domingo, 31 de agosto de 2014

31 DE AGOSTO - SÉRGIO GODINHO



EFEMÉRIDESérgio de Barros Godinho, poeta, compositor e cantor português, nasceu no Porto no dia 31 de Agosto de 1945. Como autor, compositor e intérprete, personifica perfeitamente a sua canção “O Homem dos 7 Instrumentos”. Multifacetado, representou já em filmes, séries televisivas e peças teatrais. Na dramaturgia, assinou algumas peças de teatro, assumindo-se também como realizador.
Com apenas 18 anos de idade, partiu para o estrangeiro. Primeiro, com destino à Suíça, onde estudou psicologia durante dois anos. Mais tarde, mudou-se para França. Viveu o Maio de 68 em Paris. No ano seguinte, integrou a produção francesa do musical “Hair”, onde se manteve durante dois anos. Em Paris, privou com outros músicos portugueses, como Luís Cília e José Mário Branco. Sérgio Godinho ensaiava então as suas primeiras composições, na altura em francês.
Em 1971, participou no álbum de estreia a solo de José Mário Branco “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”, como músico e como autor de quatro das letras. Nesse mesmo ano, fez a sua estreia discográfica com a edição do EP “Romance de Um Dia na Estrada” e do seu primeiro LP “Os Sobreviventes”, que foi premiado como Melhor Disco do Ano, tendo Sérgio Godinho recebido o Prémio da Imprensa para o Melhor Autor do Ano.
Em 1972, Sérgio apresentou um novo álbum, “Pré-Histórias”, que incluía um dos temas mais emblemáticos da sua carreira – “A Noite Passada”. Colaborou como letrista, no álbum “Margem de Certa Maneira” de José Mário Branco.
Em 1973, mudou-se para o Canadá, onde se casou com Shila, colega na companhia de teatro The Living Theatre. Integrou depois a companhia de teatro Genesis. Estabeleceu-se numa comunidade hippy em Vancouver e foi aqui que recebeu a notícia da Revolução dos Cravos, que o levou a regressar a Portugal. Já em terras lusitanas, editou o álbum “À queima-roupa” (1974), um sucesso que o fez correr o país, actuando em manifestações populares, que eram frequentes no pós 25 de Abril.
Sérgio Godinho foi autor então de algumas das canções mais unanimemente aclamadas da música portuguesa – “Com Um Brilhozinho Nos Olhos”, “O Primeiro Dia” e “É Terça-Feira”, entre muitas outras.
Em 1975, participou, com José Mário Branco e Fausto, na banda sonora do filme de Luís Galvão Teles “A Confederação”. No ano seguinte, escreveu a canção tema do filme de José Fonseca e Costa “Os Demónios de Alcácer Quibir”, onde participou como actor. O tema viria a ser incluído no seu novo álbum “De Pequenino se Torce o Destino” (1976).
Em 1977, colaborou em dois temas da banda sonora do filme “Nós Por Cá Todos Bem”, realizado por Fernando Lopes. O seu quinto álbum de originais, “Pano-cru”, foi editado no ano seguinte. Em 1979, foi publicado “Campolide”, que viria a receber o Prémio da Crítica “Música & Som” para o Melhor Álbum de Música Portuguesa desse ano.
Em 1980, voltou a colaborar com o realizador Fonseca e Costa, desta vez no clássico do cinema português “Kilas, o Mau da Fita”. O álbum com a banda sonora do filme foi editado nesse mesmo ano. “Canto da Boca”, novo álbum de originais, foi também lançado em 1980, tendo recebido o prémio de Melhor Disco Português do Ano, atribuído pela Casa da Imprensa e, ainda, o Sete de Ouro para o Melhor Cantor Português do Ano.
Em 1983, no seu álbum “Coincidências”, incluiu temas compostos em parceria com alguns dos mais reputados músicos brasileiros, nomes como Chico Buarque, Ivan Lins e Milton Nascimento – algo até então inédito na produção musical portuguesa.
Nos seis anos que se seguiram, Sérgio Godinho gravou mais três álbuns de originais: “Salão de Festas”, “Na Vida Real” e “Aos Amores”. Foi também editada a colectânea “Era Uma Vez Um Rapaz” (1985) e o álbum para crianças “Sérgio Godinho Canta com os Amigos do Gaspar” (1988).
Em 1990, apresentou o espectáculo “Sérgio Godinho, Escritor de Canções”, onde revisitou as suas músicas sob uma nova perspectiva: apenas dois músicos acompanhantes e num auditório mais pequeno, neste caso o Instituto Franco-Português, onde fez vinte espectáculos com grande êxito. Desses espectáculos saiu o álbum ao vivo “Escritor de Canções”.
Foi autor da série “Luz na Sombra”, exibida pela RTP 2 no Verão de 1991, onde abordou – em seis programas – algumas das profissões menos conhecidas do mundo da música: letristas, técnicos de som, produtores, etc.. Em 1992, realizou três filmes de ficção, de meia hora cada, com argumentos e músicas igualmente de sua autoria. Estes filmes, com o título genérico de “Ultimactos”, foram produzidos para a RTP, que os exibiu em 1994. Escreveu ainda “O Pequeno Livro dos Medos”, obra infanto-juvenil, que também ilustrou.
Voltou à música, com o disco “Tinta Permanente” e o espectáculo “A Face Visível”, ambos merecedores dos maiores elogios da crítica e do público.
Em Novembro de 1995, foi editado o disco “Noites Passadas”, que fora gravado ao vivo em três espectáculos realizados no Teatro S. Luiz em Novembro de 1993 e no Coliseu de Lisboa em Novembro de 1994. Ainda em 1995, foi convidado para participar na compilação de Natal “Espanta Espíritos”, com o tema original “Apenas um Irmão”, em dueto com PacMan (vocalista da banda Da Weasel).
Em Junho de 1997, foi lançado “Domingo no Mundo”, disco que contou com a participação de músicos e arranjadores de diferentes áreas musicais: (Pop, Rock, Popular, Erudita, Jazz). O disco foi apresentado com enorme êxito no Teatro Rivoli do Porto e no Coliseu de Lisboa, nos espectáculos “Godinho no Mundo”.
Em 1998, foi editado o álbum “Rivolitz”, gravado ao vivo nos espectáculos do Teatro Rivoli e no Ritz Clube, em Lisboa.
Em 2000, Sérgio Godinho voltou com o disco “Lupa”, com dez canções originais. O disco foi apresentado ao vivo, em Novembro desse ano, com dois espectáculos em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, e um no Coliseu do Porto, tendo os três concertos obtido grande sucesso.
Os seus 30 anos de carreira foram marcados pelo lançamento, em 2001, de “Biografias do Amor”, uma colectânea de canções de amor, e de “Afinidades”, uma gravação dos espectáculos em conjunto com os Clã. Em 2003, foi lançado o disco “Irmão do Meio”, onde Sérgio Godinho junta alguns amigos com quem partilha 15 canções. Entre muitos outros artistas que participaram neste disco, saliente-se Camané, Da Weasel, Jorge Palma, Teresa Salgueiro, Tito Paris, Xutos e Pontapés e alguns grandes nomes da música popular brasileira.
Ligação Directa” foi o álbum de originais que se seguiu. Editado em Outubro de 2006, pôs termo a um interregno de 6 anos durante o qual Sérgio Godinho não produzira novos discos de originais. Este álbum foi composto por 10 temas, dos quais oito de sua da autoria.
Setembro de 2011 marcou novo regresso aos discos de originais, com “Mútuo Consentimento”.

sábado, 30 de agosto de 2014

SÉRGIO GODINHO - "Com Um Brilhozinho Nos Olhos"

MOUSTAKI EM PORTUGUÊS


30 DE AGOSTO - AGEPÊ



EFEMÉRIDEAgepê, de seu verdadeiro nome Antônio Gilson Porfírio, cantor brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 30 de Agosto de 1995, vítima de cirrose. Nascera na mesma cidade em 18 de Agosto de 1942. O nome artístico decorre da pronúncia fonética das iniciais do seu nome completo (AGP).
Antes de ter fama, trabalhou como transportador de bagagem e foi também técnico projectista da extinta Telerj, que abandonou para se dedicar à vida artística.
A sua carreira teve início em 1975, quando lançou o disco com a canção “Moro onde não mora ninguém”, o seu primeiro sucesso, que seria regravado posteriormente. Lançou mais tarde o grande êxito “Deixa eu te amar”, que fez parte da banda sonora da telenovela “Vereda Tropical” de Carlos Lombardi (TV Globo). O disco “Mistura Brasileira”, que continha aquela última canção, foi o primeiro disco de samba a ultrapassar um milhão de cópias vendidas, chegando ao milhão e meio. A carreira de Agepê destacou-se por um estilo romântico e sensual, que fez escola.
Integrou a ala dos compositores da Portela, com um repertório eclético composto principalmente por baiões, e teve no compositor Canário o parceiro mais frequente. Na sua voz, tornaram-se consagradas inúmeras composições, como “Menina dos cabelos longos”, “Cheiro de primavera”, “Me leva” e “Moça criança”. Também regravou “Cama e Mesa”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, com grande sucesso.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

PEDRO BARROSO - "E assim não há poema"


29 DE AGOSTO - JUAN BAUTISTA ALBERDI



EFEMÉRIDE Juan Bautista Alberdi, teórico político, diplomata, escritor e um dos mais influentes activistas liberais argentinos de seu tempo, nasceu em San Miguel de Tucumán no dia 29 de Agosto de 1810. Morreu em Neuilly-sur-Seine, em 19 de Junho de 1884. Passou a maior parte da sua vida no exílio, em Montevideu e no Chile.
Preocupado com a necessidade de criar uma filosofia nacional fundada na liberdade do Homem, a sua obra principal “Bases y puntos de partida para la organización política de la República Argentina”, publicada em 1852, está na origem da Constituição da Argentina, ainda hoje em vigor.
Morreu em França, com 73 anos, tendo o seu corpo sido repatriado e inumado no Cemitério de la Recoleta em Buenos Aires. Continua a ser um dos autores mais conhecidos da Argentina.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

28 DE AGOSTO - JOHN HUSTON



EFEMÉRIDEJohn Marcellus Huston, actor e realizador de cinema norte-americano, morreu em Middletown, Rhode Island, no dia 28 de Agosto de 1987. Nascera em Nevada, Missouri, em 5 de Agosto de 1906.
Além do cinema, interessou-se por pintura, escultura e boxe. O pai era actor e a mãe jornalista itinerante. Ambos se divorciaram quando ele tinha seis anos de idade. De saúde débil, aos doze anos foi enviado para um sanatório, devido a ter o coração dilatado e problemas renais.
Depois dos estudos primários, dedicou-se ao boxe (anos 1920) e a uma série de exercícios físicos para melhorar a saúde. Estudou pintura e trabalhou algum tempo como jornalista e redactor.
Em 1935, foi para a Warner Brothers, onde foi cenarista, guionista e colaborador de vários filmes. Estreou-se como realizador em 1941, com “The Maltese Falcon”, cujo guião escreveu baseando-se numa novela de Dashiell Hammett. Com este filme, tornou-se um dos mestres do chamado filme noir, tendo dirigido ainda outro filme do género, que tinha a jovem Marilyn Monroe como protagonista.
Diversos dos seus filmes formaram um conjunto de obras das mais significativas da história do cinema, verdadeiros clássicos. Nos últimos anos de vida, filmou também duas incursões de Pelé no cinema, sendo a mais conhecida o filme “Fuga para a vitória”.
Como actor, protagonizou numerosos filmes, tendo ficado conhecido sobretudo a partir dos anos 1960 por ter entrado nos filmes “The Cardinal” de Otto Preminger e “Chinatown” de Roman Polanski.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi mobilizado para fazer parte da equipa de cineastas militares da US Army sob a direcção de Frank Capra. Realizou então três documentários que foram dos mais belos testemunhos sobre o conflito. Saliente-se sobretudo “Let there be light” (1946), documento capital sobre o tratamento psiquiátrico dos feridos de guerra. As imagens eram de tal modo chocantes que foram rapidamente interditas, só voltando a ser vistas no Festival de Nantes de 1981. Durante esta experiência, Huston iniciou-se nas técnicas de hipnose, familiarizando-se com a obra de Freud.
Foi nomeado quinze vezes para os Oscars, tendo ganho dois. Recebeu igualmente três Globos de Ouro, um Leão de Ouro e um de Prata. Os seus restos mortais repousam no Hollywood Forever Cemetery.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

44ºs JOGOS FLORAIS INTERNACIONAIS DE NOSSA SENHORA DO CARMO - 2014 - FUSETA

( Menção Honrosa na "Glosa de Quadra" e 2º Prémio em "Conto") - Julho 2014

27 DE AGOSTO - AMADO NERVO



EFEMÉRIDEAmado Nervo, de seu verdadeiro nome Juan Crisóstomo Ruiz de Nervo, escritor mexicano, nasceu em Tepic, Nayarit, em 27 de Agosto de 1870. Morreu em Montevideu no dia 24 de Maio de 1919. Foi membro correspondente da Academia Mexicana, visto residir então no estrangeiro, onde desempenhava funções diplomáticas.
Fez os seus estudos no estado de Michoacán. Estudou Ciências, Filosofia e Direito num Seminário, o que pôde ter influenciado o misticismo que denota nas suas obras. Trabalhou depois num escritório de advogados em Mazatlán e começou a escrever artigos para um jornal.  
Em 1894, tornou-se conhecido ao escrever na “Revista Azul”, através da qual encontrou vários autores mexicanos e estrangeiros. Publicou depois o seu primeiro romance “El bachiller” (1895) e duas recolhas de poemas (“Perlas Negras” e “Místicas”, 1898). Pertencia ao movimento poético modernista hispano-americano.
Em 1900, viajou até à capital francesa, como enviado especial do jornal “El Imparcial” à Exposição Universal de Paris. Aqui conheceu Oscar Wilde e também o grande amor da sua via, Ana Cecilia Luisa Daillez, cuja morte prematura em 1912 lhe inspirou o livro de poemas “La Amada Inmóvil ”, publicado postumamente em 1922. Viajou pela Europa e escreveu vários livros: “Poemas” (1901), “El éxodo y las flores del camino”, “Lira heróica” (1902), “Las voces” (1904) e “Jardines interiores” (1905).
Por volta de 1905, tornou-se secretário da embaixada do México em Madrid, escrevendo também alguns artigos para a revista “Ateneo”. Continuou a publicar livros (romances, poesias, ensaios e mesmo uma biografia). Em 1909, traduziu e comentou o “Manifesto do Futurismo” de Marinetti.
Em 1914, a Revolução Mexicana interrompeu o serviço diplomático e Amado Nervo viveu com dificuldades. Voltou ao seu país em 1918, sendo enviado como ministro plenipotenciário à Argentina e ao Uruguai. Faleceu no ano seguinte, com 48 anos, sendo trasladado mais tarde para o México, onde repousa na Rotonda de las Personas Ilustres.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

26 DE AGOSTO - JIM DAVIS



EFEMÉRIDEJim Davis, actor norte-americano que ficou famoso pela sua participação na série televisiva “Dallas”, nasceu em Edgerton, Missouri, no dia 26 de Agosto de 1909. Morreu em Northridge, Califórnia, em 26 de Abril de 1981. Apesar de uma carreira longa e prolífica, Davis só no fim da sua vida se tornou um actor conhecido em todo o mundo.
Filho de um agente funerário e destinado provavelmente a seguir os passos do pai, deixou o lar – ainda jovem – para se juntar a um circo. Um ano depois, tornou-se agente de vendas dos produtos “Quaker”, em Los Angeles. Foi assim que conheceu Sandro Berman, produtor da MGM, que lhe ofereceu um contrato. Apareceu então em alguns filmes secundários, antes de se alistar na Guarda Costeira quando começou a Segunda Guerra Mundial. Terminado o conflito, foi parceiro de Van Johnson em “The Romance of Rose Ridge” (1947) e acreditou ter chegado a sua grande oportunidade quando Bette Davis o escolheu para seu par em “Winter Meeting” (1949), produzido pela Warner. O filme foi no entanto um completo fracasso, tanto junto do público como da crítica, e Bette culpou-o por isso. Hollywood fez com que Jim Davis pagasse caro o insucesso do filme, passando a confiar-lhe apenas papéis menores, dos quais nunca conseguiu desenvencilhar-se.
Saiu-se melhor na televisão, onde apresentou os trinta e nove episódios da série western “Stories of the Century” (1954/55) e estrelou os setenta e três de “Rescue 8 (1958/60), precursora da mais conhecida “Emergency”. Também participou em vários telefilmes e em muitas outras séries, entre elas “Lassie”, “Perry Mason” e “Bonanza”.
Davis foi casado uma única vez, com Blanche Hammerer, sua companheira durante toda a vida. Tiveram uma filha que foi vítima de uma tragédia: após ter um acidente automobilístico, entrou em coma vegetativo e os pais decidiram desligar os aparelhos que a mantinham viva. Abalado com a morte da filha, Davis foi resvalando silenciosamente para o esquecimento, quando – em 1978 – foi convidado para representar Jock, o chefe da família Ewing, na premiada série “Dallas”. Inesperadamente, tornou-se uma celebridade, reconhecido e apontado pelo público onde quer que estivesse. Contudo, essa popularidade repentina só pôde ser saboreada até 1981. Diagnosticado com um cancro em 1980, Davis continuou a trabalhar mas faleceu após cirurgia a uma úlcera estomacal, detectada entretanto.
Durante a sua carreira (1941/1981), terá participado em mais de 150 filmes e efectuado pelo menos 300 aparições em séries de televisão.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

25 DE AGOSTO - SALIF KEÏTA



EFEMÉRIDE Salif Keïta, músico e cantor maliano, nasceu em Djoliba no dia 25 de Agosto de 1949. Conhecido como “A voz dourada de África”, é albino e descendente directo do fundador do Império Mali, Soundjata Keïta. A sua música é uma mistura de estilos tradicionais da África Ocidental, da Europa e da América. Entre os instrumentos musicais que mais utiliza, incluem-se balafons, guitarras, koras, órgãos, saxofones e sintetizadores.
Keïta começou por ser ostracizado devido ao seu albinismo, que é um sinal de azar segundo a cultura local. Depois dos estudos, sonhou ser professor, mas foi recusado por causa de insuficiência visual. Decidiu tornar-se cantor, contra a vontade da família e das tradições locais, e juntou-se à banda “Super Rail Band” em 1967. Rejeitado pela família, partiu no ano seguinte para Bamako, onde integrou o grupo do saxofonista Tidiani Koné.
Em 1973, aderiu a outro grupo, “Les Ambassadeurs”. Já com ele incluído, a banda fugiu da instabilidade política do país em meados de 1970, indo para Abidjan, na Costa do Marfim, e mudando o nome para “Les Ambassadeurs Internationales”. Ganharam reputação internacional e, em 1977, Keïta recebeu o prémio National Order das mãos do presidente da Guiné, Sékou Touré.
Em 1978, gravou o seu primeiro álbum (“Mandjou”). Em 1980, publicou dois discos nos Estados Unidos, “Primpin” e “Tounkan”. Keïta mudou-se então para Montreuil, França, com o objectivo de prosseguir a sua carreira. Antes, reencontrou a família em Bamako. Neste mesmo ano, participou no Festival de Músicas Mestiças em Angoulême. Animou numerosas festas tradicionais da comunidade maliana imigrada. No ano seguinte, gravou um álbum colectivo (“Tam tam para África”), em benefício da Etiópia, país fustigado pela fome. 
Em 1986, lançou o álbum “Soro”, cantado em língua malinké. Este disco foi revolucionário e levou a que Salif fosse considerado uma estrela internacional. Participou no Festival des Francofolies em La Rochelle (1987) e num concerto em Londres, quando do 70º aniversário de Nelson Mandela. Lançou em 1989 o seu segundo álbum em França, “Ko-Yan”, em que – através da canção “Nous pas bougé” – abordou os problemas encontrados pelos imigrantes malianos em território francês.
O seu álbum “Folon” foi publicado em 1995, dedicado às crianças albinas, para as quais criou mesmo uma associação. A partir de 1996, se bem que continuasse instalado em Montreuil, abriu um estúdio de gravação em Bamako, para ajudar os jovens músicos malianos.
Em Junho de 1999, lançou um novo álbum intitulado “Papa”, onde evocou o pai, falecido dois anos antes. Em Dezembro de 2004, em Joanesburgo, foi distinguido nos “Kora Awards” pelo conjunto da sua carreira. Em Julho de 2010, foi nomeado Embaixador da Paz pelo presidente da comissão da União Africana.  

domingo, 24 de agosto de 2014

24 DE AGOSTO - SIMONE WEIL



EFEMÉRIDESimone Adolphine Weil, escritora, mística e filósofa francesa, morreu em Ashford no dia 24 de Agosto de 1943. Nascera em Paris, em 3 de Fevereiro de 1909.
Lutou na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos, e na Resistência Francesa, em Londres. Atingida pela tuberculose, não admitiu receber alimentação diferente da ração diária atribuída aos soldados, nos campos de batalha, ou aos civis através das senhas de racionamento. Com a progressiva deterioração de seu estado de saúde, desnutrida, faleceu poucos dias depois do seu internamento hospitalar.
Nascida numa família alsaciana judia mas não praticante, revelou precocemente uma inteligência notável mas também uma mentalidade excêntrica. Recusava-se frequentemente a comer por razões "idealísticas" e estava determinada a permanecer virgem. Já falava grego arcaico aos doze anos de idade. Em Junho de 1925, obteve um bacharelado em Filosofia e esteve depois três anos no Liceu Henri IV para preparar o exame da Ecole Normale Supérieure, sob a supervisão do filósofo anti-conformista “Alain” (que a apelidou de “Marciana”, por causa das roupas estranhas que ela habitualmente usava). Foi uma das duas primeiras mulheres a estudar nesta instituição.
Em 1931, tornou-se professora numa escola secundária para raparigas, em Le Puy, onde ganhou outra alcunha exótica: “Virgem Vermelha", algo como uma mistura de freira e de anarquista. Compartilhava a prosaica actividade de professora com períodos exaustivos, em que trabalhava em quintas e fábricas. Segundo ela, o papel apropriado para a ciência era permanecer integrada na vida produtiva, sem o que se tornaria um mero sistema remoto de sinais vazios. Depois de dizer para as suas alunas que «a família era a prostituição legalizada e a esposa uma amante reduzida à escravidão», foi transferida de escola e de cidade.
Em Agosto de 1932, viajou até Berlim para verificar de perto a situação na Alemanha e a ascensão do nazismo, constatando o impasse do movimento revolucionário, entalado – de um lado – por uma social-democracia reformista, cujos líderes, bastante próximos dos governantes da República de Weimar, eram por demais estranhos ao proletariado; do outro, por um partido comunista fragilizado, que agrupava desempregados e escolhia os social-democratas como principais adversários. Ambos deixavam o campo aberto para o avanço de Hitler e do nacional-socialismo. As suas impressões de viagem foram registadas em diversos artigos escritos entre 1932 e 1933.
Em 1934, afastou-se durante dois anos do ensino para tentar viver como e entre os operários. Todavia, a sua resistência física só lhe permitiu levar o projecto até Agosto de 1935, visto que adoeceu com uma inflamação na pleura, quando trabalhava na linha de montagem de carros da Renault. Ficou tão traumatizada com a sua experiência fabril, que abandonou imediatamente quaisquer noções românticas que ainda tivesse sobre o proletariado e a sua habilidade para o ajudar. Descobriu que, na maioria das vezes, a opressão não provocava a rebelião, mas sim a obediência e a apatia.
Com base na sua experiência pessoal, argumentou – no ensaio “Expérience de la vie d'usine” – que a automatização é uma bela coisa, ao eliminar o trabalho penoso e servil, mas que a super-automatização transformava um trabalhador qualificado num mero intermediário entre a maquinaria e as coisas a serem processadas. A única solução possível, segundo Simone, não seria um retorno ao modo rude da manufactura, mas sim automatizar somente as tarefas mais ingratas. Para todas as outras actividades, deveria combinar-se a precisão da máquina com a assistência habilitada do trabalhador, exigindo do operador pró actividade, iniciativa e uma apreensão inteligente das partes operacionais.
Em Julho de 1936, com a eclosão da Guerra Civil Espanhola, Simone juntou-se à causa republicana. Mesmo sendo míope e frágil, recebeu um rifle e foi incorporada numa unidade de anarquistas. Sem nenhuma preparação para a vida militar, enfiou um pé numa panela de óleo a ferver e teve de ser resgatada pelos pais, que a mandaram para Assis, em Itália, para se tratar. Desanimada com as atrocidades que havia visto cometer nos dois lados, Simone reafirmou o seu pacifismo.
Forçada a parar de ensinar por causa de constantes enxaquecas, Simone tornou-se crescentemente obcecada por questões metafísicas. Em acréscimo ao seu conhecimento enciclopédico, que ia da poesia de Homero às últimas descobertas em teorias matemáticas, ela começou a estudar os gnósticos, os pitagóricos, os estóicos e o budismo. Devorou o “Livro dos Mortos” egípcio e ficou tão impressionada com o “Bhagavad Gita” que começou a aprender sânscrito por conta própria.
Com o início dos conflitos entre a França e a Alemanha em Setembro de 1939, Simone deixou claro em diversos artigos publicados nos “Nouveaux Cahiers” que, apesar do medo e da raiva que os nazis lhe causavam, era uma irresponsabilidade que políticos e jornalistas franceses os retratassem como bárbaros desumanos, visto que «todo o povo que se torna uma nação, submetendo-se a um estado centralizado, burocrático e militarizado, torna-se igualmente e permanece um flagelo para os seus vizinhos e para o mundo», ou seja, a França não seria diferente deles. Em 1940, quando os alemães entraram em Paris, ela fugiu para Marselha, onde passou a colaborar, sob o pseudónimo de “Emile Novis”, no jornal “Les Cahiers du Sud”, organizado por um grupo de escritores fugitivos.
Numa colónia agrícola católica, distante dos pais que estavam em segurança nos Estados Unidos, Simone pôde praticar o ascetismo do modo como sempre havia desejado. Trabalhava nos campos e vinhedos ao lado dos camponeses, dormia num saco cama no chão e alimentava-se somente de cebolas e de tomates. Escrevia também muito.
Em Abril de 1942, emigrou para os Estados Unidos, mas desde logo começou a planear o seu regresso à Europa. Escreveu para o governo provisório francês exilado em Londres, expressando a sua ânsia em pular de pára-quedas sobre a França ocupada, numa «missão secreta, de preferência perigosa». Também começou a escrever uma nova série de diários. Albert Camus considerou-a «o único grande espírito do nosso tempo». Valendo-se dos seus contactos, Simone conseguiu finalmente ser chamada a Londres, onde foi encarregada de analisar todas as sugestões de «como organizar a França depois da guerra». Desapontada com o nacionalismo antiquado dos gaulistas, logo renunciou ao cargo e afirmou que não tinha o direito de comer mais do que os seus camaradas na França ocupada. Passou mesmo fome até ter de ser hospitalizada.
Depois de nova recuperação, fez um último esforço para compilar as suas ideias sobre a tão sonhada “sociedade sem opressão”. O resultado foi "L'Enracinement" (“O Enraizamento”). «A política deve ser algo mais do que impor uma ideologia sobre a táctica particular de um grupo social que queremos levar adiante», concluiu Simone. «Deverá ser uma reflexão inteligente sobre a realidade, conduzida por pensadores profundos».
Enviada para um sanatório no campo, recusou alimentar-se, insistindo que as suas refeições deveriam ser enviadas para França. Morreu de paragem cardíaca, aos 34 anos de idade, no Sanatório Grosvenor, em Ashford (Kent). A uma rua da cidade, foi dado o seu nome.

sábado, 23 de agosto de 2014

23 DE AGOSTO - ARTHUR ADAMOV



EFEMÉRIDEArthur Adamov, tradutor e escritor francês de origem arménia, nasceu em Kislovodsk, no Cáucaso, em 23 de Agosto de 1908. Morreu em Paris no dia 15 de Março de 1970, vítima de uma overdose de barbitúricos.
Nascido numa família rica da Arménia, acompanhou os pais que deixaram a Rússia em 1914 para residir no estrangeiro. A família Adamov, como muitas outras da época, sofreu importantes revezes na sua fortuna, quando da Revolução Russa de Outubro de 1917. Por outro lado, o pai, jogador obsessivo, viria a suicidar-se em 1933, depois de ter perdido ao jogo o resto dos seus bens.  
Como numerosos russos afortunados, Arthur foi educado segundo a cultura francesa, tendo feito os seus estudos na Suíça e na Alemanha. Em 1924, a família instalou-se em Paris, onde ele veio a frequentar os meios surrealistas, tendo participado também na publicação da revista “Discontinuité”. Escreveu nesta época a sua primeira peça teatral (“Mort chaude”).
Durante a Segunda Guerra Mundial, refugiou-se em Marselha, mas foi detido e preso durante seis meses, no campo de concentração de Argelès-sur-Mer, por ter tomado posições hostis para com o regime colaboracionista de Vichy.
A guerra da Argélia, durante a segunda metade dos anos 1950, radicalizou as suas posições, o que o levou a aderir, primeiro ao comunismo (anos 1960) e, a partir de 1968, a diversos movimentos de extrema-esquerda.
Em 1964, durante um ciclo de conferências dadas nos Estados Unidos sobre a Literatura Francesa e o Teatro Moderno, participou em diversas manifestações contra a guerra do Vietname.
Em paralelo com a escrita de peças de teatro, fez várias traduções de grandes autores clássicos romanescos e teatrais russos, alemães e suecos. Graves problemas financeiros e fiscais fizeram-no, porém, mergulhar no alcoolismo.
O teatro de Adamov, inicialmente influenciado pelo surrealismo, adoptou depois a corrente teatral do absurdo, tendo optado posteriormente por temáticas sociais e políticas, seguindo a linha de Bertold Brecht.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

22 DE AGOSTO - HENRI CARTIER-BRESSON



EFEMÉRIDEHenri Cartier-Bresson (“HCB”), fotógrafo francês considerado um dos pais do fotojornalismo mundial, nasceu em Chanteloup-en-Brie no dia 22 de Agosto de 1908. Morreu em Montjustin, em 3 de Agosto de 2004.
Oriundo da classe média (família de industriais têxteis, relativamente abastada), recebeu como prenda, ainda criança, uma câmara fotográfica Brownie Kodak, com a qual produziu inúmeros instantâneos durante as férias. A sua obsessão pelas imagens levou-o a testar também uma máquina de filmar de 35mm. Além disto, Bresson desenhava e pintava, tendo ido para Paris em 1927 para estudar Artes num estúdio em Montparnasse. Durante o serviço militar, relacionou-se com Max Ernst, André Breton e outros surrealistas
Em 1930, com 22 anos, viajou até África, onde ficou um ano. Uma doença tropical, porém, obrigou-o a voltar a França. Foi neste período, durante uma viagem a Marselha, que ele descobriu verdadeiramente a fotografia, inspirado por uma foto do húngaro Martin Munkacsi, publicada na revista “Photographies” (1931) e que mostrava três rapazes negros a correrem para o mar.
Foi militante comunista entre 1936 e 1946. Em 1937, casou com Eli, uma dançarina javanesa, célebre sob o nome artístico Ratna Mohini. Com ela, militou pela independência da Indonésia.
Quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, serviu o exército francês. Durante a invasão alemã, foi capturado e levado para um campo de prisioneiros de guerra. Tentou fugir por duas vezes e somente à terceira tentativa teve sucesso, juntando-se à Resistência Francesa em Lyon.
Regressada a paz, Cartier-Bresson fundou em 1947 a célebre agência fotográfica Magnum, juntamente com Bill Vandivert, Robert Capa, George Rodger e David Seymour. Revistas como a “Life”, “Vogue” e “Harper's Bazaar” contrataram-no para viajar pelo mundo. Da Europa aos Estados Unidos, da Índia à China, Bresson fixou os seus pontos de vista sobre a actualidade. Tornou-se também o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a registar a vida na União Soviética e fotografou os últimos dias de Gandhi.
Na década de 1950, foram lançados vários livros com os seus trabalhos, sendo o mais importante “Images à la Sauvette”, publicado em inglês sob o título “The Decisive Moment” (1952). Em 1960, uma mega exposição com quatrocentos trabalhos seus foi apresentada nos Estados Unidos.
No princípio de 1963, fez uma foto reportagem em Cuba, depois da “crise dos mísseis”, que foi publicada com grande relevo na revista “Life”.
Nos últimos trinta anos de vida, consagrou-se mais à organização da sua obra, se bem que guardasse sempre à mão uma objectiva Leica… Não gostava de fotografias a cores, fazendo-as apenas por necessidades profissionais. Dedicou-se, então, mais ao desenho, o que lhe permitia uma maior reflexão.
Em 1996, foi nomeado professor honorário da Academia das Belas Artes da China, o que não o impediu de escrever uma carta às autoridades chinesas para denunciar as persecuções no Tibete. Budista, assistia regularmente aos ensinamentos do 14º Dalai-Lama (que também fotografou), militando pela causa tibetana.
Em 2003, com 95 anos, um ano portanto antes da sua morte, foi criada em Paris uma fundação com o seu nome, para assegurar a conservação e apresentação das suas obras e, igualmente, para apoiar e expor trabalhos de outros fotógrafos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

21 DE AGOSTO - RODOLFO FOGWLL



EFEMÉRIDERodolfo Enrique Fogwill, sociólogo e escritor argentino, morreu em Buenos Aires no dia 21 de Agosto de 2010, vítima de problemas pulmonares causados pelo tabaco. Nascera, igualmente na capital argentina, em 1941.
Foi professor na Universidade de Buenos Aires, editor de uma colecção de livros de poesia, ensaísta, novelista, romancista e colunista especializado em comunicação, literatura e política cultural. Dirigiu igualmente empresas de publicidade e de marketing.
O sucesso da sua novela “Muchacha punk”, que recebeu o 1º Prémio num importante concurso literário realizado em 1980, levou-o a dedicar-se exclusivamente à vida literária.
Alguns dos seus textos foram publicados em antologias editadas nos Estados Unidos, Cuba, México e Espanha. O seu romance “Los Pichiciegos” foi uma das primeiras obras mundiais a tratar da Guerra das Malvinas, conflito que opôs a Argentina ao Reino Unido, em 1982.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

TEMPO E SONHO (glosa)




Sonho é fumo que esvoaça!
Não se consegue agarrar…
Por isso é que o homem passa
A vida inteira a sonhar!
Álvaro Manuel Viegas Cavaco

TEMPO E SONHO

1
P’ra seguir nosso caminho
E destino que ele nos traça,
Temos de ir devagarinho:
- Sonho é fumo que esvoaça!

2
Ele voa com tal aprumo
Que, p’ra poder navegar,
Vogamos quase sem rumo:
- Não se consegue agarrar…

3
Criamos novas quimeras,
Lutamos com muita raça,
Enfrentamos mesmo feras…
Por isso é que o homem passa

4
O tempo em lutas sem fim,
Sem vontade de vergar,
Podendo levar assim
A vida inteira a sonhar!

Gabriel de Sousa

NB2º Prémio nos 44ºs Jogos Florais Internacionais de Nossa Senhora do Carmo – 2014 (Fuseta)

LINDO! - Lara Fabian - Caruso


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