segunda-feira, 30 de junho de 2008

EFEMÉRIDE Czesław Miłosz, poeta, romancista, ensaísta e tradutor polaco, Prémio Nobel da Literatura em 1980, nasceu em Szetejnie, na Lituânia, no seio de uma família pertencente à nobreza da Polónia, em 30 de Junho de 1911. Morreu em Cracóvia, no dia 14 de Agosto de 2004.
Estudou na Universidade de Vilnius e, muito cedo, se interessou pela Poesia. Fundou, juntamente com outros poetas, o grupo literário Żagary e escreveu na revista vanguardista com o mesmo nome.
Em 1939, depois da derrota polaca, voltou para Vilnius na Lituânia. No entanto, devido à invasão do país pelo Exército Vermelho em 1940, fugiu para Varsóvia onde se juntou à Resistência. Em Varsóvia, ajudou as pessoas perseguidas pelo regime nazi. O memorial de Yad Vashem em Israel atribui-lhe a qualidade de “Justo entre as Nações”.
Depois da guerra, Milosz trabalhou nos serviços diplomáticos da República Popular da Polónia entre 1945 e 1950, rompendo a sua ligação com o regime de Varsóvia em 1951, ano em que pediu asilo político à França, onde já tinha vivido dez anos. Em 1953 recebeu o “Prémio Literário Europeu”. Dez anos depois instalou-se nos Estados Unidos, ocupando a cadeira de Línguas e Literaturas na Universidade de Berkeley, na Califórnia, tendo adoptado a cidadania americana em 1970. Só depois de ter recebido o Prémio Nobel é que as suas obras foram conhecidas no seu país. Desde 1995 Czesław Miłosz passava alguns meses por ano na Polónia até se instalar definitivamente em Cracóvia, onde morreu com a idade de 93 anos.

domingo, 29 de junho de 2008

“O FUTURO É JÁ HOJE”
 
Com o advento da Internet, logo se anteviu que iriam aparecer coisas antes nem sequer sonhadas. E elas aí estão, a surgir todos os dias.
Alguns pensaram mesmo que se caminhava para o fim dos livros e dos jornais, mas tudo se parece afinal complementar. Os próprios jornais utilizam os seus sites, não só para avançar as edições do dia seguinte, mas também para publicar informações de última hora.
Pode dizer-se que quase tudo é possível ser feito através da Internet: comunicar, pesquisar, entreter, jogar, estudar, divertir, fazer compras, etc. E tudo de modo rápido, simples e eficaz.

Foi neste contexto que apareceram também os blogues nos fins do século passado. São uma espécie de diários, organizados de tal modo que a última coisa publicada é a primeira a aparecer aos olhos do leitor. O tipo de blogue depende unicamente do desejo do seu autor: pode ser individual ou colectivo, de poesia ou de prosa, com desenhos, fotografias ou de vídeos, temático, noticioso, político, desportivo, profissional, de entretenimento, descrição de viagens, enfim de tudo o que se quiser. Têm sobre os sites a vantagem de não serem necessários grandes conhecimentos de informática. Na maioria, é também possível a inscrição de comentários pelos visitantes, com uma interacção que não encontra paralelo senão nos fóruns organizados pela rádio e pela televisão. A escrita é normalmente mais concisa, adaptada a uma leitura que é feita através de um ecrã, se bem que os conteúdos possam ser depois impressos.
O primeiro blogue foi publicado em 1997 por Jorn Barger. Vai portanto já longe o tempo, nos finais do século passado, em que o seu número oscilava entre cinquenta no ano de 1999 e alguns milhares no ano 2000. A criação de vários softwares, tornando a sua publicação simples e automática, ainda por cima a título gratuito, fez com que eles se multiplicassem a um ritmo alucinante, aparecendo como cogumelos. Em 2003 já eram cerca de quatro milhões e hoje são mais de setenta milhões, número sempre desactualizado, pois aparecem mais cem mil blogues em cada dia que passa. Jornais há que criaram rubricas a eles dedicadas e muitos dos blogues são fontes de informação de referência, a que a Imprensa, tanto escrita como falada e a televisão, frequentemente recorre.

Se pensarmos nos blogues como espaços de escrita, de reflexão e de comunicação, concluímos que eles podem ser afinal jornais instantâneos, em directo do local do acontecimento, tal como acontece com a rádio e com a televisão. Essa é a grande diferença - o queimar de etapas. Algo acontece, esse acontecimento é descrito ou comentado e aparece de imediato em casa do consumidor da notícia. O “jornalista” (com ou sem aspas) não necessita de fazer chegar à Redacção de um Jornal a sua reportagem, os seus comentários, os seus vídeos ou as suas fotos. A peça não passa por nenhum crivo, corte ou emenda, não necessita de ser composta, revista ou impressa. Ela vai, em segundos, dos dedos do autor para os olhos de cada leitor.
Se bem que defendendo a total Liberdade da Imprensa, há que concordar porém que nos blogues, ao invés do que acontece noutros meios de comunicação, pode não se conhecer a identificação dos autores, o que provocará eventualmente um aligeiramento da noção de responsabilidade. Porque o registo é feito de modo ligeiro e podem ser indicados dados fictícios, caberá ao leitor separar o trigo do joio, quando tiver de avaliar alguma matéria mais melindrosa. A um blogue não assinado ou com origem desconhecida, deve ser dado o mesmo crédito e tratamento que se daria a uma rádio ou televisão pirata ou a uma qualquer folha impressa, mas sem identificação dos autores.

No que concerne a quem escreve, o prazer é total. É uma escrita sem intermediários, com um contacto directo com os leitores, com uma apresentação e tipo de letra segundo o seu critério, com fotos, imagens ou ilustrações à sua escolha. No caso de aceitar comentários, há até a possibilidade de ter o feedback imediato acerca do que publica, com apoios, críticas, achegas ou mesmo desacordos. Pode, é verdade, receber igualmente comentários anónimos, sejam eles bem ou mal intencionados, mas este é o problema do “real/virtual” tão conhecido dos utentes da Internet.

Os blogues vieram para ficar, mas todos os outros meios de comunicação permanecerão no respectivo espaço, cada um à sua maneira. Por vezes até se entrelaçam, citando-se entre si. Os jornais, as rádios, as televisões, a Internet, os blogues, mesmo os celulares, são meios de comunicação que continuarão cada vez mais a trazer a actualidade até nossas casas. O Homem é cada vez mais inundado por informação, em grande quantidade e por vezes até contraditória. A ele caberá, em última instância, digerir, escolher, apreender e saber informar-se. É um desafio para o futuro e o futuro, como dizia o poeta Maiakovski, é já hoje!
Gabriel de Sousa

NB
– 3º Prémio nos Jogos Florais da Academia de Santo Amaro – 2008
A AMPULHETA DA VIDA (carta)
Meu querido neto:
Como passa depressa o tempo! Ainda “ontem” eu próprio era um menino de calções, ansiando pelo momento de entrar para a escola. Em breve, queria ser adolescente para ter mais "liberdade" e (que ambição!) ter a chave de casa. E queria, cada vez mais, que a vida andasse depressa: a maioridade, a carta de condução, a faculdade… Namorar, casar e ter filhos. Ter uma casa só minha, um bom emprego. Subir na carreira. Ter muitos amigos.
E assim tudo foi acontecendo. Vieram os trinta anos. Os quarenta. E nunca ousei olhar para a ampulheta da vida. Inexoravelmente, porém, a areia deslizava, esvaziando um dos lados e enchendo o outro.
Vieram os cinquenta anos e nasceste tu. Aos sessenta, tive os primeiros sintomas de que as células humanas envelhecem e os cabelos se tornam da cor da neve.
Sendo normalmente pessimista, mas fazendo um esforço, aceitei como possível que poderia viver ainda mais uns vinte anos. Teriam portanto já passado três quartos da minha vida. Faltava apenas um.
Hoje, na praia, agarrando um punhado de areia, observei os pequenos grãos escorrendo por entre os dedos. Apertei mais a mão para adiar o inadiável. As gaivotas esvoaçavam, poisando aqui e ali. Eu segui-as com os olhos e pensei...
…Pensei que, apesar de tudo, se um dia me tornar dependente ou perder a lucidez, quererei ter ainda um resto de discernimento, de força e de coragem para abrir rapidamente a mão, de modo a que a areia deslize toda de uma vez.
Hoje acordei triste. Desculpa-me. Espero que estejas bem. Tenho saudades tuas.
Beijos do teu avô.
Gabriel de Sousa

NB – 1º Prémio nos Jogos Florais da Academia de Santo Amaro – 2008
EFEMÉRIDEFrédéric Charles Antoine Dard, escritor francês de romances policiais, de terror e de espionagem, nasceu em Bourgoin-Jallieu, Isère, no dia 29 de Junho de 1921. Morreu em Bonnefontaine, na Suíça, em 6 de Junho de 2000.
Com uma produção prodigiosa, celebrizou-se como Comissário San-Antonio, de quem escreveu 200 aventuras no espaço de cinquenta anos.
Tendo por origem uma família modesta e pais muito ocupados com uma empresa familiar, foi criado pela avó, junto de quem adquiriu o gosto pela leitura. A crise financeira de 1929 apressou o declínio dos negócios dos pais. Todos os seus bens foram penhorados sob o olhar do jovem Frédéric. Tiveram de se mudar para Lyon, onde ele seguiu um Curso Comercial sem muito entusiasmo. Com dezasseis anos apenas empregou-se como publicitário, passando depois ao jornalismo, actividade que lhe despertava interesse desde há muito tempo, e mais tarde à Literatura. Em breve publicaria o seu primeiro romance, escrevendo também algumas novelas.
Casou-se e teve dois filhos. Para ganhar a vida, escrevia livros para crianças e romances populares. Começou a tornar-se notado e a ser influenciado pelos “romances negros” norte-americanos. Conheceu entretanto George Simenon que lhe escreve o prefácio para o livro “Au massacre mondain”. Passou a escrever sob diversos pseudónimos e a conhecer o sucesso. Adaptou ao teatro um romance de Simenon e, em 1949, publicou a primeira aventura de San-Antonio. Algumas incursões ainda no Teatro, continuando simultaneamente a escrever livros que foram grandes êxitos. Adaptou alguns romances ao cinema e começou a viver desafogadamente e a ter problemas com o fisco francês.
A vida com a esposa não corria bem e, um mês antes de se divorciarem, Frédéric Darc tentou enforcar-se. Casou-se novamente, em 1968, com a filha do seu editor e foi viver para a Suíça. Deste segundo casamento teve outra filha e adoptou um jovem tunisino.
Em 1975 fez publicar um livro (Je le jure) com várias entrevistas, onde evoca a sua infância, os seus começos, a sua família e as suas ideias, quase uma autobiografia. Ao todo escreveu 288 romances, vinte peças de teatro e 15 adaptações cinematográficas. Ganhou, em 1957, o Grande Prémio da Literatura Policial.
Depois da sua morte, em 2000, Patrice, um dos seus filhos, tem escrito livros com os mesmos personagens utilizados pelo pai.

sábado, 28 de junho de 2008

EFEMÉRIDECláudio Justiniano de Sousa, médico, escritor, romancista, ensaísta, dramaturgo e orador brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 28 de Junho de 1954. Nascera em São Roque no dia 20 de Outubro de 1876.
Estudou na sua cidade natal, tendo-se licenciado em Medicina em 1897 no Rio de Janeiro. Com dezasseis anos, já colaborava nos jornais cariocas O Correio da Tarde e A Cidade do Rio.
Depois de formado mudou-se para São Paulo, onde exerceu a profissão, além de continuar a escrever para diversos jornais. Foi igualmente professor de Terapêutica na Faculdade de Farmácia de São Paulo. Foi membro fundador da Academia Paulista de Letras em 1909.
Em 1913 abandonou a medicina, passando a fazer muitas viagens pelo mundo, sobre as quais escreveu imensos relatos, e a dedicar-se à Literatura. Fixou então residência no Rio de Janeiro.
Escreveu cerca de trinta peças teatrais, geralmente comédias ligeiras, todas encenadas com enorme sucesso. Entre relatos de viagens e obras de ficção escreveu mais de três dezenas de livros, bem assim como vários artigos e textos médicos. Algumas das suas obras foram traduzidas para espanhol, francês e italiano.
Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1924, tendo-a presidido por duas vezes, em 1938 e 1946.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

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Novas tecnologias...

EFEMÉRIDE João Guimarães Rosa, médico, diplomata, romancista e contista, um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de Junho de 1908. Faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de Novembro de 1967.
Os contos e romances de João Guimarães Rosa decorrem quase todos no sertão brasileiro. A sua obra tem a particularidade de inovar na linguagem, sendo influenciada pelos vários modos de falar populares e regionais. Esta faceta, aliada à sua erudição, permitiu a criação de muitos vocábulos a partir de palavras antigas e palavras populares, neologismos e intervenções semânticas e sintácticas.
Autodidacta, começou a estudar diversos idiomas ainda em criança, começando pelo francês com menos de 7 anos. Poliglota quase inacreditável, falava - além do português - alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto e um pouco de russo; lia sueco, holandês, latim e grego; entendia alguns dialectos alemães e estudou gramática húngara, árabe, lituana, polaca, tupi, hebraica, japonesa, checa, finlandesa e dinamarquesa. «Mas tudo mal», segundo dizia. Estudava por divertimento, gosto e distracção.
Em 1925, matriculou-se na então denominada Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, com apenas 16 anos, tendo-se licenciado em 1930, ano em que também se casou com uma jovem de dezasseis anos de quem teve duas filhas. Exerceu a profissão em Itaguara, então município de Itaúna, durante dois anos.
Guimarães Rosa serviu depois, como médico voluntário, na Força Pública (actual Polícia Militar), durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Posteriormente entrou para o quadro da Força Pública, por concurso, indo para Barbacena na qualidade de Oficial Médico de Infantaria.
Aprovado em concurso para o Itamaraty, passou alguns anos da sua vida como diplomata, na Europa e na América Latina. Esteve na Alemanha, de 1938 a 1942, onde auxiliou judeus a fugir para o Brasil, ao emitir - juntamente com a sua segunda esposa - mais vistos do que os legalmente autorizados. Por essa acção ganhou o reconhecimento posterior do Estado de Israel. Sua esposa Aracy é aliás a única mulher homenageada no “Jardim dos Justos entre as Nações”, no Museu do Holocausto, em Israel.
Foi eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras em 1963. Adiou a cerimónia de posse enquanto pôde, afirmando ter medo de morrer no dia do evento. Só veio a tomar posse em 1967, falecendo três dias depois, com apenas 59 anos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

EFEMÉRIDE José Adriano Rodrigues Barata-Moura, filósofo, escritor e cantor português, nasceu em Lisboa no dia 26 de Junho de 1948. Foi reitor da Universidade de Lisboa de 1998 até 2006.
Fez todos os estudos pré-universitários em França, mas foi em Portugal, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que se licenciou (1970) e doutorou (1980) em Filosofia.
É autor de canções infantis que ficaram célebres em várias gerações, como “Joana come a papa” e o “Fungágá da Bicharada”.
Estreou-se no canto de intervenção política, em 1970, no programa televisivo Zip Zip, cantando em francês "Ballade du Bidonville", visto a versão em português ter sido proibida pela censura de Marcelo Caetano. Foi autor e cantor de muitas canções revolucionárias, relacionadas com a Liberdade e a com a Revolução dos Cravos. Editou cerca de 20 discos e tem uma vasta obra literária sobre Filosofia.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

EFEMÉRIDE Miguel Andresen de Sousa Tavares, advogado, jornalista, cronista, comentador e escritor português, nasceu no Porto em 25 de Junho de 1952.
Filho da conceituada poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen e do advogado Francisco Sousa Tavares, conhecido lutador antifascista durante a ditadura de Salazar, começou a sua vida profissional como advogado, passando depois a jornalista e mais tarde, simultaneamente, à escrita literária. Tem uma obra bastante diversificada: crónicas e reportagens, escreveu um livro infantil e vários contos e romances de que se destaca “Equador”, best-seller em Portugal desde 2004 e prestes a ser transformado em filme (agora em rodagem). Traduzido em várias línguas.
Colabora actualmente no semanário Expresso, no canal de televisão TVI como comentador por vezes polémico e, semanalmente, no jornal desportivo A Bola onde escreve a coluna "Nortada", em que defende os seus pontos de vista (muitas das vezes parciais) acerca sobretudo do Futebol Clube do Porto.
Entre outros livros, publicou também “Não Te Deixarei Morrer, David Crockett” e, mais recentemente (2007), “Rio das Flores”.
Ganhou um Prémio Nacional de Reportagem com um filme de 52 minutos sobre a história da colonização da Amazónia e um Prémio do Festival de Cinema e de Televisão do Rio de Janeiro.

terça-feira, 24 de junho de 2008

“SEBASTIANAS”

(quadras)

I
Se te quiseres divertir,
Com todas as tuas ganas,
A Freamunde tens de ir
No mês das Sebastianas !

II
Até fechares as pestanas,
Tens diversões sem parar…
…Nas festas Sebastianas
Tudo é espectacular !

III
Nas festas Sebastianas,
Vais saber o que é brincar…
…Durante muitas semanas,
Irás delas te lembrar !


Gabriel de Sousa

EFEMÉRIDENuno Álvares Pereira, igualmente conhecido por Santo Condestável, Beato Nuno de Santa Maria, ou simplesmente Nun'Álvares, general português que desempenhou um papel fundamental em 1383-1385, na luta pela independência frente a Castela, nasceu em Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco, no dia 24 de Junho 1360. Morreu em 1 de Novembro de 1431, um domingo de Páscoa, no Convento do Carmo em Lisboa. O seu túmulo foi destruído no Terramoto de 1755.
Luís de Camões, de forma explícita ou implícita, referiu-se a ele catorze vezes n’ “Os Lusíadas”. Está representado numa escultura no Arco da Rua Augusta, na Praça do Comércio, em Lisboa.
Nun’Álvares, que foi um dos vinte e seis filhos do prior do Crato e de Iria Gonçalves do Carvalhal, casou com Leonor de Alvim em 1377 na Vila Nova da Rainha, Azambuja.
Quando o rei Fernando de Portugal morreu em 1383, sem deixar herdeiros a não ser a princesa Beatriz, casada com o rei João I de Castela, Nuno foi um dos primeiros nobres a apoiar as pretensões de João, o Mestre de Avis, à coroa do reino, pois seria uma hipótese preferível à perda de independência para os castelhanos. Depois da primeira vitória de Álvares Pereira frente aos castelhanos na Batalha dos Atoleiros em Abril de 1384, João de Avis nomeou-o “Condestável de Portugal”. Em 1385, João seria reconhecido pelas cortes, reunidas em Coimbra, como Rei de Portugal. O génio militar de Nuno Álvares Pereira foi decisivo depois, na Batalha de Aljubarrota, em que, à frente de 6 000 portugueses e aliados ingleses, derrotou 30 000 castelhanos. Finda a ameaça castelhana, Nuno Álvares Pereira permaneceu como condestável do reino e, entre 1385 e 1390, ano da morte de João de Castela, dedicou-se a realizar raides contra a fronteira castelhana, com o objectivo de manter a pressão e dissuadir o país vizinho de novos ataques.
Considerado como um dos melhores generais portugueses, dedicou os seus últimos anos à vida religiosa carmelita, recolhendo-se em 1423 no Convento do Carmo, após a morte de sua mulher.
No ano em que Nuno Álvares morreu, o Rei D. João I visitou-o, pois sempre considerou que fora ele que o tinha colocado no trono, salvando a independência de Portugal. Foi beatificado em 1918 pelo Papa Bento XV.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

EFEMÉRIDEMichèle Mouton, corredora automobilista de ralis, primeira e, até hoje, única mulher a vencer uma etapa do Campeonato MundialWRC” (San Remo, 1981), nasceu em Grasse no dia 23 de Junho de 1951.
Em 1975 participou nas “24 Horas de Le Mans” com uma equipa feminina, ganhando a categoria “1601 - 2000 cm 3” e, em 1978, foi piloto de ensaio da Fiat.
Em 1982, após um muito bem disputado campeonato, terminou na segunda posição do WRC, vencendo as provas de Portugal, Brasil e Acrópole, pilotando um Audi Quattro.
Em 1985 foi a primeira mulher a vencer a subida de Pike's Peak, famosa corrida realizada nos Estados Unidos, Colorado, batendo todos os recordes. Em 1986 abandonou a carreira nos Ralis, após a Volta à Córsega, para se dedicar mais à vida familiar. Depois disso foi ainda figura chave na organização da “Race of Champions”, em homenagem a Henri Toivonen, e organiza anualmente a “Corrida dos Campeões Michelin”, nas ilhas Canárias, que serve de fecho a cada época.
É muito frequente ver Michèle Mouton nas diferentes etapas do Campeonato do Mundo de Ralis, uma forma que ela encontrou de mitigar a sua saudade.

domingo, 22 de junho de 2008

EFEMÉRIDE Fred Astaire, de seu verdadeiro nome Frederick Austerlitz, actor e dançarino norte-americano, morreu em Los Angeles no dia 22 de Junho de 1987, vítima de pneumonia. Nascera em Omaha, no Nebraska, em 10 de Maio de 1899.
Nos seus filmes, Astaire conseguiu dar uma nova emoção à dança, fosse ela simples ou trágica. Sempre trajado a rigor, o seu charme tornou-se lendário.
Apresentou-se no palco pela primeira vez aos cinco anos e, juntamente com a irmã Adele, representou na Broadway em 1917, formando parceria com ela durante alguns anos até Adele se casar.
Estreou-se no cinema em 1915, fazendo uma pequena passagem e, em 1933, apareceu ao lado de Joan Crawford e Clark Gable, em Dancing Lady. Nesse mesmo ano, actuou no primeiro de uma série de dez filmes ao lado de Ginger Rogers. Os dois formavam um par impecável que se tornou célebre.
Foi estrela de vários musicais que tiveram cerca de 300 representações cada um. Em 1933 iniciou uma carreira cinematográfica sem precedentes, ao ser contratado para interpretar “Carioca” (Flying Down to Rio).
Em The Gay Divorcee (A Divorciada Alegre), Fred Astaire obteve uma percentagem sobra as receitas, coisa extremamente rara nos costumes de Hollywood. Em 1946 declarou ir abandonar o cinema, mas o público exigiu que ele voltasse com a palavra atrás no ano seguinte. Hollywood conferiu-lhe um Oscar Especial em 1950, «pela sua contribuição para a técnica dos musicais no cinema». Gravou igualmente várias emissões especiais para televisão, uma das quais ganhou nove Prémios Emmy em 1958.
Deixou de ser dançarino em 1968 para passar a interpretar papéis dramáticos. Curiosamente, fora dos estúdios não gostava de dançar e dizia que as danças de salão o enchiam de tédio. Em 1981, com oitenta e dois anos, entrou no seu último filme “O Fantasma de Milburn”.
O célebre arquitecto americano Frank O. Gehry projectou um edifício em Praga, capital da República Checa, em homenagem ao par “Fred & Ginger”. O edifício toma a forma do casal e parece mostrá-los em plena dança.

sábado, 21 de junho de 2008

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"Festa" na Azambuja...

EFEMÉRIDEJean-Paul Charles Aymard Sartre, escritor e filósofo existencialista francês, nasceu em Paris no dia 21 de Junho de 1905. Morreu na mesma cidade, em 15 de Abril de 1980, vítima de um edema pulmonar. O seu funeral foi acompanhado por mais de 50 000 pessoas.
Órfão de pai desde os dois anos, Sartre sofreu as primeiras influências por parte da mãe e do avô, que o iniciou na literatura clássica. De 1922 a 1924, despertou o seu interesse pela Filosofia. Em 1924 ingressou na École Normale Supérieure, onde conheceu, em 1929, Simone de Beauvoir que se tornaria sua companheira e colaboradora até ao fim vida.
Sartre e Beauvoir não formavam um casal comum, de acordo com padrões convencionais. Ambos possuíam amantes e partilhavam confidências sobre as suas relações com outros parceiros. Este modo de vida violava os valores da tradicional sociedade francesa da época, que se escandalizava com esta relação.
De 1936 a 1939, foi professor no Havre, em Laon e em Paris e escreveu as suas primeiras obras filosóficas: “A Imaginação” (1936) e “A Transcendência do ego” (1937). Em 1938 publicou “A Náusea”, um romance onde desenvolveu algumas das ideias que posteriormente desenvolveria na sua obra filosófica.
Em 1939 alistou-se no exército francês e serviu na Segunda Guerra Mundial como meteorologista. Em Nancy foi preso pelos alemães em 1940 e permaneceu na prisão até Abril de 1941. De volta a Paris, entrou na Resistência Francesa, onde conheceu e se tornou amigo do escritor Albert Camus. A amizade entre Sartre e Camus perduraria até 1952, quando os dois romperam a relação publicamente, devido à publicação do livro do Camus "O Homem Revoltado", no qual atacava criticamente o marxismo e a URSS. Sartre defendia uma relação de colaboração critica com o regime da URSS e permitiu a publicação de uma critica acutilante sobre o livro do Camus, na sua revista “Les Temps Modernes”. Camus respondeu de maneira extremamente violenta e assim acabou uma relação de amizade. Até ao final da vida, porém, Sartre admirará Camus, como o expressou em várias entrevistas.
Em 1943 publicou o seu mais famoso livro filosófico”O ser e o nada”. Escreveu também várias peças teatrais e romances em que são tratadas as formas como o homem reage às contingências da vida.
Nos anos 1950/1956 aderiu ao comunismo, defendeu a independência da Argélia e passou a escrever obras em que tentava conciliar o existencialismo e o marxismo.
Em 1963 escreveu “As palavras”, uma autobiografia que seria a sua despedida da literatura. Em 1964 foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, que recusou. Já antes, em 1945, recusara a Legião de Honra Francesa. Estas honrarias, segundo ele, só teriam alienado a sua liberdade.
A saúde de Sartre começa a deteriorar-se, resultado de uma hiperactividade literária e política e do uso e abuso do tabaco e do álcool, bem assim como de medicamentos para o manter “em forma”.
No “Maio de 1968” apoiou os grupos maoistas e em 1971 tornou-se director do jornal “A Causa do Povo”, para assim o poder proteger com o seu prestígio. Vendeu o jornal pelas ruas, juntamente com Simone de Beauvoir. Em 1973 lançou, juntamente com vários jornalistas , o jornal “Libération”.
Foi um lutador de todas as causas que julgava justas. No fim da vida, reconhecendo embora a legitimidade do Estado de Israel, denunciou a vida miserável dos palestinos, como justificação para a revolta e para o terrorismo. Já quase cego, ainda encontrou forças para visitar um revolucionário alemão preso em Estugarda, na Alemanha, e para vir a Portugal apoiar a “Revolução dos Cravos” (1974).

sexta-feira, 20 de junho de 2008

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Pintou o cabelo, mas... é ***** burra...

EFEMÉRIDE Clara Zetkin, professora, jornalista e política alemã, figura histórica do feminismo mundial, morreu em Arkhangelskoïe, perto de Moscovo, no dia 20 de Junho de 1933. Nascera em Wiederau, na Saxónia, em 5 de Julho de 1857.
Desde os anos 1870 que começou a frequentar os movimentos feministas. Viveu exilada em Zurique, onde conheceu o revolucionário russo Ossip Zetkin, que reencontrou em Paris em 1882. Se bem que nunca se tivessem casado, tomou o apelido do seu companheiro, de quem teve dois filhos. Ossip morreu em 1889. Clara casou-se dez anos depois com um pintor, com quem viveu até 1928, conservando o apelido Zetkin.
Em Paris, participou activamente na “Segunda Internacional”, onde reclamou a igualdade completa dos direitos profissionais e sociais da Mulher.
De volta à Alemanha, desenvolveu o movimento feminino socialista e fundou a revista das mulheres socialistas “Die Gleichheit” (A Igualdade) que seria publicada até 1917.
Em 1907 presidiu à Primeira Conferência Internacional das Mulheres Socialistas realizada em Estugarda. Na Segunda Conferência, realizada em Copenhaga no dia 8 de Março de 1910, propôs a criação do Dia Internacional da Mulher, que foi aceite e é comemorado até hoje em cada dia 8 de Março.
Foi membro do Partido Social-Democrata até 1917, ano em que, juntamente com Rosa Luxemburgo, criou a ala esquerda (Liga Spartakista) do USPD. Daqui nasceria em 1918 o Partido Comunista da Alemanha, em representação do qual Clara Zetkin foi deputada no Reichstag de 1920 a 1933.
Foi opositora da 1ª Guerra Mundial e dirigiu várias acções pacifistas, que lhe valeram frequentemente a prisão.
Em 1932 presidiu ao Reichstag, por ser a deputada mais antiga e apelou ao combate contra o nazismo. Com a chegada dos nazis ao poder, foi obrigada a fugir e morreu algumas semanas depois, exilada em Moscovo. O seu túmulo encontra-se nas muralhas do Kremlin na Praça Vermelha. Desaparecera alguém que consagrou grande parte da sua vida a combater pela supressão do capitalismo e a instauração do socialismo, pelo direito ao voto das mulheres, pelo direito ao divórcio, pelas uniões livres e pela igualdade entre os sexos.
A então República Democrática Alemã homenageou-a, fazendo figurar a sua efígie nas notas de 10 marcos.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

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Mozart a quatro mãos e... uma guitarra.

EFEMÉRIDE Aung San Suu Kyi, birmanesa, líder e activista dos direitos humanos, galardoada com o Nobel da Paz em 1991, nasceu em Rangum, no dia 19 de Junho de 1945.
É filha do general Aung San, herói da independência da Birmânia, que foi assassinado quando Suu Kyi tinha apenas dois anos de idade.
Viveu em Londres entre 1964 e 1967, onde estudou filosofia, política e economia, depois de ter feito os estudos secundários na Índia, onde se encontrava com sua mãe.
Aos 24 anos, mudou-se para Nova Iorque onde prosseguiu os estudos superiores, tornando-se simultaneamente secretária num Comité das Nações Unidas.
Regressou ao seu país em 1988, por altura da doença e morte da mãe. O seu retorno à Birmânia, no momento denominada Myanmar, coincidiu com a eclosão de uma revolta popular contra os vinte e seis anos de ditadura. Em pouco tempo, Suu Kyi tornou-se líder do movimento de contestação ao regime militar.
Após o seu partido (Liga Nacional para a Democracia) ter obtido uma vitória estrondosa nas eleições de 1990, realizadas devido a uma grande pressão popular, Suu Kyi foi presa no domicílio. A ditadura “ignorou” o resultado das eleições, mas a luta pela democracia ganharia finalmente uma visibilidade internacional. Em 1990, Aung San Suu Kyi ganhou o “Prémio Sakharov da Liberdade”, o “Prémio Rafto” e, no ano seguinte, o Prémio Nobel da Paz.
Em 1995 foi-lhe levantada a pena de prisão domiciliária, mas as liberdades individuais de Suu Kyi continuaram a ser muito limitadas. Entretanto o seu marido, a viver em Inglaterra, morreu de doença oncológica. Suu Kyi, contrariando a vontade das autoridades birmanesas, recusou-se a ir ao Reino Unido, onde também estão os filhos, pois sabia que não a deixariam voltar ao seu país. Em 2000 foi de novo presa. Seria libertada cinco meses depois, sob pressão das “Nações Unidas”.
Em 2001 o grupo de rock irlandês U2 criou a canção “Walk On” que foi escrita e dedicada a Suu Kyi. A canção foi proibida na Birmânia.
Mais tarde foi de novo presa e assim tem passado a sua vida, ora em prisões ora vigiada no seu domicílio. Gravemente doente, foi-lhe recusada a presença de um médico e passou o seu 61º aniversário na prisão, sem acesso ao telefone e com o correio censurado.
É doutorada Honoris Causa pela Universidade Livre de Bruxelas e pela Universidade Católica de Lovaina. Em 2005 recebeu o Prémio Olof Palme e, em 2007, foi considerada Cidadã de Honra do Canadá.
Para esta grande Mulher, a luta continuará até à vitória ou até à morte!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

EFEMÉRIDEAna de Castro Osório, jornalista, ensaísta e conferencista portuguesa, considerada uma das mais notáveis teóricas dos problemas da emancipação feminina e uma dedicada e incansável pioneira da luta pela igualdade dos direitos da Mulher, nasceu em Mangualde no dia 18 de Junho de 1872. Morreu em Setúbal, em 23 de Março de 1935.
É de sua autoria “Mulheres Portuguesas”, uma colectânea de artigos sobre questões feministas, considerada o “primeiro manifesto feminista português”. Ao longo destas 250 páginas, publicadas em 1905, exortou as mulheres ao trabalho e ao estudo, afirmando que não deveriam ser meras peças decorativas.
Casada com o poeta e diplomata Paulino de Oliveira, membro do Partido Republicano, esteve muito próxima deste partido. Depois da instauração da República colaborou na Lei do Divórcio, sendo consultora do Ministro da Justiça.
Fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, o Grupo de Estudos Feministas e a Cruzada das Mulheres Portuguesas. É igualmente considerada a fundadora da Literatura Infantil em Portugal.
Escreveu alguns livros que foram utilizados como manuais escolares e publicou ainda a colecção “Para as Crianças”, que lhe ocupou perto de quatro décadas de trabalho e foi uma obra notável na sua época. Outros livros dignos de realce são “A Minha Pátria” e “A Mulher no Casamento e no Divórcio”.
Em 1903 publicou o romance “Ambições”, que foi o primeiro de uma série de histórias de ficção para adultos. Traduziu contos de Hans Christian Andersen e de outros escritores estrangeiros. Escreveu igualmente peças de teatro infantil. Por sua vez, muitas das suas obras foram traduzidas para francês, espanhol e italiano.
Entre 1911 e 1914, viveu no Brasil com o marido, que foi cônsul de Portugal em São Paulo. Ali exerceu as actividades de professora e escritora, tendo alguns dos seus livros sido adoptados também em escolas brasileiras. Foi o seu contributo para a construção da Lusofonia.

terça-feira, 17 de junho de 2008

EFEMÉRIDECláudio Besserman Vianna, conhecido pelo nome artístico de Bussunda, humorista brasileiro, morreu em Vaterstetten, perto de Munique, no dia 17 de Junho de 2006, vítima de ataque cardíaco, quando realizava a cobertura do Mundial de Futebol, para o seu programa televisivo. Nascera no Rio de Janeiro em 25 de Junho de 1962.
Não se interessou muito pelos estudos, embora tenha seguido o curso de Comunicação Social da UFRJ. Costumava dizer: «Na faculdade pública, os meus pais não podiam reclamar que pagavam mensalidades e a faculdade ajudava o meu projecto de vida de não fazer nada. Não me formei, mas foram uns óptimos anos». Bussunda encontrou no humor e na alegria aquilo que realmente gostava de fazer na vida. Junto com os seus companheiros do grupo “Casseta & Planeta”, construiu uma carreira prodigiosa na Rede Globo. Além do bom humor, uma das suas fortes características era zombar do próprio facto de ser glutão, o que o levava a imitar personagens que tivessem a mesma característica.
Escreveu onze livros colectivamente, lançou três discos, encenou uma peça de teatro e protagonizou o filme “A Taça do Mundo é Nossa”. Teve ainda uma participação especial na película “Como ser solteiro” e deu voz ao personagem principal das séries infantis “ShrekI e II, na versão brasileira.
Começara a sua carreira como redactor do jornal humorístico “Casseta Popular”, quando ainda era estudante. Nos anos 80 iniciou a participação em programas de TV, primeiro como apresentador e mais tarde como redactor. “Casseta & Planeta, Urgente!”, um programa com enorme êxito, estreou-se em 1992 e prolongou-se até ao fim da sua vida. Entre muitas personalidades por ele parodiadas, salienta-se: o Presidente Lula, Ronaldo, Diego Maradona e Boris Ieltsin.
A principal avenida da Vila do Pan, no Rio de Janeiro, recebeu o nome de Cláudio Besserman Vianna, em sua homenagem. Postumamente, foi estreado o último filme em que entrou: “Seus Problemas Acabaram”…

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Mote
«
Palavras, mesmo à distância,
Quando são bem sentidas,
Podem conter a fragrância
De salvar almas e vidas
»
Glória Marreiros


CARTA

Segue sempre os meus conselhos,
Não me deixes qualquer ânsia,
São boas, vindas de velhos,
Palavras, mesmo à distância

Na carta que estás a ler,
Vão ideias bem sentidas
Que ajudam sempre a viver,
Quando são bem entendidas

Virás a ter que optar
Entre igualdade e ganância…
… Os passos que tu vais dar
Podem conter a fragrância:

- Um perfume uma intenção
De ganhar causas perdidas
- Um desejo uma emoção
De salvar almas e vidas


Gabriel de Sousa


SONHO APÓS A MORTE

Conheci-te ainda muito menina
Era eu também um “dez reis” de gente
Tínhamos muitos anos pela frente,
Anos que escorrem como areia fina

Através de uma ampulheta assassina.
É tal a rapidez, que não se sente,
Mas o espelho da vida nunca mente
E a idade muito nos ensina.

Agora que já encontrei o norte,
Acabando o pesadelo medonho
De um certo medo que eu tinha da morte,

Agora finalmente até suponho
Que vai ser bem feliz a minha sorte
Vendo-te cintilar em cada sonho!


Gabriel de Sousa

EFEMÉRIDEAriano Vilar Suassuna, advogado, professor, dramaturgo, romancista e poeta brasileiro, nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, no dia 16 de Junho de 1927. Autor das célebres peças “Auto da Compadecida” e “A Pedra do Reino”, é considerado um dos maiores dramaturgos brasileiros de todos os tempos.
Viveu os primeiros anos da sua vida no sertão do estado de Paraíba (Sítio Acauã) e aos três anos de idade ficou órfão do pai, que foi assassinado no Rio de Janeiro por motivos políticos. A mãe levou então toda a família para Taperoá, onde moraram até 1937. Quando ele tinha quinze anos (1942), fixaram-se definitivamente no Recife, onde completou os estudos, licenciando-se em Direito em 1950 e em Filosofia em 1964.
Em 1945 publicou o seu primeiro poema, “Noturno”, no “Jornal do Commercio do Recife”. Na Faculdade de Direito foi um dos fundadores do “Teatro do Estudante de Pernambuco”. Em 1947 escreveu a sua primeira peça, Uma mulher vestida de Sol, a que se seguiram muitas outras. O “Auto de João da Cruz” ganhou o Prémio Martins Pena em 1950.
Em 1951/1952 voltou a Taperoá, para se tratar de uma doença pulmonar. Ali escreveu e montou “Torturas de um coração”. Regressou depois ao Recife onde, até 1956, se dedicou à advocacia e ao teatro.
Em 1955 a peça “Auto da Compadecida” deu-lhe projecção em todo o país e veio a ser adaptada ao cinema e à televisão. No ano seguinte abandonou a advocacia, tornando-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco, de onde se aposentou em 1994.
Entre 1958 e 1979 dedicou-se igualmente à ficção, publicando alguns romances.
Ariano idealizou o Movimento Armorial, que tem como objectivo criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro e que procura orientar para esse fim todas as formas de expressão artística.
As obras de Ariano Suassuna já foram traduzidas para inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano, finlandês, checo, polaco e hebraico. Pertence à Academia Brasileira de Letras desde 1990, à Academia Pernambucana de Letras desde 1993 e à de Paraíba desde 2000.
Este ano, foi escolhido pela escola de samba “Mancha Verde” para tema do seu Carnaval. Desfilou, juntamente com a sua esposa Zélia, num dos carros alegóricos.

domingo, 15 de junho de 2008

EFEMÉRIDE Mihai Eminescu, o maior e o mais conhecido poeta romeno, morreu em Bucareste no dia 15 de Junho de 1889. Nascera em Botoşani, na região moldava, em 15 de Janeiro de 1850. É considerado “o poeta nacional” da Roménia, da Moldávia e dos romenos que vivem na Ucrânia.
Estudou na escola de Cernăuţi, de onde fugiu várias vezes para acompanhar grupos de artistas ambulantes. Numa dessas fugas foi até à Transilvânia. Já não voltou à escola e passou a levar uma vida de boémio em Giurgiu e Bucareste. O seu pai viria a encontrá-lo em 1869 e mandou-o para Viena. Nesta cidade, Eminescu estudou filosofia e filologia sem, no entanto, obter qualquer diploma.
Escrevia muito e, graças a um amigo, publicou os seus primeiros poemas na revista “Junimea”, pertencente a um grupo literário com o mesmo nome. Foi também actor, jornalista, inspector escolar e bibliotecário.
Em 1872 partiu para Berlim, onde não obteve, no entanto, o almejado diploma de doutor em filosofia.
Em 1874 empregou-se num modesto escritório. Mais tarde, em 1877, entrou para o jornal conservador “Timpul” (“O Tempo”), onde conseguiu exprimir as suas ideias e desenvolver o seu espírito polemista.
Sofreu de perturbações mentais em 1883, mas melhorou depois de ter sido hospitalizado em Viena. Voltou então para a sua pátria, onde sofreu novamente de períodos de demência, causados pela sífilis que o afligiria desde os vinte anos. A partir de 1886 começou a ser injectado com mercúrio, tratamento habitual na época para o tratamento daquela doença. Acabou os seus dias, assassinado por um companheiro do hospício onde estava então internado.
A sua obra ainda não foi totalmente publicada, mas grande parte foi já traduzida para mais de sessenta idiomas.
Eminescu exerceu influência decisiva sobre a divulgação de outros poetas romenos. As suas poesias caracterizam-se quase sempre por um profundo pessimismo. Nicolae Iorga, historiador romeno, considera-o como o “pai” da língua romena moderna. Eminescu tornou-se num ícone, havendo estátuas suas por todo o país. A sua figura foi igualmente impressa em notas de banco e muitas escolas e instituições têm o seu nome. Os seus melhores poemas são estudados nas escolas romenas e todos os anos são publicadas reedições das suas obras.

sábado, 14 de junho de 2008

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Quem não gosta de carinhos?

EFEMÉRIDESalvatore Quasímodo, escritor e um dos maiores poetas italianos do século XX, morreu no Hospital de Nápoles, em 14 de Junho de 1968. Nascera em Módica, na Sicília, no dia 20 de Agosto de 1901.
A família, bastante modesta, transferiu-se para Messina no dia seguinte ao grande terramoto de 1908, acontecimento que o deixaria traumatizado para o resto da vida. Apesar de todas as dificuldades, fez os estudos secundários e, já nos anos 1920, foi para Roma estudar grego e latim, dedicando-se aos clássicos que mais tarde o inspirariam. Simultaneamente, trabalhava para poder subsistir. Em 1926 estabeleceu-se em Reggio Calabria, onde desenvolveu diversas actividades ligadas à Poesia. Em 1930 publicou na revista “Solaria” a sua primeira recolha de poemas “Água e Terra”.
A partir de 1931 foi durante vários anos funcionário dos departamentos de obras de vários municípios italianos. Chegou a Milão em 1934, onde se integrou num extraordinário ambiente cultural, estabelecendo relações de amizade com vários artistas, pintores e escritores. Dois anos depois, deixou a sua profissão para se dedicar inteiramente à literatura. Seguiram-se muitas publicações, tanto em revistas como em livros. Em 1941 ensinou literatura italiana no Conservatório de Milão. Foi também tradutor de várias obras clássicas e contemporâneas, de Shakespeare até Neruda, passando por vários poetas gregos e latinos. Obteve o Prémio Nobel de Literatura em 1959.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

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Ordem e Disciplina assim... só na Índia!

EFEMÉRIDE António Variações, de seu verdadeiro nome António Joaquim Rodrigues Ribeiro, cantor e compositor português, morreu em Lisboa no dia 13 de Junho de 1984. Nascera em Fiscal, pequena aldeia do concelho de Amares, Braga, em 3 de Dezembro de 1944.
Cedo quis ser independente e, aos doze anos, veio para Lisboa onde trabalhou como marçano e escriturário. Depois de cumprir o serviço militar em Angola, para fugir à ditadura, à miséria e ao fascismo, partiu para Londres (onde lavou pratos num colégio durante um ano), seguindo depois para Amesterdão, onde descobriu “um novo mundo” que gostaria de trazer para Portugal. Na cidade holandesa aprendeu a profissão de cabeleireiro que veio exercer em Lisboa, onde só regressou depois do 25 de Abril de 1974. À noite dedicava-se à música e dava espectáculos. António Variações era “anárquico” e gostava de se vestir de modo excêntrico, com uso e abuso de cores e de objectos de adorno, como brincos.
Em 1981, desconhecido e sem nenhuma canção ainda gravada, participou num programa televisivo, em que a sua música e o seu estilo inconfundível contribuíram sobremaneira para que depressa alcançasse a fama.
Gravou o primeiro disco “single” com a canção “Povo que lavas no rio” de Amália Rodrigues, que era a sua grande referência. Gravou, quase a seguir, o seu primeiro LPAnjo da Guarda” com dez faixas, todas de sua autoria, onde se destacavam os grandes êxitos “É p’ra amanhã” e “O corpo é que paga”. Em 1984 lançou o seu terceiro trabalho, intitulado “Dar e receber”. Já então se encontrava internado num hospital com problemas brônquicos. Morre nesse mesmo ano, vítima de uma broncopneumonia, provavelmente causada pela SIDA, dizendo-se mesmo que terá sido a primeira figura pública portuguesa a morrer vítima desta doença. Pouco tempo antes, dera o seu último concerto numa aldeia perto de Barcelos e aparecera uma última vez na televisão.
Vinte anos após a sua morte, em Dezembro de 2004, foi lançado um álbum em sua homenagem, com canções de sua autoria mas que nunca tinham sido editadas. Sete conhecidos músicos portugueses formaram a banda “Humanos” e gravaram doze músicas, seleccionadas de um conjunto de cassetes que estavam em poder do irmão de António Variações, Jaime Ribeiro. Foi um êxito que perdura até hoje.
António Variações explicava assim a razão do nome artístico escolhido: “Variações é uma palavra que sugere elasticidade e liberdade. E é exactamente isso que eu sou e que faço no campo da música. Não quero enveredar por um estilo. Não sou limitado. Tenho a preocupação de fazer coisas de vários estilos”. A sua música era, com efeito, uma mistura de Pop, Rock e Folk.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

EFEMÉRIDE Roberto Ivens, oficial da Marinha Portuguesa e explorador do continente africano, nasceu em São Pedro, nos Açores, em 12 de Junho de 1850. Morreu no Dafundo, concelho de Oeiras, em 28 de Janeiro de 1898.
Em 1861 foi inscrito na Escola da Marinha, em Lisboa, onde fez os estudos secundários. Foi sempre um estudante inteligente e aplicado. Concluiu o curso em 1870, com apenas 20 anos e com as mais elevadas classificações. Frequentou no ano seguinte a Escola Prática de Artilharia Naval, partindo em Setembro desse ano para a Índia, integrado na guarnição da corveta Estefânia, onde foi feito Guarda-marinha.
Em 1875 fez exame para Segundo-tenente e seguiu na corveta Duque da Terceira para São Tomé e Príncipe e daqui para alguns portos da América da Sul. Regressado a Portugal em 1876, partiu de imediato no “Índia”, para Filadélfia, com produtos portugueses para a Exposição Universal daquela cidade.
Em Lisboa, soubera de um plano governamental de exploração científica, no interior africano, destinado a explorar os territórios entre as províncias de Angola e Moçambique e, especialmente, a efectuar um reconhecimento geográfico das bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Ofereceu-se para nela tomar parte e, em 1877, foi nomeado para fazer aquela expedição, sendo promovido a Primeiro-tenente.
Até 1880 ocupou-se, com Hermenegildo Capelo e, em parte, com Serpa Pinto, da exploração científica de “Benguela até às Terras de Iaca”. No regresso, recebeu a Comenda da Ordem Militar de Santiago.
Face às mais que previsíveis decisões da Conferência de Berlim, era preciso demonstrar a presença portuguesa no interior da África austral, como forma de sustentar as reivindicações constantes do “mapa cor-de-rosa” entretanto produzido. Para realizar tão importante tarefa, foram nomeados Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens.
Feitos os preparativos, a grande exploração iniciou-se em Porto Pinda, no sul de Angola, em Março de 1884. Foram catorze meses de inferno no interior africano, durante os quais, a fome, o frio, a natureza agreste, os animais selvagens e a mosca tsé-tsé, puseram em permanente risco de vida os exploradores e a comitiva. As constantes deserções e a doença e a morte de carregadores aumentavam o perigo e a incerteza. Só de uma vez, andaram perdidos 42 dias por terrenos pantanosos, sob condições meteorológicas difíceis, sem caminhos e sem gente por perto. Foram dados como mortos ou perdidos, pois durante quase um ano não houve notícias deles.
Ao longo de toda aquela viagem, onde foram percorridos mais de 8300 km, Roberto Ivens escreveu, desenhou, fez croquis e levantou cartas. Em 21 de Junho 1885, chegou finalmente a Quelimane, em Moçambique, tendo cumprido todos os objectivos definidos pelo governo. Voltando a Portugal, foi recebido pelo próprio rei D. Luís e alvo de homenagens e honrarias por todo o país. Atingiu o topo da sua carreira com a promoção a Capitão-de-fragata.
Por motivos de saúde, abandonou o mar, passando a prestar colaboração cartográfica na Sociedade de Geografia de Lisboa e na execução de trabalhos no Ministério da Marinha e do Ultramar relacionados com África, sobretudo Angola. Morreu aos 48 anos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

EFEMÉRIDEJean-Pierre Chabrol, desenhador, jornalista, homem da rádio e da televisão, comediante e romancista francês, nasceu em Chamborigaud (Gard) no dia 11 de Junho de 1925. Morreu em Génolhac, em 1 de Dezembro de 2001.
Nascido no seio de uma família de professores, fez os seus estudos primários e secundários em Alès, onde os pais ensinavam num bairro popular. Muito cedo começou a interessar-se pelo desenho e pela poesia.
Durante a ocupação alemã integrou a Resistência e fez parte do Exército de Libertação que o conduziu até Berlim. Só voltou à vida civil em 1946, mas a experiência anterior iria marcar a sua obra.
Começou por trabalhar, como desenhador e depois jornalista, no jornal l’Humanité, onde chegaria a chefe de redacção. Ali conheceu o escritor Louis Aragon, que o encorajou a escrever o seu primeiro romance. Outros se lhe seguiram, alguns premiados.
Apesar de se ter afastado do Partido Comunista em 1956, os seus livros continuaram a ser traduzidos em vários países do Leste. Foi amigo dos poetas e cantores Georges Brassens, Léo Ferré e Jacques Brel.
Participou igualmente na criação de um estilo de banda desenhada humorística. Em 1961 publicou “Os Loucos de Deus”, que quase vencia o Prémio Goncourt e foi depois adaptado à televisão. Tendo continuado sempre a escrever, passou a colaborar regularmente na rádio e na televisão. Viajava imenso. No fim dos anos 1970 escreveu igualmente algumas peças para teatro.
Muito afectado pela morte de vários dos seus próximos, lançou-se seguidamente numa outra carreira, no teatro, representando ele próprio as suas peças, como narrador. Simultaneamente, continuou a publicar diferentes obras, entre elas uma recolha de desenhos satíricos intitulada “O pequeno Chabrol ilustrado”.
Voltou à literatura em 1993 com mais dois romances, um em homenagem ao seu pai, outro que seria adaptado à televisão pela sua filha Elsa.
Publicou cerca de quarenta livros, entre os quais a célebre série “Rebeldes”.

terça-feira, 10 de junho de 2008

EFEMÉRIDEBibi Ferreira, de seu verdadeiro nome Abigail Izquierdo Ferreira, actriz, cantora, realizadora, encenadora e compositora brasileira, nasceu em Salvador no dia 10 de Junho de 1922.
Filha de um actor brasileiro (Procópio Ferreira) e de uma bailarina espanhola (Aída Izquierdo), fez a sua estreia teatral com 24 dias de vida, na peça “Manhãs de Sol”, substituindo uma boneca que desaparecera pouco antes do início do espectáculo. Pouco tempo depois, os pais separaram-se e Bibi passou a viver com a mãe, que foi trabalhar numa companhia de teatro espanhola. O seu primeiro idioma foi portanto o castelhano até aos quatro anos. O português e o grande amor pela ópera viriam a ser adquiridos junto do pai.
De volta ao Brasil, entrou para o Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde permaneceu longo tempo, até se estrear na companhia do pai. Completou o curso secundário no Colégio Anglo-americano e aperfeiçoou os estudos de ballet em Buenos Aires, no Teatro Colón.
A sua estreia profissional no teatro teve lugar em 1941, na peça “La locandiera”. Em 1944, montou a sua própria companhia teatral, reunindo alguns dos nomes mais sonantes do teatro brasileiro. Pouco mais tarde, veio para Portugal, onde dirigiu peças durante quatro anos, com grande êxito.
Nos anos 1960 teve grande sucesso em musicais, no teatro e na televisão. Entre 1968 e 1970 apresentou na televisão o seu próprio programa “Bibi ao Vivo”.
A partir dos anos 1970 actuou e dirigiu muitos espectáculos, que foram outros tantos êxitos. Em 1983 representou “Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção”, espectáculo recebido com entusiasmo tanto pelo público como pela crítica. Por esta actuação recebeu o Prémio Mambembe e Molière em 1984. O espectáculo, que foi apresentado em salas de várias cidades, permaneceu seis anos em cartaz e, em quatro anos, atingira já um milhão de espectadores. Esteve uma temporada em Portugal, com actores portugueses no elenco. Ainda hoje é lembrada.
Dirigiu inúmeros programas de televisão e shows de artistas da música popular brasileira, como Maria Bethânia nos anos 70 e 80.
Nos anos 1990, Bibi Ferreira reviveu vários dos seus maiores sucessos. Em 1996 recebeu o Prémio Sharp de Teatro e encenou “Roque Santeiro” em versão musical. Em 1999, dirigiu pela primeira vez uma ópera - “Carmen” de Bizet.
Em 2001, estreou no Rio de Janeiro “Bibi Vive Amália”, sobre a vida da fadista portuguesa Amália Rodrigues. Em 2007 Bibi Ferreira voltou ao teatro em “Às favas com os escrúpulos”, dirigida por Jô Soares.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Esta é a última de loiras (por hoje...). Desculpem lá! Afinal, o que seria o Mundo sem vocês?

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Isto é que é falar!! (directo na RTP-N)

A lavagem da saia...



EFEMÉRIDE John Creasey, escritor britânico, morreu em Salisbury no dia 9 de Junho de 1973. Nascera em Southfields (Surrey), em 17 Setembro de 1908.
A sua obra completa ronda os 600 romances, escritos durante uma carreira de quarenta anos. Para além do seu nome verdadeiro, utilizou pelo menos 25 pseudónimos. Está traduzido em vinte e sete línguas.
Escreveu vários géneros literários, tais como: policiais, aventuras, espionagem, cow-boys, romances de amor, livros para crianças e obras sobre desporto.
Foi editor do “John Creasey Mystery Magazine” de 1956 até 1965. Em 1957 tinha criado uma editora que reeditou uma centena dos seus próprios livros. Em 1963 participou na fundação da “Crime Writers Association”, de que foi Presidente no biénio 1966/1967.
Simultaneamente, Creasey interessou-se pela política, sendo candidato por cinco vezes à Câmara dos Comuns britânica.
Nascido numa família modesta, com nove irmãos, sofreu de poliomielite em criança mas conseguiu ultrapassar a doença. Começou a trabalhar aos catorze anos e, segundo os seus cálculos, teria exercido 25 actividades diferentes até aos 21 anos.
Começou a escrever pequenas novelas e, aos dezassete anos, viu publicada uma delas, mediante o pagamento de cerca de três libras. Começou então a escrever romances, publicando o primeiro em 1931. Escreveu perto de cinquenta romances nos quatro anos que se seguiram e, em 1936, decidiu pedir a demissão do seu último emprego, para se dedicar integralmente à Literatura.
Foram os seus editores, “assustados” pela avalanche de livros que ele lhes apresentava para publicação (uma média de vinte por ano), que lhe exigiram a repartição das suas obras por diferentes pseudónimos.
Casou-se quatro vezes, a última das quais três semanas antes de morrer de ataque cardíaco. Em 1946 foi condecorado com a Ordem do Império Britânico e em 1962 ganhou o Prémio Edgar Allan Poe.
Piada de Loira - a eterna perseguida...

domingo, 8 de junho de 2008

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Ginástica - acidentes e (ou) azelhices...

EFEMÉRIDESónia Maria Campos Braga, actriz brasileira, nasceu em Maringá, no Paraná, em 8 de Junho de 1950.
Iniciou a sua carreira aos 18 anos na célebre peça teatral “Hair”, em que foi a principal actriz. Entrou em muitos filmes e fez vários trabalhos para televisão, o primeiro dos quais foi a versão brasileira do programa infantil “Vila Sésamo”. Os seus primeiros grandes êxitos foram as telenovelas “Gabriela” e “Dancin’Days”.
Ganhou fama internacional com o filme “Gabriela” (1983), adaptação para o grande ecrã do romance de Jorge Amado “Gabriela, Cravo e Canela”, o que lhe abriu as portas dos Estados Unidos da América, para onde foi viver aos 35 anos.
Actuou em vários filmes e programas de televisão, tendo participado na famosa série americana “O Sexo e a Cidade”. Posou para a revista “Playboy” em 1984 e 1985.
Em 2006 regressou ao Brasil, para participar em algumas telenovelas. Em 2007 interpretou uma das figuras da série “Donas de Casas Desesperadas”, versão brasileira de “Desperate Housewives”. Caetano Veloso fez duas canções inspiradas em Sónia Braga: “O Trem de Cores” e “Tigresa”, cantada por Gal Costa.
Fez até agora mais de trinta filmes, cerca de vinte nos Estados Unidos, e duas dezenas de trabalhos televisivos.

sábado, 7 de junho de 2008

EFEMÉRIDE Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira, conhecida por Adalgisa Nery, poeta e jornalista brasileira, morreu no Rio de Janeiro em 7 de Junho de 1980. Nascera na mesma cidade no dia 29 de Outubro de 1905.
Nasceu pobre e teve uma infância triste. Ficou órfã de mãe, tinha apenas nove anos. Estudou num colégio interno de freiras, mas foi expulsa por ser considerada “subversiva” ao defender órfãs que eram subalternizadas e maltratadas pelas religiosas. Como estudos convencionais, fez apenas a instrução primária, entre os 9 e os 12 anos.
Tinha quinze anos quando se apaixonou por um vizinho, o pintor Ismael Nery, com quem casou um ano depois. O casamento durou até à morte do pintor, doze anos mais tarde. Após o casamento, Adalgisa entrou na vida intelectual, graças a muitas reuniões efectuadas em sua casa e a uma estadia de dois anos na Europa com o marido, adquirindo assim a cultura que não tinha podido assimilar durante a adolescência. Da relação do casal, sempre muito conflituosa, nasceram sete filhos, todos rapazes, mas só o mais velho e o mais novo sobreviveram.
Em 1959 Adalgisa publicou o romance autobiográfico A Imaginária, que foi o seu maior sucesso editorial. Viúva aos 29 anos, sem muitos recursos e com dois filhos para criar, Adalgisa trabalhou primeiro na Caixa Económica e posteriormente no Conselho do Comércio Exterior do Itamaraty.
Em 1937 lançou um primeiro livro de poesia intitulado Poemas. Em 1940 casou-se com o jornalista e advogado Lourival Fontes, que era o director do Departamento de Imprensa e Propaganda, criado por Getúlio Vargas em 1939.
Seguiu o marido, em funções diplomáticas em Nova Iorque de 1943 a 1945 e como embaixador no México em 1945. No México desenvolveu amizade com os pintores Diego Rivera (que a retratou), Frida Kahlo e outros. Em 1952, regressou ao México como embaixadora plenipotenciária, para representar o Brasil na posse do presidente Adolfo Ruiz Cortines.
O casamento com Lourival durou treze anos e o divórcio ocorreu quando ele se apaixonou por outra mulher. Em razão do grande sofrimento que isso lhe causou, apesar do seu valor literário ser reconhecido não só no Brasil como em França, Adalgisa resolveu abandonar a própria fama e renegar a sua obra. A partir daí, tornou-se jornalista, escrevendo apenas para o jornal Última Hora. Dedicou-se mais tarde à política e foi eleita deputada três vezes, primeiro pelo Partido Socialista Brasileiro e depois pelo Movimento Democrático Brasileiro. Em 1969 foram-lhe tirados o mandato e os direitos políticos.
Pobre, sem ter onde morar, passou parte dos anos 1974-1975 numa casa de um amigo em Petrópolis, onde viveu quase como reclusa. Contrariando o seu propósito de nunca mais escrever, publicou ainda dois livros de poesia, dois de contos, um de artigos e um romance.
Em Maio de 1976, sem ter doença alguma, resolveu internar-se numa casa de repouso para idosos, em Jacarepaguá. Um ano mais tarde, foi vítima de um acidente vascular cerebral e ficou afásica e hemiplégica, vindo a falecer em 1980.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

EFEMÉRIDED. José I, de seu nome completo José Francisco António Inácio Norberto Agostinho de Bragança, rei de Portugal desde 1750 até à sua morte, cognominado “O Reformador” devido às reformas empreendidas durante o seu reinado, nasceu em Lisboa no dia 6 de Junho de 1714. Morreu na Real Barraca, no Alto da Ajuda, em 24 de Fevereiro de 1777.
O seu reinado foi marcado sobretudo pela política do seu Primeiro-Ministro, o Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo). Este reorganizou as leis, a economia, o ensino e a sociedade portuguesa em geral, transformando Portugal num país moderno. D. José tinha recebido um país em bancarrota, provocada pelo abrandamento das entradas de oiro em proveniência do Brasil.
Em 1 de Novembro de 1755, D. José I e a família sobreviveram à destruição do Paço Real durante o grande Terramoto de Lisboa por se encontrarem ausentes. A cidade foi reconstruída num plano rectilíneo sob o impulso do Marquês de Pombal.
D. José I foi objecto de uma tentativa de regicídio em 1758, que levou ao célebre processo dos Távoras. Os Marqueses de Távora, o Duque de Aveiro e muitos dos familiares próximos foram executados, enquanto a Companhia de Jesus foi declarada ilegal e os jesuítas expulsos um ano mais tarde.
Todo o seu reinado foi caracterizado pela criação de instituições, especialmente no campo económico e educativo, com a finalidade de adaptar o País às grandes transformações que se tinham operado anteriormente. Foi reorganizado igualmente o exército. Em matéria de política externa, D. José conservou a política de neutralidade adoptada pelo pai. De salientar, no entanto, o corte de relações com a Santa Sé, que durou uma década.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A crise do Petróleo... e o preço da Gasolina em Portugal

EFEMÉRIDE Pancho Villa, “nome de guerra” de Doroteo Arango Arámbula, um dos heróis da Revolução Mexicana, nasceu no Río Grande, Durango, em 5 de Junho de 1878. Morreu em Parral, Chihuahua, no dia 20 de Julho de 1923.
Aos 16 anos, por ter morto um rico fazendeiro que tentava violar a sua irmã Martina, e para fugir das perseguições da justiça, alistou-se no exército mexicano.
Em 1910 apoiou Francisco Madero no combate à ditadura de Porfirio Díaz. Um ano depois, Pancho foi mandado para o exílio e Madero assumiu o governo. Dois anos mais tarde, o general Victoriano Huerta, que tinha deposto e substituído Madero, condenou Pancho Villa à morte por insubordinação.
Conseguiu refugiar-se nos Estados Unidos e mais tarde voltou ao México para combater a ditadura de Huerta, integrando as forças de Venustiano Carranza, opositor do regime. Com aderentes espalhados por todo o território, Pancho Villa, Venustiano Carranza, Álvaro Obregón e Emiliano Zapata formaram um exército para combater a ditadura. Pancho recebeu o comando da Cavalaria com mais de 40 mil homens, força que foi decisiva para derrubar o regime. Carranza assumiu o poder, apoiado pelos Estados Unidos, mas Pancho Villa, eterno insatisfeito, voltou à luta armada, após se ter desentendido com o novo governante. Controlou o norte do país (fazendo até algumas incursões vitoriosas em território americano) até à deposição de Carranza, tornando-se então fazendeiro no interior do México. Foi casado várias vezes e teve filhos de oito mulheres. Em 1923, foi assassinado numa emboscada em que foi atingido por 47 tiros certeiros.
Ironicamente, hoje, perto de Columbus, uma das cidades americanas invadidas por Pancho Villa, existem - com o seu nome - um lugarejo e um parque nacional.

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