segunda-feira, 22 de junho de 2026

22 DE JUNHO - ERICH MARIA REMARQUE

EFEMÉRIDE - Erich Maria Remarque, pseudónimo de Erich Paul Remark, escritor, dramaturgo e guionista alemão, nasceu em Osnabrück no dia 22 de Junho de 1898. Morreu em Locarno, em 25 de Setembro de 1970.

O seu livro “Nada de Novo no Front” (1928), baseado nas suas experiências no Exército Imperial Alemão, durante a Primeira Guerra Mundial, tornou-se um sucesso de vendas em vários países, inaugurando um novo género literário. Foi adaptado várias vezes para o cinema. A temática antiguerra de Remarque levou o livro a ser considerado «antipatriótico» pelo ministro da propaganda nazi, Joseph Goebbels. O sucesso da sua obra possibilitou que ele se mudasse para a Suíça e depois para os EUA, onde se tornou cidadão naturalizado.

Remarque nasceu em 1898, na antiga Prússia. Era filho de Peter Franz Remark e de Anna Maria Stallknecht, uma família católica da classe trabalhadora. Nunca foi próximo de seu pai, um encadernador, mas era próximo de sua mãe e começou a usar o nome do meio Maria após a Primeira Guerra Mundial em sua homenagem.

Remarque foi o terceiro dos quatro filhos de Peter e Anna. Os seus irmãos eram: sua irmã mais velha Erna, o irmão mais velho Theodor Arthur (que morreu aos cinco ou seis anos) e a irmã mais nova Elfriede.

A pronúncia do seu sobrenome mudou para Remarque quando o seu livro “Nada de novo no Front” foi publicado em homenagem a seus ancestrais franceses e de maneira a dissociar o seu nome de seu primeiro livro “Die Traumbude”.

O seu avô mudou a grafia de Remarque para Remark no século XIX. Seus ancestrais franceses incluíam o seu bisavô Johann Adam Remarque, nascido em 1789, o que contraria a falsa propaganda nazi de que seu sobrenome original era Kramer (Remark de trás para frente) e de que ele seria judeu.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Remarque foi convocado para servir no Exército Imperial Alemão, com apenas 18 anos. Em 12 de Junho de 1917, foi transferido para o Fronte Ocidental, 2ª Companhia de Reservistas, depósito de campo da 2ª Divisão de Guardas de Reserva, em Hem-Lenglet. Em 26 de Junho de 1917, foi alocado no 15º Regimento de Infantaria Reserva da 2ª Companhia, e lutou nas trincheiras entre Torhout e Houthulst. Em 31 de Julho de 1917, foi ferido por estilhaços de granada na perna esquerda, braço direito e pescoço e, após ser evacuado clinicamente do campo, foi repatriado para um hospital do exército na Alemanha, onde recuperou dos ferimentos.

Em Outubro de 1918, foi chamado de volta ao serviço militar, mas o armistício da guerra um mês depois pôs fim à sua carreira militar.

Após a guerra, continuou os estudos para professor e trabalhou a partir de 1 de Agosto de 1919 como professor de escola primária em Lohne, na época no condado de Lingen, agora no condado de Bentheim. A partir de Maio de 1920, trabalhou em Klein Berssen no antigo condado de Hümmling, agora Emsland, e a partir de Agosto de 1920 em Nahne, que faz parte de Osnabrück desde 1972. Em 20 de Novembro de 1920, pediu licença da carreira.

Trabalhou em vários empregos diferentes nesta fase da sua vida, incluindo bibliotecário, empresário, jornalista e editor. O seu primeiro trabalho remunerado como redactor foi como redactor técnico da Continental Rubber Company, uma fabricante alemã de pneus.

Remarque fez as suas primeiras tentativas de escrever aos 16 anos. Entre elas estavam ensaios, poemas e o início de um romance que foi concluído posteriormente e publicado em 1920 como “The Dream Room” (em alemão “Die Traumbude”). Entre 1923 e 1926, ele também escreveu uma série de quadrinhos, “Der Contibuben”, desenhado por Hermann Schütz, publicado na revista “Echo Continental”, publicação da empresa de borracha e pneus Continental&AG.

Depois de voltar da guerra, as atrocidades dos conflitos, juntamente com a morte de sua mãe, causaram-lhe muitos traumas mentais e sofrimento.

Anos depois, como escritor profissional, passou a usar “Maria” como nome do meio em vez de “Paul”, para homenagear a sua mãe. Ao publicar “Nada de novo na Frente Ocidental”, ele teve o seu sobrenome revertido para uma grafia anterior de Remark para Remarque para dissociar-se de do seu primeiro romance.

Em 1929, publicou o seu trabalho mais famoso “Im Westen nichts Neues” (“A oeste nada de novo” em Portugal). Escreveu mais alguns livros de conteúdo semelhante, numa linguagem simples e emotiva, que descrevia a guerra e o pós-guerra.

Em 1933, os nazis baniram e queimaram os seus livros. A propaganda do partido afirmava que ele era descendente de judeus franceses, e que o seu verdadeiro nome era Kramer (o seu nome original lido de trás para a frente).

Viajou para a Suíça, em 1931 e, em 1939, emigrou para os EUA, com a sua primeira esposa, Ilsa Jeanne Zamboui, com quem se casou e divorciou duas vezes. Tornaram-se cidadãos estadunidenses em 1947. Por fim, casou com a actriz Paulette Goddard, em 1958, e permaneceram casados até à data da sua morte em 1970, na Suíça.

A obra “Die Nacht von Lissabon” (1963) é um livro autobiográfico, pois acompanha a vida de um casal que busca fugir das forças nazis, e se passa em grande parte nos países em que Erich Maria Remarque viveu pessoalmente, com a sua primeira mulher, até se exilar nos Estados Unidos. O livro se baseia apenas parcialmente em factos da sua vida, mas mostra um profundo conhecimento sobre formas de sobrevivência em campos de concentração, em pequenos hotéis, viagens de trem, adoptadas por emigrantes em sua constante fuga do regime nazi, como também de adopção de identidade alheia, através de falsificação de passaportes e vistos de viagem, até à saída da Europa por Lisboa. A fuga por Lisboa vem a ser o tema central dessa novela, que alia o enredo de acção a fortes características humanistas e psicológicas e de ataque ao brutal regime nazi.

Remarque faleceu em 1970, aos 72 anos, em Locarno, na Suíça, devido a uma insuficiência cardíaca. Ele foi sepultado no Cemitério Ronco, em Ticino, na Suíça.

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