
Bem cedo se mudou para o Rio de Janeiro, licenciando-se em Direito e Letras na Universidade Federal. Colaborava então em jornais cariocas como o “Correio da Manhã” e a “Imprensa Popular”. Participou activamente na “Comissão Feminina de Intercâmbio e Amizade” e na “Liga de Defesa Nacional Contra o Fascismo”.
Entre os anos de 1944 e 1947, trabalhou nos periódicos “O Momento” e “Seiva”, ambos editados em Salvador, para onde se havia mudado. Foi militante do Partido Comunista Brasileiro durante mais de 50 anos, a sua ficha de inscrição tendo sido assinada pelo dirigente Carlos Mariguella (1945). Foi co-fundadora do periódico “Movimento Feminino” (1947/1957), editado durante dez anos e que servia de instrumento de divulgação das lutas e conquistas das mulheres brasileiras.
Grande activista do Movimento de Mulheres, foi fundadora da União Democrática de Mulheres da Bahia. De 1959 a 1963, foi cronista em várias revistas e na Rádio Mayrink Veiga. No ano seguinte, assumiu o cargo de redactora da revista “Mulheres do Mundo Inteiro”, órgão da Federação Democrática Internacional de Mulheres, editada também em francês, alemão, espanhol, árabe, inglês e russo. Assinava os seus artigos com o pseudónimo Ana Montenegro, nome que adoptou depois definitivamente.
Com a ascensão do regime militar e da ditadura, foi a primeira mulher a ser exilada (1964), tendo ficado fora do país durante mais de quinze anos, afastada do seu lar e da sua família. Esteve no México, partindo depois para a Europa. Só voltou ao seu país em 1979, voltando a residir em Salvador.
Trabalhou, durante o exílio, em organismos internacionais, como a ONU e a UNESCO, tendo participado em congressos, conferências e seminários pelo mundo fora.
Aos 90 anos, Ana Montenegro ainda afirmava «que a sua luta continuava, pelo pão, pela terra e pelo trabalho, sendo que um país que tem isto tem a liberdade também». Repetia muitas vezes que «respeitar o povo é respeitar as suas necessidades». Além do activismo em defesa da mulher, lutou também durante muitos anos contra o racismo, com um importante trabalho junto da população negra. Escreveu, além de inúmeros artigos e ensaios, diversas obras de entre as quais se salienta: “Ser ou não ser feminista”, “Mulheres - Participação nas lutas populares”, “Uma história de lutas” e “Tempo de exílio”.
Foi assessora da Ordem dos Advogados do Brasil, na secção Baiana, onde actuava na defesa dos Direitos Humanos, e do Fórum de Mulheres de Salvador.
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