sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

9 DE DEZEMBRO - JOHN CASSAVETE

Frequentemente chamado de o «pai do cinema independente dos Estados Unidos», tornou-se uma referência no seu país por conta do seu estilo autoral e quase artesanal de trabalho, o qual incluía orçamento reduzido, produção independente e a mesma equipa de técnicos e actores - geralmente amigos do cineasta.

Como actor, é mais conhecido pela sua actuação em “Os 12 Condenados” e “O Bebé de Rosemary”.

Filho de imigrantes gregos, Nicholas John Cassavetes e Katherine Demetri, cresceu em Long Island e cursou o curso secundário na Blair Academy, de Nova Jérsei, antes de estudar na American Academy of Dramatic Arts. Após se graduar em 1950, seguiu a actuar no teatro, fez pequenos papéis em filmes e começou a trabalhar na televisão, onde actuou na série “Alcoa Theatre”.

Durante aquele tempo, conheceu e casou-se com a actriz Gena Rowlands. Em 1956, Cassavetes começou a ensinar actuação teatral com palestras em Nova Iorque. Foi durante um seminário que surgiu em Cassavetes a ideia de escrever e dirigir um filme sobre a improvisação. Este foi “Shadows”, seu filme de estreia, em 1959.

Cassavetes angariou recursos para a produção de seu filme junto de amigos e familiares. Não conseguindo distribuidores nos Estados Unidos, o jovem cineasta levou “Sombras” para a Europa, onde o filme foi contemplado com o Prémio da Crítica no Festival de Veneza. Distribuidores europeus lançaram o filme mais tarde.

Embora o público norte-americano tenha desprezado “Sombras”, a obra chamou a atenção dos estúdios de Hollywood. Assim, Cassavetes mudou-se e produziu dois filmes para Hollywood, no começo da década de 1960: “A Canção da Esperança” (1961) e “Minha Esperança É Você” (1963). Neste último, um desentendimento com um produtor levou Cassavetes a desistir do cinema dos grandes estúdios e foi o passo definitivo para se tornar um realizador independente.

Paralelamente à carreira de cineasta, Cassavetes actuou em filmes como “Os 12 Condenados” (de Robert Aldrich, 1967), pelo qual recebeu a nomeação para o Oscar de Melhor Actor coadjuvante) e “O Bebéde Rosemary” (de Roman Polanski, 1968). Outras notáveis aparições incluem “The Killers” (de Donald Siegel, 1964) e “A Fúria” (de Brian DePalma, 1978).

O seu próximo filme como director (e sua segunda obra independente) foi “Faces”, filme que teve no elenco a esposa Gene Rowlands. Adaptado de uma peça teatral do próprio cineasta, “Faces” relatava a lenta desintegração de um casamento e recebeu três nomeações para os Oscars - Melhor Guião Original, Melhor Actor coadjuvante (para Seymour Cassel, que acompanharia Cassavetes em outras produções do cineasta) e Melhor Actriz coadjuvante ia (para Lynn Carlin).

A seguir, viriam “Husbands”, de 1970, o qual estrelaram Cassavetes, Peter Falk e Ben Gazzara, outro actor que acompanharia o cineasta nas suas produções. No ano seguinte, foi lançado “Tempo de Amar” (ou “Assim falou o amor”), com Gene Rowlands e Seymour Cassel no elenco.

As suas três obras-primas durante os anos 1970 foram produções independentes. “Uma Mulher sob Influência”, de 1974, no qual Gena Rowlands actuou de modo brilhante como uma problemática incompreendida dona de casa de classe média-baixa norte-americana. Ela recebeu uma nomeação para o Oscar de Melhor Actriz, enquanto Cassavetes foi nomeado para ao Prémio de Melhor Director.

Ben Gazzara protagonizou o dono de um clube de strip em “A Morte de um Apostador Chinês”, de 1976. Em “Noite de Estreia”, de 1977, Gena Rowlands, John Cassavetes e Ben Gazzara encontraram-se (Peter Falk aparece no final do filme num papel não creditado). Rowlands fez o papel de uma actriz em crise por ter visto uma de suas fãs morrer, ao mesmo tempo que lida com uma complicada produção teatral na qual ela se sente insegura de interpretar um papel complexo no qual não consegue identificar-se. Por este papel, Rowands recebeu uma nomeação para o Globo de Ouro como Melhor Actriz - Drama em 1978.

Um de seus filmes mais populares foi “Glória”, de 1980, estrelado por Rowlands que recebeu a sua segunda nomeação para o Oscar. Quatro anos depois, Cassavetes dirige “Amantes”, obra em que actua também com Rowlands, o último de ambos juntos. E “Um Grande Problema”, de 1986, seria o último filme do realizador.

Cassavetes morreu de cirrose hepática em 1989, aos 59 anos, deixando a esposa Gene Rowlands e três filhos. Um deles, Nick Cassavetes, seguiu os passos do pai como actor e director.

Foi sepultado no Westwood Village Memorial Park Cemetery. 

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