sexta-feira, 24 de julho de 2026

24 DE JULHO - JUN’ICHIRŌ TANIZAKI

EFEMÉRIDE - Jun'ichirō Tanizaki, escritor japonês e um dos maiores autores da literatura japonesa moderna, nasceu em Nihonbashi no dia 24 de Julho de 1886. Morreu em   Yugawara, em 30 de Julho de 1965.

Com influências de Edgar Allan Poe, o autor começou a escrever muito cedo. A Tanbiha, escola na qual participou, valorizava a «arte e beleza acima de tudo», contra o objectivismo da época. Algumas das suas obras possuem forte carácter sexual e erótico. Outras mostram a subtileza dos dramas familiares em comparação com as rápidas mudanças na sociedade japonesa no século XX. É costume ler nos seus livros uma busca por uma identidade cultural na qual as culturas ocidental e oriental são justapostas.

Tanizaki nasceu no distrito de Nihonbashi, em Tóquio, em 1886, numa família próspera de mercadores. O seu tio era dono de uma gráfica, aberta antes pelo seu avô. Os seus pais eram Gorō e Seki Tanizaki. O seu irmão mais velho, Kumakichi, morreu apenas três dias depois no nascimento, o que tornou Tanizaki o filho mais velho. Ele tinha três irmãos mais novos: Tokuzō, Seiji (também escritor) e Shūhei, e três irmãs mais novas, En, Ise e Sue.

Parte da sua infância foi contada no seu livro “Childhood Years”, como a destruição da casa da família no terremoto de 1894, em Tóquio, ao qual o autor atribuía o seu pavor de tremores. A qualidade de vida da família caiu muito depois disso e quando ficou mais velho ele se viu forçado a trabalhar como tutor numa casa de família.

Apesar dos problemas financeiros da família, Tanizaki conseguiu completar os seus estudos básicos, onde acabou conhecendo o poeta e dramaturgo Isamu Yoshii. Tanizaki ingressou no curso de literatura na Universidade Imperial de Tóquio em 1908, até ser forçado a largar os estudos em 1911 por não ter dinheiro para pagar as mensalidades.

A sua carreira literária começou em 1909. OI seu primeiro trabalho foi uma peça de apenas um acto, publicada numa revista literária que ele mesmo ajudou a fundar. O seu nome se tornaria conhecido com a publicação do conto “Shisei” (“O tatuador”), em 1910. No conto, um tatuador desenha uma enorme aranha no corpo de uma jovem e logo em seguida ela se torna demoníaca, sedenta de poder, num enredo onde o erotismo é combinado com sadomasoquismo. Tanizaki utilizou muito o estereótipo da femme fatale em vários dos seus primeiros trabalhos, como em “Kirin” (1910), “Shonen” (“A criança", 1911), “Himitsu” (“O Segredo”, 1911) e “Akuma” (“Demónio”, 1912). Outros trabalhos publicados no período Taishō incluem “Shindo” (1916) e “Oni no men” (1916), e são praticamente autobiográficos.

Tanizaki casou-se com a sua primeira esposa, Chiyo Ishikawa, em 1915, com quem teve uma filha, Ayuko, em 1916. Mas era um casamento infeliz e após um tempo, ele encorajou Chiyo a se relacionar com seu amigo, o escritor Haruo Satō. O estresse de tal situação foi reflectido nos seus trabalhos, como a peça “Aisureba koso” (“Porque eu a amava”, 1921) e no livro “Kami to hito no aida” (“Entre homens e deuses”, 1924). Tanizaki se casaria mais duas vezes depois de se separar de Chiyo. Com a terceira esposa, Matsuko Morita, ele teve uma segunda filha, Emiko.

Em 1918, Tanizaki viajou pela Coreia, na época dominada pelo Japão, pelo norte da China e pela Manchúria.  Nos seus primeiros anos, ele se apaixonou pelo Ocidente e por todas as coisas modernas. Em 1922, ele mudou-se de Odawara, em Kanagawa, onde morava desde 1919, para Yokohama, onde o estilo ocidental era mais popular, principalmente na arquitectura, onde Tanizaki levou uma vida boémia, facto que acabou reflectido em suas obras do período.

Tanizaki teve uma breve carreira no cinema mudo, trabalhando como guionista do estúdio Taikatsu. Era um apoiante do movimento que pedia por uma maior modernização do cinema japonês e foi essencial para tal movimento no país. Alguns de filmes roteirizados por Tanizaki foram “Amateur Club” (1922) e “A Serpent’s Lust” (1923).

A sua reputação descolou em 1923. Tanizaki mudou-se para Quioto, em 1923, após o grande terremoto naquele mesmo ano, que destruiu a sua casa em Yokohama. Tanizaki não se feriu, pois estava num ónibus no momento do tremor. A perda de prédios históricos e monumentos antigos fez com que muitos artistas da época, que valorizavam a cultura ocidental, a se voltar para a cultura japonesa, em especial a cultura da região de Kansai, onde ficam as cidades de Osaka, Kobe e Quioto.

O seu primeiro livro após o terremoto foi o seu livro mais bem-sucedido, “Chijin” (“Naomi”, 1924/1925), onde o autor explora classes sociais, obsessão sexual identidade cultural. Tanizaki fez outra viagem à China, em 1926, onde conheceu Guo Moruo, com quem se correspondeu por um longo tempo. De volta ao Japão, ele mudou-se para Kove, em 1928.

De entre as suas principais obras estão “Amor insensato” (1924; “Companhia das Letras”, 2004), “Voragem” (1928; ““Há quem prefira urtigas” (1930; “A chave” (1956); e “Diário de um velho louco” (“Estação Liberdade”, 2002. É ainda autor do ensaio “Elogio da Sombra”. Tanizaki também traduziu para japonês autores ocidentais, como Stendhal e Oscar Wilde.

Após a Segunda Guerra Mundial, Tanizaki ganhou nova proeminência no meio literário do seu país ganhando vários prémios nesse período. Ganhou ainda mais prestígio após ganhar o Prémio Asahi, em 1949, e por ser agraciado com a Ordem da Cultura do governo japonês, em 1949. Em 1964, foi eleito membro honorário da American Academy of Arts and Letters, o primeiro escritor a japonês a ser homenageado pela academia.

Os personagens de Tanizaki são geralmente movidos por suas obsessões e desejos sexuais, como em um dos seus últimos livros, “Futen Rojin Nikki” (“Diário de um velho louco” 1961/1962). Tanizaki deliberadamente estabeleceu suas ideias sobre a estética japonesa em contraste com as do Ocidente, que ele caracterizou em termos de uma obsessão implacável com o progresso. No entanto, ele escondeu cuidadosamente as verdadeiras origens de seu pensamento, que na verdade estavam na onda da «contracultura» europeia que varreu o Japão a partir da virada do século XX.

Em 1958, Tanizaki sofreu uma paralisia da mão direita e foi hospitalizado devido à angina, em 1960. Tanizaki falceu em 1965, aos 79 anos, após sofrer um infarto, um ano após ter sido eleito membro honorário da American Academy and Institute of Arts and Letters. Foi sepultado no templo Hōnen-in, em Quioto.

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