quinta-feira, 31 de agosto de 2017

31 DE AGOSTO - ANNA PAULA


EFEMÉRIDE Anna Paula, de seu verdadeiro nome Maria Zulmira Pereira Lemos Zeiger, actriz e professora de teatro portuguesa, morreu em Lisboa no dia 31 de Agosto de 2016. Nascera em Braga, em 26 de Maio de 1929.
Com uma actividade bastante premiada, teve participações na televisão (cerca de 35 trabalhos, entre 1059 e 2008), no cinema (3 filmes), na rádio, em dobragens e no teatro.
Neste último género trabalhou nas companhias: Teatro Nacional D. Maria II (Companhia de Teatro Amélia Rey Colaço/ Robles Monteiro), Companhia Nacional de Teatro, Teatro Estúdio Lisboa, Teatro Experimental do Porto, Teatro d'Arte de Lisboa, Grupo 4, Teatro Hoje, Teatro de Todos os Tempos, Casa da Comédia, Comediantes Rafael de Oliveira, Produções Vasco Morgado, Novo Grupo, Acarte e Teatro Experimental de Cascais, onde integrou o elenco fixo desde 1981.
Deu voz a algumas personagens de filmes da Disney, como - em 1995 e 1998 –  à avó Willow nos filmes “Pocahontas” e “Pocahontas II”. Também deu voz à imperatriz Marie Feodorovna, no filme da 20th Century Fox de 1997, “Anastasia”.
Foi professora de interpretação na Escola Superior de Teatro e Cinema. Participou nas telenovelas: “Vila Faia”, “Cinzas”, “Na Paz dos Anjos”, “Os Lobos”, “Nunca Digas Adeus”, “Baía das Mulheres “e “Ninguém como tu”. No cinema, protagonizou os filmes “Sol e Toiros” (1949) e “O Costa de África” (1954).
Viveu os últimos anos da sua vida na Casa do Artista em Lisboa. Faleceu com 87 anos. Três dias antes de morrer, anunciou - através do actor Luís Aleluia - o fim da sua carreira. Antes, tinha declarado que «não queria ficar mais tempo à espera que o telefone tocasse para a convidarem a fazer um papel de bisavó só por caridade. Exigia que lhe reconhecessem o talento e, de tanto esperar, estava cansada.».
Foi condecorada pela Câmara Municipal de Cascais (1994). Entre os vários prémios de reconhecimento recebidos, destaca-se o de Melhor Actriz de Teatro Declamado, conferido em 1985 pela Associação dos Críticos e outro idêntico da revista “Nova Gente”.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

30 DE AGOSTO - MOLLY IVINS


EFEMÉRIDE - Mary Tyler “MollyIvins, jornalista, comentadora política e escritora norte-americana, autora de vários bestsellers, nasceu em Monterey, Califórnia, no dia 30 de Agosto de 1944. Morreu em Austin, Texas, em 31 de Janeiro de 2007.
Formou-se na St. John's School. Foi coeditora da secção de artes de “The Review”, o jornal oficial dos estudantes. Participou frequentemente em produções teatrais e mereceu um lugar vitalício como membro do Johnnycake, um clube dramático. Estudou também na Escola de Jornalismo da Columbia University, onde recebeu o grau de mestre. Estudou ainda no Instituto de Ciências Políticas, em Paris, durante um ano.
O seu primeiro emprego num jornal foi no departamento de queixas do “Houston Chronicle”, sendo depois responsável por reportar os problemas da vida quotidiana da cidade. Daí foi para o “Minneapolis Tribune”, onde seria a primeira mulher a fazer de repórter policial naquela cidade. Passou depois a escrever para o “Texas Observer”, entre 1970 e 1976. Colaborou no “The New York Times”, até 1982.
Durante a sua estadia no “The New York Times”, tornou-se também chefe de gabinete da “Rocky Mountain”, cobrindo nove estados do Oeste. Passou depois para o “Dallas Times Herald”, de 1982 até ao fim do jornal, em 1992. Passou a colaborar no “Fort Worth Star-Telegram”, que foi o seu jornal até 2001, quando se tornou jornalista independente. A sua coluna, distribuída pelo Creators Syndicat, aparecia em cerca de 400 jornais nacionais. Foi também membro da direcção da Fundação Democracia do Texas.
Crítica fervorosa da Guerra do Iraque de 2003, também ficou conhecida por ter criado a alcunha de “Shrub” (arbusto) para George W. Bush.
Em 1999, foi-lhe diagnosticado um cancro da mama. Em Janeiro de 2006, Molly revelou que iria submeter-se a quimioterapia. Escreveu ainda duas colunas em Janeiro de 2007, mas voltou ao hospital para facilitar o tratamento.
O presidente George W. Bush, um alvo frequente das suas farpas, disse num comunicado, após o seu falecimento: «Eu respeitava as suas convicções, a sua crença apaixonada no poder das palavras e as suas habilidades para tornear uma frase. Ela combateu a sua doença com a mesma paixão. A sua inteligência rápida e o compromisso com as suas crenças deixarão saudades.».
Durante a sua carreira, recebeu diversos prémios literários e de jornalismo. Em acumulação com estes galardões formais, Molly Ivins afirmava que se sentia particularmente orgulhosa em ter um “porco”, mascote das forças policiais de Minneapolis, gravado com o seu nome.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

29 DE AGOSTO - DINAH WASHINGTON


EFEMÉRIDE - Dinah Washington, de seu verdadeiro nome Ruth Lee Jones, cantora e pianista norte-americana, nasceu em Tuscaloosa, no Alabama, em 29 de Agosto de 1924. Morreu em Detroit no dia 14 de Dezembro de 1963. Tem sido considerada «a mais popular artista feminina negra dos anos 1950».
Sendo essencialmente uma vocalista de jazz, apresentou e gravou uma ampla variedade de estilos, incluindo R&B, música pop tradicional e blues, o que lhe rendeu o título de “Rainha do Blues”. Dinah foi uma das homenageadas do Alabama Jazz Hall of Fame de 1986 e ficou a fazer parte do Rock and Roll Hall of Fame em 1993.
O pai era um jogador de apostas profissional, que raramente estava em casa, deixando `à mãe o cuidado de criar os filhos. A família mudou-se para Chicago, Illinois, quando Ruth tinha quatro anos e já tocava piano e cantava na Igreja Batista de St. Luke. Aos quinze anos, ganhou o primeiro prémio numa competição de canto amador, no Teatro Regal. No ano seguinte, a cantora Sallie Martin contratou-a para cantar e tocar piano no seu grupo, o Sallie Martin Colored Ladies Quartet.
Dois anos depois, Dinah voltou ao circuito dos clubes noturnos, tocando piano no Three Deuces, um clube de jazz onde Billie Holiday estava a actuar. Aqui foi descoberta por Lionel Hampton, que lhe sugeriu o nome artístico porque ficaria conhecida. Enquanto cantou com a banda de Hampton, Dinah começou a gravar blues. Em 1943, as suas canções “Evil Gal Blues” e “Salty Papa Blues” tornaram-se hits entre o público afro-americano. Dois anos depois, “Blowton Blues”, a única canção que gravou com Hampton, tornou-a uma estrela do R&B.
Dinah Washington teve vários maridos e dois filhos. No auge da sua carreira, começou a preocupar-se com o seu peso. Recém-casada com o jogador de futebol Dick “Night Train” Lane, seguiu dietas rígidas que tiveram um resultado fatal. Com apenas 39 anos, o corpo foi encontrado na sua casa em Detroit. Tinha morrido duma overdose de álcool, sedativos e pílulas para emagrecimento.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

28 DE AGOSTO - SÁ DE MIRANDA


EFEMÉRIDE - Francisco de Sá de Miranda, poeta português, nasceu em Coimbra no dia 28 de Agosto de 1481. Morreu em Amares, em 15 de Março de 1558.
Estudou Gramática, Retórica e Humanidades na Escola de Santa Cruz. Frequentou depois a Universidade, ao tempo estabelecida em Lisboa, onde fez o curso de Leis, alcançando o grau de doutor em Direito, passando de aluno aplicado a professor considerado e frequentando a Corte até 1521.
Compôs cantigas, vilancetes e esparsas, ao gosto dos poetas do século XV. O “Cancioneiro Geral” de Garcia de Resende, impresso em 1516, publica treze poesias do doutor Francisco de Sá. Os seus versos, à maneira dos trovadores da época, já revelam o carácter do homem e a vivacidade e cultura do seu espírito.
Sá de Miranda começou por imitar os poetas do “Cancioneiro General” de Hernan Castillo, impresso em 1511, glosando, em castelhano, os motes ou cantigas de Jorge Manrique e de Garcia Sanchez. Nunca abandonou as formas tradicionais da redondilha, antes e depois de conhecer e aceitar a escola italiana, e de introduzir em Portugal o verso decassílabo.
Para Sá de Miranda, a poesia não era uma ocupação para ócios de intelectual ou de salões, como para os poetas que o antecederam, mas uma missão sagrada. O poeta era como um profeta, devia denunciar os vícios da sociedade, sobretudo da Corte, o abandono dos campos e a preocupação exagerada do luxo, que tudo corrompe. Deve propor a vida sadia em contacto com a «madre» natureza, a simplicidade e a felicidade dos lavradores.
A ele se aplicam perfeitamente os seus versos da “Carta a D. João III”: «Homem de um só parecer, / dum só rosto e d'ua fé, / d'antes quebrar que torcer / outra cousa pode ser, mas da corte homem não é.».
A sua linguagem é elíptica, sóbria, densa, forte, trabalhada, hermética, difícil de entender e às vezes demasiado dura. Mesmo assim, Sá de Miranda é o escritor do século XVI mais lido depois de Camões. A sua verticalidade e a sua coerência impuseram-se.
Sá de Miranda concebeu as primeiras comédias clássicas portuguesas (“Estrangeiros” e “Vilhalpandos”), cuja aceitação pelo público, habituado aos autos (de Gil Vicente sobretudo), não foi das melhores. Se os aspectos criticados por Sá de Miranda e a sua intenção moralizadora o aproximam muito de Gil Vicente, o escritor afasta-se dele pelas formas e o tom com que faz as suas críticas.
Sá de Miranda deixou uma importante obra epistolográfica e uma série de éclogas, entre outros textos. A sua obra foi publicada postumamente, em 1595.
Influenciou decisivamente escritores seus contemporâneos e posteriores, como António Ferreira, Diogo Bernardes, Pero Andrade de Caminha, Luís de Camões, D. Francisco Manuel de Melo ou ainda, mais recentemente, Jorge de Sena, Gastão Cruz e Ruy Belo, entre outros, manifestando alguns textos destes autores nítida intertextualidade com textos mirandinos.
Antecipou temáticas como a dos conflitos do eu, de maneira um pouco semelhante ao que faria Fernando Pessoa, como nos versos: «Comigo me desavim, /Sou posto em todo perigo;/Não posso viver comigo/Nem posso fugir de mim».

domingo, 27 de agosto de 2017

27 DE AGOSTO - CHARLES ROLLS


EFEMÉRIDE - Charles Stewart Rolls, aristocrata originário do País de Gales, pioneiro britânico do automobilismo e da aviação, nasceu em Londres no dia 27 de Agosto de 1877. Morreu em   Bournemouth, em 12 de Julho de 1910, sendo o primeiro britânico a morrer num acidente aéreo. Juntamente com Henry Royce, fundou a Rolls-Royce, em 1904. Estudou no Colégio de Eton e na Universidade de Cambridge, onde se licenciou em Engenharia e Ciência Aplicada.
Foi o primeiro estudante a deslocar-se para as aulas na universidade num automóvel, um dos primeiros Peugeot. Apaixonou-se pelas viaturas e tornou-se piloto do desporto automóvel. Foi piloto pioneiro também da aviação, sendo titular do brevet respectivo desde Janeiro de 1910.
Fundou com sucesso uma luxuosa concessão de automóveis em Piccadilly (Londres), onde comercializava - junto da aristocracia britânica - viaturas importadas do continente (Peugeot, Panhard, etc.). Sentiu-se decepcionado pelo fraco nível técnico das primeiras viaturas que ensaiou. Eram barulhentas, pouco potentes, vibravam por todos os lados, eram difíceis de manobrar, pouco confortáveis e empanavam frequentemente.
Apesar de tudo, a maioria das vezes com veículos franceses, obteve bons resultados em muitas corridas disputadas no final do século XIX e princípio do século XX.
Em 1902/1903, bateu oficiosamente por duas vezes o record de “quilómetro lançado”, em Welbeck Abbeym, na propriedade do duque de Portland, com 133 e 136,440 km/h. Como o percurso comportava uma ligeira subida e uma ligeira descida, o tempo não foi homologado.
Em 1904, com 27 anos, foi apresentado a Henry Royce, com 41 anos, que tinha fundado a Royce Company em Manchester e acabara de fabricar a sua primeira viatura de 2 cilindros e 10 cavalos, que toda a gente elogiava pela sua estética, luxo, robustez, fiabilidade, silêncio, conforto, etc. Ficou entusiasmado. Finalmente, havia uma viatura inglesa digna de todos os encómios. Comprometeu-se a comercializá-la sob o seu nome.
Em Maio de 1904, Rolls e Royce associaram-se fazendo a fusão das duas empresas e adoptando o nome Rolls-Royce. A marca ganhou imediatamente uma reputação fantástica. As viaturas eram as mais caras, mas também as melhores do mundo e impuseram o respeito universal a partir de 1910.
Os primeiros Rolls-Royce foram apresentados com sucesso no Salão Automóvel de Paris, em Dezembro de 1904. Em 1906, Rolls, ao volante de um Rolls-Royce 30HP, ganhou o Tourist Trophy da Ilha do Man. Ele declararia à chegada: «- Tudo o que fiz foi ficar sentado e esperar que a viatura cortasse a meta. Todo o mérito é do senhor Royce, que é o seu desenhador e construtor.».
Tornou-se membro do Aero Clube de França, obtendo o brevet de piloto. Em Junho de 1910, Charles foi o primeiro aviador a fazer a ida e volta Inglaterra / Douvres(França) / Calais, sem escala por cima da Mancha, com um biplano Wright Flyer dos irmãos Wright, ganhando uma taça de 2 000 francos. Acabaria por morrer em 12 de Julho, num meeting aéreo em Bournemouth, devido à ruptura da cauda estabilizadora do seu biplano Wright.  Tinha apenas 32 anos de idade.

sábado, 26 de agosto de 2017

26 DE AGOSTO - CARLOS ZEFERINO PINTO COELHO


EFEMÉRIDE - Carlos Zeferino de Carvalho Pinto Coelho de Castro, político, tribuno e jurisconsulto português, nasceu em Beja no dia 26 de Agosto de 1819. Morreu em Lisboa, em 24 de Fevereiro de 1893. Foi um advogado famoso na Lisboa do século XIX.
Aos 19 anos, depois de estudar no Convento do Carmo, matriculou-se no curso de Direito, na Universidade de Coimbra, onde se formou com o grau de bacharel em 1843. Ascendeu a todos os cargos da magistratura, desde juiz de fora e corregedor em Beja até desembargador do Tribunal da Relação de Lisboa, e exerceu depois advocacia em Lisboa, onde participou em diversas causas célebres.
Em 1855, fundou a Companhia das Águas de Lisboa, da qual foi presidente da direcção, devendo-se à sua acção a construção do sifão do Alviela. Foi também presidente das assembleias gerais do Banco de Portugal e da Companhia do Crédito Predial.
Começou a sua actividade política logo desde a sua formatura em Direito, filiado no Partido Legitimista do qual foi sempre um elemento preponderante. Entre outros cargos, foi deputado, eleito em 1857 por Viana do Castelo, e nas legislaturas seguintes, por Póvoa do Lanhoso e Braga, até 1866.
Em 1862, aquando de uma exposição internacional em Londres, integrou a comissão de legitimistas que saudou o Rei D. Miguel I, que visitaria outras vezes durante o exílio. Depois de exercer vários cargos de dirigente do seu partido, foi eleito presidente da direcção em Janeiro de 1891, cargo que ocupou até à sua morte aos 73 anos.
Foi sempre um empenhado defensor dos direitos da Igreja e, em Junho de 1882, no II Congresso Católico de Lisboa, quando foi fundada a União Católica Portuguesa e a Associação Católica de Lisboa, com o apoio dos miguelistas, Carlos Zeferino ascendeu à sua direcção. Tomou parte ainda no Congresso Católico em Braga, em 1891.
Grande orador, foi um valioso colaborador do diário “A Nação”, órgão da causa legitimista. Colaborou também com a “Gazeta dos Tribunais”, “O Domingo” e “A Pátria”.
Foi proprietário da Quinta do Egypto, em Oeiras. Casado duas vezes, teve sete filhos do primeiro matrimónio.
A Avenida Defensores de Chaves, em Lisboa, chamava-se Avenida Pinto Coelho, em sua homenagem, tendo depois a República trocado o seu nome por aquele que tem actualmente.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

"CONSTRUÇÃO" - Chico Buarque


25 DE AGOSTO - AALIYAH


EFEMÉRIDE - Aaliyah Dana Haughton, cantora de R&B, compositora, produtora, dançarina, atriz e modelo norte-americana, morreu em Marsh Harbour, nas Bahamas, em 25 de Agosto de 2001, num acidente aéreo. Nascera em Nova Iorque no dia 16 de Janeiro de 1979. Participou em dois filmes e lançou três álbuns em vida, tendo conseguido cinco nomeações para os Grammy Awards. Aaliyah vendeu mais de 32 milhões de discos no mundo, sendo 9 milhões somente nos EUA.
Nascida numa família afro-americana, tinha ascendência nativo-americana por parte de uma das avós. O seu primeiro álbum foi gravado quando tinha 14 anos. Lançado em Junho de 1994, “Age Ain't Nothing but a Number” foi vendido até hoje em 3 milhões de cópias nos Estados Unidos e 5 milhões no resto do mundo.
O single de estreia de Aaliyah, “Back & Forth”, liderou a Billboard R&B/Hip-Hop Songs durante três semanas. O segundo single, “At Your Best (You Are Love)”, chegou ao número seis na Hot 100 da Billboard. Além disso, editou “The Thing I Like”, como parte da banda sonora do filme de 1994 “A Low Down Dirty Shame”.
Em 1996, Aaliyah deixou a Jive Records e assinou um contrato com a Atlantic Records. Conheceu e trabalhou com os produtores Timbaland e Missy Elliott, que contribuíram para o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, “One in a Million”. O álbum rendeu o single “If Your Girl Only Knew”, que liderou a Billboard R&B/Hip-Hop Songs durante duas semanas. Também gerou os singles “Hot Like Fire” e “4 Page Letter”.
Lançado em Agosto de 1996, o álbum “One in A Million” foi vendido até agora em 4,4 milhões de cópias nos Estados Unidos e 8 milhões no mundo inteiro.
Aaliyah passou a infância e adolescência no Michigan, tendo estudado na Detroit High School for the Performing Arts, onde se formou em Teatro em 1997, com uma pontuação média de 4,0 pontos, no total de 5,0. Começou a sua carreira no mesmo ano, participando num drama policial da série de televisão “New York Undercover”. Durante este tempo, participou no Children's Benefit Concert, um concerto beneficente que teve lugar no Beacon Theatre, em Nova Iorque. Colaborou na banda sonora da animação da Fox Studios, “Anastasia”, com o single “Journey to the Past”, que ganhou uma nomeação para o Oscar de Melhor Canção Original. Ainda em 1998, também contribuiu para a banda sonora do filme “Dr. Dolittle”, com “Are You That Somebody?”, que foi o terceiro single mais bem-sucedido na Hot 100 Airplay da Billboard daquele ano.
Em 2000, Aaliyah protagonizou a principal personagem do filme “Romeo Must Die”. Uma adaptação de “Romeu e Julieta”, que ela estrelou ao lado do artista marcial Jet Li. O filme arrecadou US$ 18,6 milhões no seu primeiro fim de semana, sendo número dois no ranking de bilheteria. Além de actuar, Aaliyah foi a produtora executiva da banda sonora do filme, para a qual contribuiu com quatro canções.
Try Again” foi lançada somente para as rádios em Fevereiro daquele ano, liderando a Hot 100 Airplay da Billboard durante nove semanas. Antes do lançamento para vendas, o single atingiu o número um na Hot 100 da Billboard, sendo o primeiro e único single a conseguir liderar esta parada somente com execuções nas rádios. O vídeo do single rendeu-lhe uma nomeação para o Grammy de Melhor Vocalista Feminina de R&B.
Aaliyah começou a trabalhar no seu segundo filme, “A Rainha dos Malditos”, um filme de terror de 2002, produto de uma adaptação cinematográfica do terceiro volume das “Crónicas Vampirescas” da escritora Anne Rice. Foi estreado seis meses após a morte de Aaliyah, sendo dedicado à sua memória.
Aaliyah lançara mundialmente o seu álbum homónimo, “Aaliyah”, em Junho de 2001, e nos Estados Unidos em Julho.
Em 25 de Agosto de 2001, Aaliyah e vários membros da gravadora embarcaram num bimotor Cessna em Marsh Harbour, Ilhas Abaco, Bahamas, para voltar aos Estados Unidos. O grupo não sabia que o avião era incapaz de transportar parte do equipamento das filmagens e a aeronave ultrapassou o padrão de peso e o limite de tolerância para o próprio equilíbrio. O avião caiu logo após a decolagem, a cerca de 200 metros do final da pista. Não houve sobreviventes.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

24 DE AGOSTO - EARL DERR BIGGERS


EFEMÉRIDE - Earl Derr Biggers, jornalista, romancista e dramaturgo norte-americano, nasceu em Warren, Ohio, no dia 24 de Agosto de 1884. Morreu em Pasadena, Califórnia, em 5 de Abril de 1933. É lembrado sobretudo pelos seus romances policiais, que têm por herói o detective sino-americano Charlie Chan.
Licenciou-se na Universidade de Harvard em 1907 e começou a carreira de jornalista em Boston. Muitas das suas peças e romances foram adaptados ao cinema. Foi, postumamente, adicionado ao Hall da Fama do Warren City Schools Distinguished Alumni.
O seu primeiro romance “Seven Keys to Baldpate” foi adaptado ao teatro; esteve na origem de 7 filmes com o mesmo nome; e - pelo menos - de dois com títulos diferentes (“House of Long Shadows e “Haunted Honeymoon”), mas com o mesmo enredo.
Dramaturgo muito em voga na Broadway dos anos 1920, sofria de hipertensão arterial causada pelo stress do meio teatral. O médico impôs-lhe um longo período de repouso e Biggers alugou um bungalow num hotel do Havai. Foi aqui que ele ouviu falar de um célebre polícia chinês de Honolulu, no qual se inspirou para criar o seu herói, que iria aparecer em seis romances, entre 1925 e 1932. Meio chinês, meio americano, Charlie Chan faz a ponte entre as duas culturas, conservando os traços de carácter orientais bem distintos: a paciência, a delicadeza e sobretudo a sabedoria, que ele exprime através de aforismos ao estilo de Confúcio. Numa época em que se falava do perigo amarelo na literatura popular, Chan representava a figura ainda rara de um asiático amável, simpático e ao serviço da lei.
Hollywood cedo se apoderou do personagem e muitos filmes, pondo em cena os inquéritos do detective chinês, foram realizados entre 1926 e 1949. Os primeiros adaptaram as obras originais de Biggers, mas rapidamente diversos guionistas multiplicaram as aventuras do herói. Nos anos 1950, foi a vez da televisão, com “The New Adventures of Charlie Chan”, uma série com 39 episódios, e – em 1972 – os desenhos animados “The Amazing Chan and the Chan Clan”, em 14 episódios.
Biggers viveu em San Marino, Califórnia, tendo morrido no hospital de Pasadena, após sofrer um ataque cardíaco. Tinha apenas 48 anos e não adivinhava decerto o enorme sucesso que o seu personagem viria a ter.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

23 DE AGOSTO - NICOLA SACCO



EFEMÉRIDE - Nicola Sacco, de seu verdadeiro nome Fernando Sacco, militante anarquista italo-americano que - juntamente com Bartolomeo Vanzetti - foi preso, processado, julgado e condenado nos Estados Unidos da América na década de 1920, sob a acusação de dois homicídios, morreu na prisão de Charlestown, Massachusetts, nos Estados Unidos, em 23 de Agosto de 1927. Nascera em Torremaggiore no dia 22 de Abril de 1891. Sobre a sua culpa houve muitas dúvidas logo na época do julgamento.
Filho de um pequeno agricultor, recusara continuar a trabalhar no campo e, em 1908, emigrou para os Estados Unidos. O barco que o transportou desde Nápoles chegou a Ellis Island, em Nova Iorque, em 2 de Maio.
Teve diversos ofícios, antes de começar a trabalhar numa fábrica de calçado em Stoughton, no Massachusetts. Casou-se e fundou família. Em 1913, aderiu ao ideário anarquista depois de se encontrar com um compatriota, Bartolomeo Vanzetti, radicalizando-se para o terrorismo revolucionário, cujo principal mentor era o advogado Luigi Galleani.
Já residindo há mais de cinco anos nos Estados Unidos, obteve a nacionalidade norte-americana. Quando os EUA entraram na 1ª Guerra Mundial, ao lado dos aliados, Nicola foi com Vanzetti para o México, afim de evitar a vida militar.
Foi preso em Maio de 1920, na companha do seu presumido cúmplice Bartolomeo, acusado de dois homicídios ocorridos em 1919 e 1920. Foi o princípio do caso Sacco e Vanzetti.
Nem ele nem Bartolomeo foram absolvidos, mesmo depois de um outro homem ter admitido, em 1925, ser o autor dos crimes. Foram condenados à pena capital e executados na cadeira eléctrica.
Há uma citação sobre ambos no poema “América” de Allen Ginsberg. Howard Fast, escritor de origem judaica, narrou a história dos dois anarquistas, no livro “Sacco e Vanzetti”.
Em 23 de Agosto de 1977, precisamente 50 anos depois das execuções, o governador do Massachusetts, Michael Dukakis, reabilitou-os declarando que «todas as desonras caídas sobre os seus nomes deveriam ser retiradas e para sempre» …  

terça-feira, 22 de agosto de 2017

"Mulheres de Atenas" - CHICO BUARQUE


22 DE AGOSTO - VASILE ALECSANDRI


EFEMÉRIDE - Vasile Alecsandri, poeta, dramaturgo, folclorista, político e diplomata romeno, morreu em Mirceşti no dia 22 de Agosto de 1890, vítima de cancro, de que sofria há vários anos. Nascera em Bacău, na Moldávia, em 21 de Julho de 1821. É considerado o criador do teatro e da literatura na Roménia e foi um dos principais animadores do movimento para a identidade cultural romena e a união da Moldávia com a Valáquia.
A mãe era filha de um comerciante greco-romeno. Os pais tiveram sete filhos, dos quais apenas três sobreviveram.
A família prosperou no lucrativo negócio do sal e no comércio de cereais. Em 1828, compraram uma grande propriedade em Mirceşti, um vilarejo perto do rio Siret. O jovem Vasile passou algum tempo lá, estudando com um dedicado monge e brincando com um menino cigano que se tornou seu grande amigo.
Entre 1828 e 1834, estudou num pensionato de elite em Iaşi. Mudou-se para Paris em 1834, onde se interessou por Química, Medicina e Direito, mas logo abandonou tudo em favor do que chamou «a paixão da sua vida», a Literatura. Escreveu os seus primeiros ensaios literários em 1838, em francês, língua que aprendeu na perfeição durante a sua estadia em Paris. Depois de um breve regresso ao seu país, partiu novamente para a Europa ocidental visitando a Itália, Espanha e sul da França.
Um ano depois, participou numa festa de Costache Negri, um amigo da família. Ficou apaixonado pela irmã de Negri. Com vinte e um anos de idade e há pouco tempo divorciada, Elena Negri respondeu com entusiasmo às declarações de amor do jovem, que começou a escrever e dedicar-lhe poemas. Uma doença súbita forçou Elena a viajar para Veneza. Ele encontrou-se ali, com ela.
Atravessaram depois a Áustria, Alemanha e França. A doença no peito de Elena agravou-se em Paris e, após um breve período em Itália, embarcaram num navio francês para voltar a casa em Abril de 1847. A tragédia abateu-se sobre o barco, quando Elena morreu nos braços de seu amado. Alecsandri canalizou o seu pranto num poema, “Steluţa” (“Estrelinha”). Mais tarde, dedicou-lhe a sua recolha de poemas, “Lăcrimioare” (“Pequenas Lágrimas”).
Em 1848, tornou-se um dos líderes do movimento revolucionário criado em Iaşi. Escreveu um poema, muito lido na época, incitando o público a aderir à causa, “Către Români” (“Para os romenos”), mais tarde renomeado “Deşteptarea României” (“O Despertar da Romênia”). Juntamente com Mihail Kogălniceanu e Costache Negri, escreveu um manifesto do movimento revolucionário moldavo, “Dorinţele partidei naţionale din Moldova” (“Desejos do Partido Nacional da Moldávia”).
Como a revolução fracassou, saíu da Moldávia através da Transilvânia e da Áustria, indo até Paris, onde continuou a escrever poemas políticos.
Dois anos depois, voltou ao país para uma encenação triunfal da sua comédia “Chiriţa în Iaşi”. Percorreu o interior da Moldávia, recolhendo, revisando e organizando uma vasta gama de folclore romeno, que publicou em duas etapas, em 1852 e em 1853. Os poemas incluídos nestas duas recolhas muito populares tornaram-se a pedra angular da identidade emergente romena, especialmente algumas baladas. O volume de poesia original, “Doine şi Lăcrămioare”, cimentou a sua reputação.
Amplamente reverenciado nos círculos culturais romenos, supervisionou a fundação da România Literară, para a qual contribuíram escritores moldavos e valáquios. Foi um dos unionistas mais actuantes, apoiando a união das duas províncias romenas, Moldávia e Valáquia. Em 1856, publicou - no jornal “Steaua Dunării” - o poema “Hora Unirii”, que se tornou o hino do movimento de unificação.
O final de 1855 viu Alecsandri perseguindo um novo interesse romântico. Aos trinta e cinco anos, o poeta de renome e agora figura pública apaixonou-se pela jovem Paulina, filha de um estalajadeiro. O romance decorreu a uma velocidade relâmpago: passaram a morar juntos na casa de Alecsandri em Mirceşti e, em 1857, nasceu-lhes uma filha.
Alecsandri obteve satisfação no avanço das causas políticas que há muito defendia. As duas províncias romenas uniram-se e Alecsandri foi nomeado ministro das Relações Exteriores. Percorreu o Ocidente, defendendo -  junto de alguns dos seus amigos e conhecidos - o reconhecimento da recém-formada nação e o apoio ao seu surgimento na turbulenta região dos Balcãs.
As visitas diplomáticas cansaram-no. Em 1860, estabeleceu-se em Mirceşti para o que seria o resto da sua vida. Casou-se com Paulina mais de uma década e meia depois, em 1876.
Entre 1862 e 1875, escreveu quarenta poemas líricos. Interessou-se também por poemas épicos, reunidos na colectânea “Legende”, e dedicou uma série de poesias aos soldados que participaram na Guerra de Independência da Roménia.
Em 1879, o seu drama “Despot-Vodă” recebeu o prémio da Academia Romena. Continuou a ser um escritor prolífico. Em 1881, escreveu “Trăiască Regele”, que se tornou o hino nacional do Reino da Roménia até a abolição da monarquia em 1947.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

21 DE AGOSTO - BOB MOOG


EFEMÉRIDE – Robert “Bob” Arthur Moog, inventor, músico e engenheiro electrónico norte-americano, morreu em Asheville no dia 21 de Agosto de 2005, vítima de tumor cerebral. Nascera em Nova Iorque, em 23 de Maio de 1934. Juntamente com o compositor e professor de solfejo Herbert Deutsch, inventou o sintetizador Moog, apresentado no congresso Audio Engineering Society, em 1964.
Depois dos seus estudos, começou por reparar Thereminvox, juntamente com o pai. Em colaboração com Herbert Deutsch, começou – mais tarde - a produzir sintetizadores que tiveram grande sucesso.
Lançou-se no fabrico em maior escala, criando a empresa R. A. Moog Inc., na qual foram produzidos os primeiros sintetizadores comercializados, que foram utilizados por artistas como Wendy Carlos, Beatles, The Doors, Jean-Michel Jarre, grupo de rock progressivo Emerson e Lake & Palmer, entre outros. Lançou posteriormente o Minimoog, o mais vendido pela empresa em todos os tempos. Foi utilizado um seu sintetizador na banda sonora do filme “Laranja Mecânica”.
No seu apogeu, em 1971, a sua fábrica empregava 42 pessoas e propunha mais de 25 modelos no seu catálogo. Anunciava-se, porém, um declínio.
Robert vendeu a companhia em 1972. A nova empresa alteou o nome para Moog Music Inc. e continuou a lançar célebres instrumentos como o Moog Taurus, um sintetizador para ser tocado com os pés e utilizado como um contrabaixo; o Vocoder (ligado a um microfone, permitia alteração na voz); o Polymoog, de 1976, polifónico que vinha com sons gravados de fábrica; o Moog Liberation, teclado que permitia ser colocado no usuário como uma guitarra; e o   Memorymoog, que permitia a gravação de sons pelo tecladista.
Bob Moog ficou na história da música electrónica mundial.

domingo, 20 de agosto de 2017

20 DE AGOSTO - STEPHEN WHITE


EFEMÉRIDE - Stephen Walsh White, escritor norte-americano especializado em livros de suspense, mais conhecido pela série “Dr. Alan Gregory”, nasceu em Long Island no dia 20 de Agosto de 1951.
Estudou Psicologia na Universidade da Califórnia, tendo-se diplomado em Berkeley (1972). Doutorou-se na Universidade do Colorado em 1979. Viveu em Nova Iorque, em Nova Jersey e no sul da Califórnia.
Stephen especializou-se no estudo dos efeitos psicológicos provocados por problemas conjugais, principalmente nos homens. Trabalhou também, durante algum tempo, como psicólogo de crianças com cancro no The Children's Hospital, em Denver.
Stephen é portador de esclerose múltipla, diagnosticada em 1986, mas já apresentava sintomas da doença desde há cerca de dez anos. Uma das personagens da série “Dr. Alan Gregory”, Lauren Crowder, também sofre da doença, embora ele tenha afirmado que os sintomas da personagem não são idênticos aos apresentados por ele.
Começou a escrever o seu primeiro livro em 1989 e, após terminado, levou cerca de um ano para conseguir uma editora que o aceitasse. Stephen publicou 17 livros entre 1991 e 2009, com parte deles a entrar na lista de bestsellers do “The New York Times”. Actualmente, vive no Colorado com a família.
O primeiro livro de Stephen tinha por título “Privileged Information”. Como obteve boas vendas, a editora publicou outro livro seu no ano seguinte, “Private Practices”, assim como “Higher Authority” em 1994. O Dr. Alan Gregory é o protagonista dos dois primeiros livros, tornando-se coadjuvante no terceiro - a protagonista é Lauren Crowder.
O seu quarto livro, “Harm’s Way”, foi publicado em 1996 e tornou-se o seu primeiro bestseller no “The New York Times”. O livro seguinte, “Remote Control”, também entrou na lista do jornal, novamente contando com Lauren Crowder como protagonista e editado em 1997. Em cada um dos anos seguintes, Stephen lançou um livro. Respectivamente, “Critical Conditions”, “Manner of Death”, “Cold Case” e “The Program”.
Em 2002, Stephen lançou o seu décimo livro, “Warning Signs”, inspirado no massacre de Columbine. Este foi o primeiro e, até então, seu único livro traduzido para português (Brasil, 2003).  Neste mesmo ano, continuando a lançar um livro anualmente, publicou “The Best Revenge”. “Blinded” foi publicado em 2004, “Missing Persons” em 2005, “Kill Me” em 2006, “Dry Ice” em 2007 e “Dead Time” em 2008.
The Siege” foi lançado em Agosto de 2009 e o seu livro mais recente, “Compound Fractures”, foi publicado em 2013.

sábado, 19 de agosto de 2017

19 DE AGOSTO - JERSY ANDRZEJEWSKI




EFEMÉRIDE - Jerzy Andrzejewski, escritor e político polaco, nasceu em Varsóvia no dia 19 de Agosto de 1909. Morreu na mesma cidade em 19 de Abril de 1983.
Oriundo de uma família da classe média, era filho de um merceeiro e da filha de um médico de província. Muito cedo, na sua infância, começou a escrever contos.
Depois de concluir os seus estudos secundários, Andrzejewski ingressou na Universidade de Varsóvia como estudante de Filologia mas, ao escrever para revistas literárias, como o semanário “Prosto z Mostu”, descurava os seus deveres académicos, pelo que deixou a universidade sem ter obtido qualquer diploma.
Em 1936, publicou o seu primeiro livro, “Drogi nieuniknione” (“Caminhos Inevitáveis”), e -  dois anos mais tarde – “Ład Serca” (“A Harmonia do Coração”), ambos colectâneas de contos que tinham já aparecido na revista “Prosto z Mostu”. O último livro mencionado foi galardoado com o Prémio da Academia de Literatura da Polónia e ele foi considerado como o escritor católico mais talentoso do país.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Andrzejewski aderiu ao movimento da Resistência polaca, que operava em Varsóvia. Retomou a publicação da sua obra com o cessar da guerra. Assim, em 1945, publicou uma outra colectânea de contos, “Noc”, que reflectiam as vivências da guerra e da ocupação alemã. Tornar-se-ia depois membro do Sindicato dos Escritores, mas a ocupação da Polónia pelas tropas soviéticas tinha dado lugar a uma mudança ideológica no país, pelo que - em 1949 - a atmosfera liberal em que os escritores polacos se exprimiam desapareceu e o sindicato adoptou o modelo soviético. Nesse mesmo ano, Andrzejewski foi eleito presidente do Sindicato dos Escritores, passando a representar a corrente soviética na sua obra e a defender o Comunismo nos seus artigos de imprensa.
Em 1952, foi escolhido para editor do “Przegląd Kulturalny”, um semanário cultural de grande importância, posição que deteve até 1954. Foi nomeado para membro do parlamento, cargo que ocupou até 1957, altura em que se demitiu em atitude de protesto contra a censura. Desiludido com o caminho seguido, o autor passou a criticar o regime cada vez mais abertamente.
Em 1957, publicou “Ciemności kryją ziemię” (“Os Inquisidores”), uma parábola filosófica acerca de um governo autocrático. Em 1968, foi a vez de “Apelacja” (“O Apelo”), que atacava directamente o regime, pelo que não foi publicado na Polónia. Diversas vezes impedido de publicar, Andrzejewski recorreu a editoras mantidas por dissidentes polacos no Ocidente, ou à revista literária “Zapis”.
Em 1979, cofundou o KOR, o Comité de Defesa dos Trabalhadores, cuja finalidade era auxiliar as famílias dos trabalhadores que exerciam o direito à greve. Faleceu quatro anos depois.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

18 DE AGOSTO - AHAD HA'AM



EFEMÉRIDE - Ahad Ha'am, de seu verdadeiro nome Asher Zvi Hirsch Ginsberg, filósofo e ensaísta judeu, um dos mais destacados pensadores sionistas da fase anterior à criação do Estado de Israel, nasceu em Skvira, Oblast de Kiev, Ucrânia, no dia 18 de Agosto de 1856. Morreu na Palestina em 2 de Janeiro de 1927.
Foi um dos pais da literatura hebraica moderna. Importante jornalista e associativista, participou nas negociações que culminaram com a Declaração de Balfour, a qual foi posteriormente incorporada ao Tratado de Sèvres.
É conhecido como o fundador do sionismo cultural ou sionismo espiritual, segundo o qual - ao criar um centro espiritual para o povo judeu na Terra de Israel, com trabalho físico juntamente com esforços educacionais e culturais - o povo judeu seria unificado e o seu espírito nacional renovado. Esse sentimento emanaria para todas as direcções da Diáspora, onde a assimilação era vista como um perigo real. Ahad Ha'am acreditava que, mesmo se fosse possível absorver todos os judeus na Terra de Israel, isso não resolveria os problemas políticos e financeiros, se não fosse considerado, em primeiro lugar, o aspecto nacional-espiritual. No entanto, ele acreditava no futuro crescimento da população judaica reunida em Israel, o que engendraria o estabelecimento de um Estado judeu, onde a liberdade cultural e nacional seria possível. Com a sua visão secular de um centro espiritual judaico na Palestina, Ahad Ha'am contrapôs-se às ideias de Theodor Herzl, o fundador do sionismo político. À diferença de Herzl, ele defendia «um Estado judeu e não um mero Estado de judeus».
Em 1922, instalou-se definitivamente em Telavive, onde morreria cinco anos depois.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

17 DE AGOSTO - FAGUNDES VARELLA


EFEMÉRIDE - Luís Nicolau Fagundes Varella, escritor brasileiro, nasceu em São João Marcos no dia 17 de Agosto de 1841. Morreu em Niterói, em 18 de Fevereiro de 1875. Filho de um magistrado, os pais pertenciam a famílias tradicionais fluminenses. Era bisneto do barão de Rio Claro.
Poeta romântico e boémio inveterado, Fagundes Varella foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira do seu tempo. Ingressou no curso de Direito (e frequentou as Faculdades de Direito de São Paulo e do Recife), tendo abandonado o curso no 4º ano, para se dedicar à literatura. Ele viria a ser um dos escritores a fazer a transição entre a segunda e a terceira geração romântica.
Reafirmando a sua vocação exclusiva para a arte, diria no seu poema “Mimosa”, na boca de uma personagem: «Não sirvo para doutor» ...
Casou-se muito novo (aos vinte e um anos) com Alice Guilhermina Luande, filha do dono de um circo de São Paulo. Tiveram um filho, que veio a morrer aos três meses de idade. Este facto inspirou-lhe o poema “Cântico do Calvário”. Sobre estes versos, analisou Manuel Bandeira: «Pela força do sentimento sincero, o Poeta atingiu aos vinte anos uma altura que, não igualada depois, permaneceu como um cimo isolado em toda a sua poesia.». A esposa faleceu em 1866.
Tinha-se mudado para Paris aos 20 anos e voltou ao Brasil com 27. Casou-se novamente, com uma prima - Maria Belisária de Brito Lambert - sendo de novo pai, de duas meninas e um menino (este também falecido prematuramente).
Embriagando-se e escrevendo, veio a falecer ainda jovem (33 anos), vivendo às custas do pai e passando boa parte do tempo no campo, o seu ambiente predileto.
A sua obra é dominada por temas como a angústia e o sofrimento, abordando por vezes, também, o patriotismo (“Vozes da América”) ou os problemas sociais, como a abolição da escravatura. Tinha assento na Academia Brasileira de Letras. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

15 DE AGOSTO - JOEL SILVEIRA


EFEMÉRIDE - Joel Silveira, jornalista e escritor brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 15 de Agosto de 2007. Nascera em Lagarto no dia 23 de Setembro de 1918.
Tido como militante de esquerda e tendo divergências com o pai, mudou-se de Aracaju para o Rio de Janeiro em 1937, a pretexto de ir estudar Direito. De facto, cursou até ao segundo ano da faculdade, mas confessou nas suas memórias, ter sido um estudante relapso. Estava mais interessado em ser jornalista. Embora possa parecer paradoxal, o período do Estado Novo permitiu que ele, “anti getulista” convicto, e mais um grupo de jovens jornalistas, como David Nasser, Edmar Morel e Samuel Wainer, viessem a ser notabilizados pelas “grandes reportagens” dos anos 1940, forma encontrada pelos jornais para sobreviver à censura imposta pela ditadura de Vargas.
O seu primeiro emprego foi no semanário “Dom Casmurro”, que era um jornal esquerdista. Um irmão começou a mandar-lhe de São Paulo material político para que ele distribuísse no Rio.
Foi depois repórter e secretário da revista “Diretrizes”, semanário de Samuel Wainer, onde permaneceu até a Redacção ser fechada pelo polícia política, em 1944. Escreveu também para: “Diários Associados”, “Última Hora”, “O Estado de S. Paulo”, “Diário de Notícias”, “Correio da Manhã” e “Manchete”.
Nos seus mais de 60 anos de carreira, passou por diversas redacções de jornais, nas quais ocupou inúmeros cargos. Foi escolhido por Assis Chateaubriand, dos “Diários Associados”, para ser correspondente de guerra, apesar de haver outros candidatos de peso, como David Nasser e Carlos Lacerda.
Após o golpe de 1964, foi preso por duas vezes, durante o governo de Castelo Branco. No governo Médici, foi preso mais cinco vezes: «Três pelo Exército, uma pela Marinha e outra pela Aeronáutica. A pergunta era sempre a mesma: «Você é comunista?», o que ele negava porque efectivamente não era verdade. 
É reconhecido por ser um dos precursores do jornalismo internacional e do jornalismo literário no Brasil. Ganhou de Assis Chateaubriand a alcunha de “a víbora” pelo seu estilo agressivo.
As suas reportagens “Eram Assim os Grã-Finos em São Paulo” e “A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista” consagraram-no como profissional e hoje são tidas como verdadeiros clássicos do género.
Publicou cerca de 40 livros. Foi agraciado em 1998 com o Prémio Machado de Assis, o mais importante da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra. Entre outros galardões, recebeu também o prémio Líbero Badaró, Esso Especial, Jabuti e Golfinho de Ouro.
Pouco antes de falecer, Joel Silveira foi homenageado no 2º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. Por razões de saúde, foi representado na cerimónia pela sua filha.  

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

14 DE AGOSTO - LETITIA ELIZABETH LANDON

EFEMÉRIDELetitia Elizabeth Landon, poetisa e romancista inglesa, mais conhecida pelas suas iniciais L.E.L., nasceu em Chelsea, Londres, em 14 de Agosto de 1802. Morreu em Cape Coast, no dia 15 de Outubro de 1838.
Letitia foi uma criança precoce, tendo aprendido a ler logo após dar os primeiros passos. Um vizinho inválido espalhava letras no chão e recompensava-a pelas leituras bem sucedidas. Segundo o seu pai, «ela costumava trazer para casa muitas recompensas».
Aos cinco anos, começou a frequentar a escola. A família mudou-se, porém, para o interior do país em 1809, a fim de que o pai pudesse executar um projecto de fazenda/modelo. Letitia Landon, desde então, foi educada em casa por uma prima, que afirmaria: «Quando lhe perguntava qualquer questão relacionada com História, Gramática, Geografia ou sobre algum livro que estivesse a ler, eu estava segura de que a sua resposta seria perfeitamente correcta».
Os negócios agrícolas não deram resultado e a família voltou para Londres em 1815, tornando-se amiga de William Jerdan, editor da “Literary Gazette”. Jerdan tomou conhecimento da jovem Letitia, quando a viu descer a rua, rodando um arco com uma mão e segurando um livro de poemas com a outra.
Jerdan encorajou os seus esforços poéticos e o primeiro poema foi publicado sob a simples inicial ‘L’, na “Gazette”, em 1820. Tinha então 18 anos de idade.
No ano seguinte, com o apoio financeiro da avó, publicou um livro de poesias, “The Fate of Adelaide”, assinando o seu nome completo. O livro teve pouca divulgação da crítica, mas vendeu-se bem.
No mesmo mês em que “The Fate of Adelaide” foi editado, publicou dois poemas sob as iniciais ‘L.E.L.’ na “Gazette”. Estes poemas e as iniciais com que foram publicados atraíram muita discussão e especulação. Um crítico contemporâneo escreveu que as iniciais L.E.L. «rapidamente se tornaram uma assinatura de interesse mágico e de curiosidade». Os críticos corriam todas as tardes de sábado para a “Literary Gazette”, com uma impaciente ansiedade para ver mais uma vez se – no canto da página habitual – estavam as três letras mágicas L.E.L. E todos elogiavam os versos e punham-se a tentar adivinhar quem seria o autor. Quando souberam que era uma mulher, a admiração duplicou e as conjecturas triplicaram.
Letitia foi depois chefe de revisão da “Gazette” e continuava a escrever poesia. A sua segunda recolha, “The Improvisatrice”, foi publicada em 1824. O pai morreu no final desse ano e ela foi forçada a usar a escrita para se sustentar a si e à família.
Em 1826, o seu prestígio começou a ser beliscado quando surgiram rumores na imprensa sensacionalista de que ela tinha tido diversos casos amorosos e que secretamente tivera filhos. Letitia, amargurada, continuou, no entanto, a escrever poesias e, em 1831, publicou mesmo o seu primeiro romance – “Romance and Reality”.
L.E.L. foi encontrada morta, com uma garrafa de ácido prússico na mão. Tinha apenas 36 anos.
Entre as poetisas do seu tempo a reconhecerem e admirarem o seu valor, estão: Elizabeth Barrett Browning, que escreveu “L.E.L.'s Last Question”, em sua homenagem; e Christina Rossetti, que publicou um poema/tributo intitulado “L.E.L.”, no sue livro “The Prince's Progress and Other Poems”.

domingo, 13 de agosto de 2017

13 DE AGOSTO - ADA DE CASTRO

EFEMÉRIDEAda de Castro, de seu verdadeiro nome Ada Antunes Pereira, actriz de teatro e fadista portuguesa, nasceu em Lisboa, no bairro de Alfama, em 13 de Agosto de 1937. Foi um dos sócios fundadores da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado.
Conjugando o fado, marchas e folclore, Ada de Castro actuou em várias casas de espectáculo, como O Faia e a Adega Machado, tendo gravado parte do seu repertório já muito tardiamente na sua carreira.
Teve assinalável êxito em fados como: “Na Hora da Despedida”, “A Severa Que Me Diga”, “O Meu Amor É Forcado”, “Alguém Mandou-me Violetas”, “Lisboa é Fado”, “Alfama Velhinha”, “Senhora Dona Mouraria”, “Lisboa é só Lisboa”, “Os Figos”, “Lisboa Cheia de Graça”, “Lisboa Cidade Minha”, “O Fado Tem Encantos”, “Gosto de tudo o que é teu”, “Deste-me um Cravo Encarnado”e em muitos outros.
Entre os vários galardões que recebeu, destacam-se: Melhor Fadista da Quinzena (Prémio RTP, 1962), Óscar da Melhor Fadista do Ano (Prémio da Casa da Imprensa, 1967); e Melhor Fadista do Ano (Revista “Nova Gente”, 1982).
Em Outubro de 2010, durante a Gala Amália, que se realizou no Coliseu de Lisboa, recebeu a Medalha Comemorativa dos 50 Anos de Carreira. Amigos e colegas estiveram presentes e Ada de Castro aproveitou para anunciar a sua despedida, aos 73 anos de idade.

sábado, 12 de agosto de 2017

12 DE AGOSTO - FERNANDO CRUZ

EFEMÉRIDEFernando da Conceição Cruz, futebolista português, nasceu em Lisboa no dia 12 de Agosto de 1940. Jogava na posição de defesa esquerdo.
Representou o SL e Benfica (1959/70) e o Paris Saint-Germain FC (1970/71). Conquistou, pelo Benfica, duas Taças dos Clubes Campeões Europeus (1961/62), oito Campeonatos de Portugal e três Taças de Portugal. Com a Selecção de Portugal, foi 11 vezes internacional e 3º classificado nos Mundiais de 1966.
Titular da equipa do Benfica aos 20 anos de idade, foi com a mesma idade que vestiu pela primeira vez a camisola da selecção nacional. Ao serviço do Benfica, foi uma figura importante e nuclear dos grandes êxitos alcançados nos anos 1960, tendo a particularidade de ser dos poucos jogadores que alinharam nas cinco finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus que o clube disputou nessa década.
A sua estreia na Selecção ocorreu em Maio de 1961, num Portugal/Inglaterra (1-1) de qualificação para o Mundial de 1962. A sua carreira com a camisola das quinas terminou em Junho de 1968, na então cidade de Lourenço Marques, num encontro particular entre Portugal e o Brasil (0-2).
Decidiu pôr fim à sua carreira de jogador em 1971, depois de conquistar – pelo Paris Saint-Germain – o título de Campeão de França (2ª divisão).

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

11 DE AGOSTO - LYDIA KOIDULA

EFEMÉRIDELydia Koidula, de seu verdadeiro nome Lydia Emilie Florentine Jannsen, poetisa estoniana, morreu em Kronstadt no dia 11 de Agosto 1886. Nascera em Vändra, em 24 de Dezembro 1843.
No meio do século XIX, na Estónia, a vida literária não era considerada uma carreira conveniente para uma rapariga. Por esta razão, Lydia escrevia no jornal do pai de forma anónima. Apesar disso, conseguiu ser considerada pelos seus pares como uma das maiores figuras literárias estonianas.
Por volta de 1850, a família mudara-se para a cidade vizinha de Pärnu, onde o pai fundou o primeiro jornal local em língua estoniana, enquanto a pequena Lydia frequentava uma escola alemã.
Em 1864, instalaram-se na cidade universitária de Tartu, a cidade mais progressista da Estónia de então. O nacionalismo russo estava a aumentar e a publicação em língua local era um assunto tabu no Império Russo, apesar da política relativamente liberal do czar Alexandre II. O pai de Lydia conseguiu publicar, mesmo assim, também aqui, o primeiro jornal em língua estoniana – o “Postimees” (“O Correio”).
Lydia Koidula colaborava nos jornais do pai e passou depois a publicar as suas próprias obras. Em 1873, casou-se com um médico e foi viver para Kronstadt, perto de São Petersburgo. Ali viveram durante 13 anos, passando os Verões na Estónia. Tiveram três filhos. Lydia faleceu em 1886, após uma longa doença. Tinha apenas 42 anos.  
A sua obra mais importante, “Emajöe Ööbik”, foi publicada em 1867, numa época em que o povo estoniano começava a mostrar o orgulho nacionalista, aspirando pela autodeterminação, sendo Koidula uma das vozes mais eloquentes nessas aspirações. 
Lydia é igualmente considerada como a «fundadora do teatro estoniano», através das suas actividades teatrais na Sociedade Vanemuise, fundada pelos Jannsen em 1865 para promover a cultura local.
Em 1869, dois poemas de Lydia Koidula foram musicados. Um deles (“Meu País é o meu Amor”) viria a ser o hino oficioso da Estónia entre 1921 e 1940. Um monumento dedicado à escritora foi erigido no centro de Pärnu em 1929.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

10 DE AGOSTO - RUI KNOPFLI

EFEMÉRIDERui Manuel Correia Knopfli, poeta, jornalista e crítico literário e de cinema português, nasceu em Inhambane, Moçambique, em 10 de Agosto de 1932. Morreu em Lisboa no dia 25 de Dezembro de 1997.
Fez os seus estudos em Lourenço Marques (actual Maputo) e em Joanesburgo (África do Sul), tendo sido, entre 1954 e 1974, delegado de propaganda médica.
Publicou uma obra que cruza as tradições literárias portuguesa e anglo-americana. Integrou o grupo de intelectuais moçambicanos que se opôs ao regime colonial. Foi director do vespertino “A Tribuna” (1974/75).
Com o poeta João Pedro Grabato Dias, fundou em 1972 os cadernos de poesia “Caliban”.
Deixou Moçambique em Março de 1975. A nacionalidade portuguesa não impediu que a sua alma fosse assumidamente africana, mas a desilusão pelos acontecimentos políticos está expressa na poesia publicada após sair de Moçambique.
Tem colaboração dispersa por vários jornais e revistas. Desempenhou funções de conselheiro de Imprensa na Embaixada de Portugal em Londres (1975/97).
O seu livro “O Corpo de Atena”, de 1984, recebeu o Prémio de Poesia do PEN Clube. Faleceu no dia de Natal de 1997 e foi sepultado em Vila Viçosa.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

9 DE AGOSTO - MELANIE GRIFFITH

EFEMÉRIDEMelanie Griffith, actriz norte-americana, nasceu em Nova Iorque no dia 9 de Agosto de 1957. Entre muitas nomeações e prémios, foi indicada para um Oscar e venceu um Globo de Ouro de Melhor Actriz.
Filha de uma modelo e actriz, Tippi Hedren, Melanie estudou na Hollywood Professional School.
Saiu de casa aos 14 anos, indo viver com o actor Don Johnson, que tinha 22 anos na época. Casaram-se quando ela completou 18 anos, mas o relacionamento terminou seis meses depois (1976).
Em Setembro de 1981, casou-se com o também actor Steven Bauer. Da relação nasceu um filho. O casal divorciou-se em 1987. Griffith admitiu, mais tarde, ter tido problemas com cocaína e bebidas alcoólicas logo após o divórcio. «O que eu fazia era beber o dia todo e dormir à noite», disse ela.
Em 1988, começou um tratamento de reabilitação que nunca teve efeitos definitivos. Uniu-se entretanto, novamente, com Don Johnson e ficou grávida. Casaram-se de novo em Junho de 1989. Voltaram a separar-se em Junho de 1994, reconciliando-se no final daquele ano, mas divorciaram-se em 1996. Relação muito atribulada.
Na época, a imprensa noticiou que ela e o actor Antonio Banderas teriam um romance de amor. Casaram-se, com efeito, tendo nascido uma filha deste novo matrimónio (1996).
Em 2002, os dois actores receberam o Prémio Stella Adler Anjo pela importante obra de caridade que mantinham. No final de 2009, Melanie submeteu-se a uma cirurgia para tratar um cancro de pele. Em 2014, o casal pôs um ponto final no casamento de 18 anos, devido a «diferenças irreconciliáveis».
No que respeita propriamente à sua carreira, Melanie estreou-se no cinema, a sério, com “Night Moves”, em 1975. O primeiro papel de destaque foi em “Body Double”, em 1984, tornando-a um símbolo sexual, imagem reforçada pelas cenas de nudez e sexo em “Something Wild” (1987).
Em 1989, com “Working Girl”, venceu o Globo de Ouro de Melhor Actriz e foi nomeada para o Oscar na mesma categoria.
Outros filmes importantes foram: “The Bonfire of the Vanities” (1990), “A Stranger Among Us” (1992) e “Born Yesterday” (1993). Actuou com Paul Newman e Bruce Willis em “Nobody's Fool” (1995).
Até agora (2017), protagonizou mais de 50 películas. Actuou também em 23 filmes e séries televisivas (1976/2013).

terça-feira, 8 de agosto de 2017

8 DE AGOSTO - ELINA GUIMARÃES

EFEMÉRIDEElina Júlia Chaves Pereira Guimarães da Palma Carlos, escritora e jurista portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 8 de Agosto de 1904. Morreu na mesma cidade em 26 de Junho de 1991.
Elina Guimarães era filha única de Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães, um militar do Exército português que exerceu cargos políticos de relevo durante a Primeira República Portuguesa, entre os quais as funções de presidente do ministério, o equivalente ao actual primeiro-ministro.
Crescendo num ambiente dominado pela política, desde cedo se interessou pela acção nesta matéria, em especial na defesa dos direitos da mulher. Entusiasta e combativa na defesa das suas convicções de igualdade de direitos e oportunidades de homens e mulheres e de valorização da capacidade intelectual feminina, mereceu de Afonso Costa, amigo da família, o epíteto de «mulher do futuro».
Depois de realizados os primeiros estudos em casa e de frequentar os Liceus Almeida Garrett e Passos Manuel, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, cujo curso concluiu em Novembro de 1926 com a classificação de 18 valores.
Em 1925, ainda estudante universitária, aderiu ao movimento feminista, publicando no periódico “Vida Académica” uma contestação ao conteúdo derrogatório em relação às mulheres que estudavam a obra “O Terceiro Sexo” de Júlio Dantas. Em resultado desse artigo, foi convidada por Adelaide Cabete para integrar o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, do qual – logo em 1927 – assumiu as funções de secretária-geral.
Em 1928, foi eleita vice-presidente da direcção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e elaborou, com a colaboração de Angélica Lopes Viana Porto e Sara Beirão, um plano de conferências feministas. Nesse cargo, que exerceu no período de 1928/29 e em 1931, promoveu uma revisão estatutária do Conselho e desenvolveu intensa actividade, em particular na defesa do direito de participação feminina na vida política e na luta pela conquista do sufrágio feminino.
Também manteve uma forte presença na imprensa, com artigos em defesa dos direitos políticos das mulheres, da co-educação e do livre acesso das mulheres à vida profissional. Publicou igualmente artigos educativos, de temática feminista e jurídica, lutando contra os equívocos conceptuais associados ao feminismo e procurando interessar as mulheres pela causa da equivalência moral, intelectual e social dos dois sexos. Assumiu a direcção da revista “Alma Feminina” (1929/30), foi responsável pela “Página Feminista” na revista “Portugal Feminino” e manteve colaboração em múltiplos periódicos, entre os quais “O Rebate”, “Diário de Lisboa”, “Seara Nova”, “Diário de Notícias”, “Primeiro de Janeiro”, “Máxima” e “Gazeta da Ordem dos Advogados”.
Outra grande causa a que se dedicou foi a defesa de uma educação igualitária, que considerava a via para assegurar às mulheres a mesma preparação profissional e liberdade de trabalho de que gozavam os homens. Com esse objectivo apresentou várias comunicações em congressos e reuniões públicas, entre as quais as intituladas “A protecção à mulher trabalhadora” e “Da situação da mulher profissional no casamento”.
Em 1931, esteve entre os intelectuais e activistas que protestaram junto do ministro da Instrução Pública contra a supressão da co-educação no ensino primário, defendendo a existência de conteúdos de educação cívica e moral nas escolas públicas e demonstrando o seu pendor maternal, afirmando «ser necessário que as mulheres da nossa terra, mais do que nunca, se consagrem a essa obra tão linda e de tão vasto alcance que é a protecção à infância».
Em 1946, foi eleita vice-presidente da assembleia-geral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, ocupando o cargo em 1947, ano em que as autoridades do regime do Estado Novo determinaram o seu encerramento. Foi membro destacado de várias organizações internacionais, entre as quais: o International Council of Women, a International Alliance for Women's Sufffrage, a Phi Delta Legal Society e a Fédération Internationale des Femmes Diplômées en Droit.
Casou em 1928 com Adelino da Palma Carlos, um advogado, professor de Direito e defensor dos ideais democráticos, que chefiaria o primeiro governo após a Revolução dos Cravos. Tiveram dois filhos.
Em Abril de 1985, foi feita Oficial da Ordem da Liberdade, em reconhecimento do seu papel na defesa dos direitos das mulheres e na luta pela democracia em Portugal. Uma rua de Lisboa recorda o seu nome.
Entre os livros que escreveu, saliente-se: “O Poder Maternal” (1933) e “Coisas de Mulheres” (colectânea, 1975).

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