quinta-feira, 15 de setembro de 2022

15 DE SETEMBRO - RIC OCASEK

EFEMÉRIDE - Ric Ocasek, de seu verdadeiro nome Richard Theodore Otcasek, cantor, compositor, produtor musical e pintor norte-americano, morreu em Nova Iorque no dia15 de Setembro de 2019. Nascera em Baltimore, em 23 de Março de 1944.

Ric era mais conhecido como vocalista, guitarrista rítmico e compositor da banda de rock The Cars.

Em 2018, Ocasek foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame como membro do Cars. Nesse mesmo ano, ele revelou várias de suas pinturas numa tournée nacional que incluiu uma exposição nas Galerias Wentworth em Tysons Corner, Virgínia.

Ric foi casado com a modelo checa, naturalizada americana, Paulina Porizkova, os quais se conheceram durante as filmagens do vídeo musical para a canção “Drive”, o maior sucesso da banda, do álbum “Heartbeat City”, de 1984.

Ocasek faleceu em de Nova Iorque, aos 75 anos de idade.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

14 DE SETEMBRO - MELISSA LEO

EFEMÉRIDE - Melissa Chessington Leo, actriz norte-americana, nasceu em Nova Iorque no dia 14 de Setembro de 1960.

Tornou-se conhecida pelo seu papel na série de televisão “Homicide: Life on the Street”, onde participou até à 5ª temporada. Foi presença constante nas séries “All My Children”, “The Young Riders” e “Treme”.

No cinema, destacou-se em “21 Grams” e “The Three Burials of Melquiades Estrada”. Em 2009, recebeu a sua primeira nomeação para o Oscar de Melhor Actriz com “Rio Congelado”.

Em 2011, ganhou o Oscar de Melhor Actriz coadjuvante, com “The Fighter”, trabalho pelo qual também foi premiada com o Globo de Ouro e o SAG Award.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

13 DE SETEMBRO - NATÁLIA CORREIA

EFEMÉRIDE - Natália de Oliveira Correia, escritora portuguesa, nasceu em Fajã de Baixo, São Miguel, Açores, no dia 13 de Setembro de 1923. Morreu em Lisboa, em 16 de Março de 1993.

Deputada à Assembleia da República (1980/1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do “Hino dos Açores”. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues, foi - em 1992 -um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Tem uma biblioteca com o seu nome em Lisboa, em Carnide.

A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras. Durante as décadas de 1950 e 1960, na sua casa reunia-se uma das mais vibrantes tertúlias de Lisboa, onde compareciam as mais destacadas figuras das artes, das letras e da política (oposicionista) portuguesas e também internacionais. A partir de 1971, essas reuniões passaram a ter lugar no bar Botequim. Ficou conhecida pela sua personalidade livre de convenções sociais, vigorosa e polémica, que se reflecte na sua escrita. A sua obra está traduzida em várias línguas.

Nascida na ilha de São Miguel, quando tinha apenas 11 anos o pai emigra para o Brasil, ficando Natália Correia com a mãe e a irmã em Lisboa, cidade onde fez estudos liceais, no Liceu D. Filipa de Lencastre. Iniciou-se na literatura com a publicação de uma obra destinada ao público infanto-juvenil, mas rapidamente se afirmou como poetisa (como ela gostava de ser chamada).

Notabilizada através de diversas vertentes da escrita, já que foi poeta, dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora, tornou-se conhecida na imprensa escrita e, mais tarde, nos anos 1080, na televisão, com o programa “Mátria”, onde advogou uma forma especial de feminismo (afastado do conceito politicamente correcto do movimento), o matricismo, identificador da mulher como arquétipo da liberdade erótica e passional e fonte matricial da humanidade; mais tarde, à noção de Pátria e de Mátria acrescenta a de Frátria.

Foi igualmente coordenadora da Editora Arcádia, uma das principais editoras livreiras portuguesas do seu tempo.

Dotada de invulgar talento oratório e grande coragem combativa, tomou parte activa nos movimentos de oposição ao Estado Novo, tendo participado no MUD (Movimento de Unidade Democrática, 1945), no apoio às candidaturas para a Presidência da República do general Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado (1958) e na CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, 1969), liderada por Mário Soares.

Foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da “Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica”, considerada ofensiva dos costumes (1966) e processada por ter tido a responsabilidade editorial das “Novas Cartas Portuguesas” de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta; processo que ficaria conhecido como ‘Três Marias’.

A sua intervenção política pública levou-a ao Parlamento, no período subsequente ao 25 de Abril de 1974, eleita em 1980 nas listas do PSD, motivada pela pessoa de Francisco Sá Carneiro, de quem era amiga, tal como de Snu Abecassis. Passaria, no entanto, a deputada independente durante a legislatura quando se chocou com as posições conservadoras em matérias de costumes do PSD, saindo do partido, afirmando ter acreditado num projecto reformista, mas tendo-se deparado com conservadorismo. Foi autora de polémicas intervenções parlamentares e ficou célebre, durante um debate sobre o aborto, em 11 de Novembro de 1982, pelo poema satírico que fez contra João Morgado, deputado do CDS, que afirmara que «o acto sexual é para ter filhos». O poema foi publicado dias depois pelo “Diário de Lisboa”.

Fundou em 1971, com Isabel Meireles, o bar Botequim, onde durante as décadas de 1970 e 1980 se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa. Foi amiga de António Sérgio (esteve associada ao Movimento da Filosofia Portuguesa), David Mourão-Ferreira («a irmã que nunca tive»), José-Augusto França («a mais linda mulher de Lisboa»), Luiz Pacheco («esta hierofântide do século XX»), Almada Negreiros, D. Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança («confidente íntima»), Mário Cesariny («era muito mais linda que a mais bela estátua feminina do Miguel Ângelo»), Ary dos Santos («beleza sem costura»), Amália Rodrigues e Fernando Dacosta, entre muitos outros. Foi uma entusiasmada e grande impulsionadora pelo aparecimento dos espectáculos de café-concerto em Portugal. Na sua casa, foi anfitriã de escritores famosos como Henry Miller, Graham Greene ou Ionesco.

Em 13 de Julho de 1981, foi feita grande-oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Natália Correia recebeu, em 1991, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro “Sonetos Românticos”.

No mesmo ano, em 26 de Novembro, foi feita grande-oficial da Ordem da Liberdade.

Em 1985, deu apoio ao Partido Renovador Democrático de Ramalho Eanes, onde acreditou ver uma alternativa de reformismo progressista para o país. Voltou então a ser deputada, por este partido, em 1987/1991.

Natália Correia casou-se quatro vezes. Após dois primeiros curtos casamentos, casou em Lisboa a 31 de Julho de 1953 com Alfredo Luís Machado (1904/1989), gerente e dono do Hotel do Império, a sua grande paixão, bem mais velho do que ela e já viúvo, casamento este que durou até à morte dele, em 17 de Fevereiro de 1989. São notáveis as cartas de amor da ainda jovem Natália para Alfredo Luís Machado. Em 1990, tinha Natália 67 anos de idade, casou com Dórdio Guimarães, seu admirador desde sempre, cineasta e filho de Manuel Guimarães.

Na madrugada de 16 de Março de 1993, falece, subitamente, com um ataque cardíaco, em sua casa, depois de regressada do Botequim. A sua morte precoce deixou um vazio na cultura portuguesa muito difícil de preencher. Legou a maioria dos seus bens à Região Autónoma dos Açores, que lhe dedicou uma exposição permanente na nova Biblioteca Pública de Ponta Delgada, instituição que tem à sua guarda parte do seu espólio literário (que partilha com a Biblioteca Nacional de Lisboa) constante de muitos volumes éditos, inéditos, documentos biográficos, iconografia e correspondência, incluindo múltiplas obras de arte e a biblioteca privada.

Foi sepultada originalmente no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, e posteriormente trasladada para a ilha de São Miguel, nos Açores, em Outubro de 2015.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

12 DE SETEMBRO - NORMAN BORLAUG

EFEMÉRIDE - Norman Ernest Borlaug, engenheiro agrónomo e biólogo norte-americano, morreu em Dallas no dia 12 de Setembro de 2009. Nascera em Cresco, em 25 de Março de 1914. Foi famoso pelos seus trabalhos para combater a fome no mundo.

Borlaug formou-se em Agronomia na Universidade de Minnesota em 1942, especializando-se em Genética e patologia vegetal. Após ter obtido o doutoramento em Fitopatologia e genética pela Universidade de Minnesota em 1942, trabalhou como pesquisador agrícola no México, onde desenvolveu a variedade de trigo semianão de alto rendimento, resistente a doenças fúngicas. Como resultado, o México tornou-se um exportador líquido de trigo em 1963. A seguir, Borlaug introduziu variedades de alto rendimento e técnicas modernas de produção agrícola no Paquistão e na Índia. Entre 1965 e 1970, a produção de trigo quase dobrou no Paquistão e na Índia, melhorando consideravelmente a segurança alimentar destes países.

Estes aumentos na produtividade e produção agrícolas de meados do Século XX foram chamados de Revolução Verde. Estima-se que o trabalho de Borlaug tenha salvo da inanição entre 245 milhões e 1 bilião de vidas em todo o mundo. Em reconhecimento pela sua contribuição para a paz mundial através do aumento do fornecimento de alimentos, ele foi premiado com o Nobel da Paz em 1970.

Mais tarde, ajudou a aplicar estes métodos de produção de alimento na Ásia e África. Borlaug defendeu o uso dos métodos técnico-científicos da Revolução Verde e da biotecnologia com o objectivo de diminuir a fome mundial.

Entre as críticas ambientais e socioeconómicas que enfrentou, estão as de que os seus métodos criaram dependência de monoculturas em muitos países, que as técnicas de agricultura eram insustentáveis no longo prazo, que elas levavam ao endividamento dos agricultores de subsistência, e que provocavam níveis elevados de cancro entre as pessoas que trabalham com produtos químicos da agricultura. Borlaug rejeitou enfaticamente muitas destas acusações como infundadas ou falsas.

Borlaug foi um perseverante defensor dos seus métodos e da biotecnologia em geral para aumentar a produtividade agrícola. No entanto, ele foi criticado tanto do ponto de vista económico como do ambientalista. Borlaug rejeitou tais críticas como infundadas ou não-verdadeiras.

Em 1986, Borlaug criou o Prémio Mundial da Alimentação, destinado a reconhecer os indivíduos que melhorem a qualidade, a quantidade e a disponibilidade de alimentos em todo o mundo.

Borlaug faleceu aos 95 anos, por conta de um Linfoma não Hodgkin.

A Academia Sueca, a organização que gere o Prémio Nobel, reconheceu o trabalho de Borlaug como agrónomo e humanitário ao conceder-lhe o Prémio Nobel da Paz, em 1970. Borlaug foi uma das cinco pessoas que ganharam o Prémio Nobel da Paz, a Medalha Presidencial da Liberdade e a Medalha de Ouro do Congresso. Também recebeu o Padma Vibhushan, a segunda mais alta honraria civil da Índia.

domingo, 11 de setembro de 2022

11 DE SETEMBRO - SAMIRA VERA-CRUZ

EFEMÉRIDE - Samira Nandi Marques Vera-Cruz Pinto, realizadora, produtora, editora e guionista cabo-verdiana, nasceu em Mindelo, São Vicente, no dia 11 de Setembro de 1990.

Samira têm ascendência angolana e cabo-verdiana. Cresceu entre as cidades do Mindelo, Praia e também em Lisboa, Portugal.

Formada em estudos cinematográficos com especialização em comunicação internacional, pela American University of Paris, em 2013. Iniciou a sua actividade profissional como jornalista na Agência Cabo-Verdiana de Imagens (ACI) e, mais tarde, como Account Manager na Greenstudio, ambas na cidade da Praia.

Mudou-se para Angola no início de 2014, onde trabalhou durante quase dois anos como produtora audiovisual e gestora de clientes na Muxima Filmes, na cidade de Luanda.

Após regressar a Cabo Verde, Samira trabalhou alguns meses como produtora executiva na Kriolscope, onde realizou a sua primeira curta-metragem de ficção Buska Santu”, em 2016. “Buska Santu” é inspirado pelo filme “Ladrões de Bicicletas” de Vittorio de Sica, que mostra a relação entre um pai e um filho, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, tendo o ritmo da tabanka como fundo para a trama. O filme foi exibido em Cabo Verde, Portugal, Moçambique e Polónia. Recebeu o Prémio de melhor ficção no Festival Oiá na cidade do Mindelo.

Criou a sua própria produtora, Parallax Produções, em Novembro de 2016. Com a Parallax, Samira realizou os filmes “Hora di Bai” (2017) e “Sukuru” (2017).

Hora di Bai” é um documentário, financiado parcialmente pela União Europeia, através do Concurso Curtas-metragens PALOP 25 anos, abordando a relação com a morte na Ilha de Santiago. O filme foi exibido em festivais e mostras em Cabo Verde, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Bélgica, Polónia, Guiné-Bissau, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Macau, Timor-Leste e Madagáscar.

Sukuru”, feito sem financiamento, é a sua primeira longa-metragem de ficção. Um thriller psicológico que conta a história de Jiló, um jovem que sofre de esquizofrenia, viciado em crack, e a sua luta com o vício, a sua mãe e os seus demónios. Exibido em Cabo Verde, Bélgica, Brasil, Moçambique, Macau e Polónia.

Samira foi seleccionada para o Talents Durban 2019, durante o Durban International Film Festival, no qual participou com o seu projecto de documentário “E quem cozinha?”, com o qual ganhou o prémio PR Consulting.

No mesmo ano e com o mesmo projecto, participou na residência de escrita do FIDADOC, em Marrocos.

Em 2020, com o projecto de documentário “E quem cozinha?”, participou no Durban FilmMart e no Ouaga Film Lab, onde ganhou os prémios IDFA e World Cinema Fund/Goethe Institute.

Em Março de 2020, tornou-se coordenadora da Rede de Cinema e Audiovisual PALOP-TL, fundada com colegas cineastas, com o objectivo de promover a produção e principalmente distribuição na região.

sábado, 10 de setembro de 2022

10 DE SETEMBRO - FERNNDO BANDEIRA FERREIRA

EFEMÉRIDE - Fernando Alberto Ricca de Sousa Maldonado Bandeira Ferreira, visconde de Montalvo, arqueólogo português, com amplo trabalho de campo desenvolvido e uma vasta carreira docente, nasceu em Lisboa no dia 10 de Setembro de 1921. Morreu em Setúbal, em 2 de Agosto de 2002.

Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1945, defendeu a tese “Esboço duma História do Descobrimento da África”, com mais de 450 folhas e da qual faziam parte 18 mapas.

No âmbito do curso de Ciências Históricas e Filosóficas, seguiu as lições de Henri Breuil, um dos maiores nomes na área da Pré-História.

Na mesma faculdade, completou o curso de Ciências Pedagógicas.

Em 1947, foi convidado para assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde regeu cursos teóricos e práticos das cadeiras de Arqueologia (onde foi o primeiro docente da Faculdade a dar sistematicamente aulas de campo), Epigrafia, História da Antiguidade Oriental, História da Antiguidade Clássica, Numismática e Esfragística, História dos Descobrimentos e da Colonização Portuguesa, História Medieval, História Moderna e Contemporânea e História Geral da Civilização.

No ano de 1951, foi nomeado vogal da Junta Nacional de Educação (secção de Arqueologia), mantendo-se em funções até 1972.

Em 1958, foi nomeado auxiliar de naturalista do Museu Nacional de Arqueologia, então denominado Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos, no qual procedeu a uma catalogação dos materiais paleolíticos considerada modelar para a época.

Três anos depois, em 1961, foi nomeado inspector da Inspecção Superior das Bibliotecas e Arquivos, mas manteve a sua ligação à Junta Nacional de Educação tendo, nesta qualidade, levado a cabo escavações arqueológicas no cemitério lusitano-romano da Praça da Figueira (Lisboa), entre Fevereiro e Maio de 1962.

Da Inspecção Superior das Bibliotecas e Arquivos transitou, em 1976, como técnico especialista, para o departamento de Arqueologia da Direcção-Geral dos Assuntos Culturais, posteriormente denominada Direcção-Geral do Património Cultural e mais tarde transformada no Instituto Português do Património Cultural.

Atingiu a idade da reforma em 1991, como assessor deste organismo.

Paralelamente à carreira que desenvolveu, a partir de 1941 colaborou em vários jornais e revistas, designadamente “Mundo Literário” (na qual publicou recensões bibliográficas), “Seara Nova” (onde divulgou uma série de artigos intitulada “Viagens de Descobrimentos de Iniciativa Privada no Tempo do Infante D. Henrique”), “Arqueólogo Português” (artigos de Arqueologia e Epigrafia Latina), “Revista de Guimarães” (artigos de Epigrafia e Arqueologia), “Brotéria” (artigos de Epigrafia), “Revista da Faculdade de Letras de Lisboa” (artigos sobre Arqueologia), “Conímbriga” (artigos sobre Arqueologia) e “Bibliotecas-Arquivos-Museus” (publicação que dirigiu e na qual deu a conhecer a primeira parte da obra “Alguns Topónimos Indicativos de Monumentos Arqueológicos”, cuja continuação permanece inédita).

Em parceria com Justino Mendes de Almeida, publicou as séries “Varia Epigraphica”, na “Revista da Faculdade de Letras de Lisboa” e na “Revista de Guimarães”.

Colaborou ainda no Glossarium Archaeologicum e na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Realizou várias comunicações sobre Ciências Arqueológicas, Epigrafia e Toponímia na Sociedade de Geografia de Lisboa e no extinto Instituto Português de Arqueologia.

Participou no XIII Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências (1950), no II Congresso Nacional de Arqueologia de Espanha (1951) e no Congresso Internacional de História dos Descobrimentos (1960), que secretariou e onde apresentou uma comunicação acerca do descobrimento de Madagáscar.

No que respeita a trabalhos de campo, fez prospecções em vários locais arqueológicos de Lisboa e arredores, Almada, Palmela, Setúbal, etc.; escavações sistemáticas na Tróia de Setúbal (participou em nove campanhas, algumas das quais dirigiu, entre 1948 e 1957) e na estação lusitano-romana da Praça da Figueira (Lisboa), que dirigiu no primeiro semestre de 1962.

Em 1976, foi convidado para vogal da Comissão Nacional da Carta Arqueológica de Portugal, tendo co-dirigido uma experiência-piloto: o levantamento arqueológico da área de Alvito-Griola (Alentejo).

Tem ainda diversos trabalhos nas áreas da História dos Descobrimentos, da Cartografia Antiga e da Linguística.

Em 19 de Julho de 1961, foi agraciado com o grau de oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

9 DE SETEMBRO - JAVIER TOMEO

EFEMÉRIDE Javier Tomeo Estallo, escritor espanhol, nasceu em Quicena, Huesca, em 9 de Setembro de 1932. Morreu em Barcelona no dia 22 de Junho de 2013. Licenciou-se em Direito e Criminologia na Universidade de Barcelona.

Nos anos 1950, escreveu literatura popular sob o pseudónimo de “Frantz Keller”, para a Editorial Bruguera: - alguns romances do Oeste, de terror e inclusive uma história da escravatura, bem como outras obras com pseudónimos de origem anglófona.

Em 1963, editou - juntamente com Juan María Estadella - “A brujería e a superstição em Cataluña”. Em 1967, publicou o seu primeiro romance «sério».

Obteve, em 1971, o Prémio de romance curto Cidade de Barbastro, com “Unicornio”. Na década de 1970, apareceram outros títulos, como “O castelo da carta criptografada”.

Nos anos 1980, deixou alguns romances como “Diálogo em ré maior” e “Amado monstro”. O seu universo literário cresceu nos anos 1990, com a publicação de numerosos livros: “O gallitigre” (1990), “O crime do cinema Oriente” (1995), “Os mistérios da ópera” (1997), “Napoleón VII” (1999) ou “Contos perversos” (2002), entre outros.

Javier Tomeo vivia só. Não tinha irmãos. Não teve filhos. Nos últimos meses da sua vida, teve múltiplas complicações da diabetes, falecendo aos 80 anos, com uma grave infecção, no Hospital Sagrado Coração em Barcelona. Teve um funeral laico, sendo sepultado no cemitério de Quicena.

Tem uma rua com o seu nome em Saragoça.  Obteve o Prémio Aragón das Letras em 1994. Em Outubro de 2005, recebera a Medalha de Ouro da Prefeitura de Saragoça.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

8 DE SETEMBRO - MICHAEL HAGUE

EFEMÉRIDE - Michael Hague, ilustrador norte-americano, nasceu em Los Angeles no dia 8 de Setembro de 1948. Já ilustrou “O Mágico de Oz” (L. Frank Baum), “O Hobbit” (J.R.R. Tolkien) e histórias de Hans Christian Andersen.

No que respeita a livros, Michael ilustrou clássicos como “The Wind in the Willows”, “The Wizard of Oz”, “The Hobbit” e as histórias de Hans Christian Andersen. Ele é conhecido pelos detalhes intrincados e realistas que traz para os seus trabalhos e pelas cores ricas que escolhe.

Hague estudou no Art Center College of Design em Los Angeles. Ele listra as suas influências: a série de banda desenhada “Prince Valiant” e as obras da Disney, os gravadores japoneses Hiroshige e Hokusai e os ilustradores da viragem do século XX, Arthur Rackham, W. Heath Robinson, N.C. Wyeth e Howard Pyle.

A sua primeira grande chance veio através de Trina Schart Hyman que, como directora de arte do “Cricket Magazine”, lhe deu várias tarefas de capas.

Trabalhos mais recentes incluem a história em BD “In the Small”, um trabalho colaborativo com o seu filho, o designer gráfico Devon Hague, publicado em 2008 pela Little, Brown and Company.

Ele e a sua esposa, a autora Kathleen Hague, também colaboraram em vários livros.  Eles actualmente vivem em Colorado Springs. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

7 DE SETEMBRO - CTARINA MARTINS

EFEMÉRIDE - Catarina Soares Martins, actriz e política portuguesa, nasceu no Porto em 7 de Setembro de 1973.  É deputada na Assembleia da República e coordenadora nacional do Bloco de Esquerda.

Catarina Martins fez a primeira classe em São Tomé, onde os pais eram cooperantes, e a segunda e terceira classes em Cabo Verde. Regressou a Portugal aos nove anos e vive em cidades como Aveiro, Vila Nova de Gaia e Lisboa.

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, tem um mestrado em Linguística e frequência de doutoramento em Didáctica das Línguas. É casada e tem duas filhas.

Catarina Martins participou desde a juventude em diversos movimentos cívicos e políticos. No liceu, juntou-se à luta contra a Prova Geral de Acesso e, mais tarde, em Coimbra, onde estuda Direito, participou nos movimentos contra as propinas na universidade. O seu percurso levou-a ao envolvimento em movimentos culturais: foi co-fundadora, em 1994, da Companhia de Teatro de Visões Úteis e foi dirigente do CITAC e da Plateia (Associação de Profissionais das Artes Cénicas).

Foi eleita deputada à Assembleia da República pela primeira vez em 2009, ainda como independente nas listas do Bloco de Esquerda, tendo sido reeleita pelo círculo do Porto em 2011 e 2015. Nos primeiros anos de mandato, integrou as comissões de Educação, Ciência e Cultura, Economia e Obras Públicas, assim como a subcomissão de Ética.

Adere ao Bloco de Esquerda e integra a sua direcção desde 2010. Em 2012, juntamente com João Semedo, sucedeu a Francisco Louçã na liderança do partido. Em 2014, na sequência da IX Convenção, João Semedo abandonou a liderança, passando a vigorar uma nova Comissão Permanente da qual Catarina é porta-voz. Em 2016, após a X Convenção, a Comissão Permanente foi dissolvida e Catarina Martins assumiu as funções de coordenadora do Bloco de Esquerda.

Foi no mandato de Catarina Martins que o Bloco de Esquerda alcança o seu melhor resultado eleitoral de sempre, elegendo 19 deputados, superando o meio milhão de votos e obtendo 10,19% nas eleições legislativas. A 3 de Dezembro de 2015, na sequência do sucesso eleitoral e do afastamento da direita do poder, a conceituada revista norte-americana Politicoclassifica Catarina Martins como uma das 28 personalidades em destaque na Europa, considerando-a «a cara da esquerda» e referindo que «o sucesso de Martins provocou arrepios a todo o establishment da Europa».

Um estudo da consultora de comunicação Imago Llorent & Cuenca, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, colocou Catarina Martins entre os dez políticos mais influentes, na rede social Twitter. Em Março de 2017, o “Jornal Económico” considerou Catarina Martins a mulher mais influente em Portugal.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

6 DE SETEMBRO - SYLVESTER JAMES

EFEMÉRIDE Sylvester James, cantor de disco e de soul norte-americano, nasceu em Los Angeles no dia 6 de Setembro de 1947. Morreu em São Francisco, em 16 de Dezembro de 1988.

Começou a sua carreira nos anos 1970, integrado no grupo The Cockettes. Foi o responsável pelo grande sucesso “You Make Me Feel (Mighty Real)” gravado em 1978, faixa do álbum “Step II” (pela Fantasy Records), que foi número 1 da Billboard club hits. Outro grande sucesso seu foi: “Dance (Disco Heat)”.

Embora o barítono fosse a tessitura natural da sua voz, ficou famoso por dominar excepcionalmente a técnica do falsete, com a qual gravou os seus maiores êxitos.

Gay assumido, fazia performances como drag-queen, por vezes sendo chamado ‘Rainha da discoteca. No início de 1987, revelou que era portador do HIV. Tendo sido criado numa igreja evangélica, em criança, respondeu, quando questionado se pensava que a doença era algum castigo de Deus pela sua vida homossexual, afirmou: «Eu não acredito que a AIDS seja ira de Deus. As pessoas é que têm a tendência de culpar Deus por tudo».

Ficou aos cuidados da amiga de longa data, Jeanie Tracy, até ao fim da vida. Faleceu aos 41 anos, na decorrência da doença que contraíra.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

5 DE SETEMBRO - MIGUEL RELVAS

EFEMÉRIDE - Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas, político português, nasceu em Lisboa no dia 5 de Setembro de 1961.

Desceu pelas fileiras do Partido Social Democrata e do Governo, tendo-se tornado, em 2002, secretário de Estado da Administração Local durante o XV Governo Constitucional e, em 2011, ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares durante o XIX Governo Constitucional; apresentou a sua demissão a 4 de Abril de 2013, tendo sido substituído por Luís Marques Guedes e Miguel Poiares Maduro.

Viveu em Angola até 1974. De novo em Portugal, frequentou o Colégio Nun’Álvares, em Tomar.

Inscreveu-se pela primeira vez no ensino superior em 1984, no curso de Direito da Universidade Livre, uma instituição privada. Em 1985, concluiu - após frequência escrita e prova oral - a disciplina de Ciência Política e Direito Constitucional, com a classificação de 10 valores. Em Setembro desse ano, pediu transferência para o curso de História, ainda na Universidade Livre. Matriculou-se em sete disciplinas, mas não fez nenhuma.

Em 1995/1996, pediu reingresso na Universidade Lusíada para o curso de Relações Internacionais. Não frequentou nenhuma cadeira. A Universidade Lusíada anulou a matrícula de Miguel Relvas em 1996, por estar a dever 160.27 escudos (cerca de 800 euros) de propinas.

Em Setembro de 2006, requereu a sua admissão à Universidade Lusófona. Esta analisou o currículo profissional, bem como a frequência dos cursos de Direito e História anos antes. Em Outubro de 2007, Miguel Relvas concluiu a licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, curso com um plano de estudos de 36 cadeiras semestrais distribuídas por três anos, com a classificação final de 11 valores. Esta licenciatura foi concluída em apenas um ano. Em 2016, foi-lhe retirado o título de licenciado pela razão anteriormente referida.

Relvas obteve 32 equivalências e teve apenas de fazer exames a quatro disciplinas para poder concluir num ano a licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Lusófona de Lisboa. Os cargos públicos que Miguel Relvas ocupou desde os seus 26 anos valeram-lhe a equivalência a 14 disciplinas. A sua avaliação das «competências adquiridas ao longo da vida» teve em conta os nove cargos que ocupou como membro da delegação portuguesa da NATO, entre 1999 a 2002, e como secretário da direcção do grupo parlamentar do PSD, entre 1987 e 2001. Os cargos políticos desempenhados permitiram obter equivalências a três disciplinas do 2º ano e ainda a mais uma do 3º ano. Por fim, a avaliação do «exercício de funções privadas, empresariais e de intervenção social e cultural» permitiram adquirir equivalências a mais 15 disciplinas.

Relvas realizou apenas quatro exames para que pudesse concluir o 1º ciclo de estudos (licenciatura). Fez as provas nas cadeiras de Quadros Institucionais da Vida Económico-Político-Administrativo, do 3º ano (12 valores), Introdução ao Pensamento Contemporâneo, do 1ºano (18 valores), Teoria do Estado, da Democracia e da Revolução, do 2º ano (14 valores) e ainda Geoestratégia, Geopolítica e Relações Internacionais, do 3º ano (15 valores). O reitor da Universidade Lusófona, na altura em que Relvas estava inscrito, Santos Neves, deu-lhe a melhor nota do seu currículo académico - 18 valores na cadeira Introdução ao Pensamento Contemporâneo. Esta disciplina estava, no entanto, a cargo de Fernando Pereira Marques.

Também dez alunos da turma de Miguel Relvas (1P1) afirmaram que nunca o viram nem nos testes nem nas aulas da cadeira. Confirmam de igual modo que Santos Neves nunca foi professor da turma. Algumas das cadeiras a que lhe foram atribuídas equivalências não existiam em 2006/2007, ano lectivo em que esteve matriculado na Lusófona. A validade da sua licenciatura foi analisada pelo Ministério da Educação, tendo o ministro da Educação, Nuno Crato, entendido que uma das cadeiras foi concluída sem ter sido feito o exame correspondente, de acordo com o jornal “Público”.

Miguel Relvas foi o único caso, entre 152 sinalizados pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência, em que a Universidade Lusófona recusou acatar a ordem para anular os créditos e promover o cancelamento do diploma de ensino superior.

A perda da licenciatura acabou por ser confirmada em 30 de Junho de 2016 pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa. Relvas decidiu não recorrer da sentença.

No registo biográfico entregue no Parlamento quando foi eleito pela primeira vez deputado (na IV Legislatura, iniciada a 4 de Novembro de 1985), Miguel Relvas escreveu na alínea das habilitações literárias: «Estudante universitário, 2º ano de Direito» - informação semelhante à do registo entregue na legislatura seguinte. Tendo Relvas feito apenas uma cadeira do 1º ano de Direito. Em Julho de 2012, afirmou que foi um lapso ter declarado à Assembleia da República, por duas vezes, que tinha frequentado o 2º ano do curso de Direito.

Foi secretário-geral da Juventude Social Democrata, de 1987 a 1989, deputado à Assembleia da República, entre 1985 e 2009, presidente da Assembleia Municipal de Tomar, entre 1997 e 2012, presidente da Região de Turismo dos Templários, entre 2001 e 2002, presidente da Assembleia-Geral da Associação de Folclore da Região de Turismo dos Templários (2001/2002), secretário de Estado da administração local de Durão Barroso, entre 2002 e 2004, e secretário-geral do PSD, de 2004 e 2005, e - novamente - a partir de 2010. Foi o ministro dos Assuntos Parlamentares no governo de coligação PSD-CDS liderado por Pedro Passos Coelho até ao dia 4 de Abril de 2013, quando pediu a sua demissão.

Actualmente, já está reformado e recebeu, em 2011, 14 mil euros a título de pensão. Relvas optou por suspender a pensão quando foi convidado a integrar o Governo de Passos Coelho. Quando integrou este Governo deixou de receber 2800 euros mensais, uma subvenção vitalícia por 12 anos de actividade política.

Integrou como membro a Maçonaria através da Loja Universalis do Grande Oriente Lusitano, da qual se terá afastado.

Também esteve envolvido no célebre caso das Viagens-Fantasma, polémica surgida a 20 de Outubro de 1989, publicada por “O Independente”.

Outro caso, foi de supostos favorecimentos à empresa Tecnoforma, onde na data era administrador Pedro Passos Coelho. O caso foi alvo de queixa da eurodeputada Ana Gomes ao Gabinete da Luta Anti-fraude da União Europeia (OLAF), que abriu um processo de investigação. O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) também abriu inquérito devido às suspeitas dos crimes de desvio de fundos, corrupção, prevaricação e tráfico de influências.

Miguel Relvas casou, em Santarém, com Ana Paula Milhano Pintão de quem tem uma filha. A relação terminou em Outubro de 2011.

Casou-se com Marta Sousa, assessora de imprensa de Pedro Passos Coelho, em 25 de Outubro de 2013.

domingo, 4 de setembro de 2022

4 DE SETEMBRO - JOSÉ MANUEL SARMNTO DE BEIRES

EFEMÉRIDE - José Manuel Sarmento de Beires, major do exército português e pioneiro da aviação em Portugal, nasceu em   Lisboa no dia 4 de Setembro de 1893. Morreu no Porto em 8 de Junho de 1974.

Frequentou, com o seu irmão, o Colégio Militar.

Recebeu o seu diploma de piloto em 10 de Maio de 1917, numa sessão realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa, em que também foram entregues os diplomas aos outros 12 primeiros pilotos militares portugueses que eram - além de José Manuel Sarmento de Beires - Olímpio Ferreira Chaves, Azeredo Vasconcelos, Sousa Gorgulho, João Luís de Moura, Luís Cunha e Almeida, António Cunha e Almeida, Miguel Paiva Simões, Pereira Gomes J., Rosário Gonçalves, Duvale Portugal, Aurélio Castro e Silva, e José Joaquim Ramires.

Foi o primeiro a realizar a travessia aérea nocturna do Atlântico Sul, em 1927.

Foi condecorado com os graus de comendador da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito em 5 de Outubro de 1924 (14º aniversário da República) e de comendador da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo a 5 de Outubro de 1925 (15º aniversário da República).

Sarmento de Beires distinguiu-se ainda como opositor ao regime ditatorial instaurado no país pelo golpe de 28 de Maio de 1926, que entretanto o condecorara com os graus de oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico em 30 de Janeiro de 1928 e de grande-oficial da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 3 de Fevereiro de 1928, tendo participado na última sublevação armada contra a Ditadura Nacional em 1928, antes de se exilar no Brasil.

Foi iniciado em 1930 na Maçonaria, na loja Paz com o nome simbólico de Bartolomeu Dias.

Em 11 de Junho de 1964, foi agraciado com o grau de comendador da Ordem do Império. Regressou a Portugal depois da Revolução dos Cravos.

O seu nome perdura na toponímia portuguesa, em nomes de arruamentos, e - em Vila Nova de Milfontes - foi erigido um monumento em homenagem ao raid aéreo Lisboa-Macau.

Em 1924, os capitães António Jacinto da Silva de Brito Pais e José Manuel Sarmento de Beires e o tenente Manuel António Gouveia, fizeram a primeira viagem aérea Portugal-Macau, no avião “Pátria”. Apesar de ficar conhecida na história por Raid Lisboa-Macau, a partida deu-se do Campo dos Coitos, junto a Milfontes em 7 de Abril de 1924. Em homenagem aos aviadores e ao seu feito histórico, foi erguido na Praça da Barbacã, junto ao forte, um monumento que recorda a heróica viagem. Tendo o “Pátria” se perdido num acidente na Índia, um novo aeroplano foi adquirido graças a contribuições da população portuguesa em ampla campanha popular, o “Pátria II”, com o qual o percurso foi finalmente completado.

Concebido em 1924, o seu projecto era o de realizar a circum-navegação aérea originalmente idealizada por Artur de Sacadura Freire Cabral, repetindo o feito marítimo de Fernão de Magalhães no século XVI. Para esse fim, adquiriu um hidroavião Dornier Do J (Wal), metálico, com dois motores Lorraine-Dietrich de 450 cv, que baptizou como “Argos”. A viagem iniciou-se finalmente a 7 de Março de 1927, sendo cumprido o trecho Alverca-Casablanca. A equipa era composta por Sarmento de Beires e Duvalle Portugal (pilotos), Jorge de Castilho (navegador) e Manuel Gouveia (mecânico). Em Bolama, problemas técnicos impedem a decolagem e o piloto Duvalle sacrifica-se, permanecendo em terra para aliviar o peso da aeronave e permitir o prosseguimento da viagem. Após outros problemas, descolam no dia 16, às 18:08 h, rumo ao Brasil. Devido a problemas de alimentação, o mecânico Gouveia necessitou intervir por duas vezes, salvando o voo. O navegador Castilho dirigiu a aeronave até aos Penedos de São Pedro e São Paulo, de onde inflectiu para Fernando de Noronha, onde chegaram às 12:20 h, perfazendo 2595 quilómetros em 18:12 h de voo. Recebidos pelo director do presídio na ilha, este exclamou: «Não sabíamos de nada! Mais a mais, os aviões não costumam chegar, pelo ar, a Fernando de Noronha».

O voo prosseguiu com escalas no Recife, Natal e Rio de Janeiro. Nesta última cidade, Sarmento Beires escreveu no seu diário: «Batemos um recorde, 14 discursos em 12 horas». De Portugal, apenas chega um telegrama de felicitações assinado por Gago Coutinho: a viagem desagradara à ditadura militar portuguesa, que ordenou o regresso, frustrando a viagem de circum-navegação. Em Natal, no retorno, encontram o Jahu”, o avião brasileiro que tinha acabado de realizar a primeira travessia aérea sem escalas do Atlântico Sul.

Em 5 de Junho, descolam de Belém. Uma porta mal reparada solta-se em pleno voo, rasgando uma asa: era o fim da aeronave, retornando a tripulação de barco até Lisboa.

Casou pela primeira vez em 25 de Março de 1920 com Maria Luísa Lalande (1892/1969), da qual se divorciou e não havendo descendência.

Casou pela segunda vez a 9 de Janeiro de 1958 com Lucília Helena Guimarães Lima, da qual também não teve qualquer filho. 

sábado, 3 de setembro de 2022

3 DE SETEMBRO - FERNANDO MACHADO SANTOS

EFEMÉRIDE - Fernando Machado Soares, poeta, cantor, intérprete e compositor no âmbito da Canção de Coimbra, jurista e juiz jubilado, nasceu em São Roque do Pico no dia 3 de Setembro de 1930. Morreu em Almada, em 7 de Dezembro de 2014.

Foi mais conhecido pela suas canções “Balada da Despedida do 6ºº ano Médico” (1958) e “Coimbra tem Mais Encanto”.

Nascido em São Roque do Pico, Ilha do Pico, Açores, era descendente do último capitão-mor das Lajes do Pico. Licenciou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, nos anos 1950.

Participou no filme “Rapsódia Portuguesa”.

Após ter concluído o curso superior, suspendeu durante alguns anos a sua actividade artística. Porém, acompanhou o Orfeão Académico de Coimbra aos Estados Unidos (1962), onde cantou com êxito em Nova Iorque (Lincoln Center), Boston, Chicago e Atlanta. Participou ainda num programa televisivo da NBC.

Autor de diversos temas célebres, entre eles a “Balada da Despedida do 6º Ano Médico” (1958, em co-autoria com Francisco Bandeira Mateus.

Fernando Machado Soares, que foi juiz-conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, recebeu em 2006 o Prémio Tributo Amália Rodrigues «pela excelência da carreira artística e dedicação aos outros».

Faleceu aos 84 anos em Almada, cidade onde se realizou o funeral.

Deixou três álbuns publicados: “The Fado Of Coimbra”, 1994; “O Melhor De 2 - Fernando Machado Soares / Luís Goes”, 2001; e “Fernando Machado Soares”, 2006.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

2 DE SETEMBRO - JACK LANG

EFEMÉRIDE - Jack Lang, político francês, nasceu em Mirecourt (Vosges), no dia 2 de Setembro de 1939.

Foi ministro da Cultura de François Mitterrand e, em 1981, lançou as bases do renascimento da indústria cinematográfica francesa, com um modelo de forte intervenção do Estado, bem como a “Fête de la Musique” (“Festa da Música”, 21 de Junho), onde qualquer pessoa ou grupo musical sai às ruas à noite para tocar algum instrumento musical e comemorar a chegada do Verão.

Em 2012, não foi eleito para a Assembleia da França, mas continua sendo um nome de referência e conta com grande popularidade em França.

A “Lei Lang”, também chamada de “Lei do Preço Fixo em França”, aprovada em 1981 quando ele era ministro da Cultura, impunha limite a descontos dados por livrarias, com o objectivo de evitar a concorrência desleal.

Embora tenha perdido as eleições em 2012, a Assembleia Francesa continua a actualizar a lei que tem o seu nome e, entre 2013 e 2014, deputados e senadores aprovaram uma emenda que impede a vendedora online Amazon de conceder descontos superiores a 5% bem como o envio grátis.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

1 DE SETEMBRO - BARRY GIBB

EFEMÉRIDE - Barry Alan Crompton Gibb, cantor, compositor, produtor e guitarrista britânico, nasceu em   Douglas, Ilha de Man, no dia 1 de Setembro de 1946. Tornou-se mundialmente famoso como um dos membros dos Bee Gees. É o único integrante ainda vivo.

Em 1956, os pais descobriram o talento musical dos filhos. Barry ganhou a sua primeira guitarra e rapidamente aprendeu a tocar.

A sua família mudou-se de Manchester, na Inglaterra, para Brisbane, na Austrália, onde em 1957 ele e os seus irmãos, os gémeos Robin e Maurice, formaram os Bee Gees, que se tornou um dos grupos musicais de maior sucesso de todos os tempos.

Em 1961, Barry acabou os estudos e a família mudou-se para a área de Surfers Paradise, passando frequentemente (1961 e 1962) a actuar em hotéis e clubes nocturnos.

Em 1976, lançaram “Children of the World”, considerado como o «primeiro álbum disco music» da banda, que continha a balada “Love So Right” e o hit “You Should Be Dancing”, um clássico do género. Foi nestes dois discos que surgiu o famoso falsete (voz aguda) de Barry, que alguns anos depois se tornaria marca registada do grupo.

Ele ainda compôs, em 1978, a faixa-título do filme musical “Grease - Nos Tempos da Brilhantina”, interpretada por Frankie Valli. Entre 1977 e 1979, ninguém superava os Bee Gees, em qualquer rádio, no mundo inteiro.

Na década de 1980, os Bee Gees deixaram a carreira como cantores um pouco de lado e investiram na produção de discos para outros artistas. Barry produziu “After Dark” para o irmão mais novo Andy Gibb e “Guilty” para Barbra Streisand, que vendeu mais de vinte milhões de cópias no mundo inteiro. Num último trabalho como produtor, Barry Gibb assinou a banda sonora do filme “Hawks”. Em 1988, a família sofreu um forte abalo com a morte de Andy, de apenas 30 anos, que sofria de um problema cardíaco agravado após anos de uso de drogas e álcool.

Em 2003, veio outro desgosto: a morte repentina do irmão e companheiro de banda Maurice, aos 53 anos. Barry e Robin concordaram: não existe Bee Gees sem um deles. Portanto, com a morte de Maurice, a banda acabava ali. Depois do luto, Barry trabalhou compondo e produzindo para Cliff Richard, em 2004, e para Barbra Streisand, em 2005, revivendo o sucesso de 1980. O álbum “Guilty Pleasures”, produzido para ela, foi bem visto em todo o mundo e incluía os singles “Come Tomorrow” em dueto com Barry e “Stranger In a Strange Land”. Ainda em 2005, a dupla relançou o álbum “Guilty”, como edição especial de 25 anos, com CD e DVD, o que fez com que Barry aparecesse na imprensa mais uma vez.

Seguindo carreira solo, já em 2006, ele começa a lançar várias músicas no iTunes: lança os seus novos singles “Doctor Mann” e “Underworld” e as demos dos álbuns produzidos por ele na década de 1980 - “The Guilty Demos”, “The Heartbreaker Demos”, “The Eyes That See in the Dark Demos” e “The Eaten Alive Demos”, todos exclusivamente no iTunes.

Lançou em 2007 o single country “Drown on the River”, que esteve na banda sonora do filme “'Deal”.

Em 14 de Fevereiro de 2009, apresentou-se no Love and Hope Ball, interpretando os sucessos dos Bee Gees, com participações de Olivia Newton-John e seu filho Steve Gibb. Em Março de 2009, Barry apresentou-se no Sound Relief em Sydney, na Austrália, interpretando os grandes sucessos dos Bee Gees, novamente ao lado de Olivia Newton-John, show que ainda contou com apresentações de vários artistas, como a banda Coldplay.

Ainda em 2009, Barry e o irmão Robin anunciaram a volta dos Bee Gees aos palcos. Mas após raras apresentações na TV e em algumas ocasiões beneficentes, a banda terminou de vez com a morte de Robin, em 2012, após quase dois anos lutando contra um cancro.

No dia 19 de Fevereiro de 2011, Barry apresentou-se ao lado de Kelly Lang no Love and Hope Ball. Em Dezembro de 2011, Barry disponibilizou no seu site uma música em parceria com Michael Jackson, “All In Your Name”. Gravada em fins de 2002, é uma balada acompanhada de um vídeo caseiro onde aparecem Barry e Michael gravando a canção num estúdio.

Em Fevereiro de 2013, Barry saiu na sua primeira tournée, Mythology Tour, para promover o álbum “Mythology”, dos Bee Gees.

Em Junho de 2016, Barry assinou com a gravadora Columbia/Sony, lançando o seu primeiro disco a solo em 32 anos. Lançado em 7 de Outubro, “In The Now” dá sequência a “Now Voyager”, de 1984, e é o primeiro álbum a solo de Gibb desde então inteiramente composto de músicas inéditas. O álbum atingiu o nº 2 nas paradas de sucesso na Inglaterra, o nº 3na Austrália e o nº17 na Alemanha.

Os últimos lançamentos com participação do vocalista foram “This Is Where I Came In”, disco derradeiro dos Bee Gees lançado em 2001, e “Guilty Pleasures”, inteiramente produzido por Barry para Barbra Streisand, em 2005.

Em 8 de Fevereiro de 2015, no 57º Prémio Grammy, Gibb, juntamente com o grupo Pentatonix apresentou a categoria de Melhor Álbum Vocal. Em 26 de Março de 2015, Gibb foi um dos artistas principais num festival de música chamado Hard Rock Rising Miami Beach Global Music Festival ao lado de Andrea Bocelli, Gloria Estefan, Flo Rida, Jon Secada e Wyclef Jean. Pela primeira vez em público, ele realizou a sua nova música “The Home Truth Song”.

Em 26 de Junho de 2016, Gibb estava programado para participar no Glastonbury Festival na Inglaterra, como artista principal, mas desistiu devido a uma doença familiar. No entanto, apareceu com Coldplay como um artista convidado cantando “To Love Somebody” e “Stayin ‘Alive”.

Em 28 de Junho de 2016, foi anunciado que Gibb havia assinado com a Columbia Records e lançaria o seu segundo álbum a solo, “In the Now”, em 7 de Outubro de 2016. O álbum é o primeiro álbum de Gibb com todo o material novo desde o álbum de estúdio final da Bee Gees, “This Is Where I Came In” (2001). O novo álbum foi co/escrito por seus filhos Stephen e Astley, e foi produzido com John Merchant.

Em 25 de Junho de 2017, Gibb apresentou-se como artista principal no Glastonbury Festival na Inglaterra, tendo uma boa aceitação, tanto na imprensa, como dos fãs presentes.

Em 30 de Dezembro de 2017, Barry foi nomeado pela rainha Isabel II do Reino Unido como comandante da Ordem do Império Britânico, passando assim a ser «Sir Barry Gibb».

Junto com os Bee Gees, Barry está, desde Junho de 1994, no Hall da Fama dos Compositores pela sua grande contribuição para a música.

Barry foi casado com Maureen Bates de 1966 a 1970. No mesmo ano, em 1 de Setembro, casou-se com a modelo Linda Ann Gray, com quem vive até hoje e com quem teve cinco filhos.

Embora seja canhoto, Barry toca guitarra com a mão direita.

Em 2009, Barry lamentou publicamente a morte do astro Michael Jackson, declarando que este era «um amigo de total confiança» e que perdera «mais um membro muito importante da sua família». Michael Jackson também era padrinho de Michael Gibb, o quarto filho de Barry e Linda.

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