segunda-feira, 30 de novembro de 2009

EFEMÉRIDE António Jesus Correia, desportista de eleição português, versátil, tendo jogado em simultâneo e ao mais alto nível futebol e hóquei em patins, faleceu em 30 de Novembro de 2003. Nascera em Paço de Arcos no dia 3 de Abril de 1924.
No futebol, fez parte dos famosos “Cinco Violinos”, juntamente com Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano, conquistando para o Sporting Clube de Portugal sete Campeonatos Nacionais (dois tricampeonatos) e três Taças de Portugal. No início de 1947 estreou-se na Selecção Portuguesa, onde jogou até 1952.
No hóquei, jogou no Paço d’Arcos, onde foi oito vezes Campeão Nacional, entre 1942 e 1955. Para além de ser campeão nacional, conquistou ainda seis títulos europeus e seis mundiais.
Na época de 1952/53, quando tinha 28 anos, o Sporting quis tê-lo em exclusivo, pelo que Jesus Correia foi obrigado a optar entre o futebol e o hóquei em patins. Contra todas as expectativas, optou pelo hóquei, dizendo adeus ao futebol de alta competição. Alegou então que as exigências do hóquei eram menores e, como já caminhava para os 30 anos, ser-lhe-ia mais fácil manter um alto rendimento naquela modalidade.
Na adolescência tentara ingressar na equipa de futebol do Belenenses, tendo sido rejeitado. Este facto fez com que colocasse o futebol de lado e começasse a praticar hóquei em patins, ingressando na equipa do Paço d’Arcos. Trabalhava no Grémio dos Armazenistas de Mercearia.
Regressou ao futebol em 1943, quando o Sporting o contratou por indicação do seu treinador Joseph Szabo, que morava perto de Paço de Arcos.
Mesmo depois de abandonar o futebol continuou ligado afectivamente ao Sporting, que o distinguiu em 1993 com o Prémio Stromp na categoria “Saudade” e com a Medalha de Ouro do Clube. Em Agosto de 2003, três meses antes de falecer, deu o pontapé de saída na inauguração do actual estádio do Sporting. Jesus Correia foi um marco no desporto nacional e, quando morreu, era o último sobrevivente dos “Cinco Violinos”.

domingo, 29 de novembro de 2009

EFEMÉRIDENatalie Wood, de seu verdadeiro nome Natalia Nikolaevna Zakharenko, depois mudado para Natasha Nikolaevna Gurdin, actriz norte-americana, morreu perto da Ilha de Santa Catalina, Califórnia, em 29 de Novembro de 1981. Nascera em São Francisco no dia 20 de Julho de 1938.
Os pais eram russos emigrados, que mal falavam inglês e que trocaram o apelido para Gurdin depois da obtenção da cidadania norte-americana.
Foi casada duas vezes com o actor Robert Wagner, de 1957 a 1961 e de 1972 até à sua morte. Esteve casada também com o actor Richard Gregson de 1969 a 1971.
Natalie passou a ter medo de morrer afogada depois de sobreviver a um quase afogamento, durante as filmagens de “The Green Promise”, quando era ainda criança. Tragicamente, o seu maior temor foi a causa da sua morte, em circunstâncias nunca completamente esclarecidas. Natalie, que nunca soubera nadar, após uma violenta discussão com o marido e com o actor Christopher Walken, com quem estava a filmar “Brainstorm” (só estreado em 1983), deixou o iate do marido, numa noite chuvosa, utilizou um pequeno bote de borracha e desapareceu na escuridão da noite. Ela estaria envolvida num romance com o actor e o marido, ocupado com a produção e participação nas séries “As Panteras” e "Casal 20", teria demorado a descobrir o que se passava. Estranhamente, Robert convidou-o a passar um fim-de-semana e feriado com o casal no seu iate "Splendour". Na noite da morte eles consumiram grandes quantidades de álcool. Houve fortes indícios de que Natalie se tenha suicidado.
Em 1943, Natalie participou no seu primeiro filme “Happy Land”, quando tinha apenas quatro anos de idade. Três anos depois, apareceu no segundo filme “Tomorrow Is Forever”. Em 1947 filmou “Milagre na Rua 34”, filme considerado até hoje um clássico “do Natal”. Como actriz ainda infantil, Natalie foi muito activa, entrando em 18 filmes, do final dos anos 1940 ao início dos anos 1950.
Em 1955, com 17 anos, Natalie integrou o elenco de “Fúria de viver” juntamente com James Dean. O seu papel neste filme valeu-lhe a primeira nomeação para o Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e o Globo de Ouro de Revelação, acontecimentos que marcaram o seu desenvolvimento como actriz adulta.
Na segunda metade dos anos 1950 e nos anos 1960 participou em vários filmes, ainda hoje recordados, entre os quais “A corrida do século”, ao lado de Jack Lemmon e Tony Curtis, e “West Side Story”. Em 1966 afastou-se do cinema durante três anos, voltando a filmar só em 1969, mas a um ritmo mais lento, dedicando-se à família. Tinha duas filhas, uma de cada marido.
Ao todo fez 56 filmes para televisão e cinema e foi nomeada três vezes para os Oscars (1955, 1961 e 1963). Em 1979 ganhou o seu segundo Globo de Ouro com “From Here to Eternity”. Morreu aos 43 anos.

sábado, 28 de novembro de 2009

EFEMÉRIDERichard Nathaniel Wright, escritor e jornalista afro-americano, faleceu em Paris no dia 28 de Novembro de 1960. Nascera em Natchez (Mississípi), em 4 de Setembro de 1908. Foi o primeiro romancista negro a escrever um livro que foi bestseller.
Neto de escravos, Richard Wright passou uma infância difícil em Jackson, no Mississípi, abandonado por um pai alcoólico e criado pela mãe. Em 1925 mudou-se para Memphis e foi nesta época que se sentiu atraído pela Literatura.
Depois de exercer vários pequenos ofícios, partiu em 1927 para Chicago onde, em 1935, começou a colaborar no “Federal Writers' Project”. Em 1938 publicou a recolha de novelas “Uncle Tom's children” que ganhou no ano seguinte o prémio “Guggenheim Fellowship”.
Membro do Partido Comunista dos Estados-Unidos, do qual se afastaria em 1940, a sua obra ficou marcada pelas condições de vida dos Negros na América e pelos perigos do fundamentalismo religioso.
Nos anos 1950, foi uma das vítimas do maccartismo, também conhecido por “Caça às Bruxas”, sendo inscrito numa lista negra. Abandonou então os Estados-Unidos, instalando-se com a família em Paris, onde conheceu Jean-Paul Sartre. Viveu nesta cidade até ao fim da vida, sendo enterrado no célebre cemitério “Père Lachaise”.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

EFEMÉRIDE - Luís Maria da Costa de Freitas Branco, compositor português e uma das mais importantes figuras da cultura portuguesa do século XX, faleceu em Lisboa no dia 27 de Novembro de 1955. Nascera, também na capital portuguesa, em 12 de Outubro de 1890.
Educado num meio familiar aristocrático, intimamente ligado à família real, muito novo tomou contacto com a música, aprendendo a tocar violino e piano. Aos catorze anos compôs canções que atingiram grande popularidade. Aos dezassete começou a escrever críticas musicais no “Diário Ilustrado”. Estudou também órgão.
Em 1910 viajou para Berlim, onde estudou composição, música antiga e metodologia da história da música. Em Maio de 1911 foi até Paris, onde conheceu Debussy e a estética do Impressionismo, mantendo-se a par da melhor música europeia. Em 1916 foi nomeado professor no Conservatório de Lisboa, sendo seu subdirector entre 1919 e 1924.
Desenvolveu actividade em diversos domínios da vida cultural. É considerado uma figura incontornável do modernismo português, pela qualidade vanguardista de obras como “Paraísos Artificiais” ou “Vathek”. Mais tarde, enveredaria por um caminho de maior inspiração clássica e neo-romântica, de que são exemplo as quatro sinfonias, e onde também foi notório um profundo interesse pelo passado polifónico português.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Humor negro...
EFEMÉRIDEGregório de Matos e Guerra, alcunhado de Boca do Inferno, advogado e poeta luso-brasileiro, faleceu no Rio de Janeiro em 26 de Novembro de 1695, vítima de uma febre contraída em Angola. Nascera em Salvador da Bahia no dia 23 de Dezembro de 1636. É considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da sua época, em língua portuguesa.
Gregório nasceu numa família com poder financeiro alto (empreiteiros de obras e funcionários administrativos). O pai era português, natural de Guimarães. Legalmente, a sua nacionalidade é portuguesa, já que o Brasil só se tornou independente no século XIX.
Em 1642 estudou no Colégio dos Jesuítas, na Bahia. Em 1650 continuou os estudos em Lisboa e, em 1652, na Universidade de Coimbra, onde se formou em Cânones. Em 1663 foi nomeado juiz de fora de Alcácer do Sal.
Em 1668 teve a função de representar a Bahia nas cortes de Lisboa. Em 1672, o Senado da Câmara da Bahia outorgou-lhe o cargo de procurador. Em 1674 foi novamente representante da Bahia nas cortes.
Em 1679 foi designado para Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia. Em 1682 D. Pedro II, rei de Portugal, nomeou-o tesoureiro-mor da Sé, um ano depois de ter tomado ordens menores. Em 1683 voltou ao Brasil.
O novo arcebispo destituiu-o dos seus cargos por ele não querer usar batina nem aceitar a imposição das ordens maiores. Começou, então, a satirizar os costumes de todas as classes sociais baianas, a que chamava "canalha infernal". Desenvolveu uma poesia corrosiva e erótica (quase ou mesmo pornográfica), apesar de também ter andado por caminhos líricos e sagrados.
Em 1685, o promotor eclesiástico da Bahia denunciou os seus costumes libertinos ao tribunal da Inquisição, acusando-o, por exemplo, de difamar Jesus Cristo e de não mostrar reverência, tirando o barrete da cabeça quando passava uma procissão. A acusação não teve consequências.
Entretanto, as inimizades foram crescendo proporcionalmente aos poemas que escrevia. Em 1694, acusado por vários lados e correndo o risco de ser assassinado, foi deportado para Angola.
Como recompensa por ter ajudado o governo local a combater uma conspiração militar, recebeu permissão de voltar ao Brasil, desde que não fosse à Bahia. Minutos antes de morrer, no Recife, pediu que dois padres viessem a sua casa para ficarem um de cada lado do seu corpo e, representando-se a si mesmo como Jesus Cristo, alegou «estar morrendo entre dois ladrões, tal como Cristo ao ser crucificado».
A alcunha “Boca do Inferno” foi dada a Gregório em virtude da sua ousadia em criticar a Igreja Católica, muitas vezes ofendendo padres e freiras.
Em 1850, o historiador Francisco Adolfo Varnhagen publicou em Lisboa 39 dos seus poemas, na colectânea “Florilégio da Poesia Brasileira”. Afrânio Peixoto editou os restantes, de 1923 a 1933, em seis volumes a cargo da Academia Brasileira de Letras, excepto a parte pornográfica que só seria publicada em 1968.
A sua obra tem um cunho bastante satírico e moderno para a época em que foi escrita, além de chocar pelo teor erótico de alguns dos seus poemas.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Piada (?) feminista...

EFEMÉRIDEGérard Philipe, um dos mais famosos actores franceses do seu tempo, morreu em Paris no dia 25 de Novembro de 1959. Nascera em Cannes, em 4 de Dezembro de 1922.
Fez toda a sua escolaridade no Instituto Stanislas em Cannes, tendo obtido o bacharelato no princípio da guerra. O pai augurava-lhe uma carreira de jurista mas, com o apoio da mãe, Gérard Philipe optou por tornar-se comediante. Teve aulas de teatro antes de se mudar, ainda adolescente, para Paris, onde estudou no Conservatório Nacional Superior de Arte Dramática. Aos dezanove anos, estreou-se como actor de teatro em Nice e, no ano seguinte, a sua interpretação na peça “Calígula”, de Albert Camus, levou-o a ser convidado para trabalhar no Théâtre National Populaire de Jean Vilar. Teve actuações inesquecíveis, interpretando, entre outras peças, “Sodoma e Gomorra” de Jean Giraudoux, “O Cid” de Corneille, “Lorenzaccio” de Musset e “Ruy Blas” de Victor Hugo.
Fez o seu primeiro filme em 1943 (“Les Petites du Quai aux Fleurs”). Em Agosto de 1944 participou na Libertação de Paris, fazendo parte da Resistência Francesa e do Partido Comunista.
Tornou-se famoso com a sua performance em “Le Diable au corps” (1947). Em 1952 interpretou Fanfan, no filme “Fanfan la Tulipe”, contracenando com Gina Lollobrigida, o que lhe valeu tornar-se um ídolo da juventude nos quatro cantos do mundo.
Utilizou a sua voz para gravar textos de Marx e “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry. Nos anos 1950 foi um dos primeiros signatários do “Apelo de Estocolmo” contra o armamento nuclear e tornou-se presidente do Sindicato Francês dos Artistas Intérpretes, onde se revelaria um grande líder sindical.
Estava no auge da sua carreira quando, poucos dias antes de seu 37º aniversário, sofrendo de um carcinoma hepático, foi vítima de uma crise cardíaca mortal.
Em 1961, o seu retrato foi representado num selo postal francês. Em 1995, o governo francês lançou uma série de moedas de edição limitada que incluía uma moeda de 100 francos com a sua imagem.
A sua viúva, Anne Philipe, escreveu duas biografias do marido, intituladas “Recordações” (1960) e “O Tempo de um Suspiro” (1964).

terça-feira, 24 de novembro de 2009

EFEMÉRIDEEmir Kusturica, cineasta e músico sérvio, nasceu em Sarajevo (na antiga Jugoslávia, actualmente Bósnia-Herzegovina) no dia 24 de Novembro de 1954. Com muitos trabalhos internacionalmente aclamados, Kusturica é considerado um dos mais criativos realizadores dos anos oitenta e noventa.
Kusturica começou a fazer cinema ainda no colégio, dirigindo filmes independentes. Alguns destes foram premiados em festivais nacionais para amadores. Estudou na “FAMU”, uma famosa academia cinematográfica de Praga, entre 1973 e 1977. Brilhante aluno, ganhou o primeiro prémio do Festival Internacional de Cinema Estudantil de Karlovy-Vary, na então Checoslováquia, com o seu projecto final de graduação, a curta-metragem a preto-e-branco “Guernica” (1978).
De volta à Jugoslávia, Kusturica trabalhou para a Televisão, onde conquistou o primeiro prémio num Festival da Televisão Jugoslava, realizando igualmente vários filmes.
Para além de cineasta, Emir Kusturica é também músico, tendo um conjunto musical denominado “Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra”.
Entre os prémios que tem recebido, destaca-se: um “Leão de Ouro” no Festival de Veneza (1981); uma “Palma de Ouro” no Festival de Cannes e a nomeação para o Oscar do Melhor Filme Estrangeiro (1985); “Melhor Realizador” no Festival de Cannes (1989); um “Urso de Prata” no Festival de Berlim (1993) e mais uma “Palma de Ouro” no Festival de Cannes (1995).
Os primeiros prémios abriram-lhe todas as portas, nomeadamente as dos produtores internacionais. A “Columbia” interessou-se por ele e propôs-lhe um contrato mirabolante. Posteriormente, foi também convidado para substituir o realizador Milos Forman na Universidade de Columbia.
Quando do conflito na Jugoslávia, foi obrigado a interromper várias vezes as filmagens que tinha em curso para se deslocar a Sarajevo. Depois da pilhagem da sua casa e do roubo dos seus primeiros troféus, Kusturica transferiu os seus pais para Montenegro.
Extremamente chocado pelos acontecimentos na Bósnia e pelo modo como eles eram apresentados na imprensa, decidiu voltar à sua terra natal e mostrar ao mundo a sua própria visão do conflito. Daqui nasceu o filme “Underground”, aplaudido pelo público e pela crítica, mas que levantou tal polémica política que quase o levou a querer abandonar o cinema.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Assim nasceram os bancos...
Do mal, o menos... (?)
EFEMÉRIDE - Philippe Pierre Fernand Noiret, conhecido actor francês, faleceu em Paris no dia 23 de Novembro de 2006, vítima de doença cancerosa generalizada. Nascera em Lille, em 1 de Outubro de 1930.
Depois de não ter tido grande sucesso nos estudos, Noiret iniciou-se como actor de teatro e comediante de cabaré nos anos 1950. Em 1953, entrou para o Théâtre National Populaire, após ter sido aprovado num casting apreciado por Jean Vilar e Gérard Philipe. Actuou no Festival de Avinhão e interpretou mais de quarenta papéis e grandes clássicos do teatro.
Em 1953 foi também convidado para actuar num filme, ao qual se seguiriam muitos outros, passando a dedicar-se exclusivamente à sétima arte a partir de 1966.
Foi um dos mais requisitados actores do cinema francês e italiano. Actuou em cerca de 120 filmes, ao longo de cinco décadas, ganhando ainda maior notoriedade após os sessenta anos de idade, época em que fez - entre outros - “Cinema Paradiso” e “O Carteiro e o Poeta”, em que interpretou Pablo Neruda. Noiret figura entre os actores comediantes mais carismáticos e mais importantes do teatro e do cinema, tanto francês como internacional.
Ganhou dois Prémios César (o Oscar francês) de Melhor Actor: em 1976, com "A Velha Espingarda" e, em 1990, com “A Vida e Nada Mais”.
Entre os realizadores célebres com quem trabalhou incluem-se Alfred Hitchcock, Phillippe de Broca e Louis Malle.
Entre 1997 e 2005 efectuou um regresso notável ao teatro, com peças que obtiveram grande êxito.
No “14 de Julho” (Dia Nacional da França) de 2005, foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Legião de Honra. Nos últimos meses de vida, escreveu a sua autobiografia, onde evoca, em 450 páginas dinâmicas, todo o seu percurso pessoal e profissional, não esquecendo os amigos, os colegas de ofício e também algumas histórias deliciosas. Foi publicada em 2007.
Entre os numerosos prémios ganhos durante a sua carreira, saliente-se os de “Melhor Interpretação Masculina” no Festival de Berlim (1971) e da Academia do Cinema (1974); o “Prémio Especial de Interpretação” no Festival de Buenos Aires (1990); o “Tucano de Oiro” no Festival do Rio de Janeiro (1985); o “Prémio Félix do Melhor Actor Europeu” (1989) e o “Troféu do Festival de Cannes” (2000).

domingo, 22 de novembro de 2009

Terá cura??
EFEMÉRIDEJohn Anthony Burgess Wilson, escritor, compositor, linguista e crítico literário britânico, faleceu em Londres no dia 22 de Novembro de 1993. Nascera em Manchester, em 25 de Fevereiro de 1917.
Prolixo e controverso, uma grande parte da sua obra ainda permanece no anonimato, sendo lembrado sobretudo pelo décimo oitavo livro que escreveu, “A Laranja Mecânica”, publicado em 1962, um inquietante e premonitório libelo sobre a violência da juventude numa sociedade corrompida e cínica. Esta obra foi levada ao cinema em 1971 por Stanley Kubrick.
Burgess cedo ficou órfão de mãe, vítima da gripe espanhola. O pequeno John foi desde então criado por uma tia e, mais tarde, pela madrasta. Estudou literatura e linguística na Universidade de Manchester. Serviu no exército inglês durante a II Guerra Mundial, tornando-se oficial na Ásia e, mais tarde, professor, trabalhando para o Ministério da Educação na Malásia.
Com a luta pela independência da Malásia a deixá-lo sem emprego e tendo-lhe sido diagnosticado um tumor cerebral, Burgess entrou em frenesim literário em 1959, preocupado por deixar a sua mulher sem recursos financeiros. A previsão médica estava errada. Ele viveu até 1993, enquanto a sua esposa morreu de cirrose hepática em 1968.
Escreveu numerosas críticas literárias, ensaios sobre Shakespeare e Joyce, artigos na imprensa e uma vintena de romances, muitas das vezes cruéis e cáusticos. Musicalmente, e antes de se dedicar à literatura, escreveu duas sinfonias e algumas sonatas e concertos.
Criou igualmente o “Ulam”, língua pré-histórica fictícia, para o filme “A Guerra do Fogo” (1881).

sábado, 21 de novembro de 2009

BROA DE AVINTES
(quadras - 2009)


I
Gostosa Broa de Avintes
Tu és o melhor pitéu:
- Há que comer com requintes
Pois é um manjar do Céu!

II
Tem paladar bem gostoso,
Cá, ‘inda é artesanal,
Ela é um pão famoso
Em todo o Portugal!

III
Transformar milho e centeio
Numa Broa tão gostosa
Tem segredos pelo meio
Que a tornaram famosa.

IV
Depois de fazer a Broa,
Com todos seus rituais,
Padeirinha quase voa
P’ra levá-la até ao Cais!


Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDEAlcione Dias Nazareth ou simplesmente Alcione, cantora, instrumentista e compositora brasileira, nasceu em São Luís, no Maranhão, no dia 21 de Novembro de 1947.
Desde pequena, graças ao pai que era polícia e integrava a banda da sua corporação, foi inserida no meio musical maranhense, tendo-se apresentado pela primeira vez em público aos doze anos.
Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1967, trabalhando na TV Excelsior. Após ter feito uma tournée por países da América do Sul, morou na Europa durante dois anos. Voltou ao Brasil em 1972 e, três anos depois, ganhou um disco de ouro com o seu primeiro LP, “A voz do samba” (1975).
Identificando-se com o samba, desde cedo se tornou fervorosa simpatizante da “Mangueira”, escola que reunia grandes sambistas no Rio.
O seu primeiro grande sucesso foi “Não deixe o samba morrer”, de Edson e Aluísio.
Em mais de trinta anos de carreira, ganhou dezanove discos de ouro, dois de platina e um duplo de platina. Em dois anos consecutivos, ganhou o “Prémio Tim” na categoria Melhor Cantora de Samba (2004 e 2005).
Alcione mora no Rio de Janeiro. Considerada um dos orgulhos do Maranhão, tem recebido várias homenagens, não apenas na sua terra natal como em diversas partes do Brasil. Citando apenas as mais importantes: foi dado o seu nome a um importante teatro localizado no centro histórico de São Luís, sua terra natal; em 2003 foi inaugurado, também em São Luís, o “Elevado Alcione Nazareth”, um importante viaduto que liga os bairros Ipase e Vila Palmeira; no Rio de Janeiro, em 1994, foi tema de um samba-enredo na escola de samba “Unidos da Ponte”.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

EFEMÉRIDEPaco Ibáñez, cantor espanhol, nasceu em Valência no dia 20 de Novembro de 1934.
Passou a sua primeira infância em Barcelona. Em 1939, a família foi obrigada a fugir para França no fim da Guerra Civil Espanhola.
Em 1940, o pai foi preso pela polícia do “Regime de Vichy” e enviado para o campo de concentração de Argelès-sur-Mer, como numerosos republicanos espanhóis que tinham acreditado na “França dos Direitos do Homem”.
A mãe e os seus quatro filhos voltaram ao país basco, em Espanha, onde se esconderam junto da família. Em 1948, passaram clandestinamente a fronteira para reencontrar o pai em Perpignan.
Em 1952, Paco - a quem o pai tinha ensinado música - foi para Paris, onde encontrou a cantora Carmela, que acompanhou à guitarra durante oito anos. Participou igualmente num trio sul-americano que teve muito êxito, actuando no Quartier Latin em Paris (1954/1958).
Em 1964 gravou o seu primeiro disco, mas o sucesso só chegaria nos anos 1968/69. Em Maio de 1969, para festejar os acontecimentos do “Maio 68”, actuou na Sorbonne e tornou-se desde logo um dos símbolos das lutas estudantis.
Em Dezembro de 1969, apresentou-se no Olympia, onde cantou pela primeira vez em público “A Má Reputação” de Brassens, com tradução em espanhol. Foi proibido de entrar em Espanha a partir de 1971.
Em 1990, portanto já depois da morte de Franco, voltou a viver em território espanhol, habitando em Barcelona desde 1994.
Nunca escreveu os textos das suas canções, mas musicou poemas dos grandes poetas espanhóis e latino-americanos do século XX, como Rafael Alberti, Federico Garcia Lorca, Nicolás Guillén, Antonio Machado e Pablo Neruda.
Em Dezembro de 2006, juntamente com Lucien Gourong, escritor bretão que tinha conhecido em 1975 e de quem se tinha tornado amigo, realizou um grande espectáculo de homenagem aos republicanos espanhóis que tinham sido forçados a trabalhar sob as ordens dos alemães durante a ocupação nazi.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Neste Natal de saudade
Recordo tempos de outrora
Em que floria amizade
Mantida p’la vida fora.
Maria José Fraqueza

NOSSA FORTALEZA
(glosa)

Mais um ano a acabar
Vendo aumentar a idade,
Tanta gente vou lembrar
Neste Natal de saudade

Alguns já cá não estão
Outros presentes, na hora,
Com todos no coração
Recordo tempos de outrora

Tempos que não voltam mais,
Mas deixaram, de verdade,
Árvores especiais,
Em que floria amizade

A amizade é riqueza
Que nunca se vai embora,
É a nossa fortaleza
Mantida p’la vida fora.

Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDEEmma Lazarus, poetisa norte-americana, faleceu em Nova Iorque no dia 19 de Novembro de 1887. Nascera na mesma cidade em 22 de Julho de 1849.
Ela é conhecida sobretudo por ter escrito, em 1883, “O Colosso”, um soneto que foi gravado em 1912 numa placa de bronze que está colocada no pedestal da Estátua da Liberdade em Nova Iorque. O soneto fora solicitado por William Maxwell Evarts, como doação para um leilão destinado a angariar fundos a favor da construção do pedestal do monumento.
Emma Lazarus era filha de Moses Lazarus e Esther Cardozo, judeus sefarditas portugueses, cujas famílias estavam há várias gerações fixadas em Nova Iorque. Desde a infância, estudou literatura americana e europeia, bem assim como varias línguas, incluindo o alemão, o francês e o italiano.
Ao mesmo tempo que escrevia a sua própria poesia, editou várias adaptações de poemas italianos e alemães, mormente de Goethe e de Heinrich Heine. É autora também de um romance e de duas peças teatrais.
Lazarus manteve um judaísmo latente, que foi despertado ainda mais depois de ler o romance de George Eliot, “Daniel Deronda”, e que foi depois reforçado pelos “pogroms” na Rússia durante a década de 1880. Lazarus escreveu então artigos sobre o assunto e começou a traduzir obras de poetas judeus para inglês. Quando no Inverno de 1882, os judeus asquenazitas da Europa de Leste, expulsos em grande número da Zona de Residência Russa, começaram a afluir, empobrecidos, a Nova Iorque, Lazarus interessou-se activamente em providenciar-lhes educação técnica para os tornar autónomos.
Viajou duas vezes pela Europa, a primeira em 1885 depois da morte do pai, e novamente em 1887. Voltou a Nova Iorque muito doente depois desta segunda viagem e morreu dois meses mais tarde, provavelmente vítima de um “linfoma de Hodgkin”.
Emma Lazarus é considerada uma precursora do movimento sionista. De facto, ela argumentou a favor da criação de um estado judaico, treze anos antes de Theodor Herzl começar a utilizar o termo “Sionismo”.
EFEMÉRIDEBartolomeu Lourenço de Gusmão, sacerdote, cientista e inventor luso-brasileiro, morreu em Toledo no dia 18 de Novembro de 1724. Nascera em Santos, em 1685, sendo baptizado em 19 de Dezembro desse mesmo ano. Ficou famoso por ter inventado o primeiro aeróstato operacional, sendo por isso considerado uma das grandes figuras da história da aeronáutica mundial.
Cursou as primeiras letras provavelmente na Capitania de São Vicente, no Colégio São Miguel, então o único estabelecimento educacional da região. Prosseguiu os estudos na Capitania da Bahia, ingressando depois no Seminário de Belém, em Cachoeira, onde teria dado início à carreira de inventor.
Terminado o curso no Seminário de Belém em 1699, Bartolomeu transferiu-se para Salvador, a capital do Brasil naquela época, entrando na Companhia de Jesus, de onde saiu antes de se formar jesuíta, em 1701. Viajou depois até Portugal.
Em 1702 Bartolomeu voltou ao Brasil e deu início ao processo da sua ordenação sacerdotal. Três anos depois, pediu patente à Câmara da Bahia para um «invento que faz subir água a toda a distância e altura que se quiser levar».
Em 1708, já ordenado padre, Bartolomeu embarcou mais uma vez para Portugal, onde se matriculou na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra. Passados alguns meses, abandonou a faculdade para se instalar em Lisboa, onde foi recebido com agrado pelo Rei Dom João V.
Na capital portuguesa, o padre Bartolomeu Lourenço pediu patente para um «instrumento para se andar pelo ar» – que se revelaria ser, mais tarde, o que hoje se conhece por “aeróstato” ou “balão”. A notícia rapidamente se espalhou por alguns reinos europeus.
O invento foi divulgado em estampas fantasiosas que, em geral, o retratavam como uma barca com formato de pássaro e que por isso ficaria conhecido como “Passarola”. As primeiras ilustrações da Passarola haviam sido na verdade elaboradas pelo filho do 3º Marquês de Fontes, que contava 14 anos, com a conivência de Bartolomeu. Era seu aluno de matemática e a única pessoa à qual ele permitia livre acesso ao recinto em que o engenho voador era guardado. Como o rapaz vivesse assediado por curiosos, que constantemente lhe faziam indagações acerca da invenção, resolveu, para parar de ser importunado, elaborar o exótico desenho da Passarola, em que tudo era propositadamente falseado. Para preservar também o verdadeiro princípio da invenção - o Princípio de Arquimedes - atribuiu a ascensão da engenhoca ao magnetismo, a resposta de então para quase todos os mistérios científicos. Esperava dessa maneira melhor proteger o segredo e ludibriar os bisbilhoteiros. Comunicou o plano a Bartolomeu, que o aprovou e fingiu deixar o desenho escapar por descuido.
Finalmente, Bartolomeu Lourenço fez, perante a corte portuguesa, cinco experiências com balões de pequenas dimensões por ele construídos. Em Outubro de 1709, fez uma nova demonstração do invento. O aparelho utilizado era maior que os anteriores, mas ainda incapaz de carregar um homem. A experiência teve êxito absoluto: o aeróstato subiu alto, flutuou durante um certo tempo e pousou suavemente.
Lamentavelmente, todas estas experiências, embora assistidas por ilustres personalidades da sociedade portuguesa da época, não foram suficientes para a popularidade do invento. Os pequenos balões exibidos, além de não terem sido encarados como inovação importante ou útil, por serem desprovidos de qualquer tipo de controlo, foram considerados perigosos, pois poderiam provocar incêndios. Estes factores não estimularam a construção de um modelo grande e tripulável.
Entre 1713 e 1716 Bartolomeu viajou pela Europa. Em 1713 registou na Holanda o invento de uma «máquina para a drenagem da água alagadora das embarcações de alto mar», patente que só veio a público em 2004.
Viveu em Paris, trabalhando como ervanário para se sustentar. Voltou a Portugal, mas foi vítima de uma insidiosa campanha de difamação. Acusado pela Inquisição de simpatizar com os cristãos-novos, foi obrigado a fugir para Espanha.
Ao passar pela cidade de Toledo (Espanha), adoeceu e veio a falecer. Foram feitas ao longo de décadas várias tentativas para localizar o seu túmulo, o que só aconteceu em 1856. Parte das suas ossadas foi transportada para o Brasil, encontrando-se desde 2004 na Catedral Metropolitana de São Paulo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

SER POETA…

“Ser poeta” é um tema que tem sido muito abordado por prosadores, poetas e pensadores de todo o mundo. Cada um tem as suas opiniões, nem sempre coincidentes, por vezes até antagónicas.
Normalmente os poetas têm uma sensibilidade muito particular e apurada, bem assim como um poder de síntese que lhes permite transmitir um máximo de ideias com um mínimo de palavras.
Uns são mais espontâneos e repentistas: a poesia nasce-lhes, quase já feita, quando acaba de ser imaginada. Outros trabalham as palavras, como se estivessem a gravar os poemas em delicado mármore. Nuns e noutros, mais do que na prosa, há uma musicalidade, uma melodia e um ritmo na escolha das palavras, no modo como elas se encontram, como elas se combinam ou como elas se entrecruzam. Uns procuram fazê-lo através de rimas ou no modo como arrumam os vários versos. Outros não precisam dessas regras quase espartanas e fazem-no de modo livre.
Os poetas têm orgulho naquilo que escrevem, mas sentem-se por vezes inseguros, necessitando da opinião de alguém para os convencer da validade do que passaram ao papel.

O poeta gosta de viver e sonhar, por vezes até de fingir ou inventar. Como disse Fernando Pessoa, «O Poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente».
Disse Florbela Espanca num dos seus poemas: «Ser poeta é ser mais alto, é ser maior... É ter cá dentro um astro que flameja… É ter fome, é ter sede de Infinito… É amar, assim, perdidamente… E dizê-lo cantando a toda a gente».
O poeta olha as coisas de modo diferente. Glorifica o que os outros porventura até podem ignorar. Salienta o que a outros passa despercebido. Vê a beleza de algo em que ninguém já repara, à força de ser observado tantas vezes.
Segundo Platão, «Todo o homem é poeta quando está apaixonado”. Mesmo sem versejar, ele exprime poeticamente aquilo que diz, que não é mais do que o reflexo daquilo que sente.

Ser poeta é ser diferente, apesar de igual… É ver o que os outros vêem, mas de modo diverso. É transformar o negro/cinzento da vida num mundo multicolor, mas pode também ser o seu inverso, transformando por vezes as cores em tons escuro/acinzentados.
Ser poeta é, afinal, olhar o Universo, traduzindo o que vê em palavras ritmadas, que possam atrair a atenção e sensibilizar os seus leitores.

Gabriel de Sousa


NB – Menção Honrosa no 1º Concurso Literário da Casa Museu Profª Maria José Fraqueza – Fuseta - 2009

EFEMÉRIDENani, de seu verdadeiro nome Luís Carlos Almeida da Cunha, futebolista cabo-verdiano naturalizado português, nasceu na cidade da Praia em 17 de Novembro de 1986. Joga actualmente no Manchester United e na Selecção de Portugal.
Nascido em Cabo Verde, Nani e a sua família emigraram para Portugal quando ele era ainda muito novo. Cresceu na Amadora, criado por uma tia.
Começou a jogar futebol no “Real Sport Clube” e, passado pouco tempo, transferiu-se para o Sporting Clube de Portugal, onde foi promovido à equipa principal na época 2005/2006. Em Maio de 2007 assinou um contrato com o Manchester United, que pagou ao Sporting mais de 25 milhões de Euros.
Estreou-se na Selecção Portuguesa aos 19 anos, num jogo amistoso contra a Dinamarca, no qual marcou um golo de canto directo.
É praticante de “capoeira”, o que explica os saltos mortais habituais quando comemora os seus golos.
Pelo Sporting, venceu uma Taça de Portugal. Pelo Manchester, ganhou dois Campeonatos da Primeira Liga Inglesa, uma Liga dos Campeões Europeus, um Mundial de Clubes da FIFA, uma Super Taça de Inglaterra e uma Taça da Liga Inglesa.
Tem como características principais a sua velocidade, uma boa técnica e a condução da bola. Muito jovem, tem ainda um vasto campo de progressão à sua frente.
EFEMÉRIDERita Salema, actriz portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 16 de Novembro de 1966.
Actuou com grande êxito em “Morangos com Açúcar”, uma popular telenovela juvenil. É directora de uma creche, onde dá aulas de teatro.
Tem sido protagonista de várias séries televisivas e de peças teatrais. Tem participado igualmente em campanhas de publicidade.

sábado, 14 de novembro de 2009

EFEMÉRIDEPetula Sally Olwen Clark, cantora, compositora e actriz britânica, nasceu em Epsom (Surrey), na Inglaterra, em 15 de Novembro de 1932.
Ensinada pela mãe, que era soprano, Petula iniciou a sua carreira com a idade de sete anos. Actuou em programas de rádio e teve mesmo o seu próprio show (“Pet’s Parlour”), que consistia numa série de canções patrióticas, imaginadas para dar moral aos militares britânicos que combatiam na Segunda Guerra Mundial. Contava então onze anos.
Após “aliviar” o stress das tropas, ao lado de estrelas como Julie Andrews, iniciou-se no cinema com o filme "A Medal for the General", em 1944. No princípio dos anos 1950, já era uma super-star em todo o Reino Unido e tinha compromissos para actuar em vários filmes.
Em 1954, a canção “The Litlle Shoemaker” foi o seu primeiro grande sucesso, estando entre as vinte mais preferidas pelo público. Em 1960 a canção “Sailor” teve também grande êxito. Em 1961, após vender um milhão de cópias da canção "Romeo", casou-se e mudou-se para França, onde conquistou novos fãs, com canções como “Ya Ya Twist”, “Chariot” e “Monsieur”, que marcaram uma nova fase de seu repertório, mais sofisticado e escorado por vocais cristalinos. Interpretou muitas canções de Boris Vian e Gainsbourg.
Surfando a onda da “invasão” britânica, Petula Clark penetrou no mercado norte-americano em 1964 com “Downtown”, canção vencedora de um Grammy, aliás o primeiro e único a ser alcançado por uma mulher britânica. Muitas das suas canções alcançaram os “Top Ten” nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, brilhou em toda a Europa, alcançando grande sucesso com a canção “This is my Song”, feita para o filme “A Condessa de Hong-Kong” (1967).
Teve o seu próprio programa na BBC de Londres e, em 1968, participou num programa especial do canal NBC, em que os patrocinadores pediram para cortar uma cena com o convidado Harry Belafonte, pelo facto de este ser negro e estar encostado a Petula Clark . Depois de um violento protesto de Petula, o programa foi exibido exactamente como tinha sido gravado.
Em 1968 reiniciou a sua carreira no cinema, entrando em dois filmes. Anos mais tarde, passou a dedicar-se a tournées internacionais, o que vem acontecendo até hoje. Em 1998 recebeu a Comenda da Ordem do Império Britânico.
EFEMÉRIDE Jurga Ivanauskaitė, escritora lituana, talvez a mais famosa do seu país, nasceu em Vilnius no dia 14 de Novembro de 1961. Faleceu, também na capital lituana, em 17 de Fevereiro de 2007, vítima de doença cancerosa. Tinha 45 anos.
A sua obra está traduzida para inglês, letão, polaco, russo, sueco e alemão. Estudou na Academia das Belas-Artes de Vilnius, onde escreveu o seu primeiro livro, publicado em 1985. É autora de seis romances, um livro para crianças e uma recolha de ensaios.
A sua pintura e fotografia (a que se dedicava igualmente), bem como a escrita, sofreram uma completa alteração depois de uma viagem ao Extremo-Oriente, em meados da década de 1990. Tornou-se desde então uma militante activa do movimento de libertação do Tibete.
Em 2009 a realizadora Agnė Marcinkevičiūtė consagrou-lhe um filme documentário intitulado “Dança no Deserto”.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

EFEMÉRIDEJacob Abraham Camille Pissarro, pintor francês, co-fundador do Impressionismo e o único que participou nas oito exposições do grupo, faleceu em Paris no dia 13 de Novembro de 1903. Nascera em São Tomás (Ilhas Virgens), então possessão dinamarquesa, em 10 de Julho de 1830.
O pai era um português de Bragança que, no final do século XVIII, ainda pequeno, emigrara com a família para Bordéus, onde existia uma comunidade significativa de judeus portugueses fugidos da Inquisição. A mãe era crioula.
Com 11 anos, Camille Pissarro foi enviado para Paris afim de estudar num colégio interno. Voltou para a ilha São Tomás, para tomar conta dos negócios da família. Algum tempo depois, a sua paixão pela pintura fê-lo mudar de vida: fez amizade com o pintor dinamarquês Fritz Melbye e a oportunidade de concretizar o seu sonho surgiu com um convite para o acompanhar numa viagem organizada pelo governo das Antilhas Dinamarquesas, para estudar a fauna e a flora da Venezuela, país onde ficaram dois anos.
Pissarro conquistou a sua liberdade aos 23 anos. Em 1855 já estava em Paris com a ajuda de Melbye, tentando iniciar uma carreira de pintor. O jovem travou amizade com Paul Cézanne e Claude Monet, entre outros pintores impressionistas. Com Monet, passou a sair assiduamente para pintar ao ar livre.
No decorrer da guerra franco-prussiana (1870-1871), na qual praticamente todos os seus quadros foram destruídos, residiu em Inglaterra. Quando voltou, começou a pintar na companhia de Cézanne. Com o objectivo de descobrir novas formas de expressão, Pissarro foi um dos primeiros impressionistas a recorrer à técnica da divisão das cores através da utilização de manchas isoladas. Durante os anos 1880 juntou-se a uma nova geração de impressionistas, os "neo-impressionistas", como Georges Seurat e Paul Signac.
A partir de 1885, militou nas correntes anarquistas, criticando severamente a sociedade burguesa francesa. Nos anos 1890 abandonou gradualmente o "neo-impressionismo", preferindo um estilo mais flexível que melhor lhe permitisse captar as sensações da natureza, ao mesmo tempo que explorava a alteração dos efeitos da luz, tentando igualmente exprimir o dinamismo da cidade moderna, de que são exemplos os vários quadros que pintou com vistas de Paris.
A obra de Pissarro caracterizou-se por uma paleta de cores cálidas e pela firmeza com que conseguiu captar a atmosfera, por meio de um trabalho preciso da luz. O seu material predilecto foi o óleo, mas também fez experiências com aguarelas e pastel. Como professor, ensinou alunos como Paul Gauguin. Colaborou com Degas no domínio da gravura.
Durante os seus últimos anos, realizou várias viagens pela Europa, em busca de novos temas. Hoje é considerado um dos paisagistas mais importantes do século XIX.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

EFEMÉRIDE Nadia Elena Comăneci, ginasta romena, ainda hoje tida como um ídolo do desporto mundial, nasceu em Oneşti no dia 12 de Novembro de 1961. É detentora de cinco medalhas de ouro olímpicas (Montreal 1976 e Moscovo 1980) e foi a primeira ginasta a receber uma nota dez - desempenho perfeito – nuns Jogos Olímpicos.
Foi campeã mundial duas vezes (Estrasburgo 1978, na trave, e Ft. Worth 1979, por equipas). Conquistou nove medalhas de ouro em campeonatos europeus (Skien 1975, individual geral, barras assimétricas, trave e saltos), (Praga 1977, individual geral e barras assimétricas) e (Copenhaga 1979, individual geral, saltos e solo).
Começou a praticar desporto com seis anos. Em 1975 obteve reconhecimento internacional, sendo considerada a “Melhor Atleta do Ano” pela United Press International. Foi eleita pelo líder comunista romeno Nicolae Ceauşescu como Heroína do Trabalho Socialista.
Comăneci recebeu igualmente a Ordem Olímpica, a honraria mais importante concedida pelo Comité Olímpico Internacional, em 1984 e em 2004. Ela foi a única desportista a ter recebido esta Ordem por duas vezes e também a mais jovem a recebê-la.
Nadia era conhecida pela sua técnica clara, inovadora e de dificuldade original. Foi também a ginasta mais jovem a conquistar uma medalha de ouro no campeonato nacional romeno.
Quando acabou a sua carreira de atleta profissional, Comăneci continuou envolvida no desporto, sendo membro de algumas associações e federações, bem como colaboradora de diversas obras filantrópicas, além de colaboradora da revista International Gymnast, da qual se tornou depois editora.
Pelas notas obtidas e vitórias conquistadas, ela é considerada uma das maiores ginastas de sempre. Retirou-se das competições em 1981, aos vinte anos de idade. Contudo, a cerimónia oficial de despedida ocorreu apenas em 1984, em Bucareste, a pedido do Comité Olímpico Internacional.
Saiu entretanto da Roménia, tornando-se cidadã norte-americana em 2001, mantendo porém a nacionalidade romena. Viveu no Canadá, onde se dedicou à promoção de vestuário de ginástica e de equipamentos aeróbicos. Aqui reencontrou o ginasta norte-americano Bart Conner, que conhecera em 1976, e que a convidou para ir viver em Oklahoma. Passaram a viver juntos e, ao voltar à Roménia em 1996, casaram-se numa cerimónia realizada no Palácio Presidencial de Bucareste.
Em 2003 publicou a sua autobiografia intitulada “Carta a uma jovem ginasta”. Administra, juntamente com o marido, uma academia de ginástica e uma empresa de equipamentos desportivos.
Nadia fundou em Bucareste a “Clínica Infantil Nadia Comăneci”, que auxilia médica e socialmente as crianças romenas. Comăneci é ainda cônsul geral honorária da Roménia nos Estados Unidos.
É presidente honorária da Federação de Ginástica Romena e do Comité Olímpico Romeno, e embaixatriz dos desportos da Roménia. É membro da Federação Internacional de Ginástica. Foi comentarista no Mundial de Ginástica Artística de Melbourne em 2005 e nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Um júri composto de quinze membros e presidido por Juan Antonio Samaranch considerou-a a Melhor Atleta Feminina do Século. Teve o seu primeiro e único filho aos 45 anos (2006).
Se tem a sua mulher à espera... Não beba!!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Humor negro...

EFEMÉRIDELeonardo Wilhelm DiCaprio, actor, produtor e cenarista norte-americano, de origem ítalo-alemã, famoso desde que protagonizou o papel de Jack em “Titanic”, filme vencedor de onze Oscars, nasceu em Los Angeles no dia 11 de Novembro de 1974.
DiCaprio nunca foi bom aluno, pois tinha dificuldade de concentração, estando mais interessado em divertir os seus colegas do que propriamente em estudar. Esta característica valeu-lhe a alcunha de “The Noodle” (O Bobo).
Os pais tinham emigrado para os Estados Unidos em 1950 e divorciaram-se um ano depois do seu nascimento. Leonardo passava as férias na Alemanha, vivendo com a mãe em Los Angeles o resto do ano.
Não tendo recebido nenhuma educação rigorosa, foi-lhe dada a liberdade de se consagrar a qualquer actividade, sobretudo Cursos de Comédia, domínio para o qual parecia particularmente dotado.
Aos treze anos começou a fazer spots publicitários, obtendo rapidamente pequenos desempenhos na televisão.
Interessou-se pelo cinema e entrou em “Critters 3”, um filme de horror. Em 1993 contracenou com Robert De Niro em “Feridas secretas”, tendo começado a notabilizar-se em “Gilbert Grape”, onde fez o papel de um atrasado mental. Durante o ano de 1995 entrou em vários filmes, onde desempenhou personagens tão diferentes como homossexuais e toxicómanos, entrando também num western.
Atingiu verdadeiramente o estatuto de primeiro plano em 1996, com vários filmes entre os quais “Romeu e Julieta”, tendo depois alcançado o estatuto de “herói romântico” e de estrela mundial com a película “Titanic” que teve um sucesso à escala planetária.
Seguiram-se outros êxitos, de que sobressaem: A Praia, Gangs de Nova Iorque, O Aviador e Os infiltrados. Trabalhou com alguns dos melhores realizadores e contracenou com actores que possuiam créditos já bem firmados.
Em 1998, DiCaprio e a mãe doaram 35 000 dólares para criar uma associação de defesa do ambiente e reconstruir uma biblioteca destruída por um incidente climático. Em 2004 apoiou financeiramente a campanha presidencial do democrata John Kerry. Nas filmagens de “Blood Diamond”, DiCaprio trabalhou com 24 crianças de uma aldeia SOS no Maputo, manifestando-se muito sensibilizado com o facto. DiCaprio conduz uma viatura ecológica e equipou a sua casa com painéis solares. Em 2007 comprometeu-se a promover a viatura Toyota Prius, uma “amiga do ambiente”. Em 2008 ofereceu 400 000 dólares para a campanha presidencial de Barack Obama. Tem recebido vários prémios de grupos de defesa do ambiente e atraiu para esta causa outras estrelas do cinema como, por exemplo, Penelope Cruz.
No cinema, ganhou o “Urso de Prata de Melhor Actor” no Festival de Berlim, com "Romeu e Julieta" (1996), e foi nomeado várias vezes para o Oscar, para o Golden Globe Award e para o MTV Movie Award.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

EFEMÉRIDE Mikhaïl Timofeïevitch Kalashnikov, famoso construtor de armas russo, mais conhecido por ter criado a AK-47, nasceu na região de Altai, no sudeste da Rússia, em 10 de Novembro de 1919.
Kalashnikov foi recrutado para o Exército Vermelho em 1938, sendo promovido rapidamente a Sargento. Foi ferido gravemente na Batalha de Briansk (1941) e hospitalizado. No hospital, ouviu reclamações dos soldados sobre as espingardas utilizadas em combate. Projectou então um protótipo de sub-metralhadora, que não foi aceite pelas forças armadas soviéticas. Entretanto, o seu talento natural para a criação de armas acabou por ser reconhecido e ele foi designado para trabalhar no Centro de Desenvolvimento Científico de Armas Leves da URSS.
Neste centro, em 1944, fez o projecto de uma carabina operada a gás para cartuchos 7,62 x 39 mm. Este processo culminou na Avtomat Kalashnikova 1947, a célebre AK-47 (frequentemente chamada “Kalashnikov”), que viria a tornar-se a arma de assalto padrão da infantaria soviética. Posteriormente, em 1971, foi promovido honorificamente a Coronel, recebeu o título de Doutor honoris causa em Engenharia e, em 1994 (seu 75º aniversário), foi promovido honorificamente a Major-General.
Em virtude das suas realizações, o antigo Sargento Kalashnikov é hoje um Tenente-General reformado do Exército Soviético e Russo. Vive na cidade de Izhevsk nos Urais, junto da fábrica de armamento “Ijmach”, onde trabalha o seu filho.
Entre as suas condecorações, contam-se: o Prémio Estaline de Primeira Classe (1949), três Ordens de Lenine, a Ordem da Grande Guerra Patriótica de Primeira Classe, a Ordem da Estrela Vermelha e a Ordem de Santo André da Federação Russa (1998). Foi “Herói do Trabalho Socialista” por duas vezes.
Embora existam cerca de cem milhões de armas de assalto originadas da AK-47, Kalashnikov não recebeu nenhum direito relativo à sua criação. Curiosamente, parte dos seus rendimentos actuais vem do uso do seu nome na Vodka Kalashnikov.
Entre as suas frases mais célebres salientam-se: «Para que um soldado ame a sua arma, deve compreendê-la e saber que ela não o trairá»; «Quando vejo na televisão Bin Laden com uma arma AK-47, fico revoltado. Mas o que posso fazer? Os terroristas não são tolos: também escolhem as armas mais confiáveis»; «São os Alemães os culpados de eu me ter tornado um criador de armas. Senão, teria construído máquinas agrícolas»; «Não tenho problemas de consciência. Construí armas para defender a minha Pátria».

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Lei de Lavoisier: «...Nesta vida nada se perde, tudo se transforma.»

Crise Mundial...

EFEMÉRIDE Émile Gaboriau, escritor francês, pioneiro do romance policial, nasceu em Saujon-en-Saintonge no dia 9 de Novembro de 1832. Morreu em Paris, em 28 de Setembro de 1873.
Exerceu vários ofícios, alistou-se no exército e acabou por se fixar em Paris onde descobriu o jornalismo e escreveu crónicas para ganhar a vida.
O seu primeiro romance, “O Caso Lerouge”, teve imenso sucesso. Aqui surgiu Lecoq, agente dos “Serviços de Segurança” que se tornará um comissário célebre.
Este personagem inspirou Conan Doyle, como modelo de detective engenhoso que resolve todos os enigmas com as suas capacidades dedutivas fora do comum. Porém, a grande diferença com Sherlock Holmes é que os inquéritos de Lecoq baseiam-se em investigações mais realistas e mais próximas dos progressos da polícia científica da época. Os romances de Gaboriau fazem penetrar as intrigas nos meios sociais, descrevendo os ambientes de um modo que se poderia qualificar de “naturalista”.
Depois do sucesso com “O Caso Lerouge”, Gaboriau trabalhou como folhetinista no “Petit Journal”.
Em 1872 adaptou a sua principal obra ao teatro. O realizador Maurice Tourneur adaptou-a igualmente ao cinema em 1914. Com o título “Monsieur Lecoq”, foi igualmente feita uma série televisiva difundida pela “Société Radio-Canada” em 1964 e 1965.

domingo, 8 de novembro de 2009

EFEMÉRIDE Alain Fabien Maurice Marcel Delon, actor de cinema de origem francesa, nasceu em Sceaux no dia 8 de Novembro de 1935. Habitando Genebra desde 1985, recebeu a cidadania suíça em 1999, se bem que tenha querido manter igualmente a nacionalidade francesa.
Quando tinha apenas quatro anos, os pais divorciaram-se e ele foi adoptado por um casal. Por pouco tempo, pois o casal foi assassinado. Delon voltou para a mãe verdadeira, então já casada com outro homem. Teve uma infância cheia de problemas, sendo expulso de várias escolas. Aos 15 anos, deixou de estudar e, aos dezassete, alistou-se na marinha, combatendo na Indochina.
Em 1956 passou a viver em Paris. Sem dinheiro, trabalhou como porteiro, empregado de mesa e vendedor. Em 1957 foi ao Festival de Cannes com o seu amigo Jean-Claude Brialy. Chamou a atenção dos presentes pelo seu físico excepcional. Entre eles, David O. Selznick, que lhe ofereceu um contrato para fazer cinema, desde que aprendesse a falar inglês. Delon voltou a Paris com a
firme vontade de aprender a língua inglesa, mas entretanto conheceu o cineasta Yves Allégret, que o convenceu a começar a sua carreira em França.
Fez o seu primeiro filme, “Quand la femme s’en mêle”, em 1957. Depois, em “Christine”, contracenou com Romy Schneider, por quem se apaixonou. Em 1959, passaram a viver juntos num relacionamento que duraria cinco anos.
O primeiro grande papel de Delon no cinema foi “O Sol Por Testemunha” (1959), baseado num livro de Patricia Highsmith. Em 1960, dirigido por Luchino Visconti, actuou em “Rocco e seus Irmãos”, um dos filmes mais famosos da história do cinema. O actor e o realizador tornaram-se amigos e trabalhariam juntos mais uma vez, noutro clássico - “O Leopardo” (1963), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.
A beleza física de Alain Delon transformou-o num símbolo sexual dos anos 1960 e 1970. Apesar disso, sempre lutou para ser reconhecido como um grande actor e não apenas por ser “bonitinho”. Em 1962, trabalhou com o cineasta Michelangelo Antonioni no filme “O Eclipse”, seguindo-se uma longa carreira em que trabalhou com grandes cineastas e chegou a ser realizador.
Em 1964, casou-se com a actriz Nathalie Delon, separando-se em 1969. Nos anos seguintes, teve um longo relacionamento com a actriz Mireille Darc.
Em 1973, fez um dueto com a cantora Dalida, na canção "Paroles, Paroles", um grande êxito dessa época.
Em 1987, conheceu a modelo holandesa Rosalie, iniciando um novo relacionamento, apesar da diferença de 32 anos entre os dois.
Em 1997, para tristeza dos fãs, Delon anunciou que abandonava a carreira, decepcionado com os rumos do cinema francês.
Em 2001, divorciou-se de Rosalie, separação muito difícil para ele, que passou a enfrentar períodos de depressão e confessou ter pensado inclusive no suicídio.
Foi durante muito tempo o actor mais rentável do cinema francês, juntamente com Louis de Funès e Jean-Paul Belmondo, atraindo às salas de cinema mais de sessenta milhões de espectadores desde 1956.
Delon possui vários produtos com o seu nome, incluindo roupas, perfumes, óculos, champanhe, conhaque, relógios, vestuário e mesmo cigarros.
Participou entretanto em várias séries televisivas. Em 2008, voltou ao cinema com “Asterix nos Jogos Olímpicos”, no papel do conquistador romano Júlio César.
Durante a sua carreira ganhou muitos prémios, entre os quais se destacam o César de Melhor Actor em 1985 e o Urso de Ouro honorário em 1995, no Festival de Berlim. Em 2003 recebeu a Estrela de Ouro do Festival de Cinema de Marraquexe. Em 2005 foi agraciado com o grau de Oficial da Legião de Honra «pela sua contribuição para a arte do cinema mundial».
É coleccionador de obras de arte, entre as quais se incluem quadros da consagrada pintora portuguesa Vieira da Silva.

sábado, 7 de novembro de 2009

EFEMÉRIDEAry de Resende Barroso, compositor brasileiro de música popular, nasceu em Ubá no dia 7 de Novembro de 1903. Faleceu no Rio de Janeiro em 9 de Fevereiro de 1964.
Órfão de pai e mãe aos oito anos, o pequeno Ary foi criado pela avó materna. Realizou os seus estudos curriculares e aprendeu a teoria, o solfejo e o piano com uma tia. Com doze anos já trabalhava como pianista auxiliar no Cinema Ideal, em Ubá. Aos treze anos foi caixeiro da loja "A Brasileira" e, com quinze, fez a primeira composição - o cateretê "De longe".
Em 1920, com o falecimento de um tio, ex-ministro da Fazenda, recebeu uma herança de 40 contos. Foi então, aos 17 anos, para o Rio de Janeiro a fim de estudar Direito.
Aprovado no vestibular, ingressou em 1921 na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. A faculdade seria importante na consolidação da sua veia artística, desportiva e política.
Adepto da boémia, foi porém reprovado na faculdade, abandonando os estudos no segundo ano. As suas economias entretanto esgotaram-se, o que teve como resultado ir trabalhar como pianista no Cinema Íris e, mais tarde, no Teatro Carlos Gomes. Tocou também em várias orquestras.
Em 1926 recomeçou os estudos de Direito, sem deixar a actividade de pianista. Dois anos depois foi contratado pela orquestra do maestro Spina, de São Paulo, para uma temporada em Santos e Poços de Caldas. Nessa época, Ary resolveu dedicar-se à composição. Compôs "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Lamartine Babo, seu colega na Faculdade de Direito.
Em 1929 obteve o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais. O seu amigo e grande incentivador, Mário Reis, gravou "Vou à Penha" e "Vamos deixar de intimidades", que se tornou o seu primeiro sucesso popular.
Nos anos 1930, escreveu as primeiras composições para o teatro musicado carioca. Recebeu o diploma da Academia de Ciências e Arte Cinematográfica de Hollywood pela banda sonora da longa-metragem “Você já foi à Bahia?” (1944), de Walt Disney.
A partir de 1943, manteve durante vários anos o programa “A hora do calouro”, na Rádio Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro, no qual revelou e incentivou novos talentos musicais.
Durante as décadas de 1940 e 1950 compôs vários dos sucessos consagrados por Carmen Miranda no cinema. Ao compor “Aguarela do Brasil” inaugurou o género “samba-exaltação”.
Também trabalhou como locutor desportivo. Adepto do Flamengo, torcia descaradamente a favor do seu clube nas transmissões que eram feitas pela rádio. Quando o Flamengo era atacado, ele dizia mensagens do tipo: «Ih, lá vêm os inimigos. Eu não quero nem olhar!» , recusando-se claramente a narrar os golos do adversário.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

EFEMÉRIDEAmadeu Amaral, de seu nome completo Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado, poeta, folclorista, filólogo e ensaísta brasileiro, nasceu em Capivari, no dia 6 de Novembro de 1875. Faleceu em São Paulo, em 24 de Outubro de 1929.
Fez a instrução primária em Capivari e, aos onze anos, fixou-se em São Paulo para trabalhar no comércio, ao mesmo tempo que estudava. Assistiu a algumas aulas do Curso Anexo da Faculdade de Direito, mas foi sobretudo um autodidacta, pois não concluiu qualquer curso secundário ou superior. Ingressou no jornalismo, escrevendo para o “Correio Paulistano” e “O Estado de S. Paulo”. Em 1922 transferiu-se para o Rio de Janeiro, como secretário da “Gazeta de Notícias”. Do Rio, mandava para “O Estado de S. Paulo” uma crónica diária (“Bilhetes do Rio”). Voltando a São Paulo exerceu diversos cargos na administração pública.
Foi eleito em 1919 para a Academia Brasileira de Letras, ocupando o lugar de Olavo Bilac. Surpreendia todos com a sua extraordinária erudição, tendo em conta os seus poucos estudos oficiais. Dedicou-se a estudar o folclore e, cientificamente, também os dialectos do Brasil. Neste último aspecto, ele foi um pioneiro. Em “Dialecto Caipira”, publicado em 1920, estudou o linguajar do caipira paulista da área do vale do rio Paraíba, analisando as suas formas e esmiuçando-lhe o vocabulário.
Visando a formação dos jovens, assim como Bilac incentivara o serviço militar, Amadeu Amaral procurou divulgar o escutismo.
A poesia de Amadeu Amaral pode ser enquadrada na fase pós-parnasiana das duas primeiras décadas do século XX. Como poeta, destacou-se pelo desejo de contribuir para a elevação dos seus semelhantes, a ponto do seu sucessor, Guilherme de Almeida, ao ser recebido na Academia, ter intitulado o seu discurso: “A poesia educativa de Amadeu Amaral”.
Por ocasião do VI centenário da morte de Dante, proferiu uma conferência, no Teatro Municipal de São Paulo, enfatizando justamente os aspectos de Dante que exaltam a elevação do espírito humano através da Sabedoria.
Os três pilares da Economia !!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

EFEMÉRIDELuís Carlos Martins Pena, dramaturgo, diplomata e introdutor da comédia de costumes no Brasil, considerado o “Molière brasileiro”, nasceu no Rio de Janeiro em 5 de Novembro de 1815. Faleceu em Lisboa no dia 7 de Dezembro de 1848.
A sua obra foi pioneira, ao contar com ironia e humor, as graças e desventuras da sociedade brasileira e das suas instituições.
Estes aspectos da obra de Martins Pena ficaram-se a dever às características do teatro da época. Quase sempre, após a representação de um drama, era encenada uma farsa, cuja função era aliviar a plateia das emoções causadas pela primeira apresentação. Na maioria das vezes, essas peças eram de origem estrangeira (frequentemente portuguesas). Martins Pena percebeu que poderia dar ao teatro um cunho brasileiro, a partir de tipos, situações e costumes, tanto rurais como urbanos, facilmente identificáveis pelo público carioca. Às cenas rurais, reservou a comicidade e o humor. Às cenas urbanas, reservou a sátira e a ironia, compondo tipos maliciosos e escolhendo temas que representavam muitos dos problemas da época, como o casamento por interesse, a carestia, a exploração do sentimento religioso, a desonestidade dos comerciantes, a corrupção das autoridades públicas, o contrabando de escravos, a exploração do país por estrangeiros e o autoritarismo patriarcal, que se manifestava na escolha de profissão para os filhos e de marido para as filhas.
Filho de pais humildes, órfão de pai e mãe aos dez anos, ficou a cargo de tutores que decidiram o seu ingresso na vida comercial. Concluiu o Curso Comercial aos vinte anos, frequentando depois a Academia Imperial das Belas Artes, onde estudou arquitectura, estatuária, desenho e música. Simultaneamente, estudava línguas, história, literatura e teatro.
Em 4 de Outubro de 1838, foi representada pela primeira vez uma peça sua, "O juiz de paz na roça", pela célebre companhia teatral de João Caetano, o mais famoso actor e encenador da época. No mesmo ano, entrou para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde exerceu diversos cargos, desde amanuense a adido da Legação do Brasil em Londres. Durante todo este período, contribuiu para a literatura brasileira com cerca de trinta peças, das quais aproximadamente vinte foram comédias de costumes e as restantes farsas e dramas. Em 1846/1847, foi crítico teatral no “Jornal do Commercio”.
Contraiu tuberculose em Londres e, em trânsito para o Brasil, veio a falecer em Lisboa, com 33 anos de idade.
A sua produção foi reunida em três livros: “Comédias” (1898), “Teatro de Martins Pena” (1965) e “Folhetins - A semana lírica” (1965) abrangendo a sua colaboração no “Jornal do Commercio”.
Uma das principais salas do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, tem o seu nome.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

EFEMÉRIDECarlos Marighella, político e guerrilheiro brasileiro, um dos principais organizadores da luta armada contra o regime militar de 1964, morreu em São Paulo no dia 4 de Novembro de 1969, completam-se hoje 40 anos. Nascera em Salvador, em 5 de Dezembro de 1911.
Era um dos sete filhos do operário Augusto Marighella, imigrante italiano, e da baiana Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos africanos trazidos do Sudão. Concluiu os cursos primário e secundário e, em 1934, abandonou o curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Bahia para ingressar no Partido Comunista do Brasil (PCB). Tornou-se militante profissional do partido e mudou-se para o Rio de Janeiro.
Fora preso pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas a Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiu a sua militância política. No 1º de Maio de 1936, durante a Ditadura Vargas, foi preso por subversão e torturado pela polícia. Permaneceu encarcerado durante um ano. Ao sair da prisão entrou na clandestinidade até ser recapturado em 1939. Novamente foi torturado e ficou na prisão até 1945, beneficiando então de uma amnistia.
Foi eleito deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1946, mas perdeu o mandato em 1948, em virtude de nova proscrição do partido. Voltou à clandestinidade, ocupando diversos cargos na direcção partidária. Passou os anos de 1953 e 1954 na China, a fim de conhecer de perto a recente revolução chinesa. Em Maio de 1964, após o golpe militar no Brasil, foi baleado e preso por agentes do “Dops” dentro de um cinema no Rio de Janeiro. Libertado em 1965 por decisão judicial, optou no ano seguinte pela luta armada contra a ditadura, escrevendo “A crise brasileira”. Em Agosto de 1967, participou na I Conferência da OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), realizada em Havana, a despeito da orientação contrária do PCB. Aproveitando a estadia na capital cubana, redigiu “Algumas questões sobre a guerrilha no Brasil”, ensaio dedicado à memória de Che Guevara e tornado público pelo Jornal do Brasil em 5 de Setembro de 1968. Foi expulso do partido em 1967 e, em Fevereiro de 1968, fundou o grupo armado “Acção Libertadora Nacional”. Em Setembro de 1969, a ALN participou no sequestro do embaixador norte-americano, numa acção conjunta com o “Movimento Revolucionário 8 de Outubro”.
Com o endurecimento do regime militar, os órgãos de repressão concentraram esforços para a sua captura. Na noite de 4 de Novembro de 1969, Marighella foi surpreendido por uma emboscada na capital paulista. Foi morto a tiro por agentes do “DOPS”.
Em 1996, o Ministério da Justiça reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de Marighella, decidindo mais tarde, em 2008, que a sua companheira Clara Charf deveria receber uma pensão vitalícia do governo brasileiro.
Marighella mostrara desde muito cedo pendor para a poesia. No curso de engenharia, divertia professores e colegas fazendo provas em verso. A sua obra poética está reunida no livro “Rondó da Liberdade”. Os seus poemas, de carácter nitidamente político, apresentam por vezes um notável lirismo.
Escreveu um “Manual de Guerrilha Urbana”, pouco antes de ser assassinado. Traduzido em várias línguas, foi utilizado no treino de vários movimentos revolucionários, sobretudo europeus.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

EFEMÉRIDE Paul Mauriat, famoso chefe de orquestra francês, especializado em música de variedades de grande qualidade, faleceu em Perpignan no dia 3 de Novembro de 2006. Nascera em Marselha, em 4 de Março de 1925. O seu trabalho mais famoso data de 1968: "L'Amour est bleu" ("O Amor é Azul").
Paul Mauriat era filho de uma família de músicos, tendo tido o pai como seu primeiro mestre. Aos quatro anos, iniciou os estudos de piano. Aos dez, entrou para o Conservatório de Paris, saindo quatro anos mais tarde decidido a seguir a carreira de concertista.
O seu encontro com o jazz influenciou decididamente o estilo que o tornaria famoso em todo o mundo.
Cresceu em Paris e, aos dezassete anos, organizou a sua própria orquestra, apresentando-se em cabarés e teatros de França e noutros países europeus. Na década de 1950, tornou-se o arranjador preferido de vários cantores franceses, entre os quais se destaca a figura de Charles Aznavour. Entre 1967 e 1972 escreveu muitas canções para Mireille Mathieu.
Retirou-se da profissão em 1998, com um último show em Osaka no Japão. No início do mês de Novembro de 2006, foi internado no hospital de Perpignan e, dois dias depois, faleceu com 81 anos.
O seu estilo único, com arranjos rebuscados e belos, permanecerá eterno entre os milhões de fãs que deixou em todo o mundo.
Paul Mauriat é o único artista francês a ter estado classificado nº 1, nas vendas dos Estados-Unidos durante sete semanas. Foi muito popular no Japão, onde figurou como ícone francês ao lado de Dior e Chanel.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

EFEMÉRIDEBurton Stephen Lancaster, conhecido como Burt Lancaster, actor e realizador de cinema norte-americano, nasceu em Nova Iorque no dia 2 de Novembro de 1913. Faleceu em Los Angeles, em 20 de Outubro de 1994.
Na sua juventude foi craque em vários desportos e tinha um físico musculoso, com 1m88 de altura. A sua actividade artística começou como acrobata e durante dez anos apresentou-se em feiras, circos e shows de variedades.
Começou a fazer cinema em 1946, actuando em filmes de acção, thrillers e westerns, movendo-se gradualmente para papéis mais exigentes e sérios, à medida que ia ganhando prestígio. Participou em dezenas de filmes dos anos 1940 aos anos 1980 e seu talento foi reconhecido quando ganhou o Oscar de Melhor Actor em 1960.
Foi nos anos 1950 que alcançou maior popularidade, tendo sido nomeado para o Oscar em 1953. Receberia mais três nomeações em 1960, 1962 e 1980. Além das interpretações dramáticas, Lancaster brilhou em filmes nos quais pôde exibir a sua excelente forma atlética.
Além de actor, Lancaster foi também um empresário ambicioso e bem sucedido, realizando várias produções independentes com sucesso. O filme “Marty”, vencedor do Oscar de 1955, foi produzido pela companhia de Harold Hecht e Burt Lancaster, com um pequeno orçamento.
Em 1962 ganhou o "Prémio de Melhor Actor” no Festival de Veneza pela sua actuação em “O Homem de Alcatraz”.
Burt Lancaster foi também um empenhado activista liberal, falando várias vezes em nome das minorias. Em 1963 participou numa marcha organizada por Martin Luther King e foi sempre um defensor das causas indígenas.
Trabalhou com alguns dos maiores cineastas do seu tempo, como Bernardo Bertolucci, Luchino Visconti, Louis Malle e John Huston, entre outros. Construiu assim uma carreira sólida e é reconhecido como um dos maiores actores de sua geração.
Depois de uma operação de urgência ao coração, teve uma trombose cerebral em 1990, que o deixou numa cadeira de rodas. Morreu em Los Angeles quatro anos depois, de ataque cardíaco. Possui uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood.
Burt Lancaster ocupa a 19ª posição masculina na Lista das 50 Maiores Lendas do Cinema, divulgada pelo American Film Institute em 1999.
Não aceitou o papel principal em "Patton" (1970), por ser contrário ao envolvimento americano na Guerra do Vietname.

domingo, 1 de novembro de 2009

EFEMÉRIDEO “Terramoto de Lisboa” ocorreu no dia 1 de Novembro de 1755 e destruiu quase completamente a cidade, atingindo também grande parte do litoral algarvio. O sismo foi seguido por um tsunami - que se crê ter atingido uma altura entre 5 e 20 metros - e de múltiplos incêndios, tendo feito seguramente mais de dez mil mortos. Houve quem apontasse um número de vítimas entre 90 000 e 100 000. Foi um dos sismos mais mortíferos da História, atingindo segundo os geólogos modernos uma magnitude entre 8,5 e 9 na escala de Richter.
Teve um enorme impacto político e socioeconómico na sociedade portuguesa do século XVIII, dando origem aos primeiros estudos científicos do efeito de um terramoto numa área alargada, marcando assim o nascimento da moderna Sismologia.
O sismo fez-se sentir cerca das 9:30 da manhã, no dia que coincide com o feriado de Todos-os-Santos. O epicentro não é conhecido com exactidão, havendo diversos sismólogos que propõem locais distanciados entre eles de centenas de quilómetros. No entanto, todos convergem para um epicentro no mar, entre 150 a 500 quilómetros a sudoeste de Lisboa. Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, durante seis minutos a duas horas e meia, causando fissuras enormes de que ainda hoje há vestígios em Lisboa.
Com os vários desmoronamentos, os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao recuo das águas, mostrando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Poucas dezenas de minutos depois, porém, um tsunami fez submergir o porto e o centro da cidade, tendo as águas penetrado até 250 metros dentro de Lisboa. Nas áreas que não foram afectadas pelo tsunami, o fogo alastrou e os incêndios duraram pelo menos cinco dias.
As ondas de choque do sismo foram sentidas por toda a Europa e norte de África. As cidades marroquinas de Fez e Meknès sofreram também danos e perdas de vida consideráveis. Os maremotos originados pela movimentação tectónica varreram locais desde o norte de África até ao norte da Europa, afectando os Açores e a Madeira e locais tão longínquos como Antígua, Martinica e Barbados. Cerca de 85% das construções de Lisboa foram destruídas, incluindo palácios famosos e bibliotecas, conventos e igrejas, hospitais e importantes estruturas. Várias construções que sofreram poucos danos causados pelo terramoto foram destruídas pelo fogo que se seguiu ao abalo sísmico.
O Palácio Real, que se situava na margem do Tejo, onde hoje existe o Terreiro do Paço, foi destruído pelos abalos sísmicos e pelo tsunami. Da sua biblioteca, perderam-se 70 mil volumes e centenas de obras de arte, incluindo pinturas de Ticiano, Rubens e Correggio. O precioso Arquivo Real, com documentos relativos à exploração oceânica e outros documentos antigos, também desapareceu. O terramoto destruiu ainda as maiores igrejas de Lisboa. As ruínas do Convento do Carmo ainda hoje podem ser visitadas no centro da cidade. O túmulo de Nuno Álvares Pereira, nesse convento, perdeu-se igualmente. O Hospital Real de Todos os Santos foi consumido pelo fogo e centenas de pacientes morreram queimados. Registos históricos das viagens de Vasco da Gama e Cristóvão Colombo foram perdidos.
A família real escapou ilesa à catástrofe. O Rei D. José I e a corte tinham deixado a cidade depois de assistir a uma missa ao amanhecer, encontrando-se em Santa Maria de Belém, nos arredores de Lisboa, na altura do sismo. A ausência do rei deveu-se à vontade das princesas em passar o feriado fora da cidade.
Tal como o rei, o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra e futuro Marquês de Pombal e primeiro-ministro, sobreviveu ao terramoto. Com o pragmatismo que caracterizou a sua futura governação, ordenou ao exército a imediata reconstrução de Lisboa. Conta-se que à pergunta «E agora?» teria respondido: «Enterram-se os mortos e cuida-se dos vivos». A sua rápida resolução levou a organizar equipas de bombeiros para combater os incêndios e recolher os milhares de cadáveres para evitar epidemias.
Menos de um ano depois do terramoto, praticamente já não se encontravam ruínas em Lisboa e os trabalhos de reconstrução iam adiantados. O rei desejava uma cidade nova, ordenada e com grandes praças e avenidas largas e rectilíneas. Na época alguém perguntou ao Marquês de Pombal para que serviam ruas tão largas, ao que ele respondeu que um dia haveriam de achá-las muito estreitas...
O novo centro da cidade, hoje conhecido por “Baixa Pombalina” é uma das zonas nobres de Lisboa. Foram os primeiros edifícios mundiais a serem construídos com protecções anti-sísmicas, que foram testadas em modelos de madeira, utilizando-se tropas a marchar à volta para simular as vibrações sísmicas.
O facto de o terramoto ocorrer num dia santo e destruir várias igrejas importantes levantou muitas questões religiosas por toda a Europa. Para a mentalidade religiosa do século XVIII, tinha sido uma manifestação da ira divina de difícil explicação.
A eficácia da resposta do Marquês do Pombal (cujo título lhe foi atribuído em 1770) garantiu-lhe um maior poder e influência perante o rei, que também aproveitou para reforçar o seu poder e consolidar o Absolutismo. A destruição da cidade de Lisboa frustrou no entanto muitas das ambições coloniais do Império Português de então.
O Marquês do Pombal ordenou um inquérito, enviado a todas as paróquias do país, para apurar a ocorrência e os efeitos do terramoto. O questionário incluía as seguintes questões: Quanto tempo durou o terramoto? Quantas réplicas se sentiram? Que tipo de danos causou? Os animais tiveram comportamento estranho? Que aconteceu nos poços? As respostas estão ainda arquivadas na Torre do Tombo. Através delas foi possível aos cientistas actuais recolherem dados fiáveis e reconstituírem o fenómeno numa perspectiva científica. O inquérito do Marquês do Pombal foi a primeira iniciativa de descrição objectiva no campo da sismologia, razão pela qual é considerado um precursor desta ciência.
Numerosos animais pressentiram o perigo e fugiram para pontos altos, antes da chegada das águas. Foi a primeira vez que tal comportamento foi devidamente observado e estudado.

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muito mais...