindo Shakespeare, Walter Scott e outros autores. Visitou também castelos feudais, ruínas de igrejas e abadias góticas, vivências que se reflectiram na sua obra posterior.
Em 1824, pôde partir para França e, nessa viagem, escreveu o muitíssimo conhecido Camões (1825) e Dona Branca (1826), não tão conhecido mas não menos importante, poemas geralmente considerados como as primeiras obras da literatura romântica em Portugal. Em 1826 regressou a Portugal, dedicando-se ao jornalismo e fundando e dirigindo o jornal diário “O Português” (1826-1827) e o semanário “O Cronista” (1827).
Foi obrigado a abandonar novamente o País em 1828, com o regresso do Rei absolutista D. Miguel. Exilado em Inglaterra, publicou “Adozinda”.
Juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomou parte no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto em 1832 e 1833.
A vitória do Liberalismo permitiu-lhe instalar-se de novo em Portugal, após curta estadia em Bruxelas como cônsul-geral e encarregado de negócios, onde leu Schiller, Goethe e Herder. Em Portugal exerceu cargos políticos, distinguindo-se nos anos 30 e 40 como um dos melhores oradores nacionais. Foram também de sua iniciativa a criação da Inspecção-Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do Teatro Normal (actualmente Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa). Mais do que construir um teatro, Garrett procurou porém renovar a produção dramática nacional segundo os cânones já vigentes no estrangeiro.
Almeida Garrett afastou-se da vida política até 1852. Contudo, em 1850, subscreveu, com mais de 50 personalidades, um protesto contra a proposta sobre a liberdade de imprensa, mais conhecida pela “lei das rolhas”.
A vida de Garrett foi tão apaixonante quanto a sua obra. Após os períodos revolucionários, distinguiu-se como o tipo perfeito de dândi, tornando-se árbitro de elegâncias e príncipe dos salões mundanos. Foi um homem de muitos amores, uma espécie de “homem fatal”.
Por decreto do Rei D. Pedro V de Portugal (Junho de 1851) foi feito Visconde de Almeida Garrett. Em 1852 ocupou, por poucos dias, a pasta dos Negócios Estrangeiros no governo presidido pelo Duque de Saldanha.
No século XIX e em boa parte do século XX, a obra literária de Garrett foi considerada como uma das mais geniais da língua portuguesa, apenas inferior à de Camões. A crítica do século XX (sobretudo João Gaspar Simões) veio questionar esta apreciação. No entanto, a obra de Garrett conservará para sempre o seu lugar na história da literatura portuguesa, pelas inovações que a ela trouxe e que abriram novos rumos aos autores que se lhe seguiram. Garrett merece ser considerado o autor mais representativo do romantismo em Portugal.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDEHorácio Flaco (em latim, Quintus Horatius Flaccus), poeta lírico e satírico latino (além de filósofo), um dos maiores poetas da Roma Antiga, nasceu em Venúsia, no sul de Itália, em 8 de Dezembro de 65 a.C.. Morreu em Roma no dia 27 de Novembro de 8 a.C..
Entre as suas características literárias, destaca-se a importância que dava ao presente, sem demonstrar muita preocupação quanto ao futuro. Pelo reconhecimento da brevidade da vida, essa era a forma de Horácio pensar, uma ideia muito semelhante aos pensamentos do filósofo grego Epicuro. Outro ponto a destacar era a ideia de bem aproveitar cada momento antes da morte, como o amor e outras questões sociais. Horácio foi um dos primeiros homens da Humanidade a acreditar na vida após a morte.
Filho de um escravo libertado, recebeu uma óptima educação, tendo em conta as suas origens sociais. Os estudos literários, iniciados em Roma, foram completados depois em Atenas, onde estudou filosofia.
Envolveu-se em lutas políticas e aceitou com entusiasmo o assassinato de Júlio César. Depois de Brutus ter formado um exército para batalhar em Filipos (42 a.C.), recebeu deste uma legião para comandar. Apesar da derrota obtida na batalha, pôde voltar mais tarde a Roma em virtude de uma amnistia.
Horácio perdera, no entanto, o que lhe restava dos bens do pai, entretanto falecido. Teve que trabalhar em Roma como escriba, o que lhe permitiu poder divulgar os seus primeiros poemas, que lhe trouxeram a amizade de outro poeta romano - Virgílio. Este apresentou Horácio ao ministro do imperador Augusto, Caio Mecenas, que - apreciando as qualidades e o talento de Horácio - se tornou amigo do poeta e o incluiu nos círculos literários. Graças à amizade entre Horácio e Mecenas, o poeta pôde conseguir a sua ascensão, visitando frequentemente o palácio imperial e tornando-se mesmo amigo do imperador. Horácio foi o primeiro escritor profissional de Roma, tendo recusado aliás o lugar de secretário particular do imperador, para se poder dedicar inteiramente à literatura. Faleceu pouco tempo depois da morte de Mecenas, ficando conhecido como o “Deus da Poesia”.
As “Odes”, publicadas em 23 ou 22 a.C. (três primeiros livros) e em 12 ou 7 a.C. (quarto livro), eram por si comparadas orgulhosamente às Pirâmides do Egipto… Só esta obra contém 3038 versos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE António Alçada Baptista, advogado, jornalista e escritor português, faleceu em Lisboa no dia 7 de Dezembro de 2008. Nascera na Covilhã, em 29 de Janeiro de 1927.
Licenciado em Direito, António Alçada Baptista dedicou-se mais à literatura do que à advocacia, que só exerceu entre 1950 e 1957.
De 1957 a 1972 foi director da “Moraes Editora” e um dos fundadores da revista “O Tempo e o Modo” que marcou várias gerações.
A sua dedicação à língua portuguesa valeu-lhe uma nomeação para adido cultural de Portugal no Brasil. Foi condecorado com a Ordem de Santiago, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (1983) e com a Grã-Cruz da Ordem do Infante (1995).
A escrita de Alçada Baptista caracteriza-se por narrativas ficcionadas e memórias pessoais, mostrando as preocupações interiores do ser humano. Os afectos e a mulher são elementos principais nas suas obras, que se repartem por ensaios, crónicas, novelas e romances. Deixou uma imagem de defensor da liberdade e dos direitos do homem.
Com “Peregrinação Interior - Reflexões sobre Deus” (1971) e "Peregrinação Interior II - O Anjo da Esperança" (1982), obteve a unanimidade da crítica e do público. A sua escrita foi influenciada pelo cristianismo e por pensadores como Emmanuel Mounier e Teillard de Chardin.
Funcionário da Secretaria de Estado da Cultura desde 1978, dirigiu os trabalhos da criação do Instituto Português do Livro, a que presidiu entre 1979 e 1985.
Era sócio da Academia Brasileira de Letras, da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Internacional de Cultura Portuguesa, sendo também presidente da Comissão de Avaliação do Mérito Cultural e administrador da Fundação Oriente.
Segundo o poeta Manuel Alegre, Alçada Baptista era uma figura multifacetada, com uma cultura vastíssima, e um homem muito afectuoso, tendo tido um papel importante no estreitamento das relações entre Portugal e o Brasil e com os países africanos de língua oficial portuguesa.
Quando do seu desaparecimento, o jornalista Baptista Bastos recordou que «conversando com Alçada Baptista, assistia-se a um festival de memórias. Era uma pessoa muito conversadora e terna. Talvez dos poucos escritores portugueses que não tinham inimigos, tal era a sua generosidade».

domingo, 6 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDEEstêvão Amarante Carvalho da Silva, empresário, actor e cantor português, faleceu no Porto em 6 de Dezembro de 1951. Nascera em Lisboa no dia 9 de Janeiro de 1894.
Desde criança, começou a revelar talento em operetas, revistas e comédias musicadas. Actuou em teatros desmontáveis de feiras, nos arredores de Lisboa, até se consagrar em salas de teatro e de cinema, interpretando figuras de características populares.
Órfão de pai, viu-se obrigado a ajudar ao sustento da família. Deu os primeiros passos no palco, quando foi preciso uma criança para um papel secundário da peça “A Viagem de Suzete” (1900). Durante algum tempo limitou-se a papéis de miúdo, que lhe criaram popularidade junto do público e que, em 1906, chamaram a atenção do empresário Luís Galhardo, que o convidou para a sua primeira revista “P'rá Frente”, onde cantou o grande êxito popular “Toma lá cerejas”. Tinha 17 anos e, dois anos depois, a opereta “Viúva-alegre” seria escrita já à sua medida.
Com uma excelente voz e um talento multifacetado de actor, Amarante tornou-se rapidamente num caso de sucesso, quer na revista, onde aperfeiçoou os seus dotes de comediante, quer na opereta.
Depois de uma tournée pelo Brasil, voltou a Lisboa em 1918 criando a “Companhia Satanela /Amarante”, de parceria com a vedeta italiana e sua esposa Luísa Satanela. Quando a companhia apostou na revista “Água-Pé” (1927), foi um êxito estrondoso com mais de um ano em cena. Esta revista, juntamente com “O novo mundo”, onde criou “O fado do ganga”, terão sido os pontos máximos da sua carreira. Separou-se da mulher em 1930, o que foi mal visto pelo público que o votou ao ostracismo.
Em 1936, em “Feira de Agosto”, onde demonstrava a sua antipatia por Salazar, interpretou um número de revista contra o ditador: “Tiroliroliro, ai, ai, ai, este santinho não cai!”. O êxito voltou a ser tremendo e o povo, farto de Salazar, aplaudiu!
De 1941 a 1942, integrou o elenco da “Companhia de Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro”, no Teatro Nacional D. Maria II, reconciliando-se com o público. Em 1943, criou com grande sucesso o “Fado do Marialva”, na revista “Fora dos eixos”.
Participou nos filmes portugueses “Lisboa, Crónica Anedótica” (1930), “A Minha Noite de Núpcias” (filmado em Paris, para a Paramount, em 1930), “Maria Papoila” (1937), “Feitiço do Império” (1940), “É Perigoso debruçar-se” (1946), “O Hóspede do Quarto 13” (1946), “O Grande Elias” (1950) e “Madragoa” (1951).
A sua boa estrela começara no entanto a empalidecer. Morreu subitamente, aos 57 anos, justamente quando se preparava para almoçar, no Porto, a convite de Hermínia Silva e do seu marido. Estava a actuar então na capital nortenha, numa revista com esta famosa fadista.
A notícia da sua morte causou profunda emoção em todo o País, pois o actor gozava ainda de grande popularidade. Para trás, ficavam interpretações inscritas para sempre na história do teatro português.

sábado, 5 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDEFritz Lang, de seu verdadeiro nome Friedrich Anton Christian Lang, cineasta, realizador, argumentista e produtor alemão de origem austríaca, naturalizado americano em 1935, nasceu em Viena no dia 5 de Dezembro de 1890. Faleceu em Los Angeles, em 2 de Agosto de 1976. A sua carreira desenvolveu-se entre a Alemanha e Hollywood.
Filho de um engenheiro civil, desejoso que ele seguisse a mesma profissão, aos 21 anos mudou-se para Munique para estudar pintura e escultura. Cortando depois os laços com a família, fez numerosas viagens (África do Norte, Próximo Oriente, China, Japão, etc.) que lhe desenvolveram o gosto pelos ambientes exóticos que viria a retratar de modo magistral nos seus filmes. Participou na Primeira Guerra Mundial, sendo gravemente ferido e perdendo um olho. No hospital, onde permaneceu longo tempo, começou a escrever guiões de filmes para o cineasta Joe May. O êxito destes argumentos fez com que fosse convidado para começar a realizar filmes.
A efervescência cultural, política e social da Berlim do pós-guerra, reflectiu-se nas primeiras obras. Em 1919 realizou o seu primeiro filme (“Halbblut”), que se encontra perdido e acerca do qual pouco se sabe. Alcançou o primeiro sucesso com “Os Espiões” realizado no mesmo ano.
As películas que Lang dirigiu, ainda na fase do cinema mudo, ficaram para a história da sétima arte como importantes expoentes do expressionismo alemão.
Foi convidado por Hitler, por intermédio do Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, para produzir filmes do Partido Nazi. Lang recusou e refugiou-se em Paris, onde chegou mesmo a produzir filmes antinazis.
Em 1934 emigrou para os Estados Unidos da América. Começou então a sua fase mais incompreendida. A crítica, que unanimemente tinha enaltecido os seus filmes alemães, era agora também quase unânime a menosprezar as obras que ele realizava nos Estados Unidos, argumentando que Lang se teria subjugado aos produtores americanos, desperdiçando o seu talento em filmes meramente comerciais. Só na década de 1950 se percebeu a injustiça, quando uma boa parte da crítica começou a reconhecer, tardiamente, a qualidade da maioria dos filmes por ele realizados em Hollywood.
No final dos anos 1950, voltou para a Alemanha onde fez mais três filmes antes de se reformar. Actuou ainda como actor no filme “O Desprezo” (1963) de Jean-Luc Godard. Regressou depois aos Estados Unidos, onde veio a falecer quase completamente cego.
Fritz Lang influenciou muitos realizadores de renome, tais como Alfred Hitchcock, Luis Buñuel e Orson Welles. De assinalar que o seu filme “Metropolis” é a única película da história do cinema a ser classificada como património da UNESCO.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDESergueï Nazarovich Bubka, atleta do salto com vara, de nacionalidade ucraniana, nasceu em Voroshilavgrado (actualmente Luhansk) no dia 4 de Dezembro de 1963. É considerado por muitos o maior saltador de todos os tempos.
Sob a orientação do treinador Vitaliy Petrov, começou a destacar-se com um salto de 2,70 metros aos onze anos, ultrapassando os cinco metros aos dezasseis.
No primeiro Campeonato Mundial de Atletismo em que participou, saltou 5,70. A partir daí melhorou a sua marca anos após ano e, em 1984, começou a sua impressionante série de recordes mundiais. Bateu o recorde do salto com vara 35 vezes. Em 1985, em Paris, tornou-se no primeiro homem a ultrapassar os seis metros, marca que até então era considerada inacessível.
Não participou nas Olimpíadas de Los Angeles (1984) devido ao boicote dos países do leste europeu aos Jogos nos USA. Foi Campeão Olímpico em Seoul (1988); Campeão Mundial em Helsínquia (1983), Roma (1987), Tóquio (1991), Estugarda (1993), Gotemburgo (1995) e Atenas (1997); Campeão Mundial de pista coberta em Paris (1985), Indianápolis (1987), Sevilha (1991) e Barcelona (1995) e Campeão Europeu em Estugarda (1986). Surpreendentemente não venceu os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992) e lesionou-se antes das Olimpíadas de Atlanta (1996).
As suas melhores marcas são 6,15 m em recinto fechado (1993) e 6,14 ao ar livre (1994). A chave do sucesso de Bubka estava na sua técnica de corrida e de salto, perfeitamente dominada devido às suas qualidades gímnicas, à sua velocidade e força. Abandonou o atletismo aos 37 anos após várias lesões. Representou a ex-URSS e a Ucrânia.
Foi considerado o Melhor Desportista da União Soviética em 1984, 1985 e 1986. O jornal francês “L´Équipe” elegeu-o por duas vezes “Desportista do Ano” em 1985 e 1997. Tem uma estátua erigida em sua honra na cidade de Donetsk, na Ucrânia.
Entre 2002 e 2006 teve uma carreira política como deputado no Parlamento Ucraniano e foi membro da Comissão Política para a Juventude, Cultura Física, Desporto e Turismo. Em 2005 foi eleito Presidente do Comité Olímpico Ucraniano, tendo presidido igualmente à “Comissão de Atletas do Comité Internacional” até aos Jogos Olímpicos de Pequim (2008).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE Patrick Chamoiseau, escritor francês, autor de romances, contos e ensaios, nasceu em Fort-de-France, na Martinica, em 3 de Dezembro de 1953. Tem também escrito para Teatro e Cinema.
Estudou Direito e Economia Social em França. Quando regressou à Martinica, inspirado pelas ideias do poeta Édouard Glissant, passou a interessar-se por Etnografia, principalmente pela cultura crioula e por grupos étnicos em vias de desaparecimento, como é o caso dos “djobeurs” (um tipo de “faz-tudo” que percorria os mercados, ajudando principalmente a carregar mercadorias), cuja vida no quotidiano narrou no seu primeiro romance "Crónica das Sete Misérias” (1986).
Em 1988 publicou “Solibo magnífica”, obra que tem por tema a busca da identidade do povo da Martinica através do regresso às antigas práticas sociais.
Em 1989, em associação com dois outros escritores, publicou o livro “Éloge de la créolité”, um manifesto do movimento pela cultura crioula e, no mesmo ano, “Letras Crioulas”, um livro sobre a história da literatura na sua ilha.
O verdadeiro sucesso de Chamoiseau viria em 1992, quando ganhou o Prémio Goncourt com o romance “Texaco”, uma epopeia que narra a vida de três gerações distintas, da escravidão até aos nossos dias. Este livro é reconhecido como uma das obras de autores Antilheses mais importantes do século XX.
A sua obra destaca os principais traços da cultura na Martinica, principalmente das pessoas que fazem a história no dia-a-dia e não dos grandes personagens da História. Ele acredita que a cultura das Antilhas foi construída com base na oralidade e portanto faz constantemnente uso desta característica nos seus livros, onde se encontram diálogos e termos em crioulo. Chamoiseau tenta “traduzir” essa cultura para que possa ser conhecida no resto do mundo.
Evocou a sua infância numa trilogia escrita entre 1990 e 2005: “Antan d'enfance”, “Chemin d'école” e “À bout d'enfance”.
Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu (2009) fez campanha com a “Frente de Esquerda”.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDEMonica Seles, ex-tenista sérvia, naturalizada norte-americana em 1994, nasceu em Novi Sad, na Jugoslávia, em 2 de Dezembro de 1973.
Durante a sua carreira, conquistou nove títulos do “Grand Slam” e, em 1990, tornou-se a mais jovem campeã do torneio “Roland-Garros”. Foi uma das jogadoras que dominou o ténis nos anos 1990.
Entretanto, em Abril de 1993, em Hamburgo, foi apunhalada nas costas, em pleno jogo, por um fã da sua rival Steffi Graf. Após este incidente, esteve sem jogar durante dois anos. Voltou a ter algum sucesso quando regressou às competições em 1996, conquistando mais uma vez o “Australian Open”. Foi o último grande título obtido na sua carreira. Despediu-se da modalidade em 2003, mas só se “reformou” definitivamente em 2008, após estar lesionada durante cinco épocas, com crises depressivas e bulimia à mistura. Chegou a pesar 80 kg.
Seles começou a jogar aos seis anos de idade, treinada pelo pai. Porque achava a raquete muito pesada, agarrava-a com as duas mãos, estilo que conservou durante toda a sua carreira. Ganhou o primeiro torneio aos nove anos (apesar de não conhecer bem o sistema de pontuação e de ter apenas uma vaga ideia de estar em vantagem ou desvantagem durante as partidas). Em 1985, com onze anos, ganhou o prestigiado “Orange Bowl” em Miami e despertou a atenção do treinador de ténis Nick Bollettieri. Em 1986, a família Seles mudou-se para os Estados Unidos e Monica integrou a “Nick Bollettieri Tennis Academy”, na Florida, onde treinou intensivamente durante dois anos.
Monica disputou o seu primeiro torneio oficial em 1988, aos 14 anos de idade. No ano seguinte, dedicou-se a tempo inteiro ao “tour” profissional e conquistou o primeiro título da sua carreira em Houston, em Maio de 1989. Um mês depois, chegou às meias-finais na sua estreia nos torneios do “Grand Slam”, no Roland-Garros, onde só perdeu com a nº 1 do mundo, Steffi Graf. Seles terminou o primeiro ano de competição ao mais alto nível classificada no 6º lugar do ranking mundial.
Seles é considerada por muitos como a primeira jogadora “de força” do ténis feminino, abrindo caminho para outras estrelas como Serena Williams e Maria Sharapova. Ficou também famosa pelos ruidosos gemidos que emitia quando batia na bola. Em algumas ocasiões, originou mesmo protestos por parte das adversárias, que afirmavam desconcentrar-se com os gritos e que estes não lhes permitiam ouvir a pancada da raquete na bola, recebendo também avisos por parte dos juízes para que fizesse menos barulho.
Ganhou o primeiro título do “Grand Slam”, no Roland-Garros (1990), justamente na final contra Steffi Graf. O ano de 1991 foi o primeiro de dois anos em que Seles dominou completamente as competições femininas, destronando Graf. Começou por ganhar o Open da Austrália em Janeiro e, em Março, passou a ser a nº1 mundial. Após uma paragem de seis semanas por lesão, regressou no “Torneio Aberto dos Estados Unidos”, que venceu depois de derrotar Martina Navratilova na final.
Entre Janeiro de 1991 e Fevereiro de 1993, Seles ganhou 22 títulos e disputou as finais de 33 dos 34 torneios em que participou. Acumulou um recorde impressionante de 159 vitórias contra apenas 12 derrotas.
Publicou em 1996 a sua autobiografia “From Fear to Victory”. Tem uma fortuna avaliada em quarenta milhões de dólares, mais de metade ganha com contratos publicitários. Actualmente consagra o seu tempo à promoção do ténis e a obras de beneficência. Entrou para o “International Tennis Hall of Fame” em 2009.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mulheres...

Sem comentários...

A crise...
EFEMÉRIDEWoody Allen, de seu verdadeiro nome Allen Stewart Königsberg, realizador, guionista, escritor, actor e músico norte-americano, nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, no dia 1 de Dezembro de 1935.
Ganhou até agora três Oscars: o de Melhor Realizador em 1977 e os de Melhor Guião em 1977 e 1986. Recebeu igualmente um Globo de Ouro em 1985. Muitos dos seus filmes têm por tema neuroses comportamentais do dia-a-dia, sempre com críticas mordazes e subtis em longos diálogos analíticos.
A sua família é judia de origem russo-austríaca. Aos 15 anos, utilizando já o pseudónimo Woody Allen, começou a escrever para jornais e programas de rádio. Simultaneamente, frequentava a Universidade de Nova York, mas nunca chegou a licenciar-se.
Em 1964, Woody já era um notável comediante, de tal modo que um disco chamado “Woody Allen”, com gravações dos seus shows, foi nomeado para o Prémio Grammy. A sua primeira experiência cinematográfica aconteceu no ano seguinte (“O Que Há de Novo, Gatinha?”). Como realizador estreou-se em 1969, com “Um assaltante bem trapalhão” e, desde aí, fez mais de 30 filmes, mantendo a impressionante média de uma película por ano.
Mais impressionante ainda é a sua capacidade para fazer obras-primas. A primeira e mais fascinante foi “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. Em 2002, na cerimónia dos Oscars que se seguiu aos atentados de “11 de Setembro” nos Estados Unidos, Allen que nunca comparecera quando das suas numerosas nomeações, esteve presente finalmente para fazer uma emocionante homenagem à cidade de Nova Iorque.
A vida amorosa de Allen sempre deu muito que falar à imprensa. Antes de ser famoso já tivera dois casamentos e consequentemente dois divórcios. Depois, namorou com várias importantes actrizes, que sempre ficavam com os papéis principais dos seus filmes, até se ligar a Mia Farrow durante mais de dez anos. Em 1997 começou um polémico relacionamento com Soon-Yi Previn, filha adoptiva de Mia, com quem está casado até hoje.
Woody Allen toca clarinete semanalmente num bar de Nova York. A sua ligação com a música, principalmente com o Jazz, pode ser verificada em todos os seus filmes, dos quais é quase sempre responsável pela escolha das bandas sonoras. Em 2002 participou pela primeira vez no Festival de Cannes, onde ganhou uma Palma de Ouro pelo conjunto da sua obra.
Escreveu também numerosas peças de teatro e alguns romances e novelas. Woody Allen descreve-se do seguinte modo: «As pessoas sempre se enganam em duas coisas sobre mim: pensam que sou um intelectual (porque uso óculos) e que sou um artista (porque os meus filmes perdem dinheiro)».

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