quinta-feira, 27 de outubro de 2022

27 DE OUTUBRO - GRACILIANO RAMOS

EFEMÉRIDE - Graciliano Ramos de Oliveira, romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX, mais conhecido por sua obra “Vidas Secas” (1938), nasceu em Quebrangulo no dia 27 de Outubro de 1892. Morreu no Rio de Janeiro em 20 de Março de 1953.

Nascido numa grande família de classe média, viveu os primeiros anos de sua infância migrando para diversas cidades da Região Nordeste do Brasil.

Trabalhou como jornalista na cidade do Rio de Janeiro, onde escreveu para “O Malho” e “Correio da Manhã”, até regressar para o Nordeste em 1915, devido a tragédia familiar em que perdeu quatro irmãos, vítimas de peste bubónica.

Fixou-se na cidade de Palmeira dos Índios, onde se casou e, em 1927, foi eleito prefeito, cargo que exerceu durante dois anos. Logo, voltou a escrever e publicou seu primeiro romance, “Caetés” (1933).

Vivendo em Maceió durante a maior parte da década de 1930, trabalhou na Imprensa Oficial e publicou “São Bernardo” (1934). Foi preso na capital alagoana em Março de 1936, acusado de ser militante comunista, ou seja, o chamado «crime de subversão». Esse incidente o inspiraria de publicar duas de suas principais obras: “Angústia” (1936) e o texto “Baleia”, que daria origem a “Vidas Secas” em 1938.

Já na década de 1940, ingressou no Partido Comunista Brasileiro ao lado do militar e político Luís Carlos Prestes. Nos anos posteriores, realizaria viagens a países europeus, incluindo a União Soviética em 1952.

Morreu em Março do ano seguinte, aos 60 anos, no Rio de Janeiro. As suas obras póstumas notáveis incluem “Memórias do Cárcere”, a crónica “Viagem” e o livro de contos “Histórias de Alexandre”.

Tradutor de obras em inglês e francês e honrado com diversos prémios em vida, a obra de Graciliano Ramos recebeu riqueza da crítica literária e a atenção do mundo académico. O seu romance modernista também conhecido como regionalista “Vidas Secas” é visto como um clássico da literatura brasileira.

Encontra-se colaboração da sua autoria na revista luso-brasileira “Atlântico”.

Graciliano Ramos, primeiro de dezasseis irmãos, nasceu numa família do sertão nordestino, viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro, como Buíque, Pernambuco, Viçosa, Maceió, Palmeira dos Índios e Alagoas. Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando como jornalista.

Em Setembro de 1915, motivado pela morte dos irmãos Otacília, Leonor e Clodoaldo e do sobrinho Heleno, voltou para o Nordeste, fixando-se junto do pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios, Alagoas. Neste mesmo ano, casou-se com Maria Augusta de Barros, que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos.

Foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Apoiado pelo governador do estado e impulsionado por ser um nome de fora da política, foi eleito num pleito de uma candidatura só. Ficou no cargo durante dois anos, renunciando em 1930. Os relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a atenção de Augusto Frederico Schmidt, editor carioca, que o animou a publicar “Caetés” (1933).

Entre 1930 e 1936. viveu em Maceió, trabalhando como director da Imprensa Oficial, professor e director da Instrução Pública do estado.

Em 1934, havia publicado “São Bernardo” e, quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso após a Intentona Comunista de 1935. Foi levado para o Rio de Janeiro e ficou preso durante onze meses, sendo liberado sem ter sido acusado de nada ou julgado. Em “Memórias do Cárcere”, lê-se a seguinte passagem, em que Graciliano Ramos, preso em 1936, recorda a prisão que sofrera seis anos antes: «Chegamos ao quartel do 20º Batalhão. Estivera ali em 1930, envolvera-me estupidamente numa conspiração besta com um coronel, um major e um comandante da polícia e, vinte e quatro horas depois, achava-me preso e só. Pensando nessas coisas, desci do automóvel, atravessei o pátio que, em 1930, via cheio de entusiastas enfeitados com braçadeiras vermelhas. (...). Se todos os sujeitos perseguidos fizessem como eu, não teria havido uma só revolução no mundo. As minhas armas, fracas e de papel, só podiam ser manejadas no isolamento».

Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar “Angústia” (1936), considerada por muitos críticos como a sua melhor obra. Com a sua representação da angústia existencial, pode ser considerado um precursor do existencialismo (uma interferência directa do Existencialismo).

Em 1938, publicou “Vidas Secas”. Em seguida, estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspector federal de ensino.

Em 1945, ingressou no Partido Comunista Brasileiro de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes; nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com a segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro “Viagem” (1954). Ainda em 1945, publicou “Infância”, relato autobiográfico.

Adoeceu gravemente em 1952. No começo de 1953, foi internado, mas acabou por falecer em Março daquele ano, aos 60 anos, vítima de cancro do pulmão.

Após a sua morte, a editora José Olympio passou longos tempos sem reeditar as obras do autor, mesmo havendo procura por parte do público. Isso motivou a família a vender os direitos de publicação à editora Martins, que, na década de 1960, lançou a sua obra completa. Além dos livros já publicados pela José Olympio, foram acrescentados os volumes “Alexandre e outros heróis”, que compilava três livros que Graciliano Ramos escreveu destinados ao público infanto-juvenil: “A terra dos meninos pelados” (1939); “Histórias de Alexandre” (1944) e “Pequena História da República”, sendo este até então inédito; “Linhas tortas”, que compilava vários textos publicados em jornal; e “Viventes das Alagoas”, que compilava crónicas publicadas na revista de propaganda varguista Cultura Política”. As suas cartas só seriam publicadas na década de 1980.

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