quarta-feira, 30 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEVirginia Mayo, de seu verdadeiro nome Virginia Clara Jones, actriz norte-americana, nasceu em Saint Louis, Missouri, no dia 30 de Novembro de 1920. Morreu em Thousand Oaks, Califórnia, em 17 de Janeiro de 2005.


Desde cedo manifestou interesse pela vida artística. Aos seis anos foi matriculada na escola de arte dramática de uma tia. Em 1937, já cantava na St. Louis Municipal Opera e participava em peças de teatro amador, interpretando inclusivamente Shakespeare.


Foi dançarina de comédias durante três anos, até ser descoberta por um “olheiro” da MGM, quando representava na Broadway. Assinou contrato com Samuel Goldwyn, que inicialmente a colocou no seu grupo de coristas, as "Goldwyn Girls". Após várias figurações, Virginia interpretou em 1943 um dos personagens secundários de “Jack London”, biografia romanceada do notável escritor. Dona de uma beleza esfuziante, com cabelos louros acinzentados e olhos límpidos de cor verde, Virginia foi verdadeiramente lançada no ano seguinte, ao lado de Bob Hope, no grande sucesso “The Princess and the Pirate”.


Com a popularidade conquistada, actuou em “Wonder Man” (1945), o primeiro dos seus cinco bem-sucedidos filmes com Danny Kaye. Brilhou seguidamente em vários outras películas, entre elas duas com Ronald Reagan (1949 e 1952).


Virginia continuou a conquistar as plateias no decorrer da década de 1950, representando ao lado de astros famosos, como Burt Lancaster, Gregory Peck e Paul Newman. Os fãs de westerns foram também brindados com nada menos de doze produções, nomeadamente “Along the Great Divide” (1951) com Kirk Douglas e “The Proud Ones” (1956) com Robert Ryan.


Entretanto, à medida que a década chegava ao fim, Virginia foi diminuindo o ritmo de trabalho. Apareceu algumas vezes em séries televisivas, como “Police Story” e “Murder She Wrote”.


Em 1947, casara-se com Michael O'Shea, com quem viveu até à morte dele em 1973 e com quem contracenou no cinema, televisão, rádio e teatro. Morreu aos 84 anos, vítima de pneumonia.



Pequeno Casanova


Letra linda!

terça-feira, 29 de novembro de 2011




EFEMÉRIDE – Domenico Gaetano Maria Donizetti, compositor de óperas italiano, um dos mais fecundos do Romantismo, nasceu em Bérgamo no dia 29 de Novembro de 1797. Morreu na mesma cidade em 8 de Abril de 1848.


Nasceu numa família pobre sem tradições musicais mas, em 1806, foi um dos primeiros alunos de uma escola caritativa de Bérgamo. Mais tarde, iniciou os seus estudos musicais em Bérgamo e, seguidamente, em Bolonha. As suas primeiras peças foram composições religiosas.


Em 1814 regressou a Bérgamo, ficando responsável pela música na Igreja de Santa Maria Maggiore. Em 1818 foi representada em Veneza a sua primeira ópera, “Enrico di Borgogna”.


O seu primeiro grande sucesso foi “Esule di Roma”, estreada em 1828 em Nápoles. Ajudado pela sua criatividade e por uma força de trabalho fora do comum, começou então a coleccionar êxitos. Em Dezembro de 1830 triunfou no Teatro Carcano de Milão com “Ana Bolema”. Esta ópera não tardou a ser representada em Paris, Londres, Madrid, Dresde e até em Havana.


Novo sucesso em Maio de 1832 com “Eisir d'amore”, representada no Teatro della Canobbiana em Milão. Todos estes sucessos valeram-lhe ser nomeado em 1834 mestre de capela e professor de composição no Real Collegio (conservatório) de Nápoles.


Em 1835, a convite de Rossini, deslocou-se a Paris onde apresentou “Marin Faliero” no Théâtre des Italiens. Neste mesmo ano foi feito cavaleiro da Legião de Honra pelo rei Luís-Filipe. Seguiram-se vários êxitos, mesmo depois da morte de sua mulher em Julho de 1837, facto que o mergulhou numa profunda depressão.


No ano seguinte, a proibição pela censura napolitana de “Poliuto” e a decepção por não ter sido nomeado director do conservatório depois da morte de Zingarelli, levaram-no a abandonar Nápoles e a instalar-se em Paris. Em colaboração com Eugène Scribe, criou então uma série de óperas que se tornaram clássicos do reportório lírico mundial. Em 1843 compôs “D. Sebastião, rei de Portugal”, uma “grande ópera” composta em apenas dois meses.


De 1842 a 1846 não parou de viajar, principalmente entre Paris, as grandes cidades italianas e Viena, onde foi nomeado mestre de capela da corte em 1842.


Começou por essa época a sentir as consequências da sífilis, que o iriam impedir de trabalhar. Perdeu a fala, não podia andar e, a pouco a pouco, enlouqueceu. Internado num manicómio em Ivry-sur-Seine, foi posteriormente transferido para uma casa de saúde da sua terra natal, onde faleceu um ano depois.


Donizetti é muito conhecido pelas suas óperas, mas também compôs outros tipos de música. Ao todo foi autor de 71 óperas, 13 sinfonias, 18 quartetos, 3 quintetos, 28 cantatas e 115 outras composições religiosas, sem contar com um número importante de outras peças de música de câmara, oratórios e “peças de salão”.


Herdeiro de Rossini, rival de Bellini, precursor de Verdi, ele faz parte juntamente com eles do grupo de principais compositores do século XIX.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEJózsef Bozsik, famoso futebolista da Hungria, nasceu em Kispest (Budapeste) no dia 28 de Novembro de 1925. Morreu, igualmente na capital húngara, em 31 de Maio de 1978.


Celebrizou-se como um dos componentes da Selecção Húngara, que assombrou o mundo na primeira metade da década de 1950, e do Honvéd, a melhor equipa mundial da época e base da equipa nacional. Além disso, era simultaneamente deputado na Assembleia Nacional.


É ainda hoje o jogador que mais vezes representou a Hungria, mais precisamente 101 vezes (1947/1962). Foi Campeão Olímpico em 1952 e finalista nos Mundiais de 1954.


Passou toda a carreira no Honvéd, desde o tempo em que o clube ainda se chamava Kispesti, sendo colega de Ferenc Puskás, que ingressou na equipa principal dois anos depois dele. A mudança de nome teve lugar em 1949, quando o clube passou a pertencer ao exército. Sendo até então uma equipa mediana, o Honvéd tornou-se a mais forte equipa do país, onde alinhavam vários craques entre os quais se salientavam Grosics, Kocsis e Czibor.


Ganhou o Campeonato Húngaro em 1950, 1951, 1952, 1954 e 1955 e igualmente a Taça da Hungria deste último ano. O Honvéd desmembrou-se após os acontecimentos de 1956 na Hungria e só voltaria a ser campeão na década de 1980, já após a morte de Bozsik que, entretanto, pusera fim à sua carreira de jogador em 1962.


Na época 1966/1967, foi ainda técnico do Honvéd. Morreu aos 52 anos, vítima de insuficiência cardíaca.

domingo, 27 de novembro de 2011



Negro e Branco...




EFEMÉRIDEBruno Eduardo Regufe Alves, futebolista português que joga actualmente no F. C. Zenit de São Petersburgo, nasceu na Póvoa de Varzim em 27 de Novembro de 1981.


Jogador intempestivo e por vezes agressivo, é um defesa central possante e alto (1,90 m), também excelente marcador de livres directos e perigoso nas bolas de cabeça na grande área adversária. Em 2008, foi considerado pela UEFA um dos melhores defesas centrais do mundo. No mesmo ano, foi eleito Melhor Jogador do Campeonato Português.


Formado nas escolas do Varzim S. C., foi para os juniores do F. C. do Porto, passando depois, sucessivamente, por diversos empréstimos (S. C. Farense, V. S. C. Guimarães e AEK de Atenas). Regressou ao Porto em 2005/06, não sendo todavia uma primeira opção de Co Adriaanse, que treinava então o clube.


Com a chegada do técnico Jesualdo Ferreira, ganhou o seu lugar no onze, ao lado de Pepe.


Quando todos diziam que o seu bom desempenho estava relacionado com a presença de Pepe a seu lado, Bruno provou o contrário em 2005, afirmando-se como uma das peças basilares do Porto, mérito reconhecido por Scolari (treinador da Selecção Portuguesa nessa altura), com a chamada à Selecção Nacional. Foi convocado para os jogos de qualificação para o Mundial da África do Sul e considerado um dos mais determinantes jogadores da Selecção Portuguesa, marcando também alguns golos decisivos. Bruno Alves teve uma boa prestação nos Mundiais de 2010, sendo mais uma vez um dos jogadores fulcrais. Foi apontado como um dos melhores defesas centrais da competição.


Em Agosto de 2010, assinou contrato com o Zenit, mediante o pagamento de 22 milhões de euros ao Porto. Era um dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos nortenhos, pois estes consideravam-no a alma da equipa e um grande capitão.


Pelo Porto, foi Campeão de Portugal em 2005/06, 2006/07, 2007/08 e 2008/09; ganhou as Taças de Portugal de 2005/06, 2008/09 e 2009/10 e a Super Taça Cândido de Oliveira de 2008/09. Pelo Zenit, foi Campeão Russo e conquistou a Taça da Rússia em 2010.

sábado, 26 de novembro de 2011



Bricolage - Conchas de sopa...



A crise...



EFEMÉRIDECicciolina, de seu verdadeiro nome Ilona Anna Staller, activista política filiada no Partido Radical Italiano e ex-actriz pornográfica e cantora, nasceu em Budapeste no dia 26 de Novembro de 1951. Em 1964, começou a trabalhar para a M.T.I., agência húngara de manequins.


Naturalizada italiana graças ao seu primeiro casamento, conheceu na década de 1970 o produtor de filmes pornográficos Riccardo Schicchi, com o qual fez várias películas. Ganhou também fama com um programa chamado “Voulez-vous coucher avec moi?” na Rádio Luna. Foi neste programa que adoptou o nome artístico de “Cicciolina”.


Em 1978, num programa da RAI chamado “C'era due volte”, mostrou pela primeira vez os seios em directo na televisão italiana.


Filiou-se em 1979 na Lista del Sole, o primeiro partido ambientalista de Itália. Em 1985 mudou-se para o Partido Radical, fazendo campanha contra a energia nuclear e a NATO, pelos direitos humanos e contra a fome no mundo. Cicciolina foi eleita para o Parlamento Italiano em 1987, representando o distrito de Lazio em Roma. O seu último filme pornográfico estreou-se em 1989.


Em 1991, casou-se com o escultor americano Jeff Koons. O marido esculpiu e pintou-se a si próprio a fazer amor com Ilona, exibindo o conjunto da obra sob o título genérico “Feito no Paraíso”. O casamento acabou em 1992 e o filho de ambos, Ludwig, nasceu pouco tempo depois. Cicciolina saiu dos Estados Unidos, após o início de uma longa batalha judicial para ficar com a custódia da criança. Jeff ganhou a guarda do filho em 1998, mas ele continuou a viver com a mãe em Itália.


Em 1997, Cicciolina fez uma participação especial na novela “Xica da Silva” da extinta Rede Manchete do Brasil.


Em Janeiro de 2002, estudou a hipótese de fazer campanha política na Hungria, sua terra natal, representando o distrito de Kobánya, mas falhou ao não obter as assinaturas suficientes para uma candidatura sem filiação partidária. Posteriormente, expressou interesse em candidatar-se ao cargo de Presidente da Câmara de Milão.


Em Julho de 2005, foi capa da revista Playboy, edição sérvia. Continuou politicamente activa, lutando por um futuro livre da energia nuclear e com absoluta liberdade sexual, incluindo o direito ao sexo nas prisões. Ilona é contra todas as formas de violência, incluindo a pena de morte e o uso de animais em testes científicos, e a favor da legalização das drogas, contra a censura de qualquer tipo, a favor da educação sexual nas escolas e da informação directa e objectiva no que diz respeito à SIDA.


Ficou conhecida igualmente pelo seu exibicionismo. Quando de um debate televisivo num canal italiano, mostrou o seio esquerdo nu para ilustrar o seu posicionamento político. Criticada pela imprensa italiana, replicou: «O meu peito nunca feriu ninguém, enquanto a guerra contra Bin Laden já causou milhares de mortos…». Retirou-se da vida pública em Setembro de 2011.


Rapsódia Húngara nº 2 - 1946

sexta-feira, 25 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEKarl Friedrich Michael Benz, inventor alemão, pioneiro do automóvel, nasceu em Karlsruhe no dia 25 de Novembro de 1844. Morreu em Ladenburg, em 4 de Abril de 1929. Foi o inventor, juntamente com Gottlieb Daimler, do automóvel movido a gasolina como o conhecemos actualmente.


Estudou Engenharia Mecânica na Universidade de Karlsruhe. Em 1871 fundou a sua primeira sociedade (materiais de jardinagem). Em 1883 fundou a Benz & Cª e começou a construir motores industriais em Mannheim. Dois anos mais tarde, desenvolveu o Triciclo Benz 1, instalando um monocilindro arrefecido por água, com um litro de cilindrada e 560 watts, com arranque eléctrico, válvula de admissão comandada, caixa de velocidades e diferencial. Em 1886 registou a respectiva patente.


Em Agosto de 1894, a sua esposa, utilizando o protótipo, percorreu o primeiro trajecto de longa distância, os 104 quilómetros que separam Mannheim de Pforzheim. Esta proeza, à velocidade notável para a época de 15 km/h, incitou Karl Benz a aperfeiçoar o veículo, acrescentando-lhe nomeadamente uma velocidade suplementar para afrontar as subidas mais comodamente e com mais eficácia.


Em 1893 fabricou a primeira viatura Benz com quatro rodas, a Benz Victoria, seguida da Benz Velo que se tornaria o modelo de base dos primeiros camiões e autocarros em 1895. Em 1896, surgiu a primeira Benz Kontra-Motor, com um motor de dois cilindros horizontais opostos. O primeiro camião foi fabricado no mesmo ano. Dois anos depois, adoptou pneus em borracha à Benz Confortable. Em 1899 a produção atingia já 572 viaturas e, no ano seguinte, seriam fabricados 603 veículos.


O primeiro automóvel de corrida apareceu em 1899 e esteve na origem de numerosos sucessos.


Em Novembro de 1914, a Universidade de Karlsruhe, onde ele tinha estudado, outorgou-lhe o título de Doutor Honoris Causa.


Em 1924, Karl Benz e Paul Daimler (filho e sucessor de Gottlieb Daimler, proprietário da marca Mercedes) encetaram uma estreita colaboração, que culminaria com a fusão das suas empresas e a criação em 1926 da sociedade Mercedes-Benz.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011


Anos 1960



EFEMÉRIDEEmir Kusturica, realizador de cinema sérvio, nasceu em Sarajevo no dia 24 de Novembro de 1954. Com muitos trabalhos internacionalmente reconhecidos, ele é considerado um dos mais criativos realizadores das décadas 1980/1990.


Começou a fazer cinema ainda no liceu, dirigindo filmes independentes. Alguns deles foram premiados em festivais para amadores. Estudou depois na FAMU, famosa academia cinematográfica de Praga, entre 1973 e 1977. Ganhou o 1º Prémio do Festival Internacional de Cinema Estudantil de Karlovy-Vary, na então Checoslováquia, com o seu projecto final de graduação, a curta-metragem a preto-e-branco “Guernica” (1978).


De volta à Jugoslávia, trabalhou para a Televisão, onde dirigiu, entre outros, “A chegada das noivas” (1979), que causou celeuma e foi interdito, e “Bar Titanic” (1980), que lhe valeu o 1º Prémio do Festival do Telefilme de Portoroz (Eslovénia). A sua primeira longa-metragem, “Lembras-te de Dolly Bell?” (1981), foi um sucesso junto da crítica internacional, sendo laureada em Veneza com o Leão de Ouro para Realizadores Estreantes e premiada no Festival do Filme Internacional de São Paulo.


Em 1985, ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, com o filme “Papá está numa viagem de negócios”.


Para além de cineasta, Emir Kusturica é também músico, tendo um projecto musical denominado Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra.


Foi considerado o Melhor Realizador no Festival de Cannes (1989), recebeu o Urso de Prata do Festival de Berlim (1993) e a Palma de Ouro do Festival de Cannes (1995).


Os prémios recebidos abriram-lhe todas as portas, nomeadamente as internacionais. A Columbia interessou-se por ele e propôs-lhe um contrato mirabolante. “O Tempo dos Ciganos” foi apresentado em Cannes, onde obteve o Prémio da Melhor Encenação (1989). Emir Kusturica foi então chamado a Nova Iorque pelo realizador checo Miloš Forman (antigo seu colega na FAMU e presidente do júri que lhe atribuiu em Cannes a Palma de Ouro em 1985), para o substituir na Universidade de Columbia.


Um dos seus alunos, David Atkins, propôs-lhe um projecto que se tornaria no filme “Arizona Dream”. Interrompeu o ensino para se dedicar inteiramente a esta obra consagrada ao sonho americano. A concepção do filme tornou-se difícil com o início do conflito na Jugoslávia, ao qual assistia impotente, a milhares de quilómetros de distância. Interrompeu várias vezes a rodagem da película para fazer idas e voltas à sua terra, com a finalidade de ajudar e apoiar os pais. Depois da pilhagem da casa familiar de Sarajevo, com o roubo dos seus primeiros troféus, fez deslocar os pais para Montenegro. Apesar de tudo, conseguiu acabar “Arizona Dream”, que obteve o Urso de Prata no Festival de Berlim (1993).


Regressou à terra natal e, com o filme “Underground”, abordou o difícil tema da guerra na ex Jugoslávia. Trata-se sem dúvida da película mais dolorosa, mas também a mais visionária e mais inventiva da carreira de Kusturica, alimentada por uma força poética de rara intensidade. O filme foi realizado em parte nos estúdios de Praga (interiores) e outra parte (exteriores) em Belgrado, em plena guerra. Com “Underground”, ganhou uma segunda Palma de Ouro em Cannes (1995).


Em 1998, com “Gato preto, gato branco”, recebeu um Leão de Prata no Festival de Veneza.


Foi presidente do júri no Festival de Veneza (1999) e de Cannes (2003 e 2005). Filmou “A vida é um milagre”, César do Melhor Filme da União Europeia em 2005. Depois de passar um ano a trabalhar num documentário sobre o futebolista Diego Maradona, começou a rodagem de “Promete-me”, ambos estreados em 2008.


Encenou uma ópera punk, “O Tempo dos Ciganos” (baseada no filme homónimo de 1989), cuja primeira representação teve lugar na Ópera da Bastilha em Paris (2007), tendo tido grande êxito junto da crítica e dos espectadores.


Foi condecorado com a Legião de Honra Francesa em 14 de Julho de 2010.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEIsabel de Castro, actriz portuguesa, morreu em Borba no dia 23 de Novembro de 2005. Nascera em Lisboa, em 1 de Agosto de 1931.


Estreou-se no cinema aos catorze anos, no filme “Ladrão, Precisa-se!” de Jorge Brum do Canto (1946). O seu último filme foi “A Casa Esquecida” em 2004.


No início da sua carreira participou em várias películas espanholas. Ao longo da vida, protagonizou cerca de cinquenta filmes, tendo alargado as suas actuações ao teatro e à televisão.


Recebeu vários prémios e galardões, tendo trabalhado com muitos realizadores, entre os quais se salientam: Perdigão Queiroga, Jorge Brum do Canto, Artur Semedo, Manoel de Oliveira, João Botelho, António de Macedo, Margarida Gil, Solveig Nordlund e Inês de Medeiros.


Entrou em series de televisão, como “Duarte & Cª.” na Rádio Televisão Portuguesa. A sua última participação ocorreu na telenovela “Anjo Selvagem” na TVI.


Espectáculo nocturno nos EE UU

terça-feira, 22 de novembro de 2011



EFEMÉRIDEOscar Pistorius, primeiro atleta “paraolímpico” a competir oficialmente a nível mundial com atletas não deficientes, nasceu em Pretória, na África do Sul, em 22 de Novembro de 1986. É conhecido como o “Blade Runner” (“Corredor Lâmina”), por não ter as duas pernas e usar próteses finas feitas de fibra de carbono.


Foram-lhe amputadas as duas tíbias, quando tinha apenas onze meses de idade. Corre com duas próteses em carbono, especialmente concebidas para a competição desportiva. O seu custo ultrapassa os 20 000 euros. As suas partidas são lentas e tem dificuldade em abordar as curvas.


Em 2004, nos Jogos Paraolímpicos de Atenas, ganhou a Medalha de Bronze nos 100 metros e a de Ouro nos 200 metros. No ano seguinte, na Taça do Mundo Paraolímpica, conquistou as Medalhas de Ouro nas mesmas provas. Em 2008, nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, ganhou as Medalhas de Ouro de 100, 200 e 400 metros.


A sua participação nos Jogos Olímpicos de 2008 foi rejeitada pelo Comité Olímpico Internacional, por considerar que as suas próteses lhe conferiam vantagem sobre os demais atletas. O atleta recorreu da decisão e, em Maio de 2008, o Tribunal de Arbitragem Desportiva autorizou-o a competir nos Jogos Olímpicos de Pequim. Para correr na prova de 400 metros deveria obter a marca mínima exigida pela Associação Internacional de Federações de Atletismo, mas poderia ser seleccionado para a prova de 4x400 estafetas independentemente do seu tempo. Pistorius falharia a qualificação por 70 centésimos de segundo.


Publicou em 2010 o livro “Correr atrás de um sonho”. Nos Mundiais de Atletismo de 2011, realizados em Daegu, na Coreia do Sul, competindo finalmente em igualdade com atletas não deficientes, alcançou as meias-finais dos 400 metros e da estafeta 4x100, ganhando a Medalha de Prata na estafeta 4x400.


As suas melhores marcas são: 10,91 nos 100 metros (2007); 21,41 nos 200 metros (2010); e 45,07 nos 400 metros (2011). As três marcas constituem recordes mundiais de “paraolímpicos”.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEJoão Domingos da Silva Pinto, um dos mais famosos futebolistas portugueses das décadas 1980/1990, nasceu em Vilar de Andorinho no dia 21 de Novembro de 1961.


Actuando na posição de defesa-direito, jogou no F. C. do Porto durante toda a sua carreira profissional e representou a Selecção Portuguesa em 70 partidas. Começou a jogar aos 12 anos no Clube de Futebol de Oliveira do Douro. Chegou ao Porto com 14 anos, cumprindo grande parte da sua formação no clube nortenho. Em 1981/82 integrou pela primeira vez a equipa principal, mas só na época seguinte conquistaria a titularidade, sob o comando de José Maria Pedroto. Foi titular do Porto durante mais de uma década e nunca mais vestiu outra camisola, tendo envergado a braçadeira de capitão durante grande parte da sua carreira.


Em 1984 jogou a final da Taça das Taças Europeia, que o Porto perdeu frente à Juventus. Três anos depois, já como capitão de equipa, levantou a Taça dos Clubes Campeões Europeus em Viena e ficou para a história por não ter largado a taça por um momento sequer, desde que esta lhe foi entregue até recolher aos balneários. A Taça Intercontinental e a Super Taça Europeia da mesma época (1986/87) completam o seu palmarés internacional.


A nível interno, jogou 407 jogos e conquistou mais de vinte títulos, incluindo os três primeiros do histórico “Penta” (única altura em que um clube português foi campeão cinco vezes consecutivas). No final da época 1996/97, João Pinto decidiu terminar a carreira. Na festa de apresentação do plantel para a época seguinte, despediu-se dos adeptos numa cerimónia simbólica em que entregou a braçadeira de capitão e a camisola número “2” a Jorge Costa.


A estreia de João Pinto na Selecção Portuguesa aconteceu em 1983, quando tinha pouco mais de 21 anos e já contava com 34 internacionalizações nas selecções jovens. Ao disputar a sua 67ª partida pela Selecção Nacional, João Pinto tornou-se o futebolista português mais internacional de sempre, título que deteve até ser ultrapassado por Vítor Baía. É o jogador que mais vezes capitaneou a Selecção de Portugal (42 dos 70 jogos que disputou).


Venceu 9 Campeonatos Nacionais (1984/85, 1985/86, 1987/88, 1989/90, 1991/92, 1992/93, 1994/95, 1995/96, 1996/97), 4 Taças de Portugal (1983/84, 1987/88, 1990/91, 1993/94) e 8 Super Taças Cândido de Oliveira (1983, 1984, 1986, 1990, 1991, 1993, 1994, 1996).


Em 1997/98, terminada a sua carreira como jogador, João Pinto assumiu o comando da equipa de juniores do Porto, que treinou durante sete épocas. Em 2004/05 passou a estar ligado à equipa principal, desempenhando por dois anos o papel de observador. No início da época 2006/07, o treinador holandês Co Adriaanse e dois dos seus adjuntos pediram a demissão poucos dias da Super Taça que o Porto disputaria contra o Vitória de Setúbal, ficando a equipa técnica portista reduzida a dois elementos. Foi nesta situação delicada que João Pinto seria convidado a assumir a posição de treinador adjunto, completando a equipa técnica que venceria a Super Taça. Poucos dias depois, foram contratados o treinador Jesualdo Ferreira e o seu adjunto Carlos Azenha, mas João Pinto permaneceu na equipa técnica.


Como treinador dos juniores, venceu os Campeonatos Nacionais de 1997/98 e 2000/01 e um Campeonato Distrital (1997/98).


Como treinador adjunto do Porto, ganhou 3 Campeonatos Nacionais (2006/07, 2007/08 e 2008/09), 2 Super Taças Cândido de Oliveira (2006 e 2009) e uma Taça de Portugal (2008/09).

domingo, 20 de novembro de 2011




EFEMÉRIDENené, de seu verdadeiro nome Tamagnini Manuel Gomes Batista, ex-futebolista português, nasceu em Leça da Palmeira no dia 20 de Novembro de 1949.


Começou a sua carreira no Ferroviário da Manga, em Moçambique, vindo depois para o Sport Lisboa e Benfica, onde jogou desde a época 1966/67 até 1985/86.


Venceu numerosas competições de que se destacam: um Campeonato Nacional de Juniores, 12 Títulos Nacionais, 8 Taças de Portugal, 2 Super Taças de Portugal e uma Taça Ibérica. Foi o Melhor Marcador do Campeonato por duas vezes.


Jogou 66 vezes pela Selecção Nacional (1971/1984), tendo marcado 22 golos. Foi o jogador português com mais internacionalizações durante dez anos (1984-1994). Em 1994, o recorde seria batido por João Pinto, jogador do F. C. do Porto.


Durante a sua vida desportiva, alinhou em 1020 encontros e marcou 594 golos. É o jogador do Benfica com mais jogos realizados no clube e o 3º melhor goleador de sempre, depois de Eusébio e José Aguas.

sábado, 19 de novembro de 2011


Fado Falado - João Villaret



EFEMÉRIDEMarco António Martins Chagas, antigo ciclista profissional português, nasceu em Pontével no dia 19 de Novembro de 1956.


Venceu as Voltas a Portugal em 1982, 1983, 1985 e 1986, sendo o ciclista com mais vitórias na competição.


Foi duas vezes Campeão de Portugal de Estrada (1982 e 1985) e uma vez Campeão de Portugal de Perseguição (1977). Correu duas vezes a Volta a França (1980 e 1984).


Em 1979, 1984 e 1987, venceu a Volta e Portugal mas foi desclassificado por abuso de substâncias proibidas.


Com 74 vitórias na sua carreira, entre as quais 22 em etapas da Volta a Portugal, Marco Chagas foi director desportivo de algumas equipas profissionais depois de se retirar da competição. É actualmente comentador televisivo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011



MENINO JESUS

1
Menino de alma risonha
E Homem de olhar profundo,
Manjedoura foi cegonha
Que te trouxe a este Mundo

2
Menino de alma risonha,
Tu viveste além da morte.
Teu fim foi coisa medonha,
Merecias melhor sorte.

3
Menino de alma risonha
Tão novo crucificado
Por algozes sem vergonha
Que os há em todo o lado.

4
Menino de alma risonha,
Em manjedoura nascido,
Foram homens com peçonha
Que acabaram contigo!



Gabriel de Sousa



Telefonema para a Danone...




EFEMERIDE Alain Barrière, de seu verdadeiro nome Alain Bellec, cantor, autor e compositor francês, nasceu em Trinité-sur-Mer, no dia 18 de Novembro de 1935.


Estudou na École Nationale Supérieure d'Arts et Métiers em Angers. Ainda estudante, comprou uma guitarra e começou a escrever as primeiras canções. Formou-se em Engenharia em 1960. Partiu para Paris à procura de emprego e começou a cantar à noite em pequenos clubes nos arredores da cidade. Concorreu ao festival Coq d’or em 1961, com uma canção composta por si, “Cathy”, conquistando o 1º prémio e conseguindo um contrato com uma editora discográfica. Começou a lançar singles com regularidade.


Em 1962, apresentou-se no Olympia num programa de Colette Renard, onde interpretou cinco canções. Em 1963, a canção “Elle était si jolie” foi escolhida como representante da França no Festival Eurovisão da Canção que se realizou em Londres. Terminou a competição em 5º lugar, entre 16 participantes. A canção tornou-se no maior sucesso da sua carreira. Em Setembro, actuou novamente no Olympia num espectáculo de Paul Anka, interpretando dez canções. Continuou a apresentar-se regularmente nesta emblemática sala de espectáculos parisiense.


Em 1964, lançou o seu primeiro álbum, “Ma vie”, que obteve igualmente enorme sucesso. Em 1965, foi-lhe proposto um papel num heist thriller, “Pas de panique”, juntamente com Pierre Brasseur. Esta seria no entanto a sua única aventura no campo da representação. O auge da sua carreira, no final da década de 1960, fez dele uma das principais estrelas da música francesa daquele tempo.


Barrière ganhou a reputação de ter um temperamento difícil. Nos inícios da década de 1970, deixou a editora Barclay para criar ele próprio a Albatros. Conseguiu conquistar uma importante base de fãs, com os quais assegurava que as vendas e concertos continuassem a proporcionar-lhe uma vida desafogada, apesar de ser quase ignorado pela televisão e pela rádio. “Tu t'en vas”, que gravou em dueto com a cantora Noëlle Cordier em 1974, foi o terceiro single mais vendido em França.


Casou-se em 1975 e, juntamente com a esposa, abriu um clube nocturno num antigo castelo da Bretanha. Se bem que tivessem sucesso, surgiram problemas com o pagamento de impostos. Em 1977, ele e a família partiram para os Estados Unidos da América onde permaneceram durante quatro anos.


De regresso a França, fez várias tentativas para regressar à vida musical. Depois de outro período no estrangeiro, desta feita no Canadá, a família voltou à Bretanha. A sua carreira foi renovada com o lançamento, em 1997, de um CD com versões remasterizadas dos seus velhos êxitos. Pouco tempo depois, lançou um álbum com novas canções (“Barrière 97”) que também teve sucesso. Em 1998, deu um espectáculo na Salle Pleyel em Paris.


Em 2005 relançou de novo a sua actividade e, no ano seguinte, publicou a autobiografia “Ma vie”. Voltou ao Canadá para dar vários espectáculos e recebeu um Disco de Ouro. Em 2007 fez uma grande tournée pela França e publicou um novo disco.


Em Novembro de 2010 foi lançado “The Best of Alain Barrière”, um álbum com 53 composições. Em Julho de 2011 foi convidado para um espectáculo integrado na partida de uma etapa da Volta a França.


Em 5 de Setembro de 2011, anunciou que se via obrigado a finalizar a sua carreira, tendo mesmo de renunciar ao espectáculo de despedida previsto para cinco dias depois, no Palácio dos Congressos da sua terra natal. Tinha sido vítima de dois AVC e não conseguia manter-se muito tempo de pé.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEAristides Maria Pereira, político de Cabo Verde e seu primeiro Presidente da República, nasceu na ilha da Boavista em 17 de Novembro de 1923. Morreu em Coimbra, Portugal, no dia 22 de Setembro de 2011.


Começou a sua vida profissional como radiotelegrafista, tendo chegado a Chefe dos Serviços de Telecomunicações, na Guiné-Bissau.


A partir da década de 1940, envolveu-se na luta pela independência de Cabo Verde. Em 1956, juntamente com Amílcar Cabral, fundou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), assumindo o cargo de Secretário-Geral em 1973.


Com a conquista da independência em 1975, Aristides Pereira tornou-se Presidente da República de Cabo Verde, cargo que manteve até 1991. Apesar da ausência de eleições, a situação dos direitos humanos em Cabo Verde era uma das melhores da África ocidental. A delegação de poderes a favor dos “comités de cidadãos” permitiu a gradual e completa democratização do país.


Cabo Verde foi um país não alinhado durante a “guerra-fria”. Aristides procurou sempre apoiar o campesinato nas suas reformas económicas. Em 1986, foi agraciado em Portugal com o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique. Em 1991, após eleições democráticas, perdeu a presidência para António Mascarenhas Monteiro.


Faleceu em Portugal, onde estava desde Agosto de 2011, tendo sido operado a uma fractura no colo do fémur, agravada por ser diabético.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEAlain Colas, navegador francês, desapareceu no mar ao largo dos Açores em 16 de Novembro de 1978. Nascera em Clamecy no dia 16 de Setembro de 1943. Foi o primeiro marinheiro a realizar, em solitário, uma volta ao mundo num barco à vela multicasco.


Estudou nos liceus Michelet de Vanves em Clamecy e Jacques Amyot em Auxerre. Fez a disciplina de Filosofia no liceu Paul Bert em Auxerre, obteve o bacharelato em 1961 e frequentou a Faculdade de Letras de Dijon. Estudou Inglês na Sorbonne.


Em Julho de 1963, com 19 anos, fundou o Clube de Canoagem Kayak de Clamecy.


Em 1966, por sugestão do pai, embarcou num cargueiro para a Austrália na mira de um emprego na Universidade de Sydney. Jovem, dinâmico e persuasivo, acabou por ser recrutado pelo St John’s College, onde ensinou Literatura Francesa.


Foi na Austrália que descobriu a vela e as corridas ao largo da baía de Sydney. Em 1967 encontrou Éric Tabarly, que disputava a corrida Sydney-Hobart e que lhe propôs embarcar como cozinheiro a bordo do Pen Duick III num périplo até à Nova Caledónia.


Para Alain, começava a fazer mais sentido o apelo do mar do que a sua carreira universitária. Em Maio de 1968, juntou-se em Lorient a Éric Tabarly, que preparava para a travessia atlântica em solitário, um veleiro experimental gigante, o Pen Duick IV. Colas acompanhou-o durante toda a temporada 1968/1969. Aprendeu assim o ofício de marinheiro de corridas ao largo e tornou-se cronista das suas aventuras marítimas. Em 1970 comprou a Tabarly o Pen Duick IV. Para pagar as primeiras prestações, descreveu as suas viagens na imprensa francesa e anglo-americana e vendeu fotografias.


A fim de treinar e conhecer melhor o barco, participou como franco-atirador na corrida Sydney-Hobart. Foi seguidamente para o Taiti, para fazer reportagens sobre a Polinésia e preparar o seu regresso à metrópole. Encontrou em 1971 uma taitiana, Teura Krause, que se tornou sua companheira e com a qual viria a ter três filhos.


Em Junho de 1972, partiu de Plymouth, em Inglaterra, na 4ª Transat inglesa, uma corrida transatlântica para solitários. Chegou como vencedor a Newport, nos Estados Unidos, pulverizando o recorde da prova com 20 dias 13 horas e 15 minutos.


O seu próximo objectivo era realizar a primeira volta ao mundo em solitário a bordo do Pen Duick IV, rebaptizado Manureva (“o pássaro da viagem” em taitiano) e ligeiramente modificado para afrontar os mares difíceis do hemisfério sul. Alain Colas partiu de Saint-Malo em 8 de Setembro de 1973. Depois de uma escala em Sydney, passou o Cabo Horn em 3 de Fevereiro de 1974. Regressou a Saint-Malo em 28 de Março, batendo por 32 dias o anterior recorde do britânico Francis Chichester, obtido num veleiro monocasco.


Em 1975, concebeu e pôs em marcha a construção de um “quatro mastros”, veleiro de 72 metros de comprimento com alta tecnologia. Assim ia nascer o gigantesco “Club Méditerranée”. Apesar de um grave acidente no tornozelo direito e de vinte e duas cirurgias para salvar o pé, continuou a supervisionar a construção do barco da sua cama no hospital de Nantes.


Em Fevereiro de 1976, o navio foi lançado ao mar no arsenal de Toulon. Era uma vitrina de tecnologia de ponta. Utilizava energia eólica, hidráulica e solar. Possuía um sistema de posicionamento por satélite, um computador e um fax. Em Junho, partiu para a 5ª Transat inglesa. Depois de muitas peripécias e penalizações foi-lhe atribuído o 5º lugar.


Representou depois a França no desfile náutico organizado no rio Hudson, para festejar o bicentenário dos Estados Unidos. Regressado a França, organizou em Agosto e Setembro de 1976 a “Operação Bem-vindos a Bordo”. Acostava o veleiro nos grandes portos da Mancha e do Atlântico, acolhia gratuitamente visitantes durante a manhã e, de tarde, propunha passeios no mar com comparticipação nas despesas, seguidos de projecção de filmes e de conferências. Aproveitava a ocasião para vender os seus livros e objectos ornamentados com o seu logótipo. Continuou com a operação na Primavera e Verão de 1977, nos portos franceses do mediterrâneo.


Em 1978 participou na sua última corrida. A bordo do “velho” Manureva, partiu em 5 de Novembro para a “Primeira Rota do Rum”. No dia 16, quando passava ao largo dos Açores, enviou a sua derradeira mensagem rádio: «Fui apanhado pelo olho do ciclone. Não existe mais céu... Estou cercado por imensas montanhas de água». Navegava entre os primeiros. Do Manureva, ainda concebido em alumínio submersível, não foi encontrado o mais pequeno fragmento.


Diversas homenagens foram-lhe prestadas. Inspirou uma canção de Serge Gainsbourg e o seu nome foi dado a um liceu, a ruas, cais e edifícios em França. Uma estátua em bronze foi inaugurada em 2006 na sua terra natal.


Alain Colas foi o mais megalómano dos velejadores. Ninguém pretendeu voar tão alto como ele. Ninguém teve uma ascensão tão rápida. Ninguém teve uma carreira tão meteórica. Ninguém sofreu um naufrágio tão espectacular.

terça-feira, 15 de novembro de 2011




EFEMÉRIDESérgio Paulo Marceneiro da Conceição, ex-futebolista português, nasceu em Coimbra no dia 15 de Novembro de 1974.


Começou a sua carreira profissional no Penafiel. Depois de ter passado pelo Leça e pelo Felgueiras, ingressou no F. C. do Porto em 1996. Treinado por António Oliveira, assumiu-se como titular indiscutível da equipa que se sagrou Campeã de Portugal em 1996/1997. Na época seguinte foi ainda mais influente, ajudando o Porto a revalidar o título e a conquistar a Taça de Portugal.


As boas exibições de Sérgio Conceição valeram-lhe a transferência por cerca de 10 milhões de euros para o campeonato italiano, um dos mais ricos e competitivos da Europa. Durante as temporadas 1998/99 e 1999/2000, representou a Lázio de Roma, um dos mais importantes clubes italianos. No primeiro ano venceu a Super Taça de Itália e a Taça das Taças, uma importante competição europeia. Na segunda época ganhou o Campeonato Italiano e a Taça de Itália.


Na temporada seguinte, contra sua vontade, foi cedido ao Parma, um clube mais modesto onde também foi titular. A sua cotação levou a que rapidamente, em 2001/2002, ingressasse num clube grande, mais precisamente no Inter de Milão, onde permaneceu durante duas épocas.


Regressado à Lázio de Roma, acabou por rescindir o contrato de mútuo acordo e voltou a Portugal, assinando pelo Porto até ao final da época 2003/2004. Não foi muito feliz, também devido a lesões, e deu por findo o contrato com a equipa portista.


Assinou pelo clube belga Standard de Liège, no qual foi a figura principal, sendo considerado o Melhor Jogador da época 2004/2005 e ganhando a Bota de Ouro. Protagonizou um caso polémico de agressão a um árbitro, o que lhe valeu uma punição de quatro meses. Durante o período de suspensão, foi embaixador de uma campanha anti-racismo e organizou a venda de camisolas com o seu nome e a recolha de milhares de euros para múltiplas associações de que era padrinho. Desde a sua chegada a Liège, apadrinhou igualmente um rapazinho com cancro, visitando-o frequentemente.


Após uma curta passagem pelo Al-Qadisiyah da Arábia Saudita, na época de 2007/08 mudou-se para o futebol grego, indo representar o PAOK de Salónica.


Foi internacional 56 vezes, tendo feito a sua estreia pela Selecção Nacional em Novembro de 1996. O ponto alto da sua carreira na selecção portuguesa aconteceu no Euro 2000, disputado na Bélgica e Holanda, quando fez um hat-trick com o qual Portugal derrotou a Alemanha. Na qualificação para o Mundial 2002, marcou 4 golos alguns deles também decisivos.


Em Novembro de 2009 anunciou o fim da sua carreira como futebolista profissional, assumindo o cargo de director desportivo do PAOK. Em Junho de 2010 voltou ao Standard de Liège como treinador-adjunto, fazendo parte da equipa técnica que ganhou a Taça da Bélgica 2011.


Em sua homenagem, foi dado o seu nome ao Estádio Municipal de Taveiro, no Concelho de Coimbra.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEJawaharlal Nehru, também conhecido como Pandita Nehru, estadista indiano, nasceu em Allahabad no dia 14 de Novembro de 1889. Morreu em Nova Deli, em 27 de Maio de 1964. Líder da ala socialista no Congresso Nacional Indiano, tornou-se primeiro-ministro da Índia, desde a independência em 1947 até sua morte.


Filho de um advogado e político indiano, foi educado na Grã-Bretanha, na Harrow School e no Trinity College em Cambridge. Regressou à Índia em 1912, depois de se licenciar em Direito. Exerceu a advocacia durante algum tempo, antes de ser introduzido na política pelo pai, chegando a ser o braço-direito de Mohandas Gandhi e alcançando a presidência do Congresso pela primeira vez em 1929.


Quando os britânicos promulgaram o Acto do Governo da Índia em 1935, o Partido do Congresso decidiu concorrer às eleições e formou governos em quase todas as províncias, ganhando o maior número de cadeiras na Assembleia Central. Nehru foi de novo eleito para a presidência do Congresso em 1936, 1937 e 1946, ocupando uma posição de relevo no Movimento Nacionalista, apenas atrás de Gandhi. Foi preso por várias vezes, uma delas em 1942 durante o Movimento Índia Livre, sendo libertado em 1945. Em Janeiro de 1941 Gandhi afirmou que «Nehru seria o seu sucessor, apesar de alguns conceitos os separarem».


Teve a grande honra de içar a bandeira da Índia em Nova Deli no dia 15 de Agosto de 1947, data em que a Índia se tornou independente. Nehru foi um líder carismático e radical, reconhecido como herdeiro político de Gandhi. A valorização das virtudes da democracia parlamentar, o secularismo e o liberalismo, juntamente com as suas preocupações com os pobres e com os desfavorecidos, são reconhecidos como factores que o guiaram na formulação de políticas que influenciaram a Índia até aos dias de hoje. Nehru admirava os planos quinquenais soviéticos e tentou aplicá-los na Índia. Queria aliar o melhor do capitalismo ao melhor do socialismo. A sua longa permanência à frente do governo foi fundamental na modelagem das tradições e das estruturas da Índia independente. Ele é muitas vezes referido como o “arquitecto da Índia moderna”. A sua filha, Indira Gandhi, e o seu neto, Rajiv Gandhi, também exerceram posteriormente o cargo de primeiros-ministros. Indira era casada com Feroze Gandhi, sem qualquer parentesco com Mohandas Gandhi.


Como um dos fundadores do Movimento Não-Alinhado (1955), juntamente com Nasser e Tito, foi uma figura importante na política internacional do pós-guerra. Ao mesmo tempo, um pouco paradoxalmente, fez reivindicações territoriais que colocaram a Índia na posição de potência agressora e não de uma nação pacífica. Reivindicou a Caxemira apesar da oposição do Paquistão, o que esteve na origem da primeira guerra entre os dois países (1947/1949). Também anexou Hyderabad em Setembro de 1948 e invadiu os territórios portugueses de Goa em Dezembro de 1961. A invasão do território português, destruiu a imagem de pacifista que Nehru tinha criado ao longo dos anos. Depois de ficar demonstrado que a Índia não tinha intenções pacíficas, iniciou-se a confrontação com a China que, precavida com as acções militares contra Portugal, reuniu forças que lhe permitiram a vitória militar de Outubro de 1962.


Nehru ainda tentou criar uma política de boa vizinhança com os países limítrofes, mas a sua imagem internacional estava já desgastada quando faleceu. Foi incinerado segundo os ritos hindus, nas margens do rio Yamuna. A cerimónia, como já tinha acontecido quando da morte de Gandhi, fez vir à capital centenas de milhares de indianos em luto. Os que não conseguiram aproximar-se do local da incineração encheram completamente as ruas de Nova Deli.


Amália - "Estranha Forma de Vida"

domingo, 13 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEAbade de Baçal, de seu nome Francisco Manuel Alves, sacerdote, arqueólogo, historiador e genealogista português, morreu em Baçal no dia 13 de Novembro de 1947. Nascera na mesma localidade, no concelho de Bragança, em 9 de Abril de 1865.

Estudou no Liceu e no Seminário de Bragança. Foi ordenado padre em Junho de 1889, sendo desde então e até à sua morte pároco da aldeia natal.

Dedicou a sua vida a recolher testemunhos arqueológicos, etnológicos e históricos respeitantes à região de Trás-os-Montes e, especialmente, ao distrito de Bragança. Autodidacta erudito, rústico e pitoresco, os críticos apontam-lhe, contudo, uma certa falta de sistematização e de poder interpretativo.

A sua obra principal, “Memórias arqueológicas-históricas do distrito de Bragança” (1909-1947), é composta de onze volumes.

Em 1925 foi nomeado Director Conservador do Museu Regional de Bragança que, desde 1935, é designado por Museu do Abade de Baçal em sua homenagem.

No quinto volume da sua obra-prima, dedicado aos Judeus, consta o seu curriculum, de que se salienta: Reitor de Baçal, Vereador da Câmara Municipal de Bragança e Vogal da Junta Geral do Distrito; Sócio da Associação dos Arqueólogos Portugueses, da Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos, do Instituto de Coimbra, da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto Etnológico da Beira e do Instituto Histórico do Minho; Presidente Honorário do Instituto Científico-Literário de Trás os Montes; distinguido pelo Clero Bragançano com a oferta de um cálice de grande valor artístico e com uma pena e um tinteiro em ouro.

Colaborou activamente na imprensa, havendo artigos seus nas mais variadas publicações: “Alerta”, “Anuário de Viana do Castelo”, “A Palavra”, “A Torre de D. Chama”, “A Voz”, “O Comércio do Porto”, “Distrito de Bragança”, “Gazeta de Bragança”, “Leste Transmontano”, “Notícias de Bragança”, “O Comércio de Chaves”, “O Bragançano”, “Diário de Noticias”, “O Século”, “O Pirilampo”, “O Primeiro de Janeiro”, etc.. Em 1935 foi condecorado com o Grande Oficialato da Ordem de Santiago.

sábado, 12 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEPaulinho da Viola, de seu verdadeiro nome Paulo César Batista de Faria, cantor, compositor e violonista brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro em 12 de Novembro de 1942.


Paulinho da Viola cresceu num ambiente naturalmente musical. Na sua infância em Botafogo, bairro tradicional da zona sul do Rio, teve contacto constante com a música através do pai, violonista integrante do conjunto Época de Ouro. Nos ensaios familiares do conjunto, conheceu Jacob do Bandolim e Pixinguinha, entre muitos outros músicos que se reuniam para fazer choros e cantar valsas e sambas de diferentes épocas.


No início da sua carreira, foi parceiro de nomes ilustres do samba carioca, como Cartola, Elton Medeiros e Candeia. Destacou-se como cantor e compositor de sambas, mas também compõe choros e é tido como um dos mais talentosos representantes da chamada Música Popular Brasileira.


Ao longo dos anos 1970, gravou em média um disco por ano, ganhou diversos prémios e apresentou-se em diversas cidades do Brasil e no estrangeiro. Nos anos 1980, gravou mais quatros discos e manteve-se como um dos principais nomes do samba. Nos anos 1990, entrou numa nova fase, onde a imprensa e os críticos passaram a vê-lo como um músico mais sofisticado e maduro. Sem perder o carácter popular, Paulinho gravou então um dos seus mais importantes trabalhos, “Bebadosamba”, e montou um espectáculo com o mesmo nome.


As suas composições são hoje vistas como um elo de ligação entre diversas tradições populares, como o samba, o carnaval e o choro. Tem feito algumas peças de vanguarda, estando permanentemente a renovar-se e a produzir novas obras, sem abandonar todavia os seus princípios e valores estéticos.


Desfila todos os anos com a Escola de Samba Portela. É fanático torcedor do Vasco da Gama, além de ser um exímio jogador de bilhar (sinuca), talento reconhecido por grandes mestres da modalidade. Apareceu no filme “Saravah” de Pierre Barouh.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011




EFEMÉRIDE – Kama Sywor Kamanda, escritor congolês de origem egípcia, nasceu em Luebo, no Congo, em 11 de Novembro de 1952.


É diplomado em Literatura (1968), em Jornalismo (Escola de Jornalismo de Kinshasa, 1969) e em Ciências Políticas (Universidade de Kinshasa, 1973). Tem licenciatura em Filosofia e Humanidades (Universidade de Kinshasa, 1975) e estudou Direito na Universidade de Liège em 1981.


Distinguiu-se pelos seus contos inspirados nas experiências pessoais, no imaginário e nas tradições e realidades do continente africano. Narrações fantásticas trazidas por um espírito visionário, os seus contos estão impregnados da cultura e da civilização de África, mas acabam por transcender o espaço e o tempo e atingir o universal.


Como poeta, ele soube dar um novo sopro e grandeza à poesia contemporânea, graças à riqueza da sua linguagem e ao seu domínio da metáfora. Os poemas de Kamanda são viagens entre o real e o irreal, o imaginário e a razão, o exílio e o enraizamento, a dor e a felicidade, o histórico e o eterno. Ao mesmo tempo clássica e inventiva, a sua poesia é ornada de um apelo profundo à harmonia, para além das tormentas dos corpos e dos corações.


Como romancista, ele não se cansa de trazer consigo a sua África e os seus sonhos. Revela-se um verdadeiro resistente face aos poderes totalitários e um cúmplice dos homens e das mulheres, que lutam em silêncio pelo respeito dos seus direitos e pela sua sobrevivência e a dos seus filhos.


Convidado como conferencista por várias universidades de todo o mundo, ele é também autor de críticas culturais e políticas. Tem recebido numerosas consagrações, de que se salienta o Prémio Heredia da Academia Francesa (2009) pela sua “Obra Poética: edição integral”.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEAndrei Nikolaievitch Tupolev, proeminente projectista e construtor aeronáutico russo, nasceu em Poustomazovo no dia 10 de Novembro de 1888. Morreu em Moscovo, em 23 de Dezembro de 1972. Estudou na Universidade Técnica do Estado.


Iniciou a sua carreira em 1929 no Instituto Central de Aerohidrodinâmica, onde foram projectados mais de uma centena de aviões, sobretudo bombardeiros (entre eles o Tupolev Tu-26 e o Tupolev Tu-2) e aviões de passageiros, como o Tupolev Tu-134 e o Tupolev Tu-154.


Foi preso em 1937, juntamente com outro célebre projectista de aviões, Vladimir Petliakov, acusado de ter criado um partido fascista. Em 1939 foi transferido para a prisão de Bolchiévo, nas proximidades de Moscovo, onde estavam encarcerados outros dos seus colegas. Oficialmente foi condenado a dez anos de prisão mas, em 1944, foi libertado graças aos bons serviços prestados ao país. A sua completa reabilitação só teria lugar, no entanto, uma década após a morte de Estaline.


O seu filho Alexei foi igualmente um famoso projectista de aviões comerciais, em particular do Tupolev Tu-144, conhecido no Ocidente – de forma irónica – por Konkordski, em virtude da sua enorme semelhança com o Concorde.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011




EFEMÉRIDECarlos Alberto do Vale Gomes Carvalhas, economista e político português, nasceu em São Pedro do Sul no dia 9 de Novembro de 1941.


Licenciou-se em Economia no Instituto de Ciências Económicas e Financeiras, depois de ter iniciado a sua vida universitária no Porto.


Ainda adolescente, apoiou o General Humberto Delgado nas eleições presidenciais de 1958. Em 1969 aderiu ao Partido Comunista Português, tendo apoiado o movimento estudantil de oposição ao salazarismo nas campanhas eleitorais de 1965, 1969 e 1973.


Exerceu a sua actividade profissional na Profabril, empresa do Grupo CUF, onde foi director financeiro. Paralelamente, de 1969 a 1974, colaborou estreitamente com o Movimento Sindical.


Foi director do jornal “Notícias da Amadora” e fundador do Conselho Português para a Paz e Cooperação. Colaborou ainda em publicações como a “Vértice” e a “Seara Nova”.


Após o 25 de Abril de 1974 foi Secretário de Estado do Trabalho em cinco Governos Provisórios, Vice-presidente do Conselho Nacional do Plano e deputado na Assembleia de República e no Parlamento Europeu.


Foi eleito Secretário-geral Adjunto do PCP em 1990. Em 1991 candidatou-se à Presidência da República. No ano seguinte sucedeu a Álvaro Cunhal como Secretário-geral, cargo que exerceu até 2004. Sucedeu-lhe Jerónimo de Sousa.


Carlos Carvalhas colabora actualmente em vários jornais e revistas, sendo convidado para programas televisivos sobre temas económicos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEVictorien Sardou, dramaturgo francês, morreu em Paris no dia 8 de Novembro de 1908. Nascera, também na capital francesa, em 5 de Setembro de 1831. É autor das peças de teatro em que se basearam os libretos das óperas “Tosca” e “Fedora”.


Era originário de uma família modesta, que possuía um olival próximo de Cannes. Depois de um Inverno rigoroso, em que a geada causou grandes danos nas oliveiras, a família ficou arruinada. O pai de Victorien resolveu então instalar-se em Paris, onde foi sucessivamente contabilista, professor de Contabilidade, director de uma escola privada e preceptor. Para complementar os seus rendimentos, publicava manuais de gramática, dicionários e tratados sobre diversos assuntos. Como o rendimento familiar era mesmo assim insuficiente, Victorien viu-se obrigado a granjear a sua própria subsistência, abandonando o curso de Medicina que tinha começado. Passou a ensinar Francês a alunos estrangeiros e a dar explicações de Latim, História e Matemática. Também escrevia artigos para enciclopédias populares.


Enquanto isso, esforçava-se por vencer no campo da literatura. A sua estreia teatral foi porém particularmente difícil. A primeira peça a ser levada à cena, “La Taverne des étudiants”, foi representada no Odéon em Abril de 1854, mas recebeu um acolhimento tempestuoso, pois tinha corrido o boato que o autor havia sido contratado pelo governo para provocar os estudantes. A peça foi suspensa, depois de ter sido representada apenas cinco vezes.


Teve também várias peças não representadas por diversos motivos: mudança de gerência num teatro, morte do director de outro, desagrado por uma cena de amor considerada “revoltante”, etc., etc.


Sardou encontrava-se na miséria quando, para piorar as coisas, sofreu um ataque de febre tifóide que o deixou à beira da morte. Metido no seu miserável quarto e rodeado dos manuscritos rejeitados, já desesperava de se salvar, quando foi socorrido por uma mulher que vivia no mesmo prédio. Por mero acaso, esta alma caridosa tinha muitas amizades nos meios teatrais. Quando ele se restabeleceu, apresentou-o à célebre actriz Virginie Déjazet. Em consequência desse encontro, a actriz deixou-se encantar pelo jovem autor e tomou nas suas mãos o lançamento da sua carreira. Expressamente para ele e para as suas peças, Virginie adquiriu um teatro em 1859.


Victorien Sardou rapidamente ombreou com os dois mestres do teatro de então, Émile Augier e Alexandre Dumas filho. Na sua obra, Sardou aplicou os princípios construtivos de Eugene Scribe, combinando os três géneros clássicos (a comédia de carácter, a comédia de situação e a comédia de intriga) com o drama burguês. Neste processo, demonstrou grande habilidade, produzindo peças sólidas e dramaticamente bem construídas, voltando-se muitas vezes para a sátira social. Nas suas peças ridicularizava a burguesia egoísta e vulgar, os velhos solteirões, os tartufos modernos, os velhos costumes, os princípios políticos reaccionários e as leis sobre o divórcio.


Fedora” (1882) foi uma peça escrita especificamente para Sarah Bernhardt, tal como aconteceria com muitas das peças posteriores. Os direitos da obra foram depois vendidos a Umberto Giordano, que a transformou na ópera com o mesmo nome.


Victorien foi alterando o seu estilo, renovando-se através da introdução nas suas peças de elementos de carácter histórico, geralmente de forma superficial.


Foi Presidente da Câmara de Marly-le-Roi, localidade onde habitava. Tinha uma biblioteca com 18 000 volumes. Pela qualidade da sua obra, foi eleito para a Academia Francesa em 1877.


No fim dos anos 1850, apaixonou-se pelo fenómeno das mesas de pé de galo, iniciado nos Estados Unidos pelas irmãs Fox. Fez participar a imperatriz Eugénia em experiências de manifestações espíritas e, antes de Allan Kardec definir o espiritismo, já ele popularizava a ideia das manifestações do Além.


Nos anos 1860 produziu uma obra singular e insólita, como médium desenhador. As suas pinturas, segundo Sardou, eram-lhe inspiradas por Mozart e Bernard Palissy. Em 1900 presidiu o Congresso de Espiritismo, que se realizava anualmente.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011


Piloto de helicóptero embriagado...



EFEMÉRIDE – Alexis-Félix Arvers, poeta e dramaturgo francês, mundialmente conhecido pelo poema “Soneto de Arvers”, que inspirou diversas traduções, peças e livros dedicados inteiramente a tentar desvendá-lo, morreu em Cézy no dia 7 de Novembro de 1850. Nascera em Paris, em 23 de Julho de 1806.


Filho de um negociante de vinhos, estudou Direito e trabalhou num notário. Abandonou porém esta carreira profissional, para se dedicar exclusivamente à literatura. Para ganhar a vida, fez representar várias das suas comédias ligeiras, um tipo de teatro muito procurado pela pequena burguesia parisiense. Estes sucessos permitiram-lhe levar uma existência de dândi, muito conhecido nas avenidas chiques e nos bastidores dos pequenos teatros. Frequentou o Cenáculo do Arsenal, onde se relacionou com vários escritores, entre eles Alfred de Musset.


O soneto que o celebrizou é considerado um das peças poéticas mais populares do seu século. Escreveu-o sem título, num álbum de Marie Mennessier-Nodier, filha do escritor Charles Nodier, causando grande polémica na época, com repercussões através de todo o mundo literário, motivadas pela extrema curiosidade em saber qual a musa que o teria inspirado.


Posteriormente, o poema foi incluído no livro “Minhas Horas Perdidas”, lançado em 1833. Traduzido para vários idiomas, destaca-se a tradução de Henry Wadsworth Longfellow para inglês e até uma tradução para esperanto.


Arvers escreveu diversas peças teatrais, mas nenhuma delas chegou até aos nossos dias, se bem que tenham sido famosas no seu tempo. O livro “Minhas Horas Perdidas” foi reeditado em 1900, acrescido de poesias inéditas.


Morreu aos 44 anos, vítima de uma doença na espinal-medula. Estava pobre, esquecido do público e roído pela solidão.


Num inquérito realizado em 1955 na rádio e TV francesas, entre 4 200 respostas sobre a preferência popular, o “Soneto de Arvers” recebeu 1 686 votos.



CINTO DA CRISE: à venda nas casas da especialidade e também no Ministério das Finanças

domingo, 6 de novembro de 2011


Volta ao Mundo musical


Amigo da onça...



EFEMÉRIDEJohn Philip Sousa, compositor e maestro de banda norte-americano, nasceu em Washington no dia 6 de Novembro de 1854. Morreu em Reading, em 6 de Março de 1932.


Filho de pai português de origem açoriana e de mãe bávara, iniciou a sua formação musical com seis anos. Depois de ter aprendido a tocar todos os instrumentos de sopro, actuou em orquestras de teatro em Washington.


Aos 20 anos tornou-se maestro da United States Marine Band. Em 1892 formou a sua própria banda que, devido à composição do naipe dos seus instrumentos, era capaz de executar programas tão variados como os de uma orquestra sinfónica.


É autor de “The Stars and Stripes Forever”, marcha oficial dos Estados Unidos. A sua produção musical inclui mais de 200 marchas, poemas sinfónicos, suites, óperas e operetas. Ficou conhecido também por ter idealizado e dado nome ao Sousafone, uma tuba muito popular nas fanfarras e no jazz de Nova Orleães.


Com a sua própria banda, entre 1892 e 1931, realizou 15 623 concertos. Em 1900, representou os Estados Unidos na Exposição Universal de Paris. Escreveu uma autobiografia intitulada “Marching Along”.


Uma das suas marchas, “The Liberty Bell”, foi utilizada para o genérico do Monty Python's Flying Circus.


Morreu de insuficiência cardíaca, no seu quarto do Hotel Abraham Lincoln, em Reading, Pensilvânia. Tinha acabado de dirigir um ensaio. Foi sepultado em Washington no Cemitério do Congresso.

sábado, 5 de novembro de 2011




EFEMÉRIDE – Joaquim Pereira Pimenta de Castro, general do exército e político português, nasceu em Pias, Monção, no dia 5 de Novembro de 1846. Morreu em Lisboa, em 14 de Maio de 1918.


Graduado em Matemática pela Universidade de Coimbra, iniciou a sua carreira militar em 1867. Atingiu o generalato em 1900 e, em 1908, foi nomeado comandante da 3ª Região Militar, sediada no Porto.


Após a proclamação da República em 5 de Outubro de 1910, foi Ministro da Guerra durante dois meses, em 1911, tendo-se demitido do cargo devido a uma das incursões monárquicas de Paiva Couceiro.


Na sequência da acção que ficou conhecida como o Movimento das Espadas, foi escolhido pelo Presidente Manuel de Arriaga para ser Presidente do Ministério (Primeiro Ministro) do Governo.


Pimenta de Castro não demonstrou grande capacidade para governar e contrariar a forte oposição que lhe foi movida por diversos partidos políticos. Acabou por optar pela via ditatorial, perseguindo os membros do Partido Republicano, liderado por Afonso Costa, e mandando encerrar o Parlamento, onde este tinha a maioria.


O seu governo, com o apoio do Partido Republicano Evolucionista, da União Republicana e ainda de facções militares conservadoras, ficou no poder de 28 de Janeiro a 14 de Maio de 1915.


Foi demitido por um movimento militar apoiado pelo Partido Republicano, que provocou igualmente a demissão do Presidente Manuel de Arriaga. Preso, foi forçado a exilar-se nos Açores.


Em Julho seguinte, alguns dos seus apoiantes ainda tentaram que ele fosse eleito deputado por Ponta Delgada, mas tal não se concretizou. A partir dessa data manteve-se afastado da política, tendo apenas escrito um livro (“A Afrontosa Ditadura”), com o qual tentou justificar a sua acção enquanto Chefe do Governo.

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