segunda-feira, 31 de maio de 2010

EFEMÉRIDEJohann Ludwig Tieck, poeta, romancista, crítico, tradutor e editor alemão, um dos iniciadores do Romantismo do final do século XVIII e início do século XIX, nasceu em Berlim no dia 31 de Maio de 1773. Faleceu na mesma cidade em 28 de Abril de 1853.
Por ser aproximadamente da mesma idade de outros românticos da época, por volta de 1850 Ludwig Tieck era o único sobrevivente daquela corrente literária. No ano da sua morte, tinha já passado meio século que Novalis tinha desaparecido, 42 anos que Heinrich von Kleist se tinha suicidado, 31 anos que Ernst Theodor Amadeus Hoffmann, seu mestre, tinha deixado este mundo e 50 anos que Hölderlin tinha enlouquecido, morrendo dez anos depois. Estes acontecimentos ajudam a explicar a razão pela qual Tieck, falecido com oitenta anos, coberto de honras, acabou por incarnar quase sozinho a escola romântica que tinha fundado juntamente com outros. Depois da morte de Gœthe, em 1832, ele ficou praticamente como único representante de reconhecida envergadura.
Alguns dos seus contos, escritos em épocas diferentes, são verdadeiros tesouros. Os seus textos contêm apenas o necessário e exacto, com grande qualidade literária e musicalidade, tendo como fundo alguns locais quase sugeridos sem estarem escritos. Ele soube como ninguém evocar a parte obscura da vida, a zona sombria onde vêm confluir o medo, a loucura ameaçadora e a infância de que nos lembramos por vezes apenas como um enigma. Ele falava da confusão do espírito e do corpo, da persistência do que se julgava esquecido e do poder do desejo concebido como único motor da criação e mesmo da fé.
A sua novela “Leonor” foi adaptada ao cinema em 1975, pelo realizador Juan Luis Buñuel. Brahms musicou quinze textos retirados de um dos seus romances.

domingo, 30 de maio de 2010

Salvas de Prata de Sandra Felgueiras (acontece...)

Ave poliglota

EFEMÉRIDE – Benjamim David “Benny” Goodman, clarinetista, chefe de orquestra e músico de jazz norte-americano, nasceu em Chicago no dia 30 de Maio de 1909. Faleceu em Nova Iorque, de paragem cardíaca, em 13 de Junho de 1986. Foi conhecido como “O Rei do Swing”, o “Patriarca do Clarinete”, o “Professor” e o “Mestre do Swing”.
Pertencia a uma família com doze filhos, modestos imigrantes judeus da Polónia. Os pais mudaram-se para Chicago antes do nascimento de Benny.
Quando Benny tinha 10 anos, o pai inscreveu-o nas aulas de música da sinagoga Jacob Kehelah. No ano seguinte, ingressou na banda infantil da instituição de caridade de Jane Addams, onde recebeu igualmente lições musicais.
Com determinação, tornou-se profissional aos catorze anos e o seu salário passou a ajudar financeiramente a família.
Com dezasseis anos, juntou-se a um grupo de música baseado na Califórnia, com quem esteve durante quatro anos e onde fez as suas primeiras gravações.
Em 1929, com 20 anos, fixou-se em Nova Iorque. Actuou em vários grupos e dirigiu várias orquestras. Em 1934 criou uma “Big Band”, que se tornaria uma das orquestras mais populares da era do swing. Neste mesmo ano, ele e a orquestra apresentaram-se numa audição para uma emissão radiofónica da NBC, intitulada “Let’s Dance”. Obtiveram o contrato.
Em Julho de 1935 nasceu o “Benny Goodman Trio” que se tornará um quarteto, um ano mais tarde, quando Lionel Hampton se lhes juntou.
Formando pequenos grupos, Benny foi um dos primeiros músicos brancos a contratar músicos negros, numa época de profunda segregação racial.
O dia 16 de Janeiro de 1938 foi o mais importante da sua carreira musical, quando a mítica sala de espectáculos Carnegie Hall de Nova Iorque lhe abriu as portas. Ali começava a sua celebridade. A lotação é de 2760 pessoas e os bilhetes esgotaram-se durante semanas. Apresentaram-se também, como convidados, Duke Ellington, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e Count Basie. Foi lá igualmente que Benny Goodman iniciou a sua carreira de solista.
Em 1947 acabou com a “Big Band” e passou a actuar como líder de pequenas formações, participando igualmente em numerosos filmes.
Nos anos 1960 foi considerado “embaixador do jazz” e fez várias tournées no estrangeiro. Visitou a Ásia, a América do Sul, a URSS e o Japão.
Apesar de vários problemas de saúde, nunca deixou de tocar clarinete até à sua morte.

sábado, 29 de maio de 2010

EFEMÉRIDE Juan Ramón Jiménez Mantecón, poeta espanhol, faleceu em San Juan, Porto Rico, no dia 29 de Maio de 1958. Nascera em Moguer, na Andaluzia, em 23 de Dezembro de 1881. Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1956.
Fez os estudos primários e secundários no Colégio de San José, obtendo em 1893 o Bacharelato de Artes no Colégio San Luis Gonzaga.
Em 1896 foi para Sevilha, onde se dedicou à pintura, acreditando que seria esta a sua vocação. Frequentava também, assiduamente, a biblioteca do Ateneu Sevilhano. Depois de escrever as primeiras obras em prosa e em verso, começou a colaborar em jornais e revistas de Sevilha e de Huelva.
Desenvolveu a ideia de uma “poesia pura”, de inspiração platónica, dominada por um ideal superior de beleza e despida de qualquer conteúdo ideológico, político ou social. Tentava desenvolver, cada vez mais, pesquisas estéticas e rítmicas no seu modo de expressão. As suas composições são dotadas de grande dimensão musical.
Jiménez reconhecia, como grandes e determinantes influências na sua obra, o simbolismo francês e os trabalhos de Ruben Darío, escritor que esteve na origem do movimento modernista latino-americano.
A edição integral do seu poema mais célebre, “Platero y yo”, com o subtítulo “Elegia andaluza”, foi publicada em 1917.
Oponente do regime franquista, viveu exilado em Porto Rico desde 1939 até à sua morte.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Conselho Médico (Utilidade Pública)...
EFEMÉRIDEIan Lancaster Fleming, jornalista, escritor e agente do serviço secreto britânico durante a Segunda Guerra Mundial, nasceu em Mayfair, Londres, no dia 28 de Maio de 1908. Faleceu em Canterbury, em 12 de Agosto de 1964. Tornou-se célebre por ter criado o personagem James Bond, mais conhecido por “007”.
Estudou no famoso Eton College e cursou a Academia Militar Real de Sandhurst, mas deixou a mãe inconsolável ao trocar a Academia por um curso de línguas em Kitzbühel, na Áustria, sem sequer ter atingido o grau de oficial. Inscreveu-se depois na Universidade de Munique em 1928 e na de Genebra no ano seguinte. Não conseguiu ingressar no “Serviço de estrangeiros” e, aos 23 anos de idade, não tinha ainda uma carreira nem uma perspectiva de vida. Trabalhou como jornalista em Moscovo durante quatro anos e, posteriormente, como corretor na Bolsa de Valores de Londres até 1939.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi recrutado pelo Serviço de Inteligência da Marinha Britânica e, devido aos seus conhecimentos e facilidade com idiomas, serviu como assistente pessoal do Almirante John H. Godfrey, cujo perfil serviu parcialmente como modelo, para a criação e desenvolvimento de "M", o superior hierárquico de James Bond.
No início da II Guerra Mundial, Ian Fleming e outros propuseram desenvolver “desinformações” para os nazis, afim de ludibriar Rudolf Hess.
O seu primeiro livro foi um guia de correspondente de guerra, que serviu para treino do pessoal do Serviço de Inteligência. Quando escreveu o primeiro livro sobre James Bond, “Casino Royale” (1953), Fleming indicou que o seu agente secreto era do MI6, o Departamento de Inteligência do Serviço Secreto Britânico. Este seu livro é parcialmente baseado na má sucedida experiência com jogos de azar, na sua estadia em Portugal, durante a guerra. Foi no famoso Casino de Estoril que, aparentemente, Fleming conheceu Dusko Popov, que lhe serviu de modelo para a criação de Bond.
Escreveu a maioria dos livros sobre Bond na região das Caraíbas, mais precisamente na Jamaica.
Escrevia também artigos para jornais e revistas britânicas sob o pseudónimo Atticus. O livro “Thrilling Cities” (1963) foi escrito baseado em artigos publicados no jornal Sunday Times entre 1959/60. Fleming publicou, também, um livro infantil de grande sucesso “Chitty Chitty Bang Bang”, que foi adaptado para o cinema, como musical, em 1968. O livro tinha sido escrito para o seu filho Caspar, que acabou por se suicidar aos 23 anos.
Ian Fleming morreu aos 56 anos, vítima de ataque cardíaco, no campo de golfe Royal St. George's Sandwich, no condado de Kent. Morreu pouco antes da estreia daquele que seria um dos melhores filmes, entre todos os que foram feitos da série de espionagem por ele criada: “007 Contra Goldfinger”.
Os seus livros foram traduzidos em mais de quinze idiomas e continuam a ser vendidos em edições sucessivas por todo o mundo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

EFEMÉRIDEPaul John Gascoigne, ex-futebolista internacional e treinador inglês, nasceu em Gateshead no dia 27 de Maio de 1967.
Iniciou a sua carreira no Newcastle United em 1985. Passou depois pelo Tottenham Hotspur, Lazio, Glasgow Rangers, Everton e Burnley.
Foi convocado para os Mundiais de 1990. Na semifinal, contra a Alemanha Ocidental, acabou por ser a figura central de uma das imagens mais comoventes da história dos Mundiais: após uma disputa de bola com um adversário, foi advertido com um cartão amarelo, significando que, se a Inglaterra vencesse, Gascoigne ficaria fora da final por ser o seu segundo amarelo na prova. Ciente disso, começou a chorar convulsivamente.
O Mundial de 1990 foi o único da sua carreira, pois a Inglaterra não se classificou em 1994 e, em 1998, não foi convocado pelo técnico Glenn Hoddle. Representou a Inglaterra 57 vezes.
Abandonou temporariamente o futebol, regressando em 2002 em representação do modesto Gansu Tianma (China) e do Boston United. Depois, despediu-se oficialmente como jogador de futebol.
Aventurou-se como técnico, treinando o “Kettering Town”. Posteriormente, a sua vida tem sido conturbada por notícias do seu envolvimento com drogas e álcool e até suposições de morte.
Tem alimentado os tablóides ingleses com as suas desventuras. Em 2006 foi preso por agressão, numa discoteca em Chelsea. Em Fevereiro 2008 foi preso no Hotel Hilton de Gateshead e retido no âmbito de uma lei britânica de saúde mental. Saiu no dia 6 de Março e, dois meses depois, tentou suicidar-se, sendo novamente internado num serviço psiquiátrico.
Em Setembro de 2008 foi hospitalizado no Hospital de Faro em Portugal, após nova tentativa de suicídio por intoxicação.
Em 24 de Dezembro obteve autorização da clínica onde se encontrava, para ir passar o Natal com a família. Nunca chegou ao destino e foi considerado como desaparecido. Finalmente, tinha passado a noite sozinho num hotel a beber bebidas alcoólicas.
Depois disso, Gascoigne melhorou, jurando que «não beberia mais uma gota de álcool, apesar de saber as dificuldades que teria para o conseguir». Parecia estar pronto para uma nova vida.
Em Fevereiro de 2010, quando se julgava que ele já estava curado, foi detido em estado de embriaguez no Yorkshire, ao volante de uma viatura…

quarta-feira, 26 de maio de 2010

EFEMÉRIDEAleksandr Sergueïevitch Pushkin, romancista, dramaturgo e poeta russo da era romântica, nasceu em Moscovo no dia 26 de Maio de 1799. Morreu em São Petersburgo, em 29 de Janeiro de 1837. Escreveu igualmente ficção histórica - “Marie: Uma História de Amor Russa” deu-nos uma visão da Rússia, durante o reinado de Catarina, a Grande.
Leitor voraz desde criança, leu vários clássicos ingleses e franceses da biblioteca de seu pai. Publicou o seu primeiro poema com quinze anos de idade e foi largamente reconhecido nos meios literários, antes mesmo da sua graduação no “Imperial Lyceum”, localizado em Tsarskoïe Selo, a vila real de então (baptizada com o seu nome em 1937, pelo centenário da sua morte). Espantava todos com a facilidade que tinha em improvisar e em recitar de cor longos poemas.
Considerado o maior dos poetas russos e o fundador da literatura russa moderna, foi pioneiro no uso da língua coloquial em poemas e peças, criando um estilo narrativo - mistura de drama, romance e sátira, que influenciou fortemente escritores russos como Gogol, Tolstoï, Dostoïevski, Lermontov e Turgeniev. Inspirou igualmente numerosos compositores como Tchaïkovski, Rimsky-Korsakov e Moussorgski.
Devido às suas ideias progressistas e tendo sido amigo de alguns “Dezembristas”, responsáveis por uma tentativa de golpe contra o czar Alexandre I, foi desterrado, vagueando entre 1820 e 1824 pelo sul do Império Russo. Sob severa vigilância dos censores estatais e impedido tanto de viajar como de publicar, escreveu mesmo assim a sua mais famosa peça, “Boris Godunov”, em que evidencia a influência de Shakespeare e que só pôde ser publicada anos depois. No decurso deste período, compôs também diversos poemas de influência “byroniana”, de entre os quais se destacam “O prisioneiro do Cáucaso”, “A fonte de Baktchisarai” e “Os ciganos”.
Em 1826, recebeu o perdão do novo czar Nicolau I, regressando a Moscovo. Cultivando cada vez mais a prosa, alcançou grande sucesso com obras como “Contos de Belkin”, “A Dama de Espadas” e “A Filha do Capitão”.
Aleksandr Pushkin e a esposa Natalya Nikolaïevna Goncharova, com quem se casara em 1831, tornaram-se regulares frequentadores da corte. Em 1837, ao saber dos insistentes boatos, segundo os quais a esposa tinha começado um escandaloso caso extra-conjugal, desafiou o alegado amante, o francês Georges d'Anthès, para um duelo. Mortalmente ferido por um tiro no ventre, Pushkin faleceria dois dias depois.
Em virtude dos seus ideais políticos liberais e da sua influência sobre gerações de rebeldes russos, Pushkin veio a ser retratado pelos bolcheviques como um «opositor da literatura e da cultura burguesas» e um «antecessor da literatura e da cultura soviéticas».

terça-feira, 25 de maio de 2010

EFEMÉRIDEMarie-Madeleine Pioche de La Vergne, conhecida como Madame de Lafayette, escritora francesa, morreu em Paris no dia 25 de Maio de 1693. Nascera em 18 de Março de 1634.
Era oriunda de uma família da pequena nobreza, que se mudou para Paris quando ela tinha apenas um ano de idade. Com 16 anos, foi escolhida para dama de honor da rainha Ana da Áustria e começou a receber uma cuidada educação literária, que incluiu a aprendizagem de latim e italiano.
Foi amiga de La Rochefoucauld, que a fez entrar em contacto com figuras importantes da literatura francesa, como Racine e Boileau.
Casou em 1655 com o jovem François Motier, Conde de La Fayette, que passou uma vida discreta e muito ofuscada pela notoriedade da esposa.
Entre os seus conhecimentos mais próximos, contava-se Henriqueta de Inglaterra, futura duquesa de Orleães, que lhe pediu para ser sua biógrafa.
Em 1662 escreveu anonimamente “A Princesa de Montpensier”. Em 1669 publicou o primeiro volume de “Zaïde”, assinando-o com o pseudónimo “Segrais”. O 2º volume apareceu em 1671 e foi reeditado e traduzido por várias vezes.
A sua obra mais célebre é “A Princesa de Clèves”, editada por amigos seus em 1678. Este livro, que obteve grande sucesso, é considerado frequentemente o protótipo do romance de análise psicológica.
A morte de La Rochefoucauld em 1680, e do marido em 1683, conduziram-na a uma vida social menos activa, nos últimos anos da sua existência. Retirou-se claramente dos meios mundanos, para se preparar para a morte. Três das suas últimas obras foram publicadas, postumamente, em 1718, 1720 e 1731.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

EFEMÉRIDE – José Maria Ferreira de Castro, escritor português e um dos maiores vultos de sempre da cultura portuguesa, nasceu em Ossela, Oliveira de Azeméis, no dia 24 de Maio de 1898. Faleceu no Porto, em 29 de Junho de 1974.
Aos doze anos de idade emigrou para o Brasil, onde viria a publicar o seu primeiro romance “Criminoso por Ambição” (1916).
Durante quatro anos viveu em plena selva amazónica, trabalhando no seringal “Paraíso”, junto à margem do rio Madeira. Viveu depois em precárias condições, tendo de recorrer a trabalhos como: colador de cartazes, embarcadiço em navios do Amazonas etc. Esta experiência serviria aliás de base para o seu mais famoso romance (“A Selva”, 1930). Colaborou na imprensa, fundando também o jornal “Portugal”.
Regressou a Lisboa em 1919, fundando a revista “Hora” e o magazine “Civilização”. Foi redactor do jornal “O Século”e “ABC”, tendo sido director do jornal “O Diabo”.
Emigrante, homem do jornalismo, mas sobretudo ficcionista, é ainda hoje um dos autores mais traduzido em todo o mundo, podendo incluir-se a sua obra na categoria de literatura universal moderna, precursora do neo-realismo, de escrita caracteristicamente identificada com a intervenção social e ideológica.
Em 1922 iniciou a publicação de novelas e, seis anos mais tarde, foi publicado o seu primeiro romance da fase de maturidade literária (“Emigrantes”) que marca a transição da literatura portuguesa para o neo-realismo.
Para provar a sua ainda grande actualidade, pode referir-se a recente adaptação ao cinema, com muito sucesso, da obra “A Selva”.
Era um trabalhador incansável, na verdadeira acepção da palavra. Não dispondo ou não querendo utilizar máquina de escrever, e ainda a uma enorme distância dos nossos computadores, pode imaginar-se a montanha de papel que Ferreira de Castro laboriosamente escreveu, para produzir obras como “As Maravilhas Artísticas do Mundo”.

domingo, 23 de maio de 2010


O FUTURO
(Quadras)

1

«O Futuro a Deus pertence»
Lá diz um velho rifão,
Mas só quem trabalha - vence:
- Nada nos vem ter à mão! *

2

Pode ser triste ou risonho,
Estar muito longe ou perto,
Pode ser um belo sonho
Ou feio - se for incerto!

3

Construído passo a passo,
Com alegrias e dores,
Nosso futuro é um traço
Pintado com muitas cores.


* Menção Honrosa nos VIII Jogos Florais de Avis – 2010


Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDEEduardo Lourenço de Faria, ensaísta, professor universitário, filósofo e intelectual português, nasceu em São Pedro de Rio Seco, Almeida, Beira Interior, no dia 23 de Maio de 1923.
Tendo por origem uma pequena aldeia e uma família conservadora, estudou no Colégio Militar em Lisboa. Viria depois a encontrar em Coimbra um ambiente mais aberto e propício a reflexões culturais, que sempre haveria de prosseguir. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas (1946), permaneceu na Universidade de Coimbra como assistente de Filosofia, entre 1947 e 1953. Foi nesse período que publicou o primeiro livro (“Heterodoxia”, 1949).
Ensinou Cultura Portuguesa entre 1954 e 1955 na Alemanha, exercendo depois a mesma actividade na Universidade de Montpellier (1956-58). Após um ano passado na Bahia, como professor de Filosofia, viveu a partir de 1960 em França, leccionando nas Universidades de Grenoble (até 1965) e de Nice (1965-1987).
Influenciado pela leitura de Nietzsche, Heidegger, Sartre ou pelo conhecimento das obras de Dostoievski, Franz Kafka ou Albert Camus, foi associado ao existencialismo, sobretudo por volta dos anos 1950, altura em que colaborou na “Árvore” e se tornou amigo de Vergílio Ferreira. Nunca se deixou enfeudar, porém, a qualquer escola de pensamento e, embora favorável a ideias de esquerda, nunca abandonou uma atitude crítica independente.
Com uma clara autoridade moral, foi-lhe atribuída a “Ordem de Santiago da Espada” em 1981 e o “Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon” (concedido em 1988 por ocasião da sua obra “Nós e a Europa ou as Duas Razões”), no ano em que foi colocado em Roma como adido cultural português.
Crítico e ensaísta literário, virado predominantemente para a poesia, assinou ensaios polémicos como “Presença” ou a “Contra-Revolução do Modernismo Português?” n' “O Comércio do Porto” (1960) ou ainda um estudo sobre o neo-realismo intitulado “Sentido e Forma da Poesia Neo-Realista” (1968). Aproximou-se da modernidade e da obra de Fernando Pessoa, a propósito da qual publicou “Pessoa Revisitado” (1973). Indiferente à sucessão de correntes teóricas e fugindo tanto ao historicismo como a pretensas análises objectivas, a perspectiva de E. Lourenço já influenciou outros autores como, por exemplo, Eduardo Prado Coelho.
Foi dado o seu nome à Biblioteca Municipal da cidade da Guarda. Em 1996 recebeu o “Prémio Camões” e em 2001 o “Prémio Vergílio Ferreira” da Universidade de Évora.
Em Dezembro de 2007 foi distinguido pela Universidade Bolonha com o título de doutor honoris causa em Literaturas e Filologias Europeias.

sábado, 22 de maio de 2010

EFEMÉRIDE Charles Aznavour, de seu nome original Shahnourh Varinag Aznavourian, cantor, autor-compositor e actor francês de origem arménia, nasceu em Paris no dia 22 de Maio de 1924. Reside em Genebra.
Foram os seus pais, que eram artistas emigrantes, que o introduziram no mundo do espectáculo. Começou a actuar como cantor e comediante aos nove anos de idade e logo assumiu o nome artístico de “Charles Aznavour”.
O seu primeiro salto para a celebridade aconteceu quando, em 1946, a cantora Édith Piaf o ouviu cantar e o levou consigo numa tournée pela França e pelos Estados Unidos.
Além de ser um dos mais populares cantores de França, ele é igualmente um dos cantores franceses mais conhecidos no estrangeiro. Actuou também em mais de 60 filmes, compôs cerca de 1000 canções (incluindo 150 em inglês, 100 em italiano, 70 em espanhol e 50 em alemão) e já vendeu mais de 100 milhões de discos. Além das línguas citadas, cantou também em arménio, russo e português.
Que c'est triste Venise”, cantada em várias línguas, é uma das suas mais famosas canções. Nos anos 1970, tornou-se um cantor de sucesso na Grã-Bretanha com a canção “She”.
Em 1997 o governo francês condecorou-o com a Legião de Honra. No ano seguinte, foi eleito “Artista de Variedades do Século” pela CNN e pelos usuários da “Time Online” espalhados pelo mundo, à frente de Elvis Presley e de Bob Dylan.
Aznavour começou a sua “tournée de despedida” no fim de 2005 e prevê que ela durará até este ano, se a saúde lho permitir.
Desde 2001, há uma praça com o seu nome em Erevan, capital do seu país de origem. Depois de obter a cidadania arménia em 2008, aceitou tornar-se embaixador da Arménia na Suíça. O anúncio oficial dessa nomeação foi feito em 6 de Maio de 2009.
Entre os artistas que interpretaram canções suas, salientam-se Fred Astaire, Bing Crosby, Ray Charles, Liza Minelli, Elvis Costello e Plácido Domingo.
Desde a morte de Frank Sinatra, Aznavour é considerado um dos últimos monstros sagrados da canção. Completa hoje 86 anos de idade.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sem comentários...

EFEMÉRIDE Rajiv Gandhi, primeiro-ministro da Índia (1984/1989) e líder do Partido do Congresso Nacional Indiano, foi assassinado em Sriperumbudur, Tamil Nadu, no dia 21 de Maio de 1991. Nascera em Bombaim, em 20 de Agosto de 1944. Neto de Jawaharlal Nehru e filho mais velho de Indira Gandhi, sucedeu à mãe no governo indiano, após a morte dela, também por assassinato. Dois meses mais tarde, venceu as eleições legislativas.
Estudou na Universidade de Cambridge em Inglaterra, onde conheceu a sua futura mulher. Rajiv, antes de entrar na política, foi piloto de aviões comerciais. Casou-se com a italiana Sonia Antonia, que lhe sucedeu como líder do Partido do Congresso da Índia.
Durante o seu mandato de primeiro-ministro trouxe um certo dinamismo para esta função. Rompeu com a política pró-URSS de sua mãe e iniciou a liberalização da economia, suprimindo as licenças administrativas para as empresas, encorajando o desenvolvimento das telecomunicações e reforçando os laços com os Estados Unidos.
O seu governo foi, no entanto, manchado pelo escândalo Bofors, assim conhecido por envolver uma sociedade sueca com este nome e a entrega de 40 milhões de dólares a políticos indianos em troca de vários contratos. Isto levou à derrota do Partido do Congresso nas eleições de 1989.
A intervenção militar do seu governo (1987/1989) na guerra civil, que opôs o Sri Lanka e os independentistas do povo tamil, conduziram ao seu assassinato pelos militantes do LTTE, utilizando um explosivo escondido num “colar” de flores, quando ele se encontrava em campanha para a sua reeleição, no Estado de Tamil Nadu.
Rajiv Gandhi foi autor de vários livros, entre eles a sua autobiografia “Todos os homens são irmãos”. O seu assassinato, como acontecera com o da mãe, levou de novo à vitória do Partido do Congresso nas eleições. A esposa italiana, juntamente com os filhos, perpetuam a tradição familiar, implicando-se na política da Índia.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

EFEMÉRIDEMaria Teresa Mascarenhas Horta, escritora portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 20 de Maio de 1937.
Pertence, pelo lado materno, a uma família da alta aristocracia portuguesa, contando-se entre os seus antepassados a célebre poetisa Marquesa de Alorna
Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Dedicou-se ao “cine clubismo”, como dirigente do “ABC Cineclube”, ao jornalismo e à questão do feminismo, tendo feito parte do Movimento Feminista de Portugal, juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, conhecidas pelas “Três Marias”. Em conjunto lançaram o livro “Novas Cartas Portuguesas” (1971), cujo conteúdo levou as autoras a tribunal. Fez parte do grupo “Poesia 61”.
Colaborou em diversas jornais: Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Hidra 1, Diário de Notícias e Jornal de Letras e Artes, tendo sido também chefe de redacção da revista Mulheres.
A sua obra está marcada por uma forte tendência de experimentação e exploração das potencialidades da linguagem, numa escrita impetuosa e muitas vezes sensual.
Escreveu diversos livros de poesia e prosa. Em 1999, publicou “A Mãe na Literatura Portuguesa”, obra constituída por uma importante introdução sua, depoimentos de várias individualidades, uma antologia de poesia e prosa de escritores portugueses e, no fim, um conjunto de quadras e provérbios, tudo em torno da temática da mãe.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

EFEMÉRIDE – João do Canto e Castro Silva Antunes Júnior, oficial da Marinha e 5º Presidente da República Portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 19 de Maio de 1862. Faleceu, também em Lisboa, em 14 de Março de 1934.
Frequentou o Colégio Luso-Britânico e a Real Escola Naval. Oficial da Armada, percorreu todo o Império Português, atingindo o posto de almirante. Em 1892 foi nomeado governador de Moçambique. Foi deputado em 1908.
No início da República, dirigiu a Escola de Alunos Marinheiros, em Leixões, e chefiou o Departamento Marítimo do Norte. Em 1915 dirigiu a Escola Prática de Artilharia Naval. No governo de Sidónio Pais foi nomeado director dos serviços do Estado-Maior Naval e secretário de Estado da Marinha.
Tomou posse como ministro da Marinha, a pedido de Sidónio Pais, em Setembro de 1918, tendo-lhe sucedido depois do atentado que vitimou o ditador.
Durante o seu mandato houve duas tentativas de revolução. A primeira, em Santarém, em Dezembro de 1918, foi liderada pelos republicanos Cunha Leal e Álvaro de Castro. A segunda, em Janeiro de 1919, de cariz monárquico, foi dirigida por Paiva Couceiro que, por algum tempo, manteve a “Monarquia do Norte”. De salientar a posição sui generis de Canto e Castro : sendo monárquico, era Presidente da República e reprimiu violentamente um movimento daqueles com quem partilhava as convicções.

terça-feira, 18 de maio de 2010

EFEMÉRIDEFrancesco Rosario Capra, mais conhecido como Frank Capra, realizador, cenógrafo e produtor norte-americano de origem siciliana, nasceu em Bisacquino, na Sicília, em 18 de Maio de 1897. Morreu em La Quinta, Califórnia, no dia 3 de Setembro de 1991, vítima de ataque cardíaco enquanto dormia.
A família Capra chegou a Los Angeles em 1903. Frank, com seis anos, começou a estudar e a vender jornais na rua. Mais tarde, embora contrariando a vontade dos pais, ingressou na Escola Superior de Trabalhos Manuais. Durante os estudos, trabalhou em vários pequenos ofícios.
Em 1918, formou-se em engenharia química no “Troop Polytechnic Institute” mas, devido ao período de guerra, não conseguiu emprego. Sobreviveu vendendo livros, fotografias e quinquilharias, até saber que o Ginásio Israelita do Golden Gate Park, em São Francisco, ia ser transformado num estúdio de cinema. Alguns tempos depois, já Frank estava a dirigir o seu primeiro filme “A pensão de Fultah Fisher”, lançado pela Pathé em 1922.
Após o seu primeiro filme, Capra empregou-se num laboratório de São Francisco e, um ano depois, partiu para Hollywood, onde trabalhou na criação de situações cómicas e também em alguns filmes. Dirigiu três películas para a “First National”, que não tiveram sucesso. Ficou desempregado.
Harry Cohn, um dos donos da então desconhecida Columbia Pictures, escolheu o nome de Capra, numa lista de directores desempregados, apenas por intuição, acabando por ser este o ponto de partida para uma carreira brilhante.
Em Junho de 1945 recebeu das mãos do general George C. Marshall a “Medalha de Serviços Notáveis”, devido aos resultados obtidos com os documentários que produziu durante a Segunda Guerra Mundial, consciencializando os soldados para a importância da sua luta. Por recomendação de Winston Churchill, foi agraciado, igualmente, com a “Ordem do Império Britânico”.
Após a guerra, Capra fundou a “Liberty Films”, realizando o filme “A felicidade não se compra”. Posteriormente, a MGM decidiu financiar a “Liberty Films” que, em 1950, seria vendida à Paramount.
Foi nomeado seis vezes para os Oscars como “Melhor Realizador”, tendo vencido três vezes. Cinco das suas películas foram igualmente nomeadas para “Melhor Filme”, tendo ganho uma vez.
Recebeu igualmente um Globo de Ouro como “Melhor Realizador” (EUA, 1946) e um “Leão de Ouro” no Festival de Veneza de 1982, como reconhecimento pela sua carreira.
Frank Capra escreveu a autobiografia “The name above the title” e possui uma estrela na Calçada da Fama no Hollywood Boulevard.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

EFEMÉRIDEFilipe La Féria, encenador português, nasceu em Vila Nova de São Bento no dia 17 de Maio de 1945.
Iniciou a sua actividade teatral como actor, em 1963, no Teatro Nacional, com Amélia Rey Colaço, tendo ainda pertencido às companhias do Teatro Estúdio de Lisboa, Teatro Experimental de Cascais, Casa da Comédia e Teatro da Cornucópia.
Estudou encenação em Londres, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Dirigiu durante 16 anos o Teatro da Casa da Comédia, onde encenou, entre outras peças, “A paixão segundo Pier Paolo Pasolini”, “A Marquesa de Sade”, “Eva Perón”, “A Bela Portuguesa” e “Electra ou a Queda das Máscaras”.
Em 1990 escreveu e encenou “What happened to Madalena Iglésias” e aceitou o convite como autor, encenador e cenógrafo para fazer “Passa por Mim no Rossio”.
Fez reconstruir o “Teatro Politeama” onde apresentou, com textos seus, “Maldita Cocaína”, “Jasmim ou o Sonho do Cinema”, “De Afonso Henriques a Mário Soares”, “Godspel” e ainda “Maria Callas” de Terrence McNally e “Rosa Tatuada” de Tennessee Williams.
Foi premiado várias vezes pela crítica, Casa da Imprensa, Secretaria de Estado da Cultura e por diversas revistas, como autor, encenador e cenógrafo. No décimo aniversário do “25 de Abril”, a Associação Portuguesa de Críticos premiou-o como uma das personalidades que mais se destacaram no Teatro.
Para a televisão produziu e dirigiu, entre outros espectáculos, “Grande Noite” e "Cabaret", divulgando vários autores importantes (Dario Fo, Oscar Wilde, etc.).
Dirigiu também o espectáculo inaugural da Europália em Bruxelas e o Dia de Portugal na Exposição Internacional de Sevilha.
Em 2000 escreveu, encenou e fez os cenários do musical “Amália”, que esteve durante seis anos em cena, representado também em Paris e outras cidades de França e da Suíça, ultrapassando os 16 milhões de espectadores.
Foi condecorado com a Comenda da Grande Ordem do Infante D. Henrique e premiado como “Personalidade do Ano” (Teatro) nos “Globos de Ouro 2000”.
Foi docente na Universidade Independente de Lisboa, na cadeira de Arte e Imagem.
Em 2002 encenou o musical “My Fair Lady”, adaptado de Bernard Shaw, espectáculo galardoado com o “Globo de Ouro” para o “Melhor Espectáculo do Ano”.
As suas últimas produções foram “A Rainha do Ferro Velho” (2004), “A Menina do Mar” (2005), “Alice no País das Maravilhas” (2005), “A Canção de Lisboa” (2006), “O Principezinho” (2006) e “Música no Coração” (2007). Em 2007 estreou também “Jesus Cristo Superstar”, a sua primeira produção no Teatro Rivoli no Porto, depois da sua empresa ter ganho o concurso de concessão da exploração daquele espaço, a que se seguiram “Violino no Telhado” (2008) e “West Side Story” (2008). Recentemente apresentou “Edith Piaf” (nos Açores e em Portimão) e a grande comédia musical “A Gaiola das Loucas” (2009).
Em 2007 e 2008 ganhou o Globo de Ouro de Melhor Encenador e Melhor Espectáculo, respectivamente com as peças “Música no Coração” e “West Side Story”.

domingo, 16 de maio de 2010

EFEMÉRIDEGabriela Beatriz Sabatini, ex-tenista argentina, nasceu em Buenos Aires no dia 16 de Maio de 1970. É membro do “International Tennis Hall of Fame” desde 2006.
Começou a jogar aos oito anos de idade e, aos treze, conquistou o seu primeiro torneio em Miami. Já com seis títulos ganhos, incluindo o “US Open”, chegou a nº 1 no ranking de juniores, antes de ser profissional.
Gabriela tornou-se profissional em 1 de Janeiro de 1985. Obteve ao longo da sua carreira cerca de 632 vitórias em “simples” e 252 em “pares”. É, até aos dias de hoje, a mais jovem semi-finalista do “Torneio Roland Garros”. Ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul em 1988. Ao todo conquistou 27 títulos em “simples” e catorze em “pares”.
Em 1986 entrou para o Top Ten mundial, de onde nunca mais saiu até abandonar a carreira em Outubro de 1996. Tinha apenas 26 anos de idade. No momento da retirada, a imprensa divulgou rumores segundo os quais ela teria sido ameaçada de rapto.
Em 2005 os jornalistas americanos do “Tennis Magazine” elegeram-na como um dos melhores 40 campeões de ténis dos últimos quarenta anos, lista que inclui homens e mulheres. A antiga tenista argentina foi distinguida em 2006, no Dia Internacional da Mulher, com o troféu “Mulher e Desporto”, pelo Comité Olímpico Internacional e pelo Bureau Internacional do Trabalho.
Actualmente, Gabriela Sabatini é proprietária de uma cadeia de lojas que comercializa perfumes da sua autoria.

sábado, 15 de maio de 2010

EFEMÉRIDEMireille Darc, de seu verdadeiro nome Mireille Aigroz, actriz francesa, nasceu em Toulon no dia 15 de Maio de 1938.
Saiu do Conservatório de Arte Dramática de Toulon, com um prémio de excelência e decidida a ser comediante. Em 1959, já em Paris, iniciou uma carreira de modelo, antes de começar a representar pequenos papéis no cinema. Foi no entanto a televisão que a revelou nos anos 1960, graças a dois filmes em que foi a principal protagonista feminina.
O realizador Georges Lautner, com quem rodou treze filmes, fez dela uma grande estrela do cinema.
Contracenou com Alain Delon, de quem viria a ser companheira, em cerca de dez filmes. Entrou em várias películas no começo dos anos 1970, que fizeram dela um símbolo sexual.
Os anos 1980 foram sombrios para Mireille, que teve de interromper a sua carreira para fazer uma operação de coração aberto, no seguimento de um acidente de viatura em que ficou gravemente ferida. Separou-se de Delon, após quinze anos de vida em comum. No fim desta década, perdeu ainda o seu novo companheiro, Pierre Barret, director do periódico “L’Express”. Abandonou o cinema e voltou à televisão nos anos 1990.
Desde 2005 que tem colaborado com várias organizações humanitárias de solidariedade. Em 2006 recebeu das mãos do Presidente Francês, Jacques Chirac, as insígnias da Legião de Honra.
Em 2007 subiu ao palco para interpretar “Sur la route de Madison”, ao lado de Alain Delon. Neste mesmo ano, descobriu que o “seu” pai, Marcel, não era o seu verdadeiro progenitor. Este chamava-se Edmond, era marinheiro e morrera na Indochina durante a Segunda Guerra Mundial.
Em 2009 recebeu a comenda da Ordem Nacional do Mérito.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

EFEMÉRIDE – Claude "Claudius" Honoré Desiré Dornier, engenheiro aeronáutico alemão, construtor de aviões e fundador da empresa Dornier, nasceu em Kempten im Allgäu no dia 14 de Maio de 1884. Faleceu em Zoug, na Suíça, em 5 de Dezembro de 1969.
Filho de um francês, importador de vinhos, e de uma alemã, Claude Dornier cresceu e frequentou a escola na Baviera, tendo já então grande interesse pela ciência. Mudou-se depois para Munique, onde se licenciou em 1907 na Universidade Técnica.
Como engenheiro, trabalhou em cálculos de resistência de materiais na “Nagel Engineering Works” em Karlsruhe. Em 1910 entrou para a “Luftschiffbau Zeppelin”, onde as suas capacidades rapidamente atraíram a atenção de Ferdinand von Zeppelin. Foi logo designado como orientador/conselheiro da equipa científica.
Dornier começou a criar novos desenhos, a estudar novos materiais, novas ligas metálicas e estruturas mais leves. Mais tarde, projectou grandes hidroaviões, concebendo em 1922 o legendário “Dornier Wal ”.
Graças à sua concepção de propulsores, construiu aviões que já atingiam 350 km/h nos anos 1930 e 750 km/h durante a Segunda Guerra Mundial.
Um dos seus filhos, Peter Dornier, prosseguiu o trabalho do pai e participou na reconstrução da indústria aeronáutica alemã depois da Guerra. O legado de Claudius Dornier permaneceu nos aviões que receberam o seu nome depois da sua morte, como o “Dornier Do 18” e o “Dornier Do X”, o "barco voador" de 12 motores, o maior e mais potente avião do mundo durante décadas.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

EFEMÉRIDEVieira Portuense, de seu verdadeiro nome Francisco Vieira de Matos, pintor português, um dos introdutores do neoclassicismo na pintura portuguesa, nasceu no Porto em 13 de Maio de 1765. Morreu no Funchal em 2 de Maio de 1805. Foi um dos grandes pintores portugueses da sua geração.
Está representado no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, e no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.
Vieira Portuense, pintor histórico e de paisagens, foi também professor de desenho na Academia do Porto. Ficou conhecido por Vieira Portuense, por ter nascido no Porto e para se diferençar doutro seu afamado contemporâneo, cognominado Vieira Lusitano.
Começando desde criança a dar mostras da grande vocação para o desenho e para a pintura, o pai - logo que o viu instruído nas primeiras letras - colocou-o sob a direcção de João Grama, célebre pintor, que se supõe de origem alemã, mas nascido em Portugal.
Não se contentando com os conhecimentos já adquiridos e desejando aprofundá-los, Vieira resolveu vir para Lisboa em 1784 e matricular-se num “curso” que tinha sido criado pouco antes pela rainha D. Maria I. Provavelmente, a sua ideia era conseguir uma “bolsa de estudos” do governo e partir para Roma. No entanto, ou porque lhe faltassem padrinhos ou porque já estivesse preenchido o numero dos escolhidos, Vieira não viu realizado aquele seu sonho. O que não pôde alcançar em Lisboa, conseguiu-o no Porto, com o patrocínio da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, que o tomou sob a sua protecção em 1789, com uma pensão anual de 300$000 reis, que lhe seria paga durante todo o tempo que estivesse em Roma para concluir os seus estudos.
Mais tarde, para aumentar ainda os seus conhecimentos artísticos, percorreu as principais cidades da Itália, visitando os mais notáveis edifícios e galerias e copiando (para exercício) as obras que mais o entusiasmavam. Deste modo, juntou grande quantidade de apontamentos, que trouxe consigo quando voltou a Portugal e que eram provas evidentes dos seus estudos e da sua aplicação. Em Parma, recebeu grandes provas de consideração pelo seu talento, da parte dos membros da Academia. Partiu depois para a Alemanha e em seguida para Londres, onde ficou até 1801.
Regressado a Portugal, aqui contraiu a tuberculose. Esgotados todos os recursos da ciência para debelar a doença, os médicos aconselharam-lhe o clima da ilha da Madeira. Em vez das melhoras, porém, piorou repentinamente e veio a falecer, não chegando a completar os 40 anos de idade.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

EFEMÉRIDEJules Émile Frédéric Massenet, compositor francês, especialmente conhecido pelas suas óperas, muito populares no final do século XIX e início do século XX, nasceu em Montaud, perto de Saint-Étienne, em 12 de Maio de 1842. Faleceu em Paris no dia 13 de Agosto de 1912.
A família mudou-se para Paris em 1848, afim de lhe possibilitar os estudos de piano, solfejo, contraponto e composição no Conservatório. Obteve um 1º Prémio em piano (1859) e outro de contraponto em 1863.
Admitido na Villa Médicis, onde ficou cerca de três anos, venceu o “Grande Prémio de Roma” em 1863, com a cantata “David Rizzio”. Encontrou por esta época Frank Liszt, que lhe pediu para o secundar nas funções de professor.
Regressou a Paris e conheceu aí os seus primeiros grandes sucessos: o oratório “Marie-Madeleine”, aclamado pelos seus contemporâneos Tchaikovsky e Gounod, a suite sinfónica “Pompeia” e as óperas “La Grand’Tante”, “Don César de Bazan” e “Le Roi de Lahore”.
Massenet deixou de compor, para servir como soldado na guerra Franco-Prussiana, mas - um ano depois (1871) - retomou a sua produção musical. Foi professor muito influente no Conservatório de Paris, a partir de 1878.
As suas óperas mais populares são: “Manon” (estreada em 1884), “Werther” (em 1892) e “Thaïs” (em 1894). Representadas frequentemente, obtêm sempre grandes êxitos.
Além de óperas (25), compôs música para ballets, oratórios, cantatas, peças orquestrais e cerca de 200 canções. Dotado de uma força de trabalho fora do comum, era capaz de compor durante muitas horas sem parar, começando os seus dias às quatro horas da manhã. Muito sensível aos temas religiosos, foi frequentemente considerado o herdeiro de Charles Gounod.

terça-feira, 11 de maio de 2010

EFEMÉRIDEJoão Manuel Relvas Leopoldo Botelho, realizador português, nasceu em Lamego no dia 11 de Maio de 1949.
Frequentou o 5º ano do Curso Superior de Engenharia Mecânica na Universidade de Coimbra e a Escola Superior de Cinema do Conservatório Nacional (1974). Foi Cineclubista no Porto e em Coimbra e crítico de cinema em várias publicações, como a “Gazeta da Semana” e a revista “M” (1975), da qual foi fundador.
Trabalhou em artes gráficas e iniciou-se como realizador em 1976. Reconhecido a nível europeu, tem-se apresentado regularmente no Festival de Veneza, onde já obteve vários prémios. Recebeu também o “Tucano de Ouro” para o Melhor Realizador, no Festival do Rio de Janeiro, com “Um Adeus Português” (1985). Em 1999, foi nomeado para os Globos de Ouro de Melhor Realizador e Melhor Filme, com a película “Tráfico”.
Foi membro do Júri do “29º Festival de São Paulo” em 2005 e do “27th Three Continents Festival” em Nantes (2005). Foi-lhe prestado um tributo especial no festival “Cinéma du Réel” em Paris (2006).
Foi sócio fundador da produtora “39 Degraus” (2000) e recebeu a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique em 2005.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

EFEMÉRIDEArtur Paredes, compositor e intérprete de guitarra portuguesa, nasceu em Coimbra no dia 10 de Maio de 1899. Faleceu em Lisboa, em 20 de Dezembro de 1980.
Foi um guitarrista excepcional, «o génio revolucionário da guitarra coimbrã». Muitos julgarão até que a guitarra de Coimbra tenha começado com ele, mas assim não aconteceu. O pai Gonçalo Paredes e o seu tio Manuel Paredes foram seus antecessores na arte difícil de tocar guitarra. Artur Paredes foi o continuador de uma tradição familiar, tendo passado o testemunho a seu filho, Carlos Paredes, outro genial guitarrista.
Segundo Nélson Correia Borges, «Artur Paredes foi o grande fenómeno da guitarra de Coimbra, afastando-a definitivamente da sua irmã de Lisboa e introduzindo-lhe características que melhor se coadunavam com o estilo coimbrão, designadamente o formato da caixa harmónica». Desenvolveu uma técnica insuperável. Introduziu a música popular nas suas “variações”, com predominância da música “futrica” de Coimbra, com extraordinário virtuosismo. Ninguém como ele tocou a “Balada de Coimbra”, que passou a encerrar todas as serenatas.
De sua profissão empregado bancário, Artur Paredes participou em muitos saraus da Tuna e do Orfeão de Coimbra, até ir residir para Lisboa em 1934. Em Agosto e Setembro de 1925, deslocou-se ao Brasil com a “Tuna Académica”.
Para que tudo se conjugasse no sentido de produzir a “geração de oiro” do Fado de Coimbra, Artur Paredes foi contemporâneo de notáveis cantores e autores, como António Menano, Paradela de Oliveira e Armando Góis, entre outros.

domingo, 9 de maio de 2010

EFEMÉRIDEFrancesco Baracca, o melhor piloto de caça italiano da Primeira Guerra Mundial, nasceu em Lugo di Romagna no dia 9 de Maio de 1888. Morreu em Nervesa della Battaglia, em 19 de Junho de 1918, quando cumpria uma missão de ataque ao solo.
Passou a infância dedicando-se à música, à equitação e às motos. Atraído pela carreira das armas, ingressou em 1907 na Escola Militar de Modena, onde escolheu a arma de Cavalaria. Demonstrou grandes qualidades para a equitação, mas também desinteresse pelo ensino teórico e pela disciplina.
Em 1912, entusiasmou-se pela aviação que estava a surgir e foi para França, ingressando na escola de pilotagem de Bétheny, onde os futuros pilotos italianos faziam os seus treinos. Efectuou o primeiro voo em 4 de Maio desse ano e recebeu o brevet de “piloto de aeroplano” dois meses mais tarde. Voltou a Itália, para prosseguir os seus voos e obter o brevet de “piloto militar”.
Em 1915 a Itália entrou na guerra. Durante o Verão, quando acabava de ser formado num avião Nieuport, Baracca foi colocado na 70ª esquadrilha, encarregada de defender o Comando Supremo Italiano baseado em Udina.
Combateu os primeiros adversários mas, nesta época, a vantagem era quase sempre dos inimigos em virtude da sua superioridade material.
Em 7 de Abril de 1916, quando pilotava um Nieuport II, Baracca atacou um Aviatik austríaco e obrigou-o a aterrar. Aterrou também perto da vítima e, segundo a tradição cavalheiresca, saudou-o e apertou-lhe a mão. Tratava-se da primeira vitória da aviação italiana. Começaram aí os seus sucessos. Em 16 de Maio abateu um segundo aparelho, que se despenhou perto de Gorizia. A acção da aviação italiana não se limitava aos duelos aéreos. Baracca participou também em operações de tiro a baixa altitude contra as tropas austríacas.
Aclamado como herói, fez pintar um cavalo empinado no flanco do seu Nieuport XI, como recordação da passagem pela arma de cavalaria. Este cavalo passaria a ser utilizado pela escudaria Ferrari em 1932, após Enzo Ferrari ter sido presenteado pela mãe do aviador, que se impressionou com o então piloto (1923) e lhe pediu que o usasse para dar sorte.
Fazendo parte dos ases, começou o ano de 1917 abatendo um Albatroz. Na Primavera, os Nieuport foram substituídos progressivamente pelos SPAD S.VII, mais rápidos e melhor armados. Baracca efectuou então reconhecimentos, fotografando em companhia do tenente Olivari, o campo de aviação austríaco de Bruneck. Em 23 de Março abateu o seu sétimo avião perto de Merna; em 26 de Abril fez a oitava vítima perto de Gradiscia e em 10 de Maio uma décima nos arredores de Gorizia. Depois, num mês, abateu mais quatro aparelhos, tornando-se o primeiro ás italiano.
No Verão de 1917 foi nomeado comandante da 91ª esquadrilha, baseada em Istrana, e feito cavaleiro da Ordem Militar de Sabóia. No fim do mês de Setembro, já totalizava 19 vitórias confirmadas. Depois da derrota italiana em Caporetto, em Novembro de 1917, a sua esquadrilha teve de recuar para Pordenone, onde foi reequipada com os SPAD XIII. Baracca multiplicou as suas vitórias e, no fim do ano, contava já 30 vitórias no seu palmarés.
Foi então enviado para Turim, afim de participar na afinação do novo caça italiano Ansalto SVA. Simultaneamente recebeu a “Medalha de Ouro do Valor”, a mais alta recompensa da aviação italiana, que lhe foi entregue durante uma cerimónia solene realizada no Scala de Milão.
Regressou depois à sua esquadrilha e obteve mais algumas vitórias, a última das quais sobre um Albatroz que bombardeava as tropas italianas perto de Montello. No dia 19 de Junho de 1918, durante a batalha de Piave, foi abatido durante um voo a baixa altitude. O avião foi encontrado no local, mas o seu corpo só foi descoberto depois da retirada austríaca. Ninguém soube exactamente como ele tinha morrido, correndo a versão de que ele se teria suicidado para não cair nas mãos inimigas. Ele tinha com efeito recebido uma bala em plena testa. No total, participara em 63 combates, tendo abatido 34 aparelhos inimigos.

sábado, 8 de maio de 2010

EFEMÉRIDEGustave Flaubert, famoso escritor francês, morreu em Canteleu no dia 8 de Maio de 1880. Nascera em Ruão, em 12 de Dezembro de 1821.
Prosador notável, marcou a literatura francesa pela profundidade das suas análises psicológicas, pelo sentido da realidade, pela lucidez sobre o comportamento social e pela força do seu estilo, tanto em grandes romances como “Madame Bovary” (1857), como em pequenas novelas (“Trois contes”, 1877).
Estudou no Colégio Real e, interessado desde logo pela literatura, dirigiu o semanário escolar “Arte e Progresso”.
Aos 15 anos interessou-se pelo teatro e compôs o drama em 5 actos ”Luís XI”. Em 1837 escreveu o seu primeiro romance, “Rêve d'enfer”, uma obra ainda imatura e juvenil, mas onde já se vislumbravam os traços que caracterizariam as suas futuras heroínas. Também aos 15 anos, apaixonou-se por Elisa Schlesinger, uma mulher casada e onze anos mais velha, que ele amará talvez durante toda a sua vida. Só se declarou, porém, 30 anos mais tarde e através de uma carta. Embora já viúva, Elisa não quis desposá-lo, terminando a sua vida num asilo para doentes mentais. O amor impossível inspirou vários dos livros de Flaubert...
Iniciou os estudos de Direito em 1841, em Paris, para fazer a vontade ao pai, mas não conseguiu interessar-se pelas aulas, levando uma vida boémia e gastando despreocupadamente todo o dinheiro que o pai lhe mandava. Após ter sido reprovado nos exames de Direito na Universidade de Paris, começou a ter crises nervosas, com alucinações e perdas de consciência, que os médicos diagnosticaram como sendo epilepsia. O pai, que era médico, tratava-o com sangrias e dietas, mantendo-o isolado. Houve uma melhoria das crises, que só voltariam no fim da sua vida.
Organizou com um amigo, uma longa viagem ao Oriente entre 1849 e 1852. Viajaram pelo Egipto e Jerusalém e, no regresso, passaram por Constantinopla e Itália. Colheu informações para escrever, mais tarde, “Salammbô”, uma reconstituição da civilização Cartaginense na época das guerras púnicas.
Em 1851 iniciou “Madame Bovary”, obra que o tornaria célebre e que levaria cerca de cinco anos para concluir. Em 1866, recebeu a Legião de Honra do governo francês.
Entre 1870-1871 os prussianos ocuparam uma parte da França e Flaubert refugiou-se em Ruão.
Em 1874 escreveu “La Tentation de Saint Antoine”, inspirado num quadro de Bruegel. Em 1877, aos 55 anos, escreveu “Três Contos”, entre os quais se encontra aquele que é considerado a sua obra-prima: “Um coração simples”.
Os seus últimos anos foram marcados por dificuldades financeiras. Morreu subitamente, provavelmente de AVC, e foi sepultado em presença daqueles que ele reconhecia como seus mestres: Émile Zola, Alphonse Daudet e Guy de Maupassant.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

EFEMÉRIDEGary Cooper, de seu verdadeiro nome Frank James Cooper, actor norte-americano, duas vezes vencedor do Oscar de Melhor Actor, nasceu em Helena, Montana, no dia 7 de Maio de 1901. Faleceu em Beverly Hills, em 13 de Maio de 1961.
A sua carreira durou desde a década de 1920 até ao ano da sua morte, tendo actuado em mais de cem filmes.
Desde criança, começou a ajudar o pai no rancho da família, onde aprendeu a andar a cavalo. Na infância, juntamente com a mãe e o irmão, passou uns anos na Inglaterra, onde fez os estudos primários (1910/1913). De volta aos Estados Unidos, continuou a trabalhar com o pai, até entrar para a faculdade, onde teve o primeiro contacto com a arte da representação. Em 1925 começou a participar em produções de Hollywood, conseguindo o seu primeiro papel de figurante em 1926. Nesse mesmo ano assinou contrato com a Paramount, começando assim a sua carreira cinematográfica. Visto que o nome “Frank Cooper” era muito frequente, passou - a conselho do seu agente, que era originário da cidade de Gary, Indiana - a utilizar o nome com que se imortalizou.
Foi o seu primeiro filme falado “The Virginian” (1929) que fez dele uma estrela do cinema. Passou a filmar incansavelmente com os maiores nomes da época, passando facilmente de papéis de aventureiro aos mais românticos.
Em 1940 conheceu Ernest Hemingway, iniciando uma amizade que duraria por toda a vida. Assim o descrevia Hemingway: «Coop é uma homem bom, honesto, correcto, amável e íntegro. Se inventasse um personagem como ele, ninguém acreditaria. Ele é bom demais para ser real».
Alfred Hitchcock propôs-lhe os papéis principais em dois filmes (1940 e 1942), mas ele recusou, admitindo mais tarde que tinha errado.
Cooper foi casado apenas uma vez, de 1933 até à sua morte em 1961, com Sandra Shaw com quem teve uma filha. Apesar de ter sido casado durante todo este tempo, o actor ficou famoso pela sua extensa lista de aventuras ao longo do casamento.
Em 1960 fez duas cirurgias à próstata e em seguida ao cólon. Os médicos acreditavam que ele estava curado mas, no ano seguinte, quando estava a filmar na Inglaterra, começou a sentir fortes dores no pescoço e no ombro e, após vários exames, descobriu que o cancro se tinha espalhado para um pulmão e para os ossos. O actor optou por não fazer tratamentos pesados e veio a falecer em 1961, aos 60 anos de idade.
Além dos dois Oscars que recebeu (1941 e 1952), foi nomeado outras três vezes, recebendo igualmente um Oscar Honorário em 1961 pelo conjunto da sua obra. Em 1999, o American Film Institute classificou-o como o 11º maior actor de todos os tempos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

EFEMÉRIDEGeorge Timothy Clooney, notável actor e realizador de cinema e de televisão norte-americano, nasceu em Lexington no dia 6 de Maio de 1961.
Filho do apresentador de televisão Nick Clooney, acompanhava o pai nos estúdios desde os cinco anos de idade. Para evitar a competição com o progenitor, abandonaria mais tarde o emprego de jornalista televisivo, tornando-se actor.
Começou por actuar na televisão, chegando ao auge do sucesso com a série “Urgências”, interpretando a figura do Dr. Doug Ross. Em 1999 começou uma carreira mais efectiva no cinema.
Dedica-se também, esporadicamente, ao trabalho de realizador. Apesar de ter uma carreira plena de êxitos em filmes bastante comerciais, decidiu investir em projectos mais ousados e com temáticas sociais, como o filme “Syriana”.
Foi nomeado cinco vezes para os Oscars, tendo vencido em 2005 como “Melhor Actor Secundário”. Recebeu dois Globos de Ouro de Melhor Actor em 2000 e 2005, um de Melhor Realizador e outro de Melhor Guião. Foi premiado também no Festival de Veneza de 2005 (Melhor Guião). Em 2008 foi classificado como 23ª personalidade do mundo pelo jornal “Times”.
Utilizou a sua celebridade para angariar fundos para as vítimas do “11 de Setembro” (2001), do Tsunami na Tailândia (2004) e do ciclone Katrina (2005).
Em 2003 manifestou-se contra a Guerra no Iraque e, em 2006, deslocou-se a Luisiana, juntamente com George Bush (pai), para entregar dádivas destinadas à reabilitação de um hospital quase completamente destruído pelos dois ciclones do ano precedente.
Em 2006 foi recebido no Conselho de Segurança das Nações Unidas, pedindo para que fizessem cessar o genocídio no Darfur.
Democrata convicto, apoiou Barack Obama nas eleições de 2008. A favor dos sinistrados do sismo no Haiti (2010), organizou o programa de televisão “Hope for Haiti Now ” que recolheu 57 milhões de dólares.
Tem feito igualmente várias campanhas publicitárias, salientando-se a do café Nespresso, que fez aumentar as vendas no mercado europeu em 44% (2007).

quarta-feira, 5 de maio de 2010

«Tem a música o poder
de tornar o Homem Feliz.
Não há quem saiba dizer
tanto quanto ela me diz

António Aleixo


A MÚSICA QUE TE FIZ
(décimas)

I

Fosse clássica ou ligeira,
Ou mesmo de embalar,
Amava saber tocar,
Bem juntinho à lareira
E com gente à minha beira.
A solidão faz morrer
Aos poucos, sem se saber,
É uma dor bem sofrida
Mas para alegrar a vida
Tem a música o poder

II

De mudar o nosso humor
E dar-nos aquela calma,
Que aquieta nossa alma,
Que acalenta nosso amor
E que nos dá mais calor.
Era ainda eu petiz
(Portanto é de raiz),
Gostava dela ligeira
Por ser a melhor maneira
De tornar o Homem Feliz.

III

Ter vida melodiosa
E não temer mesmo nada,
Sentir um som que afaga,
O odor de uma rosa,
Tua presença formosa…
Ainda é maior o prazer
Agora que a sei ler:
- Como pode alguém chorar
Com a música a tocar?
Não há quem saiba dizer.

IV

Seja Amália ou Chopin,
Segundo a ocasião,
Aconchega o coração,
Esperando o amanhã
Com esperança sem ser vã.
A música que eu te fiz
Foi num momento feliz,
Cercado de gente amiga:
- Oxalá ela te diga
Tanto quanto ela me diz.


Gabriel de Sousa

A MÚSICA
(quadras)

1

Com sete notas se faz,
Repetidas com mestria,
A Música que é capaz
De alegrar o nosso dia.

2

Seja de noite ou de dia,
Em todas as circunstâncias,
Música faz companhia
Acalmando nossas ânsias.


Gabriel de Sousa
Sabe-se lá!!...
EFEMÉRIDEMário de Miranda Quintana, poeta, tradutor e jornalista brasileiro, faleceu em Porto Alegre no dia 5 de Maio de 1994. Nascera em Alegrete, em 30 de Julho de 1906.
Aprendeu as primeiras letras na sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar. Ali publicou as suas primeiras produções literárias. Trabalhou para a Editora Globo e depois na farmácia paterna.
Considerado o “poeta das coisas simples”, com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda a sua vida. Traduziu também mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas “Em Busca do Tempo Perdido” de Marcel Proust, “Mrs Dalloway” de Virginia Woolf e “Palavras e Sangue” de Giovanni Papini.
Entre 1953 e 1977, trabalhou no jornal “Correio do Povo”, como colunista da página de Cultura.
Em 1940 lançou o primeiro livro de poesia “A Rua dos Cataventos”, iniciando a carreira de poeta, escritor e autor infantil. Em 1966 foi publicada “Antologia Poética”, com sessenta poemas, lançada para comemorar os seus sessenta anos de vida, sendo por esta razão saudado na Academia Brasileira de Letras. No mesmo ano ganhou o “Prémio Fernando Chinaglia” da União Brasileira de Escritores. Em 1976, ao completar setenta anos, recebeu a medalha “Negrinho do Pastoreio” do governo do estado do Rio Grande do Sul. Em 1980 foi galardoado com o “Prémio Machado de Assis” da Associação Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra. Em 1981 recebeu o “Prémio Jabuti de Personalidade Literária do Ano”.
Quintana viveu grande parte da sua vida em hotéis. De 1968 a 1980, residiu no “Hotel Majestic”, no centro histórico de Porto Alegre, de onde foi despejado quando o jornal “Correio do Povo” encerrou temporariamente as suas actividades por problemas financeiros. Quintana, sem salário, deixou de pagar o aluguer do quarto. Na ocasião, o comentarista desportivo e ex-jogador de futebol Paulo Roberto Falcão cedeu-lhe um dos quartos do “Hotel Royal”, de sua propriedade. A uma amiga que achou pequeno o quarto, Quintana disse: «Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas».
Essa mesma amiga, contratada para registar em fotografia os oitenta anos de Quintana, conseguiu-lhe um apartamento no “Porto Alegre Residence”, um aparthotel no centro da cidade, onde o poeta viveu até à sua morte. Ao conhecer o espaço, ele ficou encantado: «Até tem cozinha!».
Em 1982, ruiu o prédio do “Hotel Majestic”, que fora considerado um marco arquitectónico de Porto Alegre. No ano seguinte, atendendo a muitos pedidos de admiradores do poeta, o governo estadual do Rio Grande do Sul adquiriu o imóvel e transformou-o num centro cultural, baptizado “Casa de Cultura Mário Quintana”.

terça-feira, 4 de maio de 2010

EFEMÉRIDE Josip Broz Tito, líder da Frente de Libertação Nacional durante a Segunda Guerra Mundial e, depois, Presidente da Jugoslávia durante grande parte da existência do seu país, morreu em Liubliana, actualmente na Eslovénia, em 4 de Maio de 1980. Nascera em Kumrovec no dia 7 de Maio de 1892. Após a sua morte, desencadeou-se uma guerra civil e deu-se o desmembramento das várias repúblicas que compunham a Jugoslávia.
Nascido em território croata, foi primeiro-ministro jugoslavo entre 1945 e 1953 e presidente de 1953 até 1980.
Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu na infantaria austro-húngara, tendo sido feito prisioneiro na Rússia. Evadiu-se e lutou pela Revolução Russa. Depois de voltar à Jugoslávia, envolveu-se com o Partido Comunista (ilegal) e esteve preso durante cerca de seis anos.
Após a invasão alemã da Jugoslávia (1941), Tito organizou as forças guerrilheiras da Frente de Libertação Nacional (movimento de resistência conhecido por “partisans”) para combater, não só os países do Eixo, mas também os seus aliados da Ustaše, que tinham formado um governo croata colaboracionista.
No fim da guerra, surgiu como líder do novo governo federal. Rejeitou a tentativa de Estaline de controlo ideológico. Desvinculou-se do Cominform e tornou-se um dos principais expoentes do “Não-alinhamento”. Em 1961, promoveu a Conferência Internacional dos Países Não-Alinhados, onde ficou decidido que as nações participantes tomariam uma postura de neutralidade em relação à Guerra-fria.
As relações com a União Soviética foram reatadas em 1955, mas Tito manteve a sua independência, experimentando diferentes estilos de organização económica, incluindo a participação dos trabalhadores na administração de fábricas (autogestão).
Com a chegada de Leonid Brejnev ao poder, a Jugoslávia de Tito teve um grande desenvolvimento na diplomacia com a União Soviética, iniciando diversos processos de alianças e cooperação, mas mantendo a sua independência.
Após a morte de Tito em 1980, devido a problemas de circulação, o cargo de presidente da Jugoslávia passou a ser rotativo entre as seis repúblicas. O seu funeral foi um dos maiores de toda a história e aquele que mais chefes de estado e dirigentes políticos recebeu: quatro reis, trinta e um presidentes, seis príncipes, vinte e dois primeiros-ministros e quarenta e seis ministros de estados estrangeiros. Estavam representados 128 países.
Por volta de 1989, o sistema jugoslavo caiu em completa desordem e a unidade do país começou a entrar em colapso, em grande parte devido à profunda crise económica gerada pelo desmoronamento do Leste Europeu, mas também pelo aparecimento de partidos ultranacionalistas em todas as repúblicas, principalmente na Croácia e na Sérvia. Estava formado o cocktail, que levaria o país a uma brutal guerra civil, com ódios étnicos seculares reflectidos em atrocidades cometidas por todos os lados do conflito.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

EFEMÉRIDE Alfred Kastler, físico francês, nasceu em Guebwiller, na então Alsácia alemã, em 3 de Maio de 1902. Faleceu em Bandol no dia 7 de Janeiro de 1984.
Foi premiado com o Nobel de Física em 1966, pela descoberta e desenvolvimento de métodos ópticos no estudo da ressonância hertziana nos átomos.
Fez os seus estudos num liceu alemão, até obter o bacharelato. Só entrou no ensino superior francês em 1919. Ingressou na Escola Normal Superior em 1921.
Foi professor em Mulhouse, Colmar e Bordéus (1929). Em 1931 tornou-se assistente de Pierre Daure na Universidade de Bordéus. Doutorou-se em 1936, defendendo uma tese sobre a “fluorescência do vapor de mercúrio”, em que demonstrou que a mudança do momento cinético entre os átomos e a luz explica a polarização dos componentes Zeeman. No mesmo ano passou a ser Mestre de Conferências em Clermont-Ferrand. Em 1938 foi nomeado professor da cadeira de Física Geral em Bordéus.
Em 1941 ingressou na Escola Normal Superior e no seu Laboratório de Física. Em 1952 foi nomeado professor titular de física na Faculdade de Ciências de Paris e fundou o “Laboratoire de Spectroscopie Hertzienne”.
Foi presidente do Instituto de Óptica Teórica e Aplicada a partir de 1962, sendo eleito para a Academia das Ciências dois anos mais tarde.
Já depois de ter recebido o Prémio Nobel, tornou-se director de pesquisas do CNRS (1968). Reformou-se em 1972.
Alem de cientista célebre, Alfred Kastler era um humanista, profundamente pacifista e hostil às armas nucleares. Poeta e fiel às suas origens, é autor de uma recolha de poemas em alemão intitulada “Europe ma patrie - Deutsche Lieder eines französischen Europäers”.
Presidiu ao Comité francês de óptica no período 1958/1972. Em 1981 co-escreveu “O grande massacre”, um estudo crítico sobre a “criação intensiva”.
No ano da sua morte, o Liceu Geral de Guebwiller, sua terra natal, passou a chamar-se Lycée Alfred Kastler. Em 1996, foi dado igualmente o seu nome a uma praça situada perto da Escola Normal Superior.

domingo, 2 de maio de 2010

EFEMÉRIDEPaco Bandeira, de seu verdadeiro nome Francisco Veredas Bandeiras, cantor português, reconhecido como um dos mais sólidos representantes da música popular portuguesa, nasceu em Elvas no dia 2 de Maio de 1945.
As características da sua região natal, tais como as planícies e as searas, a interioridade e a fronteira com a Estremadura espanhola, marcaram indelevelmente a sua música. A época em que viveu, num período de ditadura e opressão, de censura, de emigração para outros países europeus, de contrabando, de populações itinerantes de ciganos, da guerra colonial em África, deixou marcas importantes nas suas canções. No cumprimento do seu serviço militar, passou três anos em Angola, onde também cantou, chegando a gravar um disco em 1966.
Aprendera a tocar guitarra com um tio e, aos 14 anos, tornou-se guitarrista e vocalista do grupo “Cuban Boys”, com o qual deu vários concertos em Portugal e em Espanha. Durante cinco anos foi igualmente locutor da estação regional “Extremadura-Badajoz” da rádio espanhola S.E.R..
Acabou por se tornar conhecido por Paco, em virtude da sua ascendência espanhola e pela sua actividade em Espanha, onde os “Franciscos” são chamados de Pacos ou Panchos. Assim, por hábito, os seus colegas da rádio começaram a chamá-lo Paco, tirando-lhe também o 'S' do apelido Bandeiras.
Durante bastante tempo viveu na Alemanha e em Espanha e fez parte do elenco artístico de um paquete de luxo, que efectuava cruzeiros por todo o mundo. Actuou na RTP, ZDF (Alemanha), BBC (Inglaterra) e na Televisão francesa.
Quando regressou a Portugal, começou a compor os seus próprios temas e, em 1972, passou a cantar, como solista, no Solar de Hermínia Silva.
O primeiro dos seus sucessos foi “Ó Elvas, Ó Elvas”, a que se seguiram muitos êxitos e uma intensa carreira internacional junto das comunidades portuguesas no estrangeiro, actuando em palcos e televisões de Espanha, Itália, EUA, Austrália e Canadá.
Em 1982, editou o álbum “Malhas, Malhões e Outras Canções”, cujo repertório foi gravado também num programa para a RTP, intitulado “A Vez e a Voz”. Em 1987 editou o seu vigésimo LP: “Com Sequências”.
Fez parte da direcção da Sociedade Portuguesa de Autores e foi tesoureiro da União Portuguesa de Artistas de Variedades.
Na sua carreira, conta ainda com participações em programas de TV no Brasil, Turquia, Bulgária e Israel. Em 1994 editou o seu vigésimo quinto álbum (“Cantigas Entrelaçadas”); preparou um programa para a RTP (“Cantares de Amigo”), que seria exibido um ano depois; compôs a banda sonora da telenovela “Roseira Brava” e fez uma série de programas para a Rádio Comercial (“Cantos da Casa”). Paco Bandeira entrou assim, da melhor maneira, nos cinquenta anos de idade. Em 1996, porém, a sua vida foi agitada pela morte de sua mulher em circunstâncias trágicas.
Em 2006 lançou uma antologia, com alguns dos seus maiores sucessos, num duplo álbum intitulado “Paco Bandeira: Uma vida de canções”. No ano seguinte editou o álbum “Canto do espelho”, com dez temas originais. No fim de 2007, realizou um concerto no Coliseu de Elvas, que considerou como ponto final da sua carreira musical.

sábado, 1 de maio de 2010

EFEMÉRIDEAlexandros Panagoulis, político e poeta grego, faleceu em Atenas no dia 1 de Maio de 1976. Nascera em Glyfáda, em 2 de Julho de 1939. Estudou na Escola Politécnica Nacional de Atenas, licenciando-se como engenheiro eléctrico.
Espírito livre, integrou desde muito jovem as forças democráticas da Grécia, aderindo à organização juvenil da União do Centro, rebaptizada mais tarde como “Juventude Democrática Helénica” e da qual se tornou presidente em 1974.
Participou activamente na luta contra a “ditadura dos coronéis” (1967/74) e fundou a organização Resistência Nacional. Exilou-se no Chipre, para aí conceber um plano de acção. Regressou à Grécia e planeou o atentado contra o ditador Papadopoulos em Agosto de 1968. Tendo falhado, foi preso e torturado de forma bárbara, sem nunca ter indicado os nomes dos outros conspiradores. Julgado pelos tribunais militares gregos, foi condenado à morte em Novembro de 1968 e transportado para Aigyna a fim de ser executado. Graças no entanto à intervenção da comunidade internacional, a sentença não se consumou.
Recusou sempre a proposta de colaboração oferecida pela ditadura. Conseguiu evadir-se em 1969. Detido de novo, foi conduzido mais tarde para a prisão de Bogiati, onde foi fechado no isolamento da “cela túmulo”, construída especialmente para ele, cavada na terra, apenas com 2 metros de comprimento por 1,5 de altura. Tentou várias vezes fugir, mas sem sucesso.
Depois de muitas pressões internacionais e, após uma amnistia geral que ele recusou, foi finalmente libertado no Verão de 1973. Exilou-se em Florença, na Itália, afim de encontrar um novo fôlego para resistir.
Quando da restauração da democracia na Grécia, foi eleito deputado pela União do Centro, lutando pela punição dos que tinham colaborado com a ditadura. Demitiu-se posteriormente do partido pelo qual tinha sido eleito, mas manteve-se no Parlamento como independente.
No 1º de Maio de 1976, Panagoulis morreu num acidente de automóvel, quando tentava fugir de colaboradores do antigo regime, que o perseguiam desde há vários dias. No dia do seu enterro, milhões de gregos encheram as ruas de Atenas para o homenagearem.
Enquanto esteve preso, escreveu os seus melhores poemas nas paredes do cárcere ou em papéis microscópicos, umas vezes com tinta, outras com o próprio sangue. Muitos dos seus poemas ficariam desconhecidos para sempre, apesar de ter conseguido enviar alguns deles para o exterior. Reescreveu outros ulteriormente, graças à sua fabulosa memória. Quando da sua estadia em Itália, publicou algumas das suas poesias em cadernos bilingues (grego e italiano), com prefácio de Pier Paulo Pasolini.
O célebre compositor Mikis Theodorakis, que tinha sido igualmente perseguido pelas suas ideias políticas, compôs músicas para muitos dos poemas de Panagoulis.
A sua companheira, jornalista italiana Oriana Fallaci, escreveu o livro “Um Homem”, uma vibrante homenagem à resistência, ao génio literário e ao talento de Alexandros Panagoulis. Por sugestão dos seus camaradas, amigos e admiradores, o Estado grego emitiu uma série de selos e cartões de telefone pré-pagos, em sua homenagem e como reconhecimento pela sua acção em defesa das liberdades. O seu nome foi dado também a vários espaços públicos, incluindo uma estação de metro. Na década de 1980 foi rodado o filme “Viva Panagoulis!”.

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