Filha
da 3ª Baronesa de Pombeiro de Riba Vizela e de um alto funcionário do Ministério
de Além-Mar, por sua vez descendente do 4º Conde das Alcáçovas, Maria José
de Lancastre nasceu e cresceu na freguesia de São Mamede, em Lisboa, sob o
regime de Salazar. Em entrevista publicada no diário italiano “la Repubblica”,
descreveu a sua pátria, e até mesmo o bairro, em que viveu até aos 20 anos, da
seguinte forma: «Chega sempre o momento em que se diz: agora me vou embora.
E alguns países tornam a escolha mais fácil porque irreais, opressores,
remotos, fechados. Assim foi o meu Portugal, a minha Lisboa».
Lancastre
frequentou o Curso de Românicas na Faculdade de Letras da Universidade
Clássica de Lisboa. Em 1967, mudou-se para Itália e licenciou-se pela Università
di Pisa, onde iniciou também a sua carreira académica. Lá chegou ao grau de
professora ordinária e desde então ocupou a cadeira de Literatura Portuguesa.
De
1977 a 1989, foi co-directora da revista “Quaderni portoghesi” fundada
por Luciana Stegagno-Picchio.
O
enfoque da investigação e da actividade editorial de Lancastre foi na
literatura portuguesa dos séculos XVI e XX. Por exemplo, publicou uma edição
crítica do drama “O Auto das Padeiras da Escola Vicentina” e, por outro
lado, juntamente com o seu marido e companheiro Antonio Tabucchi, dedicou-se
apaixonadamente aos escritores do modernismo português, nomeadamente a Fernando
Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Camilo Pessanha. Juntamente com Antonio,
Lancastre traduziu para italiano grande parte da obra de Fernando Pessoa e dos
seus heterónimos.
Lancastre
e Tabucchi, que se conheceram na praia em Portugal, em 1965, casaram-se no dia
10 de Janeiro de 1970. Da relação resultaram duas crianças, a primeira de nome
Michele, nascido em 1970, e a segunda de nome Teresa Marina, nascida em 1973.

Sem comentários:
Enviar um comentário