Nascido
em uma família xiita nos subúrbios de Beirute, Nasrallah completou os seus
estudos em Tiro, quando ingressou brevemente no Movimento Amal e
posteriormente num seminário xiita em Balbeque. Ele, mais tarde, estudou e leccionou
numa escola do Amal. Nasrallah juntou-se ao Hezbollah, que foi formado para
combater a invasão israelita e do Líbano em 1982. Após um breve período de
estudos religiosos no Irão, Nasrallah retornou ao Líbano e tornou-se o líder do
Hezbollah depois do seu antecessor ser assassinado por um ataque aéreo
israelita em 1992.
Sob
a liderança de Nasrallah, o Hezbollah adquiriu foguetes de longo
alcance, o que permitiu ao grupo atacar o Norte de Israel. Depois de dezoito
anos de ocupação do sul do Líbano, Israel retirou as suas forças da região em
2000, o que aumentou consideravelmente a popularidade do Hezbollah na
região e fortaleceu a sua posição dentro do Líbano. No entanto, o papel do Hezbollah
em emboscar uma patrulha de fronteira israelita antes da Guerra do Líbano de
2006: foi alvo de críticas locais e
regionais. Durante a guerra civil síria, o Hezbollah lutou ao lado do
exército sírio contra o que Nasrallah chamou de «extremistas islamistas».
Sob a sua liderança, o Hezbollah enfrentou críticas por seu suposto
envolvimento no assassinato do primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, em 2005,
e na explosão do porto de Beirute em 2020. Após o ataque do Hamas a Israel em 7
de Outubro de 2023, ele optou por se envolver no conflito, iniciando ataques a
Israel, o que resultou num conflito entre Israel e o Hezbollah,
impactando ambos os lados da fronteira.
Em
27 de Setembro de 2024, as Forças de Defesa de Israel anunciaram que a sua
força aérea havia atingido a sede principal do Hezbollah em Beirute, com
o objectivo de assassinar Nasrallah. O Hezbollah confirmou a sua morte
no dia seguinte.
Nasrallah
é o primogénito de uma família com nove filhos e nasceu num dos bairros pobres
no leste de Beirute. Apesar de sua família não ser considerada religiosa,
segundo os padrões libaneses, interessou-se ainda na sua juventude pelos
estudos de Teologia e da Literatura Islâmica.
Em
1975, a guerra civil no Líbano forçou Nasrallah e a sua família a voltar ao Sul
do Líbano para a casa dos pais, onde tinham vivido antes do nascimento do
primogénito Nasrallah, em Al Bazuriyah.
Neste
período, estudou num colégio público na cidade de Tiro e começou a ter contacto
com o partido Amal do imã Musa al-Sadr, visitando constantemente a
mesquita central da cidade. O imã Al Yiraui impressionou-se com a inteligência
e o interesse nos estudos teológicos de Nasrallah, recomendando-o perante
Moqtada al-Sadr em Najaf no Iraque. Após um ano, Nasrallah chegou ao Iraque.
Moqtada al-Sadr deixou-o aos cuidados de Xeque Abbas al-Musawi, do Vale do
Beqaa. Al-Musawi foi a pessoa de maior influência sobre Nasrallah.
Enquanto
por um lado Musa al-Sadr reconhecia a necessidade de reformas e a legitimidade
do Líbano, Musawi e outros imãs radicais negaram-se a reconhecer o Líbano
segundo os seus limites geográficos.
Em
1978, centenas de estudantes e professores foram forçados a sair do Iraque.
A
sua volta ao Líbano ocorreu no mesmo período do desaparecimento de Musa
al-Sadr, quando estava de passagem pela Líbia, o que favoreceu o aparecimento
de Nabih Berri como um novo líder do Movimento Amal.
Nabih
Berri, advogado, tinha fortes ligações com a Síria. Sob a sua liderança, o Movimento
pró-marxista se tornou inimigo de diversos xiitas, que conservaram os
fundamentos de al-Sadr.
O
enfraquecimento de Amal permitiu que aqueles que tinham sido expulsos de
Najaf disseminassem ideias militantes activistas dos xiitas. Nasrallah
começou a estudar e ensinar nos centros religiosos de Balbeque.
Sob
a liderança de Musawi, Nasrallah passou do Movimento de esquerda a uma
nova organização que surgiu em 1982 quando o exército de Israel entrou no
Líbano. Esta nova organização foi formada por centenas de oficiais da Guarda
Revolucionária do Irão que tinham como objectivo fundar uma República
Islâmica no Líbano e ao mesmo tempo “Jihad” contra as forças israelitas.
A
ajuda financeira e religiosa-ideológica assim como a organização veio do Irão.
Em 1985, o Hezbollah publicou oficialmente que o objectivo desta Organização
é lutar contra as Forças Israelitas no Líbano.
Em
1987, Nasrallah comandou as forças que conseguiram afastar Amal. A
intervenção da Síria forçou as milícias a pararem de lutar e Nasrallah retornou
ao Irão para concluir os estudos teológicos.
Em
1989, Hezbollah e Amal se confrontaram novamente, Nasrallah
retornou ao Líbano liderando o confronto contra Amal. Em 1990, Nasrallah
criou um exército.
Nos
fins de 1990, a Síria invadiu o Líbano e o Hezbollah foi o único grupo
que recebeu permissão de manter as armas e até se expandir mais ainda no sul do
Líbano com a condição que todas as decisões fossem tomadas em acordo com
Damasco.
Em
1992, Israel aniquilou Musawi, e Nasrallah passou a ocupar o cargo de Secretário
Geral do Hezbollah.
No
ano 2000, Israel saiu do Líbano e em grandes partes do mundo árabe e islâmico a
interpretação foi que graças à persistência de Nasrallah, a ocupação israelita
foi combatida e Israel era um inimigo com forças equivalentes.
Em
2004, Hezbollah e Israel negociaram troca de prisioneiros. o Hezbollah
conseguiu libertar centenas de prisioneiros palestinos e libaneses em troca dos
corpos de 3 soldados que haviam sido sequestrados e do cidadão Tenembaum.
Novamente os discípulos e admiradores de Nasrallah o viam como vencedor que
conseguia humilhar Israel.
Em
2006, novamente foram sequestrados dois soldados israelitas pelo Hezbollah.
Quatro soldados israelitas, que intentaram recuperar os dois soldados
sequestrados, foram mortos dentro de um tanque. Um outro soldado foi
assassinado ao se aproximar do tanque para retirar os corpos para o enterro,
como é comum no exército israelita. Israel iniciou a “Operação Mudança de
Direcção”.
Em
2011, enquanto uma violenta guerra civil varria a Síria, um dos principais
aliados do Hezbollah no Oriente Médio, Hassan Nasrallah decidiu enviar
centenas de guerrilheiros de sua milícia para o território sírio para lutarem
ao lado das forças do governo do presidente Bashar al-Assad.
Nasrallah
prosseguiu, na década de 2010, instigando o Líbano contra Israel, país
que chamou de «cancro”.
Nasrallah
era casado com Fatimah Yasin e tiveram quatro filhos: Muhammad Javed, Zainab,
Muhammad Ali e Muhammad Mahdi.
Na
noite de 12 de Setembro de 1997, quatro combatentes do Hezbollah foram
mortos numa emboscada israelita perto de Mlikh. Um dos mortos era Muhammad
Hadi, de 18 anos, o filho mais velho de Nasrallah. Cinco soldados libaneses e
uma mulher foram mortos num ataque aéreo simultâneo a norte da zona de
segurança. Os ataques foram vistos como uma resposta à operação realizada uma
semana antes, em que doze comandos israelitas foram mortos. Ao receber a
notícia da morte do seu filho, Nasrallah terá dito: «Estou orgulhoso de ser
o pai de um dos mártires».
De
acordo com os meios de comunicação social da oposição síria, Nasrallah era
cunhado do comandante do Hezbollah Wissam al-Tawil, que foi morto num
ataque aéreo israelita em Janeiro de 2024.
Em
25 de Maio de 2024, a imprensa do Hezbollah declarou que a mãe de
Nasrallah, Hajja Umm Hassan, tinha morrido. Em 27 de Setembro de 2024, a sua
filha Zainab foi morta por um ataque aéreo israelita.
Em
27 de Setembro de 2024, a Força Aérea Israelita lançou um ataque aéreo
contra o quartel-general do Hezbollah em Beirute, alegadamente visando
Nasrallah. Pelo menos seis pessoas morreram e mais de 90 ficaram feridas na
sequência do ataque, havendo vários desaparecidos.
Na
manhã de 28 de Setembro de 2024, as Forças de Defesa de Israel
declararam que Nasrallah tinha morrido no ataque. Horas depois, o Hezbollah
e as autoridades libanesas confirmaram a morte.

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