O
seu livro “Nada de Novo no Front” (1928), baseado nas suas experiências
no Exército Imperial Alemão, durante a Primeira Guerra Mundial,
tornou-se um sucesso de vendas em vários países, inaugurando um novo género
literário. Foi adaptado várias vezes para o cinema. A temática antiguerra de
Remarque levou o livro a ser considerado «antipatriótico» pelo ministro
da propaganda nazi, Joseph Goebbels. O sucesso da sua obra possibilitou que ele
se mudasse para a Suíça e depois para os EUA, onde se tornou cidadão
naturalizado.
Remarque
nasceu em 1898, na antiga Prússia. Era filho de Peter Franz Remark e de Anna
Maria Stallknecht, uma família católica da classe trabalhadora. Nunca foi
próximo de seu pai, um encadernador, mas era próximo de sua mãe e começou a
usar o nome do meio Maria após a Primeira Guerra Mundial em sua
homenagem.
Remarque
foi o terceiro dos quatro filhos de Peter e Anna. Os seus irmãos eram: sua irmã
mais velha Erna, o irmão mais velho Theodor Arthur (que morreu aos cinco ou
seis anos) e a irmã mais nova Elfriede.
A
pronúncia do seu sobrenome mudou para Remarque quando o seu livro “Nada de
novo no Front” foi publicado em homenagem a seus ancestrais franceses e de
maneira a dissociar o seu nome de seu primeiro livro “Die Traumbude”.
O
seu avô mudou a grafia de Remarque para Remark no século XIX. Seus ancestrais
franceses incluíam o seu bisavô Johann Adam Remarque, nascido em 1789, o que
contraria a falsa propaganda nazi de que seu sobrenome original era Kramer
(Remark de trás para frente) e de que ele seria judeu.
Durante
a Primeira Guerra Mundial, Remarque foi convocado para servir no Exército
Imperial Alemão, com apenas 18 anos. Em 12 de Junho de 1917, foi
transferido para o Fronte Ocidental, 2ª Companhia de Reservistas,
depósito de campo da 2ª Divisão de Guardas de Reserva, em Hem-Lenglet.
Em 26 de Junho de 1917, foi alocado no 15º Regimento de Infantaria Reserva
da 2ª Companhia, e lutou nas trincheiras entre Torhout e Houthulst. Em
31 de Julho de 1917, foi ferido por estilhaços de granada na perna esquerda,
braço direito e pescoço e, após ser evacuado clinicamente do campo, foi
repatriado para um hospital do exército na Alemanha, onde recuperou dos
ferimentos.
Em
Outubro de 1918, foi chamado de volta ao serviço militar, mas o armistício da
guerra um mês depois pôs fim à sua carreira militar.
Após
a guerra, continuou os estudos para professor e trabalhou a partir de 1 de Agosto
de 1919 como professor de escola primária em Lohne, na época no condado de
Lingen, agora no condado de Bentheim. A partir de Maio de 1920, trabalhou em
Klein Berssen no antigo condado de Hümmling, agora Emsland, e a partir de Agosto
de 1920 em Nahne, que faz parte de Osnabrück desde 1972. Em 20 de Novembro de
1920, pediu licença da carreira.
Trabalhou
em vários empregos diferentes nesta fase da sua vida, incluindo bibliotecário,
empresário, jornalista e editor. O seu primeiro trabalho remunerado como redactor
foi como redactor técnico da Continental Rubber Company, uma fabricante
alemã de pneus.
Remarque
fez as suas primeiras tentativas de escrever aos 16 anos. Entre elas estavam
ensaios, poemas e o início de um romance que foi concluído posteriormente e
publicado em 1920 como “The Dream Room” (em alemão “Die Traumbude”).
Entre 1923 e 1926, ele também escreveu uma série de quadrinhos, “Der
Contibuben”, desenhado por Hermann Schütz, publicado na revista “Echo
Continental”, publicação da empresa de borracha e pneus Continental&AG.
Depois
de voltar da guerra, as atrocidades dos conflitos, juntamente com a morte de
sua mãe, causaram-lhe muitos traumas mentais e sofrimento.
Anos
depois, como escritor profissional, passou a usar “Maria” como nome do
meio em vez de “Paul”, para homenagear a sua mãe. Ao publicar “Nada de novo
na Frente Ocidental”, ele teve o seu sobrenome revertido para uma grafia
anterior de Remark para Remarque para dissociar-se de do seu primeiro romance.
Em
1929, publicou o seu trabalho mais famoso “Im Westen nichts Neues” (“A
oeste nada de novo” em Portugal). Escreveu mais alguns livros de
conteúdo semelhante, numa linguagem simples e emotiva, que descrevia a guerra e
o pós-guerra.
Em
1933, os nazis baniram e queimaram os seus livros. A propaganda do partido
afirmava que ele era descendente de judeus franceses, e que o seu verdadeiro
nome era Kramer (o seu nome original lido de trás para a frente).
Viajou
para a Suíça, em 1931 e, em 1939, emigrou para os EUA, com a sua primeira
esposa, Ilsa Jeanne Zamboui, com quem se casou e divorciou duas vezes.
Tornaram-se cidadãos estadunidenses em 1947. Por fim, casou com a actriz
Paulette Goddard, em 1958, e permaneceram casados até à data da sua morte em
1970, na Suíça.
A
obra “Die Nacht von Lissabon” (1963) é um livro autobiográfico, pois
acompanha a vida de um casal que busca fugir das forças nazis, e se passa em
grande parte nos países em que Erich Maria Remarque viveu pessoalmente, com a
sua primeira mulher, até se exilar nos Estados Unidos. O livro se baseia apenas
parcialmente em factos da sua vida, mas mostra um profundo conhecimento sobre
formas de sobrevivência em campos de concentração, em pequenos hotéis, viagens
de trem, adoptadas por emigrantes em sua constante fuga do regime nazi, como
também de adopção de identidade alheia, através de falsificação de passaportes
e vistos de viagem, até à saída da Europa por Lisboa. A fuga por Lisboa vem a
ser o tema central dessa novela, que alia o enredo de acção a fortes
características humanistas e psicológicas e de ataque ao brutal regime nazi.
Remarque
faleceu em 1970, aos 72 anos, em Locarno, na Suíça, devido a uma insuficiência
cardíaca. Ele foi sepultado no Cemitério Ronco, em Ticino, na Suíça.

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