
Originário de uma família burguesa mas em parte arruinada, começou os seus estudos na cidade natal, sem frequentar a escola corânica, prosseguindo-os depois em Oujda e em Marrocos.
Após a morte do pai em 1931 começou a escrever e também a pintar. O encontro com um professor francês, que viria a ser seu sogro, incentivou-o a seguir a carreira literária. De 1938 a 1940 tornou-se também professor, ensinando numa escola perto da fronteira marroquina. No cumprimento do serviço militar, foi contabilista, requisitado pelos serviços civis de engenharia e, finalmente em 1943/1944 intérprete franco - inglês junto dos exércitos aliados na Argélia.
De volta a Tlemcen em 1945, ocupou-se durante dois anos em desenhar maquetas de tapetes, realizados e vendidos seguidamente sob o seu controlo. Publicou um primeiro poema em 1946 na revista Suiça “Les Lettres”. Num encontro organizado em 1948 pelos “Movimentos de Juventude e de Educação Popular” conheceu vários escritores franceses, entre os quais Albert Camus. De 1950 a 1952 trabalhou no jornal progressista “Alger républicain”, publicando reportagens, artigos políticos e crónicas sobre teatro. Escreveu igualmente para “Liberté”, jornal do Partido comunista argelino. Mohammed Dib lia muito, sobretudo clássicos franceses, escritores americanos e romancistas soviéticos e italianos.
Em 1952 fez uma estadia em França onde publicou “La Grande Maison”, primeiro volume da trilogia “Argélia”, inspirada pela sua terra natal e descrevendo a atmosfera do mundo rural. Os dois volumes seguintes (“L'Incendie” et “Le Métier à tisser”) apareceram nos escaparates em 1954, ano em que começou a guerra de libertação.
Em “Un Été Africain”, Mohammed abordou já explicitamente a guerra pela independência e foi expulso da Argélia pela polícia colonial em virtude das suas “actividades militantes”. Os escritores franceses André Malraux e Albert Camus intervieram para que ele se instalasse em França. Assim aconteceu, indo morar no Sul, em casa dos sogros. Efectuou então várias viagens a países do Leste e a Marrocos.
Em 1964 mudou-se para a região parisiense, continuando sempre a escrever e a publicar, privilegiando temas como a condição humana, a feminilidade e a morte. Iniciou uma nova trilogia sobre a “Algéria de hoje”.
Nos anos setenta foi ensinar na Universidade da Califórnia o que virá a inspirar um romance publicado em 2003. Deslocou-se várias vezes à Finlândia, onde colaborou na tradução de escritores finlandeses. Estas estadias inspiraram-lhe a “Trilogia Nórdica” publicada em 1989. Fez parte de júris literários nos Estados Unidos e publicou em 1975 a recolha de poemas “Omneros ”.
Nos anos oitenta foi professor no “Centro Internacional de Estudos Francófonos” na Sorbonne.
Mohammed Dib recebeu inúmeros prémios, entre os quais o "Grande Prémio da Francofonia" da "Academia Francesa", atribuído pela primeira vez a um escritor do Magreb. Morreu aos 82 anos.
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