domingo, 27 de setembro de 2026

27 DE SETEMBRO - HASSAN NASRALLAH

EFEMÉRIDE - Sayyid Hassan Nasrallah, clérigo libanês e secretário-geral do partido político e grupo militante islamista xiita Hezbollah, morreu em Beirute, no dia 27 de Setembro de 2024. Nascera em Bourj Hammoud, em 28 de Novembro de 1959.

Nascido em uma família xiita nos subúrbios de Beirute, Nasrallah completou os seus estudos em Tiro, quando ingressou brevemente no Movimento Amal e posteriormente num seminário xiita em Balbeque. Ele, mais tarde, estudou e leccionou numa escola do Amal. Nasrallah juntou-se ao Hezbollah, que foi formado para combater a invasão israelita e do Líbano em 1982. Após um breve período de estudos religiosos no Irão, Nasrallah retornou ao Líbano e tornou-se o líder do Hezbollah depois do seu antecessor ser assassinado por um ataque aéreo israelita em 1992.

Sob a liderança de Nasrallah, o Hezbollah adquiriu foguetes de longo alcance, o que permitiu ao grupo atacar o Norte de Israel. Depois de dezoito anos de ocupação do sul do Líbano, Israel retirou as suas forças da região em 2000, o que aumentou consideravelmente a popularidade do Hezbollah na região e fortaleceu a sua posição dentro do Líbano. No entanto, o papel do Hezbollah em emboscar uma patrulha de fronteira israelita antes da Guerra do Líbano de 2006:  foi alvo de críticas locais e regionais. Durante a guerra civil síria, o Hezbollah lutou ao lado do exército sírio contra o que Nasrallah chamou de «extremistas islamistas». Sob a sua liderança, o Hezbollah enfrentou críticas por seu suposto envolvimento no assassinato do primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, em 2005, e na explosão do porto de Beirute em 2020. Após o ataque do Hamas a Israel em 7 de Outubro de 2023, ele optou por se envolver no conflito, iniciando ataques a Israel, o que resultou num conflito entre Israel e o Hezbollah, impactando ambos os lados da fronteira.

Em 27 de Setembro de 2024, as Forças de Defesa de Israel anunciaram que a sua força aérea havia atingido a sede principal do Hezbollah em Beirute, com o objectivo de assassinar Nasrallah. O Hezbollah confirmou a sua morte no dia seguinte.

Nasrallah é o primogénito de uma família com nove filhos e nasceu num dos bairros pobres no leste de Beirute. Apesar de sua família não ser considerada religiosa, segundo os padrões libaneses, interessou-se ainda na sua juventude pelos estudos de Teologia e da Literatura Islâmica.

Em 1975, a guerra civil no Líbano forçou Nasrallah e a sua família a voltar ao Sul do Líbano para a casa dos pais, onde tinham vivido antes do nascimento do primogénito Nasrallah, em Al Bazuriyah.

Neste período, estudou num colégio público na cidade de Tiro e começou a ter contacto com o partido Amal do imã Musa al-Sadr, visitando constantemente a mesquita central da cidade. O imã Al Yiraui impressionou-se com a inteligência e o interesse nos estudos teológicos de Nasrallah, recomendando-o perante Moqtada al-Sadr em Najaf no Iraque. Após um ano, Nasrallah chegou ao Iraque. Moqtada al-Sadr deixou-o aos cuidados de Xeque Abbas al-Musawi, do Vale do Beqaa. Al-Musawi foi a pessoa de maior influência sobre Nasrallah.

Enquanto por um lado Musa al-Sadr reconhecia a necessidade de reformas e a legitimidade do Líbano, Musawi e outros imãs radicais negaram-se a reconhecer o Líbano segundo os seus limites geográficos.

Em 1978, centenas de estudantes e professores foram forçados a sair do Iraque.

A sua volta ao Líbano ocorreu no mesmo período do desaparecimento de Musa al-Sadr, quando estava de passagem pela Líbia, o que favoreceu o aparecimento de Nabih Berri como um novo líder do Movimento Amal.

Nabih Berri, advogado, tinha fortes ligações com a Síria. Sob a sua liderança, o Movimento pró-marxista se tornou inimigo de diversos xiitas, que conservaram os fundamentos de al-Sadr.

O enfraquecimento de Amal permitiu que aqueles que tinham sido expulsos de Najaf disseminassem ideias militantes activistas dos xiitas. Nasrallah começou a estudar e ensinar nos centros religiosos de Balbeque.

Sob a liderança de Musawi, Nasrallah passou do Movimento de esquerda a uma nova organização que surgiu em 1982 quando o exército de Israel entrou no Líbano. Esta nova organização foi formada por centenas de oficiais da Guarda Revolucionária do Irão que tinham como objectivo fundar uma República Islâmica no Líbano e ao mesmo tempo “Jihad” contra as forças israelitas.

A ajuda financeira e religiosa-ideológica assim como a organização veio do Irão. Em 1985, o Hezbollah publicou oficialmente que o objectivo desta Organização é lutar contra as Forças Israelitas no Líbano.

Em 1987, Nasrallah comandou as forças que conseguiram afastar Amal. A intervenção da Síria forçou as milícias a pararem de lutar e Nasrallah retornou ao Irão para concluir os estudos teológicos.

Em 1989, Hezbollah e Amal se confrontaram novamente, Nasrallah retornou ao Líbano liderando o confronto contra Amal. Em 1990, Nasrallah criou um exército.

Nos fins de 1990, a Síria invadiu o Líbano e o Hezbollah foi o único grupo que recebeu permissão de manter as armas e até se expandir mais ainda no sul do Líbano com a condição que todas as decisões fossem tomadas em acordo com Damasco.

Em 1992, Israel aniquilou Musawi, e Nasrallah passou a ocupar o cargo de Secretário Geral do Hezbollah.

No ano 2000, Israel saiu do Líbano e em grandes partes do mundo árabe e islâmico a interpretação foi que graças à persistência de Nasrallah, a ocupação israelita foi combatida e Israel era um inimigo com forças equivalentes.

Em 2004, Hezbollah e Israel negociaram troca de prisioneiros. o Hezbollah conseguiu libertar centenas de prisioneiros palestinos e libaneses em troca dos corpos de 3 soldados que haviam sido sequestrados e do cidadão Tenembaum. Novamente os discípulos e admiradores de Nasrallah o viam como vencedor que conseguia humilhar Israel.

Em 2006, novamente foram sequestrados dois soldados israelitas pelo Hezbollah. Quatro soldados israelitas, que intentaram recuperar os dois soldados sequestrados, foram mortos dentro de um tanque. Um outro soldado foi assassinado ao se aproximar do tanque para retirar os corpos para o enterro, como é comum no exército israelita. Israel iniciou a “Operação Mudança de Direcção”.

Em 2011, enquanto uma violenta guerra civil varria a Síria, um dos principais aliados do Hezbollah no Oriente Médio, Hassan Nasrallah decidiu enviar centenas de guerrilheiros de sua milícia para o território sírio para lutarem ao lado das forças do governo do presidente Bashar al-Assad.

Nasrallah prosseguiu, na década de 2010, instigando o Líbano contra Israel, país que chamou de «cancro”.

Nasrallah era casado com Fatimah Yasin e tiveram quatro filhos: Muhammad Javed, Zainab, Muhammad Ali e Muhammad Mahdi.

Na noite de 12 de Setembro de 1997, quatro combatentes do Hezbollah foram mortos numa emboscada israelita perto de Mlikh. Um dos mortos era Muhammad Hadi, de 18 anos, o filho mais velho de Nasrallah. Cinco soldados libaneses e uma mulher foram mortos num ataque aéreo simultâneo a norte da zona de segurança. Os ataques foram vistos como uma resposta à operação realizada uma semana antes, em que doze comandos israelitas foram mortos. Ao receber a notícia da morte do seu filho, Nasrallah terá dito: «Estou orgulhoso de ser o pai de um dos mártires».

De acordo com os meios de comunicação social da oposição síria, Nasrallah era cunhado do comandante do Hezbollah Wissam al-Tawil, que foi morto num ataque aéreo israelita em Janeiro de 2024.

Em 25 de Maio de 2024, a imprensa do Hezbollah declarou que a mãe de Nasrallah, Hajja Umm Hassan, tinha morrido. Em 27 de Setembro de 2024, a sua filha Zainab foi morta por um ataque aéreo israelita.

Em 27 de Setembro de 2024, a Força Aérea Israelita lançou um ataque aéreo contra o quartel-general do Hezbollah em Beirute, alegadamente visando Nasrallah. Pelo menos seis pessoas morreram e mais de 90 ficaram feridas na sequência do ataque, havendo vários desaparecidos.

Na manhã de 28 de Setembro de 2024, as Forças de Defesa de Israel declararam que Nasrallah tinha morrido no ataque. Horas depois, o Hezbollah e as autoridades libanesas confirmaram a morte.

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