sábado, 28 de fevereiro de 2015

28 DE FEVEREIRO - SAUL ZAENTZ

EFEMÉRIDESaul Zaentz, executivo musical e produtor de cinema norte-americano, nasceu em Passaic, Nova Jersey, em 28 de Fevereiro de 1921. Morreu em São Francisco no dia 3 de Janeiro de 2014. Venceu o Oscar de Melhor Filme por três vezes e recebeu o Prémio Memorial Irving G. Thalberg em 1997.
Era descendente de refugiados judeus de países do leste europeu, sobretudo da Polónia. Deixou o domicílio familiar aos quinze anos e sobreviveu desempenhando pequenos ofícios.
Quando da Segunda Guerra Mundial, alistou-se no exército. No final do conflito, estudou durante um semestre a Criação de Animais na Universidade Rutgers. Depois de ter trabalhado algumas semanas numa herdade, voltou à Universidade, passando dois anos a estudar Gestão de Empresas.
Em 1950, estabeleceu-se em São Francisco e começou a trabalhar para o produtor musical Norman Granz, organizando concertos e viajando pelo país juntamente com músicos como Duke Ellington, Dave Brubeck, Gerry Mulligan e Stan Getz.
Em 1955, entrou para a Fantasy Records, onde foi vendedor e gerente durante mais de dez anos. Em 1967, Zaentz e um grupo de investidores compraram a Fantasy, transformando-a na maior empresa discográficas de jazz do mundo.
Depois do desenvolvimento da Fantasy, Zaentz decidiu entrar na indústria do cinema. Em 1975, produziu – em parceria com Michael Douglas – o filme “One Flew Over the Cuckoo's Nest”, protagonizado por Jack Nicholson e Louise Fletcher, e dirigido por Miloš Forman. O filme venceu cinco Oscars, incluindo o de Melhor Filme.
Dois anos depois, produziu “Three Warriors”, realizado por Kieth Merrill. No ano seguinte, foi produtor da animação “The Lord of the Rings”, dirigida por Ralph Bakshi.
Após seis anos longe da produção, voltou em 1984 com “Amadeus”, novamente sob a direcção de Forman. O filme venceu oito Oscars e Zaentz ganhou o seu segundo prémio de Melhor Filme.
Nos anos seguintes, foi produtor executivo de “The Mosquito Coast” (1986), de “The Unbearable Lightness of Being” (1988) e de “At Play in the Fields of the Lord” (1991).
Em 1995, o jornal “The New York Times” viu nele «o último dos grandes produtores do cinema independente». Nos anos 1990, recebeu vários prémios.
Em 1996, produziu “The English Patient”. O filme foi um enorme sucesso e venceu nove Oscars, com Zaentz a conquistar o seu terceiro Oscar de Melhor Filme. Recebeu, na mesma cerimónia, o Prémio Memorial Irving G. Thalberg. Quase dez anos depois, produziu a sua última película, “Goya's Ghosts” (2005), na sua terceira colaboração com Forman.
Saul Zaentz morreu aos 92 anos de idade, após uma longa batalha contra o mal de Alzheimer.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

27 DE FEVEREIRO - MOACYR SCLIAR

EFEMÉRIDEMoacyr Jaime Scliar, escritor brasileiro, morreu em Porto Alegre no dia 27 de Fevereiro de 2011. Nascera na mesma cidade, em 23 de Março de 1937. Licenciado em Medicina, trabalhou como médico e como professor universitário. Da sua vasta obra constam contos, romances, ensaios e literatura infanto-juvenil. Também ficou conhecido pelas suas crónicas nos principais jornais brasileiros.
Nasceu no Bom Fim, bairro de Porto Alegre onde se concentra a comunidade judaica. Alfabetizado pela mãe, professora primária, ingressou em 1943 na Escola de Educação e Cultura, transferindo-se – cinco anos depois – para o Colégio Nossa Senhora do Rosário.  
Em 1963, após acabar o curso de Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, iniciou sua vida de médico, visitando doentes nos respectivos domicílios. Especializou-se depois em saúde pública, como médico sanitarista, iniciando-se nessa área em 1969. Em 1970, frequentou em Israel um curso de pós-graduação. Posteriormente, doutorou-se em Ciências, na Escola Nacional de Saúde Pública. Foi professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.                                     
Scliar publicou mais de setenta livros. O seu estilo leve e irónico garantiu-lhe um número elevado de leitores. Em 2003, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Antes recebera vários prémios literários, como o Jabuti (1988, 1993 e 2000), o Associação Paulista de Críticos de Arte (1989) e o Casa de las Américas (1989).
As suas obras abordam frequentemente a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina e a vida de classe média, entre outros. Tem livros traduzidos em doze idiomas.
Em 2002, envolveu-se numa polémica com o escritor canadiano Yann Martel, autor do famoso romance “A Vida de Pi”, vencedor do Prémio Man Booker, dizendo que o livro seria plagiado da sua novela “Max e os felinos”. Moacyr, no entanto, diria mais tarde que a imprensa tinha exagerado no tratamento do caso e que nunca tivera o intuito de processar aquele escritor.    
Entre as obras mais importantes, estão os seus contos e os romances “O ciclo das águas”, “A estranha nação de Rafael Mendes”, “O exército de um homem só” e “O centauro no jardim”, este último incluído na lista dos 100 melhores livros de temática judaica dos últimos 200 anos, feita pelo National Yiddish Book Center nos EUA.
Em 1998, o romance “Um Sonho no Caroço do Abacate” foi adaptado ao cinema, com o título “Caminho dos Sonhos”. O filme participou nos Festivais de Gramado, Miami e Trieste, entre outros. A película narra a história do filho de um casal de imigrantes judeus lituanos, que se estabelece no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, nos anos 1960. Apaixona-se por Ana, uma estudante negra. Os jovens encontram no amor a força e a determinação para enfrentarem a discriminação na escola onde estudam e o preconceito entre as famílias.
Em 2002, o romance “Sonhos Tropicais” foi também adaptado ao cinema. O filme relata o combate à febre-amarela no Rio de Janeiro, pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, e a resistência da população à vacinação obrigatória, que resultou na chamada Revolta da Vacina. Em paralelo, é narrada a história de uma jovem judia polaca, que imigra para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas que acaba na prostituição.
Em 2011, Scliar foi internado num hospital para a retirada de pólipos do intestino. A cirurgia foi bem sucedida, mas o escritor acabou por ter um acidente vascular cerebral durante o período de recuperação, falecendo cerca de cinquenta dias depois do seu internamento.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

26 DE FEVEREIRO - JAIME DE MAGALHÃES LIMA

EFEMÉRIDEJaime de Magalhães Lima, escritor, conferencista, tradutor e crítico literário português, morreu em Aveiro no dia 26 de Fevereiro de 1936. Nascera na mesma cidade em 15 de Outubro de 1859. Foi defensor e divulgador do vegetarianismo, do qual era um adepto fervoroso. É patrono da escola secundária de Esgueira, por isso denominada Escola Secundária Jaime de Magalhães Lima.
Os pais foram emigrantes no Brasil. Teve três irmãos, um dos quais – Sebastião – foi jornalista e político.
Em 1888, licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, onde conheceu Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e o seu grande amigo Antero de Quental. Era admirador de Tolstoi, que conheceu pessoalmente quando foi à Rússia, conforme relatou no seu livro “Cidades e paisagens” (1889).
Dirigiu a revista “Galeria Republicana” (1882/83) e colaborou na “Revista de Portugal” de Eça de Queiroz. Colaborou ainda com regularidade no mensário “O Vegetariano” e em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas revistas “A semana de Lisboa” (1893/95), “Branco e negro” (1896/98), “Atlântida” (1915/20) e “Pela Grei” (1918/19).
Escreveu cerca de cinquenta livros – romances, conferências, traduções, poesias, ensaios e biografias. 

UTOPIAS


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

25 DE FEVEREIRO - CARLO GOLDONI

EFEMÉRIDECarlo Osvaldo Goldoni, dramaturgo italiano, nasceu em Veneza no dia 25 de Fevereiro de 1707. Morreu em Paris, em 6 de Fevereiro de 1793. É considerado um dos maiores autores europeus de teatro e um dos escritores italianos mais conhecidos fora de Itália. Provavelmente, as suas obras, juntamente com as de Pirandello, constituem o principal veículo de difusão da arte dramatúrgica italiana através do mundo.
Nasceu numa família burguesa, que acabou por passar dificuldades financeiras devido aos gastos de seu avô paterno. O pai, dedicou-se à medicina, estabelecendo-se em Perugia, onde Carlo Goldoni iniciou os seus estudos e leu a primeira ópera cómica, sentindo-se desde logo atraído pelo teatro (mesmo de marionetas).
Mudou-se para Rimini, para estudar Filosofia, mas acabou por abandonar o estudo, para seguir até Chioggia com uma companhia de comediantes ambulantes. Voltou a Veneza, de onde os pais – em 1723 – o mandaram para Pavia, a fim de ingressar no austero Colégio Ghislieri, para fazer o curso de Jurisprudência.
Descobriu por essa época as comédias gregas e latinas e começou a escrever. Teve porém de deixar a cidade, depois da encenação de um seu poema satírico que falava das raparigas daquele lugar. A obra suscitou a ira de algumas famílias de Pavia e Goldoni foi expulso do colégio, deixando a cidade em 1725.
Prosseguiu os estudos em Udina e Modena, encetando seguidamente a carreira de advogado em Chioggia e Feltre, antes de voltar à sua cidade natal, onde continuou a exercer a profissão.
Abandonou depois – parcialmente – a advocacia, para se poder dedicar mais ao teatro, nas suas variadas facetas.
Após o falecimento do pai e para escapar a um casamento que não desejava, partiu para Milão e depois para Verona, onde o director do Teatro Giuseppe Imer o encorajou a escrever, utilizando a sua veia cómica. Apresentou-lhe Nicoletta Conio, com quem se viria a casar antes de voltar a Veneza em 1743. A partir daí, a sua vida passou a ser dedicada exclusivamente a actividades teatrais.
Escreveu várias tragédias, mas rapidamente compreendeu que o seu futuro estava efectivamente nas comédias. Produziu a sua primeira grande obra em 1738 (“L'uomo di mondo”).
Nunca mais parou de escrever, percorrendo a Itália. Fixou-se de novo em Veneza, onde colaborou em duas óperas com Antonio Vivaldi. Foi nomeado director do Teatro Sant'Angelo e fundou a comédia italiana moderna.
Exilou-se em França em 1762, devido a diferenças estéticas com os seus confrades italianos mais tradicionais, o que o levava a intermináveis querelas. Adoptado pela corte, ensinou italiano às princesas e foi nomeado director do Teatro Italiano de Paris. Passou a escrever a maioria das suas peças em língua francesa.
Quando das festividades do casamento de Luís XVI e de Maria Antonieta, decidiu escrever “Le Bourru bienfaisant”, peça representada em 1771 na Comédie Française. O rei concedeu-lhe uma pensão.
De 1784 a 1787, redigiu as suas “Memórias”. No total, escreveu mais de 200 peças de diversos géneros: tragédias, dramas, intermezzos, comédias e libretos de ópera. Foram porém as comédias, escritas depois de 1744, que lhe asseguraram a celebridade. 
Um teatro de Veneza tem o seu nome, o mesmo acontecendo com uma praça em Paris, perto da casa onde faleceu. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

NANA MOUSKOURI & AZNAVOUR


24 DE FEVEREIRO - OSMAN HAMDI BEY

EFEMÉRIDEOsman Hamdi Bey, pintor e arqueólogo turco, morreu na ilha de Galatasaray em 24 de Fevereiro de 1910. Nascera em Istambul no dia 30 de Dezembro de 1842. Fundador do Museu Arqueológico e da Academia de Belas Artes de Istambul, ele foi um dos mais famosos artistas orientais do século XIX.
Filho de um engenheiro e político de cultura ocidental, Osman mostrou desde muito novo o seu interesse pelas artes, sobretudo desenho e pintura. Frequentou a escola pública de Beşiktaş e, a partir de 1856, a Faculdade de Direito de Constantinopla. Em 1860, o pai enviou-o para Paris a fim de aperfeiçoar os seus estudos jurídicos e, sobretudo, para que começasse a absorver a cultura ocidental.
Na capital francesa, aproveitou para aprofundar a sua técnica de pintura, estudando sob a direcção de Jean-Léon Gérôme, Louis Boulanger e Fausto Zonaro.
Em 1864, casou com uma senhora francesa da qual teve duas filhas. O casamento duraria uma dezena de anos. Em 1873, quando de uma feira internacional em Viena, conheceu uma outra francesa, esta com apenas dezassete anos. Casaram e tiveram quatro filhas.
Terminados os estudos, Osman Hamdi regressara à Turquia em 1869 e foi recrutado para os serviços diplomáticos do Império Otomano, como responsável dos assuntos protocolares do Palácio e dos Negócios Estrangeiros para a província otomana de Bagdade. Foi por esta época que começou a apaixonar-se pela História e Arqueologia.
Dirigiu ele próprio as primeiras pesquisas de antiguidades e as primeiras escavações arqueológicas, à frente de equipas turcas vindas do Líbano. Puseram assim à luz do dia vários sarcófagos, que são ainda hoje considerados autênticas maravilhas da arqueologia.
Para dotar todos os achados de um local de conservação e de apresentação ao público, fundou em 1881 um museu arqueológico, que abriria as suas portas em 1891. Osman foi o primeiro director.
Em 1883, fez construir – justamente em frente do museu – o Instituto das Belas Artes, que foi a primeira instituição turca consagrada às artes contemporâneas.
Osman possuía um amplo atelier, onde recebia pintores estrangeiros que vinham à Turquia procurar conhecer o Oriente. Entre eles, acolheu o pintor francês Max Leenhardt, ao qual fez descobrir a cultura otomana e a luminosidade extraordinária do Bósforo. O atelier, após a sua morte, tornou-se propriedade do Estado, sendo – desde 1987 – o Museu Osman Hamdi Bey evi.
Podem ali ser vistos objectos pessoais de Osman e cópias dos seus quadros, visto que os originais, quase na sua totalidade, fazem parte de colecções privadas ou de vários museus mundiais.
O seu quadro mais famoso é “O treinador de tartarugas”, pintado em 1906 e vendido em Dezembro de 2004 por cerca de 3,5 milhões de dólares, recorde para uma obra de um artista turco. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

23 DE FEVEREIRO - MARIE-JOSÉE CROZE

EFEMÉRIDEMarie-Josée Croze, actriz canadiana, naturalizada francesa em 2012, nasceu em Montreal no dia 23 de Fevereiro de 1970. Foi criada, a partir dos dois anos, por uma modesta família de adopção, em Longueuil, no Quebec. Estudou Artes Plásticas em Montreal, de 1986 a 1987.
Começou a sua carreira em 1993, com a longa-metragem “La Florida” de George Mihalka. Seguidamente, obteve vários papéis na televisão e no cinema, tanto em francês como em inglês. Participou igualmente em várias curtas e médias metragens.
Em 2000, foi a principal protagonista do filme “Maelström” de Denis Villeneuve, obra que lhe deu grande visibilidade internacional, sendo considerada a Melhor Actriz em vários Festivais e Galas. Em 2001, entrou em “Ararat”, película de  Atom Egoyan sobre o genocídio arménio.
Em 2003, recebeu o prémio de Melhor Actriz no Festival de Cannes pelo seu desempenho em “As Invasões Bárbaras” de Denys Arcand.
Instalou-se depois em Paris e protagonizou vários filmes franceses. Entrou também no filme “Munich” de Steven Spielberg. Participou igualmente em projectos mais experimentais, como um foto-romance (“Mars et Avril”), uma obra publicada em dois volumes (2006).
De 30 de Novembro a 8 de Dezembro de 2012, fez parte do júri do 12º Festival Internacional do Filme de Marraquexe.
Durante a sua carreira, Marie-Josée Croze já entrou em cerca de 40 filmes para cinema, 11 filmes e séries para televisão e 3 peças de teatro. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

22 DE FEVEREIRO - JONAS SAVIMBI

EFEMÉRIDEJonas Malheiro Savimbi, político, guerrilheiro angolano e líder da UNITA durante mais de trinta anos, morreu em Lucusse, Moxico, no dia 22 de Fevereiro de 2002. Nascera em Munhango, Moxico, em 3 de Agosto de 1934.
Em conjunturas diversas, teve o apoio dos governos dos Estados Unidos da América, da República Popular da China, do regime do apartheid da África do Sul, de Israel, de vários líderes Africanos (Félix Houphouët-Boigny da Costa do Marfim, Mobutu Sese Seko do Zaire, Hassan II de Marrocos e Kenneth Kaunda da Zâmbia) e de mercenários de Portugal, Israel, África do Sul e França.        
Savimbi passou grande parte de sua vida a lutar, primeiro contra a ocupação colonial portuguesa e, depois da independência de Angola, contra o governo angolano que era apoiado, em termos militares e outros, pela então União Soviética, por Cuba e pela Nicarágua.
O pai de Savimbi era funcionário dos Caminhos de Ferro de Benguela e também pastor da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA). Jonas Savimbi passou a sua juventude em Chilesso, onde frequentou o ensino primário e parte do ensino secundário em escolas da IECA. Como naquele tempo os diplomas das escolas protestantes não eram reconhecidos, repetiu a parte secundária no Huambo, numa escola católica mantida pela ordem dos Maristas. A seguir, ganhou uma bolsa de estudos providenciada pela IECA, para concluir o ensino secundário e estudar medicina em Portugal.
Em Lisboa, concluiu o ensino secundário, com excepção da matéria “Organização Política Nacional”, obrigatória durante o salazarismo, não chegando por isso a iniciar os estudos universitários.
Entretanto, tinha tomado contacto com um grupo de estudantes angolanos que, em Lisboa, propagavam em segredo a descolonização e discutiam a fundação de uma organização de luta anticolonial. Perante a ameaça de repressão por parte da PIDE, a polícia política do regime, Savimbi refugiou-se na Suíça, valendo-se de contactos obtidos por intermédio da IECA que, inclusive, lhe conseguiu uma segunda bolsa.
Como a Suíça reconheceu o seu curso secundário como completo, iniciou os estudos em Ciências Sociais e Políticas, em Lausanne e Genebra. Savimbi aproveitou a sua estadia na Suíça para aperfeiçoar o domínio do inglês e do francês, línguas que veio a falar fluentemente. 
No início dos anos 1960, saiu da Suíça para se juntar à Guerra de Independência de Angola, entretanto iniciada pela UPA (posteriormente FNLA) e pelo MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). Tentando, sem sucesso, obter uma posição de liderança no MPLA, ingressou na FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola) que operava a partir de Kinshasa, onde passou a fazer parte da direcção. Como a FNLA beneficiava então do apoio da China, Savimbi teve naquele país uma formação militar adaptada a condições de guerrilha. Saiu mais tarde da FNLA para formar o seu próprio movimento, a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola). Esta teve, desde o início, como principal base social os ovimbundu, a etnia de origem de Savimbi e a mais numerosa de Angola, em contraste com a FNLA, enraizada entre os bakongo, e o MPLA, cuja base original eram os ambundu bem como boa parte dos mestiços e uma minoria da população portuguesa local, oposta ao regime colonial.
A UNITA desenvolveu, entre 1966 e 1974, acções relativamente limitadas no leste de Angola, mas em contrapartida conseguiu uma significativa penetração política clandestina entre os ovimbundu, contando para o efeito com o apoio de boa parte dos catequistas da IECA.
Na sequência da Revolução dos Cravos, que derrubou a ditadura, Portugal anunciou em Abril de 1974 a sua intenção de proceder à descolonização. Em Angola, os três movimentos anticoloniais iniciaram de imediato uma luta pela conquista do poder. Embora a UNITA fosse à partida o movimento mais fraco, Jonas Savimbi decidiu lançar-se na corrida, confiando na sua base social e nos seus apoios externos.
Numa fase inicial, as forças da FNLA e da UNITA, apoiadas principalmente pelo Zaire e pela África do Sul, obtiveram uma clara vantagem sobre o MPLA, que teve apenas um certo apoio de alguns militares portugueses. A situação mudou radicalmente quando Cuba decidiu intervir militarmente a favor do MPLA, com o suporte logístico da União Soviética. Na data marcada para a independência, em 11 de Novembro de 1975, o MPLA – que dominava a capital e a parte setentrional de Angola – declarou a independência em Luanda, que foi imediatamente reconhecida a nível internacional.                    
Face a esta situação, Savimbi fez uma aliança com a FNLA. Juntos, os dois movimentos declararam, na mesma data, a independência de Angola no Huambo e formaram um governo alternativo com sede nesta cidade. Porém, as forças conjuntas do MPLA e de Cuba conquistaram rapidamente a maior parte da metade austral de Angola. O governo FNLA/UNITA, que não havia sido reconhecido por nenhum país, dissolveu-se rapidamente. A FNLA retirou-se por completo do território angolano e desistiu de qualquer oposição armada contra o MPLA. Em contrapartida, Jonas Savimbi decidiu não abandonar a luta e, a partir de bases no leste e sudeste de Angola, começou uma guerra de guerrilha contra o governo do MPLA, desencadeando assim uma guerra civil que só terminaria com a sua morte. 
Em 1992, quando das primeiras eleições em Angola, Savimbi participou sendo o seu partido, a UNITA, derrotado nas eleições legislativas. Ao não aceitar o resultado das mesmas, optou novamente pelo caminho da guerra, perpetuando a guerra civil. Quanto à eleição presidencial, a segunda volta não se realizou devido ao recomeço do conflito armado.
Em 1994, a UNITA assinou os acordos de paz de Lusaca, depois de meses de negociações, e aceitou desmobilizar as suas forças, com o objectivo de conseguir a reconciliação nacional. O processo de paz prolongou-se durante quatro anos, marcado por acusações e adiamentos. Nesse período, muitos membros da UNITA deslocaram-se para Luanda e integraram o governo de Unidade Nacional. No entanto, dissidências internas separaram o braço armado do braço politico, surgindo dessa forma a UNITA renovada, onde Savimbi não se sentia representado, rompendo com os acordos de paz e voltando, novamente, ao caminho da guerra. Viria a morrer, perto de Lucusse, na província do Moxico, após uma longa perseguição efectuada pelas Forças Armadas Angolanas.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

21 DE FEVEREIRO - MARGARETHE VON TROTTA

EFEMÉRIDEMargarethe von Trotta, actriz, cenarista e realizadora alemã, nasceu em Berlim no dia 21 de Fevereiro de 1942. Passou a infância em Dusseldorf, na companhia da mãe. Frequentou um curso comercial e trabalhou num escritório.
Começou a estudar Artes Plásticas em Dusseldorf. Instalou-se posteriormente em Munique, onde estudou Filologia das Línguas Germânicas e Romanas. No entanto, mais uma vez, mudou de rumo e ingressou no Conservatório de Arte Dramática.
Mais tarde – em Paris – iniciou a sua carreira, participando em algumas curtas-metragens dedicadas à Alemanha da década de 1960. Em 1964, casou com o cineasta Felice Laudadio, com quem teve um filho. Separaram-se em 1970. No fim dos anos 1960, trabalhou como actriz num teatro de Estugarda e noutro de Frankfurt.
Em 1969, conheceu o cenarista Volker Schlöndorff, com quem se viria a casar dois anos depois. Tornou-se uma das actrizes mais famosas do “Novo Cinema Alemão”, entrando em filmes de Herbert Achternbusch, Rainhard Hauff e Rainer Werner Fassbinder.
Em 1970, trabalhou pela primeira vez como realizadora. Ficou famosa, em 1975, quando co-dirigiu “The Lost Honour of Katharina Blum” com Schlöndorff.
The Second Awakening of Christa Klages” (1977) foi o primeiro filme que dirigiu sozinha. Em 1979, realizou “Sisters or the Balance of Happiness”. Em 1981, alcançou renome internacional com “Die bleierne Zeit”, filme que conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza.
Em 1985, fez um filme sobre Rosa Luxemburgo, com Barbara Sukowa no papel principal. Em 1989, co-produziu a película “Felix”.
Divorciou-se de V. Schlöndorff em 1991, morando actualmente em Paris, depois de ter vivido algum tempo em Itália. O seu filme “The Promise” (1994) foi aclamado pela crítica. A sua mais recente realização foi “ Hannah Arendt” (2013). É membro da Academia das Artes de Berlim desde 1984. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

FRED ASTAIRE EM 1940

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20 DE FEVEREIRO - IBRAHIM FERRER

EFEMÉRIDE Ibrahim Ferrer Planas, cantor cubano, nasceu em San Luis (próximo de Santiago de Cuba) em 20 de Fevereiro de 1927. Morreu em Havana no dia 6 de Agosto de 2005.
Filho natural de Aurelia Ferrer, com quem vivia, Ibrahim ficou órfão aos 12 anos de idade, vendo-se obrigado a cantar nas ruas para sobreviver. Aos 13 anos, formou um duo musical (Los Jóvenes del Son) com um primo. Apresentando-se em festas particulares, conseguiu sustento e habitação, o que lhe possibilitou deixar de ser praticamente um “sem abrigo”.
Em 1953, juntou-se à banda de Pacho Alonso. Em 1958, colaborou com Benny More e, no ano seguinte, mudou-se para Havana, para se juntar de novo a Pacho Alonso, que mudara o nome da banda para Los Bocudos.
Ao longo dos anos, Ibrahim Ferrer fez parte de diversos agrupamentos musicais. Em 1996, gravou com os Afro Cuban All StarsA Toda Cuba Le Gusta”, álbum que foi nomeado para os Grammy Awards.
Com Pacho Alonso e outros, dedicou-se ao longo da sua carreira sobretudo a ritmos cubanos. No entanto, como declarou numa entrevista, sempre tivera o sonho de gravar boleros, o que só veio a acontecer a partir do final dos anos 1990, quando se juntou ao Buena Vista Social Club. Um dos últimos discos que gravou foi, aliás, “Mi sueño”, constituído – na sua maior parte – justamente por boleros. 
Morreu num hospital de Havana, quatro dias depois de ter dado o seu último concerto. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

19 DE FEVEREIRO - PAULO SÉRGIO

EFEMÉRIDEPaulo Sérgio Bento Brito, ex jogador e actual treinador de futebol português, nasceu em Estremoz no dia 19 de Fevereiro de 1968. Treinou até há poucos dias a equipa da Associação Académica de Coimbra, tendo havido rescisão do contrato por mútuo acordo.
Foi jogador entre 1986 e 2003, tendo representado, entre outros clubes, o CF os Belenenses, o FC de Paços de Ferreira, o SC Salgueiros, o Vitória de Setúbal, o CD Feirense, o CD Santa Clara (Açores) o Grenoble Foot (França), o GD Estoril Praia e o SC Olhanense. Foi Campeão da II Divisão Sul em 1997/98, pelo Santa Clara, e Campeão de França Amadores em 1998/99, pelo Grenoble.
Enveredou em 2003 pela carreira de técnico, tendo treinado o Olhanense, o Santa Clara, o SC Beira-Mar, o Paços de Ferreira, o Vitória de Guimarães, o Sporting CP, o Heart of Midlothian FC (Escócia), o Cluj (Roménia), o APOEL FC (Chipre) e a Académica.
Como treinador, foi Campeão da II Divisão Sul em 2003/04 (Olhanense); levou o Paços de Ferreira até à final da Taça de Portugal 2008/09, jogo que perdeu por um golo (contra o FC do Porto); venceu a Taça da Escócia em 2011/12 (Heart); e conquistou a Super Taça do Chipre em 2013/14 (APOEL). 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

18 DE FEVEREIRO - JACK PALANCE

EFEMÉRIDEJack Palance, de seu verdadeiro nome Volodymyr Palahniuk, actor norte-americano de origem ucraniana, nasceu em Lattimer Mines, na Pensilvânia, no dia 18 de Fevereiro de 1919. Morreu em Montecito, na Califórnia, em 10 de Novembro de 2006. Antes de seguir a carreira artística, foi boxeur profissional. Muitos pensavam que a sua face desfigurada fosse devido aos socos recebidos, mas na verdade a desfiguração foi causada por um acidente de avião, quando recebia aulas de pilotagem, durante a Segunda Guerra Mundial.
A exemplo do pai, imigrante ucraniano, também ele trabalhou como mineiro antes de se tornar pugilista. Palance abandonaria depois o boxe quando foi convocado para prestar serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial.
No fim da guerra, iniciou a sua carreira artística, que se caracterizou sobretudo por papéis em filmes western e de gangsters nos anos 1950/60. Na década de 1960, protagonizou também alguns filmes europeus, entre eles “Le Mépris” de Jean-Luc Godard (1963), contracenando com Brigitte Bardot e Michel Piccoli.
O seu primeiro filme foi “Panic in the Streets”, dirigido por Elia Kazan (1950). Apesar de ter sido nomeado para os Oscars em 1953, só veio a receber a estatueta em 1992, com o filme “City Slickers” (Oscar de Melhor Actor Secundário).
Jack Palancc manteve uma vida artística extremamente activa até 2004, tanto em longas-metragens como em séries de televisão, falecendo aos 87 anos de idade.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

17 DE FEVEREIRO - PEDRO RIBEIRO

EFEMÉRIDEPedro Ribeiro, animador de rádio, apresentador de televisão e comentador desportivo português, nasceu em 17 de Fevereiro de 1971.
Iniciou a sua carreira na rádio em 1990, com apenas 19 anos, fazendo noticiários nas madrugadas do extinto CMR – Correio da Manhã Rádio. Apresentou com Nuno Markl (entre outros), o magazine “Prok Der e Vier” (1992). Passou para a Rádio Comercial em 1993, onde editou a Informação das manhãs, juntamente com Margarida Pinto Correia.
Mais tarde, em 1997, e ainda na Rádio Comercial, fez o Programa da Manhã com José Carlos Malato, Ana Lamy e Nuno Markl, que ficou célebre pelas rubricas “O Homem Que Mordeu o Cão (HQMC)”, “Rapidinha da Manhã”, “Comercial Internet” e “Linha Avançada”. Em 2002, convidados pela Antena 3, Ana Lamy e José Carlos Malato abandonaram o programa, sendo substituídos por Maria de Vasconcelos. Em Fevereiro de 2003, com a reestruturação da Media Capital Rádios, o Programa da Manhã foi transferido para a Best Rock FM, uma rádio local com poucos meios, que tinha sido recém-criada pelo grupo MCR.
Ano e meio depois, Pedro Ribeiro foi para as manhãs do Rádio Clube, onde ficou até ser convidado para director de programas da Rádio Comercial, cargo que desempenha actualmente, juntamente com o de animador do Programa da Manhã. É autor dos programas “80 à Hora” (onde revisita a música, as modas e as figuras dos anos 1980) e “O Meu Blog Dava Um Programa de Rádio” e das rubricas “Músicas para Sonhar” e “Guilty Pleasures” do Programa da Manhã.
A sua estreia na televisão aconteceu em 1993, como repórter de um programa desportivo na RTP. Ainda neste canal, apresentou – com Maria João Simões – o “Top +”, entre 1997 e 2001, tendo a sua primeira experiência em directo ocorrido nesse último ano, ao apresentar o programa “Sorte Grande”. A convite da Sigma 3 e da SIC Radical, integrou depois a equipa do “Curto Circuito”, apresentando, em 2005, “Conversas Ribeirinhas”. Co-apresentou também a versão televisiva de “O Homem Que Mordeu o Cão” na TVI e a transmissão do “Live 8 na RTP.
Em 2009, acabou o vínculo que mantinha com a SportTV, para aceitar o convite da TVI24 como comentador no programa “MaisFutebol”.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

16 DE FEVEREIRO - DIMAS

EFEMÉRIDE Dimas Manuel Marques Teixeira, antigo jogador de futebol português, nasceu em Joanesburgo, na África do Sul, em 16 de Fevereiro de 1969.
Fez a sua estreia na Primeira Divisão aos 18 anos, com a camisola da Académica de Coimbra. Mudou-se depois para o CF Estrela da Amadora (1990/92), ingressando mais tarde no Vitória de Guimarães (1992/94).
Atraiu o interesse do SL e Benfica, onde jogou em 1994/96. Transferiu-se para o Juventus FC de Itália em 1996/98. Em 1998/99, foi contratado pelo Fenerbahçe SK da Turquia que, no ano seguinte, o cedeu ao Standard de Liège.
A boa participação de Portugal no Euro 2000 provou que Dimas era um valor a ter em conta, tendo assinado pelo Sporting CP (2000/02). Mudou-se para França em 2002, tendo ainda representado o Olympique de Marseille.
Foi 44 vezes internacional pela Selecção de Portugal, tendo posto ponto final na sua carreira em 2002. Tem no seu palmarés uma Taça de Portugal (1996), dois Campeonatos de Itália (1997 e 1998), uma Super Taça de Itália (1997) e uma Super Taça de Portugal (2002). 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

15 DE FEVEREIRO - CESAR ROMERO


EFEMÉRIDE Cesar Julio Romero Jr., actor norte-americano que actuou no cinema, na rádio e na televisão durante cerca de 60 anos, nasceu em Nova Iorque no dia 15 de Fevereiro de 1907. Morreu em Santa Mónica, em 1 de Janeiro de 1994.
A vasta gama de papéis interpretados inclui machos latinos, figuras históricas em dramas e personagens de comédias. Em 2013, foi incluído na lista dos “60 maiores vilões de todos os tempos” pelo “TV Guide”.
A sua personalidade e carisma permitiram interpretações famosas e marcantes no cinema e na TV, com destaque para o anárquico Joker, que interpretou durante os anos 1960 na série “Batman”.
Cesar Romero começou a sua carreira na década de 1930. Até aos anos 1950, interpretou sobretudo papéis secundários. O seu primeiro papel de destaque foi como Khoda Khan, em “A Queridinha do Vovô” (1937) dirigido por John Ford. Fez 20 filmes para a 20th Century Fox, contracenando com Carmen Miranda e Alice Faye em “Aconteceu em Havana” de 1941 e “Minha Secretária Brasileira” de 1942.
O magnata da Fox, Darryl F. Zanuck, seleccionou-o pessoalmente para contracenar com Tyrone Power no filme “Capitão de Castela” em 1947. Romero também apareceu ao lado de Frank Sinatra em “Onze homens e um segredo” (1960).
Na televisão, em meados dos anos 1950, fez várias participações especiais em “The Martha Raye Show”, na rede NBC. Entrou também na série “Zorro” no canal ABC.
O reconhecimento internacional veio com a já referida série “Batman”. Romero permaneceu em actividade na TV mesmo depois do fim da série em 1968, aparecendo em várias outras. A sua última actuação foi em “Bananas is my Business”, filmado em 1993 e estreado nos cinemas em 1995, já depois do seu falecimento.
Foi amigo de grandes realizadores, tendo trabalhado com John Ford, Ernst Lubitsch, Otto Preminger e Howard Hawks, entre outros. Durante as filmagens de “Aconteceu em Havana”, tornou-se amigo de Carmen Miranda e apaixonou-se pelo Rio de Janeiro, cidade que visitou duas vezes, uma delas no Carnaval de 1946 ao lado do Tyrone Power, de quem era amigo íntimo.
Morreu vitimado por bronquite e pneumonia, aos 86 anos de idade. O seu corpo foi cremado e as cinzas enterradas no Inglewood Park Cemetery, na Califórnia.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Depois de ver o filme "AS 50 SOMBRAS DE GREY"...



14 DE FEVEREIRO - AUGUSTO DE CAMPOS

EFEMÉRIDEAugusto Luís Browne de Campos, poeta, tradutor, crítico e ensaísta brasileiro, nasceu em São Paulo no dia 14 de Fevereiro de 1931.
Estreou-se em 1951 com o livro “Rei Menos o Reino”, quando ainda era estudante na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. É um dos criadores da Poesia Concreta no Brasil, juntamente com o seu irmão Haroldo de Campos e com Décio Pignatari que, ao romperem com o Clube de Poesia, lançaram a revista “Noigandres” (1952). Usando recursos visuais, como a disposição geométrica das palavras, a aplicação de cores e de diferentes tipos de letras, Augusto criou “Poetamenos” (1953), “Pop-cretos” (1964), “Poemóbiles” (1974) e” Caixa Preta” (1975). Boa parte desta produção está reunida nas colectâneas “Viva Vaia” (1979), “Despoesia” (1994) e “Não” (2004).
Além de traduzir, entre outros, Stéphane Mallarmé, James Joyce, Ezra Pound, Vladimir Maiakóvski, Arnaut Daniel e e. e. Cummings, publicou as antologias “Re-Visão de Sousândrade” (1964) e “Re-Visão de Kilkerry” (1971).
Os seus textos críticos podem ser lidos em “Teoria da poesia concreta”, “Balanço da Bossa”, “À margem da margem” e “Anticrítico”. A sua obra dialoga também com a música, tendo feito parcerias em canções gravadas por Caetano Veloso e Arrigo Barnabé. Gravou ainda o CD “Poesia é Risco”, junto com o seu filho Cid Campos (1994).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

METAFORMOSES


13 DE FEVEREIRO - HIPÓLITO RAPOSO

EFEMÉRIDE – José Hipólito Vaz Raposo, advogado, escritor, historiador e político monárquico, que se notabilizou como um dos mais destacados dirigentes do Integralismo Lusitano, nasceu em São Vicente da Beira no dia 13 de Fevereiro de 1885. Morreu em Lisboa, em 26 de Agosto de 1953.
Nascido numa antiga vila em plena Serra da Gardunha, em 1902 foi estudar para o Seminário da Guarda, que abandonou pouco depois para se matricular no Liceu de Castelo Branco, onde conclui o ensino secundário. Ingressou de seguida no curso de Direito na Universidade de Coimbra, que concluiu em 1911. Frequentou também aulas de Grego (1907/08), na Faculdade de Teologia.
Com interesse pela escrita, ainda era estudante liceal e já colaborava com os semanários da província. Em Coimbra, escreveu crónicas semanais para o “Diário de Notícias”. Ainda estudante, publicou os livros “Coimbra Doutora” (1910) e “Boa Gente” (1911).
Durante a sua estadia em Coimbra, fez parte do Centro Académico de Democracia Cristã. Terminado o curso, enveredou pelo ensino, sendo professor no Conservatório Nacional de Lisboa e no Liceu Passos Manuel, também em Lisboa, cidade onde se fixou.
Em 1914, foi um dos fundadores do movimento político-cultural auto-intitulado Integralismo Lusitano, em colaboração com António Sardinha, Luís de Almeida Braga, José Pequito Rebelo e Alberto Monsaraz, um grupo de monárquicos que incluía alguns antigos colegas do curso de Direito da Universidade de Coimbra. No mesmo ano, foi um dos fundadores da revista “Nação Portuguesa”, órgão do movimento integralista. Também colaborou nas revistas “O Ocidente”, “Serões”, “Contemporânea”, “Atlântida” e “Revista municipal” Foi director do periódico “A Monarquia”, à frente do qual teve um papel relevante no Pronunciamento Monárquico de Monsanto, ocorrido em 1919. Tendo conseguido escapar à prisão e à consequente e inevitável condenação, foi no entanto demitido de todos os cargos públicos que ocupava, em consequência da “Lei do Afasta”, que previa o saneamento de funcionários públicos «contrários ao regime». Em 1920, foi julgado no Tribunal Militar de Santa Clara, por “crime de imprensa” e condenado a três meses de prisão no Forte de São Julião da Barra.
Cumprida a pena de prisão, partiu para Angola (1922/23), onde exerceu advocacia em Luanda. Nessa época, era Alto Comissário da República Norton de Matos, com quem conviveu.
De regresso a Portugal, continuou a exercer a profissão de advogado e afirmou-se como líder destacado e ideólogo do Integralismo Lusitano, publicando em 1925 o ensaio “Dois nacionalismos”, defendendo a existência de uma distinta matriz doutrinária no Integralismo Lusitano e no nacionalismo francês da “Action française”.
Em 1926, foi reintegrado no cargo de professor do Conservatório Nacional de Lisboa. Durante os governos ditatoriais, destacou-se como um dos principais ideólogos do Integralismo Lusitano, com particular destaque para a conferência que intitulou “A Reconquista das Liberdades”, pronunciada em Lisboa em 1930 e editada depois sob a forma de opúsculo, onde sintetizou o programa político do Integralismo, desfazendo a miragem do messianismo salazarista que então emergia.
Coerente com a sua oposição ao salazarismo, em 1930 recusou colaborar com a União Nacional, defendendo que essa devia ser a posição dos monárquicos, e opôs-se à institucionalização do Estado Novo. Em 1940, publicou a obra “Amar e Servir”, na qual denunciou de forma virulenta a “Salazarquia”, um duro ataque a Salazar que lhe valeu ser de novo demitido de todos os cargos públicos que ocupava. Foi imediatamente deportado para os Açores. Aproveitou o seu exílio involuntário nos Açores para escrever uma das melhores obras de literatura de viagens sobre o arquipélago, “Descobrindo Ilhas Descobertas”, originariamente publicada no jornal “A Ilha”, de 1940 a 1941, sendo depois editada em livro em 1942. Voltou a ser reintegrado na função pública em 1951.
Coerente com as suas convicções, em 1950 foi um dos subscritores do manifesto “Portugal restaurado pela Monarquia”, uma tentativa de reactualização doutrinária do movimento integralista.
Hipólito Raposo foi sócio do Instituto de Coimbra e da Associação dos Arqueólogos Portugueses. Morreu aos 68 anos de idade. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

AMÁLIA RODRIGUES


12 DE FEVEREIRO - DECO

EFEMÉRIDEA Associação Portuguesa para a Defesa do consumidor (DECO), a maior e mais antiga associação portuguesa de defesa do consumidor, surgiu em 12 de Fevereiro de 1974, da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES). Actualmente tem mais de 380 mil associados.
Em 1978, foi lançado o nº zero da revista “PRO TESTE”, destinada a ser distribuída pelos sócios da associação. Em 1986, iniciou a profissionalização dos seus quadros, não só para as questões relacionadas com a divulgação das pesquisas a produtos e serviços, como para a edição da revista “PRO TESTE”, que iniciou a sua publicação mensal a partir de Janeiro desse ano. A DECO começou, também em 1986, a dar apoio jurídico aos associados.
Esta nova estratégia da DECO foi suportada financeiramente pelo Governo Português, através do então Instituto de Defesa do Consumidor, pela Comissão Europeia – DGXI e pelo BEUC, que é a cúpula europeia das organizações de consumidores.
Em conjunto com a Euroconsumers, fundou – em 1991 – uma editora, a Edideco, Editores para a Defesa do Consumidor, Lda. (actualmente designada DECO PROTESTE, Editores, Lda.).
Ao longo dos anos, o número de publicações foi-se alargando e, em 2011, a DECO PROTESTE já editava também a Teste Saúde, a Dinheiro & Direitos e a PROTESTE INVESTE.
Sob a designação DECO PROTESTE – Guias Práticos, edita igualmente vários livros sobre os mais variados temas: Informática, Bricolage, Economia, Seguros, Direitos do Consumidor, Direitos do Trabalhador, Saúde e Segurança, entre outros.
Em Fevereiro de 1999, foi feita Membro Honorário da Ordem do Mérito. Além da Sede em Lisboa, dispõe de delegações no Porto, em Coimbra, em Santarém, em Évora, em Leiria, em Viana do Castelo e em Faro, destinadas a prestar atendimento jurídico aos associados e a mediar conflitos de consumo.
A DECO dispõe ainda de outros serviços para os seus associados: números de telefone exclusivos, dois sites na Internet com várias funcionalidades e protocolos com diversas outras organizações e empresas.
O site DECO PROTESTE dispõe, entre outras, das seguintes funções: vários simuladores, artigos e testes comparativos publicados apenas online e dossiers temáticos.
O sítio PROTESTE INVESTE dispõe das seguintes funcionalidades: conselhos de compra sobre acções e fundos analisados, simulador de carteiras de acções, etc.
É membro das seguintes organizações: Comité de Consumidores, Comité Económico e Social, European Consumer Law Group, Bureau Européen des Unions de Consommateurs, Consumers International, Euroconsumers e International Consumers Research and Testing.

O AMANHÃ (quadras)



O AMANHÃ

Sinto a vida a esmorecer
E temo ter sido vã,
Não podendo mais dizer:
- Há sempre um amanhã

Tua boca é uma romã
Que os meus lábios devoram
Há sempre um amanhã
Para aqueles que namoram

Amor não é coisa vã
Mesmo longe não esmorece
Há sempre um amanhã
Nas teias que o amor tece

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

11 DE FEVEREIRO - CARLO CARRÀ

EFEMÉRIDECarlo Carrà, pintor italiano, nasceu em Quargnento no dia 11 de Fevereiro de 1881. Morreu em Milão, em 13 de Abril de 1966. Participou em diversas edições da Bienal de Arte de São Paulo no Brasil.
Com 15 anos, já trabalhava como decorador mural em Milão. Aproveitava os tempos livres para frequentar museus e galerias.
Entre 1899 e 1900, esteve em Paris para decorar pavilhões da Exposição Universal. Familiarizou-se com a arte contemporânea francesa, principalmente com o impressionismo. Passou seis meses em Londres, entrando em contacto com anarquistas italianos que ali se encontravam exilados.
De volta a Milão, integrou a Academia das Belas-Artes de Brera, onde seguiu cursos de Cesare Tallone (1906). Foi co-fundador do movimento futurista de 1910.
Em 1915, Carrà e Giorgio De Chirico fundaram o movimento pintura metafísica, retomando o termo “metafísica” utilizado por Guillaume Apollinairee num relatório que este fez quando de uma exposição de quadros de Chirico no Salão de Outono em Paris (1913).
Na sua fase metafísica, Carlo Carrà pintou “A musa metafísica”, uma das suas obras mais conhecidas. A partir de 1924, afastou-se da pintura metafísica e passou para a pintura realista, inspirado pelos mestres italianos da Renascença.
Além de pintar, Carlo Carrà ensinou pintura em Milão e escreveu vários livros sobre arte. 

SORRISO (quadras)


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

10 DE FEVEREIRO - FRANCESCO HAYEZ

EFEMÉRIDE Francesco Hayez, pintor italiano, considerado um dos maiores expoentes do romantismo histórico do século XIX, nasceu em Veneza no dia 10 de Fevereiro de 1791. Morreu em Milão, em 21 de Dezembro de 1882. Originário de uma família humilde, o pai era de origem francesa e a mãe nascera em Murano, Itália.
O pequeno Francesco, último de cinco filhos, foi apadrinhado por uma tia materna que era casada com um armador e comerciante de arte, proprietário de uma discreta colecção de pintura.
Ele, desde pequeno, mostrava interesse pelo desenho. Por isso, o tio confiou-o a um restaurador para que lhe ensinasse o ofício. Posteriormente, foi discípulo do pintor Francisco Magiotto, com quem permaneceu durante três anos. Fez o seu primeiro curso do nu em 1803 e, em 1806, foi admitido nos cursos de pintura da Nova Academia de Belas Artes, onde foi discípulo de Theodore Matteini.
Em 1809, ganhou um concurso da Academia de Veneza para ser aluno da Academia de San Luca, próxima de Roma. Mudou-se então para a capital italiana, onde passou a ser discípulo de Canova, que foi o seu guia e protector durante os anos que passou em Roma.
Esteve em Roma até 1814, mudando-se em seguida para Nápoles, onde foi encarregado por Joachim Murat de pintar “Ulisses no tribunal de Alcinous”.
Em 1850, foi designado para director da Academia de Brera. Da sua vasta obra fazem parte quadros históricos (principalmente da Idade Média e do Renascimento), alegorias políticas, retratos e composições de estilo trovadoresco. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

MARIA BETHANIA - "Jeito estúpido de te amar"


9 DE FEVEREIRO - ALICE WALKER

EFEMÉRIDEAlice Malsenior Walker, escritora norte-americana, nasceu em Eatonton, Georgia, no dia 9 de Fevereiro de 1944. Filha de agricultores, tem origens afro-americanas, Cherokee, escocesas e irlandesas. Num acidente aos 8 anos de idade, perdeu a visão de um dos olhos.
Graças à sua dedicação, conseguiu sucessivas bolsas de estudo, diplomando-se em Artes no Sarah Lawrence College, em 1965.
Iniciou a sua carreira de escritora com “Once”, um recolha de poesias, e veio a alcançar fama mundial com o romance “A Cor Púrpura” (982). Esta obra foi premiada com o Prémio Pulitzer e deu origem a um filme dirigido por Steven Spielberg, com a actriz Whoopi Goldberg no principal papel (1985). Vinte anos depois (2005), “A Cor Púrpura” seria apresentada sob a forma de musical na Broadway. Nesta obra, Alice Walker conta a história de uma mulher negra sulista, quase analfabeta, que vive uma dura realidade de pobreza, opressão e desamor, entre o racismo dos brancos e o patriarcado dos negros.
Escreveu também “De amor e desespero”, uma obra composta pelas vivências de diversas negras do sul dos Estados Unidos. Este livro é uma colectânea de contos, através dos quais se ficam a conhecer várias mulheres, com os seus diferentes temores, desafios e sonhos. Além de romances e poesias, publicou igualmente novelas e ensaios. 
Walker foi sempre uma activista pelos direitos dos negros e das mulheres, destacando-se na luta contra o apartheid e contra a mutilação genital feminina nos países africanos. Ilustrou-se também na defesa do ambiente e dos animais. Manifestou-se contra o embargo dos Estados Unidos a Cuba, país que visitou várias vezes.
Foi casada, entre 1967 e 1976, com Mel Leventhal, tendo uma filha que também é escritora e activista feminina (Rebecca Walker).
Em 1984, fundou a sua própria editora, a Wild Trees Press. Na década de 1990, Alice, que nunca escondeu a sua bissexualidade, manteve um relacionamento amoroso com a cantora Tracy Chapman. Em Junho de 2002, recusou ceder os direitos de “A Cor Púrpura” ao poderoso grupo Yediot, em resposta à política israelita nos territórios palestinianos ocupados. 

SONHAR (quadras)


domingo, 8 de fevereiro de 2015

8 DE FEVEREIRO - NICK NOLTE

EFEMÉRIDENick Nolte, de seu verdadeiro nome Nicholas King Nolte, ex-modelo, actor e produtor de cinema norte-americano, nasceu em Omaha, Nebrasca, no dia 8 de Fevereiro de 1941. Iniciou a sua carreira no teatro, em Pasadena, tendo entrado em inúmeras peças. Ficou mundialmente conhecido nos anos 1970, quando participou na série televisiva “Rich Man, Poor Man”, no papel do pobre Tom Jordache. Tornou-se famoso no cinema graças ao filme “48 horas”, ao lado de Eddie Murphy.
Como curiosidade, saliente-se o facto de ter recusado papéis que trouxeram a fama aos que acabaram por os protagonizar. Entre as suas famosas recusas, contam-se “Guerra das Estrelas”, “Indiana Jones” e “Superman”.
Nos anos 1980, entrou em vários filmes de grande sucesso e foi escolhido por Martin Scorses para uma das suas películas. Foi nomeado duas vezes para o Oscar de Melhor Actor.
Depois de vários fracassos e algumas curas de desintoxicação, passou a dedicar-se – nos anos 2000 – ao cinema independente, com excepção de duas participações em “Hulk” (2002) e “Parker” (2013).
Durante a sua carreira, já entrou em mais de 70 filmes (1972/2014). Nick Nolte foi casado três vezes, tendo um filho da sua última esposa Rebecca Linger.

"PAZ" (quadras)


"O FIEL" de GUERRA JUNQUEIRO

sábado, 7 de fevereiro de 2015

7 DE FEVEREIRO - JORGE BRUM DO CANTO

EFEMÉRIDEJorge Brum do Canto, cineasta português, morreu em Lisboa no dia 7 de Fevereiro de 1994. Nascera, também em Lisboa, em 10 de Fevereiro de 1910. Tinha por origem uma família com raízes açorianas e madeirenses. Fez o curso de liceu em Lisboa e ingressou na Faculdade de Direito, curso que não concluiu.
Ainda adolescente, começou a publicar textos sobre cinema. Em 1927, era já crítico de cinema do jornal “O Século” onde, a partir do ano seguinte, passou a assinar uma página semanal, “O Século Cinematográfico”, que duraria até 1929. Foi, entretanto, redactor e/ou colaborador de várias revistas de cinema que então floresceram em Portugal (“Cinéfilo”, “Kino”, “Imagem”, etc.).
Fascinado pelo vanguardismo francês, aos 18 anos de idade, realizou o filme “A Dança dos Paroxismos”, cuja rodagem começou nos últimos dias de 1929. O filme, produzido pela firma Mello, Castello Branco, Lda., só teve uma exibição pública em Novembro de 1930, voltando a ser projectado apenas em Outubro de 1984, na Cinemateca Portuguesa, que possui o negativo e as únicas cópias existentes.
Dois anos depois, tentou um novo filme, que ele próprio produziu (“Paisagem”), mas que nunca completara por razões financeiras. Até 1935, filmou alguns documentários, só se tornando verdadeiramente profissional quando escreveu os guiões de “As Pupilas do Senhor Reitor” para Leitão de Barros e de “O Trevo de Quatro Folhas” para Chianca de Garcia, filme em que foi assistente geral (1936).
Em 1936/37, no meio de várias vicissitudes de produção, realizou a sua primeira longa-metragem, “A Canção da Terra”, filme que foi recebido como um grande acontecimento do cinema português. A carreira de Brum do Canto estava finalmente lançada e, até aos primeiros anos da década de 1950, rodou mais seis longas-metragens. De 1953 a 1959, interrompeu os seus trabalhos no cinema e deixou Lisboa, fixando-se na ilha de Porto Santo, onde possuía grandes propriedades, dedicando-se à administração agrícola e à pesca desportiva, uma das suas paixões.
Voltaria ao cinema na década seguinte, com três filmes. Em 1973, o grande público descobriu-o igualmente como actor, em peças teatrais na Rádio Televisão Portuguesa, onde fez, com enorme sucesso, “O Grande Negócio” de Paddy Chayefsky e “12 Homens em Conflito” de Reginald Rose (ambas realizados por Artur Ramos). Ainda como actor, voltou à RTP em 1975 na série “Angústia para o Jantar” de Jaime Silva.
As suas paixões pela pesca e pela culinária deixaram também alguns registos públicos, nomeadamente como director gráfico e responsável pela secção de pesca da revista “Diana” e como co-autor (a partir da 23ª edição) de “O Livro de Pantagruel”.
Acerca da sua vida, foi feita – em 1982 – a média-metragem “Jorge Brum do Canto” (RTP, série “Quem é Quem” realizada por João Roque). A Cinemateca Portuguesa, em 1984, editou um catálogo da sua obra, com organização literária de José Matos-Cruz.

OS TEUS OLHOS (quadras)


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

6 DE FEVEREIRO - ALBERTO CAVALCANTI

EFEMÉRIDE Alberto de Almeida Cavalcanti, guionista, cenarista, produtor e realizador de cinema de origem brasileira, nasceu no Rio de Janeiro em 6 de Fevereiro de 1897. Morreu em Paris no dia 23 de Agosto de 1982.
Instalou-se em França no início de 1920, frequentando meios vanguardistas parisienses. Durante esta década, projectou cenários para cineastas experimentais franceses e realizou o seu primeiro filme – “Rien que les heures”. Adquiriu então a nacionalidade francesa.
Cavalcanti enraizou depois a sua reputação como documentarista na Grã-Bretanha, durante os anos 1930, reforçando seguidamente o seu renome, ao produzir alguns grandes filmes para os estúdios Ealing.
Em 1949, voltou ao Brasil e ajudou a organizar a Companhia Cinematográfica Vera Cruz (São Bernardo do Campo), sendo convidado a tornar-se o produtor geral da empresa. Em Novembro do mesmo ano, veio à Europa e contratou vários técnicos para irem trabalhar naquela companhia. Fez os guiões e produziu os dois primeiros filmes da empresa, “Caiçara” (1950) e “Terra É Sempre Terra” (1951). Em virtude de desentendimentos com Franco Zampari, abandonou a Vera Cruz em 1951.
Dedicou-se então à elaboração de um anteprojecto para o Instituto Nacional de Cinema, a pedido do então presidente brasileiro Getúlio Vargas.
Na Cinematográfica Maristela (São Paulo), dirigiu “Simão, o Caolho” (1952). No final desse ano, com um grupo de capitalistas, comprou a Maristela, mudando-lhe o nome para Kino Filmes e passou a ser o seu director-geral. Nesta nova empresa, realizou as obras “O Canto do Mar” (1953) e “Mulher de Verdade” (1954), que não tiveram grande sucesso. Por não ter podido continuar a arcar com as despesas, a Kino foi devolvida aos antigos proprietários.
Trabalhou na TV Record e foi depois director de teatro. Em Dezembro de 1954, partiu de novo para a Europa, onde realizou mais alguns filmes. Ao longo da sua carreira (1925/1971), dirigiu cerca de 60 películas. Faleceu na capital parisiense aos 85 anos. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

5 DE FEVEREIRO - ANTÓNIO ALVES MARTINS

EFEMÉRIDEAntónio Alves Martins, religioso, professor, enfermeiro, jornalista e político português, morreu em Viseu no dia 5 de Fevereiro de 1882. Nascera em Granja de Alijó, em 18 de Fevereiro de 1808. Foi bispo de Viseu, desde Julho de 1862.
Entrou para a Ordem de São Francisco aos dezasseis anos, ingressando pouco depois na Universidade de Coimbra. Foi expulso em 1828, por ter sido acusado de participar na Revolução Liberal do Porto. Sendo um dirigente liberal, foi condenado à morte pelos miguelistas, tendo no entanto conseguido escapar, juntamente com outros três condenados, quando já iam a caminho do local de execução.
Foi capelão da Armada em 1832, sendo eleito deputado dez anos depois. Dirigiu o jornal “Nacional”, entre 1848 e 1849, tendo-se dedicado também ao jornalismo. Em 1852, foi professor universitário e, em 1861, enfermeiro-mor do Hospital de São José. Em 1862, foi nomeado bispo de Viseu.
Assumiu-se como dirigente do Partido Reformista, entre 1868 e 1869, sendo aclamado ministro do Reino em 1870/71.
Foi depois viver para Viseu, onde viria a falecer no Paço do Fontelo, antigo Paço Episcopal da diocese.
Na estátua que lhe rende homenagem, erigida em Viseu, figura uma citação sua: «A religião deve ser como o sal na comida: nem muito nem pouco, só o necessário».

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

OS FERIADOS...


4 DE FEVEREIRO - JONATHAN LARSON

EFEMÉRIDEJonathan Larson, actor, compositor, cenarista e produtor de teatro norte-americano, nasceu em Mount Vernon no dia 4 de Fevereiro de 1960. Morreu em Nova Iorque, em 25 de Janeiro de 1996. Abordava frequentemente, nos seus trabalhos, temas como a homossexualidade, o consumo de drogas e a SIDA. Recebeu, a título póstumo, três Tony Awards e um Pulitzer Prize for Drama.
Larson conviveu com a música desde muito pequeno, tocando trompete e tuba, e participando no coro do seu colégio. Teve também aulas de piano. As suas primeiras influências musicais foram estrelas como Elton John, The Beatles e The Doors, mas também o compositor clássico de musicais Stephen Sondhein. Larson protagonizou igualmente várias peças na White Plains High School.
Ganhou uma bolsa de quatro anos na Adelphi University, em Garden City, onde actuou em inúmeras peças e musicais de teatro. Enquanto esteve na faculdade, compôs músicas para produções estudantis. Após se diplomar, participou num programa teatral de verão, em Augusta, como pianista. O resultado foi a obtenção de um cartão para ingresso na Actors 'Equity Association.
Larson mudou-se então para um sótão na esquina da Greenwich Street com a Spring Street, em Lower Manhattan. Trabalhou durante cerca de dez anos como empregado de mesa nos fins-de-semana e, durante a semana, compunha e organizava castings.
Antes de compor “Rent”, o seu musical mais famoso, escreveu inúmeras peças com variados níveis de sucesso e de produção. Entre as suas primeiras obras, encontra-se “Sacrimmoralinority”, o seu primeiro musical, que foi co-escrito com David Glenn Armstrong e originalmente encenado na Adelphi University, no inverno de 1981.
Entre 1983 e 1990, escreveu “Superbia”, peça originalmente concebida como uma versão rock futurista do livro de George Orwell, “Nineteen Eighty-Four”, embora os direitos lhe tenham sido negados pelos herdeiros do autor. “Superbia” ganhou o Richard Rodgers Production Award e o Richard Rodgers Development Grant, embora não tenha sido totalmente produzido, pelo motivo anteriormente aduzido.
Além das peças teatrais escritas antes de “Rent”, ele também escreveu várias músicas de sucesso e actuou em algumas peças. Para as suas primeiras obras, Larson ganhou uma bolsa. Recebeu igualmente o Prémio da Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores e o Gilman and Gonzalez-Falla Theatre Foundation's Commendation Award.
Foi o dramaturgo Billy Aronson quem lhe deu a ideia, em 1988, de fazer uma actualização de “La Bohème” (Puccini) para a moderna e boémia cidade de Nova Iorque. No entanto, só em 1991, Larson veio a criar “Rent”. Ambos fizeram então um acordo, segundo o qual, se “Rent” fosse para a Broadway, os dois compartilhariam a sua produção. A versão que é agora conhecida em todo o mundo não foi apresentada publicamente antes da sua morte. Larson faleceu, aos 35 anos, vítima de um aneurisma, justamente na véspera da estreia oficial. O musical “Rent” encheu plateias da Broadway durante vários anos e foi adaptado ao cinema em 2006.
Após a sua morte, a família e os amigos criaram a Jonathan Larson Performing Arts Foundation para ajudar financeiramente todos os artistas, sobretudo os escritores e compositores de musicais de teatro.
Os trabalhos de Jonathan foram doados, em 2003, à Biblioteca do Congresso Americano em Washington. 

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