terça-feira, 11 de junho de 2024

11 DE JUNHO - HENRY HILL

EFEMÉRIDE - Henry Hill, mafioso norte-americano de origem italiana e irlandesa, nasceu em Nova Iorque no dia 11 de Junho de 1943. Morreu em Los Angeles, em 12 de Junho de 2012.

Foi um filiado a Família Lucchese, uma das cinco famílias mafiosas de Nova Iorque, que denunciou os seus colegas mafiosos e integrou o Sistema de Protecção a Testemunhas do FBI.

Henry Hill ficou conhecido por ser o personagem principal do livro “Wiseguy” (obra de 1986 do escritor ítalo-estadunidense Nicholas Pileggi) e do filme de 1990, “Goodfellas”, dirigido por Martin Scorsese e tendo Ray Liotta no papel de Hill.

Hill cresceu numa das tantas famílias pobres, do bairro do Brooklyn, em Nova Iorque. O pai, Henry Hill Sr. era um irlandês-americano que trabalhava como electricista, e a mãe, Sra Carmella Costa Hill, era uma dona de casa italiana, cuja família veio da ilha da Sicília. Henry e os seus sete irmãos moravam numa casa pequena.

Desde jovem, ele admirava os mafiosos locais. Começou a trabalhar para Paul Vario, um homem feito que pertencia à família Lucchese, enviando recados e engraxando sapatos de clientes no restaurante de Vario.

A primeira prisão de Hill aconteceu quando ele tentou usar um cartão de crédito roubado para comprar pneus num posto de gasolina Texaco. Se recusando a denunciar os seus amigos, ele ganhou um grande respeito na família Lucchese, principalmente junto a Jimmy Burke que viu um grande potencial no garoto. Hill logo abandonou a escola para dedicar todo o seu tempo a trabalhar para os gangsters.

Burke, como Hill, foi incapaz de se tornar um membro da Máfia por causa da sua ascendência irlandesa, mas a Máfia estava feliz por ter associados de qualquer origem étnica, enquanto eles fizessem dinheiro e não cooperassem com as autoridades.

Em 1963, Hill começou a sua fase mais notória na vida do crime. Juntamente com Burke e Tommy DeSimone, começou a roubar camiões e desviar mercadorias, além de vendas de cigarros sem pagar impostos e roubo de cargas no aeroporto de Nova Iorque.

Em 1965, conheceu a sua esposa, Karen Friedman. Em Goodfellas, ele conheceu-a através de Tommy DeSimone (chamado Tommy DeVito no filme) num encontro duplo. Mas na verdade foi o filho mais velho de Paul Vario, amigo de infância de Hill, que o convidou para um encontro com duas garotas.

Na década de 1970, Hill começou a lidar com drogas (algo estritamente proibido pela Máfia), traficando maconha, cocaína, heroína e methaqualone. Apesar de fazer muito dinheiro assim, Hill começou a sofrer, física e psicologicamente. Naquele momento, Jimmy Burke estava matando todos os envolvidos no roubo da Lufthansa. Henry também estava ficando viciado nas drogas que traficava e o seu comportamento foi ficando mais errático. Em Abril de 1980, ele foi preso pela polícia americana por tráfico de drogas e podia ficar décadas na cadeia se condenado. Naquela altura, Hill presumiu que a Máfia queria matá-lo (Vario, quando descobriu o lance das drogas, e Jimmy, que não queria que Hill dedurasse ele no caso da Lufthansa). Assim, Henry Hill procurou o FBI (a polícia federal dos Estados Unidos) e denunciou os seus ex colegas e todos os esquemas da máfia que ele tinha conhecimento. Estima-se que mais de 50 condenações foram feitas através dos testemunhos de Henry Hill.

Hill foi então enviado para o programa de protecção a testemunhas, recebeu uma nova identidade e foi morar no Nebraska. Ele passou por períodos difíceis, mantendo o seu vício em drogas e tornando-se um alcoólatra. Ele foi eventualmente expulso do programa de protecção. Hill foi preso novamente em 2001 por posse de drogas e depois tentou mudar de vida, mas continuou o viciado em álcool. Nesse meio tempo, ele divorciou-se da sua esposa. Tentou fazer vários negócios, falhando em diversos deles. Para fazer dinheiro, dava entrevistas e assistência a escritores de livros e participou em documentários e até filmes (mais notoriamente o “Goodfellas”), sempre relembrando os seus dias na máfia.

Henry Hill faleceu em 12 de Junho de 2012, aos 69 anos de idade.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

10 DE JUNHO - HOWLIN’ WOLF

EFEMÉRIDE - Howlin’ Wolf, de seu verdadeiro nome Chester Arthur Burnett, importante cantor, compositor e guitarrista de blues norte-americano, nasceu em White Station no dia 10 de Junho de 1910. Morreu em Hines, em 10 de Janeiro de 1976.

Com uma voz rouca e alta e um físico avantajado, Wolf é um dos mais significativos cantores de blues clássico de Chicago. O seu estilo ligeiramente tímido contrastava com as menos cruas mas ainda assim poderosas apresentações de seu astro contemporâneo Muddy Waters.

Howlin’ Wolf, Sonny Boy Williamson II, Little Walter e Muddy Waters são geralmente citados como os melhores músicos de blues que gravaram pela Chess Records. Em 2004, a revista “Rolling Stone” colocou Wolf como número 51 na sua lista dos “100 Melhores artistas de todos os tempos”.

Nascido em White Station, Mississipi, próximo de West Point, ele recebeu o nome do 21º presidente dos Estados Unidos e, mais tarde, foi apelidado “Big Foot Chester” e “Bull Cow” por causa de seu tamanho. Certa vez ele explicou a origem do apelido “Howlin Wolf”, disse que o seu avô lhe contava histórias sobre os lobos daquela parte do país e avisava que caso não se comportasse bem os lobos uivantes iriam pegá-lo. De acordo com o documentário “The Howlin Wolf History - The Secret History of Rock & Roll”, os pais de Wolf separaram-se quando ele era pequeno e a sua mãe, uma mulher muito religiosa, colocou-o fora de casa ainda criança porque ele se recusava a trabalhar na fazenda.

Depois disso, ele mudou-se para a casa de um tio que o tratava muito mal. Quando tinha 13 anos, fugiu e diz ter caminhado 85 km a pé para se juntar ao seu pai, onde finalmente encontrou um lar feliz junto com os seus vários irmãos paternos.

Durante o pico do seu sucesso, ele retornou para a sua casa em Chicago para ver a mãe novamente, o que acabou deixando-o muito magoado, pois ela rejeitou-o e recusou receber o dinheiro que ele lhe estava oferecendo, dizendo que ele havia ganho aquilo tocando a «música do diabo».

Em 1930, Wolf conheceu Charley Patton, o mais popular blues-man no Delta na época. Wolf escutava Patton tocar todas as noites no lado de fora de um bar. Patton tocava “Pony Blues”, “High Water Everywhere”, “A Spoonful Blues” e “Banty Rooster Blues”, entre outras. Os dois tornaram-se amigos e logo Patton estava ensinando Wolf a tocar.

Wolf fez alguns spots publicitários para um programa de rádio da estação “KWEM” de Memphis. O programa chamou a atenção de Ike Turner que acabou produzindo as primeiras gravações de Wolf pela gravadora RPM Records. Essas gravações acabaram por lhe assegurar um contrato com Sam Phillips na Sun Records.

Os seus primeiros hits foram “How Many More Years” e “Moanin at Midnight”. As gravações master foram mais tarde vendidas para a Chess Records.

Em 1952, mudou-se para Chicago, deixando a sua banda para trás em Memphis. Ele abriu um pequeno clube para apresentar talentos locais de blues, incluindo ele.

Apesar de haver uma rivalidade evidente entre Wolf e Muddy Waters, foi Waters quem conseguiu o primeiro trabalho para Wolf em Chicago. Tinham grande admiração um pelo outro. Eles chegaram a gravar sessões juntos acompanhados de outros grandes músicos como Little Walter e Bo Diddley; essas gravações mais tarde foram lançadas com o nome de “The Super Super Blues Band” e “The Super Blues Band”.

Wolf nunca lia música. Ele sentava-se numa cadeira de metal no estúdio, com uns óculos grandes, camisa aberta tocando algum ritmo na guitarra de acordo com aquilo que parecia bom para ele. Geralmente, ele demonstrava uma base do que queria para os músicos da sua banda e seguia em frente, enquanto os outros precisavam entender e tocar instintivamente até acertar o que Wolf queria.

Em 1972, foi graduado como doutor honorário de artes pelo Columbia College e, em 1975, foi premiado no Montreaux Festival pelo álbum “Back Door Wolf”.

domingo, 9 de junho de 2024

9 DE JUNHO - LUIGI FAGIOLI

EFEMÉRIDE - Luigi Fagioli, automobilista italiano, nasceu em Osimo no dia 9 de Junho de 1898. Morreu em Monte Carlo, em 20 de Junho de 1952.

Participou nos dois primeiros Campeonatos Mundiais de Fórmula 1 em 1950 e 1951, somando sete provas, uma vitória, uma pool position e trinta e dois pontos.

Foi piloto oficial da Alfa Romeo durante esse período; Fagioli é a única pessoa não nascida no século XX a ter vencido uma corrida de Fórmula 1.

Fagioli iniciou a sua carreira como piloto ainda na década de 1920, disputando provas na Itália, em França e na Alemanha.

Já tinha 52 anos de idade quando disputou a sua primeira temporada de Fórmula 1, surpreendendo todos com uma performance constante: terminou em segundo lugar em quatro das seis provas do ano (chegaria em terceiro noutra e abandonaria outra).

Ficou famoso pela sua determinação e pelo seu temperamento. Em 1934, correndo uma prova pela Mercedes em pleno Nurburgring, recebeu ordens de ceder a vitória a um companheiro de equipa. Furioso, parou o carro na beira da estrada (a corrida era disputada numa rodovia) e voltou para casa, deixando a equipa.

Em 1936, durante um dia de corrida, discutiu com um dos pilotos da Mercedes e um mecânico da equipa arremessou um martelo na direcção do italiano, que evitou o golpe.

Essas reacções foram vistas em 1951. Fagioli era companheiro de equipa de Juan Manuel Fangio e, na altura do GP da França, o argentino disputava o título com Giuseppe Farina. Durante a prova, Fangio teve problemas com o seu carro e, usando um artifício permitido pelo regulamento, a Alfa chamou Fagioli (líder da prova) para as boxes e entregou o seu carro a Fangio. O argentino venceu a prova, mas de acordo com o regulamento, a vitória e os pontos foram repartidos com Fagioli. Este foi um dos dois casos de empate na categoria (o outro ocorreria com Stirling Moss e Tony Brooks).

A vitória compartilhada de Fagioli também marcaria três recordes até hoje insuperáveis: o de piloto mais velho (53 anos e 22 dias) a vencer um Grande Prémio, o mais velho a subir ao pódio e o mais velho a pontuar. Mesmo assim, Fagioli ficou insatisfeito com a equipa e demitiu-se no final da premiação.

Luigi Fagioli prosseguiu com a sua carreira até meados de 1952, já quase com 54 anos de idade.

Durante uma prova de exibição no Mónaco, sofreu um acidente pilotando uma Lancia desportivo, batendo no túnel existente no percurso do principado, quebrando um braço e uma perna, além de sofrer ferimentos internos. Levado ao hospital, parecia não correr mais risco de vida mas, três semanas depois, o seu estado complicou-se, vindo a falecer em consequência dos ferimentos.

sábado, 8 de junho de 2024

8 DE JUNHO - ILIE CEAUŞESCU

EFEMÉRIDE - Ilie Ceauşescu, general do exército romeno e político que actuou como vice-ministro da Defesa da Roménia durante o governo do seu irmão mais velho, Nicolae Ceauşescu, nasceu em Scornicești no dia 8 de Junho de 1926. Morreu em Bucareste, em 1 de Outubro de 2002.

Na carreira militar e política, Ilie foi auxiliado por Nicolae; entre 1980 e 1989, foi membro do Comité Central do Partido Comunista Romeno e, entre 1982/1989, foi vice-ministro da Defesa.

Ilie Ceauşescu foi também historiador e influenciou Nicolae no estabelecimento do Protocronismo como a historiografia oficial da Roménia e uma parte importante do sistema de propaganda nacional. Por exemplo, ele afirmou que o povo romeno foi sempre o mesmo desde tempos imemoriais, sendo muito pouco influenciado por outros povos (romanos, eslavos, mongóis, etc.): «É bem sabido que o povo romeno permaneceu sempre o mesmo, consolidado, unitário e homogéneo no lar que sempre ocupou».

Após a Revolução Romena de 1989 e a execução de Nicolae Ceauşescu, ele aposentou-se da vida pública e faleceu 13 anos depois, com a idade de 76 anos.

Na época, foi revelado que Ilie Ceauşescu estava envolvido numa série de transacções entre os Estados Unidos e a Roménia, que consistia em vender tecnologia militar soviética. O acordo era de 40 milhões de dólares, parte do qual foi depositado em contas bancárias suíças.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

7 DE JUNHO - PAULO FRISCHKNECHT

EFEMÉRIDE - Paulo José Frischknecht, nadador português, do Sport Algés e Dafundo, nasceu em Tomar, Santa Maria dos Olivais, no dia 7 de Junho de 1961.

Notabilizou-se por ter sido múltiplo campeão e recordista nacional, bem como pela participação em diversas edições das mais importantes provas mundiais de natação, nomeadamente nos Jogos Olímpicos de Montreal (1976) e de Moscovo (1980).

Depois de terminar a sua carreira de atleta, enveredou pela de treinador desportivo, ao mesmo tempo que lecciona na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa.

É actualmente presidente da Federação Portuguesa de Natação, vice-presidente da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal, membro da Comissão Executiva do Comité Olímpico de Portugal e membro do Comité Técnico de Águas Abertas da FINA (Federação Internacional de Natação Amadora).

Foi colega de turma de António Santos, ilustre engenheiro português, nascido igualmente em 1961.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

6 D JUNHO - NICOLE GIRARD-MANGIN

EFEMÉRIDE - Nicole Girard-Mangin, primeira mulher médica a servir no Exército Francês, morreu em Paria no dia 6 de Junho de 1919. Nascera na mesma cidade em 11 de Outubro de 1878.

Ela desempenhou vários tarefas durante toda a Primeira Guerra Mundial. Girard-Mangin também era especialista em tuberculose.

Os pais eram de Varennes-en-Argonne, na região nordeste da França. O pai era professor escolar.

Mangin começou a estudar Medicina em 1896. Em 1899, casou-se com André Girard, adoptando o seu apelido ao lado do seu como Girard-Mangin.

Ela interrompeu os seus estudos para ajudar o marido nos vinhedos da família dele na região de Champagne.

Após o filho do casal nascer, decidiram divorciar-se. Girard-Mangin retomou os seus estudos e apresentou a sua tese em 1909. Ela especializou-se em Tuberculose e doenças contagiosas e, posteriormente, abriu uma clínica e iniciou uma pesquisa sobre o cancro.

No início de Agosto de 1914, os militares franceses estavam mobilizando-se em todo o país. A França estava chamando o máximo de soldados, enfermeiras e médicos que podia antes da guerra, que poderia começar a qualquer momento.

Girard-Mangin, que ainda usava o sobrenome do seu ex-marido, foi chamada. Pode ter havido um erro na sua papelada, o que levou um funcionário a pensar que estava ligando para um médico de nome dr. Gerard Mangin. Mesmo assim, os seus documentos estavam em ordem e, como resultado, ela tornou-se a primeira médica do Exército Francês; no entanto, ela não tinha uma patente oficial nem o salário de um médico.

O seu primeiro posto foi num antigo spa de saúde em Bourbonne-les-Bains, onde o seu superior não aprovava que uma mulher fosse médica ali. Ele escreveu diversas vezes para a sede solicitando que Girard-Mangin fosse removida do posto. Os seus pedidos foram recusados sistematicamente, pois o exército francês ainda tinha uma enorme escassez de médicos qualificados. Uma semana depois de chegar no local, ela atendeu os seus primeiros pacientes, vários soldados feridos.

Em Novembro, Girard-Mangin foi realocada para um hospital militar em Verdun, onde ficou até Fevereiro de 1916. Recebeu também a primeira patente, como Médica Auxiliar, mas a sua remuneração manteve-se ao nível das enfermeiras.

Em Verdun, ela cuidou de pacientes com febre tifóide. No entanto, a partir de Fevereiro de 1916, o exército alemão iniciou um ataque inesperado na região de Verdun. Os alemães fizeram grandes avanços num curto período de tempo. Tornou-se evidente que o hospital onde Girard-Mangin estava a funcionar, logo seria capturado pelas forças inimigas. Ela conseguiu escapar junto com todos os seus pacientes. Durante a evacuação, Girard-Mangin foi ferida quando um estilhaço quebrou a janela do veículo em que ela estava.

Posteriormente, ela confrontou o seu oficial superior por causa de sua falta de patente e salário. Após vários meses, Girard-Mangin foi elevada à patente de Major, 2ª classe, e recebeu o seu pagamento atrasado.

Em 1917, ela foi promovida ao posto de Capitã e foi nomeada directora do programa de treino de enfermeiras do Hospital Edith Cavell em Paris.

Enquanto esteve em Paris, Girard-Mangin fez campanha pela União Francesa pelo Sufrágio Feminino. Ela também participou nas sessões da Cruz Vermelha Americana sobre tuberculose.

Girard-Mangin faleceu em Junho de 1919 devido a uma suposta overdose. O seu biógrafo sugeriu que ela estava sofrendo de um cancro incurável e queria interromper o sofrimento.

Ateia, Girard-Mangin recebeu um funeral civil. Ela foi cremada no Cemitério do Père Lachaise e as suas cinzas foram enterradas na tumba da família em Saint-Maur-des-Fossés.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

5 DE JUNHO - CARLOS MAIA PINTO

EFEMÉRIDE - Carlos Henrique da Silva Maia Pinto, oficial de Artilharia do Exército Português e político republicano do período da Primeira República Portuguesa, nasceu no Porto em 5 de Junho de 1866. Morreu na Foz do Douro, Porto, em 2 de Novembro de 1932.

Entre outras funções de relevo, exerceu os cargos de deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1911, governador civil do Distrito de Viana do Castelo (1914), ministro das Colónias (1921) e presidente do Ministério (primeiro-ministro), acumulando com a pasta de ministro do Interior (1921).

Era filho de Henrique Pinto, juiz do Tribunal da Relação do Porto, e de Carolina Amélia da Silva Maia Pinto.

Depois de ter frequentado os estudos secundário no Liceu do Porto, frequentou os estudos preparatórios na Escola Politécnica de Lisboa e ingressou na Escola do Exército em 1886, na qual se formou como oficial de Artilharia no ano de 1892.

Ainda aluno da Escola do Exército já se revelara defensor dos ideais republicanos, participando activamente nas iniciativas da Liga Patriótica do Norte e nas manifestações nacionais de repúdio à cedência portuguesa às exigências do ultimato britânico de Janeiro de 1890.

Já oficial no activo, colocado em unidades militares do Norte de Portugal, entre 1894 e 1897, tomou parte em diversas conjuras fracassadas contra o regime da Monarquia Constitucional Portuguesa que se tentaram organizar naquela região na sequência da Revolta de 31 de Janeiro de 1891. Paralelamente, colaborou com diversos periódicos republicanos, com destaque para “O Povo”, de Viana do Castelo, onde publicou violentos artigos antimonárquicos assinados com as iniciais M. P., mas cuja autoria lhe era já publicamente atribuída. Simultaneamente, desenvolveu uma importante acção de propaganda republicana no interior dos quartéis por onde andou, secundado por outros oficiais e por sargentos e praças que com ele alinhavam.

Criou no Regimento de Artilharia nº 5, um núcleo republicano que após a implantação da República Portuguesa foi instrumental para suster, sob o comando de Carlos Maia Pinto, uma das tentativas de contra-ofensiva monárquica a partir do Norte.

Nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte que se realizaram em 1911, Carlos Maia Pinto foi eleito deputado, tendo participado nos trabalhos que levaram à aprovação da Constituição Portuguesa de 1911.

Entre 21 de Março e 5 de Setembro de 1914, exerceu as funções de governador civil do Distrito de Viana do Castelo.

No posto de tenente-coronel, foi integrado no Corpo Expedicionário Português enviado para França no decurso da Primeira Guerra Mundial, tendo aí comandado uma bataria integrada com forças inglesas e francesas. Atingiu o posto de Coronel.

Em 17 de Maio de 1919, foi feito comendador da Ordem Militar de São Bento de Avis; a 28 de Junho de 1919, foi feito comendador da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mantendo-se sempre na ala mais radical do movimento republicano, na sequência da “Noite Sangrenta” de 19 de Outubro de 1921, Maia Pinto, então com o posto de coronel, foi convidado para integrar o governo presidido pelo também coronel Manuel Maria Coelho, para a pasta de ministro das Colónias, mas não chegou a tomar posse. O governo então formado foi efémero, durando apenas 18 dias, tendo pedido a sua demissão em 3 de Novembro. Com a queda do executivo, coube a Maia Pinto assumir as funções de chefe do novo executivo que tomou posse em 5 de Novembro.

Novamente a instabilidade política, e em particular as repercussões do assassinato de Machado Santos, António Granjo e outros republicanos ocorrida na “Noite Sangrenta” e que retiravam qualquer resquício de legitimidade ao governo, provocou uma rápida erosão da sua base de apoio e Maia Pinto foi obrigado a demitir-se em 16 de Dezembro, apenas 40 dias depois de ter tomado posse.

Em 5 de Outubro de 1922, foi elevado a grande-oficial da Ordem Militar de São Bento de Avis.

Já na situação de reserva e a viver no Porto, em 1925 foi detido por participar num comité de apoio à Revolta de 19 de Julho de 1925, uma tentativa de sublevação com o intento de derrubar o Parlamento e forçar novas eleições, liderada por José Mendes Cabeçadas e Jaime Baptista.

Casou com Maria Helena Monteiro Malheiro Dias Maia Pinto. Um dos filhos do casal, Manuel Malheiro Dias Maia Pinto, foi escritor, filósofo e pintor, que dirigiu o jornal “Princípio da Renascença Portuguesa” (1930) em conjunto com Álvaro Ribeiro e Adolfo Casais Monteiro. Nele colaboraram, entre outros, Agostinho da Silva, José Régio e Delfim Santos.

Fez parte da Maçonaria, tendo sido Venerável da Loja Fraternidade, de Viana de Castelo.

terça-feira, 4 de junho de 2024

4 DE JUNHO - PAQUITO D’RIVERA

EFEMÉRIDE - Paquito D’Rivera, saxofonista e clarinetista de jazz cubano, nasceu em Havana no dia 4 de Junho de 1949.

Paquito foi uma criança prodígio. Aos cinco anos de idade, começou os seus estudos musicais com seu pai, que era um conhecido saxofonista e maestro em Cuba.

D’Rivera já tocava com a Cuban National Symphony Orchestra quando jovem.

Já endorsava a famosa e tradicional fabricante de saxofones Selmer Company aos 7 anos de idade.

Aos dez anos, apresentou-se no Teatro Nacional em Havana e, dois anos mais tarde, entrou para o Conservatório de Música de Havana, onde estudaria Composição, Harmonia, Saxofone e Clarinete.

Formou com o pianista Chucho Valdés a Orquestra Cubana de Música Moderna da qual foi regente nos dois anos seguintes até deixar o grupo com mais oito integrantes para formar o Irakere.

Insatisfeito com as restrições políticas no seu país, Paquito decidiu deixar a sua terra natal e em 1981, em tournée por Espanha, pediu asilo na embaixada americana, mudando-se então para Nova Iorque.

Paquito fez as suas primeiras aparições em palcos nova-iorquinos acompanhando o trompetista Dizzy Gillespie.

Em 1988, Paquito foi convidado a integrar o grupo de quinze músicos Allstars sob o comando de Gillespie, a United Nations Orchestra.

Envolveu-se ainda em inúmeros projectos tanto como músico de jazz/cubano como de câmara, entre eles a Paquito D’Rivera Big Band e o Paquito D’Rivera Quintet, o trio de câmara Triangulo e a Caribbean Jazz Project.

Paquito já se apresentou nos mais respeitados palcos do mundo como os do Japão, Europa e nas três américas e tocou com os maiores nomes da música internacional, entre eles, Arturo Sandoval, Cláudio Roditi, Carmen McRae, McCoy Tyner, Toots Thielemans, James Moody, Benny Carter e muitos outros.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

3 DE JUNHO - PAULO BRANCO

EFEMÉRIDE - Paulo Branco, produtor de cinema e cavaleiro de alta competição (ex-seleccionador nacional de equitação) português, nasceu em Lisboa no dia 3 de Junho de 1950.

Deixou os estudos de Engenharia Química, no Instituto Superior Técnico, partindo em viagem pela Europa - Londres, em 1971, e Paris, em 1973.

Enveredou definitivamente pelo cinema em 1974, quando começou a trabalhar no cinema Olympic, com Frédéric Miterrand. Pouco depois, ficou responsável pela gestão da sala parisiense Action-République.

Produtor de cinema desde 1979 - actualmente responsável pela Alfama Films, em Lisboa e em Paris, em 2021 já havia produzido mais de 200 filmes. Entre os realizadores com quem trabalhou, figuram vários portugueses, como Manoel de Oliveira, João César Monteiro, João Canijo, João Botelho, Teresa Villaverde ou Pedro Costa, e muitos outros, estrangeiros, como Wim Wenders, David Cronenberg, Alain Tanner, Werner Schroeter, Raúl Ruiz, Chantal Akerman, Valeria Bruni-Tedeschi, André Techiné, Christophe Honoré, Danièle Dubroux, Christine Laurent, Jerzy Skolimowski, Sharunas Bartas ou Paul Auster.

Desde que iniciou a sua actividade como produtor, tem sido uma presença assídua nos mais importantes festivais a nível mundial, como: Festival de Cannes, Festival de Veneza, Festival de Locarno, Festival de Berlim, New York Film Festival, Festival de Toronto, Festival de Tóquio ou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. É também reconhecido como o produtor que maior número de filmes apresentou em quatro desses festivais, incluindo o Festival de Locarno e o Festival de Cannes. Integrou também o júri de alguns destes festivais, salientando-se o Festival de Berlim (1999), o Festival de Veneza (2005) e o Festival de Locarno (2011), onde foi presidente do júri.

Além de produtor, em Portugal Paulo Branco tornou-se o segundo maior exibidor e distribuidor cinematográfico, dirigindo a Medeia Filmes e a Leopardo Filmes, tendo-se afirmado como defensor do cinema europeu, além de ter estreado mais de 50 filmes portugueses, nas últimas duas décadas.

Desde 2007, é director do Lisbon & Estoril Film Festival, um festival que ao longo das suas sete edições já contou com a presença das mais variadas personalidades do panorama artístico e cinematográfico nacional e internacional, como Robert Pattinson, Willem Dafoe, Wagner Moura, David Lynch, Pedro Almodóvar e Bernardo Bertolucci; Francis Ford Coppola e David Cronenberg; Juliette Binoche; Louis Garrel; Valeria Bruni-Tedeschi; Catherine Deneuve; Isabelle Huppert; Julião Sarmento e Paul Auster; Don DeLillo; J.M. Coetzee; Rui Horta e David Byrne; Cindy Sherman, Lou Reed, Laurie Anderson, Stephen Frears, John Malkovich, Matthew Barney, Paul Giamatti, Yasmina Reza, Luc Dardenne, James Gray, Arnaud Desplechin, Aleksandr Sokurov, Vhils, Abdellatif Kechiche, Fanny Ardant e Roman Coppola, entre outros.

Além da sua actividade no cinema, Paulo Branco é apaixonado por cavalos, tendo sido um destacado cavaleiro de competição. Foi, aliás, seleccionador nacional de equitação, tendo conduzido a equipa portuguesa a um 3º lugar nos Jogos Equestres Mundiais. Foi vice-presidente da Federação Equestre Portuguesa.

É pai de Mariana Branco, José Branco, Ines Branco e Juan Branco e avô de Mateo Branco Díaz.

domingo, 2 de junho de 2024

2 DE JUNHO - MADELEINE DE SCUDÉRY

EFEMÉRIDE - Madeleine de Scudéry, também conhecida como Mademoiselle de Scudéry, escritora francesa de estilo literário conhecido como preciosismo, morreu em Paris no dia 2 de Junho de 1701. Nascera em Le Havre, Normandia, em 15 de Novembro de 1607.

Era conhecida também pelo pseudónimo “George”, conduziu um importante salão literário nos meados do século XVII, em França, e nunca se casou.

Foi a primeira mulher a obter o prémio da Academia Francesa.

Nasceu no seio de uma família aristocrática de pouco reconhecimento. Ficou órfã aos 6 anos de idade, ficando a partir daí sob os cuidados de um tio que era clérigo e que lhe proporcionou uma vasta educação.

Estudou Escrita, Desenho, Pintura, Música e Dança, além dos idiomas espanhol e italiano. Recebeu educação prática em Medicina, Agricultura e Economia doméstica.

Fixou-se em 1637 em Paris, no bairro de Marais, junto ao seu irmão mais velho, o escritor Georges de Scudéry, passando a frequentar o Hôtel de Rambouillet, no qual debatia o estilo literário do preciosismo. Nesse período, lançou a sua carreira literária, na qual escreveu volumosas novelas galantes.

Sob o pseudónimo de “Georges”, o nome do seu irmão, publicou romances históricos em 1641 e 1642. Adquiriu fama com o romance “Artamène or the Great Cyrus,” dividido em dez volumes publicados entre os anos de 1648 e 1653. Escreveu também “Clélie, histoire romaine”, publicado entre os anos 1654 1660.

Conduziu um salão literário por conta própria conhecido como “Sábados de Mme. de Scudéry”, nos quais personagens proeminentes da sociedade francesa, tais como Madame de Lafayette, de Maintenon e Sevigné, bem como, Antoine Gombaud e Paul Pellisson, se reuniam para discutir questões eruditas e galantes.

Os debates envolviam questões do amor, bem como, os escritos de Montaigne, Pierre Charron e Marguerite de Navarre, sobre a natureza da amizade.

Teóricos apontam que, ao se apropriar do estilo de escrita de conversação, ou seja, texto escrito em forma de diálogos, na sua obra “Conversations sur Divers Sujets”, Madeleine de Scudéry elaborou uma retórica própria de carácter proto feminista.

Outro pseudónimo de Madeleine de Scudéry era denominado Safo.

Faleceu aos 93 anos de idade.

sábado, 1 de junho de 2024

1 DE JUNHO - GEORGI DOBROVOLSKI

EFEMÉRIDE - Georgi Timofeyevich Dobrovolski, cosmonauta soviético que comandou a tripulação da Soyuz 11, nasceu em Odessa no dia 1 de Junho de 1928. Morreu no Espaço exterior em 29 de Junho de 1971.

Eles tornaram-se os primeiros a embarcarem numa estação espacial, Salyut 1, mas faleceram de asfixia devido a uma válvula acidentalmente aberta no processo de regresso.

Até ao momento, são os primeiros e únicos humanos a terem falecido no espaço.

Dobrovolski, Patsayev e Volkov voaram na Soyuz 11 e tornaram-se a segunda tripulação a falecer no decorrer de uma missão espacial.

Depois de uma reentrada normal, a cápsula foi aberta e a tripulação foi encontrada morta.

Posteriormente, foi descoberto que uma válvula havia se aberta antes de deixarem a órbita, o que permitiu que a atmosfera da cápsula vazasse para o espaço, sufocando a tripulação.

As suas cinzas foram colocadas numa urna na Necrópole da Muralha do Kremlin, Praça Vermelha, Moscovo.

Entre os portadores dos caixões estavam Alexei Leonov (que era o comandante original da Soyuz 11), Vladimir Shatalov, Andrian Nikolayev e o astronauta norte-americano Thomas Stafford.

Dobrovolski, postumamente, recebeu o título de Herói da União Soviética, a Ordem de Lenin e a de Piloto-Cosmonauta da URSS.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

31 DE MAIO - MÁRIO LINO

EFEMÉRIDE - Mário Lino Soares Correia, político português, nasceu em Lisboa no dia 31 de Maio de 1940.

Licenciou-se em Engenharia Civil em 1965, no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa e concluiu um mestrado em Hidrologia e Gestão dos Recursos Hídricos pela Universidade do Estado do Colorado (Estados Unidos da América).

Até 1991, foi militante do PCP. Foi presidente do Conselho de Administração da Editorial Caminho e da Edições Avante.

Depois da sua aproximação ao Partido Socialista, foi membro da Assembleia Municipal de Lisboa, entre 1994 e 1996.

Presidente do Grupo Águas de Portugal entre 1996 e 2002.

Nas eleições autárquicas de 2005, apresentou-se nas listas do PS para a Câmara Municipal de Oeiras, chegando a figurar em cartazes do partido.

Ocupou o cargo de ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações no XVII Governo Constitucional.

Defendia acerrimamente a Ota como localização para o novo Aeroporto de Lisboa. Ficou famosa a sua concordância com uma equipa de ambientalistas que defendiam que aeroporto na margem sul do Tejo «Jamais, jamais!» (em francês) concordando que aquela região não tinha escolas, não tinha hospitais, não tinha estradas, não tinha comércio, não tinha hotéis... Enfim, era - segundo ele - «um deserto», «o deserto do Sárá» (sic). Face à opinião do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, segundo a qual o Campo de Tiro de Alcochete, na margem sul do Tejo, era a solução mais viável, técnica e financeiramente, acabou por se render aos estudos efectuados e abdicar da sua intransigência inicial em relação à Ota.

Igualmente, em Abril de 2006, viu-se numa controvérsia política ao ter defendido publicamente o iberismo em Santiago de Compostela.

Em Junho de 2010, foi nomeado presidente do Conselho Fiscal das Companhias de Seguros do Grupo Caixa Geral de Depósitos.

Em Outubro de 2010, foi investigado por suspeitas de corrupção no âmbito do Processo Face Oculta. No âmbito do processo das parcerias público-privadas (PPP) rodoviárias, no qual se investiga um alegado prejuízo para o Estado resultante das negociações dos contratos das subconcessões do sector rodoviário, ocorridas entre 2009 e 2010. Mário Lino, o seu sucessor, António Mendonça, e o então ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, conseguiram, em Dezembro de 2021, evitar a acusação pelos crimes de corrupção passiva, tráfico de influência e participação económica em negócio, uma vez que o Ministério Público alegou a prescrição dos crimes para não pronunciar os três antigos ministros, sendo apenas pronunciados outros três arguidos: Paulo Campos, então secretário de Estado das Obras Públicas, Carlos Costa Pina, então secretário de Estado do Tesouro, e Rui Manteigas, então administrador da Estradas de Portugal. Em Junho de 2022, o Automóvel Club de Portugal requereu abertura de instrução no âmbito deste processo, solicitando que Mário Lino, António Mendonça e Teixeira dos Santos fossem levados a julgamento, por existir uma cadeia hierárquica no processo de negociação das PPP rodoviárias, pelo que Mário Lino, António Mendonça e Teixeira dos Santos continuam arguidos neste processo. Durante as buscas no âmbito do processo das PPP rodoviárias, foi apreendida a Mário Lino uma pistola semiautomática, não devidamente registada, pelo que Mário Lino foi constituído arguido por suspeita da prática do crime de posse ilegal de arma. Contudo, em Dezembro de 2021, conseguiu evitar a acusação, pois aceitou a proposta de suspensão provisória do processo efectuada pelo Ministério Público, contra o pagamento de mil euros ao Banco Alimentar Contra a Fome.

Em 15 de Março de 2013, estreou-se como actor numa peça de teatro dirigida por Paulo Matos, no Teatro Maria Helena Torrado, em Cascais.

quinta-feira, 30 de maio de 2024

30 DE MAIO - ALEKSEI LEONOV

EFEMÉRIDE - Aleksei Arkhipovitch Leonov, cosmonauta soviético e o primeiro humano a realizar uma caminhada espacial, nasceu em Listvyanka no dia30 de Maio de 1934. Morreu em Moscovo, em 11 de Outubro de 2019.

Leonov foi um dos grandes nomes do programa espacial soviético e dos programas espaciais humanos como um todo. Seleccionado para o primeiro grupo de cosmonautas em 1960, subiu ao espaço pela primeira vez em 1965 e realizou o histórico primeiro passeio fora da nave, a Voskhod 2, em 18 de Março daquele ano, após passar dezoito meses de treino em falta de gravidade para cumprir a missão.

Leonov passou doze minutos no vácuo, ligado à nave por um “cordão umbilical”, flutuando a cerca de cinco metros de distância, acompanhado de dentro pelo colega Pavel Belyayev. Após o fim do “passeio”, encontrou problemas para voltar ao interior da Voskhod, porque o seu macacão espacial pressurizado inflou no vácuo, impedindo que ele passasse novamente pela escotilha por onde havia saído. O seu retorno seguro só foi possível após uma manobra arriscada, em que ele diminuiu a pressão dentro da própria roupa para que ela voltasse a um tamanho que permitisse a sua reentrada, ficando nesta situação durante aflitivos quinze minutos.

No dia seguinte, ao retornarem, Leonov e Belyayev tiveram mais problemas: o sistema automático de direcção deixou de funcionar, obrigando-os a assumir o controlo manual da nave. Além disso, o módulo orbital não se desprendeu correctamente do compartimento de descida. Durante a reentrada, os cosmonautas foram submetidos a uma aceleração de 10 G. A Voskhod pousou na região de Solikamsk, uma área de difícil acesso e, apesar da Primavera já estar a começar, a dupla teve que enfrentar temperaturas de -30°C e o risco de serem atacados por ursos e lobos, até serem resgatados no dia seguinte.

Em 22 de Janeiro de 1969, Leonov quase foi vítima de um atentado por engano. Naquele dia, Viktor Ilyin, um dissidente soviético, abriu fogo contra uma limusine que transportava Leonov, Valentina Tereshkova (primeira mulher a ir ao espaço) e outros cosmonautas para um cerimonial. O atirador acreditava que a limusine transportava o líder soviético Leonid Brezhnev, que era o verdadeiro alvo do ataque. Nenhum dos cosmonautas foi ferido.

Em 1971, Leonov escapou da morte mais uma vez, ao ser substituído, junto com a sua tripulação. Um dos cosmonautas teve tuberculose e, de acordo com o regulamento interno do programa espacial soviético, todos os tripulantes deveriam ser substituídos. Era o primeiro voo até à recém-lançada base espacial Salyut 1, que resultou na morte dos três cosmonautas, devido à queda de pressurização da nave Soyuz 11, durante a reentrada na atmosfera terrestre.

A sua segunda ida ao espaço foi como comandante da Soyuz 19, na histórica missão Apollo-Soyuz, de 1975, que registrou o primeiro encontro entre soviéticos e norte-americanos no espaço. Após esta segunda missão, Leonov passou a comandar a equipa de cosmonautas soviéticos e foi um dos directores do Centro de Treino de Cosmonautas Yuri Gagarin, na Cidade das Estrelas, onde supervisionou os treinos das novas equipas de cosmonautas, entre 1976 e 1982, quando se reformou.

Condecorado duas vezes como Herói da União Soviética.

Leonov faleceu em Outubro de 2019, na decorrência de insuficiência cardíaca aguda. O seu funeral contou com a presença, entre outros, de Valentina Tereshkova, primeira mulher a ir ao espaço, Svetlana Savitskaya, primeira mulher a realizar uma caminhada espacial, e do astronauta norte-americano Thomas Stafford. 

quarta-feira, 29 de maio de 2024

29 DE MAIO - ANNETTE BENING

EFEMÉRIDE - Annette Carol Bening, actriz norte-americana conhecida sobretudo pelo seu trabalho em filmes como “Bugsy” (1991) e “American Beauty” (1999), nasceu em Topeka no dia 29 de Maio de 1958.

Nascida no Texas, mudou-se com a família para Wichita em 1959, onde ela e os três irmãos, Jane, Bradley e Byron, passaram o começo da infância.

Em 1965, o pai conseguiu um emprego numa companhia de seguros em San Diego, na Califórnia, e a família mudou-se de novo e Annette entrou para a escola secundária onde começou a actuar como actriz, fazendo o papel principal na peça “A Noviça Rebelde”.

Em San Diego, entre os seus estudos de Dramaturgia, passou um ano a trabalhar num navio de cruzeiro como cozinheira, onde atirava restos de peixe no Oceano Pacífico e praticava mergulho para relaxar.

Formou-se em Artes Dramáticas na Universidade Estadual de San Francisco. Juntou-se à companhia de actores do American Conservatory Theater enquanto estudava Teatro e, neste período, revelou-se uma actriz de grande talento dramático em papéis como o de Lady Macbeth.

Em 1985, ela e o seu primeiro marido, um coreógrafo, mudaram-se para Denver, no Colorado, onde Annette trabalhou no Festival de Shakespeare na cidade próxima de Boulder.

Divorciada no ano seguinte, foi para Nova Iorque em busca de novos horizontes profissionais e começou a actuar em peças off-Broadway e num filme para televisão até conseguir o papel que marcaria a sua entrada no cinema pela porta da frente, a Marquesa de Merteuil em “Valmont - Uma História de Seduções” (1989) do premiado realizador Milos Forman.

O seu trabalho seguinte, “Os Imorais”, com Anjelica Huston, John Cusack e dirigido por Stephen Frears, foi um grande sucesso na crítica e levaria Annette à fama e a uma nomeação para o Oscar de Melhor Actriz coadjuvante em 1990.

No ano seguinte, seria a actriz principal de “Bugsy”, contracenando com Warren Beatty, com quem teve um romance secreto durante as filmagens e acabaria por se casar no ano seguinte, numa relação que dura até hoje e lhes deu quatro filhos.

Nos anos 1990, grávida várias vezes, Annette não trabalhou muito e chegou a perder o papel de Mulher Gato em “Batman, o Retorno” para Michelle Pfeiffer por causa disso, mas em 1998 recebeu US$ 3 milhões para participar no filme de acção e terrorismo “Nova Iorque Sitiada” com Denzel Washington e Bruce Willis.

Em 1999, fez o seu filme mais popular, “Beleza Americana”, pelo qual concorreu ao Oscar.

Em 2004, o talento de Bening seria finalmente reconhecido com o Globo de Ouro de Melhor Actriz conquistado em “Adorável Julia”, filme baseado na peça de W. Somerset Maugham.

Em Maio de 2018, foi escalada para interpretar dois personagens, no filme “Capitã Marvel”. “Capitã Marvel” será o décimo primeiro filme do Universo Cinematográfico da Marvel e a sua estreia esteve marcada para 2019.

terça-feira, 28 de maio de 2024

28 DE MAIO - PATCH ADAMS

EFEMÉRIDE - Hunter Doherty “Patch” Adams, médico norte-americano, famoso pela sua metodologia inusitada no tratamento de enfermos, nasceu em Washington, D.C., no dia28 de Maio de 1945.

É formado pela Virginia Medical University e fundador do Instituto Gesundheit, em 1971.

Aos 17 anos de idade, após perder o pai e ter sido deixado pela namorada, vivenciou uma grave crise depressiva e internou-se a si próprio numa clínica psiquiátrica.

Ali chegou à conclusão que cuidar do próximo é a melhor forma de esquecer os próprios problemas e, melhor ainda, se isto for feito com muito bom humor e principalmente amor.

Nos anos 1960, um dos seus melhores amigos foi assassinado. Após a formatura no ensino médio, em 1963, Adams cursou o pré-médico na Universidade de Illinois e recebeu o grau de doutor em Medicina pela Universidade de Rockford, em 1971.

Durante o curso de Medicina, Adams tornou-se conhecido pela conduta proeminentemente feliz e apaixonada pelos pacientes.

Em 1972, fundou o Instituto Gesundheit. Em 1976, o seu melhor amigo morreu atacado por um psicopata (e não pela sua namorada, como aparece no filme “Patch Adams”, de 1998). Ele ficou depressivo, mas reabilitou-se com o tempo.

Em 1980, adquiriu 317 acres de terra montanhosa em West Virginia para a implementação física do instituto, que presta assistência de forma inteiramente gratuita.

Convencido da conexão poderosa entre o ambiente e o bem-estar, acredita que a saúde de um indivíduo não pode ser separada da saúde da família, da comunidade e do mundo.

Adams viaja pelo mundo, para áreas críticas, em situação de guerra, pobreza e epidemia, espalhando alegria, o que é uma excelente forma de prevenir e tratar muitas doenças.

Além de médico, humorista, humanista e intelectual, Patch Adams é também um activista em busca da paz mundial. Segundo ele, o seu intuito não é apenas mudar, através do humor, a forma como a medicina é praticada hoje. Ele traz uma mensagem de amor ao próximo que, se praticada por todos, certamente irá mudar o mundo para melhor.

Numa entrevista ao programa “Roda Viva”, na televisão brasileira, em 2007, Patch Adams afirmou que nunca disse que rir é o melhor remédio, e sim que o riso faz parte de um contexto. Na verdade, o seu lema é que a amizade é o melhor remédio. Disse também ter uma biblioteca de 18 mil volumes e que lê muita poesia, que adora os poemas de Pablo Neruda porque, segundo ele, a poesia nos dá amor.

Criticou as pessoas que têm muito dinheiro e nada fazem pelos menos favorecidos, usando o termo “lixo” para defini-las. E renegou o filme “Patch Adams”, dizendo que ele não condiz com a verdade. Criticou o governo dos Estados Unidos, a quem chamou de “terrorista”, assim como as indústrias de medicamentos, que só visam os lucros milionários.

A sua filosofia de vida é o amor, não apenas no âmbito hospitalar, mas também nas relações sociais como um todo, independente de lugar.

Tem por opinião que o objectivo do médico não é curar e sim cuidar. Cuidar com muito amor, tocando nos doentes, olhando nos seus olhos, sorrindo.

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