
Considerada pioneira do Feminismo no Brasil, foi provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços público e privado, publicando textos em jornais, na época em que a Imprensa ainda dava os passos iniciais. Escreveu vários livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.
Era filha de um português (Dionísio Gonçalves Pinto) e de uma brasileira (Antônia Clara Freire). O pai foi assassinado no Recife, para onde a família se tinha mudado. Em 1831, Nísia iniciou-se na Literatura, publicando num jornal pernambucano vários artigos sobre a Condição Feminina.
O seu primeiro livro, o primeiro no Brasil a tratar dos direitos das mulheres à instrução e ao trabalho, foi “Direitos das mulheres e injustiça dos homens”. Se bem que inspirado num livro da feminista inglesa Mary Wollstonecraft, Nísia não fez uma simples tradução, utilizando o texto para introduzir as suas próprias reflexões sobre a realidade brasileira. Seguiram-se outros, como: “Conselhos a minha filha” (1842) e “A Mulher” (1859), nos quais destacava sempre a importância da Educação Feminina, tanto para a Mulher como para a Sociedade.
Dirigiu um colégio feminino no Rio Grande do Sul, para onde se tinha mudado após enviuvar. A Guerra dos Farrapos mudou-lhe os planos e ela resolveu fixar-se no Rio de Janeiro, onde fundou e dirigiu os colégios Brasil e Augusto, notáveis pelo alto nível do seu ensino.
Em 1849, por recomendação médica, levou a filha gravemente doente para a Europa, ficando a morar em Paris. Foi ali que publicou “Opúsculo Humanitário” (1853), uma série de artigos sobre a emancipação feminina, que foi merecedor de uma apreciação favorável de Auguste Comte, pai do Positivismo.
Esteve no Brasil entre 1872 e 1875, em plena campanha abolicionista liderada por Joaquim Nabuco, mas quase nada se sabe sobre a sua vida nesse período. Voltou para a Europa em 1875 e, três anos depois, publicou o seu último trabalho.
No seu livro “Patronos e Académicos”, referente às personalidades da Academia Norte-Riograndense de Letras, Veríssimo de Melo considerou-a «a mais notável mulher da História do Rio Grande do Norte».
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