
A sua gravata às bolas e a mão na orelha quando dos concertos são imagens que marcaram quem assistiu aos seus espectáculos. Bécaud “deslizava” de uma canção para outra desdobrando-se em personagens muito diferentes conforme as canções, mantendo o público bem acordado e… entusiasta se tivermos em conta as cadeiras frequentemente partidas pela agitação dos espectadores.
A sua gravata às bolas era um fetiche que tem a sua história: Gilbert tinha estudado piano e estava à procura de trabalho. Apresentou-se para fazer um ensaio num “Piano Bar” que queria contratar um pianista. O patrão disse-lhe que, tendo em conta a imagem de marca do seu estabelecimento, não o poderia aceitar pois não trazia gravata. Como estava acompanhado da mãe, que trazia um vestido azul com bolas brancas, esta cortou de imediato a parte de baixo do vestido para fazer uma espécie de gravata, que Bécaud atou à volta do pescoço, procurando de novo o patrão do bar, que o deixou então tocar, contratando-o de imediato. Desde aquele dia, Gilbert Bécaud apresentou-se sempre em cena com uma gravata às bolas, sem nunca mudar o modelo, como recordação deste primeiro episódio da sua carreira.
Actuava sempre com o mesmo piano, que tinha uma particularidade: ele era ligeiramente inclinado. Com efeito, Gilbert queria ver a sala quando estava sentado ao piano e, para isso, mandara cortar um dos três pés para lhe dar a inclinação necessária. Esta inclinação, dificilmente observável por quem não estivesse informado, era o suficiente para obter o resultado desejado, sem prejudicar o seu modo de tocar nem o de Gilbert Sigrist, pianista que o acompanhava regularmente.
Os seus maiores sucessos terão sido “Nathalie” e “Et maintenant”, entre cerca de quatrocentos canções. Actuou 33 vezes na célebre sala de espectáculos “l’Olympia” em Paris.
Sem comentários:
Enviar um comentário