quinta-feira, 9 de junho de 2005

POEMINHA DE LOUVOR AO "STRIP-TEASE" SECULAR
de Millôr Fernandes

Eu sou do tempo em que a mulher
Mostrar o tornozelo
Era um apelo!
Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas
De mulher
Sem saia;
Mas foi na praia!

A moda avança
A saia sobe mais
Mostra os joelhos
Infernais!

As fazendas
Com os anos
Se fazem mais leves
E surgem figurinhas
Em roupas transparentes
Pelas ruas:
Quase nuas.
E a mania do esporte
Trouxe o short.
O short amigo
Que trouxe consigo
O maiô de duas peças.
E logo, de audácia em audácia,
A natureza ganhando terreno
Sugeriu o biquíni,
O maiô de pequeno ficando mais pequeno
Não se sabendo mais
Até onde um corpo branco
Pode ficar moreno.

Deus,
A graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!


NB: - respeitada a ortografia brasileira
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quarta-feira, 8 de junho de 2005

UM POETA DE VEZ EM QUANDO:

Florbela Espanca

FRÉMITO DO MEU CORPO...


Frémito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,

Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!

E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas...

E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...

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terça-feira, 7 de junho de 2005

PATRÃO ESPERTO

O empregado entrou no escritório do patrão, com ar tímido e disse:
- Senhor Doutor, o senhor desculpe, mas já há três meses que não recebo o meu salário!
- Tudo bem, Sr. Almeida! Está desculpado!

UM POETA DE VEZ EM QUANDO

Joaquim Pessoa

SONETO ANTI-COLONIALISTA


Ah Diogo! Ah Cão! Em que desaire
Pretendes colocar o teu padrão?
El-rei morreu. As naus de clarear
São agora de um povo nosso irmão.

Dispensámos as balas e os escravos
E mais para diante navegamos.
Negreiros não. Dissemos sim aos cravos.
O mar não dói. E a terra não tem amos.

Ah Diogo! Ah Cão! Que resultado
Esperavas deste povo a ver morrer
O seu corpo na farda de soldado?

Esta nau do futuro há-de vencer!
Mas há cães que só ladram o passado
Porque o presente é duro de roer!

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segunda-feira, 6 de junho de 2005

UM POETA DE VEZ EM QUANDO:

Matilde Rosa Araújo

HISTÓRIA DO SENHOR MAR
(infantil)


Deixa contar...
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda...
Com muita onda...

E depois?
E depois...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
E depois...

A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe...

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Dias «Disto» e «Daquilo»...
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domingo, 5 de junho de 2005

O SONHO TAMBÉM SE AGARRA
(quadras)

Para vencer o destino
Eu gritei como a cigarra
Aprendi desde menino:
O sonho também se agarra

Acredita no destino
Aguenta a tua barra
Mesmo sendo pequenino
O sonho também se agarra

Tanto choro e tanta dor
Tanto riso e tanta farra
Se viveres com amor
O sonho também se agarra

Que o destino não varra
Tanta pessoa querida
O sonho também se agarra
Mas é preciso ter vida

Olho as cordas da guitarra
E dou por mim a pensar
O sonho também se agarra
Se nós soubermos lutar


Gabriel de Sousa

DITADOS POPULARES ADAPTADOS À ERA INFORMÁTICA.

* A pressa é inimiga da conexão!
* Amigos, amigos, senhas aparte.
* Antes só do que em chats aborrecidos!
* Arquivo dado não se olha o formato!
* Diga-me qual a sala de chat que você frequenta e te direi quem és!
* Para todo bom provedor uma senha basta.
* Não adianta chorar sobre o arquivo deletado.
* Em briga de namorados virtuais, não se mete o rato!
* Hacker que ladra, não morde!
* Rato sujo se limpa em casa!
* Melhor prevenir que formatar.
* O barato sai caro e lento...
* Programa velho é que faz site bom...
* Quando a esmola é demais, o santo desconfia que veio algum vírus anexado!
* Quem clica seus males multiplica!
* Quem com vírus infecta, com vírus será infectado!
* Quem envia o que quer, recebe o que não quer!
* Quem não tem banda larga, caça com modem!
* Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla!
* Quem tem dedo vai a Roma.
* Um é pouco, dois é bom, três é chat!
* Vão-se os arquivos e ficam os backups!
* Não deletei, não sei quem deletou e tenho raiva de quem deleta!
* O backup morreu de velho!
* É nos menores chips que se encontram as melhores informações!

UM POETA DE VEZ EM QUANDO...

... Natália Correia


Auto-retrato


Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

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(sem legenda)
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«Pirata Informático»
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sábado, 4 de junho de 2005

UM POETA DE VEZ EM QUANDO...

... José Régio


SONETO DE AMOR


Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

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sexta-feira, 3 de junho de 2005

UM POETA DE VEZ EM QUANDO...

... José Carlos Ary dos Santos


POETA CASTRADO NÃO !


Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

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quinta-feira, 2 de junho de 2005

PORQUÊ?


- Por que é que os naturais de Espanha são Espanhóis e os da Rússia não são Rissóis?
- Por que é que os naturais da Suécia são Suecos e os de Marrocos não são Marrecos?
- Por que é que os naturais de Marrocos são Marroquinos e os da Suíça não são Suínos?
- Por que é que as pessoas da Polónia são Polacas e as da Estónia não são Estacas?
- Por que é que se diz Discoteca em vez de Discotoca se o disco toca e não teca?
- Por que é que se diz Espingarda em vez de Espungarda pois ela faz pum e não pim?
- Por que é que os que andam no mar são Marujos e os do ar não são Araújos?
- Por que é que as batatas grelam e os grelos não batatam?

Por que é que está a ler esta porcaria? Não tem nada de mais útil para fazer?
SENSIBILIDADE MASCULINA...

Um homem estava em coma há algum tempo.
Sua esposa ficava à cabeceira dele dia e noite.
Até que um dia o homem acorda, faz um sinal para a mulher se aproximar e sussurra-lhe:
- Durante todos estes anos estiveste ao meu lado.
- Quando me licenciei ficaste comigo.
- Quando a minha empresa faliu, só tu ficaste lá e apoiaste-me.
- Quando perdemos a casa, ficaste perto de mim.
- E desde que fiquei com todos estes problemas de saúde, nunca me abandonaste.
- Sabes uma coisa?
Os olhos da mulher encheram-se de lágrimas:
- Diz amor...
- Acho que me dás azar!

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muitas mais...