terça-feira, 31 de maio de 2022

31 DE MAIO - EDUARDO TEIXEIRA COELHO

EFEMÉRIDE - Eduardo Teixeira Coelho, ilustrador e autor de banda desenhada, morreu em Florença no dia 31 de Maio de 2005. Nascera em Angra do Heroísmo, em 4 de Janeiro de 1919. Usou os pseudónimos “ETC”, “Etcheverry” (ou “Etcheveri”) e sobretudo “Martin Sièvre” em parte importante da sua obra.

Nascido nos Açores, Eduardo Teixeira Coelho foi para o continente aos 11 anos, em 1930, tendo ingressado no Instituto dos Pupilos do Exército, com o número 49 e frequentado o Curso Complementar de Comércio até Agosto de 1944.

Publicou o seu primeiro trabalho - uma sequência cómica em quatro vinhetas - no “Sempre Fixe” de 16 de Abril de 1936. Trabalhou em publicidade e como ilustrador e, em 1943, tornou-se um dos fiéis e mais marcantes colaboradores de “O Mosquito”, uma famosa revista infantil portuguesa.

Foi ali que, segundo Leonardo de Sá e António Dias de Deus (no “Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal”), Coelho «alcançou a mestria total na ilustração de novelas com carácter histórico, moderno ou fantástico».

Foi em “O Mosquito” que, quase sempre a trabalhar com o argumentista Raul Correia, publicou algumas das suas obras mais conhecidas, tais como “Os Guerreiros do Lago Verde” (1945), “Os Náufragos do Barco sem Nome” (1946), “Falcão Negro” (1946/1949), “O Caminho do Oriente” (1946/1948), “Sigurd, o Herói” (1946), “A Lei da Selva” (1948), “Lobo Cinzento” (1948/1949), “A Torre de D. Ramires” (1950), “O Defunto” (1950), “O Suave Milagre” (1950), “Os Doze de Inglatera” (1950/1951) e “A Aia” (1952).

Com o fim de “O Mosquito”, em 1953, desempregado e descontente com as limitações que o regime do Estado Novo impunha ao seu trabalho, Eduardo decidiu emigrar em 1954.

Passou pela Espanha, onde colaborou na revista “Chicos”, e pela Inglaterra, tendo-se fixado em França, onde colaborou com as revistas “Vaillant”, “Pif gadget”, “Pipolin” e “Pirates”. Publicou sobretudo usando o pseudónimo “Martin Sièvre” e trabalhou com os argumentistas Jean Ollivier e Roger Lécureux, criando várias personagens localizadas no mundo viquingue.

Entre as séries mais conhecidas deste período (algumas publicadas posteriormente em Portugal no “Mundo de Aventuras”), encontram-se “Ragnar le Viking” (1955/1969), “Davy Crockett” (1957), “Wango” (1957), “Yves Le loup” (1960/1961), “Biorn le Viking” (1962/1968), “Cartouche” (1964/1966), “Robin des Bois” (1969/1975), “Le Furet” (1975/1976), “Érik, le Rouge” (1976/1977) e “Ayak, le Loup Blanc” (1979/1984).

O estilo de Eduardo Coelho, inicialmente límpido e fluente, evoluiu, dizem Leonardo de Sá e António Dias de Deus, gradualmente para uma forma mais estática e carregada de detalhes.

Radicou-se na Itália desde o início da década de 1970, tendo recebido em 1973, no Salão Internacional de Lucca, o prémio Yellow Kid, para o melhor desenhador estrangeiro.

Redescoberto em Portugal, com várias reedições e traduções, foi-lhe atribuído o Mosquito Especial em 1986 e ainda o Grande Troféu do Festival Internacional da Amadora em 1997.

Em 1998, de 23 de Outubro a 8 de Novembro, esteve patente uma grande exposição dos seus originais, na Galeria dos Paços do Concelho, na Amadora, com a sua presença.

Faleceu aos 86 anos de idade, em Florença, cidade onde então residia.

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