segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

22 DE DEZEMBRO - PAULO ROCHA

EFEMÉRIDEPaulo Soares da Rocha, realizador de cinema português, nasceu no Porto em 22 de Dezembro de 1935. Morreu em Vila Nova de Gaia no dia 29 de Dezembro de 2012.
Inspirado pela Nova Vaga e pelo Neo-realismo, ele é considerado um dos fundadores do movimento Novo Cinema em Portugal. Foi dirigente cineclubista, após ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1953).
Abandonou os estudos de Direito, partindo para França em 1959. Em Paris, frequentou – até 1962 – o Institut des Hautes Études Cinématographiques, onde obteve o diploma de Realizador. Foi assistente de realização estagiário de Jean Renoir, em “Le Caporal Épingle” (1962).
Voltou a Portugal, trabalhando como assistente de Manoel de Oliveira em “Acto da Primavera” (1963) e “A Caça” (1964), acabando por se estrear como realizador com “Verdes Anos” (1962), um filme que é considerado uma obra chave para o movimento do Novo Cinema português, a par de “Dom Roberto” (1962) de Ernesto de Sousa.                                                   
Teve também participações como actor em filmes de Jorge Silva Melo, Manoel de Oliveira, João Canijo, Fernando Lopes e Raquel Freire.
Foi director do Centro Português de Cinema, de 1973 a 1974. Entre 1975 e 1983, foi Adido Cultural da Embaixada de Portugal em Tóquio, tendo estudado a vida e a obra de Wenceslau de Moraes, tema da sua longa-metragem “A Ilha dos Amores” (1982), que foi apresentada no Festival de Cannes.
Nos anos 1990, realizou também dois documentários da série “Cineastas do Nosso Tempo” consagrados a Manoel de Oliveira e a Shōhei Imamura.
Faleceu aos 77 anos, no Hospital da Arrábida, em Vila Nova de Gaia, não tendo resistido a um acidente vascular cerebral.

domingo, 21 de dezembro de 2014

21 DE DEZEMBRO - ROD CAMERON

EFEMÉRIDERod Cameron, de seu verdadeiro nome Nathan Roderick Cox, actor canadiano, morreu em Gainesville, Geórgia, no dia 21 de Dezembro de 1983. Nascera em Calgary, Alberta, em 7 de Dezembro de 1910. 
Quando tinha dois anos de idade, a família mudou-se para Toronto, onde ele viria a iniciar os seus estudos. Com a morte do pai em 1925, os Cox foram para os Estados Unidos, tendo morado em Nova Iorque, Miami e White Plains. Nesta última cidade, Nathan tornou-se jogador de basquetebol, graças aos seus 1,93 m de altura, e participou em muitas peças de teatro amador. Durante os anos da Grande Depressão, encontrou trabalho como operário na construção civil, mudando-se mais uma vez, então para a Califórnia. Logo se interessou pelo cinema e acabou por ser contratado pela Paramount Pictures, que mudou o seu nome para Rod Cameron.
Após ter desempenhado vários papéis de segunda ordem entre 1940 e 1943, Cameron deixou aquele estúdio e assinou contrato com a Republic, para protagonizar duas séries hoje clássicas: “G-Men versus the Black Dragon” e “Secret Service in Darkest Africa”, ambas de 1943. No ano seguinte, fez seis westerns na Universal, o que o ajudou a tornar-se conhecido entre o grande público. O verdadeiro estrelato viria em seguida, com o western “Salome, Where She Danced” (1945), onde contracenou com Yvonne De Carlo. A dupla juntou-se novamente para dois outros êxitos: “Frontier Gal” (1945) e “River Lady” (1948).
Depois de deixar a Universal, Cameron fez filmes para a Republic e para a Allied Artists. São desse período alguns dos seus westerns mais apreciados, entre eles “The Plunderers” (1948), “Brimstone” (1949), “Stage to Tucson” (1951) e “Yaqui Drums” (1956). Em meados da década de 1960, quando o seu espaço em Hollywood começou a ficar reduzido, foi trabalhar para a Europa, a exemplo de tantos outros actores da sua geração.
Antes, actuara na televisão em três séries policiais de grande sucesso: “City Detective”, “State Trooper” e “Coronado 9. Participou também, como convidado, em muitos programas televisivos. Entrou ao longo da sua carreira em cerca de noventa filmes.
Casou-se com Angela Alves-Lico em 1950, tendo-se divorciado em 1954. Casou-se em 1960 com a sogra, Dorothy Alves-Lico, o que foi motivo de zombaria e incredulidade, além de grande exploração pela imprensa. O enlace durou até à sua morte em 1983, vítima de cancro. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

20 DE DEZEMBRO - ANTHONY DA SILVA

EFEMÉRIDEAnthony da Silva, também conhecido por Tony, futebolista franco-português, nasceu em Creusot (Saône-et-Loire) no dia 20 de Dezembro de 1980. Joga actualmente no FC Penafiel.
Profissionalizou-se em 2001, representando sucessivamente: o Desportivo de Chaves (2001/05), o Estrela da Amadora (2005/07), o CFR 1907 Cluj da Roménia (2007/11), o Vitória de Guimarães (2011/12), o Paços de Ferreira (2012/14) e o FC Penafiel
Do seu palmarés fazem parte: os títulos romenos de 2007/08 e 2009/10; as Taças da Roménia de 2007/08, 2008/09 e 2009/10 e ainda as Super Taças da Roménia de 2009 e 2010. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

19 DE DEZEMBRO - MANOEL DE BARROS

EFEMÉRIDEManoel Wenceslau Leite de Barros, poeta brasileiro, nasceu em Cuiabá no dia 19 de Dezembro de 1916. Morreu em Campo Grande, em 13 de Novembro de 2014. Pertence cronologicamente à Geração de 45 mas, formalmente, pode ser considerado um pós-modernista, situado mais próximo das vanguardas europeias do início do século, da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade.
Um ano após o seu nascimento, a família foi viver numa propriedade rural em Corumbá. Mudou-se sozinho, ainda criança, para Campo Grande, onde estudou num colégio interno e, mais tarde, foi para o Rio de Janeiro, a fim de completar os estudos, tendo-se licenciado em Direito (1941). 
O seu primeiro livro não era de poesia e perdeu-se em razão de uma confusão com a polícia: - Quando vivia no Rio de Janeiro, ingressou na Juventude Comunista e pintou as palavras «Viva o Comunismo» numa estátua. A polícia foi buscá-lo à pensão onde vivia, mas a dona do estabelecimento pediu para «não prender o menino, tão bom que até tinha escrito um livro chamado “Nossa Senhora de Minha Escuridão”». O polícia que comandava a operação, sensibilizou-se e Manoel não foi preso, mas o livro foi levado por um dos agentes da autoridade.
Recebeu vários prémios, entre os quais dois Jabutis, o maior prémio literário do Brasil. É o poeta brasileiro da contemporaneidade mais aclamado nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou mesmo o epíteto de “maior poeta vivo do Brasil” em favor de Manoel de Barros. A sua obra mais conhecida é “Livro sobre Nada” (1996).
Embora a poesia tenha estado presente na sua vida desde os 13 anos, teria escrito o primeiro poema somente aos 19 anos. O seu primeiro livro publicado foi “Poemas concebidos sem pecado” (1937), feito artesanalmente por amigos, numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou para ele.
Viveu depois na Bolívia, no Peru e também, durante um ano, em Nova Iorque, onde fez um curso de Cinema e Pintura no Museu de Arte Moderna.
Na década de 1960, fixou-se em Campo Grande, ocupando-se da criação de gado, mas sem deixar nunca de dedicar muito do seu tempo à poesia.
Apesar de ter escrito muitos livros durante a sua vida e de ter ganho vários prémios, a sua obra ficou desconhecida do grande público durante muito tempo, possivelmente porque o poeta não frequentava os meios literários e editoriais e «por orgulho, não bajulava ninguém».
Os seus trabalhos começaram a ser valorizados nacionalmente a partir da descoberta do escritor por Millôr Fernandes, já na década de 1980. Foi então considerado o maior ou um dos maiores poetas do Brasil, sendo um dos mais aclamados nos círculos literários do país. Parte da sua obra tem sido publicada em Portugal, Espanha e França.
O cantor Márcio de Camillo, antes da morte do poeta, propôs musicar alguns dos seus poemas, o que resultou no CD “Crianceiras
Manoel de Barros morreu depois de seis meses de «ruína física», resultante certamente dos seus quase 98 anos de idade. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

18 DE DEZEMBRO - RACHEL GRIFFITHS

EFEMÉRIDERachel Anne Griffiths, actriz, realizadora e cenarista australiana, nasceu em Melbourne no dia 18 de Dezembro de 1968. Quando tinha apenas onze anos, o pai abandonou a família e ela, juntamente com os irmãos, foi criada pela mãe que era professora de Arte.
Fez a escolaridade obrigatória num liceu católico feminino, diplomando-se depois em Teatro. Juntou-se ao grupo The Woolly Jumpers, com o qual representou em Geelong. Mais tarde, começou a fazer pequenos papéis na televisão. Começou a sua carreira no cinema, ao lado de Toni Collette, no filme “Muriel” (1994).
Em 1999, foi nomeada para o Oscar de Melhor Actriz Coadjuvante pelo seu papel em “Hilary and Jackie” e para o BAFTA de Melhor Actriz no mesmo filme. Recebeu o Globo de Ouro de Melhor Actriz Secundária em televisão, com a série “Six Feet Under” (2001/05), conquistando também o Screen Actors Guid Award como todo o elenco. 
Actuou na série de grande sucesso “Brothers & Sisters” (2006/11), protagonizando a empresária Sarah Walker. Por este papel, foi nomeada duas vezes para o Emmy (2007 e 2008) e uma vez para o Globo de Ouro.
Rachel Griffiths actuou até agora em cerca de quarenta filmes e séries de televisão. Realizou duas películas: “Tulip” em 1998 e “Roundabout” em 2002. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

17 DE DEZEMBRO - SÉRGIO BORGES

EFEMÉRIDESérgio Justo Camacho Borges, cantor português, morreu no Funchal em 17 de Dezembro de 2011. Nascera na mesma cidade em 18 de Outubro de 1943. Pertenceu ao Conjunto Académico João Paulo, grupo originário da ilha da Madeira que ele ajudou a fundar em 1964 e que, nos anos 1960, teve grande sucesso.
Em 1966, Sérgio Borges ficou em 2º lugar no Festival RTP da Canção, com “Eu Nunca Direi Adeus”. O tema foi editado num disco do Conjunto Académico João Paulo. No mesmo ano, Sérgio Borges recebeu o Prémio da Imprensa.
Com “Onde Vais Rio Que Eu Canto”, da autoria de Nóbrega e Sousa e Joaquim Pedro Gonçalves, venceu o VII Grande Prémio da Canção realizado em 1970 e participou no Festival Yamaha realizado em Tóquio.
Depois de uma pausa, o grupo passou a denominar-se Sérgio Borges & Conjunto João Paulo. O último disco do grupo foi editado em 1972.
Durante vários anos, Sérgio Borges actuou no Casino da Madeira. Em 1986, participou no Festival RTP da Canção com “Quebrar A Distância”, música de Paulo Ferraz e letra dele próprio.
Em 2004, lançou o CD “40 Anos a Cantar”, um disco com os seus maiores êxitos e ainda cinco novos temas. No ano seguinte, foi um dos nomes homenageados com o Galardão da Cultura atribuído pelo Governo Regional da Madeira. Faleceu em Dezembro de 2011, com 68 anos de idade. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

MUDAM-SE OS TEMPOS...


16 DE DEZEMBRO - JOSÉ JÚLIO DA SILVA RAMOS



EFEMÉRIDEJosé Júlio da Silva Ramos, professor, filólogo e escritor brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 16 de Dezembro de 1930. Nascera no Recife no dia 6 de Março de 1853. Foi um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras.
Passou grande parte da infância em Portugal, educado por umas tias maternas. Depois de um breve regresso ao Brasil, voltou a Portugal em 1872, fixando-se na cidade de Coimbra, em cuja universidade se matriculou, concluindo o curso de Direito cinco anos depois. Quando ainda era estudante universitário, publicou um livro de poemas ao qual deu o nome de “Adejos” (Coimbra, 1871).
Conviveu com grandes escritores portugueses daquela época, entre eles os poetas João de Deus e Guerra Junqueiro. Em 1881, ainda estava na Europa, tendo residido durante algum tempo em Inglaterra.
Quando do seu regresso definitivo ao Brasil, leccionou em vários colégios, ensinou Português e colaborou em alguns periódicos, destacando-se “A Semana” (Rio de Janeiro). Escreveu também os livros “Pela vida afora” (1922), “A reforma ortográfica” (1926) e “Centenário de João de Deus” (1930).
Fez parte do grupo que fundou a Academia Brasileira de Letras, tendo escolhido para patrono da sua cadeira o poeta português Tomás António Gonzaga. Fez parte da direcção, na qualidade de 2º secretário, assinando os primeiros estatutos da academia, para cuja presidência chegou a ser indicado em 1927. Morreria três anos depois.
O seu filho Flávio Ramos tornou-se uma figura conhecida nos meios desportivos, por ter fundado o Botafogo Football Club, mais tarde rebaptizado Botafogo de Futebol e Regatas.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

15 DE DEZEMBRO - ANDRÉ DA SILVA GOMES

EFEMÉRIDEAndré da Silva Gomes, compositor de música erudita luso-brasileiro, nasceu em Lisboa no dia 15 de Dezembro de 1752. Morreu em São Paulo, em 16 de Junho de 1844.
Pouco se sabe sobre a sua formação musical e cultural. Acredita-se que possa ter tido aulas ou, no mínimo, ter recebido influência de David Perez (1711/78), compositor napolitano de ascendência espanhola, Mestre da Real Capela Palatina de Palermo, que veio viver alguns anos em Portugal, como Mestre da Capela Imperial de Lisboa. Perez desenvolveu actividades pedagógicas de relevo em Portugal. A sua importância como professor de música é atestada pelo destaque que vieram a ter alguns dos seus discípulos. Influente compositor, David Perez dirigiu toda a vida musical da corte de D. José I até ao fim da sua vida, influenciando todos os compositores portugueses do seu tempo.
Não se sabe se André da Silva Gomes já se havia mudado para o Brasil ou se foi expressamente para lá, a fim de assumir – em 1774 – o cargo de Mestre de Capela da Igreja da Sé de São Paulo. Ele era tido como um homem dinâmico e um fértil criador, tendo reorganizado o Coro e começado a compor peças para os actos religiosos da época.
São Paulo, mesmo depois de elevada a cidade em 1711, era ainda muito pobre na segunda metade do século XVIII. Mesmo assim, era facto conhecido que Silva Gomes não se deixava abater pela falta de recursos, tendo fundado uma escola gratuita de música e organizado uma orquestra que contava com a participação de um bom organista – Inácio Xavier de Carvalho.
Não teve filhos do seu casamento, em 1775, com a viúva Maria Garcia de Jesus, mas criou uma enteada e adoptou dezasseis crianças, dando-lhes o apelido de família e ensinando-lhes não só as primeiras letras mas, evidentemente, também música.
Em 1789, André da Silva Gomes, tendo ingressado na carreira militar, dirigiu a corporação musical e alcançou a patente de tenente-coronel. Em 1797, foi contratado para o magistério, leccionando Gramática Latina. Com a chegada de D. Pedro a São Paulo em 1822, regeu – na catedral – o Te Deum de sua autoria, em homenagem ao futuro imperador. No dia 7 de Setembro foi proclamada a Independência. Na Casa da Ópera, seria André da Silva Gomes a encarregar-se das solenidades. Aposentou-se em 1828.
Da sua obra, chegaram até aos nossos dias cerca de 130 partituras, de acordo com informação do musicólogo Régis Duprat, que afirmou: «Os músicos da época colonial exerciam a profissão de forma mais avançada do que poderíamos imaginar. O “Tratado de Contraponto”, de André da Silva Gomes, revela regras do bem-compor que um bom músico europeu poderia seguir». Os documentos mais antigos das suas composições datam de 1774. Delas fazem parte antífonas, cânticos religiosos, hinos, ladainhas, missas, nocturnos, ofertórios, ofícios fúnebres, ofícios da Semana Santa, salmos etc..
A “Missa a Cinco Vozes”, datada do último quartel do século XVIII, pertence ao período de plena maturidade do autor. Dividida em onze segmentos, entre eles duas fugas, a peça situa-se num estilo intermédio entre o Barroco e o Classicismo.
Segundo especialistas, a obra-prima deste compositor luso-brasileiro é a “Missa em C” (“Missa em Dó”), que foi recentemente gravada em CD. O álbum apresenta 16 faixas com algumas das suas principais composições, além da própria missa. As músicas têm interpretação do Brasilessentia Grupo Vocal

O NATAL E A CRISE

Formatação de Fátima de Souza (Bahia)

domingo, 14 de dezembro de 2014

NESTE NATAL (glosa de quadra)


«Vivo Natal dia a dia…
No meu coração presente
Jesus, minha Estrela Guia
O meu Farol luzidente!»
Maria José Fraqueza


      NESTE NATAL

I
Quando chega o Dezembro,
Encho-me de alegria.
Em cada ano que lembro,
Vivo Natal dia a dia…
II
Penso em todos os que amo,
Mesmo quem está ausente,
Por vezes, até os chamo
No meu coração presente.
III
E como nos outros meses,
Acabar com fome eu queria.
Tenho, como dessas vezes,
Jesus, minha Estrela Guia.
IV
A vida vai melhorar,
É meu desejo ardente,
E tenho p’ra me guiar
O meu Farol luzidente!

Gabriel de Sousa

NB – Menção Honrosa no 19º Concurso Internacional de Quadras Natalícias – 2014 (Fuseta)

14 DE DEZEMBRO - PETER O'TOOLE

EFEMÉRIDE Peter Seamus O’Toole, actor irlandês, morreu em Londres no dia 14 de Dezembro de 2013. Nascera em Connemara, em 2 de Agosto de 1932. Durante a sua carreira foi nomeado oito vezes para os Oscars, ganhou quatro Globos de Ouro, um BAFTA, um Emmy e foi distinguido com um Oscar Honorário em 2003, pela globalidade do seu trabalho.
Estudou numa escola católica no início da Segunda Guerra Mundial. Segundo disse mais tarde, «tinha medo das freiras, pela sua negação de feminilidade, pelos seus vestidos pretos e por raparem o cabelo».
Ao sair da escola, O’Toole arranjou, aos catorze anos, um emprego num escritório e, mais tarde, foi jornalista e fotógrafo estagiário num periódico de Leeds, até ser chamado para o serviço militar na Royal Navy em 1950.
Em 1952, obteve uma bolsa de estudos para a Royal Academy of Dramatic Art. Dois anos depois, ingressou na prestigiada Royal Shakespeare Company, tendo entrado em cerca de 60 peças de teatro, sobretudo de clássicos ingleses. Em 1956, representou também várias comédias musicais em Londres.
Apareceu pela primeira vez no cinema em 1959, num pequeno papel. A sua consagração chegaria ao interpretar T. E. Lawrence, no filme de David Lean “Lawrence da Arábia” (1962), depois de Marlon Brando e Albert Finney terem recusado o papel. Contracenou com Omar Sharif e as filmagens duraram dois anos. A sua interpretação valeu-lhe a primeira nomeação para o Oscar de Melhor Actor.
O’Toole interpretou depois grandes papéis, como o de Rei Henrique II da Inglaterra em “Becket” (1964). Protagonizou também “Hamlet” sob a direcção de Laurence Olivier. Atingiu em 1970 a grande ambição da sua vida, ao subir a um palco da capital irlandesa (Abbey Theatre) para interpretar Samuel Beckett.
Em 1972, contracenou com Sophia Loren na obra de Miguel de Cervantes “Man of La Mancha”, numa adaptação cinematográfica de um musical representado na Broadway em 1965.
Em 1959, casou-se com a actriz galesa Siân Phillips, com quem teve duas filhas. Divorciaram-se vinte anos depois. Phillips revelaria mais tarde, em duas autobiografias, que O’Toole a havia submetido a violência psicológica, em grande parte por abusar do álcool e por ser muito ciumento. De um relacionamento que teve posteriormente com a modelo Karen Brown, nasceu o seu terceiro filho (1983).
Uma doença grave quase o fez sucumbir em 1976, tendo sido operado para remoção do pâncreas e grande parte do estômago. Em consequência da cirurgia, ficou dependente de insulina. Em 1978, quase morreu de uma doença no sangue. Recuperou e voltou sempre a trabalhar. Ganhou o Prémio Emmy, em 1999, pelo seu papel na mini-série “Joan of Arc”. Peter O’Toole fez mais de setenta filmes ao longo da sua vida. Residia em Clifden, no condado de Galway, na Irlanda, desde 1963. No auge da sua carreira, chegou a manter casas em Dublin, Londres e Paris.
No início dos anos 1950, foi um activista contra os britânicos pelo seu envolvimento na Guerra da Coreia. Mais tarde, na década de 1960, foi um adversário activo da Guerra do Vietname.

GLOSA DE QUADRA

Formatação de Fátima de Souza (Bahia)

sábado, 13 de dezembro de 2014

13 DE DEZEMBRO - JOSÉ SIMÕES DE ALMEIDA

EFEMÉRIDEJosé Simões de Almeida, escultor português, morreu na Amadora em 13 de Dezembro de 1926. Nascera em Figueiró dos Vinhos no dia 24 de Abril de 1844. É também referido como José Simões de Almeida (Tio), para o distinguir do sobrinho homónimo, que foi também escultor.
Com doze anos de idade, matriculou-se na Escola de Belas-Artes de Lisboa onde, em pouco tempo, alcançou uma posição de relevo. Concluiu o curso em 1865, com uma elevada classificação, o que lhe permitiu receber do governo uma bolsa de estudos para se aperfeiçoar em Itália.
Passando por França, aproveitou a estadia nesse país para cursar a Escola Imperial de Belas-Artes, onde se conservou até 1870, sob a orientação do escultor Jouffroy. De tal modo se houve nos estudos, que lhe foram conferidas cinco medalhas de prata, uma menção honrosa e um prémio pecuniário de 200 francos atribuídos por ocasião das exposições escolares de 1868 a 1869. Com uma grande preparação artística, deslocou-se depois para Roma, onde esteve desde Outubro de 1870 até Fevereiro de 1872. Entre muitos mestres, teve o professor Júlio Monteverde.
Regressou a Portugal e, pouco tempo depois, foi nomeado professor interino da Escola de Belas-Artes, lugar onde se manteve durante três anos. Só em 1881 obteve uma nomeação efectiva para o mesmo lugar. Simões de Almeida foi professor de Desenho e, mais tarde, de Escultura.
Era conhecido como mestre Simões e foi o principal orientador artístico de várias gerações, tendo discípulos que ficaram famosos pela qualidade das suas obras. Aparentemente rude nas suas expressões, ele era afinal um espírito generoso e justo. Toda a sua vasta obra reflecte uma austeridade impecável, no puro academismo que professava. Ninguém no seu tempo, e mesmo antes e depois da sua época, o teria excedido quanto ao rigor e à exacta observação das formas. Como mestre da aula de Escultura, deixou um vazio ainda hoje sentido e recordado.
A lista dos seus trabalhos é extensa. Entre eles, O Saltimbanco, Saudade, Inês de Castro, D. Sebastião, lendo Os Lusíadas, Camões, Infante D. Henrique, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, a estátua monumental do Duque da Terceira, a Vitória – uma das estátuas que ornamenta o monumento dos Restauradores de 1640, o túmulo de Guilherme Cossoul no Cemitério dos Prazeres e o famoso Cristo existente na capela dos Jerónimos, onde está o túmulo de Alexandre Herculano.
Uma das suas estátuas mais conhecidas e valiosas é A Puberdade, em bronze, exposta em Paris (1878) e que está, actualmente, no jardim átrio do Museu de Arte Contemporânea.
Simões de Almeida deixou também, na sua terra natal, duas obras magníficas: Cristo Crucificado, réplica da mesma imagem existente no Mosteiro dos Jerónimos, e Camões – mármore oferecido pelo autor ao Clube Figueirense e que se encontra na sala de leitura desta instituição.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

12 DE DEZEMBRO - LIBERTAD LAMARQUE

EFEMÉRIDELibertad Lamarque de Bouza, actriz e cantora argentina radicada no México, morreu na Cidade do México em 12 de Dezembro de 2000. Nascera em Rosário, Argentina, no dia 24 de Novembro de 1908.
Filha de um uruguaio de origem francesa e de uma imigrante espanhola, mostrou desde os primeiros anos de vida grande talento para o teatro e para o canto. Aos sete anos, estreou-se numa peça de teatro e aos doze anos já era profissional. Em 1922, a família Lamarque foi viver para Buenos Aires, cidade onde Libertad poderia ter um melhor futuro artístico. Aos dezoito anos, gravou o seu primeiro disco de tangos, que teve grande sucesso. Os êxitos sucederam-se.
Libertad casou-se com Emílio Romero, com quem teve uma filha – Mirtha. Passados anos, as decepções começaram a surgir e Libertad pediu o divórcio, o que não era nada fácil naquela época.
Iniciou-se no cinema com “Adios Argentina” (1929) e protagonizou “Tango”, o primeiro filme sonoro argentino (1933). Seguiram-se mais de sessenta filmes, tendo num deles sido dirigida por Luis Buñuel (“Tampico”;1947)  
Libertad começou entretanto a ter crises de depressão nervosa e tentou mesmo o suicídio, atirando-se da janela de um hotel em Santiago do Chile, onde se encontrava em tournée. Um toldo do próprio hotel salvou-a. De seguida, o ex-marido tirou-lhe a filha e levou-a para o Uruguai. Libertad, acompanhada de um advogado e de um amigo músico, partiu para Montevideu, com o propósito de recuperar Mirtha, o que conseguiu.
Fixou-se no México, onde se tornou muito popular como actriz dramática e cantora de tangos, boleros e canções folclóricas da América Latina. Ao longo da sua carreira, terá gravado mais de 400 canções, não só no México e no seu país natal, mas também em Cuba e em Espanha.
Quando voltou a Buenos Aires, entrou na peça “La Dolly Levy”, sendo muito acarinhada pelo publico. A partir dos anos 1970, trabalhou frequentemente na televisão. Em toda a América do Sul, quando cantava, juntava multidões.
Com 92 anos de idade, Libertad continuava activa, alegre, cordial e muito feliz, porque participava ainda na telenovela “Carita de ángel”. Numa manhã de Dezembro, sentiu-se mal e teve de ser internada de urgência no Hospital do Distrito Federal Mexicano, onde esteve durante dez dias. Veio a falecer no dia 12 de Dezembro, dia da Virgem de Guadalupe. 

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