domingo, 31 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEKenzaburō Ōe, escritor japonês, Prémio Nobel de Literatura em 1994, nasceu em Ehime no dia 31 de Janeiro de 1935.
Veio ao mundo numa vila rodeada pela floresta da ilha de Shikoku, onde a família habitava desde há séculos sem que nenhum dos seus membros tenha emigrado. Desde a escola primária interessou-se pelas culturas estrangeiras, através da literatura, descobrindo as “Aventuras de Huckleberry Finn » de Mark Twain, numa tradução japonesa, que ele aprenderia de cor, na sua versão original, quando da ocupação americana.
Aos dezoito anos ingressou na Universidade de Tóquio para estudar literatura francesa. Estudante brilhante mas solitário, com vergonha da sua pronúncia provinciana, foi sob o efeito do uísque e de tranquilizantes que começou a escrever em 1957, bastante influenciado pelas literaturas contemporâneas francesa e americana, particularmente de François Rabelais, Albert Camus e Jean-Paul Sartre. Estudou igualmente a obra de Louis-Ferdinand Céline que ele reconheceu como uma das suas maiores influências.
Em 1963 a nascença de um filho deficiente «modificou o seu universo com uma violência comparável a uma explosão solar». Na sequência deste acontecimento pessoal, escreveu duas obras: “Um caso muito pessoal”, cuja personagem central é pai de uma criança deficiente mental, e “Notas sobre Hiroshima”, uma recolha de ensaios sobre os sobreviventes de Hiroshima.
Depois de ter recebido o Prémio Nobel, Ōe anunciou que não escreveria mais romances, argumentando com o facto do seu filho, compositor, ter a partir de então a sua própria voz, não necessitando das suas obras de ficção.
Marcado pelos prejuízos causados pelo nacionalismo de uma sociedade militarizada, tornou-se defensor da Democracia e de uma Constituição pacífica.
A obra de Ōe, complexa e densa, ocupa um lugar à parte na literatura japonesa contemporânea. A extrema originalidade do seu estilo espelha uma literatura atormentada, imaginativa e rica em metáforas.
Em “Agwîî, o monstro das nuvens » (1964), o escritor evoca o seu filho autista, que será um personagem recorrente nas suas obras. O “seu mundo” traduz a angústia dos seres humanos face às grandes mudanças dos tempos modernos. Denunciou igualmente a urbanização galopante e a veneração das novas tecnologias, aconselhando a volta à contemplação da natureza e à meditação. O universo deste romancista caracteriza-se por fragmentos autobiográficos, misturados com uma imaginação prodigiosa sem paralelo na literatura japonesa contemporânea. O sonho convive com a razão e as suas histórias acompanham os mitos e o imaginário.
Recebeu o Prémio Akutagawa, a maior recompensa literária japonesa, com a idade de 23 anos; o Prémio Europalia 1989 pelo conjunto da sua obra; a Ordem do Mérito Cultural Japonês em 1994 e o título Doutor Honoris Causa do Instituto Nacional de Línguas e Civilizações Orientais em 2005.

sábado, 30 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDESven Olof Joachim Palme, político socialista reformista sueco, primeiro-ministro da Suécia entre 1969/1976 e 1982/1986, nasceu em 30 de Janeiro de 1927. Foi assassinado no dia 28 de Fevereiro de 1986, em Estocolmo, à saída de um cinema.
Olof Palme ficou conhecido como um dos maiores exemplos da Social-Democracia Escandinava, tendo levado mais longe que qualquer outro político a ideia de conciliar uma economia de mercado com um estado social. Durante o seu governo, a Suécia gozou de uma forte economia e dos melhores níveis de assistência social do mundo. Ficou ainda conhecido como forte opositor ao Apartheid, à Guerra do Vietname e à Proliferação das armas nucleares, o que lhe causou graves conflitos com os Estados Unidos, incluindo um corte de relações diplomáticas.
Ainda hoje é desconhecida a identidade do seu homicida e o motivo para o assassinato. Têm havido teorias da conspiração para todos os gostos, desde serviços secretos sul-africanos ou americanos até movimentos indianos e curdos. Nunca se descobriu, porém, nada de fiável.
Palme estudou Direito antes de se lançar na política. Dirigiu o Partido social-democrata desde 1968 até à sua morte. Ao mesmo tempo pragmático e homem de convicções, seguiu uma política internacional corajosa (para uns), arriscada (para outros).
No plano interno, realizou reformas muito ambiciosas, como por exemplo os “fundos salariais”. Estes fundos de investimento eram destinados a comprar o capital das empresas privadas e permitir assim uma espécie de socialização lenta da economia privada. Este sistema foi suprimido em 1991 e nunca mais restabelecido.
Desde a sua morte, o “Prémio Olof Palme” recompensa anualmente uma obra de cariz humanitário. Existe também uma Fundação Internacional com o seu nome.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEGermaine Greer, académica, crítica e escritora australiana, reconhecida internacionalmente como uma das mais importantes feministas do século XX, nasceu em Melbourne no dia 29 de Janeiro de 1939.
Cresceu no subúrbio de Mentone, tendo estudado na escola católica Star of the Sea College em Gardenvale. Ingressou depois na Universidade de Melbourne. Após ter concluído a sua licenciatura mudou-se para a cidade de Sydney, onde se envolveu no grupo libertário de intelectuais de esquerda “Sydney Push”. Ainda nesta cidade, em 1963, fez um mestrado com uma tese sobre Lord Byron. Este trabalho permitiu-lhe conquistar uma bolsa de estudos para fazer o doutoramento na Universidade de Cambridge.
Em Cambridge, Germaine fez parte de uma companhia de teatro amador, os “Cambridge Footlights”, que a lançou nos meios artísticos de Londres. Colaborou na revista satírica “OZ”, assinando os textos com o pseudónimo “Dr. G.”.
Tendo concluído o seu doutoramento em 1968, subordinado às primeiras peças de William Shakespeare, tornou-se professora de Língua inglesa na Universidade de Warwick. No mesmo ano casou-se com um jornalista australiano, mas o casamento durou apenas três semanas e terminou em divórcio no ano de 1973.
Em 1970 Germaine Greer publicou “A Mulher Eunuco”, o livro pelo qual é mais conhecida até hoje. Viajou por várias países com o objectivo de o promover. Numa dessas viagens, em 1972, visitou a Nova Zelândia, onde foi detida por utilizar as palavras "fuck" e "bullshit" num discurso. O caso gerou manifestações de apoio a Greer, por parte de largos sectores do público.
Em 1989 regressou à Universidade de Cambridge como professora, mas deixou o cargo em 1996.
Em Janeiro de 2005, Greer foi um dos oito concorrentes escolhidos para participar no Big Brother (versão de celebridades), apesar de ter criticado antes o formato do programa. Cinco dias após ter entrado na “casa”, Greer deixou-a acusando a produção de assédio e criticando os outros participantes pela busca desesperada de protagonismo.
Trabalha e vive na Inglaterra, onde continua a ser uma figura controversa e incontornável da vida pública britânica.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEAntónio Feliciano de Castilho, escritor romântico português, polemista e pedagogo, inventor do Método Castilho de Leitura, nasceu em Lisboa no dia 28 de Janeiro de 1800. Faleceu, também na capital portuguesa, em 18 de Junho de 1875.
Foi muito doente em criança, com sérios sintomas de tísica, que culminaram aos seis anos de idade com um ataque de sarampo que o deixou cego. A cegueira impediu-o durante toda a vida de escrever e ler, tendo de estudar ouvindo a leitura de textos e sendo obrigado a ditar toda a sua obra literária.
Aprendendo somente pelo que ouvia ou lhe diziam, Castilho conseguiu alcançar razoável erudição no latim e nas humanidades clássicas, o conhecimento superficial de algumas línguas e um conhecimento profundo da língua portuguesa, que lhe permitiu distinguir-se como poeta e prosador.
Instruiu-se no conhecimento dos poetas latinos e matriculou-se na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Cânones, em que se licenciou em Direito.
O seu talento poético começou a desenvolver-se ainda em criança, versejando com a máxima facilidade. Tinha 16 anos quando escreveu e publicou um “Epicédio” na morte de D. Maria I. Esta obra foi acolhida com surpresa, por ser feita por um poeta tão jovem e sobretudo cego. Como reconhecimento, foi-lhe concedida uma pequena pensão com carácter de incitamento.
Em 1820 publicou uma Ode à morte de Gomes Freire e seus companheiros. Nesse ano também imprimiu anonimamente o elogio dramático “A Liberdade”, para ser representado num teatro particular.
De 1826 a 1834 viveu com o seu irmão Augusto, que era sacerdote em Castanheira de Vouga. Foram oito anos em que Portugal viveu tempos difíceis, com perseguições políticas e violência generalizada, a que se seguiu a Guerra Civil (1828-1834). Apesar das naturais repercussões, a localidade foi para Castilho um local de refúgio, o que lhe permitiu atravessar aqueles tempos conturbados dedicando-se ao estudo dos clássicos. Foi nessa época que traduziu as Metamorfoses e os Amores de Ovídio, que escreveu muitos dos versos que depois se incorporaram nas “Escavações poéticas” e que compôs os poemetos “A noite do Castelo” e os “Ciúmes do Bardo”.
A publicação das “Cartas de Echo e Narciso” motivou ao poeta uma aventura romântica com uma dama reclusa no convento de Vairão, que resultou numa série de quadras do “Amor e Melancolia”, que o poeta publicou em Coimbra no ano de 1828. Concluída a guerra e extintos os conventos, esta senhora veio a casar com o poeta em 1834, falecendo porém em 1837.
Castilho esteve empenhado num projecto visando divulgar a História de Portugal, iniciando uma publicação em fascículos intitulada “Quadros históricos”.
No ano de 1840 acompanhou o irmão à Madeira, onde este, afectado por tuberculose, procurava alívio para a sua doença. Não resultando o tratamento, Augusto faleceu no último dia desse ano. Castilho casou-se com uma senhora madeirense, matrimónio de que nasceram sete filhos e que durou 31 anos, até à morte da esposa.
Em 1 de Outubro de 1941 publicou-se o primeiro número da “Revista Universal Lisbonense”, por ele fundada e dirigida, e à qual se dedicou quase em exclusivo até 1845. Por esta época iniciou o período mais fecundo da sua produção literária, consolidando a sua reputação como escritor. Contra ele se rebelou Antero de Quental (entre outros jovens estudantes de Coimbra) na célebre polémica do “Bom-Senso e Bom-Gosto”, vulgarmente chamada “Questão Coimbrã”, que opôs os jovens representantes do realismo e do naturalismo aos vetustos defensores do ultra-romantismo. Castilho deixou a direcção da “Revista Universal Lisbonense” em 1845 e, nesse ano e no seguinte, em colaboração com o irmão José, deu início à “Livraria Clássica Portuguesa”, onde escreveu as biografias do padre Manuel Bernardes e de Garcia de Resende.
Castilho empenhou uma grande parte da sua vida lutando contra o analfabetismo da população portuguesa de então. Pretendeu fazer adoptar um método de aprendizagem de leitura, que denominou o “Método Português” (depois conhecido como o “Método Português de Castilho”), que provocou grandes polémicas.
No meio de uma generalizada descrença dos pedagogos sobre a sua eficácia, o governo nomeou-o Comissário para a Propagação do Método Português e deu-lhe um lugar no Conselho Superior de Instrução Pública. Contudo, nunca se adoptou oficialmente o método para uso generalizado nas escolas públicas, recusa que seria o grande desgosto da vida de Castilho.
Com graves problemas financeiros e desgostoso pela frieza com que fora acolhido o seu Método, em 1847 partiu para os Açores, fixando-se em Ponta Delgada, cidade onde viveu até 1850.
Recebido como um herói, rapidamente conquistou a simpatia da aristocracia local, em particular da próspera elite dos comerciantes. Instalado em São Miguel com o apoio de alguns magnatas locais, dedicou-se à escrita e ao fomento cultural.
Nesse período, escreveu “Estudo Histórico-Poético de Camões” e fundou uma tipografia, onde se imprimiu um jornal local. Castilho era o redactor principal, dedicando-se, para além da escrita, à realização de conferências. Fundou também a “Sociedade dos Amigos das Letras e Artes”, escrevendo vários livros. Com o apoio das autarquias, foram criadas escolas gratuitas, onde se ensaiou pela primeira vez a leitura pelo “Método Castilho”.
Regressou a Lisboa desencantado com a experiência açoriana e dedicou-se com renovada energia à luta contra os adversários do seu método de leitura, de que se publicaram duas edições em 1850, saindo a terceira em 1853, com o título de “Methodo Portuguez Castilho”.
Em 1853 foi nomeado Comissário Geral de Instrução Primária, tendo de imediato impulsionado a abertura de cursos públicos em Lisboa, Leiria, Porto e Coimbra, para instruir os professores no seu método, do qual publicou em 1854 a quarta edição. Continuou entretanto a sua actividade de escritor e polemista.
Quando D. Pedro V criou em 1858 as cadeiras do Curso Superior de Letras de Lisboa, ofereceu a Castilho a cadeira de literatura portuguesa, que ele não aceitou.
Em 1861 publicou uma nova edição de “Amor e melancolia”, complementada com a Chave do enigma e com uma autobiografia até 1837. Em 1862 publicou a tradução dos “Fastos” de Ovídio, em 6 volumes. Em 1863 deu à estampa a colecção de poesias “Outono”.
Em 1866 foi a Paris em companhia do seu irmão José, tendo sido apresentado a Alexandre Dumas, de quem era admirador. Em 1867, também em Paris, promoveu uma luxuosa tradução das “Geórgicas” de Virgílio. Traduziu “Fausto” de Goethe, a partir de uma versão francesa, visto não saber alemão.
Morreu em 1875, estando presentes no seu funeral todas as classes da sociedade, ministros, colegasda Academia das Ciências de Lisboa, representantes das letras e do jornalismo e os homens mais ilustres da magistratura, do professorado e das forças armadas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEGomes Freire de Andrade, militar português, nasceu em Viena no dia 27 de Janeiro de 1757. Morreu no Forte de São Julião da Barra, em 18 de Outubro de 1817.
Era filho de um embaixador de Portugal na corte austríaca e de uma condessa pertencente a uma antiga e ilustre família nobre da Boémia.
Teve a educação que na época se costumava dar aos filhos da nobreza. Gomes Freire veio para Portugal com 24 anos de idade, já com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Destinado à carreira militar, entrou como cadete no regimento de Peniche, sendo em 1782 promovido a alferes. Passou à Armada Real, embarcando em 1784 na esquadra que foi auxiliar as forças navais espanholas de Carlos III no bombardeamento de Argel.
Regressado a Lisboa, foi promovido a tenente da marinha e, em 1788, voltou ao antigo regimento com o posto de sargento-mor. Obteve uma licença para servir no exército de Catarina II, em guerra contra a Turquia, e partiu para a Rússia. Em São Petersburgo terá conquistado as maiores simpatias na corte e da própria imperatriz. Na campanha de 1788-1789, comandada pelo príncipe Potemkine, distinguiu-se nas planícies do rio Danúbio, na Guerra da Crimeia e sobretudo no cerco a Oczakow. A imperatriz atribuiu-lhe, para recompensar a sua bravura e heroísmo, o posto de coronel do seu exército que, em 1790, foi confirmado pelo exército português.
Depois, na esquadra do príncipe de Nassau, salvou-se milagrosamente durante a batalha naval de Schwensk, quando os canhões suecos fizeram ir a pique a “bateria flutuante” que ele comandava. Recebeu o Hábito de São Jorge, uma das Ordens mais importantes da Rússia.
Voltou a Lisboa, para embarcar com destino à Catalunha, na Divisão que Portugal enviou em auxílio da Espanha contra a República francesa.
Gomes Freire regressou depois a Portugal, vindo a ser Grão-mestre da Maçonaria. Foi entretanto acusado de liderar uma conspiração nacional-liberal contra a monarquia absolutista de D. João VI (ausente no Brasil). Foi detido e enforcado por crime de traição à pátria, juntamente com mais onze militares.
Este procedimento da Regência e de Lord Beresford, comandante em chefe britânico do Exército português e regente de facto do reino de Portugal, levou a protestos e intensificou a tendência anti-britânica, o que conduziu o país à Revolução do Porto e à queda de Beresford (1820), impedido de desembarcar em Lisboa ao voltar do Brasil, onde conseguira de D. João VI ainda maiores poderes.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDERoger Vadim, de seu verdadeiro nome Roger Vladimir Plemiannikov, realizador, produtor e guionista cinematográfico, comediante e romancista francês, nasceu em Paris no dia 26 de Janeiro de 1928. Faleceu, igualmente em Paris, em 11 de Fevereiro de 2000.
O seu primeiro grande filme “E Deus Criou a Mulher” (1956) teve grande impacto internacional, devido ao modo como era tratada a sexualidade. Entre outros filmes famosos, contam-se também “Ao Cair da Noite” (1958) e “Barbarella” (1968).
Além de célebre pelo seu trabalho no cinema, também se tornou famoso pela sua sedução e por ter sido casado com várias e belas mulheres, como por exemplo Brigitte Bardot, Catherine Deneuve e Jane Fonda. Escreveu e realizou filmes para colocar as suas mulheres em cena, tornando-as grandes estrelas do cinema.
Roger tinha por origem uma família da nobreza russa por parte do pai, enquanto a mãe era Provençal. O seu progenitor, após ter obtido a naturalização francesa, foi vice-cônsul de França no Egipto, onde Roger Vadim passou a infância.
No fim de 1938 ficou órfão de pai e a mãe instalou-se em Folliets (Haute-Savoie). Em 1940 partiu para o Var, com a finalidade de seguir os estudos secundários.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a família fixou-se em Paris. Em 1947, com dezanove anos, abandonou o curso no Instituto de Estudos Políticos da Universidade de Paris, preferindo a vida de comediante. Inscreveu-se em Cursos de Comédia e, mais tarde, o escritor André Gide apresentou-o ao realizador Marc Allégret de quem se tornou assistente, ao mesmo tempo que fazia reportagens escritas e fotográficas para a revista Paris-Match. Fotografou Brigitte Bardot, então com quinze anos, para a capa da revista “Elle”, e pediu a Allégret para lhe fazer um casting para actriz. A paixão foi imediata e recíproca.
Em 1950, o casal de namorados, ele com 22 e ela com 16 anos, juntaram-se numas férias paradisíacas em Cap Myrtes, perto de Saint-Tropez. Respeitando o desejo dos pais dela, esperaram pelos dezoito anos de Brigitte para se casarem.
Com o filme “E Deus criou a mulher”, BB tornou-se um mito vivo, um modelo social e um símbolo sexual no mundo inteiro.
Divorciaram-se em 1957 e Roger Vadim consagrou-se definitivamente à realização cinematográfica. Em 1959 realizou “As Ligações Perigosas” com os monstros sagrados do cinema Gérard Philipe e Jeanne Moreau, e com a participação amiga de Boris Vian.
Em 1962, com 35 anos, encontrou Catherine Deneuve, que tinha 19, durante a realização do filme “As Parisienses”. Apaixonaram-se numa noite e ela tornou-se sua companheira. Proporcionou-lhe o seu primeiro grande papel no filme “O Vício e a Virtude” (1963).
Em 1964, com 36 anos, nova paixão, então pela actriz Jane Fonda com 27. Jane foi protagonista de “Barbarella”, o último grande sucesso de Vadim no cinema. Divorciaram-se em 1972.
Em 1975, com 47 anos, casou-se com Catherine Schneider, herdeira de um império siderúrgico, da qual se divorciou dois anos mais tarde. Depois de mais este divórcio, começou uma longa travessia do deserto e dedicou-se ao teatro e à televisão.
Em 1990, com 62 anos, depois de ter abalado todos os tabus sexuais durante décadas, encontrou enfim a serenidade junto da comediante de teatro Marie-Christine Barrault com quem se casou, rodando com ela vários filmes para televisão.
Em 1993 passou a dedicar-se à Literatura, escrevendo quatro romances. Morreu aos 72 anos, de doença cancerosa. As cerimónias fúnebres tiveram lugar na igreja de Saint-Germain-des-Prés, em Paris, na presença das suas cinco ex-esposas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEAdelaide de Jesus Damas Brazão Cabete, uma das principais feministas portuguesas do século XX, nasceu em Alcáçovas, Elvas, no dia 25 de Janeiro de 1867. Faleceu em Lisboa, em 14 de Setembro de 1935.
Foi médica obstetra, ginecologista, professora, maçom, benemérita, pacifista, abolicionista, defensora dos animais e humanista.
Pioneira na reivindicação dos direitos das mulheres, presidiu durante mais de vinte anos ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Nesta qualidade reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto e, em 1912, também o direito ao voto, sendo em 1933 a primeira e única mulher a votar a Constituição Portuguesa, em Luanda, onde então vivia.
De origem humilde e órfã, começou a trabalhar muito novinha na apanha da ameixa e a fazer serviços domésticos nas casas senhoriais de Elvas.
Casou com o sargento Cabete, que a ajudava nos trabalhos caseiros e que a lançou na militância republicana e feminista, incentivando-a também a estudar. Foi assim que, em 1889, com vinte e dois anos, fez o exame da instrução primária e, em 1894, concluiu o curso liceal.
No ano seguinte mudaram-se para Lisboa, onde ingressou na Escola Médico-Cirúrgica, concluindo o curso em 1900 com a tese “Protecção às mulheres grávidas pobres, como meio de promover o desenvolvimento físico das novas gerações”. Especializou-se em obstetrícia e ginecologia, abrindo um consultório na baixa de Lisboa.
Participou activamente na propaganda que antecedeu a mudança de regime em 5 de Outubro de 1910, defendendo ideias progressistas e muito avançadas para a época. Alguns factos ilustram a sua vida pública nestes tempos, com actos simbólicos de cidadania. Por exemplo, em 1910, com duas companheiras, coseu e bordou a bandeira nacional hasteada na implantação da República, na Rotunda, em Lisboa.
Com outras mulheres feministas também importantes, criou e integrou várias organizações, nelas exercendo diversos cargos.
Foi médica e professora do Instituto Feminino de Odivelas (conhecido popularmente por “As meninas de Odivelas”) e regeu a disciplina de “Higiene e Puericultura” na Universidade Popular Portuguesa.
Na experiência docente, caracterizava-se nas teorias pedagógicas com exemplos práticos, que apresentou mesmo em Congressos no estrangeiro (Gand em 1913; Roma em 1923 e Washington em 1925).
Escreveu dezenas de artigos, de temática diversa, essencialmente de carácter médico-sanitário, em que manifestava frequentemente as suas preocupações sociais, apresentando soluções e medidas profiláticas para doenças e epidemias. Fundou e dirigiu a revista “Alma Feminina” (1920/1929) e colaborou em numerosas publicações periódicas.
Benemérita, defendeu sempre as mulheres grávidas e pobres, as crianças e as prostitutas. Era porém bastante conservadora no que respeitava à moda feminina, criticando as saias curtas e recomendando o uso de vestidos até um palmo do chão.
Humanista, aplaudiu o encerramento de tabernas e manifestou-se contra a violência nas touradas, o uso de brinquedos bélicos e outros assuntos que se revelariam temas vanguardistas para a época e que ainda hoje mantêm a actualidade.
Desiludida com a situação política do país com a implantação do Estado Novo, partiu para Angola, onde se dedicou à medicina e se envolveu em polémicas na defesa dos indígenas. Regressou a Lisboa em 1934 já doente e muito fraca, morrendo no ano seguinte.

domingo, 24 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEMichel Georges Jean Ghislain Preud'homme, treinador de futebol e ex-guarda-redes belga, nasceu em Ougrée no dia 24 de Janeiro de 1959. É considerado um dos melhores guarda-redes de todos os tempos.
Preud'homme fez toda a sua formação de jogador no Standard de Liège, começando a jogar aos dez anos e chegando à equipa profissional na época de 1977/1978. Foi Bicampeão Belga (1981/1982 e 1982/1983).
No ano de 1986, transferiu-se para o F. C. Malines, clube onde viria a conquistar uma Taça da Bélgica e o seu grande título europeu, a “Taça dos Clubes Vencedores de Taças” de 1988. Ganhou ainda o terceiro título belga em 1988/1989.
Pela Selecção da Bélgica, Preud'homme jogou 58 partidas entre 1979 e 1995. O ponto alto da sua carreira na selecção foram os Mundiais de 1994 nos Estados Unidos, onde chegou a abandonar a sua grande área para tentar marcar um golo que evitaria a eliminação da Bélgica. Conquistou o Troféu Lev Yashine de Melhor Guarda-redes do Mundo, tendo ficado durante oito anos seguidos no Top 10.
Depois dos Mundiais de 1994, transferiu-se para o Benfica, sendo o primeiro guarda-redes estrangeiro a defender as redes dos encarnados. Foi um jogador que marcou a história do clube, merecendo o carinho dos adeptos pelas defesas quase inacreditáveis que fazia e pelas vitórias que assegurou com as suas mãos. Venceu a Taça de Portugal na época de 1995/1996.
Preud'homme despediu-se do futebol em 1999, com 40 anos, numa partida amigável contra o Bayern de Munique, onde foi substituído por Carlos Bossio. Os 80 000 espectadores que enchiam o Estádio da Luz alhearam-se do jogo, que prosseguia, para aplaudir de pé e aclamar Preud'homme, enquanto ele deu uma volta gloriosa ao estádio com a mulher e os filhos. Era o fim de uma carreira de prestígio. Ainda no Benfica, Preud'homme assumiu o cargo de Director de Relações Internacionais.
Em 2000 regressou ao Standard Liège, onde desempenhou o cargo de treinador e director desportivo. Conduziu a equipa do Standard ao título belga em 2007/08, encerrando um jejum do clube que durava há 25 anos.
Entre as distinções recebidas ao longo da sua carreira, salientam-se ainda: a “Bota de Ouro”de 1987 e 1989, “Guarda-redes do Ano” de 1988 a 1991, “Treinador do Ano” em 2008 e o “Prémio Fair-Play” em 1989.

sábado, 23 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE Sergueï Mikhaïlovitch Eisenstein, considerado o mais importante realizador soviético, nasceu em Riga no dia 23 de Janeiro de 1898. Morreu em Moscovo, em 11 de Fevereiro de 1948.
Ligado ao Movimento de Arte de Vanguarda Russa, participou activamente na Revolução de 1917 e na consolidação do cinema como meio de expressão artística.
Teve constantes atritos com o regime de Estaline, devido à sua própria visão do Comunismo e à defesa da liberdade de expressão artística e da independência dos artistas em relação aos governantes.
Com 26 anos fez “A greve”, mostrando que a arte e a política podiam andar de mãos dadas. Um ano depois filmou “O Couraçado Potemkin”, obra que é considerada, juntamente com "Cidadão Kane", de Orson Welles, das mais importantes na história do cinema.
Graças ao sucesso extraordinário do “O Couraçado Potemkin”, foi contratado em 1930, pela Paramount Pictures, pelo montante de cem mil dólares. Embarcou para os Estados Unidos, mas os seus projectos não avançavam, apesar de ter amigos poderosos como Charles Chaplin. Eisenstein resolveu então afastar-se de Hollywood e regressar ao seu país. A imprensa soviética, no entanto, não o perdoava pelo seu afastamento e pelo curto namoro com o capitalismo.
Quando a sua carreira parecia perdida, recebeu a ordem de filmar “Alexandre Nevski”, como uma peça de propaganda anti-germânica. Como já fizera com “Potemkin”, Eisenstein construiu uma obra-prima que está acima da ideologia.
Com o prestígio recuperado, começou “Ivan, o Terrível”, que teria três partes. Acabada a primeira, recebeu o Prémio Estaline (1945). A segunda, terminada em 1946, foi no entanto censurada até 1958, porque Ivan não era descrito como um herói, mas sim como um tirano paranóico. A terceira, começada em 1946, ficou inacabada e em parte destruída. A segunda parte dispunha já de cenas a cores, graças à recuperação de películas Agfacolor dos nazis. Faleceu em 1948, na sequência de uma hemorragia a que se seguiu um ataque cardíaco.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEMadjer, “nome de guerra” de João Victor Saraiva, jogador da selecção portuguesa de futebol de praia, nasceu em Luanda no dia 22 de Janeiro de 1977.
Desde muito jovem que se interessou pelo futebol, chegando a representar o “Estoril-Praia” nas camadas mais jovens. Devido à sua forma espectacular de jogar, adquiriu a alcunha de Madjer, em homenagem ao famoso argelino Rabah Madjer, que jogou no F. C. Porto.
Lesionou-se entretanto com alguma gravidade, o que o levou a estar ausente dos relvados durante algum tempo. Depois de recuperado, participou num torneio amador de futebol de praia e o treinador da selecção portuguesa, que assistia, ficou admirado com a sua forma de jogar, convidando-o para ingressar na selecção.
Começou desde logo a deslumbrar os espectadores, com a sua arte na areia: muitos golos, remates fortíssimos e muitas acrobacias, destacando-se os pontapés de bicicleta. Naturalizado português, levou Portugal à vitória em muitas competições, com destaque para a Medalha de Ouro nos Mundiais de Futebol de Praia de 2001, na Costa do Sauípe, no Brasil.
Madjer conquistou igualmente vários prémios de “Melhor jogador” e “Melhor marcador” em muitos torneios, devendo realçar-se o prémio de melhor jogador e melhor marcador, com 21 golos, nos Mundiais de Futebol de Praia de 2006, organizados pela FIFA.
Madjer, muito completo, alto, rápido e senhor de um pontapé superpotente com o pé esquerdo, foi considerado o melhor jogador do Mundo da modalidade.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEGeorge Orwell, pseudónimo de Eric Arthur Blair, jornalista, ensaísta e romancista britânico, faleceu em Londres no dia 21 de Janeiro de 1950, vítima de tuberculose. Nascera em Motihari, na Índia britânica, hoje União Indiana, em 25 de Junho de 1903.
Era tido por bom estudante, beneficiou de várias bolsas de estudo, mas trabalhava pouco, tornando-se progressivamente num aluno medíocre. Era rebelde e tinha duas ambições: tornar-se um escritor célebre e voltar ao Oriente, que conhecia sobretudo através dos relatos de sua mãe.
A partir de 1922, foi sargento da polícia na Birmânia. Decidiu pedir a demissão alegando problemas de saúde, após cerca de cinco anos de serviço, mas a verdadeira razão seria a de se sentir mal ao contribuir para a opressão de um povo estrangeiro. Desenvolveu então um ódio visceral ao imperialismo britânico.
Regressou a Inglaterra, onde a sua vida tomou um rumo incerto. Desempregado ou com empregos de circunstância, deixou definitivamente de ter um percurso convencional. Teria decidido por esta época consagrar-se unicamente à Literatura. Os começos não foram auspiciosos, tendo passado dezoito meses em casa de uma tia em Paris, sem se saber muito bem o que fez durante este período. Durante algumas semanas instalou-se num hotel de luxo parisiense, publicando episodicamente alguns artigos em jornais de esquerda.
Voltou a Inglaterra em Dezembro de 1929, doente, sem dinheiro e sem ter publicado nada de notável, mas a tempo de passar o Natal em família.
Ensinou numa escola privada de uma pequena cidade, onde sobreviveu, cada vez mais entediado. Foi então que adoptou o pseudónimo de George Orwell. Em 1933 escreveu um livro (“Down and out in Paris and London”) que, embora merecendo o louvor dos críticos, foi pouco vendido. Instalou-se em Londres, onde arranjou emprego numa livraria situada num bairro de intelectuais.
No fim de 1936 juntou-se ao “Partido Operário de Unificação Marxista”, uma milícia de tendência trotskista, que lutava contra Franco e os seus aliados Mussolini e Hitler, na Guerra Civil Espanhola. Foi ferido no pescoço. Uma bala danificou-lhe as cordas vocais, saindo pelas costas, e desde então a sua voz ficou ligeiramente modificada. Saiu clandestinamente de Espanha para França, de onde partiu para o seu país.
Testemunha de uma época, Orwell publicou depois da Segunda Guerra Mundial dois livros de grande sucesso: “A Quinta dos Animais” em 1944 e, sobretudo, “Mil Novecentos e Oitenta e Quatro”, romance no qual ele criou o conceito de Big Brother que passou depois para a linguagem comum, utilizado na crítica às técnicas modernas de vigilância. O adjectivo “orwelliano” é também utilizado muitas vezes, para nos referirmos ao universo totalitário imaginado pelo escritor.
As suas obras completas (20 volumes) só foram publicadas no Reino Unido em 1998. Em 2008, o jornal “Times” classificou-o em 2º lugar na lista dos "50 maiores escritores do pós-guerra".

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEAndré-Marie Ampère, filósofo, físico e matemático francês, autor de importantes contributos para o estudo do electromagnetismo, nasceu em Lyon no dia 20 de Janeiro de 1775. Morreu em Marselha, em 10 de Junho de 1836.
Desde criança demonstrou uma enorme vontade de aprender. Em 1796 já dava explicações particulares de matemática, de química e de línguas.
Foi professor em vários estabelecimentos de ensino, leccionando a partir de 1804 na Escola Politécnica de Paris e mais tarde no Collège de France. Em 1814 foi eleito membro da Academia de Ciências, sendo igualmente correspondente de várias Academias europeias e mantendo relações com a maioria dos cientistas do seu tempo. Interessou-se por vários ramos do conhecimento humano, deixando obras de grande importância, principalmente no domínio da física e da matemática.
Em 1820, partindo de experiências feitas pelo dinamarquês Oersted sobre o efeito magnético da corrente eléctrica, soube estruturar e criar a teoria que possibilitou a construção de um grande número de aparelhos electromagnéticos. Além disso descobriu as leis, que regem as atracções e repulsões das correntes eléctricas entre si. Idealizou o galvanómetro, inventou o primeiro telégrafo eléctrico e, em colaboração com Arago, o electroíman. Enunciou em 1827 a teoria do electromagnetismo.
Em sua homenagem foi dado o nome de “ampere” à unidade internacional de corrente eléctrica. O seu nome foi dado igualmente a várias escolas, liceus, praças, ruas e a uma estação de metro em Lyon. Figura entre os nomes ilustres inscritos na Torre Eiffel em Paris.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

PESADELO

A terra revolve-se
Nas suas entranhas,
As casas vibram,
Os velhos tropeçam,
As mulheres gritam,
As crianças brincam -
- Sem nada entender.

Respiro caliça.
O calor abrasa-me.
A cidade fantasma
Continua a agitar-se,
A tremer, a tremer
Em sacões violentos.

Línguas de fogo
Tudo lambem,
As labaredas
Tudo iluminam
Com ar sinistro.

Mescla de cores,
Sons e cheiros
Que eu quisera não sentir.
As crianças agora já choram
E as flores começam a murchar...

Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDE Mary Patricia Highsmith, escritora norte-americana, famosa pelos seus romances criminais psicológicos, nasceu em Fort Worth, no Texas, em 19 de Janeiro de 1921. Faleceu em Locarno, na Suíça, em 4 de Fevereiro de 1995, vítima de leucemia.
Tornou-se mundialmente famosa em 1950, com o seu primeiro romance “O Desconhecido do Norte-Expresso”, que teve várias adaptações para o cinema, a mais famosa feita por Alfred Hitchcock logo em 1951. Escreveu também muitas histórias curtas, a maioria das vezes macabras, satíricas ou de humor negro.
Foi educada pela mãe em Nova Iorque, onde fez os seus estudos, diplomando-se em inglês, latim e grego. Interessou-se pela escrita desde a adolescência, publicando a sua primeira novela em 1944 (“A Heroína” na revista “Harper's Bazaar”).
Uma estadia na Europa inspirou-a para o personagem cruel e misterioso Thomas Ripley, que ela utilizou em cinco romances.
Instalou-se depois definitivamente na Europa, primeiro em Inglaterra e posteriormente em França e na Suíça.
A sua obra compõe-se de cerca de vinte romances, numerosas novelas e o ensaio “A Arte do Suspense”.
Patrícia Highsmith vivia essencialmente só, para não ser incomodada nos seus trabalhos literários, apreciando contudo a companhia de gatos.
Graham Greene, da qual era amiga, diria que «nunca nos cansaremos de a reler».
Entre outros galardões, recebeu o “Prémio Edgar Allan Poe” (1956), o “Grande Prémio de Literatura Policial” (1957), o “Silver Dagger Award” (1964) e o “Grande Prémio de Humor Negro” (1975). Em 1990 a França concedeu-lhe o grau de “Oficial da Ordem das Artes e das Letras”. Foram feitas onze adaptações cinematográficas dos seus romances e igualmente algumas séries televisivas baseadas nas suas novelas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE Ray Dolby, engenheiro norte-americano, inventor do sistema de redução de ruído conhecido como “Som Dolby”, nasceu em Portland, Oregon, no dia 18 de Janeiro de 1933. Cresceu em São Francisco na Califórnia.
É o fundador e presidente dos Laboratórios Dolby, uma das mais bem sucedidas empresas detentoras da tecnologia de redução de ruídos e compressão de sinais digitais empregados em áudio. As suas diversas tecnologias são extensamente utilizadas em equipamentos profissionais e amadores de áudio e vídeo.
Foi também co-inventor da gravação vídeo em fita magnética, quando trabalhou na “Ampex”, em Redwood City, na década que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Estudante na Universidade de Stanford de 1953 a 1957, trabalhou na concepção dos primeiros protótipos de gravadores de vídeo. Em 1957 recebeu o diploma de “Bachelor of Science de Stanford” e prosseguiu os seus estudos na Universidade de Cambridge, onde se doutorou em Física (1961).
Trabalhou depois na Índia, como Conselheiro Técnico das Nações Unidas, até 1965, ano em que regressou a Inglaterra, fundando os Laboratórios Dolby. A patente do “Dolby Sound System" só foi registada em 1969.
Em 2004 o seu nome ficou a constar no “National Inventors' Hall of Fame”. Em 2008 a sua fortuna estava calculada em 2,9 biliões de dólares.

domingo, 17 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEMiguel Torga, de seu verdadeiro nome Adolfo Correia da Rocha, romancista, poeta e contista, um dos mais importantes escritores portugueses do século XX, faleceu em Coimbra no dia 17 de Janeiro de 1995. Nascera em São Martinho de Anta, Trás-os-Montes, em 12 de Agosto de 1907.
Filho de gente humilde do campo, foi viver aos dez anos para uma casa apalaçada do concelho de Sabrosa, em Trás-os-Montes, habitada por parentes da família. Fardado de branco, servia de porteiro, moço de recados, regava o jardim, limpava o pó, polia os metais da escadaria nobre e atendia as campainhas. Foi despedido um ano depois, devido à sua constante insubmissão. Em 1918 foi para o Seminário de Lamego, onde viveu um dos anos mais profícuos da sua vida, tendo melhorado os conhecimentos de português, geografia e história, tendo aprendido latim e familiarizando-se com os textos sagrados. No fim das férias comunicou ao pai que não queria ser padre.
Emigrou para o Brasil em 1919, com quinze anos, para trabalhar na fazenda de um tio, na cultura do café. O tio apercebeu-se da sua inteligência e patrocinou-lhe os estudos liceais em Leopoldina. Distinguiu-se como um aluno dotado. Em 1925, na convicção de que ele havia de vir a ser doutor em Coimbra, o tio propôs-se pagar-lhe os estudos como recompensa dos cinco anos de serviço, o que o levou a regressar a Portugal.
Em 1928 ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publicou o seu primeiro livro de poesia, “Ansiedade”. Em 1929, com 22 anos, começou a colaborar na revista “Presença” com o poema “Altitudes”. A revista, fundada em 1927 pelo grupo literário de José Régio, Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, era uma bandeira literária do grupo modernista e era também a bandeira libertária da Revolução Modernista. Em 1930 rompeu definitivamente com a “Presença” por «razões de discordância estética e razões de liberdade humana».
Em 1933 licenciou-se em Medicina, sempre com o apoio financeiro do tio do Brasil. Era bastante crítico da praxe e das restantes tradições académicas, chamando depreciativamente “farda” à capa e batina, mas amava a cidade de Coimbra, onde viria também a exercer a sua profissão de médico a partir de 1939 e onde escreveu a maioria dos seus livros.
Em 1934 Adolfo Correia Rocha explicou a origem do seu pseudónimo. “Miguel”, em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno. “Torga” é uma planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente rectilíneo. A sua campa em São Martinho de Anta tem uma torga plantada a seu lado, em honra do escritor.
A obra de Torga tem um carácter humanista: criado nas serras trasmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos de perpetuação da Natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da Natureza. Sem o homem, não haveria searas, não haveria vinhas, não haveria toda a paisagem duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnífica de muitas gerações de trabalho humano.
Considerado por muitos como um avarento de trato difícil e carácter duro, fugia das elites pedantes, mas dava consultas médicas gratuitas a gente pobre e era referido pelo povo como um homem de bom coração e um bom conversador.
Livros seus estão traduzidos em diversas línguas, algumas vezes publicados com prefácios de sua autoria: espanhol, francês, inglês, alemão, chinês, japonês, croata, romeno, norueguês, sueco, holandês, búlgaro, etc.
Entre os prémios que recebeu destacam-se: “Prémio Internacional de Poesia de Knokke-Heist” (1976); “Prémio Morgado de Mateusex aequo com Carlos Drummond de Andrade (1980); “Prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S.” (1981); “Prémio Camões” (1989, na sua primeira edição); “Prémio Personalidade do Ano” (1991); “Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores” (1992) e “Prémio da Crítica”, consagrando a sua obra (1993).

sábado, 16 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE Rubén Fulgencio Batista y Zaldívar, militar e político cubano, eminência parda da junta que dirigiu Cuba de 1933 a 1940, presidente oficial do país de 1940 a 1944 e novamente de 1952 a 1959, como ditador, nasceu em Banes no dia 16 de Janeiro de 1901. Morreu perto de Marbella, Espanha, em 6 de Agosto de 1973.
Órfão de pai e mãe aos treze anos, deixou a escola para se tornar aprendiz de alfaiate. Trabalhou depois em plantações de cana-de-açúcar. Recomeçou os estudos, foi barbeiro e alistou-se finalmente no exército aos vinte anos.
Em 1933 fez parte de uma “revolta de sargentos”, consequência do descontentamento dos militares acerca de salários, de evolução das carreiras e de outras condições materiais.
Levado ao poder, exerceu um governo forte entre 1933 e 1944, concentrando em si todas as nomeações para os cargos públicos.
Em 1944 tentou renovar o seu mandato, mas foi batido por Ramón Martín. Exilou-se na Florida, onde esteve até 1948, ano em que foi eleito para o Senado de Cuba.
Em Março de 1952 regressou ao poder, de novo através de um golpe militar. Passou então a governar como ditador, contando com o reconhecimento diplomático e o apoio militar dos EUA. Instaurou um regime autoritário, mandando prender os seus opositores e restringindo as liberdades através do controlo da imprensa, da universidade e do congresso, usando métodos terroristas e simultaneamente fazendo fortuna para si e para os seus aliados.
Começou a ser alvo de muita contestação. Um grupo de rebeldes, com o advogado Fidel Castro à cabeça, tentou sem sucesso tomar de assalto o quartel de Moncada em Santiago de Cuba. Três dos atacantes morreram em combate e 68 foram executados sumariamente. Fidel foi também preso, mas graças à intervenção do arcebispo de Santiago não foi executado. Dois anos depois beneficiou de uma amnistia e foi mandado para o exílio.
O apoio dos Estados Unidos ao ditador, durante sete anos, teve os ingredientes clássicos. Um governante tirânico, corrupto e repressor, apoiado pelos americanos graças às condições favoráveis concedidas aos seus negócios na ilha.
Entretanto, a pobreza não parava de aumentar, enquanto a prostituição e o jogo se desenvolviam sob o controlo de gangs americanos.
Castro voltou a Cuba no fim de 1956 e retomou as suas actividades revolucionárias, com apoio cada vez maior da população. Em 1958 Batista lançou 12 000 homens contra a guerrilha castrista, numa grande operação que fracassou. Fidel contra-atacou, iniciando-se uma guerra civil na Sierra Maestra. A classe dirigente começou a distanciar-se de Batista, considerando-o responsável pela má situação económica e social.
A população de Santa Clara ajudou os guerrilheiros, que se apoderaram de grandes quantidades de armas e de pontos estratégicos da cidade. Nos primeiros dias de 1959, Fulgencio Batista fugiu para a República Dominicana e os guerrilheiros entraram triunfalmente em Havana.
Batista obteve asilo permanente em Portugal (Ilha da Madeira e Estoril), indo mais tarde para Espanha, onde morreu.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDETrefossa, pseudónimo de Henri Frans De Ziel, escritor neo-romântico do Suriname, que escreveu em neerlandês e surinamês, nasceu em Paramaribo no dia 15 de Janeiro de 1916. Faleceu em Haarlem, em 3 de Fevereiro de 1975.
Trabalhou como professor e viveu na Holanda durante vários anos. Além de escritor foi também uma figura proeminente do movimento de independência do Suriname.
Em prol do seu patriotismo, escreveu a obra “Opo Kondreman”, da qual a segunda estrofe foi utilizada para o hino nacional.
Até hoje, a vida e a obra de Trefossa continua a fascinar gerações de surinameses. Em 2005 foi erguido em sua homenagem um monumento em Paramaribo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Pensamento oriental

EFEMÉRIDEManuel de Oliveira Gomes da Costa, militar e político português, décimo presidente da República Portuguesa e o segundo da ditadura militar que precedeu o Estado Novo, nasceu em Lisboa no dia 14 de Janeiro de 1863. Faleceu, também na capital portuguesa, em 17 de Dezembro de 1929.
Como militar, destacou-se nas campanhas de pacificação do Império Colonial Português em África e na Índia, e ainda na I Grande Guerra Mundial.
Como político, foi o líder que a direita conservadora escolheu para liderar a Revolução de 28 de Maio de 1926, com início em Braga (isto após a morte do general Alves Roçadas, que deveria ter sido o seu chefe).
Começou por não assumir o poder, que foi confiado a Mendes Cabeçadas, o líder da revolução em Lisboa. Como os revoltosos acharam, no entanto, a atitude deste um pouco frouxa, Gomes da Costa viria a alcançar a governação, após sucessivas reuniões conspirativas mantidas no quartel-general de Sacavém, após novo golpe ocorrido em 17 de Junho de 1926.
O Governo de Gomes da Costa, porém, não duraria muito mais que o de Mendes Cabeçadas. Em 9 de Julho do mesmo ano, nova contra-revolução, chefiada pelo general Óscar Carmona, derrubou Gomes da Costa. Carmona, então Presidente do Conselho de Ministros, enviou-o para o exílio, nos Açores, promovendo-o a Marechal do Exército Português.
Em Setembro de 1927, Gomes da Costa regressou ao Continente, tendo falecido dois anos mais tarde, em condições miseráveis, sozinho e pobre.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pensamento oriental

EFEMÉRIDEMarco Pantani, ciclista italiano, reconhecido mundialmente como um dos melhores trepadores da sua geração, nasceu em Cesena no dia 13 de Janeiro de 1970. Morreu em Rimini, em 14 de Fevereiro de 2004.
Cedo descobriu a sua paixão pela competição e pelas corridas de ciclismo, iniciando-se como amador.
O ponto mais alto da sua carreira foi o ano de 1998, em que venceu o Giro de Itália e o Tour de França, as duas competições mais importantes do ciclismo mundial. O seu estilo de ataques individuais tornou-o conhecido como “O Pirata”, pelos seus fãs e pela imprensa italiana. Ele cultivava esta alcunha através do seu look : orelha furada, tatuagem, lenço na cabeça, etc.
Com 1,72 m e apenas 57 kg, Pantani tinha um físico clássico de trepador e mostrou um grande potencial no seu primeiro Tour em 1994, sendo terceiro. No ano seguinte, ganhou a mítica etapa com chegada no cume do Alpe d'Huez. Quando tudo indicava que teria uma carreira meteórica, Pantani teve um terrível acidente durante uma competição em Itália. A perna esquerda sofreu graves lesões e a continuidade da sua carreira como atleta de competição foi posta em dúvida.
Devido à sua férrea força de vontade, Pantani conseguiu recuperar e voltou a competir no ano de 1997. Nova queda, quando um gato se atravessou diante da sua bicicleta durante o Giro de Itália. Conseguiu recuperar de novo, a tempo de entrar do Tour de França do mesmo ano, tendo lutado pela conquista da camisola amarela.
Entretanto, no Tour do ano seguinte (1998), Pantani tornou-se o primeiro italiano, desde Felice Gimondi (1965), a vencer esta prova. A sua vitória foi ainda mais espectacular porque, nas últimas décadas, a prova tinha sido sempre dominada por corredores especialistas em contra-relógios.
Marco mostrou ainda as suas qualidades espectaculares no Giro de Itália, com a vitória em 1998, além de vencer várias etapas.
As boas notícias acabaram quando, no Giro de 1999 - o qual tudo levava a crer também seria vencido por Pantani, foi excluído da competição porque um exame ao sangue revelou uma alta taxa de glóbulos vermelhos, um indicativo (não conclusivo) de que provavelmente utilizara uma substância proibida. Fora das corridas durante todo o ano, tornou a participar do Tour em 2000. Embora longe de mostrar a forma espectacular que o caracterizava, ainda manteve um grande duelo com Lance Armstrong, pedalada a pedalada, na subida do assustador Mont Ventoux, deixando para trás todos os outros competidores. No final da etapa, Armstrong permitiu a vitória de Pantani, o que o deixou ressentido. Foi a última vitória importante do “Pirata”.
Apesar de todas as acusações de uso de drogas dopantes, Pantani continuou extremamente popular entre os seus admiradores.
Em 2003 Pantani internou-se numa clínica no norte de Itália, sofrendo de depressão. As esperanças de vê-lo novamente nas grandes competições desvaneceram-se. Em 2004 morreu subitamente num hotel de Rimini. A autópsia revelou que morrera em virtude de um edema cerebral e pulmonar, com paragem cardíaca provocada por overdose de cocaína. Subsistem no entanto numerosas dúvidas, até hoje, no que respeita às circunstâncias exactas da sua morte.
O também famoso ciclista italiano Mario Cipollini, ao saber da morte do colega, declarou: «Estou transtornado. É uma tragédia de enormes proporções para todos os que estamos envolvidos com o ciclismo. Não tenho palavras para me expressar». O grupo de rock francês “Les Wampas” escreveu uma canção em homenagem ao malogrado ciclista.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pensamento oriental

EFEMÉRIDESpiridon Louis, atleta grego, primeiro homem a vencer uma maratona nos Jogos Olímpicos da Era Moderna (Atenas, 1896), nasceu em Marousi, um subúrbio situado no norte de Atenas, em 12 de Janeiro de 1873. Morreu na capital grega no dia 26 de Março de 1940.
Era carregador de água e pastor de ovelhas e tornou-se um herói nacional, recebendo muitos presentes, desde jóias até à oferta de ter a barba feita por toda a vida pelos barbeiros da região.
Após a sua vitória, nunca mais correu e levou uma vida sossegada, primeiro como pequeno fazendeiro e depois como oficial de polícia. Teve também o monopólio do fornecimento de água à capital, a partir das fontes de Marousi.
Fez a sua última aparição pública em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, como convidado de honra dos organizadores. Ficou famosa a sua foto a entregar a Adolfo Hitler um ramo de oliveira trazido de Olímpia, o berço das Olimpíadas.
Spiridon morreu pouco tempo depois da invasão da Grécia pelos nazis e o seu nome foi dado desde então a inúmeras instalações e clubes do país, principalmente ao Complexo Desportivo de Atenas, onde se realizaram os Jogos Olímpicos de 2004. A rua situada em frente do complexo chama-se também Avenida Spiridon Louis.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE Thomas Hardy, romancista e poeta inglês, faleceu em Max Gate, Dorchester, no dia 11 de Janeiro de 1928. Nascera em Higher Bockhampton, Dorset, em 2 de Junho de 1840. Autor de obras de grande importância, ficou conhecido pelo pessimismo radical que caracteriza os seus romances.
Nasceu numa família anglicana moderada. A sua mãe, letrada, ensinou-o em casa até ele entrar para a escola aos oito anos. Interrompeu os estudos aos dezasseis, tornando-se aprendiz de um arquitecto local. Em 1862 partiu para Londres a fim de estudar no King's College. Neste estabelecimento de ensino ganhou os prémios do “Royal Institute of British Architects” e da “Architectural Association”.
Trabalhou na restauração de edifícios antigos, principalmente igrejas, enquanto escrevia poemas que só publicaria no fim da sua vida, revelando-se um poeta extraordinário. No período de maturidade (1878-1895), escreveu obras que se tornaram clássicos da literatura inglesa. O estilo prosaico e objectivo da sua linguagem, cuja temática se voltava para a velhice, o amor e a morte, influiu na reacção anti-romântica. Por tudo isso, foi considerado o “último dos grandes vitorianos”.
Dos seus estudos guardou o gosto pela poesia latina. Foi como autodidacta que aprendeu grego, para poder ler Homero e o Novo Testamento.
Em 1867 fixou-se em Londres dedicando-se inteiramente à literatura. De 1871 a 1896 escreveu catorze romances e quatro livros de novelas. Em 1897 o seu romance “Tess of the d'Urbervilles” foi representado na Broadway, sendo adaptado ao cinema em 1913.
Depois do escândalo provocado pela crítica radical que ele fez ao casamento e à religião em “Jude”, cujos exemplares foram vendidos às escondidas embrulhados em papel de embalagem, Thomas Hardy abandonou os romances. Dedicou-se então ao que ele considerava a sua obra-prima: “The Dynasts”, um vasto poema dramático composto por três partes, publicadas respectivamente em 1903, 1906 e 1908. Espécie de “Guerra e Paz” em verso, é uma “Ilíada” dos Tempos Modernos. Recebeu a “Ordem do Mérito” em 1910.
Tendo começado a sofrer de pleurisia em Dezembro de 1927, faleceu em Janeiro do ano seguinte com 87 anos.

domingo, 10 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDESal Mineo, de seu verdadeiro nome Salvatore Mineo Jr., actor norte-americano descendente de emigrantes italianos da Sicília, nasceu em Nova Iorque, em 10 de Janeiro de 1939. Foi assassinado com arma branca, em West Hollywood (Califórnia), no dia 12 de Fevereiro de 1976.
Detido por roubo com a idade de dez anos, deram-lhe a escolher entre ir para a prisão ou ingressar numa escola de actores. Aos dezasseis anos entrou como actor secundário no célebre filme “Fúria de Viver” com James Dean e Natalie Wood.
Começou verdadeiramente a sua carreira, interpretando o personagem de um jovem príncipe, na peça “O Rei e Eu”, em que contracenava com Yul Brynner. Posteriormente a peça foi adaptada ao cinema.
Em 1957 experimentou também cantar rock, conseguindo que duas das suas canções estivessem durante várias semanas no Top 40 americano. Entrou em cerca de vinte filmes.
Em 12 de Fevereiro de 1976 foi assassinado sem motivo aparente. John Lennon ofereceu mesmo uma recompensa para quem encontrasse o assassino.
Um vagabundo chamado Lionel Ray Williams foi preso e, julgado em 1979, confessou-se culpado sendo condenado a prisão perpétua. O assassino não teria nenhuma ideia de quem era a vítima e matou-o “apenas” para lhe roubar o dinheiro de que necessitava para obter droga. Foi libertado condicionalmente em 1990.

sábado, 9 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE Joan Chandos Baez, cantora norte-americana de música folk, nasceu em Nova Iorque no dia 9 de Janeiro de 1941, numa família de origem mexicana, inglesa e escocesa.
A sua carreira profissional começou em 1959 no "Newport Folk Festival" onde, com 18 anos, foi a grande revelação. Lançou no ano seguinte o seu primeiro disco, uma colecção de baladas tradicionais que chamou a atenção pela qualidade do repertório, pelo talento na guitarra acústica e pela sua bela voz de soprano. O álbum seguinte, "Joan Baez, Vol. 2", foi lançado em 1961. Ganhou um disco de ouro, o mesmo acontecendo com "Joan Baez in Concert" de 1962. No ano seguinte já era considerada uma mais populares cantoras dos Estados Unidos. Em 1964 lançou o quinto disco, em que incorporava uma selecção de canções folk dos Estados Unidos e da América Latina, com destaque para interpretações de composições do músico brasileiro Villa-Lobos. Além de folk tradicional e canções de protesto, ajudou a promover Bob Dylan, impressionada com as suas primeiras composições e incluindo várias delas no seu repertório. Acabaram por se enamorar, mas o relacionamento acabou em 1965.
Tal como Dylan, Baez foi influenciada pela “invasão britânica” e passou a usar, ainda que discretamente, acompanhamento eléctrico, além do seu violão. No final dos anos 1960, Baez interessou-se pela poesia, publicando o livro “A Journey Through Our Time”. Em 1969 lançou um álbum duplo inteiramente dedicado às canções de Bob Dylan. Também tocou em Woodstock, numa época em que estava inteiramente envolvida na luta contra a Guerra no Vietname.
Em 1968 casou-se com David Harris, um proeminente opositor da guerra vietnamita, que seria mesmo preso. Harris, fã de música country, fez então com que Baez fosse mais influenciada pelo country rock. A sua versão de “The Night They Drove Old Dixie Down” da The Band foi um sucesso, entrando para o “Top Ten” americano.
Em 1972 lançou “Come From The Shadows”, um álbum explicitamente político, com azedas críticas à presença americana no Vietname. Passou depois a interessar-se pela música pop e a investir nas suas próprias músicas. Em 1976 voltou a apresentar-se com Bob Dylan e gravou ao vivo "From every stage", onde demonstrou a sua permanente empatia com o público. Em 1980, um disco também ao vivo, acústico, marcou o retorno a uma certa simplicidade musical e talvez, ao formato artístico mais adequado ao seu estilo. Nos anos 1980 continuou a apresentar-se com frequência, mantendo um público fiel, mas deixou de gravar discos para grandes gravadoras, gravando o seu repertório de forma esporádica em produtoras independentes.
Na véspera do Natal de 1980 deu um concerto gratuito junto da Notre Dame de Paris (25 000 pessoas), acompanhada pelos órgãos e sinos da Catedral e dedicado às crianças de todo o Mundo.
Nos anos 1990, apesar das mudanças constantes de gravadoras, Baez continuou a lançar álbuns. O CD “Ring them bells” de 1996 foi considerado o melhor trabalho de folk contemporâneo do ano, por revistas da especialidade. O seu último CD foi “Dark Chords on a Big Guitar”, em 2003, após alguns anos sem gravar.
Joan vive em Woodside na Califórnia. Em 2008 comemorou os 50 anos da sua carreira musical com tournées pelos Estados Unidos e pela Europa. Veio pela primeira vez a Portugal (Cascais) em 1980 e tem previstas para Março de 2010 actuações nos Coliseus de Lisboa e do Porto. Está implicada em numerosas organizações humanitárias, que a solicitam com frequencia.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDETeresa Salgueiro, cantora portuguesa e ex-vocalista do grupo “Madredeus”, nasceu em Lisboa no dia 8 de Janeiro de 1969.
Pode dizer-se que a sua carreira se iniciou em 1986, quando dois dos fundadores do grupo (Rodrigo Leão e Gabriel Gomes) a descobriram a cantar com um grupo de amigos numa tasca do Bairro Alto, em Lisboa. Depois da primeira audição com Pedro Ayres Magalhães, outro dos fundadores dos Madredeus, Teresa Salgueiro passou a ser a voz e «a maior inspiração da música do grupo».
Teresa Salgueiro é uma soprano com vasta extensão vocal, tendo um talento inato para a música. A sua formação musical deu-se ao longo dos primeiros anos de vida dos Madredeus, cursando dois anos de aulas de canto. Os compromissos internacionais do grupo acabaram por a impedir de prosseguir com uma educação musical mais completa.
Em 2005 foi editada uma compilação de diversas participações e colaborações que fez com outros artistas. O trabalho, intitulado “Obrigado”, conta com canções cuja variedade de estilos mostram a versatilidade da cantora. Entre outras, este álbum traz canções que Teresa Salgueiro gravou com os Madredeus, com António Chainho, com o tenor catalão Carreras, com os cantores e compositores brasileiros Caetano Veloso e Zeca Baleiro, com a dupla portuguesa Mário Laginha e Maria João, etc..
Em 2007 os Madredeus decidiram fazer um ano sabático e os seus membros dedicaram-se a projectos individuais. Teresa lançou então o álbum “Você e eu”. Tratou-se do primeiro trabalho a solo de Teresa Salgueiro, com grandes canções da Música Popular Brasileira: de Pixinguinha a Dorival Caymmi, passando por António Carlos Jobim e Chico Buarque.
Teresa apresentou, no mesmo ano, o espectáculo “La Serena”, com temas cantados em várias línguas, acompanhada pelo “Lusitânia Ensemble” - um grupo de músicos, na sua maioria, da Orquestra Sinfónica Portuguesa. O concerto gerou o álbum “La Serena”, lançado em Portugal em 2007.
Ainda no mesmo ano Teresa Salgueiro foi convidada para participar no álbum “Silence, Night and Dreams” do compositor polaco Zbigniew Preisner. Neste álbum, ela teve uma participação de destaque, interpretando canções em inglês e em latim. Preisner, conhecido pela sua colaboração com o cinema polaco, confessaria mais tarde que compusera “Silence, Night & Dreams” pensando na voz «pura, limpa e sem vibrato» de Teresa Salgueiro.
No fim de 2007, o anúncio da saída de Teresa Salgueiro, Fernando Júdice e José Peixoto dos “Madredeus” apanhou de surpresa os fãs do grupo. Teresa Salgueiro afirmaria que a sua saída do grupo se ficava a dever unicamente aos inúmeros compromissos profissionais surgidos a partir dos seus dois trabalhos individuais lançados em 2007.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEAndré Maginot, soldado e político francês, conhecido por ter idealizado a “Linha Maginot”, faleceu em Paris no dia 7 de Janeiro de 1932. Nascera, também na capital francesa, em 17 de Fevereiro de 1877.
Doutorou-se em Direito em 1897, ingressando na administração pública. Começou a sua carreira política como Conselheiro Geral de Revigny-sur-Ornain, sendo eleito deputado por Bar-le-Duc em 1910, cargo que conservou até à sua morte.
Em 1913 foi nomeado Sub-secretário da Guerra. Quando a Primeira Guerra Mundial rebentou, alistou-se como soldado (44º regimento territorial) e pediu para se juntar a uma Companhia colocada em Hauts de la Meuse. Criou patrulhas regulares e a sua coragem e atitude fizeram-no aceder rapidamente ao posto de sargento.
Ferido em Novembro de 1914, não voltou para a frente de combate e recebeu a Medalha Militar. Em 1917 tornou-se Ministro das Colónias, tendo sido graduado Cavaleiro da Legião de Honra dois anos mais tarde.
Nomeado Ministro das Pensões em 1920, encarregou-se de tornar a burocracia mais humana para os antigos combatentes. Em 1922 foi nomeado Ministro da Guerra. Preocupando-se com a defesa das fronteiras francesas, fez construir várias fortificações. Substituído por Paul Painlevé, trabalhou com ele para desbloquear os fundos necessários para melhorar a defesa do país. Os trabalhos consequentes começaram a ser feitos em 1928.
Voltou a ser Ministro da Guerra em 1929 e prosseguiu a fortificação do leste da França. Convencido que as defesas fixas eram a melhor solução, ele tornou a dinamizar o projecto experimental que pouco tinha avançado. O seu objectivo era dissimular a remilitarização ao longo do Reno, que deveria estar operativa a partir de 1935. O seu lobbying permitiu completar o financiamento da Linha Maginot. Se bem que a linha defensiva tenha sido principalmente devida a Paul Painlevé, a sua edificação não teria sido possível sem a persistência e a vontade de Maginot.
Morreu em 1932, vítima de febre tifóide. O seu funeral foi realizado, com cerimónias oficiais nos “Invalides”, em 10 de Janeiro de 1932, dia de luto nacional. André Maginot era ainda detentor da Cruz de Guerra 1914-1918 e da Medalha dos Feridos Militares.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDERowan Sebastian Atkinson, actor e comediante inglês, nasceu em Newcastle upon Tyne no dia 6 de Janeiro de 1955.
Diplomado em engenharia pelas Universidades de Newcastle e Oxford, onde foi colega do futuro Primeiro-ministro britânico Tony Blair, acabou por se tornar mundialmente famoso como Mister Bean, personagem que ele próprio criou e interpreta.
Rowan começou por chamar a atenção da crítica no Festival de Edimburgo em 1977. Depois, em 1978, criou a sua própria revista no Teatro Hampstead de Londres, tornando-se mais tarde membro fundador do "Not the Nine O'Clock News Team" da BBC. Esta experiência deu-lhe vários prémios: um “LP de Platina e Ouro”, um “Emmy Internacional”, o “Prémio da Academia Inglesa” e foi ainda escolhido como “Personalidade do Ano da BBC”.
Passou a dedicar-se sobretudo ao cinema nos fins dos anos 1980. Em 1981, Rowan tornou-se o mais jovem actor a ter um show no London's West End, ganhando o “Prémio de Comediante e Actor do Ano”.
Assegurou durante cinco anos as quatro séries de “Blackadder” para a BBC, ganhando três prémios da Academia Inglesa, um Emmy Internacional e três vezes o prémio ACE, sendo mais uma vez votado a “Personalidade do Ano da BBC”.
O programa-piloto do impagável Mister Bean ganhou a “Rosa de Ouro” em Montreal, continuando depois a ganhar numerosos prémios. As séries do Mister Bean já foram vendidos em mais de 200 países, estando no topo do ranking dos shows de comédia. Rowan é produzido pela “Tiger Aspect” da qual também é sócio.
Rowan Atkinson tem aparecido igualmente noutros filmes de sucesso, entre os quais “Never Say Never Again” com Sean Connery e “The Appointments” de Dennis Jennings, que ganhou o Oscar de 1989 do Melhor Filme de Curta-Metragem.
O seu último filme, “As férias de Mr. Bean”, rodado em 2007 na região francesa de Cannes (durante a realização do próprio Festival de Cinema), descreve a viagem de Londres a Cannes e os inesperados problemas e aventuras que lhe acontecem. No final das filmagens anunciou que não actuaria mais como Mr. Bean pois, afirmou, «é muito difícil, pois tenho que aparecer em todas as cenas».
É um dos raros proprietários da viatura mais cara do mundo, a Bugatti Veyron.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEJuan Carlos I, actual Rei de Espanha, nasceu em Roma no dia 5 de Janeiro de 1938.
Juan Carlos Alfonso Víctor Maria de Borbón y Borbón, de seu nome completo, nasceu durante o exílio do avô Afonso XIII, rei de Espanha até 1931, ano em que foi deposto pela Segunda República Espanhola.
Por expresso desejo do pai, a sua formação desenvolveu-se em Espanha, onde chegou pela primeira vez aos dez anos, proveniente de Portugal, onde residia no Estoril desde 1946 com seus pais, os Condes de Barcelona.
Iniciou os estudos no Instituto San Sebastián e, em 1954, terminou o bacharelato no Instituto San Isidro em Madrid. Desde 1955 estudou nas Academias e Escolas Militares dos três Exércitos, onde adquiriu o grau de Oficial. Realizou a sua viagem de “práticas”, como Guarda da Marinha, no navio escola “Juan Sebastián Elcano”e obteve o posto de piloto militar.
Em 1957 Juan Carlos passou um ano na Escola Naval de Pontevedra e, depois, na Escola Aérea em San Javier. Entre 1960 e 1961 completou a sua formação na Universidad Complutense de Madrid, onde cursou Direito Político e Internacional, Economia e Finanças Públicas.
Em Maio de 1962 contraiu matrimónio, em Atenas, com a Princesa Sofia da Grécia, filha dos reis gregos de então. Ela era ortodoxa mas, devido ao casamento, converteu-se ao catolicismo romano. Depois das bodas, os príncipes começaram a residir no Palácio da Zarzuela nos arredores de Madrid.
Apesar da sua “aliança” com os monárquicos, Franco não estava ansioso por restaurar a monarquia deposta. Estando ele no poder, preferia dirigir o país com um regime próprio, sendo ele o Chefe de Estado vitalício. Muitos apoiantes de Franco iniciaram um debate sobre quem o iria substituir quando ele morresse. O herdeiro ao trono de Espanha era Juan de Borbón (Conde de Barcelona), filho do falecido Afonso XIII. No entanto, Franco via-o com extrema desconfiança, acreditando que ele era um liberal que se opunha ao seu regime.
Franco decidiu escolher como sucessor o príncipe Juan Carlos, esperando que o jovem príncipe pudesse ser preparado para assumir o comando da nação, continuando a manter a natureza ultra-conservadora do regime. Em 1969 Juan Carlos foi oficialmente designado herdeiro e foi-lhe dado o novo título de Príncipe de Espanha (e não o tradicional de Príncipe das Astúrias).
Durante os tempos que se seguiram, Juan Carlos apoiou publicamente o regime. No entanto, à medida que os anos passavam, começou a reunir-se com líderes da oposição política e com exilados. Teve igualmente conversas secretas com o seu pai pelo telefone.
Durante os períodos em que Franco esteve incapacitado temporariamente, em 1974 e 1975, Juan Carlos foi agindo como Chefe de Estado. Perto da morte, Franco deu o controlo total a Juan Carlos. Após o falecimento de Franco, as Cortes Gerais proclamaram Juan Carlos como Rei de Espanha.
Juan Carlos I pronunciou nas Cortes a sua primeira mensagem à nação, na qual expressou as ideias básicas do seu reinado: restabelecer a Democracia e ser Rei de todos os espanhóis, sem excepção.
A transição para a democracia começou com a Lei da Reforma Política em 1976. Em Maio de 1977, o Conde de Barcelona, seu pai, transmitiu ao Rei os seus direitos dinásticos e a Chefia da Casa Real espanhola, num acto que confirmava o cumprimento do papel que correspondia à Coroa no retorno da democracia. Um mês mais tarde, realizaram-se as primeiras eleições democráticas desde 1936 e o novo Parlamento elaborou o texto da actual Constituição, aprovada por referendo em 1978 e sancionada por Juan Carlos em sessão solene das Cortes Gerais. A Constituição estabelece, como forma política do Estado, a monarquia parlamentar, em que o Rei arbitra e modera o funcionamento regular das instituições políticas. Na sua mensagem às Cortes, Dom Juan Carlos proclamou expressamente o seu propósito de aceitá-la e servi-la. Finalmente, foi a actuação do Monarca que salvou a Constituição e a Democracia na noite de 23 de Fevereiro de 1981, quando houve uma tentativa de golpe de estado no próprio Parlamento.
O seu perfil europeísta e o seu papel no restabelecimento da democracia em Espanha foram reconhecidos através de numerosos Prémios Internacionais.
Atento sempre ao mundo intelectual e à sua capacidade de inovação, Juan Carlos exerce o Alto Patronato das Reais Academias e mantém uma assídua relação com os meios culturais e em particular com a Universidade. Foi investido Doutor Honoris Causa por uma trintena de prestigiadas universidades espanholas e estrangeiras.
É também o Presidente Honorário do Instituto Cervantes, encarregado da difusão da língua espanhola no Mundo. Todos os anos entrega o Prémio Cervantes, que distingue os melhores escritores da língua espanhola nos continentes Europeu e Americano.
Durante a Conferência Ibero-Americana de 2007 realizada em Santiago do Chile, quando o presidente venezuelano Hugo Chávez criticou o ex-presidente do governo de Espanha José Maria Aznar chamando-o de fascista e interrompendo constantemente o presidente do governo Zapatero, Juan Carlos disse a Chávez: «¿Por qué no te callas?», incidente que se tornou então num caso mediático mundial
Tanto Juan Carlos como a esposa são fluentes em várias línguas. Falam espanhol, inglês e francês. Ao contrário da Rainha, no entanto, Juan Carlos não fala alemão nem grego, um facto que lamenta. Além das referidas línguas, o Rei fala ainda italiano, português e catalão.
Assíduo praticante de vários desportos, sobretudo de esqui e a vela, Juan Carlos tem apoiado a prática desportiva como escola de formação de grande valor social. A presença dos Reis e da Família Real e o seu estímulo às equipas olímpicas espanholas é constante e teve especial relevo durante os Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona.
Como Chefe de Estado espanhol ele é, por inerência, Capitão General das Reais Forças Armadas e seu Comandante Supremo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE Carlos Saura Atares, realizador de cinema espanhol, nasceu em Huesca no dia 4 de Janeiro de 1932.
É um dos cineastas espanhóis mais influentes e reconhecidos no plano internacional. Originário de uma família de artistas (a mãe era pianista e o irmão António era pintor), desenvolveu desde a infância um sentido artístico adaptado à fotografia.
Em 1957 obteve em Madrid o diploma de Realizador no “Instituto de Pesquisas e Estudos Cinematográficos”, onde ficaria como professor até 1963.
Em 1957/58 fez o seu primeiro documentário: “Cuenca”. Em 1960, com “Golfos”, descreveu o problema da delinquência dos jovens nos bairros mais pobres de Madrid.
Em 1963, com "Llanto por un bandido”, realizou uma reconstituição histórica. Em 1965, o seu estilo ao mesmo tempo lírico e documental, centrado nos problemas dos mais desfavorecidos, recebeu o reconhecimento da comunidade internacional no Festival de Berlim, onde o filme “La Caza” foi agraciado com o Urso de Prata. Em 1967 o seu filme “Peppermin” recebeu nova consagração no mesmo Festival.
Os filmes “La Prima Angélica” (1973) e “Cría cuervos” (1975), que trataram com subtileza a sociedade franquista, receberam o “Prémio Especial do Júri” no Festival de Cannes.
O seu filme “Mama cumple 100 años” foi nomeado para o Oscar do Melhor Filme em Língua Estrangeira em 1979.
Em 1991 recebeu finalmente o reconhecimento do seu próprio país, com o “Prémio Goya” de Melhor Realizador e Melhor Script através do filme “¡Ay, Carmela!“.
Foi escolhido para realizar o filme oficial dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 (“Maratona”).
Hoje, Carlos Saura é considerado um dos clássicos da história do cinema contemporâneo europeu. Ele soube sobretudo contar a evolução da sociedade espanhola quando da transição democrática e a sua oposição à ditadura franquista.
No seu filme “Fados” (2007), o fadista português Carlos do Carmo ganhou o “Prémio Goya” para a Melhor canção original.

domingo, 3 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEMel Columcille Gerard Gibson, actor, realizador, produtor e guionista norte-americano, nasceu em Peekskill, Nova Iorque, no dia 3 de Janeiro de 1956.
Em 1968 a família mudou-se para a Austrália, por razões económicas e para evitar a mobilização do filho mais velho para a guerra no Vietname. Gibson foi educado por membros da Congregação dos “Christian Brothers”.
Gibson estudou no “National Institute of Dramatic Art” de Sydney. Depois de se graduar em 1977, começou a actuar imediatamente na série “Mad Max”, mas manteve também a presença nos palcos, ingressando no “State Theatre Company of South Australia” em Adelaide.
Quando iniciou a sua carreira no cinema, Mel Gibson recebeu excelentes elogios da crítica e foi comparado a várias estrelas do cinema clássico (Steve McQueen, Clark Gable e Humphrey Bogart). A sua aparência física fez dele um actor predestinado para protagonizar filmes de acção, como nas séries “Mad Max” (1979) e “Máquina Mortífera” (1987). Gibson expandiu porém as suas actuações para uma variedade de papéis, como em “Hamlet” e em comédias como “Maverick” e “Do que as mulheres gostam”. Os seus maiores sucessos financeiros e artísticos viriam, no entanto, quando se tornou igualmente produtor e realizador. Ficaram célebres “Braveheart ” (1995, Oscar do Melhor Filme e do Melhor Realizador) e “A Paixão de Cristo” (2004). Este último filme foi escrito, produzido e realizado por Gibson e é uma reconstituição das doze últimas horas de Jesus Cristo. A película teve grande sucesso, mas deixou os críticos muito divididos quanto ao seu conteúdo.
No final de Julho de 2006 foi preso por dirigir em alta velocidade e embriagado e dirigiu impropérios à comunidade judaica. Dias depois, desculpou-se e admitiu ter problemas de alcoolismo, anunciando que ia iniciar um tratamento para se livrar do vício. Num comunicado enviado ao popular programa de TV, Access Hollywood, disse: «Agi como uma pessoa completamente fora de controlo quando fui detido, e disse coisas infames, que não são verdadeiras».
O seu último filme foi “Apocalypto” (2006). A acção situa-se antes das conquistas espanholas na América do Sul e o tema central é o Império Maya. Durante a realização deste filme, Gibson doou um milhão de dólares para construir casas para os habitantes da região de Yucatan, desalojados por importantes inundações.
Esteve casado com Robyn Moore desde 1980, tendo sete filhos. Em Abril de 2009 Robyn pediu o divórcio e, no mês seguinte, soube-se que a amante de Mel, com 38 anos, Oksana Grigorieva, estava grávida de três meses. O oitavo filho de Mel Gibson nasceu no fim de Outubro de 2009.

sábado, 2 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEDaisaku Ikeda, filósofo, pacifista, romancista, ensaísta, poeta, crítico, professor e líder budista japonês, nasceu em Tóquio no dia 2 de Janeiro de 1928.
Licenciou-se na Faculdade Fuji Júnior. Em 1947 converteu-se ao Budismo de Nichiren Daishonin e tornou-se membro da Soka Gakkai, uma organização de leigos.
Em 1958 o presidente da Soka Gakkai faleceu e, dois anos depois, Ikeda foi nomeado presidente. Sob a sua liderança, a organização progrediu, chegando a alcançar aproximadamente treze milhões de membros no Japão, tornando-se a maior organização do género no país. Para apoiar os esforços da Soka Gakkai, baseados na filosofia budista de Nichiren Daishonin e com o intuito de promover a paz, a cultura e a educação, Ikeda fundou, através dos anos, várias instituições educacionais, culturais e de pesquisa, incluindo o “Sistema Escolar Soka” que abrange alunos desde a idade pré-escolar até à universidade, a “Associação de Concertos Min-On”, o “Museu de Arte Fuji” de Tóquio, o “Instituto de Filosofia Oriental”, a “Casa Literária Victor Hugo” em França e o Centro de Pesquisas Ecológicas da Amazónia perto de Manaus no Brasil.
Ainda em 1960, Daisaku Ikeda partiu para a sua primeira viagem ao estrangeiro, com uma comitiva de seis dirigentes da Soka Gakkai. A viagem abrangeu nove cidades de três países: Honolulu, no Havai, São Francisco, Seattle, Chicago, Nova Iorque, Washington e Los Angeles (nos Estados Unidos) Toronto (Canadá) e São Paulo (Brasil).
A partir de então, inúmeras foram as viagens realizadas à volta do mundo em prol da paz. A organização foi sendo estruturada em diferentes países, surgindo a necessidade da criação da “Soka Gakkai Internacional”, o que aconteceu em Guam, no Havai, em 1975. Daisaku Ikeda impulsionou ainda mais o movimento em defesa da paz, da cultura e da educação. Hoje a “SGI” está presente em aproximadamente 200 países e regiões, realizando muitas actividades em defesa do bem-estar da sociedade.
Desde 1967, quando propôs a normalização das relações sino-japonesas, Daisaku Ikeda ocupou-se activamente da elaboração e publicação de propostas dirigidas às Nações Unidas, tratando de questões sobre a paz, o desarmamento, a educação e o meio ambiente. Encontrou-se com líderes políticos e intelectuais de quase todo o mundo, num intercâmbio de opiniões sobre os desafios com que se defronta a humanidade. Alguns desses diálogos foram compilados em livros.
Continua a percorrer o mundo, aplicando os princípios da filosofia budista aos problemas da humanidade e empenhando-se vigorosamente em criar uma nova era no século XXI - uma era de esperança, de compreensão, de respeito mútuo, de paz e prosperidade, tendo por base o verdadeiro humanismo.
Daisaku Ikeda é um prolífero autor, escrevendo romances, ensaios e poesias sobre uma vasta gama de temas abrangendo o humanismo, a paz, a sociedade, a juventude, a arte e a própria literatura. Os seus livros estão traduzidos em cerca de catorze idiomas.
Em 1992 foi nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesa. Em 2005 recebeu a Medalha da Câmara do Comércio de Paris, pela sua contribuição no intercâmbio internacional de estudantes. Foi galardoado em 2007 com o “Prémio Mundial do Humanismo” pela Academia do Humanismo da Macedónia.
Até 2008 tinha já recebido mais de 264 títulos honoríficos de instituições universitárias e académicas do mundo inteiro.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDEKim Philby, de seu verdadeiro nome Harold Adrian Russell Philby, membro de topo da hierarquia dos serviços secretos ingleses mas que espionava também para a União Soviética, nasceu em Ambala, Índia, no dia 1 de Janeiro de 1912. Faleceu em Moscovo, em 11 de Maio de 1988, vítima de crise cardíaca.
Nasceu na Índia, que na época era ainda uma colónia britânica e onde o pai servia como magistrado. Ganhou a alcunha de “Kim”, porque - tal como o herói do romance de Rudyard Kipling - começou a falar punjabi, a língua local, antes do inglês.
Entrou para os serviços secretos soviéticos em 1933, depois de ter estudado na Westminster Public School e no Trinity College, em Cambridge, instituições que recebiam os filhos da elite britânica. Estudava Economia e História. Foi recrutado quando estava na universidade, juntamente com mais quatro colegas, que ficaram conhecidos como “Os 5 de Cambridge”.
Conforme revelaria em entrevista, no ano da sua morte, Philby e os seus colegas acreditavam que as democracias ocidentais não tinham condições de se opor ao nazi-fascismo. Na opinião deles, somente o comunismo era forte suficientemente para o enfrentar.
Através do jornalismo, ingressou no Serviço Secreto de Inteligência Inglês (SIS-M16) e, sob a cobertura da sua profissão (enviado do “Times”), espionou para os ingleses em Espanha, no período da Guerra Civil (1936-1939). Foi ferido e condecorado pessoalmente por Franco.
Em 1944, estabeleceu e chefiou o serviço de contra-espionagem para descobrir agentes soviéticos em solo inglês, portanto foi designado para se descobrir a si próprio. Passou para os soviéticos os planos dos aliados para subverter os governos comunistas no Leste europeu durante o período da Guerra-fria, permitindo que o governo de Moscovo neutralizasse as operações. O governo britânico, no entanto, considerava-o um funcionário exemplar e agraciou-o com a sua mais importante condecoração, a Ordem do Império Britânico.
Enviado para os Estados Unidos em 1949, passou a chefiar ali a delegação dos serviços secretos britânicos e serviu de oficial de ligação com o FBI e a recentemente criada CIA. Com esta última chegou a trabalhar directamente.
Em 1951, a deserção de dois dos seus colegas de Cambridge para a Rússia tornou-o alvo de suspeitas. Mesmo submetido a intenso interrogatório, nada revelou a seu respeito mas, apesar disso, foi afastado do SIS. Foi para o Líbano, como correspondente do “Observer” e depois do “The Economist”. Cobriu a crise do Suez em 1956 e actuava como espião freelancer, sob a cobertura da sua profissão de jornalista.
Em 1963, um desertor do KGB ofereceu evidências contra Philby. Agentes do SIS viajaram até ao Líbano para o fazer confessar, mas Philby despistou-os e embarcou num avião cargueiro com destino a Moscovo. Era o fim de uma carreira de mais de 30 anos como agente duplo.
Foi recebido inicialmente com desconfiança, pois Moscovo duvidava também da sua lealdade, observando que as suas informações eram «boas demais». No início dos anos 1980 obteve a cidadania soviética e foi admitido como consultor do KGB. Foram-lhe concedidas diversas honrarias e prémios. Em 1990 foi posto em circulação um selo postal com a sua efígie.
Contou a história da sua vida como agente duplo no livro “Minha Guerra Silenciosa”, que teve prefácio de Graham Greene, com quem trabalhara durante a Segunda Guerra Mundial.

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