quarta-feira, 5 de julho de 2017

5 DE JULHO - FRANCISCO JOSÉ FREIRE ("Cândido Lusitano")

EFEMÉRIDEFrancisco José Freire, que adoptou o pseudónimo de Cândido Lusitano, frade oratoriano que inspirou o movimento estético/literário da Arcádia Lusitana, morreu em Mafra no dia 5 de Julho de 1773. Nascera em Lisboa, em 3 de Janeiro de 1719.
Depois de concluir os estudos de humanidades no colégio de Santo Antão da Companhia de Jesus e na casa de S. Caetano dos clérigos Teatinos, esteve durante alguns anos como familiar em casa do cardeal patriarca de Lisboa, D. Thomás de Almeida. Por causas desconhecidas, resolveu deixar o serviço daquele prelado e juntou-se aos Congregados de S. Filipe Nery na casa do Espírito Santo de Lisboa (1751).
A sua obra “Arte Poética”, publicada em 1748, marcou em Portugal a afirmação da estética neoclássica, que ficaria conhecida na literatura portuguesa pelo nome de arcadismo.
A “Arte Poética” de Cândido Lusitano acabou por constituir o verdadeiro código estético dos árcades, o que fez dele uma das figuras mais influentes na introdução das ideias estéticas e da poética e retórica neoclássicas na literatura portuguesa.
Com fortes ligações ao humanismo da fase inicial do Renascimento Europeu, Cândido Lusitano era um defensor acérrimo dos cânones literários e estéticos da Antiguidade Clássica, tomando como modelos Aristóteles, Cícero, Horácio e Quintiliano. Em consequência, a sua obra centra-se na divulgação do pensamento estético/literário dos clássicos, através da sua tradução para a língua portuguesa, e na defesa de uma concepção da poesia como imitação da natureza, na esteira da “Poética” de Aristóteles.
Na mesma senda, Cândido Lusitano – seguindo intelectuais como Ludovico Antonio Muratori e Ignacio de Luzán – explorou as relações entre a fantasia e o entendimento na elaboração da obra poética, defendendo a visão aristotélica de uma arte em que estejam presentes o verosímil e uma relação equilibrada entre o útil e o deleitável e entre a natureza e o exercício.
Manteve uma acesa polémica contra o pensamento de Luís António Verney, expresso no “Verdadeiro Método de Estudar”, defendendo que é na proporção, na ordem e na unidade que consiste a beleza poética e que a fantasia e a imaginação eram a alma da poesia, embora devessem ser refreadas através da adopção de cânones que regulassem a relação entre a arte e o juízo. Neste contexto, e alinhando com as ideias de Nicolas Boileau, defendia o predomínio da lógica sobre a estética, afirmando que os antigos chamavam-lhe Juízo e isto é propriamente o bom gosto – é proceder com juízo e discernimento nas obras que compomos e também nas que lemos. Estas ideias assentam nos princípios da estética e filosofia platónica e augustiniana.
Seguindo o pensamento de Ludovico Antonio Muratori e os preceitos do neoclassicismo, Francisco José Freire introduziu na literatura de língua portuguesa a primeira definição canónica de bom gosto, negando a legitimidade da liberdade criativa do barroco defendida, entre outros, pelo filósofo Benito Jerónimo Feijoo.

terça-feira, 4 de julho de 2017

4 DE JULHO - GEORGE EVEREST

EFEMÉRIDEGeorge Everest, geógrafo, engenheiro cartógrafo e topógrafo britânico, nasceu em Gwernvale Manor, no País de Gales, em 4 de Julho de 1790. Morreu em Greenwich, Londres, no dia 1 de Dezembro de 1866.
Após estudar na Academia Militar, em Woolwish, onde se salientou na disciplina de Matemática, viajou para a Índia em 1806, como cadete de artilharia. Quando chegou, foi seleccionado por Thomas Stamford Raffles para participar no reconhecimento de Java.
Em 1818, começou a servir como assistente do coronel Lambton, que havia dado início às medições trigonométricas do subcontinente em 1806, no chamado Great Trigonometrical Survey (Grande Levantamento Topográfico da Índia). Depois da morte de Lambton em 1823, tornou-se perito superintendente e, a partir de 1830, foi nomeado perito geral da Índia (Surveyor-General of India), cargo que ocupou até 1843.
Foi o responsável por terminar o grande estudo cartográfico da Índia, ao longo do arco meridiano do sul indiano estendendo-se até ao norte do Nepal, cobrindo uma distância de aproximadamente 2400 quilómetros. Este estudo fora iniciado por William Lambton em 1806 e durou diversas décadas até à sua conclusão.
O Monte Everest foi assim nomeado – em 1865 – pelo seu sucessor, Andrew Scott Waugh, em homenagem aos estudos de George Everest que, aliás, permitiram considerá-lo ulteriormente como a mais alta montanha do mundo.
George Everest reformou-se em 1843 e foi viver para Inglaterra, sendo membro da Royal Society. Feito Cavaleiro da Ordem do Império Britânico em 1861, foi eleito – no ano seguinte – vice-presidente da Royal Geographical Society. Faleceu aos 76 anos.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

3 DE JULHO - AHMET VEFIK PAXÁ

EFEMÉRIDEAhmet Vefik Paxá, estadista, diplomata, dramaturgo e tradutor otomano do período Tanzimat, nasceu em Constantinopla no dia 3 de Julho de 1823. Morreu no mesmo local em 2 de Abril de 1891.
Iniciou a sua educação em 1831 em Constantinopla e, depois, foi para Paris com a família, onde se graduou no Colégio Saint Louis.
Veio a desempenhar altas funções estatais, inclusivamente a presidência do primeiro Parlamento turco. Foi também ministro da Educação e grão-vizir durante dois breves períodos.
Vefik mandou construir o primeiro teatro otomano em Bursa, quando era governador da cidade, apresentando ali as primeiras peças teatrais no estilo ocidental. Traduziu as principais obras de Molière.
Quando se tornou embaixador em Teerão, aprendeu a língua persa. Em Teerão, foi aliás a primeira pessoa a hastear a bandeira de seu país numa embaixada. Declarou então que o solo da embaixada pertencia a terras turcas e iniciou assim este costume.
Em 1860, foi colocado como embaixador em França. Ahmet Vefik Paxá escreveu o primeiro dicionário da língua turca.

domingo, 2 de julho de 2017

SIMON & GARFUNKEL - "Sound of silence" (1967 Ao Vivo)


2 DE JULHO - CAMILO DE OLIVEIRA

EFEMÉRIDE Camilo Venâncio de Oliveira, actor, encenador e argumentista português, morreu em Lisboa no dia 2 de Julho de 2016. Nascera em Buarcos, Figueira da Foz, em 23 de Julho de 1924. Filho de actores, era irmão do autor de teatro de revista César de Oliveira.
Camilo estreou-se na Companhia itinerante da família, com apenas nove anos de idade. Já adulto, mudou-se para Lisboa. A primeira Revista em que participou foi “Lisboa é Coisa Boa”, em 1951.
Obteve grande êxito com “Abaixo as Saias” (1958) e “Ó Pá, Não Fiques Calado” (1963). Na RTP, participou em “O Senhor Que Se Segue”, em conjunto com Artur Agostinho e Cármen Mendes. Em Abril de 1965, recebeu – com Florbela Queirós – o Prémio Imprensa 1964 para os Melhores Actores de Teatro de Revista.
Em 1969, foi protagonista do filme “O Ladrão de Quem se Fala” de Henrique Campos, onde desempenhou dois papéis.
No teatro, continuaram os sucessos, com “Alto Lá Com Elas” (1970), “As Coisas Que Um Padre Faz” (1976) e “Aldeia da Roupa Suja” (1978). Participou na série “O Espelho dos Acácios” da RTP.
Em 1981, protagonizou com Ivone Silva o programa “Sabadabadu”, que foi um grande êxito e onde apareceram personagens como os Agostinhos e o Padre Pimentinha. Em 1982, gravou um single com os temas “Sapateado”, “Soutien” e “Publicidade”, todos da autoria de Fernando Guerra e Varela Silva.
Em Abril de 1983, aparecei na RTP com o programa “Allegro”. Ainda no mesmo ano, obteve sucesso no teatro com “Há Mas São Verdes”. Conhecei Paula Marcelo, com quem se viria a casar.
Em finais de 1989, entrou na peça “Ai Cavaquinho” no Teatro ABC. Em Agosto de 1990, o ABC sofreu um grande incêndio e a companhia teve de mudar-se para o Teatro Capitólio. Em 1992, destacou-se em “Isto É Que Vai Uma Crise”.
O canal SIC contratou-o para a série “Camilo & Filho, Lda.” que constituiu um grande êxito em 1995. No teatro, apresentou “Camilo & Filhas” (1996). Em 1997, reapareceu na SIC com a série “As Aventuras do Camilo”. Nos anos seguintes, foi a vez de “Camilo na Prisão” e “A Loja do Camilo”.
Em 2002, transitou para a RTP, onde foi protagonista da série “Camilo, o Pendura”. Em 2005, voltou à SIC com “Camilo em Sarilhos” (2005/06). Em 2008, apresentou-se ao vivo com a peça “O Meu Rapaz é Rapariga”. A SIC realizou, em Setembro de 2008, uma Gala em sua homenagem.
Em 2009, lançou – através da editora Esfera dos Livros – “As regras da minha vida: Camilo de Oliveira, o actor do povo”.
Após o fim das gravações de “Camilo, o Presidente” (2009/10), decidiu reformar-se e passou a conceder várias entrevistas a órgãos da comunicação social.
Camilo de Oliveira foi casado com a enfermeira Maria Luísa Reis Oliveira, de quem nunca se divorciou. Depois, viveu com Io Appolloni, actriz italiana radicada em Portugal desde 1965, de quem teve um filho, Camilo Humberto Appolloni de Oliveira, nascido em 1969. Foi também pai de Camilo Luís Bettencourt de Oliveira, nascido em 1981 do seu relacionamento com Maria Luísa Bettencourt. À data da sua morte, estava casado há largos anos com a actriz Paula Marcelo.
Em finais de Setembro de 2012, houve rumores da sua morte, um boato que os jornais se apressaram a desmentir. Viria a falecer em 2016, com 91 anos, no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, onde estava internado na unidade de cuidados paliativos devido a cancro na próstata e intestinos.

sábado, 1 de julho de 2017

1 DE JULHO - DAVID PROWSE

EFEMÉRIDEDavid Prowse, culturista físico e actor inglês, nasceu em Bristol no dia 1 de Julho de 1935. O seu papel mais conhecido é o de Darth Vader na saga “Star Wars”, entre 1977 e 1983. Actuou também no filme “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick.
A sua carreira começou na produtora de filmes de horror Hammer Film, na qual – graças ao seu físico – trabalhou duas vezes como o monstro de Frankenstein, participando também em “O circo do vampiro”. Em 1967, já aparecera como Frankenstein na primeira versão de “Casino Royale”.
Para o papel que mais o notabilizou, foi escolhido em virtude da sua compleição física (2 metros de altura e 118 kg de peso), sendo a sua voz dobrada pelo actor James Earl Jones. Segundo declarou mais tarde, Prowse não tinha conhecimento deste importante pormenor até a sessão de estreia do filme. O realizador George Lucas queria que o personagem tivesse uma voz «mais sombria».
No Reino Unido, a popularidade de David decorreu igualmente da associação a uma campanha destinada às crianças, sobre prevenção rodoviária, que se realizou desde 1971 e durante vários anos, tanto na televisão como em aparições públicas. A sua participação nesta campanha foi considerada, por ele próprio, como «o melhor papel da sua carreira». Em 2000, recebeu a Ordem do Império Britânico.
Orientou o treino físico de Christopher Reeve, que ia desempenhar o papel de Super-homem (1978). Conseguiu que ele aumentasse a sua massa muscular de 20 kg, em apenas seis semanas. David Prowse completa hoje 82 anos.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

30 DE JUNHO - ANTÓNIO LEAL MOREIRA

EFEMÉRIDEAntónio Leal Moreira, compositor português, nasceu em Abrantes no dia 30 de Junho de 1758. Morreu em Lisboa, em 26 de Novembro de 1819.
Em Junho de 1766, ingressou no Seminário da Patriarcal de Lisboa, onde foi aluno de João de Sousa Carvalho. Em 1775, tornou-se assistente do seu professor e organista. A partir de 1787, foi mestre de capela.
Em Maio de 1777, realizara o seu primeiro trabalho sacro, a “Missa do Espírito Santo”, que foi cantada durante a aclamação da rainha D. Maria I de Portugal. Em Agosto do mesmo ano, foi admitido como membro da união de músicos de Lisboa, a Irmandade de Santa Cecília.
A maior parte da sua música sacra foi composta para a Capela Real e, desde 1782, começou a escrever serenatas, que foram tocadas nos palácios de Queluz e da Ajuda.
Em 1790, foi nomeado director musical do Teatro da Rua dos Condes, onde estavam a ser representadas óperas italianas. Três anos mais tarde, no palácio do financiador Anselmo José da Cruz Sobral, em Lisboa, estreou o drama “Il natale augusto”. Entre os vários cantores que participaram, salienta-se a mezzo-soprano portuguesa Luísa Todi.
António Moreira tornou-se, em 1793, o primeiro director musical do novo Teatro de São Carlos, onde foi representada – com texto em português – a sua obra “A vingança da cigana” (1794). Em 1799, deixou a direcção do São Carlos a Marcos Portugal e Francesco Federici. No ano seguinte, a sua produção pasticcio Il disertore francese” esteve em cena nos palcos do Teatro Carignano em Turim e do Teatro La Scala de Milão.
A sua obra teatral e sacra foi fortemente influenciada pelo estilo de Giovanni Paisiello e de Domenico Cimarosa. Depois de António Teixeira, foi o primeiro a compor óperas utilizando o texto em português, embora a maioria das suas obras estejam em italiano.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

29 DE JUNHO - WILLIBALD ALEXIS

EFEMÉRIDEWillibald Alexis, de seu verdadeiro nome Georg Wilhelm Heinrich Häring, escritor alemão que é considerado o fundador do romance histórico realista da literatura germânica, nasceu em Breslávia, na actual Polónia, no dia 29 de Junho de 1798. Morreu em Arnstadt, em 16 de Dezembro de 1871.
O pai, que era de uma família de refugiados huguenotes da Bretanha, tinha uma alta posição no Departamento de Guerra e morreu em 1802. Quando criança, Alexis viveu o cerco de Breslávia. Depois da cidade ser conquistada em 1806 pelos franceses (impressões registadas no seu romance “Penélope”), Alexis mudou-se para Berlim com a mãe.
Durante catorze anos, moraram com parentes da sua progenitora. Frequentou a escola particular Messowsche e, em seguida, o colégio Friedrichwerdersche. Alexis participou como voluntário na campanha de 1815, sendo membro do regimento Kolberg. Participou assim no cerco às fortalezas das Ardenas (descrito no romance “Iblou” e no relato crítico “Als Kriegsfreiwilliger nach Frankreich”).
A partir de 1817, estudou Direito e História em Berlim e Breslávia e, em 1820, estagiou na divisão criminal do Kammergericht. Depois do sucesso do seu primeiro romance (1824), Alexis deixou a função pública.
De 1827 em diante, viveu em Berlim e dirigiu a equipa editorial do “Berliner Konversationsblattes”, que foi incorporado em 1830 no “Freimüthigen”. Em 1835, demitiu-se do conselho editorial, em protesto contra a censura crescente mas continuou a morar na cidade, vivendo como escritor independente e colunista de diversos jornais.
Tendo começado a ser conhecido como escritor pelo lançamento de um idílio em hexâmetros intitulado “Die Treibjagd” (1820) e por vários contos, a sua reputação literária começou a delinear-se com o romance histórico “Walladmor” (1823), que foi publicado como sendo «livremente traduzido do inglês de Sir Walter Scott, com um prefácio de Willibald Alexis».
O seu livro “Der Werwulf” desenrola-se em Brandeburgo na época da Reforma Protestante. Em 1840, publicou o romance histórico “Der Roland von Berlin”, que serviu de base para a ópera com o mesmo nome de Ruggero Leoncavallo.
Em 1852, Alexis mudou-se para Arnstadt, na Turíngia. Em 1856, sofreu um primeiro derrame cerebral e, em 1860, um segundo. A memória do escritor ficou irremediavelmente danificada, sendo impossível continuar com a sua obra literária. Em 1867, já cego, sem capacidade para andar e cada vez mais demente, foi ainda homenageado com a medalha da Ordem de Hohenzollern. Faleceu em Dezembro de 1871.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

28 DE JUNHO - ALBERTO MUSSA

EFEMÉRIDE Alberto Baeta Neves Mussa, romancista, contista e tradutor brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Junho de 1961.
Formou-se em letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro e a sua tese de mestrado versou o papel das línguas africanas na constituição do português do Brasil. Realizou estudos sobre diversas culturas primitivas. Estreou-se na literatura com “Elegbara” (1997), livro de contos inspirado pela mitologia dos nagôs, etnia africana responsável por levar o candomblé para o  Brasil. Com o auxílio de uma bolsa da Fundação Biblioteca Nacional, escreveu “O Trono da Rainha Jinga” (1999), romance de mistério que se desenrola no Rio de Janeiro do século XVII.
A proposta literária de Alberto Mussa é fundir a tradição narrativa ocidental com os relatos mitológicos de outras culturas, como a afro-brasileira, a da Arábia pré-islâmica e a do Brasil indígena. Os seus livros foram já traduzidos em 15 idiomas e publicados em 17 países, entre eles: Argentina, Cuba, Portugal, Itália, França, Inglaterra, Roménia, Turquia, Espanha e Egipto.
Em parceria com o historiador Luiz Antonio Simas, escreveu “Samba de enredo: história e arte”, um estudo sobre a evolução estética do samba de enredo.
Fascinado pela poesia pré-islâmica, dedicou-se a um projecto de tradução e pesquisa sobre o mundo árabe. Como resultado dos estudos sobre a cultura do Médio Oriente, publiciu o romance “O Enigma de Qaf” (2004). Este livro recebeu o Prémio da Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prémio Casa de las Américas (Cuba) em 2005, na categoria de Melhor Obra da Literatura Brasileira. Outro desdobramento destes estudos é a coletânea de traduções “Os Poemas Suspensos” (2006).
Inspirado pelo escritor argentino Jorge Luis Borges (1899/1986) e por pesquisas antropológicas sobre o adultério, redigiu “O Movimento Pendular” (2006). Compilou uma série de versões de mitos sobre a cosmogonia tupinambá e escreveu o ensaio ficcional “Meu Destino É Ser Onça” (2008). Três anos depois, publicoi “O Senhor do Lado Esquerdo” (2011) e recebeu o Prémio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional. Foi galardoado, também, com o Prémio Oceanos 2015 pelo romance “A Primeira História do Mundo” (2014).
Alberto Mussa tem um amplo conjunto de referências, que vão do modernismo de 1922 à obra de escritores como o argentino Jorge Luis Borges e de antropólogos como o belga Claude Lévi-Strauss (1908/2009).
No panorama da literatura brasileira recente, a obra de Alberto Mussa não encontra paralelo e tem despertado  o interesse de muitos estudiosos.

terça-feira, 27 de junho de 2017

27 DE JUNHO - ROBERTO PIRES

EFEMÉRIDERoberto Pires, realizador, guionista e produtor de cinema brasileiro, morreu em São Salvador da Baía no dia 27 de Junho de 2001, vítima de cancro na garganta. Nascera na mesma cidade em 29 de Setembro de 1934.
Com a sua capacidade de criar artesanalmente os equipamentos que usava nas filmagens, Roberto Pires inventou a lente “anafórmica igluscope” (semelhante à do cinemascópio, que não existia ainda no Brasil).
Fez a primeira longa-metragem baiana, “Redenção” (1958), filme que lançou o actor Geraldo Del Rey. O sucesso impulsionou um período importante da cinematografia brasileira – o Ciclo Baiano de Cinema (1959/1963) – que, através de realizadores como Glauber Rocha, fomentou o movimento Cinema Novo.
Pires começara a trabalhar no cinema com um grupo de jovens do qual faziam parte Glauber, Luís Paulino dos Santos, Geraldo Del Rey, Helena Ignez, António Pitanga e Othon Bastos, entre outros. Durante a sua carreira de realizador, dirigiu treze filmes dos quais sete longas-metragens. No início da década de 1960, Roberto Pires produziu “Barravento”, o primeiro filme dirigido por Gláuber Rocha.
O Cego que Gritava Luz”, do realizador João Batista de Andrade, foi praticamente a última película com a qual Roberto Pires teve envolvimento antes de falecer. Deixou inacabado o projecto de filme “Nasce o Sol a Dois de Julho”.
Ficou também famoso por reportar no cinema o acidente com a cápsula de césio 137, ocorrido em Goiânia, em 1987.
O filme “Tocaia no Asfalto” (1962), que Roberto Pires realizou e do qual fez também o guião, foi restaurado, com o patrocínio da Petrobras, através da Cinemateca Brasileira.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

26 DE JUNHO - FORD MADOX FORD

EFEMÉRIDEFord Madox Ford, de seu verdadeiro nome Ford Hermann Hueffer, romancista, poeta, editor, crítico e jornalista inglês, morreu em Deauville, França, no dia 26 de Junho de 1939. Nascera em Merton, Surrey, em 17 de Dezembro de 1873.
O pai, de origem alemã, era crítico literário do jornal “The Times” e a mãe era inglesa. Adoptou o pseudónimo Ford Madox Ford para homenagear o seu avô, que era pintor e se chamava Ford Madox Brown. Dele viria a escrever a biografia, em 1896.
O seu primeiro livro, “The Brown Ow”, foi um conto de fadas publicado em 1891. Tinha apenas 18 anos e o livro foi ilustrado pelo avô. Conheceu então Joseph Conrad e, em parceria com ele, redigiu dois romances: “The Inheritors” (1901) e “Romance” (1903). Em 1906, interessou-se pelo romance histórico e publicou “The Fifth Queen”. Frequentava em Paris os mesmos círculos literários que os escritores James Joyce, Ernest Hemingway e Gertrude Stein, tendo fundado a revista mensal “English Review” (1908), que teve Joseph Conrad como colaborador. A finalidade era publicar autores desconhecidos ou rejeitados pelos circuitos normais e clássicos, tendo publicado nas suas páginas trabalhos de D.H. Lawrence e Ezra Pound, entre outros. A revista só durou até 1910, em virtude de uma má gestão financeira.
Viria a fundar em Paris (anos 1920) o periódico “The Transatlantic Review”, juntamente com Ernest Hemingway que nele publicou alguns dos seus textos.
Em 1922, instalou-se em França que se tornou assim o seu país de adopção, apesar das frequentes viagens aos Estados Unidos.
A sua extensa obra inclui também ensaios, poesia, memórias e crítica literária. “O bom soldado” (1915), o seu livro mais famoso, é considerado um clássico do século XX.

domingo, 25 de junho de 2017

25 DE JUNHO - SIDNEY LUMET

EFEMÉRIDESidney Lumet, realizador de cinema norte-americano, nasceu em Filadélfia no dia 25 de Junho de 1924. Morreu em Nova Iorque, em 9 de Abril de 2011. Dirigiu mais de 50 filmes, entre eles “12 Angry Men” (1957), “Dog Day Afternoon” de 1975, “Network2 (1976), “Prince of the City” de 1981 e “The Verdict” (1982), obras que lhe renderam várias nomeações para os Oscars.
O pai era actor de teatro e a mãe dançarina. A família mudou-se para Nova Iorque, onde o pequeno Sidney subiu pela primeira vez a um palco quando tinha quatro anos de idade. Foi actor até aos anos 1950.
Testemunha das consequências da crise de 1929 nos Estados Unidos, Sidney sentiu-se atraído pela realização, para poder mostrar ao mundo as injustiças da época. No começo da Segunda Guerra Mundial, alistou-se como voluntário, tendo combatido na China, na Índia e na Birmânia.
De acordo com a “Encyclopedia of Hollywood”, Lumet foi um dos mais prolíficos realizadores da era moderna do cinema, tendo feito mais de um filme por ano desde a estreia, em 1957. Ficou conhecido especialmente pela capacidade de atrair os principais actores para os seus projectos, «devido à sua economia visual, forte direcção de actores, narrativas vigorosas e o uso da câmara para acentuar os temas». De acordo com a Turner Classic Movies, «Lumet produziu um catálogo de obras que só pode ser definido como extraordinário».
Um dos temas mais recorrentes nos seus filmes é a atenção dedicada à «fragilidade da justiça e da polícia, e à sua corrupção», segundo o crítico David Thomson.
Lumet começou a sua carreira como director teatral, tornando-se posteriormente realizador de filmes e séries de televisão. O primeiro filme para os grandes ecrãs foi um dos seus melhores trabalhos – “12 Angry Men”.
Por ter sido um dos realizadores mais constantes e competentes da última metade do século XX, recebeu em 2005 um Oscar Honorário pelos seus «brilhantes serviços aos guionistas, aos artistas e à arte cinematográfica de um modo geral».
Foi casado quatro vezes, tendo falecido aos 86 anos, vítima de linfoma. Em 1995, escreveu o livro “Making Movies”, que foi reeditado no ano seguinte. Ao longo de 218 páginas, ele recorda a sua carreira e aproveita para deixar inúmeros ensinamentos sobre a realização no cinema.

sábado, 24 de junho de 2017

24 DE JUNHO - JOHN ILLSLEY

EFEMÉRIDEJohn Edward Illsley, músico, compositor e produtor inglês, baixista da extinta banda de rock britânica Dire Straits (1977/1995), nasceu em Leicester no dia 24 de Junho de 1949.
Começou a tocar (baixo, guitarra e violão) em 1966. Conheceu Mark Knopfler numa festa em Londres e, juntamente com David Knopfler e o baterista Pick Withers, formaram a banda Cafe Racers. Mais tarde, fundaram os Dire Straits.
Manteve-se no grupo até ao seu final em 1995. Publicaram o primeiro álbum em 1978. No meio da década de 1980, chegaram a ser um dos grupos mais conhecidos mundialmente.
Simultaneamente, John publicou dois discos a solo (“Never Told A Soul” em 1984 e “Glass,” em 1988).
Hoje, Illsley está reformado, dedicando a sua vida prioritariamente à pintura, o seu hobby favorito. Toca ainda, por vezes a solo e outras em colaboração com o grupo Cùnla, formado em 2005 e que actua sobretudo em festas de beneficência. Gravou também alguns discos a solo entre 2007 e 2016.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

23 DE JUNHO - MAGALI NOËL

EFEMÉRIDEMagali Nöel, de seu verdadeiro nome Magali Noëlle Guiffray, actriz e cantora francesa, filha de pais franceses oriundos da Provença e que trabalhavam nos serviços diplomáticos, morreu em Châteauneuf-Grasse no dia 23 de Junho de 2015. Nascera em Esmirna, na Turquia, em 27 de Junho de 1931.
Após ter estudado canto, música e dança, Magali iniciou-se – aos 16 anos – como cantora de cabaret, tornando-se depois actriz de teatro de revista.
Mudou-se para França em 1951 e continuou a estudar arte dramática com Catherine Fontenay, obtendo os seus primeiros papéis em peças teatrais.
Iniciou depois a sua carreira cinematográfica e tornou-se notada, em 1955, no filme de Jules Dassin “Du Rififi chez les hommes”. Nos anos seguintes, Magali impôs progressivamente os seus talentos de comediante com temperamento picante, como no filme de René Clair, “Les Grandes Manœuvres”, e em “Elena et les hommes” de Jean Renoir.
A partir dos anos 1960, a sua carreira tomou uma nova dimensão ao encarnar um dos símbolos dos fantasmas sexuais de Federico Fellini, em “La dolce vita” (1960), “Satiricon” (1969) e “Amarcord” (1973).
Apesar de ter tido o papel principal em “Z” de Costa-Gavras, filme que ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1968, e de grandes êxitos no teatro, Magali recebia cada vez menos atenção dos produtores e por isso voltou ao género que a viu nascer – o Music hall.
No início da década de 1980, uma nova geração de realizadores, como Chantal Akerman, Jonathan Demme, Andrzej Zulawski e outros, ofereceram-lhe finalmente papéis à medida da sua sensibilidade.
A sua carreira de cantora foi marcada pela interpretação do célebre e audacioso “Fais-moi mal, Johnny” com letra de Boris Vian e música de Alain Goraguer em 1956. Esta canção é considerada um dos primeiros temas de rock and roll cantados em francês. Foi proibido na rádio da época, pois a sua letra (sadomasoquista) foi considerada demasiado ousada.
Magali teve uma filha de um primeiro casamento com o actor Jean-Pierre Bernard e dois filhos que adoptou quando de um segundo casamento. Faleceu a quatro dias de completar 84 anos.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

22 DE JUNHO - JOHN DILLINGER

EFEMÉRIDEJohn Herbert Dillinger, célebre assaltante de bancos norte-americano, nasceu em Indianápolis no dia 22 de Junho de 1903. Morreu em Chicago, em 22 de Julho de 1934. Foi considerado por alguns como um ladrão perigoso e idolatrado por outros como um Robin Hood do século XX. Isto porque muitos americanos culpavam os bancos pela depressão dos anos 1930 e Dillinger só roubava bancos.
Dillinger ganhou a alcunha de “Jackrabbit” pela rapidez nos assaltos e nas fugas à polícia. Além disso, era uma figura atlética, tendo sido um bom jogador de basebol quando esteve na prisão. As suas acções, bem assim como a de outros criminosos daquela década, como Bonnie e Clyde e Ma Barker, dominaram a atenção da imprensa, que passou a chamá-los de “inimigos públicos”, entre 1931 e 1935, época em que o FBI se desenvolveu.
Alistara-se na Marinha, mas desertou poucos meses depois. Em seguida, voltou para Indiana e casou-se, em Abril de 1924, com Beryl Ethel Hovious. Entretanto, teve dificuldades em arranjar um emprego fixo e em manter o casamento.
Dillinger tornou-se então criminoso e foi preso em 1924 na Cadeia Estadual de Indiana. Atrás das grades, conheceu ladrões perigosos. Trabalhou na lavandaria da prisão e ajudou uma fuga de outros presos. Dillinger ficou preso até 1933, sendo então solto em liberdade condicional. Ao sair, juntou-se aos criminosos que ajudara a fugir. Graças a notoriedade adquirida, o grupo ficou conhecido como “o primeira gang de Dillinger”, a que se juntaram muitos outros.  
Segundo a imprensa, Dillinger usava diferentes truques nos seus roubos a bancos. Disfarçou-se de vendedor de alarmes de segurança em Indiana e no Ohio. De outra vez, o grupo fez-se passar por uma companhia cinematográfica que queria encenar um roubo a um banco. Dizia-se que a gang de Dillinger roubara, no total, cerca de 300 000 dólares (correspondente a 5 milhões de dólares actuais) de dezenas de dependências bancárias.
Poucos meses depois da saída da Cadeia Estadual de Indiana, voltou à prisão, em Lima (Ohio), mas o seu grupo libertou-o, assassinando o xerife Jessie Sarber. A maior parte da quadrilha foi capturada no fim do ano em Tucson, Arizona, durante um incêndio no Historic Hotel Congress. Dillinger foi preso e enviado para a cadeia de Crown Point, Indiana. Foi processado por suspeita de homicídio de um guarda, durante um tiroteio num banco em East Chicago.
Em Março de 1934, Dillinger fugiu de Crown Point. Cruzou a fronteira de Indiana-Illinois num carro roubado, cometendo assim um crime federal, que o colocou sob a alçada do FBI.
No mês seguinte, a quadrilha apareceu em Manitowish Waters, Wisconsin, procurando um esconderijo. Foram denunciados à promotoria de Chicago, que contactou o FBI. Logo uma equipa de agentes cercou o esconderijo, mas os bandidos foram avisados. No tiroteio que se seguiu, a quadrilha fugiu em debandada.
No Verão de 1934, Dillinger desapareceu da circulação. Fora para Chicago e usou o nome de Jimmy Lawrence. Arranjou uma namorada (Polly Hamilton), que não sabia da sua identidade. O FBI, porém, encontrou o seu carro, logo deduzindo que ele estava na cidade.
Dillinger foi ao cinema assistir a um filme no Lincoln Park. Estava com a sua namorada e com a prostituta Anna Sage. Esta, que estava com problemas de imigração, fez um acordo com o FBI para o emboscar. Na saída do cinema, os agentes atiraram sobre Dillinger, matando-o com três tiros, um deles no coração. Entretanto, mesmo tendo colaborado com o FBI, Anna Sage foi deportada para a Roménia em 1936, morrendo onze anos mais tarde.

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
- Lisboa, Portugal
Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muitas mais...